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História Uma Aventura Pokémon - Capítulo 6


Escrita por: picoleseller

Capítulo 6 - Conhecimento


O sol nasceu brilhando forte desde cedo, sinalizando que o clima poderia ser ameno no decorrer do dia. Um pouco de luz já infiltrava-se pela entrada da gruta, iluminando suavemente o lugar. No interior da caverna, a atmosfera gélida ainda predominava. Lamp e Zet permaneciam dormindo no centro da sala com um longo cobertor posto sobre eles. Um pouco de neve acabou caindo do buraco na parede superior em cima do menino. 

— Aii! – ele disse, acordando de súbito. – Que frio!

O Riolu também acordou, porém de forma mais tranquila. Os dois puseram-se sentados com o cobertor sobre as pernas. Eles perceberam que haviam apagado e dormido. Olharam em direção ao local que levava para fora dali e viram os raios de sol.

— Nossa, como assim já é de manhã ? – Lamp disse, pondo uma das mãos no rosto e balançando a cabeça. – Quando foi que adormecemos ?

Então ele notou Malie um pouco mais à frente. A mulher preparava o café em uma pequena fogueira improvisada com alguns galhos de pinheiro. Ao vê-la, o garoto lembrou-se rapidamente de tudo que havia ocorrido na noite anterior.

— Parece que os dorminhocos voltaram à vida! – a moça falou, olhando na direção deles após ver que tinham despertado. – Vocês dormiram como pedras. – Ela pôs algumas nozes e castanhas em uma pequena tigela.

— Obrigado pelo cobertor. – O menino agradeceu, levantando-se e dobrando a coberta junto a Zet.

— É sempre bom ter reservas. – Malie apontou a grande mochila de viagem que carregava. – Ei! Venham para cá! Vocês devem estar com fome!

Os dois caminharam até onde ela se encontrava. Estavam realmente famintos. Lamp comeu algumas frutas e pinhas da estação invernosa que a mulher colhera. Zet preferiu as nozes. O calor do café servia de acalento para o corpo. Comeram em silêncio, mas logo após terminarem, Malie quebrou o gelo perguntando sobre de onde tinham vindo. Lamp então contou sobre a vila e os motivos de estarem viajando.

— Então o seu pai deixou coisas para que vocês explorem ? Agora fiquei curiosa sobre esses lugares que vocês têm que visitar.

— Sim! Eu também estou animado! – O menino disse, sorrindo.

— Ei! Mas ligue para a sua mãe de vez em quando, certo? – a mulher falou, levantando-se e guardando os utensílios em sua mochila.

— É claro! Ainda mais depois do que aconteceu em Creminin! Ela pode se preocupar. – Lamp falou, olhando para Zet.

Malie perguntou o que tinha ocorrido na cidade. Lamp falou sobre o ataque dos Pokémon e do caos na localidade. Disse também o que tinha acontecido com Kitz e Kein e como acabaram no hospital.

— O quêêê ?!! – A moça exclamou. – Como assim você pegou fogo entrando em uma loja? – Você é muito louco, cara!! – ela esfregava a mão em punho no cabelo de Lamp.

— Ei! Você falou errado! A loja estava pegando fogo, não eu! E a minha ideia não foi tão ruim! Eu tinha que fazer alguma coisa! – ele redarguiu.

A exploradora ficou de pé e em silêncio por um momento, fixando o seu olhar em Lamp. Pôde observar que o menino era corajoso o suficiente para segui-la em sua jornada.

— Eu sei o motivo do ataque dos Pokémon e da luz que você ouviu falar. 

— Tem alguma coisa a ver com aquele homem, não é ? – Lamp indagou.

— Sim, sim! Mais especificamente com o que ele fez aqui. – a mulher apontou para o altar.

Então ela começou a caminhar devagar pelo chão áspero em direção ao centro da sala. Lamp e Zet levantaram-se e a seguiram.

— Este lugar no monte branco é um dos seis santuários espalhados pelo mundo. – Malie falou calmamente. – Eles foram criados por Arceus para armazenar as energias de ignição. Dizem que a união dessas energias leva ao poder união, que é dito ser o resultado da criação do universo. – Ela parou por um instante e arrepiou-se um pouco. – Mas eu gosto de acreditar que só o próprio Arceus pode mexer com essas coisas.

Eles subiram as escadas do altar. Lamp e Zet a ouviram atentamente. O menino lembrou-se de ler sobre o surgimento do universo. Contudo, os livros os quais ele tivera contato não eram muito aprofundados, falavam de forma superficial sobre o assunto. Os olhos dele arregalaram-se com as informações trazidas pela mulher.

— Mas não é perigoso que esses santuários fiquem por aí ? – indagou apreensivo. 

— Como você já pôde observar, este lugar não passa de ruínas para quem não o conhece. Além disso, as lendas dizem que Pokémon lendários os protegem. E veja as escrituras. A linguagem é muito antiga.

— Mas, Malie, você não disse que aquele homem fez algo aqui?

A mulher subiu o último degrau da elevação pedregosa seguida pelos dois. Ela andou até o altar e pôs sua mão sobre a pedra vermelha que ali estava.

— Sim, Lamp. – a moça assumira um semblante mais sério, contrastando com a sua extroversão usual. – Nenhuma linguagem antiga parece ser um empecilho para ele e nenhum Pokémon protegeu este lugar das suas ações. O mesmo aconteceu para o primeiro santuário onde eu o vi.

— Então ele pode manipular as energias dos santuários ?! – Lamp exclamou.

— Uh! – Malie expirou. – Você chegou no meu ponto de alívio! Apesar de eu não saber o que aquele homem pretende, o ataque na cidade mostra que ele não pode. Os Pokémon ficaram do jeito que você me contou por causa da grande quantidade de energia que o santuário liberou ao reagir à tentativa errada dele. Aconteceu provavelmente o mesmo que eu o vi fazer.

— Quando você o encontrou pela primeira vez ? 

— Semana passada! – Malie continuava com uma mão sobre o altar, olhando para o teto. – Eu estava com alguns amigos visitando o santuário de Jitran. Ele chegou e fez o mesmo que fez aqui. O buraco acabou sugando os que me acompanhavam. Só eu escapei.

A história de Malie fez Lamp lembrar-se de John. O menino cerrou os punhos e baixou a cabeça.

— Eu sinto muito, Malie. – disse, com uma voz triste.

— Ei, garotão, lembre-se de que vamos salvar todos! – Malie buscou animá-lo.

— Sim! É claro!

A mulher então alcançou uma folha em um dos bolsos do seu uniforme.

— Veja! Este é o mapa que o cara da capa deixou cair naquele dia.

— Nossa! Então há uma pista ? – Lamp exclamou.

— Bem, foi através disto que eu pude desvendar para onde ele poderia estar indo. Observe que há seis indicações. São os santuários. Imaginei que ele iria para o mais próximo, e como aqui é o mais perto de Jitran, vim para cá. Pelo visto acertei.

Lamp ouviu Malie e resolveu olhar o mapa. Acabou se surpreendendo ao ver as marcações atentamente, pois os lugares sinalizados ali eram extremamente semelhantes àqueles que estavam no do seu pai. Ficou eufórico:

— Zet! Por favor, vá até a mochila e pegue o mapa.

O Riolu assentiu e desceu os degraus rapidamente, dirigindo-se para as coisas que estavam próximas da entrada. O lugar já começava a ficar melhor iluminado pelos raios de sol.

— O que houve ? – Malie perguntou com uma expressão de estranheza. 

— Eu quero saber se realmente estou certo.

Nesse momento Zet retornou e entregou o mapa a Lamp.

— Obrigado, parceiro! – o garoto sorriu para o amigo. – Ahá! Eu sabia! São os mesmos lugares! – ele disse com os olhos brilhando.

Malie observou, e assim como Lamp, comparou os mapas, percebendo a clara semelhança e que realmente os seis santuários estavam no mapa do menino.

— Que incrível! Realmente o seu mapa os indica, Lamp! Então, na verdade, os lugares que você busca visitar são os santuários.

O garoto já havia ligado os pontos e foi além, imaginando que o seu pai conhecera aqueles locais e guardara as informações nas anotações.

— Malie, é possível que o meu pai tenha conhecido muitas coisas relacionadas aos santuários – o garoto estava entusiasmado. – Ele deixou um caderno para mim narrando as aventuras dele.

— Você viu alguma coisa interessante nas anotações ? – Malie estava realmente curiosa com relação às novidades trazidas por Lamp.

— Eu comecei a ler, porém o meu pai aconselhou continuar apenas ao chegar aqui – ele respondia alegremente.

A princípio a mulher não levou muito em consideração a jornada de Lamp, entretanto estava cheia de curiosidade agora que o menino falava abertamente sobre o que ele conhecia. Seu maior interesse residia no que o garoto falava sobre o pai. Mapas que indicavam os santuários eram raros. Além disso, ela podia contar nos dedos quantas pessoas possuíam conhecimentos acerca de mitologia antiga e ela própria não era uma dessas.

— Desculpe-me a intromissão, mas o seu pai falava sobre as viagens que ele fazia ? Ele era um grande explorador ? – indagou interessada.

— Lembro-me de muitas coisas que o meu pai me falava. – Lamp respondeu, abrindo o caderno e começando a folheá-lo – Elas estão muitas vivas na minha memória. Ele era parte de um grupo… – Lamp fez uma pausa para recordar o distintivo de seu pai que ele sempre observava. – Grupo de exploração de Arquen, era esse o nome. – disse após lembrar. – Eles visitavam muitos lugares, mas o meu pai muitas vezes viajava sozinho.

Malie estava apreensiva ao ouvir Lamp falar. Quando o garoto terminou, ela esbugalhou os olhos:

— Grupo Arquen ?! – exclamou. – Lamp, como o seu pai se chamava ?

— Lagus! – o menino encontrou a página onde estivera no outro dia e falou sem prestar muita atenção em Malie.

A mulher ficou em silêncio por um momento enquanto o garoto estava concentrado. Ela estava com a cabeça erguida e perdida em pensamentos. Zet a observava.

— Lamp, eu conheci o seu pai! – ela falou, ainda olhando para cima.

O garoto já havia retomado a leitura do local onde parara. No entanto, ao ouvir tais palavras, rapidamente ergueu os olhos.

— O quê ?! – exclamou. – É sério ?!

— Lagus fazia parte dos exploradores de Arquen. – ela disse cadenciadamente. – O meu avô era o responsável pelas jornadas.

— Quando você conheceu o meu pai ?! – O menino estava perplexo.

— Eu tinha a sua idade – Malie começou a falar – Por causa do meu avô, comecei a me interessar por mitologia. Sempre que ia visitá-lo, encontrava os exploradores. O seu pai era um desses. Porém, para o meu avô ele era especial, o braço direito dele. Muitas vezes eu brincava no acampamento e ouvia os dois conversando. Meu avô sempre o chamava pelo nome: Lagus, Lagus, Lagus. Fiquei com ele gravado na memória. E o próprio velho ainda afirmava que poucos possuíam conhecimento como o seu pai.

O garoto estava extremamente abismado. Tudo misturava-se cada vez mais em seus pensamentos. Agora, saber que existia alguém que conhecera o seu pai, sobre o qual ele não sabia tanto pela descrição de outros, gerava a sensação da possibilidade de aprender algo novo e interessante. 

— Malie, você o viu antes da última viagem dele ? – As palavras saltaram involuntariamente.

— Eu não o vi antes da exploração em que a equipe se foi – Malie respondeu com uma voz terna. – Eu contarei a você o que sei sobre ele, mas primeiro, por favor, deixe-me dar uma olhada no caderno que ele deixou para você, quero verificar uma coisa.

— Claro! – Lamp segurou o caderno desajeitadamente.

Então, o garoto ergueu o caderno, buscando apoiá-lo no altar. Entretanto, ele não se atentou à pedra vermelha e acabou tocando bruscamente nela. Ocorreu que a ela deslizou um pouco do lugar onde permanecia encaixada. Então, quando perceberam, uma aura roxa começou a se formar onde o artefato estava. 

— Ainda há energia ?!! – Malie gritou.

Após a mulher dizer isso, um pulso de onda foi liberado do altar e jogou os três ao chão. A aura formou um feixe de luz roxo que começava a direcionar-se para cima, indo em direção ao buraco no teto.

— Tenho que colocar a pedra de volta no lugar! – a voz de Lamp ecoou.

Nesse instante, abaixo do altar, no lugar onde estava na outra ocasião, a aura amarela apareceu. Ela aparentava estar bem diferente da outra vez. Exalava uma energia muito mais forte. Havia se expandido. E, antes que a luz do altar alcançasse a saída na parte de cima, a energia áurea se transformou em um feixe de luz veloz em direção a aura roxa. 

— Zet!! A luz!! – O garoto apontou.

— Ela está parando a energia do altar!! – Malie exclamou.

A luz amarela parecia absorver a outra. Quanto mais era atingida, mais proeminente se tornava. Lamp conseguiu levantar-se para tocar o objeto, mas quando se aproximou a energia roxa parou de fluir. 

— A pedra perdeu a força! – Malie falou, aproximando-se.

Agora, a aura resplandecente flutuava no alto do saguão. Ela movia-se de uma forma estranha, dilatando-se e contraindo-se. Os três permaneceram a observando curiosos.

— Que incrível !! – Lamp olhava para cima.

— O que é isto ? – Malie falou baixo.

Os instantes em que a luz pareceu seguir um certo padrão durou apenas o tempo dessas observações. Ela parecia se condensar em um tipo de forma. Começou criando braços e pernas e, rapidamente, assumiu uma aparência humanoide. Logo em seguida, flutuou para o chão, brilhando intensamente. Uma voz parecia começar a ecoar do espectro.

— Eu sou aquele quem criou tudo isso e tenho o dever de manter seu equilíbrio! Eu sou Arceus!

 



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