História Uma busca entre dimensões - Capítulo 12


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura @miracules!

Capítulo 12 - Twelve


Fanfic / Fanfiction Uma busca entre dimensões - Capítulo 12 - Twelve

 

 Matenha a calma. Respire fundo.

 Ando confusa  pelos corredores do palácio.  É como se meu corpo estivesse  apavorado  demais até para entrar  em pânico.  Em vez disso, sinto como se tivesse sido drogada. Meus  passos são lentos, e a estampa do carpete me deixa um pouco tonta.

-Tem certeza de que está mesmo bem my lady?- Adrian, ou melhor, o tenente  Cat Noir, caminha atrás de mim mantendo alguns passos respeitosos de distância.

- Muito bem, obrigada,  Cat Noir.

 Na verdade, estou há  5 segundos de enlouquecer  completamente, mas vamos continuar andando, está bem? 


É  isso que está nas estrelinhas. Talvez ele entenda. De qualquer forma, continua calado.

Eu  estaria melhor se fizesse alguma idéia de para onde preciso ir.  O palácio   de inverno é enorme, e acho que mesmo se eu soubesse o que deveria fazer em seguida, não conseguiria chegar tá lá.

 Por sorte, não  fico sozinha por muito tempo

-Ai está você!- Eduard surge de um dos  corredores e passa a andar ao meu lado. Apesar de a noite anterior ter terminado tarde, e de todo o champanhe que ele provavelmente tomou,  parece radiante.

- Está  sentindo melhor irmã?

- Acho  que sim.

Sorri para Eduard  me parece algo muito natural.  É  fácil lidar com ele, que é sempre muito simpático. Além disso, a afeição  que ele sente pela irmã é inconfundível. O  que uma irmã mais nova adorada diria em um momento como este? Vamos  ver ... Ele foi em um grande baile ontem à noite. Não foi? Brigitte já chegou em casa algumas vezes bem mais tarde do que deveria, bem mais que eu. Então digo para ele a mesma coisa que para ela:

 - E você? Estou surpresa por não  está debaixo das cobertas com uma bolsa de gelo na cabeça.

Ele ergue os olhos, e suspira de uma forma meio melodramática.

 - Você nunca vai deixar essa história de lado, né?

 -Jamais.- Esse negócio de blefar é  bem mais fácil do que imaginei. Sorrio.

Ele continua:

-Uma noite exagerei na vodka , e apenas uma vez na minha vida sem ousadias acabo vomitando na urna decorativa, o preço que tenho que pagar por isso? Simplesmente a condenação eterna da minha querida irmã.

-Condenação, nunca. Mais provocação eterna com certeza.

 Eduard ri do que eu falo. A risada dele parece muito com a da mamãe. Então  é assim que é  ter um irmão... Sempre senti vontade de ter um irmão. Eduard  para ser exatamente o que eu sempre quis: protetor, engraçado e gentil. Além de bonito.

 E nesse momento sinto um beliscão  forte no braço.

- Aí!- Me viro e dou de cara com Felicite, que parece muito satisfeita consigo mesma com seu vestido em um vestido vermelho. Eu  arriscaria  que ela tem cerca de 13 anos. Mesmo sendo bem mais parecida com o imperador do que nós dois, ela ainda tenho os cabelos lisos brilhantes que são definitivamente um traço dos
Dupain-Chang.- Por que fez isso?!

-Por pensar que eu era muito nova para o baile. Mostrei para você. Os homens dançaram comigo a noite toda!

 Observo Eduard  em busca de uma confirmação. Ele  olha para Tikki.

-Nossa pequena Tikki dançou exatamente quadro músicas, uma delas comigo e duas com os tios. Mas um oficial muito legal a chamou para dançar, e ela fez muito bonito

Felicite ou Tikki, Seila, ergue seu queixo obstinada, como se não tivesse sido contrariada.

-Eles crescem tão rápido...-  digo balançando a cabeça e passando a mão por baixo dos olhos enxugando lágrimas falsas.

-Onde o tempo vai parar??- Concorda  Eduard  unido-se a mim no ato de superioridade dos irmãos mais velhos.

-Vocês não são tão maiores assim!- diz Felicite, emburrada, e sair correndo puxando a ceda da  barra do meu kimono. Ele se solta e arrasta no carpete. Ela larga e sai correndo dando risadas.

-Ah  francamente...- Será que ela é sempre tão irritante assim? a Marinette desta dimensão deve suportar-lá .

Mas tem alguma coisa na risadinha de Felicite que me fez lembrar de uma época, muitos anos atrás, em que me escondi atrás de Brigitte enquanto ela estava no telefone e puxei a presilha do cabelo dela. Minha irmã teve que sai correndo atrás de mim pela casa toda por pelo menos uns 10 minutos, até me alcançar. Porque isso parecia tão divertido quando eu tinha 9 anos? Não sei. Mas era incrível. Cheguei até a pular do sofá em determinado momento morrendo de rir quando Brigitte tentou me copiar e acabou caindo no chão.


 Me lembro dela gritando:

- irmãs  mais novas são as pessoas mais chatas do mundo inteiro!!!

Decepcionada, agora entendo que ela tinha razão .

Adrian para na minha frente e se abaixa para pegar a ceda . Quando me entrega, ele olha em meus olhos como se... Como se eu fosse algo além da sua responsabilidade. Como se me conhecesse... Será que ele se lembrou de quem é de verdade?!

Minha esperança aumenta por um instante, até que me dou conta de que ele continua sendo o tenente Cat Noir.

-My lady- diz ele.

- Obrigada, Cat Noir.

 As palavras saem filmes do bastante, mas é tão estranho... olhar para ele e reconhece uma pessoa que ele é e não é ao mesmo tempo.

 Alguém como sempre imaginei que Adrian seria...

 Eduard não parece  ter notado nada além do normal entre nós dois.

-Agora que você voltou ao normal, devo retornar ao quartel- diz ele enquanto Adrian  volta a andar atrás de mim, e rapidamente ajeito a ceda do meu Kimono.- Boa aula .

-Vejo você na ceia- respondo.

Que pena só vou ver ele agora na ceia. Pera...ceia? PUTA MERDA! E se  eles não ceian  juntos?! E se eles nem sequer dizem ceia?! Eu deveria ter dito jantar??

A ansiedade começa a me fazer suar frio e embrulhar o estômago.

Mas para a minha felicidade, eu não disse nada de errado. Pois Eduard  assente.

Ufa...essa foi quase...

Ofereço a buchecha para ele dar um beijo breve,  e sua barba (ou oque deveria ser uma)  me faz cócegas .

Descobru que há  uma biblioteca no fim do corredor... não,  é uma sala de aula.

-Você vai me deixar falar hoje?- Reclama Felicite. enquanto se senta em uma das carteiras largas e grandiosas da sala,  que mais parecem saídas de uma loja de  antiguidades do que de uma escola pública.

 -Ou vai  puxa saco do professor de novo? Ele deveria ser o tutor de todos nós. Não só seu.

- Posso revezar.- prometo, distraída, enquanto ouço passos  breves baixinhos vindo do corredor.

 Um garotinho aparece na porta com enorme sorriso.

-Marinette!

A enciclopédia me deu o nome de que eu precisava. O fato de que ele é adorável fornece a emoção necessária.

-Pablo!

Estendo os braços para o meu "irmãozinho"  que se joga neles.

Ele  se pareça ainda mais com a mamãe. Ainda mais  do que eu.  Sua pele é clara quase chegando ao moreno. É seus cabelos são de um tom preto, tão preto que se parece com azul, assim como o meu e da nossa mãe 

Mas seu corpo é magro quase frágil e não muito grande para uma criança de 11 anos, mas tem uma doçura única no rosto. Será que o imperador dá  todo o carinho que ele precisa?  Acredito que não. E o jeito que Pablo se pendura  em mim me faz lembrar que a mãe dele (minha mãe, nossa mãe) está morta.


 Até Felicite fica mais fofa ao redor dele.

-Você vai me encantar com seu francês hoje, Pablo?

Ele consente com um ar sério.

- Pratiquei com Kim.

-Mas Kim não fala uma palavra em francês! Vocês devem ter ficado é comendo queijo.- Felicite ri,  apontando para o guarda do outro lado de fora da porta, ao lado de  Adrian.  Kim não diz nada, apenas continua olhando fixo para  a frente.- Veremos como você se sai, Plagg.

Ela o chamou de Pablo, e depois de Plagg. No corredor, Eduard a  chamou de Tikki, e ontem a noite ele me chamou de Marinette para se referir a mim, ainda que na enciclopédia conste que nesta dimensão recebi a versão chinesa do meu nome, Shuishou.  De acordo com outras histórias, sei que a nobreza do século 20 usava diferentes nomeo dependendo do idioma que falavam. Uma mania aristocrática que, aparentemente permanece viva aqui.

Olho para Adrian por cima do ombro. Aqui com certeza ele é chamado de Âdéliãn - a formar chinês-,  mas não consigo me força a pensar nele  com um nome diferente.

Esta  sala de aula é completamente diferente de todos os lugares chatos e institucionais que já vi na televisão. Em vez de carteiras de plástico e dos quadros de aviso, há  estante de livros  que vão do chão ou teto.O tapete persa  daqui é um pouco mais gasto do que na maioria dos cômodos  do palácio,  de as cortinas de veludo verde-escuro talvez esteja um pouco puídas. Esta  sala  não foi feita para ostentar poder e riqueza. Elas até  se parece um pouco com a minha casa.

Sento na carteira que parece se a minha e me pergunto como diabos vou blefar  nesta aula, sendo que não faço a menor idéia do que estamos  estudando. Para a minha sorte, pelo que parece estamos estudando francês também. Então não vou ter dificuldades nessa parte.

Felicite  vai  poder ter atenção do professor o quanto quiser. Pois não vou   ser capaz de responder nenhuma pergunta...

Então  escuto uma voz masculina familiar vindo da porta .

Meu corpo se arrepia e  paralisa completamente.

-Estou vendo que as grã-duquesas não   se cansaram tanto assim de todos os festejos da noite passada.

Tudo fica em câmera lenta, enquanto com as mãos trêmulas, me viro para o dono da voz.

E lá está ele... meu pai...

A sala por completo fica em silêncio. E a única coisa que consigo ouvir são as batidas aceleradas do meu coração.

com o sorriso amável a qual eu tanto queria ver... anda em direção ao quadro negro. Mas para ao lado dá minha carteira.

-Bom dia majestade. Soube que a senhorita sofreu um pequeno acidente ontem. Está se sentindo melhor?

Fico em silêncio. Tento responder...mas meu raciocínio está sendo ocultado pelo colapso  de emoções que bagunçam minha cabeça .


Ele está vivo....

Ele está vivo....

Ele está aqui...

Ao meu lado....


- Grã-duquesa? Está tudo Bem?

-E-eu...eu...- Tento buscar as palavras certas pra responder . Mas nenhuma vêm. Há  muitas coisas que quero dizer...mas nenhuma é apropriada.

minhas mãos trêmulas apertão minhas coxas  com força por baixo da mesa tentando se conter.

-Majestade? -diz meu pai ja preocupado com meu silêncio.

Levanto com um sobre salto da mesa.

-D-Desculpe. Só preciso de um pouco de ar. Já volto pa...professor....

Saio rapidamente da sala e ao passar da porta começo a correr. Adrian sai da porta indo atrás de mim.

-My lady, espere por favor! Houve algo?! Está passando mal??- Ele correr até mim- My lady!

A preocupação na voz do mesmo é mais do que perceptível.

Porém,  é uma das últimas coisas a qual estou prestando atenção.

Sinto as lágrimas  quentes descendo pelas bochechas enquanto corro pelo corredor.

Pai...papai ....finalmente o encontrei...
Este é o milagre pelo qual  espero desde que entrei  nesta jornada....

Sinto uma mão forte me puxar pelo pulso me fazendo parar. Mas em segundos me solta.

-Desculpa por lhe tocar, My lady.- o ouço andar dois passos para trás.-Por favor, me diga o que houve, para que eu  possa tomar as medidas adequadas.

Enxugo as lágrimas com as longas mangas do Kimono.

De todas as emoções que sinto. A mais forte é a felicidade. Quando recebi a notícia que meu pai havia falecido. Tudo que conseguir sentir foi medo...pois pensei que nunca mais poderia vê-lo...

Poder vê-lo e ouvi-lo agora em vida...sorrindo...acalmou meu coração de uma tal  maneira ... que até posso sentir um pouco do meu luto se dissipando...

Meu coração continua acelerado. Então o espero se acalmar, assim como minha respiração. Quando ambos estão calmos. Me viro para Adrian.

-Nada á se preocupar. Apenas senti enjoou. Pensei que pudesse passar mal na sala de aula, por isso sair rapidamente.  

Adrian me observa atentamente. Não parece acreditar em mim. Deve ter percebido que estava chorando. 


- Vou lhe acompanhar até seus aposentos. Para que possa descansar. Chamarei o médico real, pois pode ser uma sequela do acidente de ontem my lady.

-Não!- Percebo minha alteração de voz, olho pra baixo desviando o olhar.
Agora que pude finalmente ver meu pai. Quero poder passar o tempo que estiver a minha deposição com ele. Porém nesta dimensão tenho que agir apropriadamente. Isso significa conter minhas emoções...- Não será necessário Cat Noir. Voltarei para a aula.

-Têm  certeza, My lady? Quer que eu mande uma criada trazer um chá medicinal para o seu enjoou?

- Já estou me sentindo melhor. E sobre o enjoou,  um copo d'água será o suficiente.

-Como desejar, My lady.

-Obrigada, Cat Noir. Voltarei pra aula.

Passo por Adrian voltando pra sala.

Olho a porta grande a minha frente. Meu pai está do outro lado...

Repito o mesmo que tenho dito pra mim desde que acordei.

-Matenha a calma... Respire fundo....

Entro. Vejo as feições de preocupação de todos na sala me olhando.

-Marinette!- O pequeno Pablo corre até mim pegando em ambas das minhas mãos.- Oque houve? Está se sentindo mal??

Seu rosto preocupado e seus olhos brilhantes, me fazem sentir culpa por preocupa-lo.

-Está tudo bem. Nada a se preocupar.- passo a mão pelo seus cabelo, em gesto de carinho  - Agora sente-se em sua carteira Plagg.

Ele faz um sim com a cabeça, e volta para carteira.

Volto para meu lugar.

Papai está apoiado  na mesa. Nela  posso ver vários papéis para fora da pasta. Parece tão desorganizado nesta dimensão quanto era em casa, apesar da estranha formalidades de suas roupas, um terno antiquado,  com colete, e óculos de metal fininho, ele ainda é totalmente igual ao meu pai. O mesmo rosto fino arrendodado, porém bonito, os mesmos  olhos azuis-claros, o mesmo sorriso enigmático que dá quando está preocupado...

Ele está aqui, e mais do que qualquer  outra coisa eu queria correr até ele e  abraça-lo. Dizer que eu o amo e o quanto estou com saudade...

Mas preciso continuar interpretando  meu papel. Só o que posso fazer é conter minhas lágrimas de alegria.

-Majestade.  Se estiver se sentindo indisposta, não precisará permanecer na aula.- Ele sorrir de maneira gentil.

Meu sorriso sai involuntáriamente.

-Obrigada pela preocupação tutor. Mas agora estou bem. Podemos prosseguir com a aula.- Minha voz sai um pouco trêmula, como se eu mal conseguise pronunciar as palavras.

Meu pai sabe que te alguma coisa acontecendo, mas apenas me encarar por instantes antes de balançar  a cabeça e não exige maior explicações

-Como quiser senhorita. Vamos começar nossa aula, então- diz ele.  Papai deve ter vindo para a china a fim de  ensinar os filhos do imperador. Mas em meios aos seus planos conheceu minha mãe....

 -Imagino que todos vocês estejam animadíssimos  para voltar a estudar francês,  por isso, vamos começar logo.

Pablo está aprendendo gramática básica. Felicite  traduziu um texto. Eu deveria ter terminado uma redação sobre os trabalhos de Molière. Por sorte, estudei Molière em casa, então devo conseguir prosseguir com o trabalho. No entanto, só  consigo segurar o livro com minhas mãos suadas e olhar furtivamente para papai,  que está vivo e a poucos passos de mim.

Nunca tinha perdido alguém. Não desta forma. Todos os meus avós morreram antes que eu nascesse, ou  quando ainda era nova demais para me lembrar deles. O único enterro que já fui foi do meu peixinho dourado. Então não fazia ideia  do que realmente é o Luto.

Agora sei que o Luto é uma pedra de amolar que afia todo amor, todas as suas memórias  mais felizes,  e os transforma  em lâminas que nos cortam de dentro para fora. Alguma coisa em mim foi rasgada, algo que nunca mais vai cicatrizar, nunca, não importa até quando eu viva.

As pessoas dizem que o tempo cura, mas mesmo neste momento, menos de uma semana depois da morte do meu pai, sei que esse é mentira. O  que as pessoas querem dizer na verdade é que,  eventualmente, você vai se acostumar com a dor. Vai se esquecer de quem era antes dela,  da sua aparência antes das cicatrizes.

Acho que esta é a fronteira entre juventude e a idade adulta, e não aquela babaquice que afirma  que é: se formada na  escola, perde a virgindade, ir morar sozinha, ou o que for.  Você só cruza a linha da maturidade na primeira vez em que sofre uma mudança que é eterna. Só  quando sabe que nunca mais pode voltar atrás.

Toda vez que vejo o rosto do  papai, ou  ouço a voz dele, tenho que me esforçar para não chorar. Ainda assim, consigo seguir com as aulas. Francês geografia e,  por fim, atualidades.

-Quais mudanças poderemos ver nas próximas décadas? - perguntar ele,
 enquanto analisamos a última edição do jornal que temos (que é de 4 dias atrás, pois tudo aqui percorre distâncias bem lentamente). Meu  pai está ficando empolgado, da mesma forma que fazia quando sua imaginação começava a viajar.- Se este tipo de linha de produção funciona para trens, o que mais  podemos produzir dessa forma? Pense nos avanços de produtividade, de tecnologia!

-Ou guerra...- Digo, baixinho.- Vão  criar armas desta maneira também. 

Papai me olha com curiosidade .

-Imagino que você esteja certa. A automatização aumenta todos os  potenciais humanos, tanto para o bem quanto para o mal.

No fundo da sala, vejo Pablo  tentando prestar atenção e Felicite está dobrando uma página do Le Monde para fazer um aviãozinho de papel.

Deveria deixar eles  participarem um pouco, é verdade, mas não posso deixar passar nenhuma oportunidade de conversar com papai.

-No entanto, não acha, sua alteza imperial, que pode haver mais benefícios  do que  desvantagens?

Papai empurra os óculos para cima no nariz. Dá para notar que ele fica enlouquecindo com os óculos. esta versão dele não tem lentes de contato.

- Não  é uma equação simples.  Não  é como adição e subtração...está mais  para cálculo avançado.- Começo a brincar com meus cabelos  antes de lembrar que, pela primeira vez na vida, eles estão arrumados.- Os bens serão mais baratos  e existiram em maior quantidade,  mas isso fará  as pessoas os tratarem como se fosse descartáveis. Vamos trocar a individualidade e artesanato pela previsibilidade e acessibilidade. Incontáveis empregos serão criados, mas conforme a indústria for se  tornando mais globalizada, os empregos darão lugar a nações em desenvolvimento com menos leis trabalhistas para proteger-los....

Todo mundo na sala estar me encarando. Papai parece admirado, já  Pablo e Felicite  passam a impressão de estarem  irritados.  Quando anacronismos  acabei de usar? Talvez a Marinette desta dimensão não tenha tanta opinião assim sobre economia.

-...  Então, hum...  os efeitos da Revolução Industrial são complexos. E coisas do tipo. Sim.

Meu sorriso deve estar ainda mais esquisitos do que acho  que está.

-Revolução Industrial...- repete papai, devagar.- Que expressão interessante.  Dá  para resumir tanta coisa  que está acontecendo atualmente no mundo com isso! Revolução Industrial... Muito bem explicado, Sua Alteza Imperial.

Por mais absurda que seja a situação,  não consigo evitar de me senti extremamente feliz com o relogio que ganho do meu pai. Isso me dá vontade de chorar de novo. Então tenho que desviar o olhar.

Nossa aula termina e, arrependida, saio da sala com meus irmãos. Antes de ir, sorriu para papai.

Este sorriso representa tão pouco do que sinto... porém, não posso arriscar mais. Adrian  ficou esse tempo todo esperando por mim no corredor, ao lado do guarda de Pablo e Felicite. Não há  qualquer sinal de impaciência. É como se ele fosse esperar por mim para sempre, independente de quanto tempo fosse levar.

-My lady.- Adrian sai da porta vindo até a mim.- Aqui esta o copo de água. Desculpe por não entrega-lo mais cedo. A senhorita estava respondendo o senhor Cheng, e não quis a interromper.

Pego o copo da mão do mesmo, bebendo de seu conteúdo.

-Obrigada, Cat Noir.

Sinto um puxão em meu braço. Olho para quem me puxou dando de cada com uma Felicite emburrada.

-Puxa saco do professo, como sempre.-
Diz ela enquanto cruza os braços em sinal de irritação.

-Ah, não  enche.- Respondo.

 Pablo  ri.

-Você é a preferida dele e sabe disso. Mas é  natural, porque é a mais inteligente.

Meu irmãozinho não se recente a proximidade que tenho com nosso  tutor. Mas Felicite obviamente não gosta.

-Nem mesmo é  adequada... esta relação de vocês dois.- diz ela, jogando o cabelo para trás. E suas longas tranças batem na costa.- Talvez ele esteja querendo ensinar algo mais do que história,  hein?

-Felicite!!!- O grito sai alto e forte. É  claro que ela não teria como saber que sua piada foi extremamente grotesca, mas  isto não mudou fato de que quero dar na cara dela.- Como se atreve a dizer uma coisa tão horrível?!  E é mentira.

Ela se encolhe. Até mesmo sua agressividade foi longe demais.

- Foi só  uma piada!
 
-Este não é o tipo de coisa com que se   pode brincar. Nem mesmo comigo. Professor Dupain-Chang  é um ótimo tutor, para todos nós, e você deveria respeitar isso.

- Está bem, está bem...- Resmunga ela, mas claramente está louca para que o assunto seja encerrado. Graças  a Deus.  A última coisa de que preciso é que ela descubra o verdadeiro motivo que faz eu ser a favorita.

 Descubro que devemos passar nossa tarde de maneiras  diferentes: Felicite  vai aprender bordado com uma de nossas primas, que ela vai odiar. Pablo  vai ter aula de equitação e talvez  de uma volta no campo de treinamento dos soldados com Eduard, algo que ele vai adorar. E eu? Tenho que passar o resto do dia respondendo cartas chatas  de várias  relações reais dos mais diversos lugares da Ásia e Europa.

Há  muitos problemas neste plano. Em primeiro lugar, não conheço nenhum destes parentes...Com certeza tem uma lista, mas quem exatamente  é a princesa Kagami/Kyoko Tsurigi do Japão? Quer dizer, é óbvio que ela é uma princesa chamada Kagami. Mas será que somos primas? Amigas? Quase estranhas? Sobre quais  assuntos será que costumamos conversar? Em segundo lugar, tenho quase certeza de que existem protocolos aqui para este tipo de coisa, algumas fórmula  para  escrever cartas reais, mas não sei de nenhuma.

Ainda assim, não sei muito bem o que devo fazer no momento.

Até o coronel Azarenko voltar e eu consegui recuperar  o Miraculos dele, tenho que fazer o melhor que posso  para passar pela grã-duquesa real Marinette.  Isso significa que tenho que  escrever cartas.

Fico imaginando nesse momento se tudo que ta acontecendo comigo. Não é apenas o universo querendo me fuder por completo.

Na biblioteca, consigo encontrar um livro de contabilidade chamado "a lista da realeza, nobreza e oficiais" que mostra quais são as principais famílias   reais de cada país, e ainda tras  notas  que explicam como nos tornamos parentes.

Ao que parece, todos são  meus parentes.

 Adrian  fica comigo o tempo todo, a alguns metros de distância. Ele deve  perceber como bizarro é,  eu precisar deste material de referência, mas não diz absulutamete nada, apenas ficar esperando, cheio de paciência. Isso me  ajuda me sentir um pouco mais no controle, apesar de fazer uma bagunça com as cartas. A caneta tinteiro borra todas as palavras e escrever a mão leva muito tempo... Para  ser sincera Skype é a melhor forma de manter contato.

No meio das notas, busco na lista alguma referência do nome Luka Couffaine. Tudo  bem que as chances de Luka também ser da nobreza são mínimas, mas tô desesperada para descobrir onde ele está. Em um mundo sem Google, uma informação como esta é muito difícil. Mas não há nenhuma mensão dele no livro, assim como minhas criadas me disseram esta manhã que nunca tinha ouvido falar nele. O paradeiro de Luka continua sendo um completo  mistério....

Enquanto escrevo uma carta para uma princesa coreana que parece ser minha tia. Não  consigo parar de pensar na presença de Adrian. Ele  fica parado na porta da sala onde escolhi trabalhar, nós dois sozinhos neste vasto e elegante cômodo, sendo observados pelos retratos a óleo de vários ancestrais meus. Seus rostos são de reprovação. Por fim, não consigo mais suporta o silêncio.

- Você deve achar isso muito entediante, Cat Noir.

 Adrian  sequer mexe a cabeça.

-De forma alguma, My lady.- Responde ele.

-Não preferiria está com seu... regimento? É esse o nome? Não preferiria está com seus colegas soldados?

-Minha  obrigação é ficar com a senhorita, My  lady.

 E tem alguma coisa na maneira que ele diz "My lady" que me incomoda. Torno a olhar para minha carta, mas só  consigo ficar encaram a página.

Ok, já sei que Adrian não é assassino.  Isso é um alívio, mas essa informação faz surgir mais perguntas do que respostas. Por que ele destruiria  toda a pesquisa e os dados da minha mãe e fugiria? E se ele é tão inocente, por que lutou tão brutalmente com Luka em londres?

Bom. Luka e eu atacamos primeiro. E Adrian disse que suspeitava de Luka quando o viu...

Calma. Arregalo os olhos. Luka...não, não pode ser! Não posso aceitar Isso!

Não. Não  pode ser mesmo. Ele correu um risco enorme para tentar ajudar minha mãe é se vingar da morte do meu pai. Pulou para outras

dimensões sem qualquer garantia de que não viraria uma "sopa atômica". Ele está tão confuso quanto eu sobre o que está acontecendo. Acho que essa história de mudar de dimensões me deixou insegura sobre muitas coisas. Mas, pelo menos, não existe razão para duvidar da lealdade de Luka.

 Adrian  continua sendo um mistério.  Mas  é um mistério que vou precisar solucionar para ter alguma esperança de consertar meu Miraculos.

Tento me concentrar na minha carta, mas não dá. Apoio à cabeça em uma das mãos. Adrian dar um passo em minha direção.

 -My lady? você está bem?

-Estou... Assoberbada. Só isso.

-Deseja andar até o salão da páscoa, My  lady?

Salão da páscoa? Quando ergo a cabeça, ele está sorrindo com timidez. Mesmo aqui, em um mundo em que ele é um oficial militar de uniforme completo, com arma e faca presas ao cinto, Adrian continua inseguro sobre o que dizer, continua sendo o fofo com que estou acostumada.

 Levanto-me da cadeira deixo que ele vá na frente.

 Ele me conduz por mais corredores compridos do palácio de inverno. Os tetos dourados brilham acima de nós enquanto andamos entre colunas de mármore esverdeado, passamos por salas pintadas de dourado, vermelho-sangue e outras em tons de um forte azul. Minhas sapatilhas ecoam junto com o som das botas brilhante dele pelo chão de madeira. Chegarmos, enfim, diante de uma porta do dupla branca e alta.

 Adrian  empurra as portas e aguarda ao lado, me permitindo entrar primeiro. Entro no cômodo e mal consigo conter um suspiro.

Fico maravilhada com o que vejo a minha frente.

O salão da páscoa é onde nossa família guarda os ovos Fabergé.

Cada ovo é uma obra-prima de um joalheiro. Pequeno suficiente para caber na mão de  um adulto, são  feitos de porcelana, ouro ou pedras preciosas, ou, na maioria das vezes, uma combinação de três materiais.

Alguns são modestamente bonitos,   como o rosa envernizado que tem pérolas bem pequenas todas enfileradas, outros são espetacularmente criativos, como o ovo de lapis lazuli cercado por anéis de prata, feito o planeta saturno, e aninhado por uma "nuvem" de quartzo esbranquiçado pontilhada com estrelas de platina.

Na minha dimensão, apenas poucos ovos Farebergé resistiram às  décadas em que os  Romanov os davam de presente. Neste mundo em que estou, essa tradição durou mais de um século. Cerca de duas centenas de ovos brilham no alto das estantes nas paredes. É como entrar em uma caixa de jóias, só mil vezes mais deslumbrante, porque cada ovo é uma obra de arte única.


 Cuidadosamente, vou na ponta dos pés até uma das prateleiras e pego um ovo de alabastro. Minha voz interior repete: não derrube, não derrube não derrube, não, não, não. 

A dobradiça de prata no meio se abre e descobro que há  uma bailarina dentro, uma marionete de metal que começa a dançar ao som de uma música. É tão lindo, tão  delicado, que me deixa sem ar.

-Esse não costuma ser seu favorito, My lady.- Declara Adrian com gentileza.

Quantas vezes será que ele já me trouxe aqui quando me sentir triste ou sozinha? Tenho impressão de que este momento está longe de ser a primeira vez em que ficamos sozinhos aqui.

- Qual é o meu favorito?- Encaro os olhos esverdeados de Adrian, como se o desafiar-se a demonstrar seu conhecimento por mim.

Sem hesitar, Adrian aponta para um ovo  vermelho-escuro, cor de vinho, decorado apena com delicados risco circulares filigranados em ouro.

O tom de vermelho é bonito por si só... Eu poderia passar horas misturando minhas tintas e mesmo assim não conseguiria capturar a profundidade dessa cor.

Entendo  por que ele é  tão contido, pois  certamente não tem permissão para tocar o ovo.

 Então ergo o queixo e digo:

-Pegue para mim, Cat Noir.

Ele hesitar por alguns segundos, e então pega o ovo com suas mãos enorme (tão grandes e fortes, que acho possível envolver minha cintura com elas). Observo-o levantar o topo do ovo para revelar a "surpresa", a camada extra de delicadeza ou brilhantismo  escondida dentro de cada um.

Neste há um pequeno amuleto de  prata, uma pequena moldura como a foto da minha mãe.

-Ah...- sussurro.

É claro que esse tinha que ser meu preferido, o que eu amo mais que todos. Adrian  coloca ovo na palma da minha mão à  espera. Os dedos dele roçam nos meus por uma fração de segundo, mas mesmo assim ficou sentindo o toque dele mesmo depois de já ter me afastado.

Continuamos ali por mais alguns instantes, muito próximos um do outro, olhando para aquele objeto delicado e caríssimo nas minhas mãos. Tenho consciência do silêncio de Adrian, e sua inspiração e expiração. Estamos sozinhos em um salão de dezenas de metros, com um teto de mais de 50 metros e, apesar disso, nossa proximidade parece quase insuportável de tão íntima. O sol da tarde se esguelha pela janela, Cintilando por toda decoração militar e dourando o ovo que estou segurando.

-Sua mãe era muito bonita, My  lady.

Ele está julgando  com base em uma foto. Nesta dimensão, é provável que nunca tenha tido a chance de conhecer minha mãe. Lembro de quanto ela o ama no meu mundo e fico triste com essa perda. 

Mais uma conexão que deveria  ter existido mas não aconteceu.


-É,  ela era.

-Muito parecida com você,  My lady.

Não consigo olhar para ele. Não consigo respirar.

Por que ele causa isso em mim??

Mas, para ser sincera, o que estou sentindo começou há  um tempo, com a curiosidade que se tornou esperança de algo que nem sei nomear.

-droga...-sussurro.

Estremeço  enquanto um dos dentes dentro do ovo se quebra no interior da casca. A foto da minha mamãe não vai mas ficar pendurada.

Olho quase em choro pro Adrian.

-Quebrei...

 -Não  se preocupe, My lady . O tutor consegue consertar isso, com certeza. O professor Dupain-Chang entende tudo de relógios e mecânicos deste tipo.

 É claro. Em casa, de vez em quando papai  mexia em relógios antigos fazendo com que voltem a funcionar. A ótima mente científica dele, além dos desafios teóricos deste mundo, deve ter-se voltado para a mecânica. Aqui ele deve mexer o tempo todo em mecanismo.

 Por fim, olho para Adrian e sorrio com tanta alegria que sei que ele ficou surpreso. Mas não consigo evitar.

 Acabei de pensar em outra solução.


Contínua...




Notas Finais


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