História Uma busca por matar - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Assassino, Investigação, Mistério, Novel, Perseguição, Policial, Psicológico, Romance Policial, Sociopata
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Palavras 2.694
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá! :D
Espero que esteja tudo bem com cada um de vocês.
Bom, sexta chegou e eu já não esperava a hora!
Este capítulo acontece ao mesmo tempo que o anterior. Não esqueçam disso.
Sem mais delongas...

APROVEITEM! :D

Capítulo 11 - Aliados


Também no dia 17 de Maio.

 

Nick aproveitou que Nicole o deixou em paz pela manhã do dia seguinte e usou isso para por em ordem os detalhes que o atormentavam. Listou-os, primeiro, antes de sair do quarto.

Depois de descer para tomar o café da manhã, em que aproveitou para sondar o clima no hotel, Nick teve a certeza de que tudo estava às mil maravilhas; as coisas no hospital tinham corrido bem e sua barra estava, até então, limpa. Puxou assunto casualmente com o gerente desocupado e com um casal de turistas à mesa do café, só para saber como andavam as conversas a respeito da falha de segurança no hospital particular e, principalmente, da identidade do invasor. Constatou que informações espalhadas ainda eram poucas.

– Parece que vai sair no jornal de meio-dia – disse o gerente. – Estou doido pra saber mais.

Nick assentiu e comentou que não achava que o Brasil fosse tão violento, quando decidiu vir – só para parecer casual. Então não alongou mais a conversa. Dali, saiu e foi até a famácia mais próxima, que ficava a cinco quarteirões do hotel de quinta. Estava satisfeito porque, pelo tempo que já estava fora do quarto, não teve nem sinal de Nicole. Até ontem, se as coisas ainda tivessem como antes, ela teria vindo correndo importuná-lo com perguntas maçantes de como ele tinha planejado o dia, os lugares que ia e se ele estaria afim de sair a noite. Nick esperava que agora ela estivesse bem, sinceramente, mas bem longe dele.

– Agradeça por ter sido assim – ele sussurrou consigo mesmo, quanto andava, sorrindo. Fez isso porque tinham poucas pessoas na rua. – Poderia ter sido de outra forma... bem pior!

Seus pensamentos mudaram de curso.

Nick tinha quase certeza que Rick Jones ficaria mais atento daquele hospital em diante, portanto, precisaria de mais concentração para não sair dos trilhos e colocar seus planos, sua liberdade, sua vida ou, pior, quem sabe até, seus planos todos pelo ralo. Não podia esquecer de que estava lidando com um aposentado-de-merda que sabia planejar as coisas muito bem também.

Já na farmácia, Nick comprou algumas latas de bebidas, energéticos e alguns salgados; por fim, foi até a sessão de químicas capilares e teve grande indecisão em qual cor de tinta seria melhor para ele pintar seus cabelos. Tinha pensando nisso noite passada, avaliando a possibilidade de ser descrito por aquele segurança e tornar sua identificação mais possível. Alisou os cabelos, com pena por ter de pintá-los, pois eram parte do seu charme, mas teria de ser assim, fazer o quê?

Acabou decidindo comprar duas cores diferentes: uma castanho mais claro e outra loiro vivo – no quarto decidiria melhor. Pagou e voltou ao hotel.

Entrou e voltou ao seu quarto novamente sem ser importunado. Trancou-se ali e, por quase uma hora, ficou na internet olhando sites de notícia londrinas. Seu psicológico funcionava de forma estranha, mas inconsciente. Sempre que estava preocupado ou frustrado consigo – como era o caso –, Nick buscava por coisas que alimentassem seu ego. Ver notícias a respeito do andamento quase parado do “caso Kaite” era o que proporcionava isso a ele agora, por ser o mais recente de seus trunfos – a sensação de que ele continuava num pedestal o acalmava; saber que estava seguro pelos cuidados que ele próprio havia tomado, como numa fortaleza erguida pelas suas próprias mãos, era excitante até, como um autor de livros, ou um pintos, ou mesmo um músico, que quando arruinados, em sua maioria, buscam alentos em suas antigas obras, tentando achar a mesma inspiração que outrora os fez vistos.

Mas Nick queria o contrário: não ser visto; e assim ele pensava, passando o dedo na tela do tablet. Crescer e viver pelo resto da sua juventude num mundo que queria fazer ele acreditar que não era melhor do que ninguém, que todos eram iguais, sempre foi um pesadelo. Por dentro, ele sabia que podia mais que todos à sua volta; que podia simplesmente planejar o fim de cada um e cuidar meticulosamente para que tudo desse certo. Lembrava bem da vez em que envenenou o ranmister do companheiro de orfanato, Bob Corliss, e depois colocou na própria comida do garoto, despejando o resto na bolsa dele. Por pouco o garoto não morreu e todos pensaram que Bob estava manuseando líquidos sem saber, mesmo ele negando depois de voltou do hospital. Tudo isso porque os dois brigaram por Sandy Gordon, uma patricinha que, anos mais tarde, Nick embebedou numa festa de fim de ano e a convenseu a perder a virgindade com ele num sexo violento, acreditando estar fazendo aquilo com seu namorado bunda-mole que Nick tinha dopado e já estava há horas desacordado no andar de baixo. No dia seguinte, ela acusou o imbecil do namorado de estupro. Na época, essas e outras coisas deixaram Nick bastante ousado, e sem dúvidas, os anos de sua pulberdade, no orfanato e depois dele, foram o mais satisfatórios possíveis, principalmente quando a maioridade foi chegando.

Ele era só, mas sentia-se dono do mundo.

Quando o tablet descarregou, já eram pouco mais de onze horas, então Nick ligou a TV em cima da cômoda e colocou no canal do noticiário local, ativando o CC em inglês e deixando o mute ligado. A legenda começou a correr atrasada à medida que o apresentador falava, mas ainda não tinha começado o jornal. Muito mais tranquilo consigo mesmo, e conseguindo pensar muito melhor, Nick foi até o banheiro e preparou a tinta – acabou escolhendo a castanha-claro porque seria menos chamativo para as pessoas, quando o vissem lá em baixo.

Onze e meia o noticiário começou e ele já estava em frente ao espelho, com luvas e uma boa parte da cabeça melada de tinta. O espelho, na parede ao lado da cômoda, era ótimo para que Nick fizesse as duas coisas ao mesmo tempo. A notícia do hospital foi uma das primeiras. Ele estava com o braço esticado para trás da cabeça quando viu a filmagem da faixada do hospital. Parou e prestou atenção à legenda, correndo abaixo de uma repórter:

 

NARRAÇÃO: ... neste hospital particular de Gramado. A invasão foi ontem, por volta das seis da tarde. A vítima foi um turista operado recentemente, também por conta de uma tentativa de assalto há poucos dias. Agora, a policia trabalha com a possibilidade de que o turista esteja sendo perseguido pelo mesmo homem. Nenhuma informação foi conseguida do invasor, mas sabe-se que uma enfermeira pode tê-lo visto.

 

A imagem cortou para um microfone estendido a um policial maduro, de olhar severo, bóina e o rosto sombreado pela barba recém tirada:

 

POLICIAL: Até agora, sabe-se que ele entrou como alguém normal, mas infelizmente o hospital não tem câmeras nos pontos de acesso os quais foram cruciais para ele entrar e sair: elevadores, escadas e corredores hospitalares...

 

Nick sorriu e deu um soco no ar perto da barriga, em comemoração a isso. Soltou um beijo no ar pensando naquele maravilhoso hospital. Mas logo voltou a concentrar-se, porque as informações seguintes eram o que ele queria realmente saber:

 

POLICIAL: ... deixa a investigação limitada. Só podemos trabalhar agora com o que as pessoas viram, e até então, só temos uma enfermeira que pode ter esbarrado nele rapidamente. Não é grande coisa, mas vamos ver em quê poderá nos ajudar. Há também um segurança que desconfia tê-lo visto e pode até ter conversado com ele. Contamos que essa testemunha ocular possa ser cruscial. – REPÓRTER: Obrigado, Sargento! Voltamos para o estúdio.

 

A reportagem teve mais algumas informações a respeito da agência de turismo ter exigido explicações ao hospital, mas Nick estava pouco se importando para isso. Diante do espelho, ele pensava em como faria para parar tudo isso.

A preocupação voltou como ontem…

A maldita enfermeira e o maldito segurança dariam com a língua nos dentes e falariam tudo que viram. Ela, com certeza, sobre o esbarrão na escada e o tão inesquecível pedido de desculpas – também, como esquecer? Tinha ficado registrado na memória dela, afinal. Já o segurança, Nick não sabia o que ele diria exatamente; poderia falar muitas coisas... coisas demais, até! Descrevê-lo, por exemplo… Mas tinha quase certeza de que, se o babaca falasse que esteve frente a frente com o suspeito e o deixou sair por pura incompetência, perderia seu emprego. Por dentro, Nick o chamou dos piores nomes possíveis e desejou com todas as forças que o infeliz fosse mesmo demitido.

Então ele lembrou de um detalhe...

Nicole!

Se esse idiota fosse mesmo falar que esteve frente a frente com o suspeito – o que, mesmo achando que não falaria, Nick não queria apostar nisso –, ele teria que falar também que o suspeito estava junto de uma mulher, então Nicole estaria, de uma vez por todas, metida nisso.

Merda, merda, merda!!!, Nick praguejou em pensamentos, cheio de ódio, dando um chute na cadeira próxima, fazendo-a pular para trás. Maldito segurança; maldita hora que fui meter essa vadia nisso... Ela vai me importunar, vai saber de tudo... PRECISO DAR UM FIM NISSO, rápido!

Nesse momento, alguém à porta bateu. Foram batidas fortes, apressadas. Com o rosto vermelho, Nick olhou e fechou os olhos por uns segundos, desejando que não fosse quem ele pensava que era. Tirou a luva da mão direita, foi até lá e abriu.

O rosto lívido e irado de Nicole surgiu do lado de fora e ela não disse simplesmente nada. Empurrou contra os peitos de Nick um jornal impresso e berrou com raiva:

Junta dois mais dois e me diz que não é quatro! – Ela entrou no quarto mancando quando Nick recuou para trás pelo empurrão que ela o deu. Ele segurou o jornal para que não caísse e depois fitou-a ficar parada de frente para ele com as mãos na cintura. – Eu não sou burra, Nick! – Ela olhou para a televisão ligada, que já não passava mais a reportagem, e acrescentou apontando: – Então ótimo! Quer dizer que você também já sabe.

Nick fechou a porta para evitar que o escândalo dela ecoasse. Ele não queria fechar a porta e dar aquela liberdade a ela; mas fazer o quê? Olhou o jornal que ela o tinha entregue e, na página aberta, uma foto da sua moto em meio ao matagal estava ao lado de um texto e abaixo de um título: “Moto do assaltante de turista baleado é encontrada abandonada”. Claro que Nick não entendia porque estava em português, mas só a imagem já dizia tudo. A polícia jamais chegaria até ele através daquela moto, disso Nick estava certo, mas Nicole chegou e juntando isso à reportagem, com certeza foi mais que suficiente para confirmar a ela o que faltava.

Quando Nick ergueu os olhos, ela berrou outra vez, apontando o jornal:

Vai dizer que não é sua moto? Hein? Que o mecânico postiço que você inventou colocou ela lá, foi isso?

– Quanto menos você falar, e mais baixo me acusar, melhor vai ser pra nós! – Foi tudo que Nick conseguiu dizer, e a melhor coisa que ele poderia ter dito. Estava fervendo de ódio por dentro, mas agora era tarde. Ela observava as coisas e as tinha juntado; simples assim; não tinha mais como enganá-la; sua saída agora era fazê-la se calar.

– Ah, então é assim? – ela riu-se num misto de escárnio de mulher e desespero. – Então agora é nós? Claro! Depois que você já me meteu até a cabeça nos seus crimes e...

– Crimes não, veja lá! – ele retrucou o berro, com autoridade, mas ela já não parecia ter receios dele.

Ela passou a mão na testa e mancou para o lado, respirando forte.

– Sabe, se eu tivesse ficado só com as suas desculpas de ontem, eu poderia até ter acreditado em você, Nick... o problema foi essa reportagem, esse jornal, as coisas não poderiam fazer mais sentido que isso. Você armou tudo, só pode, você é frio, calculista, tava tudo preparado... Você é um assass...

Ei, opa opa, eu não matei ninguém naquele hospital! – Agora foi a vez dele de berrar, impedindo-a de completar a frase. Não estava preparado para ouvir isso da boca de outra pessoa… que ele era um assass…

Mas você tentou! – ela também se impôs, com o dedo indicador cortando o ar.

Nick percebeu que seria pior continuar confrontando-a. Jogou o jornal no chão e tirou a outra luva da mão, indo em direção ao banheiro.

Ao ver a luva, os olhos de Nicole se estreitaram para os cabelos lambusados de Nick e sua cabeça empertigou-se para a frente. Ela o seguiu às costas até a porta do banheiro. Lá, Nick começou a lavar as mãos.

– Que é isso na sua cabeça, Nick?

Ele ignorou, os ombros sacudindo enquanto esfregava os dedos com pressa.

– Isso é tinta de cabelo? O que você pensa que tá fazendo? Você não vai fugir, vai?

Ele, então, ergueu a cabeça de repente e a encarou pelo reflexo do espelho. Estava sério, e seus olhos continham raiva como se por eles Nick gritasse por silêncio.

– Sinceramente, eu prefiria quando você estava chorando – ele disse, friamente.

Nicole ficou vermelha e sua boca cerrou.

– Você é um babaca mentiroso! Fique sabendo que você não vai fugir depois de ter me metido nisso...

Nem bem Nicole terminou de externar a frase e cuspir o fôlego, Nick se virou para ela e a empurrou contra a soleira da porta, agarrando a cabeça dela com as duas mãos e ficando frente a frente com seu rosto, quase a encostar seus narizes. Olhando-a nos olhos, ele sussurrou, como uma cobra apreciando sua presa:

– Quem me impediria? Hein? – Os dentes dele cerraram. Ele esperou, mas ela não falou nada. – Você? Hein? Tem certeza? Acha que pode? – O hálito quente dele fazia os olhos dela piscarem; a respiração dela ficou compassada, mas era um misto de pavor e paixão. Em algum lugar daquele olhos, Nick viu prazer. – Aliás, quem disse que você está metida nisso?

Tremendo quando respondeu, olhos dela se enxeram de lágrimas:

– Eles... vã-vão saber... aquele se-seguança vai falar de nós dois...

Nick olhou a boca dela falar aquilo, avaliando-a, observando-a...

– Tem razão… – sussurrou. – Mas se você fosse tão esperta assim pra me ajudar, nós dois poderíamos sair dessa juntos.

Ela empurrou ele para trás, com toda força, e saiu mancando para o lado, com a mão tampando o rosto, já enxugando as lágrimas que escorriam. Nick ouviu quando ela sugou o nariz, então ficou ali mesmo, de pé na porta, olhando-a. Tinha lançado uma rede, que lhe ocorreu no último momento, e se ela agarrasse, ele poderia adiar um dos seus problemas.

– Você tá me propondo?…

– Isso – ele interrompeu, se aproximando dela pelas costas. – Aquele velho ditado de uma mão lava a outra. Nós nos livramos agora, e depois cada um segue seu rumo.

Ela se virou com pavor nos olhos, o rosto banhado em lágrimas, mas o que fez Nick vibrar por dentro foi o brilho nos olhos, que mostravam dúvida… dúvida se aceitaria…

– Eu não posso fazer nada… – ela murmurou. – Não com a polícia… se eu me meter com eles, vai ser pior pra…

Nick meneou a cabeça, estalando a língua, agora mais carismático e carinhoso. Arrumou o cabela dela atrás da orelha, a fim de parecer mais delicado.

– Mas é justamente por isso que vamos agir: pra eles não chegarem até nós. Entenda: nada vai ligá-los a gente, Nicole, nada… acredite me mim…

– Por que você tá fazendo isso, hein? – Os olhos dela se estreitaram, como da primeira vez. – Tem dinheiro envolvido? É dinheiro? Muito dinheiro? O que é?

Nick continuou compassivo, controlando-se por dentro, pois sabia que estava perto de contarnar tudo a seu favor, se ela topasse ajudá-lo…

– Vamos fazer assim: eu não revelo meus motivos, e você não precisa revelar os seus quanto a polícia… tudo que nós precisamos fazer é nos livrar disso.

Uma pausa e Nicole pensou. Pensou, pensou.

Nick torceu consigo mesmo.

– E então, topa?

Após um suspiro fundo, ela perguntou:

– O que você quer fazer?

– É simples – Nick sorriu, sabendo que tinha conseguido –, é só darmos um fim na única pessoa que nos viu juntos naquele hospital: o babaca do segurança. E tem que ser antes que ele abra o bico sobre nós.


Notas Finais


Eita, eita, eita!!!
Se de um lado Jones quer chegar até ele, do outro, Nick também não tá parado. Parece que as coisas vão esquentar mais um pouco, Nick definitivamente tá com a ousadia a todo vapor, e enquanto sua identidade estiver anônima, será um perigo... eu é que não queria ficar entre esses dois! Hahahaha

Bom, mas depois de tudo isso, trago uma boa notícia: quarta-feira terá capítulo antecipado!!! Será tenso então é melhor adiantar. Espero que isso diminua a ansiedade. Hehe

Enfim, espero que vocês tenham gostado do capítulo e não esqueçam de deixar o que acharam.
Aguardo vocês no próximo.
Abração! :D


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