História Uma Canção de Sakura e Tomoyo: Finalmente juntas - Capítulo 36


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Capítulo 36 - Veste sua armadura e se prepara pra apanhar!


Capítulo 34

Veste sua armadura e se prepara pra apanhar!

 

Bilbao, Espanha

Noite de 17 de janeiro de 2016

 

— Goti, ainda bem que você arranjou um tempinho pra passear com a gente aqui na minha casa, Bilbao! — disse Argiñe Zabala, uma mulher de cabelos castanhos e encaracolados.

— Eu não sei se é porque eu sou Guipuzcoana, mas eu odeio essa cidade… — disse a loira.

— Credo! — respondeu Argiñe.  

— Você deveria dizer que é uma honra andar com a Interventora geral da Ordem, menina! — disse Lore Ibarra, uma mulher gordinha com cabelos castanhos.

— Para de ser séria, Lore! A gente é ser humano, combate uma organização do mal e não tem nem direito às férias? Absurdo! — disse Usoa Garrastazu, uma mulher magra, de cabelos longos e testa alta. 

Gotzone sorria com a discussão das três. Andavam por uma rua comercial de Bilbao, olhando as vitrines e cheias de sacolas nas mãos. Iñigo e Iñaki estavam com elas, olhando curiosos o espetáculo de luzes das vitrines. 

— Falando nisso, Usoa, como você tocou no assunto, você disse que um dos nossos espiões no ministério descobriu que a Bea vai fazer uma operação na Cantábria? — perguntou a loira de tranças.

— Sim. Eles querem prender o Hernán Cuesta. Tão dizendo que foi ele quem colocou aquele feitiço no Shorancito, não é, Goti? — disse Usoa, com uma certa malícia no olhar. Argiñe e Lore ficaram apreensivas, mas Gotzone não estava afim de brincadeiras, pela cara séria que ela fazia.

— Meninas, nenhum pio sobre isso aqui. Não vamos fazer lenha de árvore caída. Isso não é brincadeira!

— Se você prefere assim, Goti, achei que você…  

— Achou nada, Usoa! Continua monitorando essa prisão. Se conseguirem pegar ele, o que eu duvido, quero perguntar pessoalmente pra ele como é que diabos a gente pode tirar aquele tumor da cabeça dele… 

Argiñe, Lore e Usoa ficaram se olhando entre elas. Lore culpava com o olhar a indiscrição de Usoa e a Interventora tentava se desculpar com gestos.   

Nesse instante, Gotzone arregalou os olhos e se virou para as meninas.

— Vocês sentiram?

— A armadura da Cantábria voltou pro palácio da Ordem em Bilbao… — disse Lore.

— O Hernán morreu. — disse Argiñe.

— Puxa, a Dona Beatriz não tá querendo saber de conversa mais não! Já tá mandando matar a gente mesmo! — disse Usoa.

— Tem certeza que ela mandou matar ele? O Hernán tá entrevado na pedra, não tem nem como se mexer! Matar ele seria muito covarde da parte dela… — disse Gotzone. As meninas olharam contrariadas para ela. — Eu digo porque eu conheço ela… 

— Todo mundo sabe que os poderes mentais do Hernán são bizarros até pra própria Ordem! — disse Argiñe. — Todas nós sabemos que foi ele quem fez aquilo com o Shoran…

— Mesmo assim, eu não acredito que ela mandou matar o Shoran… O Hernán não seria burro de resistir… Ele é cautelosos demais… Ele podia ter resistido, mas ele sabe que se eu colocasse as mãos nele, ia forçar a arranjar uma cura… Seja lá quem matou ele, devia estar com uma raiva enorme dele… — pensou a Loira, tentando imaginar quem matou o colega interventor.  

— Mas por quê? — perguntou Usoa.

De repente, as três tremeram de terror. Até os gêmeos sentiram o terror delas e as pessoas comuns na rua perceberam que tinha alguma coisa de estranho.

— Mas que quantidade monstruosa de poder mágico é esse? — perguntou a loira. 

— Goti! Isso não é nem metade da energia que a Bea libera quando tá lutando a sério! — disse Argiñe. 

— Pelo menos, até onde a gente sabe! — disse Usoa. 

— Meninas, tirem os meninos daqui! — disse Gotzone. Um rasgo rosa atingiu a cara e as costas da jogadora. Ela foi arrastada pelas ruas úmidas de neve de Bilbao, deixando um rastro grande de sangue. As pessoas comuns em volta olharam para elas espantados.

— Gotzone! — gritou Argiñe, desesperada. Usoa e Lore levantaram as mãos para o alto e círculos mágicos vermelhos apareceram nas palmas das mãos delas. Uma barreira surgiu. As pessoas que andavam pela rua desapareceram. As três puderam ver com mais clareza quem era a pessoa que as atacava. Era Sakura em suas asas de anjo, graças a ação da carta “voo”. Ela flutuava no ar, olhando enfurecida para elas. 

— Veste a sua armadura e se prepara pra apanhar! Veste a sua armadura de merda e se prepara pra porrada! Agora! — gritava Sakura. Iñigo e Iñaki tremiam do susto de ver a mãe ser golpeada na rua. Gotzone estava com a bochecha inchada, os lábios cortados e o nariz escorrendo sangue, além do corte nas costas. Passou o braço no corte e cuspiu o sangramento na calçada. 

— Mas que droga é essa que tá acontecendo? — perguntou a loira. As três se dividiam entre atacar Sakura ou proteger os meninos. Resolveram aceitar o convite de Sakura.

— Aparezca, Dragon! 

— Aparezca, Dragon!

— Aparezca, Dragon! — disseram as três. A armadura da Ordem apareceu no ar montou no corpo delas.  Argiñe e Lore pularam com a espada enorme de duas mãos para cima de Sakura. Ramos e galhos saídos dos pés da cardcaptor envolveram as duas antes que o ataque pudesse pegar na cardcaptor. Usoa avançava velozmente pelo lado, batendo as asas transparentes vermelhas em suas costas. Quando ia atingir Sakura, a cardcaptor deu um pulo no ar e Usoa errou o golpe.

— Mas, como?

Usoa sentiu as costas se partindo em dois. Era Sakura com a carta espada em mãos, pulando na frente dela.

— Era isso que você queria fazer? — perguntou a cardcaptor. Ela rasgou Usoa da virilha até o pescoço. Sangue espirrou da ferida em um jato frenético. Argiñe e Lore se contorciam na árvore que Sakura criou, tentando ajudar a amiga. Quanto mais se contorcia, mas os cipós e galhos as prendiam. 

Gotzone queria não acreditar no que via. Já imaginou o dia que Sakura descobriria tudo, mas imaginar é uma coisa, vivenciar é outra totalmente diferente. A vida real é bem pior que os sonhos.

— Aparezca, Dragón!

A armadura vermelha como sangue de Gotzone apareceu, junto com a grande espada de duas mãos que ela manuseava com uma mão apenas. A loira voou até a árvore e cortou os cipós que prendiam suas amigas. Elas tossiam por causa da falta de ar. A loira e Sakura se olhavam com ódio.

— Resolveu acertar as contas só agora, é? Sua sem peito! 

— Eu tava com o Hernán Cuesta, conheçe? Eu tive uma conversa interessante com ele… 

— Ele morreu, não é? Foi você quem matou ele então…  

— Como você sabe disso? — perguntou Sakura, surpresa.

— Eu senti a armadura dele se descolando do corpo. Todo interventor sabe quando um igual morre. Foi você, não é?

— Eu não tenho que dar explicação pra você, sua vadia!

— Não me chama de vadia! 

— Mas você é uma vadia! Uma rapariga! Uma mulherzinha da vida que não sabe arranjar marido e vai roubar o dos outros!

— Não me chama assim! — disse Gotzone, apontando a ponta da espada de duas mãos para o pescoço dela, trincando os dentes de raiva. Sakura bateu com a carta espada na espada e continuou a bater até tentar acertar a jogadora. Gotzone travou os golpes antes que ela pudesse chegar até ela. Mesmo assim, a distância dos dois rostos era de centímetros. Sakura estava muito rápida por causa da carta “corrida”.

— Cura… Cura! — disse Usoa, com a mão no sangramento. A moça estava sentada na calçada, ladeada por Argiñe e Lore. Ela tremia com a falta de sangue e mal conseguia fazer magia. 

— Goti… Acho que se a gente… — disse Argiñe.

— Eu não quero ver vocês se metendo com isso! A Usoa já tá ferida! Pega ela e os meninos e caiam fora daqui! Esse é assunto meu! — ordenou Gotzone.

— Cala a boca, que é assunto daquelas vadias e daqueles moleques que te acompanham também! — disse Sakura. Raios e trovões saíam da boca dela quando gritou. Um ciclone se formou e levantou as três do chão e os gêmeos também. Era a carta “tempestade” junto com a carta “trovão”. Eles rodopiaram no ar e foram parar não se sabe onde. A jogadora arregalou os olhos e ficou desesperada, passando a mão nos cabelos.

— Meus filhos… Meus filhos, sua louca! 

— Eu tenho culpa que a carta “tempestade” apareceu do nada?

— Você nunca soube os limites dos seus poderes!

— Com vocês, da Ordem do Dragão, não tem limite não! 

 Gotzone dava golpes e mais golpes contra Sakura com a grande espada. A cardcaptor parava os golpes usando o báculo transformado em carta espada. 

— Você não para pra pensar de verdade que eles não tem nada ver não, hein? Seu assunto é comigo, deixa eles fora disso! — perguntou a loira.

— Pensar? Pensar em duas crianças que não devia nem ter existido pra começo de conversa, eu tenho que pensar nisso mesmo? 

— O que você disse? Repete! São meus filhos!

— Dois filhos de uma abominação! Uma vaca! Uma vagabunda! — gritou Sakura.

Gotzone golpeou a espada com força para acertar a cardcaptor. Deu um golpe após o outro, mas Sakura se defendeu. 

— Essa é a carta espada, não é? Ela te dá uma habilidade incrível com espada, mesmo se você não tem treinamento. Mas ela tem uma falha: esse poder não é seu! Esse poder é do Clow! Foi ele quem teve todo o trabalho pra juntar esse poder na carta, não você!

— E você não pensa na energia que deu pra transformar ela não? 

— Você nunca vai saber o que é usar magia de verdade!

— E você sabe por acaso? Você usa magia pra pegar o marido das outras! Isso é usar magia de verdade? Se for, então quero que se dane!

— Eu treinei pra isso, eu lutei pra dominar esse poder! 

— Vadia! 

— Eu já disse pra não me chamar assim!

Os golpes das duas ficavam mais fortes a ponto de fazer vibrar o ar em volta delas. Os braços de Goti ficaram inchados e veias apareciam no seu rosto. As asas transparentes vermelhas ficaram mais opacas. A loira ficou mais forte e mais veloz. Os golpes com a grande espada quase que arrancam a carta espada da mão de Sakura. A cardcaptor percebeu.

— Você não é vadia, é? Então você é uma mulherzinha da vida! 

— Eu não sou nenhuma coisa, nem outra! 

— Então, como eu chamo uma aproveitadora como você, hein? 

— Eu fiz o que eu queria fazer! Eu fiz o que eu devia fazer pra ajudar o Shoran! E você? Tem ideia como salvaria ele?

— Eu não sei, mas ia dar meu jeito! 

— Você não ia dar jeito nenhum! Uma pessoa que nem conhece magia direito falando uma besteira dessas!

Sakura sacou a carta “força” e “corrida”. Elas dissolveram-se no ar e Sakura ficou tão veloz e forte quanto Gotzone. 

— Tudo bem, eu assumo: eu sempre quis o Shoran! Eu sempre desejei ele! 

— Sabia! — Sakura fez “xis” seguidos no ar até abrir uma brecha na defesa de Gotzone. Ela meteu a espada contra o pescoço da loira e ela caiu no chão de asfalto. O pescoço dela quebrou, mas ela não morreu.

— Droga! Nem pra cortar! — disse a Cardcaptor. Sakura pulou para cima dela, mas Goti girou o corpo para o lado e desviou do golpe. 

— Tá querendo me matar, é? Eu tenho filho pra criar! — disse Gotzone, com a mão no pescoço. Uma crosta de escamas cresceu em volta do canto ferido, como um colar ortopédico.

— Te matar é só o começo! Vou acabar com a Ordem do Dragão! — disse Sakura. Bastou um segundo para ela voar até Gotzone e encará-la de frente. A loira se defendeu do golpe com a espada. Por pouco, Sakura não rasgou a mulher.  

— Que pretensão a sua querer acabar com a Ordem! A gente sobreviveu às Cortes de Aragão! A gente sobreviveu aos franceses que perseguiram a gente! A gente sobreviveu às Américas! Até mesmo nem Neus Artells com todo o poder que tinha não pode com a gente, agora você vem falar que vai acabar com a Ordem? — disse Gotzone, arremetendo golpes e mais golpes contra Sakura. Os que ela não bloqueava com a espada, ela desviava, voando no ar. — Uma mulher insignificante com você ameaçando a gente! Que incrível! Vou ter que te mostrar do que a gente é feito! — A jogadora se afastou de Sakura e fincou a espada no chão. Um círculo mágico vermelho apareceu debaixo do pé dela. Relâmpagos vermelhos saíam do círculo e as mãos e as pernas de Gotzone se transformaram. Pareciam-se com patas e pernas de dragão. As asas opacas ganharam escamas e também se transformaram em asas de dragão completas. O rosto de Gotzone ficou coberto de escamas. Seus olhos brilharam em vermelho amarelado. Sakura ficou assustada. Gotzone virou um monstro mesmo. Até uma cauda de dragão apareceu.

— Mas… 

— Eu transformei meu corpo em oitenta por cento. Agora, ele é quase um corpo de dragão. Se eu não puder te parar aqui, eu não sei o que vou fazer!

Sakura nem piscou os olhos direito e Gotzone apareceu atrás dela. A cardcaptor foi arrastada para longe com o golpe de espada que recebeu nas costas e bateu com a cara no concreto. Sua testa começou a sangrar. Virou a cabeça de novo e a loira estava perto dela, pronta para acertar mais um golpe. Sakura rolou no chão e Gotzone fincou a espada na parede, tão forte que era o golpe. Lascas de pedra voaram por toda parte. 

— Mais que nunca, eu tenho que acabar com vocês!

— A Ordem não tem culpa se o Shoran me deu dois filhos! Eu disse pra ele: faço questão de criar eles sozinha, mas ele insistiu! Ele deu o nome dele pros meninos, ele nunca se esqueceu de um aniversário deles! Não tinha homem melhor pra me dar um filho! Não sabe como eu fico feliz com isso! Resolve seu assunto comigo.

Sakura ficou tão irada que voou contra Gotzone. As duas duelavam no ar numa velocidade tão brutal que mal dava para ver os golpes. A cardcaptor deu uma porrada e mais outra no rosto da loira, usando as cartas “força” e “luta”, mas Goti aguentou. Era como se o soco não conseguisse passar das escamas, por mais que Sakura batesse e batesse.     

— Esse é o limite do seu poder? Sabia que você não podia com a gente! — Gotzone estendeu a mão para o ar e a grande espada que ela havia fincado na parede voou na direção dela. A arma bateu na nuca de Sakura e ela caiu inconsciente no chão. Goti pousou do lado do corpo dela. Sakura só não se feria mais porque a carta escudo estava protegendo o corpo dela. 

— Sinto um grande poder saíndo de você. Mas, mesmo assim… Essas são as cartas Clow? Elas só podem fazer isso? A Ordem passou 300 anos indo atrás de uma coisa como essas? Sério mesmo? 

Um grande poder mágico saía de Sakura. Gotzone ficou espantada. O corpo de Sakura começou a crescer até o ponto que a cabeça de Sakura ficou da altura de Goti. Ela despertou e agarrou a loira com as mãos. 

— O que você tava dizendo mesmo, hein? Essa aqui é só mais uma carta Clow que você não conhece ainda! Ou melhor, carta Sakura, sua vaca! — disse Sakura. Ela apertou Gotzone com as duas mãos. A loira gritava. A cardcaptor havia se transformado em um Titã de dez metros de altura, com plena consciência do que fazia. — Eu sou a caçadora! Você é a comida!

— Gotzone! — gritou Argiñe. 

Sakura amassou Gotzone e engoliu a loira. Literalmente. Ela tentava mastigar, mas Argiñe e Lore voaram do buraco onde estava se escondendo e acertaram Sakura pelas costas. A Cardcaptor cuspiu a loira no chão, mas pisou nela com o pé.

— Vocês são um bando de mosca irritante! — Sakura agarrou Argiñe, mas Lore escapou. Tomou impulso e jogou a mulher tão forte contra um dos prédios ao redor que ela atravessou a parede. Um borrão de sangue rodeava o buraco.

— Argiñe! 

Lore tentou espetar o olho de Sakura, mas a espada travou. 

— Mas…

— Eu usei a carta escudo, miserável! — Sakura agarrou Lore e espremeu-a em suas mãos até tirar sangue, ignorando totalmente os gritos dela. Abriu as mãos e viu o corpo da Interventora todo quebrado. Ela ficou um tempo olhando para ela.

— Será que ela morreu? — Sakura jogou Lore atrás da rua. — Mas você não, né? — disse a cardcaptor, olhando para Gotzone debaixo dos seus pés. A loira se contorcia. Sua face exprimia uma agonia enorme que estava passando. Toda a dó que Sakura poderia sentir ficou trancafiada dentro dela. Sua mente apenas permitia que saísse a raiva e o ódio em forma de palavras.

— Tá doendo? Isso é pra você aprender a não me fazer de otária! 

— Eu não conto com a sua piedade… — disse Gotzone, chorando. Sakura esmagou a moça mais ainda debaixo de seus pés. A loira não estava mais protegida pelas escamas de dragão, já havia gastado todo o poder mágico tentando impedir que Sakura a devorasse. Apenas a armadura vermelha como sangue resistia a pegada colossal de Sakura e a força imensa que ela fazia para esmagar de uma vez a loira de tranças. 

— Pela Usoa! Escudo Lúa Chea, venha à minha mão! — disse Gotzone, de olhos fechados, agonizando debaixo dos pés de Sakura. Ela levantou o braço livre no ar e só um milagre a salvaria daquela situação.

Um escudo enorme bateu na nuca de Sakura. Ela fechou os olhos de tanta dor que sentiu. Gotzone conseguiu se soltar dos pés dela, mas estava cambaleando. Seus ossos doíam tanto que qualquer gesto era difícil. Mas precisava lutar com as forças que tinha. Sua face, chorosa, se encheu de mais lágrimas ainda quando viu o escudo em suas mãos. Não chorava de dor, mas de felicidade.

— Então… Eu sou digna de usar o escudo de Josu Amorebieta e Xosé Pontón? — Gotzone fechou os olhos e tentou segurar as lágrimas. Sakura estava atordoada. A jovem mulher podia ser um titã de dez metros de altura, mas tinha seus pontos fracos. Goti percebeu.

— Então é sua nuca que não tá protegida ainda, é? 

Sakura escutou. Fechou os punhos e gritou de raiva.

— Carta criada pela valente Sakura, abandone sua velha forma e venha servir à sua dona! Em nome de Sakura! Escudo!

O corpo titânico de Sakura foi revestido de uma luz azulada. Ela preenchia o corpo aos poucos, mas alguns pontos estavam desprotegidos. Sakura sabia que precisava focar na defesa antes de um próximo ataque de Gotzone. Ela era rápida demais, até mesmo para ela.

— Não… Não tão cedo! Pi Sunyer, me empresta a sua força! Se eu sou a legítima superior da Ordem, eu imploro! Por todos os Interventores da Catalunha! Por Euskadi! Por Espanha! Espada Eguzki, venha à mim! — gritou Gotzone. A enorme espada claymore de duas mãos que usava desenganchou da parede e pulou em suas mãos. Do corpo de Gotzone saiu uma aura vermelha que envolveu todo o seu corpo. 

Dos escombros do prédio onde Sakura tinha arremessado Usoa e Lore, Argiñe apareceu, acompanhada de Iñigo e Iñaki. Os meninos olhavam preocupados para Sakura, para as outras interventoras. Argiñe juntou o corpo delas um do lado da outra e um brilho vermelho saiu da palma de suas mãos. 

— Goti… Elas estão bem! Tão muito machucadas, mas tão bem! — disse a amiga. A jogadora trincou os dentes e olhou para Sakura, não com raiva, mas com determinação. Precisava parar a cardcaptor, pelo bem da Ordem do Dragão, pelo bem de seus filhos. 

Sakura viu Argiñe e correu para atacá-los, mas hesitou. Os gêmeos abraçaram as pernas da mulher de cabelos ondulados, chorando. Eles não conseguiam se defender. Aquilo foi o bastante para desacelerar Sakura, mas não parar sua raiva e sua vingança. 

Gotzone pulou no ar e acertou uma escudada no nariz de Sakura. Depois, deu outra espadada no olho dela. Nenhum dos golpes machucou a cardcaptor, mas faz com que sentisse uma dor infeliz. Sakura tentou pegar Gotzone, mas ela foi mais rápida e se esquivou do golpe.   

— Ela não tem mais agilidade. Ela tá usando três Cartas Clow ao mesmo tempo: carta “grande”, carta “escudo” e carta “força”. Tentar usar a carta “corrida” pra me pegar agora é suicídio e ela sabe disso… Mas não vou dar corda pra louco… Ela pode aumentar o poder dela a qualquer momento… Preciso achar uma brecha, rápido! — pensou Gotzone.

— Eu tô cansada! Logo quando eu tava pensando que tinha pegado ela, ela me aparece com isso! Aquele é o escudo daquela Maitê que tentou me matar na rodovia, não é? Vai lá saber se são aliadas! Eu tô ferrada! Eu preciso terminar isso rápido! Se o Kero-chan tivesse comigo… — pensou Sakura.        

A cardcaptor acertou um soco em Gotzone, que a mandou para longe, no teto de um prédio. A loira não desistiu. Freou a queda com as asas transparentes das costas e voou para atacar Sakura de frente, dando um impulso a partir do teto. A cardcaptor já estava preparada para dar mais um soco para se defender, mas antes de Gotzone atacar, ela pisou no corpo dela, tomou outro impulso e desviou das mãos de Sakura. A cardcaptor socou o ar e arregalou os olhos.

— É a minha chance! — pensou Gotzone. Ela voou para as costas de Sakura e viu que a carta escudo não tinha revestido todo o corpo dela. Havia uma parte da nuca sem o brilho azul.

— É agora! Eu vou pro tudo ou nada! — O brilho vermelho em volta de Gotzone ficou mais forte e as asas bateram mais rápido. Como uma flecha de luz vermelha, ela voou até a nuca de Sakura, rasgando-a. A Cardcaptor virou para tentar desviar, mas já era tarde. A jogadora basca fez um corte na base do pescoço de Sakura que a fez fechar os olhos de dor. Gotzone percebeu. Parou na rua, deu um impulso, mirou de novo contra o pescoço de Sakura e fincou a espada de uma vez no corte que tinha aberto, até bater no osso do pescoço. Ela enfiava a espada com tanta força que sua mão tremia. 

Uma rajada de energia mágica saiu das costas de Sakura e preencheu toda a rua como um arco-íris em plena noite. A jovem médica deu mais alguns passos, tropeçou e caiu, dando de cara com o asfalto.

— Aqui é Beatriz Fanjul! Vocês estão presas! Todas vocês!

A barreira mágica de Usoa, Argiñe e Lore se desfez e outra barreira mágica apareceu. Mulheres e homens em farda branca militar apareceram na rua aos montes, com fuzis nas mãos. A ministra Beatriz Fanjul abriu passagem por eles, montada em Kerberos. 

— Gotzone! 

Montados em dragões, solados e mais soldados de armadura vermelha como sangue da Ordem apareceram também, empunhando bandeiras de Euskadi em lanças e montando em dragões menores. Esses dragões eram inofensivos e incapazes de respirar e soprar fogo.    

Gotzone estava na rua, com a espada “Eguzki” enorme em mãos e o escudo “Lúa Chea” gigante na outra. A mulher estava sentada nas costas de Sakura, olhando com indignação para ela. 

— Quem tá debaixo da outra agora? Me fala! — soltou Gotzone. Sakura estava com os dentes trincados de raiva, a cara arranhada e o pescoço ardendo de dor. Suas mãos tremiam e pediam por mais. A basca também não parecia querer terminar aquela luta. 

 

Continua…    

 



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