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História Uma Canção de Sakura e Tomoyo: Finalmente juntas - Capítulo 67


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Capítulo 67 - Eu não vou ficar parada com uma câmera nas mãos!


Capítulo 65

Eu não vou ficar parada com uma câmera nas mãos!


Barcelona, Catalunya, Espanha

8 de agosto de 2016


I


O café colombiano com capuccino que Tomoyo tomava na mesa do Starbucks, ao lado da calçada, ainda não caiu bem em seu estômago tão acostumado a tomar chá verde, mas era uma coisa que se habituava a tomar aos poucos, à medida que continuava tomando.

Olhou para o relógio no pulso que marcava uma hora da tarde e a tensão dentro do peito não passava, apenas aumentava. Foi então que uma mão morena tocou em seu ombro.

— Desculpa, Tomoyo, muito serviço na cúpula dos Mossos… — disse uma voz masculina. 

— Albert! — disse Tomoyo, abraçando o rapaz. Uma moça de cabelos curtos de óculos estava atrás dele.

— Larissa! Você por aqui também! Que surpresa! — disse Tomoyo, um pouco mais feliz. — Vocês nem pra me avisar que a Lari viria!   

— Boa tarde, Tomoyo! Eu também fico feliz por a gente se encontrar de novo. Pra falar a verdade, eu fiquei sabendo hoje que eu ia ser transferida pra cá. Você sabe, eu tava anos em Deltebre, minha cidade natal, daí recebo uma ligação pedindo pra eu voltar… Olha que surpresa! — disse a moça sorridente. 

— Verdade! Que bom que a gente não vai precisar se falar por mensagem mais! — disse Tomoyo. 

— Falando em mensagem e rede social, explicando as coisas pra Larissa, eu vi sua postagem no “instagram”, está bem Tomoyo? — começou o agente Albert. — A sua foto no clube de tiro com uma arma na mão dizendo “Eu não vou ficar parada com uma câmera nas mãos. Eu vou agir”. Pensei na hora: será que eles voltaram? — disse o Agente Albert. 

— Você fala da Ordem? Jura mesmo, Albert? — perguntou Larissa.

— É muita bondade sua, Albert, contar para a Lari o que está acontecendo comigo desde o começo. Mas a verdade é essa mesma, Lari. Chamei o Albert aqui hoje para falar sobre isso. — disse a costureira, triste.

— Vejo, Tomoyo. O Albert sempre esteve te ajudando nas sombras, é natural ele se preocupar com esse tipo de coisa agora também. Saiba que eu também, nós dois juntos, vamos te ajudar no que você precisar, está bem? — disse Lari, corando ao lado do colega. Tomoyo apertou calorosamente as mãos dela.

— Obrigada vocês dois. — disse Tomoyo. De uma pasta que estava ao lado dela, a costureira pegou uma ficha com os nomes de alguns membros da Ordem do Dragão que Gotzone havia lhe passado, em especial o nome de três pessoas: Victor Delgado, Ignacio Diaz e Maitê Ferrer. Ela pegou a pasta e entregou para os dois amigos. — Pessoal, preciso que vocês usem o sistema de informação da polícia para encontrar esses três. Se vocês conseguirem pistas de um só, já me ajuda. — disse a Roxinha. Larissa e Albert olharam intrigados os papéis. 

— Estou vendo que a Dona Beatriz não sabe de nada disso, Tomoyo… Eu não recebi nenhuma ordem dela nesse sentido… — disse Albert. 

— Não, não sabe de nada mesmo. Eu preciso que vocês ajam sem ela saber, sem ela perceber. Sei que o Albert é discreto, então, acho que não tem problemas pra ele… Lari, não sei quanto à você… 

— Eu prometi dar a vida por você, Tomoyo, há seis anos atrás, como a Kelly já fez. Eu posso fazer o mesmo hoje junto com o Albert, é claro. — disse Larissa, olhando para o colega policial. Os dois ficaram vermelhos juntos e Tomoyo sorriu. 

— Nem sei como agradecer, gente. Só sei que vocês ficam tão bonitinhos juntos… — disse a costureira, lisonjeada. Ela deixou os amigos mais envergonhados ainda com aquela observação. De repente, o telefone executivo dela tocou. Era o Presidente do Barça convocando-a para uma reunião urgente. 

— Tomoyo? — perguntou Albert.

— Desculpa, gente, os negócios me chamam. Vida de executiva tem lá seus imprevistos… 

— Entendo… A gente te passa mais tarde o que a gente descobrir… — disse Albert.

— Está bem. Vou ficar no aguardo.

Tomoyo pegou a bolsa da cadeira e partiu da cafeteria.    


II


A cadeira que Tomoyo estava sentada na sala do presidente era uma das mais confortáveis do mundo, mas aqueles olhares de acusação do diretor de projetos do time e seu superior direto, David Sobirá, do vice-presidente, Pompeu Bressol e do presidente, Josep Bartomeu, faziam-na se sentir sentada em uma cadeira de espinhos, como as das torturas medievais. Para ajudar, as janelas estavam fechadas e as cortinas sanfonadas só ajudavam a piorar aquilo tudo. 

Já imaginava o motivo daquelas perguntas e daquele interrogatório todo.

— Boa tarde, Tomoyo. Durante esse fim de semana, a gente recebeu uma série de notícias ao seu respeito… E olha que a gente estava nos Estados Unidos e se preparava pra voltar prá cá só semana que vem… — começou Pompeu Bressol, o vice-presidente. 

— Eu sei, presi. Se vocês quiserem perguntar sobre as minhas imagens que apareceram na TVE, eu sou toda ouvidos. Muito do que se fala na mídia não é verdade mesmo… — disse Tomoyo. O três se olharam entre si.

— Pois bem, já que você tocou no assunto, me diga, Tomoyo: o que você estava fazendo em Madrid com uma porção de serviço que você tinha pra fazer aqui? — perguntou David Sobirá, o Diretor de projetos.

— Então, chefe, eu estava ajudando um amigo meu passando por um momento difícil. Só isso. O senhor também pode ver, pelos e-mails que a gente trocou, que eu já entreguei todo o serviço que o senhor me passou. Ainda estou esperando que me passe o resto, mas não sei por que, o senhor não me passou. — respondeu Tomoyo.    

— Você é amiga do Raül Ferrer desde quando? — perguntou Josep Bartomeu, o presidente. 

— Não só do Raül, como de sua majestade, o Rei Felipe VII. Quero que saibam desde já: sou filiada do PSC como eles também… — respondeu Tomoyo, com naturalidade. Os três se olharam mais uma vez e começaram a discutir silenciosamente.

— Você entende o peso do que você disse, Tomoyo? — perguntou o presidente. 

— Sei sim, presi. Eu não vejo nada de errado nisso em ter uma amizade, mesmo que de longe, com o Rei e com o presidente dos Socialistas. O problema é que tem muita gente me enxergando como mulher dele, não podem ver uma mulher solteira do lado de um homem solteiro pra começar a inventar coisa… — disse Tomoyo, com a mesma naturalidade de sempre — Ou vocês também acham que eu tenho um caso com o Rei? 

— Tomoyo, não é questão de imaginar ou não, é questão que não dá pra pensar em outro tipo de coisa, você entende? Todo o país, eu digo da Catalunya, tá falando nisso, fora que já sabem que você trabalha aqui. — disse o presidente. 

— Ora, presi, perguntem pra mim então. Recebi um monte de pedidos de entrevistas no meu e-mail e neguei todos. Eu tenho direito a isso, não tenho? — perguntou Tomoyo.

— Bem… Tem sim, mas também temos nossos direitos. O Barça sempre foi um time catalanista e soubemos defender bem o nosso país até então e… 

— El Rey também o é. Ele até falou que aqui são os “Países Catalães”. Ele é muito bom com os nacionalistas da Convergència i Unió do que com os Conservadores, por isso, tiraram ele, vocês não pensam o mesmo? — disse Tomoyo, sorridente. O presidente perdeu a paciência com o sorriso dela. Foi seu chefe, David Sobirá, quem falou em seguida. 

— Olha aqui, Tomoyo, estou cansado dos seus sorrisos! Parece que você não está levando a sério a gente! 

— Mas, chefe, eu estou levando! Respondi à todas as perguntas e estou tentando dialogar com vocês como uma pessoa que também se importa muito com o Barça! Eu não entendo esse nervosismo, nós sempre nos falamos tão bem. 

— Pois bem, vou deixar tudo preto no branco agora: rir de uma piada racista e homofóbica é perpetuar os mantras da extrema-direita, não é? Andar do lado do Rei da Espanha é perpetuar o mantra de que Catalunya é parte dela! É querer dizer que não há problema com o modelo de estado, que está tudo bem a gente ter um rei aqui que se nega a aceitar a nossa liberdade! — disse David, berrando. Tomoyo ficou calada. 

— Tomoyo, sua imagem está associada com a do Barça faz tempo. Não podemos permitir que essa sua imagem ande lado a lado com a imagem de um Rei condenado. Ver você,uma pessoa da nossa diretoria, andando ao lado do rei é ver o Barça andando ao lado do rei. Andar ao lado, de certa forma, é concordar com isso, você entende? — disse o vice-presidente Pompeu Bressol, com mais calma. — Até perguntaram pra gente o que você estava fazendo lá, se você estava representando alguém da diretoria…   

— Eu entendo o que vocês estão dizendo. Quero me defender também, dizendo que não quis prejudicar o time e peço desculpas se isso afetou. Vou me esclarecer hoje mesmo, mas acho que tem muitos setores do nacionalismo catalão tão intolerantes quantos muitos setores da extrema-direita. — disse Tomoyo, desabafando. 

— Pois é, Tomoyo. Pense melhor da próxima vez, num próximo emprego antes de estragar sua imagem com besteira. Tá fora da equipe. — disse o presidente.

— Como é? — disse Tomoyo, perplexa.


III


Vendo o pôr do sol, na praia de Barcelona, como vento batendo em seus cabelos, Tomoyo tomava um smoothie do Méqui junto com Felipe. Os dois estavam encostados no parapeito que dividia a calçada da praia.   

— Tá arrependida? — perguntou Felipe.

— Jamais. Jamais me arrependo de estar do seu lado, Felipe. — disse Tomoyo, sorrido. — Quem tem um problema não sou eu, é a diretoria se ela não gosta de você… 

— Tenho medo de prejudicar sua carreira, você mal tinha sido promovida… 

— Minha carreira é você, Felipe. É a Sophia. Sou arquiteta de formação, vou arranjar alguma coisa logo, logo… O Barça é só um sonho… Vocês são a minha vida real… — disse Tomoyo, com um sorriso tímido nos lábios.

— E a Sakura também, não é? 

— Principalmente a Sakura, Felipe. Eu pedi pro Albert e pra Larissa investigar os papéis que a Gotzone me enviou uns dias atrás… 

— O Albert, eu conheço, mas essa Larissa… 

— É a oficial que me protegeu há uns anos atrás quando a Ordem me atacou. Eu falo com ela de vez em quando por mensagem. Ela é de confiança, pode acreditar. Eu já falei pra eles pra não falar nada pra Dona Beatriz… — disse Tomoyo.

Felipe se aproximou de Tomoyo e deu um beijo na testa dela, abraçando sua cintura.

— É, a coroa também era uma ilusão; você, o drama da Sakura, a oficina, são minha vida agora, não quero perder vocês…  

— Não vai perder não, Felipe, não vai não… Ninguém solta a mão de ninguém aqui… — disse Tomoyo, beijando a bochecha dele de volta.


Continua… 




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