História Uma canção de Sakura e Tomoyo: melhor chamar Sakura - Capítulo 30


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Personagens Originais, Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Barcelona, Catalunya, Dragão, Espanha, Ordem, Osaka, Sakura, Sakutomo, Tomoyo
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Palavras 2.239
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Planos futuros (parte I)


Capítulo 28 

Planos futuros


I


Osaka, Japão

17 de dezembro de 2010


Já eram três horas da tarde. Sentada no sofá, vendo a neve cair na janela do apartamento, Sakura telefonava para Tomoyo. Kero estava com ela, dormindo no tapete da sala em sua forma de grande leão alado. Yue também estava lá, como um guarda alto que não deixaria nada passar ileso por aquela porta ou janela. 

— … Esses caras não dão trégua mesmo, né amiga? 

— Eles são implacáveis! Nós conseguimos prender uma ontem e ela não desembuchou por nada! 

— Nadinha mesmo? 

— Não… Só pela graça de Deus mesmo, Sakura, que eu consigo falar com você hoje… 

Sakura fechou os olhos e respirou fundo.

— Eu tô cansada de esperar pela graça de Deus, de Buda ou sei lá quem, Tomoyo! Quero meu filho de volta, nem sei como tô conseguindo me aguentar aqui! Se meu pai e meu irmão não tivesse aqui comigo… Pena que agora eles não tão aqui…  

— Sakura, eu digo o mesmo… Se não fosse a minha mãe, a Marcela, o Felipe…  

Sakura sentiu um pouco de incômodo ouvindo o nome “Felipe”.

— Ah, o Felipe, claro que sim! O Felipe… 

— Que foi? 

— Nada não… Tô pensando em trancar a faculdade e ir praí, amiga. O Shoran também tá pensando em inventar uma lesão pra ficar afastado do gramado por um tempo. A única coisa que a gente sabe é que esses caras são daí! Fico até com o coração na mão de saber dos riscos que você tá correndo.

— Nem me fala! Mas pensa direitinho, Sakura! Temos que dar tempo ao tempo. Se a coisa não tiver jeito mesmo, o negócio é vir pra cá. 

De repente, a campainha do apartamento toca. Sakura, Kero e Yue olham apreensivos para a porta, mas depois relaxam. 

— Tomoyo, vou ter que desligar. A Hikaru já tá aqui em casa e acho que ela deve ter notícias. 

— Tomara… Torcerei por você, Sakura! Boa tarde! Fala para o seu pai que mando saudações e manda um “salve” para o Kero!

— Tá tudo tranquilo aqui, Tomoyo! — disse o guardião amarelo. 

— Um bom dia pra você também, Tomoyo! Acho que já deve ser de manhã aí! Manda um salve pra Sonomi pela gente! 

Sakura desligou o telefone e correu para abrir a porta. A agente olhou para os lados e fechou-a cautelosamente.

— Boa tarde, agente. — disse Kero. 

— Achei que fosse o Yue quem ia abrir… — disse a agente de cabelos ruivos.

— Eu senti a sua presença atrás da porta e… — disse Sakura, se explicando.

— Nunca se sabe, você tem que desconfiar de tudo… Você tá sem seu pai e seu irmã, né? Tem que ter cuidado… — disse Hikaru. Ela se sentou no sofá e tirou o sobretudo.  — Tenho uma notícia pra você… — A agente tirou uma carta do bolso do sobretudo e entregou para Sakura. A cardcaptor estendeu a mão para pegar, mas ela repreendeu-a:

— Não é assim! Como foi que eu te ensinei?

O corpo de Kero iluminou-se com uma aura amarela e a carta veio flutuando até as mãos de Sakura.

— Tá tudo certo! — confirmou o guardião.

Sakura abriu a carta e arregalou os olhos. Nela estava escrito:


“Se você quiser, só se você quiser ver o seu filho e suas cartas, me encontre na estação Cosmosquare de Osaka, às quatro horas da manhã, do dia 22 de dezembro. Vou estar te esperando. Se você não vier, nunca mais vai ver nem seu filho, nem suas cartas mais”. 


— Sakura? Sakura? — perguntou Hikaru.

Pelos próximos segundos, Sakura não pensou. Saiu correndo como uma louca porta a fora do apartamento. Ela nem sequer pegou o elevador, foi direto para as escadas. Nem Hikaru, Kero ou Yue entenderam aquilo. 

— O que vocês tão fazendo aí parados! Atrás dela! A carta pode ser uma armadilha! — gritou Hikaru. 

— Vamo bora, Yue! Você é lesado! — disse Kero, abrindo suas asas.

— Olha quem fala! O otário em pessoa! — disse Yue, fazendo o mesmo. Os dois se trombaram na porta e não conseguiram passar. Para piorar, Hikaru ficou chutando-os até que atravessassem. 

— Cuidado pra não serem vistos! — berrou a policial. 


II

Estação Cosmosquare, Osaka

Alguns minutos mais tarde. 


Sakura estava ofegante, com os olhos arregalados de cansaço. Nem o frio da tarde e nem as mãos congeladas sentia mais. Fazia mais de meia hora que corria desesperada pelas ruas de Osaka, sob os olhares de censura do pessoal da rua, mas não estava nem aí. Chitatsu era mais importante. Bastou ver os letreiros na frente da estação e a enorme cúpula de vidro do porto para que se ajoelhasse de quatro no chão. Estava trêmula da cabeça aos pés, tanto de cansaço quanto de frio. Apenas estava usando um suéter de lã grosso e uma calça fina esportiva da adidas. Ainda era 17 de dezembro, faltavam cinco dias para o encontro, mas estava decidida a esperar lá até o final pela vinda do vilão. Passaram-se alguns minutos e seus lábios começaram a rachar de frio. Tremia mais que nada e seu nariz começava a escorrer. Sentada na calçada, abraçou as pernas e esperou.  

— Não vai adiantar nada você ficar aí esperando! — disse uma mulher muito bonita, vestindo uma armadura vermelha como sangue. Ela era loira, cabelos trançados, com uma capa ondulando ao vento e uma espada de duas mãos enormes nas costas. O frio do corpo de Sakura logo desapareceu e seu sangue ferveu quando viu a mulher. Parecia um touro vendo a muleta do toureiro. A cardcaptor pegou o báculo da estrela e começou a atacar a mulher irracionalmente, sem acertar um golpe. Ela se desviava de todos. Até que uma hora a mulher se cansou, puxou o báculo, com Sakura e tudo, e deu uma joelhada na barriga dela. A estudante caiu no chão e a soldado da Ordem pisou no pescoço dela. Isso não acalmou Sakura. Ela rangia os dentes e tentava bater nas pernas da mulher, sem sucesso.

— Não vai adiantar nada isso também. 

— Eu vou pra Espanha acabar com vocês, seus malditos! 

— Acabar com a gente? Por que?

— Vocês roubaram meu filho! 

— Eu não sei nada sobre seu filho.

Sakura arregalou os olhos.

— Como assim não sabe se foram vocês que fizeram isso? São vocês que tão vindo atrás das cartas! 

Sakura se contorceu mais ainda e tentou tirar o pé da mulher de cima do seu pescoço, mas a soldado da Ordem sacou a espada enorme das costas com uma mão e encostou no pescoço dela. A cardcaptor gelou sentindo aquela lâmina tão perto da sua jugular.

— Dá pra me escutar agora? — A mulher tirou o pé do pescoço de Sakura e ajudou-a se levantar. A expressão de ódio e desconfiança de Sakura não sumiu. — Nem todo mundo que usa armadura vermelha tá atrás das cartas Clow, nem do seu filho, nem de você.

— Sua vagabunda! Como é que eu vou saber disso?

A mulher encostou de novo a grande espada no pescoço de Sakura.

— Não me chama de vagabunda! Se eu quisesse te matar aqui e agora eu já teria feito isso duas vezes! — disse a mulher. — Eu não tenho interesse nenhum em você, nem nas suas cartas. Mas tem gente que tem. Contra essa gente, eu tô lutando do mesmo lado que o seu! Da minha maneira, é claro.

Sakura levantou o báculo contra ela, como se pudesse soltar uma magia a qualquer hora. 

— Sakura!

— Sakura!

Foi nessa hora, que Kero e Yue apareceram. O leão amarelo rosnou contra a mulher e Yue já sacou uma flecha pronta para disparar a qualquer momento. 

— Eu vejo que os reforços chegaram. Acho melhor você voltar pra casa e voltar dia 22, às quatro horas da manhã, como o Zhang falou. 

— Miserável! — disse Yue, disparando uma flecha de prata, mais rápida que a luz. A mulher se defendeu com a grande espada. 

— Como é que sabe de tudo isso? — disse Kero. Ele também soltou um jato de fogo, mas ela continuou a se defender com a espada.   

— Nunca viram magos que leem mentes?

Os três se calaram, olhando desconfiados para ela. A soldado da Ordem guardou a espada imensa e andou até eles. 

— Nosso inimigo é o mesmo, eu já disse. Nem todo mundo que usa armadura vermelha como eu está atrás das cartas. Eu também tô atrás desses caras que pegaram seu filho, Sakura! Eu só quero ajudar… 

— Me dá uma prova! — gritou a cardcaptor. Kero e Yue ainda estavam desconfiados e não baixaram a guarda.

— Pode pesquisar meu nome na internet: Gotzone Bengoetxea. Eu não tenho medo da verdade, Sakura. Não tenha medo de procurar por ela também. Só para pra pensar um pouco contra quem você aponta suas armas. 

— Mentirosa! — disse Sakura, correndo contra a mulher. Kero e Yue seguiram sua mestra, mas quando se aproximaram, Gotzone fez um simples floreio com a espada e derrubou os três no chão com uma rajada de ar. Com o golpe, eles capotaram por cima dela e caíram do outro lado.

— Quando você tiver suas cartas de volta, a gente continua a conversa. — disse a Soldado da Ordem. Asas transparentes vermelhas apareceram atrás das costas dela e ela voou para longe. Três viaturas de polícia pararam na calçada. Era Hikaru. 

— Sakura, tá tudo bem? — perguntou a Agente.

A cardcaptor não respondeu.

— Aquela espada… Eu já vi ela antes… — disse ela, com a cabeça um pouco mais fria depois do golpe que levou.

 

III


De volta à casa, Sakura sentou-se na mesa de jantar, com Meiling, Syaoran, Kero, Yue, Nakuru e seu irmão Touya com a cara mais emburrada do mundo. Fujitaka, seu pai, estava servindo todos com uma sopa que havia preparado para aquela noite. 

— Atchim! — Espirrou Sakura.

— Eu devia ter ficado aqui em casa, mocinha! Bem que sua mãe me falou que você ia fazer alguma besteira! Agora olha para você! Espirrando, com resfriado! — repreendeu o professor. 

— É uma monstrenga mesmo! Acha que tem peito de aço pra sair correndo no meio do frio! — disse Touya, com um pouco de zombaria. Kero concordou com ele e bateu a palminha da mão na dele. 

— Gente, vamos entender a Sakura! É o filho dela e bem, a Nadeshiko-san tá num outro plano de existência agora… — disse Nakuru, tentando acalmar a situação. 

— Minha mãe sempre está velando pela gente! Ela deve estar zelando pelo Chi também ou ela estaria aqui no meio dessa mesa desesperada! — disse Touya. 

Sakura estava alheia à discussão naquela mesa. Sua mente estava focada na matéria que havia lido no “mainichi shinbun” quando passava pela banca de jornal, no momento que estava vindo para casa na viatura de Hikaru:


“Espanha ganha de 5 a 2 contra as Nadeshikos

Atual campeã mundial sucumbe ao talento de Gotzone e companhia.


Assim, não ganharemos o mundial ano que vem! Analisam Tadahiro Miura e Kentaro Yabuki” 


— Sakura? Sakura? Está tudo bem? — perguntou Fujitaka preocupado, percebendo a distância da filha daquela mesa toda.

— Nada… Não é nada não, papai. — disse Sakura, olhando para Syaoran. O chinês tomava uma porção da sopa no momento. — Quem é Godizone, Gotizone Benko…Shea, Chea, Sei lá o que, Shoran, Quem é?

Do nada, Syaoran cuspiu toda a sopa que tomava na mesa, pois foi forte o susto que levou. Estava de olhos arregalados e o coração saindo pela boca.

— É um pirralho mesmo! Me sujou todo! — disse Kero.

— Hey, Kero! Para de ser um boneco feio! Não tá vendo que ele se assustou! — disse Meiling, dando assistência para o primo. 

— Você fala isso por que é encrenqueira como ele! — respondeu Kero.

— Calma, gente! Isso deve ter sido uma surpresa grande pro Shoran, ele não esperava por isso? — disse Fujitaka, tentando acalmar a situação. — Mas também não precisava ser tão forte o susto, né, Syaoran? — disse o professor, sorrindo para ele. O chinês se limpava, sem jeito e muito envergonhado com a pergunta da mulher. — Acho que já ouvi esse nome, é Gotzone, né? Ela fez três gols na seleção ontem, puxa vida! 

— Eu tava vendo o jogo ao vivo! Foi no estádio do Gamba! O Shoran arranjou um ingresso pra mim! Tirei foto com ela e tudo, olha só! — disse Meiling, mostrando para Sakura o registro visual feito com a mulher de cabelos trançados pelo celular. A cardcaptor viu que era a mesma Gotzone que se apresentou para ela naquela tarde fria, a mesma da foto do jornal. Sakura olhou para o jogador preocupada.

— Você sabe quem é ela, Shoran? Ela é boa pessoa? — perguntou Sakura, percebendo que a relutância dele era a mesma que a de Kero para revelar quem havia usado as cartas Clow no passado. Sem poder fugir, o cardcaptor colocou os talheres no prato e o lenço com que se limpava na mesa antes de responder:

— Conheço sim. Ela é uma jogadora muito talentosa. E muito bonita. Nunca me fez mal nenhum. — respondeu o chinês, sem olhar para Sakura quando disse que ela era muito bonita. Bastou que ele dissesse isso para Sakura não perguntar mais nada sobre ela naquela noite. 


Continua…



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