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História Uma carta aos seus ouvidos - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Boa madrugada, a todos vocês! Esse capitulo demorou para sair. Acho que reescrevi umas 3 vezes, sendo que estou tentando escrevê-lo a MESES. Como boa parte já estava escrita já há um bom tempo, acrescentei o que faltava para poder mandar aqui para vocês. Um grande beijo a todos, e espero que gostem desse capítulo também!
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Capítulo 2 - Dois


Yuri e eu nos levantamos do sofá. Ele guardou seus “instrumentos de conversação” novamente em seus bolsos. Depois, entrelacei nossos dedos. Eu pude notar sua hesitação em corresponder ao toque. Mas mesmo um tanto tímido, acabou retribuindo aquele contato apertando minha mão. Afinal, não havia motivos para sentirmos vergonha de um ato tão simples. Aquilo não era nada comparado a intimidade que em breve teríamos, já que tinha graciosamente aceitado meu pedido em beijá-lo muito essa noite. Na verdade, não nego minha vontade quase imensurável em lhe dar uns pegas desde o momento em que o vi. E o fato de ele ser surdo não me impediria de deixar sua boca dormente até o final da noite.  

Quando sorriu de lado, me indicando que estava pronto, nos colocamos a andar a passos rápidos para fora do portão. Nós tentamos ser sutis, mas a discrição não foi total. Dois rapazes que até então não se conheciam caminhando de mãos dadas para um lugar escuro e escondido de uma festa certamente chamaria a atenção. Tanto que algumas pessoas, principalmente colegas meus, soltaram seus risinhos e cochichos suspeitos enquanto passávamos por eles. Um amigo da minha sala até me mandou um joia com as mãos e me desejando boa sorte ao dizer “vai lá, garotão”, em alto e bom tom. Eu quis morrer de tanto constrangimento. E Yuri andava normalmente ao meu lado como se nada tivesse acontecido. Talvez a surdez seja uma vantagem em situações como essa. 

A casa de Minako ficava na esquina do quarteirão daquele condomínio. À direita, havia a residência propriamente dita. Ao meio, estava a garagem e a festa de aniversário em seu interior. E à esquerda, um jardim que ficava de frente com a continuidade da rua ao lado, cheio de coqueiros anões, roseiras e grandes antúrios. As folhagens ao lado da casa eram tão enormes que construíam um cantinho bem discreto e escondido entre a parede de fora da garagem e toda aquela natureza, onde nem mesmo os postes da rua eram capazes de iluminar completamente. E era ali que eu levara Yuri. 

Afastando aquelas folhas do nosso caminho, Yuri e eu invadíamos aquele jardim. Uma vez a sós, Yuri tornou-se bem mais a vontade do que antes na festa, rodeado por um monte de gente desconhecida para ele. A única pessoa que conhecia até então era sua irmã mais nova, Mari. Mas aqui fora, e escondido sob as folhagens que enfeitavam a casa, ele se soltou. Yuri descontraidamente apoiou suas costas na parede e me seduziu com seu olhar. Um sorriso cafajeste surgiu em sua boca, fazendo-me engolir em seco. Mas o estopim do meu êxtase foi quando retirou os óculos e os guardou em um de seus bolsos livres, possibilitando-me ver o rosto mais lindo o qual havia me deparado na vida, agora sem qualquer obstáculo.  

- Uau... 

Yuri era... Perfeito! Seus olhos japoneses eram pequenos, mas suas íris eram grandes e profundas, além de ferozes na medida certa. Elas me prendiam numa brisa insaciável ao ponto de cada célula do meu corpo responder numa fervorosa excitação. Olhos de jabuticaba misteriosos, que não me davam nenhum indício do que estaria pensando. E aquela sensação fez meu corpo travar.  

Não era ingênuo para não saber o que fazer agora, afinal, não era a primeira vez que ficava com alguém. Nem virgem não era mais. Mas Yuri era tão bonito e autoconfiante... Tinha também uma aura madura, exalando experiência e um jeito adulto de ser. Yuri ser mais velho e já fazer faculdade era algo que certamente me atraia, mas me fazia pensar que talvez não fosse bom o suficiente para ele. Eu só era um garoto que ainda estava na escola, embora na reta final. E além disso, era um garoto que não tinha ideia de como me comunicar com ele sem ter que usar aquela caderneta guardada em seus bolsos.  

A insegurança veio como uma bomba. Eu nada disse, nada fiz e não me mexi. Eu apenas ria de nervoso, repleto de pânico que certamente foi mostrado bem explicitamente em minha face. Foi quando rapidamente já notei uma coisa em Yuri: ele era bom em perceber sinais. Ele ficou confuso quando notou meu conflito interno graças as minhas conturbadas feições. Sempre que eu participava de uma festa e eventualmente fosse beijar alguém, sempre acontecia um flerte antes de partirmos para o contato físico. Aos poucos quebrava-se a barreira do íntimo na base da conversa, identificando quando e como agir. Mas... E com Yuri? Eu não queria parecer grosseiro e já avançar direto em sua boca, por mais que desejasse. Queria dizer algo a ele. Dizer que ele é um ser admirável, dizer que estou nervoso e me sentindo pequeno diante dele... Qualquer coisa seria útil para quebrar esse gelo que se formou. Confesso que também gostaria de ouvir dele algo parecido, além de saber se ele me desejava tanto quanto eu passei a desejá-lo. 

Meu turbilhão de pensamentos foi interrompido quando Yuri fez um gesto com as mãos. Pela sequência ordenada dos sinais que rapidamente realizou, pude perceber que aqueles movimentos significavam alguma coisa, no entanto, eram complexos demais para minha compreensão. O movimento dos seus dedos foi uma monstruosa incógnita para mim, mas ao mirar em seu rosto, Yuri parecia preocupado. Estaria me perguntando se estava tubo bem? Fazia sentido, não é? Mas na minha mente, estaria tentando dizer algo como “Você é o ouvinte mais bobão que conheci! Me traz aqui e não toma atitude nenhuma!”. Espero realmente que não esteja pensando algo assim. Era angustiante não ter entendido nada do que “disse” para confirmar ou não os meus medos. 

- Desculpe – disse baixinho, completamente agoniado.  

Yuri se entristeceu por nossa comunicação não estar fluindo. Eu não queria que ele tivesse que passar por essa situação. Ele merecia um momento incrível, como ele próprio era. Quantos outras situações incômodas como esta ele já deve ter lidado na vida só pelo fato de ser surdo? Eu não sei... Mas o fato era que não sabíamos como quebrar esse muro silencioso, embora nenhum de nós desejávamos que se perpetuasse por muito mais tempo. A gente só se olhava, esperando o outro começar a fazer alguma coisa. O nervosismo foi tanto que acabei esfregando meus olhos, para tentar ativar minha mente e pensar em alguma solução. Mas antes que conseguisse afastar minhas mãos de meu rosto, Yuri segurou uma delas, observando-a atentamente. Consequente ao estado caótico em que estava, minha mão estava trêmula. E o olhar brilhante que Yuri lançou em mim logo depois, pude ter a certeza que havia entendido que estava nervoso e não sabendo o que fazer. Me olhou com um sorriso bobo, maravilhado. 

Sabe... Vê-lo me observando assim com tanta idolatria e fofura foi como se eu tivesse sentido uma flecha fincar em minhas costas, proveniente de algum ser celestial perambulando sobre nossas cabeças. Meus amigos que namoram concordam num ponto, isto é, o momento em que nos damos conta que nos apaixonamos é repentino, como uma lâmpada que rapidamente se acende em seu cérebro, precedida do seguinte pensamento: eu acho que gosto dele. Sempre acreditei que essa história de amor à primeira vista era furada, além de ser baseada somente na aparência da pessoa. De fato, o que me chamou a atenção em Yuri foi sua fisionomia de tirar o fôlego. A segunda, foi por ele ser diferente. Diferente, não... Mas muito especial, com certeza. Eu não sabia nada sobre ele, além de ser surdo e irmão da minha colega de sala. Como poderia me apaixonar por alguém que praticamente não conheço nada a respeito? Não tenho ideia. Também não sei como, nem o por quê, mas depois que senti aquilo, foi como se de repente passasse a entendê-lo. Calma, não era como se magicamente me tornei fluente em linguagem de sinais. É que cada gesto dele ou movimento que fazia pareciam falar comigo. Seu olhar consolador e humilde me dizia “Está tudo bem. Estou nervoso também”. Sua mão deslizou pela maçã do meu rosto, confessando a mim “Como você é bonito”. E durante esse carinho, seu dedão delineou meu lábio de baixo, fazendo minha boca se entreabrir involuntariamente. Essa atitude, juntamente com seu sorriso malandro que a acompanhou, me apressaram ao pedir “Vamos logo com isso”.  

Deixando de se apoiar na parede, com suas duas mãos, agarrou a gola da minha camisa e me trouxe para perto. Seu nariz delicado roçou na pele da minha bochecha, já fazendo meu coração bater forte contra o peito, como se não houvesse espaço suficiente dentro de mim para que batesse segundo a demanda. Seus lábios quentes quase tocaram minha pele, deixando uma lambida provocante e sutil bem próximo ao cantinho da boca. Aquilo me atiçou, deixando-me ofegante de tão sedento que estava por ele. E rodando meu rosto em direção ao dele, enfim, num ato de coragem, juntei sua boca na minha.  

A insegurança no início de qualquer beijo pode nos deixar tensos. Mas aos poucos, quando percebemos o quanto somos desejados pelo outro, todo nosso corpo se relaxa no processo de entrega. Dessa forma, a mão de Yuri que agarrava fortemente a minha camisa aos poucos perdeu a força. Seus dedos subiram como uma prancha, deslizando pelo meu peito, meu pescoço, mandíbula, até repousar em minha nuca, onde suas unhas curtas me arranhavam cada vez que minha língua dançava sobre a sua.  

Uma coisa era certa: percebi que queria saber tudo sobre Yuri. E mesmo que esse processo de conhecimento estivesse começando com um estudo apurado da sua boca, não me importava. Mas o estudo automaticamente implicava em dúvidas, as quais tentava solucionar aos poucos. Uma delas era descobrir qual dos seus lábios era mais delicioso. No meio do beijo, posicionei nossas bocas para que pudesse experimentar seu lábio inferior. Gordinho, macio, saboroso, entorpecente... Depois daquele vai e vem, daquele abre e fecha de bocas, migrei para seu lábio superior. Era mais fino que o outro, fazendo-me beijar parte do seu buço muitas vezes. Mas este tornou-se meu preferido quando Yuri me mordeu, induzindo-me a concluir que aquela era uma posição propícia para que fizesse isso com meu lábio de baixo. E como desejava que isso se repetisse o quantas vezes fossem possíveis, fiz de tudo para que ele tivesse acesso ilimitado a essa parte do meu corpo. E toda vez que Yuri mordia minha boca, surpreendentemente do exato jeito que eu gostava, leve e lentamente, eu gemia dentro da sua garganta, completamente vulnerável a qualquer indício de insanidade que parecia surgir.  

Como dois animais, rapidamente trocamos qualquer razão por nossos instintos. O que antes estávamos nervosos e inseguros em por em prática, agora simplesmente fazíamos. Puxei sua cintura próximo a minha, o evolvendo num abraço apertado. Seu corpo estava aquecido. Yuri não era um homem detentor de um notável porte físico, mas era sarado o bastante para achá-lo gostoso. Enquanto isso, Yuri também apelava para a intensificação do nosso contato, enlaçando seus braços ao redor do meu pescoço. Algumas vezes, quando o ato se apimentava, pude notar seus dedos se penetrando entre as mechas dos meus cabelos, orientando a movimentação da minha cabeça que mais o agradaria. E mesmo que nenhuma ordem estivesse sendo explicitamente proferida, eu obedecia com prazer a todos os comandos e necessidades de Yuri.  

Seu hálito quente se misturando com o meu, e nossos corpos unidos se esfregando um ao outro me deixavam à beira da maluquice. A gente se apertava tanto um no outro que parecia que queríamos nos fundir em um só. E de tão louco, quando me dei conta, minhas mãos já estavam experimentando sua bunda, acariciando-a sobre seu jeans. E quando pareceu não haver mais área de pele disponível para as unhas de Yuri arranharem em minha nuca, seus dedos pareceram querer fazer o mesmo em minhas costas. De maneira nada sutil, as mãos de Yuri adentraram por dentro da minha camisa, direcionando-se a parte mais superior da coluna, próximo as escápulas. Isso me fez ficar parcialmente despido, mas nem liguei. Apenas permiti que deixasse suas marcas para que pudesse sonhar com elas depois.  

Se antes eu já tinha ficado insano pela pegada que Yuri tinha, suas atitudes que se seguiram praticamente me fizeram perder a consciência. Seu beijo sufocante se lentificara. Nossas bocas se entreabriram espontaneamente, permitindo que somente as línguas se movessem, rodopiando-se entre si. Aquilo mandou sinais fisiológicos que percorreram daquela região até meu baixo ventre, ameaçando-me a endurecer. Contudo, quando Yuri abocanhou a minha língua e a chupando logo em seguida, enquanto, ao mesmo tempo, arranhava desde a parte de cima das minhas costas e descendo até a lombar... Eu pirei de vez.  

Meu corpo avançou em sua direção, pressionando-o contra a parede do lado de fora da garagem. Não esperava que aqueles toques ficariam tão audaciosos tão velozmente, mas, por algum motivo, não pude resistir aos encantos daquele rapaz universitário que acabara de conhecer e todos os seus truques que me excitavam demais. Assim, de uma hora para a outra, o beijo se aprofundou tanto que foi preciso que inclinássemos a cabeça para lados opostos para suprir aquela vontade ambiciosa de possuir o outro. O ar se rarefez, já que o samba das línguas, a troca incessante de saliva e o aperto do nosso abraço inviabilizava nossa respiração. E quando inspirar se tornou uma emergência, enquanto recuperava o fôlego, Yuri não tardou em puxar meus cabelos para o lado, de forma a deixar meu pescoço completamente exposto a ele, presenteando-me com uma chupada tão gostosa que me fez até revirar os olhos.  

Criamos a química perfeita. Eu achava que a gente só iria dar alguns beijos para saciar os hormônios que se afloraram quando o conheci. Não pensei que Yuri fosse aderir tanto a ideia e reagir de maneira tão cheia de desejo como agora. Por causa disso, a coisa toda estava ficando perigosa, muito perigosa. Na verdade, não me lembro a última vez em que senti tanto tesão. Foi muito assustador o que aconteceu quando parei para pensar depois. Meu cérebro simplesmente derreteu. E as únicas sinapses entre os neurônios que sobraram eram aquelas que me diziam o quanto queria beijá-lo e tê-lo aqui mesmo. Eu aproveitava cada oportunidade que minha boca tinha de se desmanchar e se reencaixar repetidas vezes em seus lábios moldáveis aos meus. E eu estava tão duro que, quando notei que ele estava tão excitado quanto eu, não pensei duas vezes. Pressionei ainda mais seu corpo contra a parede e ciclicamente passei a roçar nossos membros, friccionando-os um no outro e por cima da roupa, como se realmente estivéssemos numa transa alucinante.  

Num momento, abri os olhos para saber de Yuri. Confesso que adorei a expressão que fazia, parecendo estar numa situação de total tortura. Provavelmente, eu estava num estado muito similar. Quando meu rosto se afastava, nas raras pausas dos beijos, eu o observava se deliciar em prazer, enquanto o último rastro de saliva entre ambas as bocas aos poucos se escorria e se desfazia no ar. Mas por causa de alguns gemidos e grunhidos que se escapavam pela sua garganta, era preciso retornar com os beijos rapidamente a fim de abafá-los. 

Tudo estava acontecendo de uma maneira mil vezes melhor do que imaginei. Até que Minako estragou tudo. 

De repente, ouvi a música de dentro da garagem parar de tocar, passando a escutar apenas o murmúrio das vozes dos meus colegas. Isso me deixou num ligeiro estado de alerta. No entanto, como Yuri não ouviu nada, ele apenas continuava a me beijar intensamente. Foi quando a voz alta da minha amiga no microfone ecoou por todo o lugar: 

- Gente, vamos cantar os parabéns?! O bolo já está na mesa! 

- Partiu!!! – gritou alguém em resposta. 

- Estão todos aqui? Esperem... Onde estão o Victor e o irmão da Mariana?  

O susto e o desespero surgiram tão intensamente que repentinamente me afastei de Yuri, deixando-o, obviamente, bem confuso. Sem tempo para tentar me explicar, apenas segurei o seu braço e o arrastei para fora do jardim, indo em direção de volta a garagem. Imaginei que Yuri não estivesse entendendo a minha pressa em retornar, mas sabia que em breve entenderia. E assim, voltamos para a festa, em que aquele maldito ritual dos parabéns havia interrompido meu delicioso momento com Yuri. Mas embora decepcionado por ter acabado, estava eufórico por ter acontecido.  


Notas Finais


Como já disse nas notas iniciais, é madrugada neste momento hahaha Então, revisar o cap foi algo bem dificil hehe Então, espero que esteja tudo em ordem. Se não estiver, podem me avisar nos coments que arrumarei assim que puder.
Kisses <3


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