1. Spirit Fanfics >
  2. Uma Chance Para Recomeçar >
  3. Muitos caminhos, um só destino

História Uma Chance Para Recomeçar - Capítulo 82


Escrita por:


Notas do Autor


Olá meus lindinhos!!!

Sem muitas delongas, vamos ao capítulo e tenham uma boa leitura!!!

OBS: a arte do capítulo é de minha autoria!

Capítulo 82 - Muitos caminhos, um só destino


Fanfic / Fanfiction Uma Chance Para Recomeçar - Capítulo 82 - Muitos caminhos, um só destino

Dez dias depois…

 

Sentado no imponente trono que outrora fora de Aizen, Ukitake revirava seus castanhos orbes de tédio, ouvindo as reclamações desenfreadas de duas pirralhas malcriadas, que protestavam veementemente quanto ao fato dele estar ali, como consorte de Halibel, ajudando-a a gerir o Hueco Mundo.

Cansado de escutar tanta baboseira junta, ele logo mostra que não era veterano do Gotei à toa, e com um breve levantar de sua mão direita, nada precisa dizer para que as encrenqueiras se calassem no mesmo instante, pois sua poderosa reiatsu fluiu desta como se uma avalanche fosse.

- Basta! - o platinado permanece onde estava, e mantém seu tom firme - Sinto muito se não estão satisfeitas em relação à minha presença e autoridade neste lugar, porém, creio que terão que aprender a conviver com isso, pois minha união com Halibel é de cunho oficial, e nenhuma das duas poderá fazer nada à respeito.

- Isso é um absurdo! - Melony vocifera raivosa, enquanto Loly prefere se conter, porém, seu semblante luzia tão insatisfeito quanto o de sua companheira - Shinigamis não deveriam circular por nosso território, muito menos exercendo soberania sobre nenhum de nós!

- Já disse que sinto. Quanto à isso, não posso ajudá-las. E se não tiverem outro assunto com mais relevância a ser debatido, peço que se retirem. - foi sucinto em seus dizeres.

- Ora seu… - a morena dá alguns passos, mas logo é segura pela loira, que grita indignada.

- Vamos Loly! Não vai adiantar nada protestar, pois esse Shinigami de merda sempre irá fazer o que quer no Hueco Mundo , ainda mais por ter o aval da tosca da Halibel!

Foi só terminar de falar, que a Arrancar sentiu seu corpo ser arremessado longe, e este se chocar violentamente contra uma das monumentais pilastras que haviam no salão, e ao levantar seu rosto, viu que era a própria rainha que tinha lhe aplicado aquele terrível golpe.

- Refira-se ao meu marido nesse tom desrespeitoso outra vez, e garanto que não terá mais cabeça para levantar e olhar para mim como o verme rastejante que é, entendeu? - a rebelde encara os orbes verdes da Espada, e sua visão periférica constata que Loly está sendo esganada por Mila Rose, que o fazia prensando-a contra a pilastra oposta a qual se chocou.

Sem dizer nada, ela se ergue lentamente, e enxerga o corpo de sua amiga sendo jogado que qualquer jeito no chão pela truculenta bestia.

- Não podem fazer isso… - murmura inconformada, e Ukitake, que se agacha para ficar com os seus olhos na mesma altura dos dela, a inquire diretamente.

- Esse protesto de vocês não foi algo espontâneo, não é mesmo? - a observa detenidamente - Nenhuma das duas tem poder suficiente para contestar nossa autoridade sem possuir algum tipo de respaldo… sem ser diretamente protegida por alguém mais poderoso. - Melony baixa o seu olhar, e Juushiro segura o queixo dela, obrigando-a a encará-lo - Diga-me, quem está por trás dessa insubordinação?

- Não sei do que está falando. - nervosa, ela se desvencilha do toque do mais velho, e indo até Loly, que ainda estava zonza, a pegou pela mão, e ambas se evadiram dali o mais rápido que puderam.

Pensativo, o Shinigami mirou a silhueta das garotas sumirem pelo portal de entrada, e mirando à sua esposa, que já estava abraçada à ele, despejou o que rondava sua breve meditação.

- Pressinto algo ruim…

- Não tem que se preocupar, meu soberano. - Mila Rose tenta tranquilizá-lo - Essas duas são meras formigas insignificantes.

- Mas formigas nunca andam sozinhas… - coça o queixo ponderando cada possibilidade - Provavelmente há um formigueiro inteiro por trás delas, e se não ficarmos atentos, sucumbiremos diante de todos eles.

- Não crê que é melhor prevenirmos ao Kyoraku sobre esse incidente? - a Espada 3 lhe acaricia as mechas prateadas, e ele, sorri com ternura.

- Sim… ainda hoje me reunirei com Shunsui...

xxxxxxxxxxxxxxxxx

Na mansão, Kisuke fazia os últimos ajustes no dosador de reiatsu de Lisa, pois havia inserido neste mais uma boa carga de energia espiritual, sendo que desta vez, usou sua própria reiatsu para fazê-lo. Ao terminar seu labor, olhou para o rosto da ex-Capitã, que estava visivelmente mais corado e com uma aparência mais sadia, e lhe deu um singelo beijo na bochecha, ato que deixou Aizen um pouco enciumado, assim como Tatsuki, que estava sentada numa confortável cadeira ao lado da king-size, sem gostar nadinha de presenciar o carinho que seu noivo tinha para com a convalescente.

- Obrigada Kisuke. - Yadomaru segura as mãos do cientista entre as suas, e lhe sorri docemente - Agradeço seu esforço em me ajudar.

- Não há de que. - afaga as mãos dela afetuosamente - Farei o possível para que tudo fique bem, e que seu bebê nasça sem que acarrete problemas maiores tanto para ti, quanto para ele próprio.

A Vizard suspira fundo, pois em seu íntimo, duvidava muito que esse milagre pudesse de fato acontecer.

- Fico feliz que tenha fé quanto à isso…

- E tu? Por acaso não tem? - ele pisca maroto, e mira ao seu desafeto - Não está animando a Lisinha como deveria Sousuke. - estala a língua em sinal de reprovação.

- Não diga asneiras. - o ignora momentaneamente, sentando-se na cama ao lado de Yadomaru - Não tem um só dia que não diga à ela que tudo irá terminar bem. - deposita um beijo fugaz nos lábios de sua esposa, que sorri fraquinho ante esse gesto.

- Eu sei disso…

Urahara observa atentamente o casal, e tinha que admitir pra si mesmo que, pelo menos quanto à Lisa, Aizen nutria sentimentos sinceros, profundos, e sua preocupação por seu estado de saúde era realmente genuína. Jamais cogitou que seu rival pudesse sentir algo tão grandioso como amor por outro alguém, e que, depois de tantos desgastes ao longo de mais de um século, Lisa pudesse retribuí-lo… pudesse amá-lo…

Porém, a vida era feita de situações inesperadas, de circunstâncias adversas, que simplesmente tomavam um outro rumo… percorriam um outro caminho distinto ao que comumente se daria… ele mesmo poderia ser um bom exemplo, já que se apaixonou por uma jovem humana, coisa que nunca imaginou que pudesse ocorrer, e também estava disposto a viver plenamente esse sentimento.

De canto de olho, deteve sua atenção em Tatsuki, que com seus olhinhos escuros cintilantes, não resistiu em perguntar à Vizard algo que a deixou curiosa desde o momento em que ali chegou.

- Como é estar grávida? - os orbes acinzentados de Kisuke se arregalaram, e Aizen não se esforçou em disfarçar sua risada ao ver a face espantada do loiro - Digo, como é sentir que existe uma pessoinha dentro de você, se mexendo constantemente, bagunçando seus hormônios à ponto de quase te enlouquecer, e mesmo assim, ter certeza de que esse ser faz parte de ti… de que sua vida já não seria a mesma sem ele?

- Bem… - Lisa aponta um lugar ao seu lado, convidando a jovenzinha a sentar-se perto de si, e esta o faz sem demora - Uma gravidez não é fácil, e implica em muitos fatores que vão além desses que acabou de citar. Porém, posso afirmar que é algo… indescritível. E só quando de fato vivenciar esta etapa, é que vai poder sentir de maneira bem palpável o que digo, consegue compreender?

- Sim…- sorri com simpatia - Nell já havia me dito algo parecido. - ri ingenuamente - Posso tocar sua barriga? - indaga tímida.

- Claro!

Ambas as mulheres continuam sua conversação acerca do tema, enquanto o castanho faz um sinal discreto à Kisuke, e os dois se retiram dali, deixando-as mais à vontade, indo para o deck posterior da luxuosa construção, onde se localizava a piscina.

- Creio que sua noivinha ficou bastante interessada quanto à gravidez de Lisa… - Aizen diz em tom de provocação.

- Ela só está curiosa. - disfarça seu incômodo.

- Noto que a ideia de ser pai não te agrada muito, ou estou errado? - seu cinismo irrita o loiro, que responde ríspido.

- Falando assim, chego a quase acreditar que ter uma família fosse algo que desejasse há tempos… - debocha explicitamente - Deixa de ser hipócrita! - para de andar, e fica cara a cara com o castanho - Eu não imagino como esse seu romance com Lisa se iniciou, mas posso jurar que tu forçou a barra até ela ceder... assim como num jogo de gato e rato, onde a encurralou até que a coitada não tivesse mais forças para resistir ou refutar seu charme e apelo. Posso apostar meu dedo mindinho que só queria se divertir com a muito tonta, e depois, dispensá-la como sempre faz com tudo e com todos que te cercam. A única coisa com a qual certamente não contava, era que iria cair de quatro por ela… que depois de séculos de abstinência sexual, a fim de pôr suas sandices em prática, iria ser derrubado por uma chave bem dada de coxas, e ficar apaixonado como um adolescente desmiolado. - Aizen o mira furioso, porém, o cientista não se intimida - Então, não me venha dar lição de moral quanto à vida em família, bebês e coisas dos gênero, pois sua capa de bom moço comigo não cola! - volta a caminhar, deixando Sousuke estático em meio ao corredor, e em seguida, se senta de frente à piscina.

Mesmo possesso, o castanho refletiu nas palavras de Kisuke, e ainda que sua vontade fosse de acertar um murro bem dado na face daquele desleixado, este estava coberto de razão. Por mais que os anos e décadas passassem, seu desafeto o conhecia como poucos, sabendo exatamente quais eram seus pontos fortes, assim como suas fraquezas, e lhe jogava na cara a verdade nua e crua, lhe mostrando novamente, o medíocre que sempre foi.

Indo até a piscina, Aizen foi até ao frigobar que havia ali, pegou duas garrafinhas de ice, sentou-se de frente à Urahara, e sem nada dizer, estendeu à este uma delas. O loiro, mesmo contrariado, pegou a bebida oferecida, e tomou quase metade do líquido em um só gole, e um tanto reticente, começou a falar.

- Eu… amo a Tatsuki, mas tenho experiência o suficiente para saber que o sentimento dela por mim é somente posse… não é algo sólido e forte o bastante para que me inspire a arriscar formar uma família. - volta a ingerir a gelada bebida, acabando com todo o conteúdo desta - E se ela se cansar de mim um dia? Se descobrir que não é amor o que ela acredita sentir? - inspira frustrado - Não é justo sair pondo vidas no mundo sem ter certeza do que realmente queremos… e a conheço bem demais para saber o quanto ela está fascinada com a gravidez de Lisa, assim como está expectante quanto a proximidade do parto do bebê da Nelliel.

- Sinceramente, não sei o que te dizer. - o castanho beberica morosamente seu ice, e esticando seu braço, pega outra garrafa no frigobar, a entregando à Kisuke, que não demora a esvaziar esta em um único gole  - Como acabou de esfregar na minha cara, não sou ninguém para dar opinião no que deve ou não fazer em seu relacionamento. Porém, à partir do momento em que decidiu dividir comigo as questões que te incomodam, me sinto na obrigação de fazer uma observação. - volta a tomar um pequeno sorbo de seu ice, e o loiro detém seu olhar no arqui-rival - Como o “adulto” , tu é quem deveria fazê-la sentir-se segura, e não o contrário. Seu jeito irresponsável e desmazelado de se vestir, de tocar sua lojinha falida e de lidar com ela, seja o que talvez faça a jovenzinha só sentir… tesão por você, e não amor de fato.

- O que? - se enfurece com o castanho - Como pode me chamar de irresponsável, se fui até a Itália comunicar à mãe dela que estamos morando juntos?

- E por morar junto é que os defeitos de ambos irão se acentuar ainda mais, e se não quer que sua doce “mocinha” se desencante contigo, vai precisar fazer mais do que pedir permissão à sua sogra para se unir à filha dela. - ri de canto ao perceber o quanto Kisuke ficou desconcertado.

- Mas… - passa nervosamente as mãos pelos fios dourados de seus médios cabelos - Que tem de mal em ser assim, desse jeito? - aponta para si mesmo, e se levanta, indo pegar mais uma garrafa da refrescante bebida alcoólica.

- Seu visual é um horror, Urahara. - mesmo achando infantil, adorou dizer essa frase á ele - Se veste como um pescador aposentado, está sempre com sua barba por fazer, e seu cabelo não sabe o que é um bom corte há décadas, pelo visto. - ri mais um pouco - Aquele seu comércio é horrendo e não gera lucro. Mesmo sabendo que este é só uma forma de encobrir suas atividades paralelas à Soul Society, existem maneiras mais discretas manter uma estrutura de ponta sem chamar a atenção do Gotei, do que se ver às voltas daquele grande e inútil elefante branco.

- Assim como mantém o seu próprio laboratório nos porões dessa maravilhosa mansão? - agora era a vez de Urahara rir, e o sorriso de Sousuke murchar - Ohhhhh… pensou mesmo que eu não iria perceber esse “detalhe”? - mais uma vez, Aizen se limitou a olhar o rival debochando de si em silêncio - Bem, eu poderia ficar aqui cagando um monte de regras e bobagens do tipo, e dizer que está burlando o acordo que fez com Kyoraku, mas, não o farei. - vira o gélido líquido, que lhe desceu queimando a garganta - Simplesmente porque Lisa vai precisar de seus conhecimentos para que chegue ao fim dessa gestação sem maiores problemas e porque… por mais que tu tenha saboreado cada insulto que dirigiu à mim, admito que tudo o que disse é verdade… - abre um meio sorriso - Se eu quiser que meu relacionamento com a Tatsuki dure, tenho que mudar, e muito certos ranços…

- Faço votos que consiga o que deseja. - levanta de leve sua garrafinha, e o loiro faz o mesmo com a dele, brindando implicitamente.

- Antes de ir embora, preciso de uma amostra de sua reiatsu. - o castanho o mira desconfiado - Não faça essa cara… - ri com gosto - Vou tentar fazer a conversão de sua reiatsu para a de Orihime. Já que ela não faz parte do Gotei, será perfeita para eu possa tentar burlar o encanto de Hachi. - pisca com picardia.

- Sei… podemos ir até lá agora e...

Não termina de falar, pois uma conhecida voz ecoa pela área de lazer.

- Kisuke! - Kukkaku corre para abraçar o cientista - Há quanto tempo! - este dá um tchauzinho para Ryuuken, que vinha logo atrás da morena, e sentava-se ao lado do anfitrião da casa.

- Depois que se instalou aqui nunca mais me procurou… - faz beicinho fingindo tristeza.

- Até parece que com aquele cão de guarda que chama de namorada, eu poderia ficar te visitando toda hora! - ele fecha o semblante, e os dois homens riem sem muito disfarçar.

- Tatsuki não é um cão de guarda! Ela só é…

- Ciumenta, grudenta, pegajosa… que mais? - Shiba pega a garrafa do visitante, e toma a bebida sem maiores cerimônias - Mas, eu a admiro, pois colocar a Yoruichi pra correr do seu barraco depois de mais de um século enfurnada lá dentro, não é pra qualquer uma! - cai na gargalhada, sendo acompanhada por Ryuuken e Aizen.

- Kukkaku, Kukkaku… sempre delicada e espirituosa… - ele também ri, pois não se aborrecer não iria adiantar coisa alguma - Soube que Sousuke conseguiu implantar um braço novo em ti, não foi? - a mulher ficou pálida no mesmo instante, e Ishida olhou para o aludido, que ficou sem saber o que dizer, enquanto o inocente loiro persiste em seus questionamentos - Me diz: se adaptou bem ao braço substituto?

A sempre alegre mulher não pôde segurar as lágrimas que se formaram em seus orbes verdes, e sem nada dizer, saiu dali em disparada para dentro da casa, pois nunca pretendeu contar ao seu noivo sobre o seu maldito braço amputado na juventude, e agora, por causa da boca enorme de Urahara, este ficaria sabendo de algo que seria para sempre um segredo seu.

- Kukkaku! - o platinado a chama em vão - O que houve aqui? - indaga intrigado - Que história é essa de…?

- Vá atrás dela. - Sousuke diz sereno - Já conhece a casa. Pode ficar à vontade.

O Quincy acena em concordância, e logo se envereda pelo extenso corredor no intuito de esclarecer esse rompante de sua amada.

Kisuke, ainda confuso, olha para o castanho, que continua com sua plácida feição.

- Não tente entender a Shiba, pois não terá êxito. Mulheres são complicadas por si só, e essa aí, é uma das piores nesse quesito em específico. - dá um meio sorriso - Vamos até o laboratório. - tira a garrafinha de ice, que estava pela metade, da mão do loiro, que franze o cenho irritado - Já bebeu demais por hoje, e sua “noivinha” certamente não irá gostar de sentir mais cheiro de bebida do que de perfume em ti.

- Vai pro inferno, Aizen! - diz o cientista acompanhando o outro até o porão da mansão.

xxxxxxxxxxxxxxxxxx

Ao ver a porta do quarto entreaberta, o médico se aproxima desta, e da pequena fresta, claramente vê o quanto sua adorada estava se debulhando em lágrimas, e estas, não pareciam ser fruto de alguma birra ou capricho… era um choro sentido, e pôde notar a dor da morena em cada arfar entrecortado que emitia em meio à um fungado e outro.

Não era um homem de ficar ali, vendo a pessoa a quem devotava seus mais belos sentimentos desesperada de tanta melancolia, sem agir, sem ter a mínima noção do que se deu ali, naqueles míseros segundos de conversa com Urahara, e que a fizeram ficar nesse estado lastimável. Devagar entrou no quarto, e Kukkaku, parecia não ter notado sua presença, continuando o seu choro da mesma maneira em que estava. Lentamente, o Quincy se senta ao lado dela, que com a movimentação do colchão, finalmente o viu ali, e envergonhada, escondeu seu rosto entre os travesseiros que ali haviam. Atitude que ele achou fofa, apesar de ser uma tremenda criancice da parte dela.

- Vai me contar o que aconteceu na piscina? O que Kisuke quis dizer ao citar um implante de braço feito por ti?

- Eu… - não consegue falar, e volta a chorar convulsivamente.

- Já que não quer dividir sua dor comigo, vou presumir que, antes de me conhecer, provavelmente lhe faltava um dos braços, e ao se dar conta o quanto estava apaixonada por mim, pediu ao Aizen para lhe fazer um braço artificial e que lhe implantasse este, pois temia que eu, como um homem insensível e arrogante, a desprezasse por causa disso. Acertei? - ele abre seu mais bonito sorriso, e ela, se erguendo com lentidão, lhe dá um tapinha de leve no definido peitoral

- Metido… - se abraça à ele, sentindo-se carente - Não foi bem assim, pois… tu ainda estava brigado comigo, e eu nem tinha mais esperanças quanto à nós, quando o Sousuke me chamou um dia, e me mostrou o braço que confeccionou. E eu, enfim, aceitei que ele me operasse…

- Por isso tem tanta consideração por ele? Porque Aizen captou sua necessidade, e sem te constranger, te convenceu a realizar algo, que em seu íntimo, era um sonho distante? - questiona compreensivo.

- Sim… antes eu não ligava, pois os homens com quem transava não eram mais do que isso: sexo. Sem sentimentos envolvidos, sem cobranças… então, ter ou não um braço, era, até então, irrelevante. Mas ao te conhecer, tudo mudou...  fiquei com medo de que além de me repudiar por ser uma alma, sentisse nojo de mim por ser uma… mutilada...

O platinado a afasta um pouco de si, e lhe sorrindo amoroso, fala pausadamente.

- Eu já estava apaixonado por você, e não seria a falta do seu braço que iria matar o que tenho dentro de mim. - a beija sutilmente nos lábios rubros, e ela abre um largo sorriso - Creio que me apaixonei por ti desde o primeiro momento em que nossos olhares se cruzaram, mas, era soberbo demais para assumir esse sentimento tão nobre… se não fosse Lisa ir até meu consultório, e me colocar em meu devido lugar, acho que estaria amargando sua falta até hoje.

- Somos dois teimosos... não somos? - ela volta a envolver o belo homem em seus cálidos braços - Eu te amo, Ryuu… me perdoa por ter te escondido isso…

- Não tenho o que perdoar. Sei que não fez por mal. - a beija com devoção - Mas, há uma coisa que me intriga, e eu preciso saber.

- O que é? - seus orbes piscam curiosos.

- Porque não sente quando me aproximo? - ela o mira confundida - Já percebi que nunca sabe quando estou por perto, e tenho convicção de que minha reiatsu está perfeitamente normal.

- Não sei explicar… eu mesma nunca notei nada errado com a minha percepção, mas… na realidade, é que eu fico… meio que idiotizada quando estou contigo… - fita o chão encabulada.

- Não é idiotice… é amor… - lhe puxa para um ósculo calmo e cheio de ternura - Eu te amo… minha Kukkaku…

O casal continua a trocar aquele carinho intenso e único, pois mal entendido algum abalaria a magia que havia entre eles, pois ambos verdadeiramente se amavam, e nada mais importava além disso.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxx

No Hueco Mundo, Kyoraku ouviu atentamente a tudo que lhe foi narrado por seu velho amigo, e acarinhando sua barba, divagou em voz alta.

- De verdade acredita que essas duas meninas…

- Estão sendo manipuladas por alguém. - completa a frase do moreno - Sabe que não te faria deixar a Soul Society por causa de algo sem importância. E como elas, podem existir outros Arrancars, e até mesmo Shinigamis sendo instruídos a se voltarem contra nós.

- Sei disso Juushiro. - mira a loira fixamente - Também compartilha da mesma opinião que seu marido?

- Sim, principalmente pela rebeldia e empáfia de Melony, que sempre foi submissa à Loly, e não o contrário.

- Hummmm… prometo que ficarei atento, especialmente por este episódio ter me remetido àquelas fugas dos Hollows modificados do Mayuri. Ambas já foram cobaias dele, portanto, conhecedoras dos laboratórios pertencentes à 12ª Divisão, e as mais prováveis suspeitas de terem feito essa sabotagem.

- Não duvido. - a Espada foi taxativa - E se for assim, tem carta branca para fazer o que lhe aprouver com elas. Lavo minhas mãos.

Os dois homens miram espantados para a loira, que arruma tranquilamente as xícaras trazidas por Mila Rose na mesa, enquanto a morena as enche com um aromático chá de frutas vermelhas.

- Não acha que está sendo dura demais? - Juushiro afaga carinhosamente a mão livre dela.

- Não. - diz seca - Ratos amam se esgueirar, comer pelas beiradas, roer todas as estruturas, e quando finalmente nos damos conta, estamos por cima de alicerces podres, e com uma infestação destas pestes sob os nossos pés, prontos para nos devorarem vivos, e sem nenhum tipo de remorso. As duas são Arrancars como eu, mas, não possuem o mesmo caráter, muito menos senso comum. Por isso, se forem traidoras, e estiverem conspirando, podem eliminá-las sem dó. - sorri internamente das faces estarrecidas deles - Se acreditam que matar não seja necessário, devolva-as ao Mayuri. Talvez, voltando para junto daquele demente, elas saibam dar valor à liberdade que tinham e desperdiçaram à troco de falácias e falsas promessas.

- Que assim seja. - sem ter mais argumentos, o Comandante toma seu chá e degusta alguns pãezinhos, e de soslaio, olha para Mila Rose, que como sempre, finge que ele não se encontra no recinto.

- Não fique triste amigo… - Juushiro murmura discretamente para seu igual - Ela não é tão dura quanto parece. Não desista tão fácil. - pisca com cumplicidade.

- Cansei de ser desprezado. Não vou me rebaixar mais. - volta a beber seu chá, porém, o que queria mesmo era encher sua cara de saquê, para mais uma vez, tentar apagar da memória o lindo rosto da Arrancar que não lhe dava a mínima.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Na 3ª Divisão, Apacci estava deitada na cama ao lado de Sung-Sun, e ambas assistiam à um filme de comédia na enorme televisão que Rose trouxe do Mundo dos Vivos, e comiam juntas um balde cheio de pipocas amanteigadas, que a esverdeada fez no microondas que tinha na cozinha.

Emilou se encontrava bem mais disposta depois do incidente, e sua inseparável amiga lhe fazia companhia diariamente, além de que Otoribashi também reforçou a segurança em torno de seu Esquadrão, e assim sendo, sentia-se bem mais segura, e disposta a passar definitivamente uma borracha naquele triste dia.

A única coisa que lhe chateava nisso tudo foi o fato de seu marido ter brigado feio com Izuru, e este ter sumido sem deixar rastros. Logo agora que Hirako disse ter descoberto onde Soi Fon estava… notícia a qual o Vizard pediu segredo, pois achava que somente Kira poderia convencê-la a voltar e cuidar adequadamente de sua frágil saúde.

Distraída com o filme, escutou algumas batidas na porta de seus aposentos, e pausando este, Sung-Sun foi prontamente atender, se deparando com um elegante senhor, que lhe esboçou um sorriso amistoso.

- Presumo que seja Cyang Sung-Sun, noiva de Muguruma - toma a delicada mão da Arrancar, e deposita um cortês beijo nela - Vim fazer uma visita à Emilou Apacci, e me deram permissão para vê-la.

- C-claro. - ela titubeia, impressionada com a imponência do homem - Pode entrar. - se põe ao lado da porta, abrindo passagem para que ele entrasse - Me acompanhe, por favor.

O nobre a segue por alguns instantes, e logo está de frente à Arrancar à quem salvou, e não esconde seu sorriso ao vê-la com uma excelente aparência, em vista da última vez que teve contato com a mesma.

- Me alegra constatar que está visivelmente mais corada e saudável.

- Senhor Ginrei! - ela se levanta rapidamente, e o abraça com muito carinho - Não sabe o quanto estou feliz com a sua visita! - dá um casto beijo no rosto do idoso, que se sente estranhamente bem com o espontâneo gesto dela, e a morena, que volta a se sentar na cama, o conduz a fazer o mesmo - Quer comer alguma coisa? Tomar um chá, ou um café?

Ficou pensativo, pois muitos já haviam lhe dito que o tal café, bebida dos humanos, tinha um sabor incomparável, e por crer que era vulgar experimentar coisas oriundas do Mundo dos Vivos, jamais experimentou essa famosa bebida.

- Aceito o café, se não for incômodo.

- Absolutamente. - diz a esverdeada - Vou fazer um agora mesmo. - com uma graciosa vênia, segue para cozinha, enquanto sua amiga fala ao ex-Capitão.

- Obrigada por me salvar. - algumas poucas lágrimas rolam seu aveludado rosto - Se não fosse o senhor, talvez eu…

- Não pense mais nisso. - acaricia as negras madeixas da jovem, que o mira enternecida - Eu fiz o que qualquer um faria.

- Qualquer um não. Fez o que somente uma pessoa nobre de espírito faria. - ela o mira com sumo respeito - Muitos ostentam títulos, mas a hombridade e a honradez não se encontram em tais pompas… essas qualidades se encontram aqui… - põe sua mão sobre o lado esquerdo do peito de Kuchiki, que se segura para também não chorar com a grandeza que possuía a Arrancar - No seu coração. E por mais que digam que o senhor é duro e por vezes intransigente, sempre será meu herói… a pessoa que livrou à mim e ao meu bebê da morte certa, e por tal motivo, falei com Rose, e ele concordou que, caso seja um menino, nosso filho se chamará Ginrei, em sua homenagem.

- Apacci… - já não podia conter a única lágrima que, teimosa, abandonou seus orbes escuros, e desceu por sua face enrugada, devidos aos seus longos anos de vida. Nos últimos dias, sentia-se terrivelmente deprimido, mas, ao recordar-se de toda gratidão de Emilou e Rojuro por seu ato, percebia que essa tristeza se esvaia de seu ser, pois sabia que o que fez foi determinante para a vida daquelas pessoas… que ao evitar uma tragédia, ganhou a admiração genuína não só do casal, mas de muitas outras pessoas dentro da Soul Society, que passaram a enxergá-lo de outra maneira, por um outro prisma, distinto à visão do retrógrado chefe do clã Kuchiki, que teve coragem de pressionar seu neto à ponto deste mudar de sobrenome, e não querer fazer parte de sua ilibada família. E isso o reconfortou - Eu é quem me sinto honrado… - a abraça emocionado, e Sung-Sun, que colocava a bandeja com o café a alguns biscoitos no criado-mudo, assistia aquela cena limpando seu orbes lilases com o dorso de sua pequena mão.

Ao se afastarem, viram que a outra moça estava de frente para ambos, e esta, fala sorrindo.

- Trouxe o café, e espero que o senhor goste. - entrega a xícara ao idoso, que toma um pouco do quente líquido, sentindo em seu paladar o agradável amargor deste, o que lhe fez abrir um sincero sorriso.

- Esse tal café é… delicioso. - diz honestamente.

- Que ótimo! - leva a bandeja até ele - Coma alguns biscoitinhos também. - oferece com simpatia.

- Obrigado. - a mira com admiração - Muguruma, assim como Otoribashi, possui um excelente gosto. - ela cora com o elogio, e Apacci ri baixinho - É uma linda jovem! Tão bela quanto Emilou.

- Fico grata com o elogio. Não é à toa que Byakuya seja tão galante. - Cyang olhou para a morena, e ambas falaram em uníssono.

- Puxou ao avô!!!

O grisalho homem sorri, pois se elas gostavam de seu neto, era porque não errou de todo em sua criação, e que cabia à si, pedir desculpas por tentá-lo manipular por tantos anos, e por ter tentado afastá-lo de sua agora esposa, Orihime Inoue.

xxxxxxxxxxxxxxxxx

Andando pelas ruas tranquilas de Karakura, Izuru mirava para o céu azul, assim como a cor de seus olhos, e ficava pensando em como a sua vida era uma sucessão de erros… um festival de tropeços sem fim…

Foi enganado por Gin Ichimaru, por quem tinha uma admiração cega, se apaixonou por Soi Fon, que era uma mulher orgulhosa e vazia, e como se não bastasse, decepcionou imensamente à Rose, que foi o único que o valorizou, tanto como profissional, quanto como pessoa. Era um imbecil, um idiota… e sua solução brilhante foi vir sem permissão para o Mundo dos Vivos, usando um gigai totalmente restritivo, e passar todos esses dias dormindo nos fundos da academia onde Grimmjow, Renji e Chad trabalhavam.

- Que merda de vida… - pensou enquanto virava a esquina, e viu o sorridente rosto de Hinamori, que vinha com uma bonita bolsa debaixo do braço, e ficou apenado por estar dando trabalho à ela, que além de fazer comida para o intragável azulado, tinha agora que fazê-lo para si também.

- Kira! - ela exclama e depois de alguns passos, está de frente à ele - Porque está aqui?

- Estão fazendo uma reunião com alguns patrocinadores, e como já varri a academia toda na parte da manhã, me dispensaram.

- Poxa… eu fiz comida à beça pra você e para o Grimm. E agora?

- Acho que seu marido não vai poder sair de lá por hora. Mas, eu posso comer o que fez pra mim. - dá um sorriso amarelo, pois detestava incomodar a doce Momo.

- Então, vamos passar lá na Nell. Assim, eu vejo como ela está, e você não vai precisar comer no meio da rua, ok?

- Sim… ok...

Os dois caminham mais alguns minutos, e param de frente a casa da esverdeada, e de frente à porta, Momo bate insistentemente, sem obter resposta.

- Ué… - a castanha fica reflexiva - A Nell nunca demora a vir atender… será que ela saiu?

Izuru dá de ombros, pois não conhecia os hábitos da esposa de Abarai.

- Hummmm…  vou ligar. - pega seu smartphone, e ao segundo toque, escuta a música de aparelho de sua amiga tocar no interior da casa - O celular dela ficou em casa. - olha para Kira um pouco apreensiva - Aconteceu alguma coisa. - põe a mão na maçaneta da porta, e ao girar, esta se abre com facilidade, e os amigos logo entram nesta, sem ver ninguém na sala. - Ela não tá aqui.

- Vai ver saiu e esqueceu o tal celular. - o loiro diz um tanto indiferente.

- Não… Renji sempre frisou bem para ela nunca sair sem o celular, pois caso acontecesse alguma emergência, seria mais fácil localizá-la. - se envereda pelo corredor, sendo seguida pelo Tenente - Nell! - olha para a porta ao fim do corredor, e rapidamente se adentra por esta, e segundos depois, só o grito da franzina castanha se fez ouvir no local - Nell!!!

 

Continua…


Notas Finais


Então meus amores? O que acharam do capítulo?
Fiquem sempre à vontade para deixarem suas opiniões e impressões, pois amo saber o que pensam!!!

No mais, aproveito para agradecer todo o carinho e apoio que dedicam à esta humilde fic! A dedicação de vcs é super importante para mim, acreditem!

Desejo um ótimo fim de semana à todos, cuidem-se bastante, e nos vemos novamente na quinta!!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...