História Uma Corte de Fúria e Névoa - Capítulo 39


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 39 - Capítulo 39


Observei Percy consumir cada colherada, e seus olhos desviavam de mim para a sopa.

Quando ele terminou, soltou a colher.

— Não vai dizer nada? — indagou Percy, por fim.

— Eu ia contar o que tinha decidido assim que o vi à porta.

Percy se virou em minha direção na cadeira.

— E agora?

Ciente de cada respiração, de cada movimento, sentei em seu colo. As mãos de Percy carinhosamente se apoiaram em meu quadril enquanto eu observava seu rosto.

— E agora quero que saiba, Percy, que amo você. Quero que saiba... — Os lábios dele tremiam, e limpei a lágrima que lhe escorreu pela bochecha. — Quero que saiba que — sussurrei — que estou quebrada, e me curando, mas cada pedaço de meu coração pertence a você. E me sinto honrada, honrada, por ser sua parceira.

Os braços de Percy me envolveram, e ele apoiou a testa em meu ombro com o corpo trêmulo. Acariciei os cabelos sedosos.

— Amo você — repeti. Não ousara dizer as palavras em minha mente. — E enfrentaria cada segundo daquilo de novo, para poder encontrá-lo. E, se a guerra vier, vamos enfrentá-la. Juntos. Não deixarei que me tirem de você. E não deixarei que otirem de mim também.

Percy ergueu o olhar, e seu rosto brilhava com lágrimas. Ele ficou imóvel quando me aproximei, beijando uma lágrima. Depois, outra. Como Percy certa vez beijara minhas lágrimas.

Quando meus lábios estavam salgados por causa delas, eu me afastei o bastante para ver os olhos de Percy.

— Você é meu — sussurrei.

O corpo de Percy estremeceu com o que podia ser um soluço, mas os lábios encontraram os meus. Foi carinhoso... suave. O beijo que talvez Percy me desse se tivéssemos tempo e espaço para nos conhecer em nossos mundos separados. Para cortejar um ao outro. Deslizei os braços em volta de seus ombros, abri a boca para Percy, e sua língua deslizou para dentro, acariciando a minha. Parceiro... meu parceiro. Percy ficou rígido contra mim, e gemi em sua boca. O som libertou qualquer que fosse o controle que Percy tinha sobre si, e ele me pegou com um movimento fluido e me deitou de costas na mesa — em meio e sobre todas as tintas. Percy intensificou o beijo, e entrelacei as pernas às costas dele, puxando-o para perto. Percy tirou os lábios de minha boca, foi até meu pescoço e ali roçou os dentes e a língua pela pele, conforme deslizou as mãos por baixo de meu suéter e subiu mais e mais, até agarrar meus seios. Arqueei ao toque e ergui os braços quando Percy arrancou meu suéter com um movimento simples. Ele recuou para me olhar; meu corpo estava nu da cintura para cima. Tinta encharcava meus cabelos, meus braços. Mas eu só conseguia pensar na boca de Percy quando ela desceu até meu seio e o sugou, a língua acariciando meu mamilo. Entrelacei os dedos pelos cabelos de Percy, e ele apoiou a mão ao lado de minha cabeça — acertando uma paleta de tinta. Percy soltou uma risada grave, e observei, sem fôlego, quando ele pegou aquela mão e traçou um círculo em volta de meu seio, e depois desceu, até pintar uma seta apontando para baixo, sob meu umbigo.

— Caso você esqueça onde isso termina — disse ele.

Grunhi para ele, uma ordem silenciosa, e Percy gargalhou de novo, e a boca encontrou meu outro seio. Ele pressionou o quadril contra o meu, provocando — provocando tão terrivelmente que precisava tocá-lo, precisava apenas sentir mais de Percy. Tinta cobria minhas mãos, meus braços, mas não me importei quando agarrei asroupas dele. Percy se moveu o suficiente para permitir que eu as removesse, armas e armadura caíram no chão com um ruído, revelando aquele lindo corpo, os músculos poderosos e as asas agora despontando acima.

Parceiro... meu parceiro.

A boca de Percy se chocou contra a minha, a pele exposta parecia tão quente contra a minha, e lhe segurei o rosto, sujando-o de tinta também. Sujei os cabelos de Percy até que grandes mechas de azul e vermelho e verde descessem por ele. As mãos de Percy encontraram minha cintura, e afastei o quadril da mesa para ajudá-lo a retirar minhas meias, minha calça. Percy recuou de novo, e soltei um ruído de protesto — que se abafou em um arquejo quando ele segurou minhas coxas e me puxou para a beira da mesa, em meio a tintas, pincéis e copos d’água, e depois prendeu minhas pernas por cima dos ombros, para que se apoiassem uma de cada lado daquelas lindas asas, e, em seguida, se ajoelhou diante de mim. Ajoelhou sobre aquelas estrelas e montanhas pintadas nos joelhos. Percy não se curvaria a ninguém e a nada...

Exceto a sua parceira. Por sua igual.

O primeiro toque da língua de Percy me incendiou.

Quero que esteja deitada na mesa como meu banquete pessoal.

Percy grunhiu em aprovação diante de meu gemido, meu gosto, e se libertou completamente sobre mim.

Com uma das mãos prendendo meu quadril à mesa, Percy se dedicava a mim com carícias longas, curvas. E quando sua língua deslizou para dentro de mim, estiquei a mão para agarrar a borda da mesa, para me agarrar ao limite do mundo do qual eu estava muito perto de cair. Percy lambeu e beijou até chegar ao ápice de minhas coxas, exatamente quando os dedos substituíram a boca, impulsionando-se para dentro de mim enquanto ele sugava, com os dentes roçando muito de leve...

Arqueei o corpo, afastando-o da mesa, quando meu clímax o devastou, estilhaçando minha consciência em milhões de pedaços. Percy continuou me lambendo, e seus dedos ainda se moviam.

— Percy! — exclamei, rouca.

Agora. Eu o queria agora.

Mas Percy permaneceu de joelhos, banqueteando-se em mim, com aquela mão meprendendo à mesa. Alcancei o prazer de novo. E somente quando eu estava trêmula, quase soluçando, inerte de prazer, Percy se levantou do chão. Ele me olhou de cima a baixo, nua, coberta de tinta, o rosto e o corpo do próprio Percy manchados com ela, e me deu um sorriso lento e satisfeito.

— Você é minha — grunhiu ele, e me pegou nos braços.

Eu queria a parede; queria que Percy apenas me tomasse contra a parede, mas ele me carregou até o quarto que eu ocupava e me apoiou na cama com um carinho de partir o coração.

Completamente nua, observei Percy desabotoar a calça, e seu tamanho considerável se libertou. Minha boca secou ao ver aquilo. Eu o queria, queria cada glorioso centímetro de Percy dentro de mim, queria agarrá-lo até que nossas almas se unissem. Percy não disse nada quando se aproximou de mim, as asas bem recolhidas. Ele jamais levara uma fêmea para a cama com as asas expostas. Mas eu era sua parceira e Percy se curvaria apenas a mim.

E eu queria tocá-lo.

Aproximei o corpo, estendendo a mão por cima do ombro de Percy para acariciar a poderosa curva de sua asa.

Percy estremeceu, e vi seu pau contrair.

— Brinque depois — disparou Percy.

Certo.

A boca de Percy encontrou a minha, o beijo foi infinito e intenso, um choque de línguas e dentes. Percy me deitou nos travesseiros, e entrelacei as pernas às costas dele, tomando cuidado com as asas. Mas parei de me importar quando ele roçou à minha entrada. Parou.

Brinque depois — grunhi contra a boca de Percy.

Ele riu de uma forma que estremeceu meus ossos, e, depois, deslizou para dentro. E de novo. E de novo.

Mal consegui respirar, mal consegui pensar além de onde nossos corpos estavam unidos. Percy ficou imóvel dentro de mim, permitindo que eu me ajustasse, e, então, abri os olhos e o vi me encarando.

— Diga de novo — murmurou Percy.

Eu sabia o que ele queria dizer.

— Você é meu — sussurrei.

 Percy recuou levemente e, depois, impeliu o corpo de volta, devagar. Tão angustiantemente devagar.

— Você é meu — declarei, arquejando.

De novo, Percy recuou e, depois, se impulsionou para frente.

— Você é meu.

De novo; mais rápido, mais profundo agora.

E eu senti, então, o laço entre nós, como uma corrente indestrutível, como um raio de luz inextinguível.

A cada impulso latejante, o laço ficava mais nítido e mais claro e mais forte.

— Você é meu — sussurrei, passando as mãos por seus cabelos, pelas costas, pelas asas de Percy.

Meu amigo em meio a tantos perigos. Meu amante, que tinha curado minha alma quebrada e exausta. Meu parceiro, que esperara por mim contra todas as expectativas, apesar da sorte.

Movi os quadris ao ritmo de Percy. Ele me beijou de novo e de novo, nossos rostos ficaram úmidos. Cada centímetro meu queimava e se retesava, e meu controle se perdeu completamente quando ele sussurrou:

— Amo você.

Alívio irrompeu por meu corpo, e Percy se impulsionou contra mim, firme e rápido, atraindo meu prazer até que eu sentisse e visse e cheirasse aquele laço entre nós, até que nossos cheiros se mesclassem, e eu era dele e ele era meu, e éramos o início, o meio e o fim. Éramos uma canção cantada desde a primeira brasa de luz no mundo. Percy rugiu quando alcançou o prazer, me penetrando até a base. Do lado de fora, as montanhas tremeram, a neve restante farfalhava para fora delas em uma cascata de branco reluzente, apenas para ser engolida pela noite que esperava abaixo.

Silêncio caiu, interrompido apenas por nossas respirações ofegantes.

Segurei o rosto manchado de tinta de Percy entre as mãos coloridas e o obriguei a me olhar.

Seus olhos estavam radiantes como as estrelas que eu pintara certa vez, havia muito tempo.

E sorri para Percy quando deixei que aquele laço da parceria brilhasse nítido e luminoso entre nós.

***

Não sabia por quanto tempo tínhamos ficado deitados ali, nos tocando preguiçosamente, como se pudéssemos de fato ter todo o tempo do mundo.

— Acho que me apaixonei por você — murmurou Percy, acariciando meu braço com o dedo — assim que percebi que estava afiando aqueles ossos para fazer uma armadilha para o Verme de Middengard. Ou talvez no momento em que me respondeu  de volta por ter debochado de você. Me lembrou tanto de Leo. Pela primeira vez em décadas, tive vontade de gargalhar.

— Você se apaixonou por mim — falei, inexpressiva — porque o lembrei de seu amigo?

Ele deu um peteleco em meu nariz.

— Eu me apaixonei por você, espertinha, porque era uma de nós, porque não tinha medo de mim e decidiu encerrar sua vitória espetacular ao atirar aquele pedaço de osso contra Gaia como se fosse uma lança. Senti o espírito de Leo ao meu lado naquele momento, e podia jurar que o ouvi dizer: Se não se casar com ela, seu canalha idiota, eu me caso.

Dei uma risada abafada, deslizando a mão coberta de tinta pelo peito. Tinta...certo. Estávamos, os dois, cobertos de tinta. E a cama também. Percy acompanhou meus olhos e me deu um sorriso que era completamente malicioso.

— Que conveniente que a banheira seja grande o suficiente para dois.

Meu sangue ferveu, e me levantei da cama, apenas para que Percy fosse mais rápido e me pegasse nos braços. Ele estava sujo de tinta, o cabelo formava uma crosta com ela, e as pobres e lindas asas... Eram as impressões de minhas mãos nelas. Nu, Percy me carregou até o banheiro, onde a água já estava caindo; a magia daquele chalé agia em nosso favor. Ele desceu os degraus até a água, o chiado de prazer foi como um sopro de ar contra minha orelha. E talvez eu também tivesse gemido um pouco quando a água quente me atingiu e Percy nos sentou na banheira. Um cesto de sabonetes e óleos surgiu na borda de pedra, e me empurrei para longe de Percy a fim de poder afundar mais na superfície. O vapor fluía entre nós; Percy pegou uma barra daquele sabonete com cheiro de pinho, a entregou a mim e me deu um toalhete.

— Alguém, parece, sujou minhas asas.

Meu rosto corou, mas senti um aperto no estômago. Machos illyrianos e suas asas... tão sensíveis.

Girei o dedo para indicar que Percy se virasse. Ele obedeceu, abrindo aquelas asas magníficas o suficiente para que eu encontrasse as manchas de tinta. Com cuidado, com muito cuidado, passei sabão na toalha e comecei a limpar o vermelho, o azul e o roxo.

A luz de velas dançava sobre as inúmeras e desbotadas cicatrizes de Percy — quase invisíveis, exceto pelas partes mais espessas de membrana. Percy estremeceu a cada movimento meu, as mãos estavam apoiadas na borda da banheira. Olhei por cima do ombro para ver a prova daquela sensibilidade, e falei:

— Pelo menos os boatos sobre a envergadura das asas corresponder ao tamanho de outras partes estavam certos.

Os músculos das costas de Percy ficaram tensos quando ele soltou uma gargalhada.

— Que boca suja e travessa.

Pensei em todos os lugares em que queria colocar aquela boca e corei um pouco.

— Acho que eu estava me apaixonando por você havia um tempo — confessei, as palavras quase inaudíveis por cima dos pingos da água enquanto eu lavava as lindas asas. — Mas soube na Queda das Estrelas. Ou cheguei perto de saber, e fiquei com tanto medo que não quis prestar mais atenção. Fui uma covarde.

— Tinha motivos perfeitamente aceitáveis para evitar isso.

— Não, não tinha. Talvez... graças a Luke, sim. Mas não tinha nada a ver com você, Percy. Nada a ver com você. Jamais senti medo das consequências de estar com você. Mesmo que cada assassino do mundo nos cace... Vale a pena. Você vale a pena.

A cabeça de Percy se curvou um pouco. Ele disse, rouco:

— Obrigado.

Meu coração se partiu para Percy nesse momento, pelos anos que ele havia passado pensando o oposto. Beijei o pescoço nu, e ele levou a mão para trás até passar o dedo por minha bochecha.

Terminei as asas e segurei o ombro de Percy a fim de virá-lo para mim.

— E agora? — Sem dizer nada, Percy pegou o sabonete de minhas mãos e me virou, esfregando minhas costas, esfregando levemente com o tecido.

— Cabe a você — disse Percy. — Podemos voltar para Velaris e pedir que uma sacerdotisa verifique o laço, ninguém como Drew, prometo, e seremos oficialmente declarados Parceiros. Podemos fazer uma pequena festa para comemorar, jantar com nosso... grupo. A não ser que prefira uma festa grandiosa, embora acredite que você e euconcordemos em nossa aversão a elas. — As mãos fortes de Percy pressionaram músculos tensos e doloridos em minhas costas, e gemi. — Também podíamos ficar diante de uma sacerdotisa e sermos declarados marido e mulher, além de parceiros, se quer um nome mais humano para me chamar.

— Como você vai me chamar?

— Parceira — disse Percy. — Embora chamá-la de mulher também soe muito atraente. — Os dedos de Percy massagearam minha coluna. — Ou, se quiser esperar, podemos não fazer nada disso. Somos parceiros, não importa se isso é divulgado pelo mundo ou não. Então, não há pressa em decidir.

Eu me virei.

— Estava perguntando a respeito de Jurian, o rei, as rainhas e o Caldeirão, mas fico feliz por saber que tenho tantas opções no que diz respeito a nosso relacionamento. E que você fará o que eu quiser. Devo tê-lo nas mãos.

Os olhos de Percy dançaram com diversão felina.

— Coisa cruel e linda.

Ri com escárnio. A ideia de que ele me achava bonita...

— Você é — insistiu Percy. — É a coisa mais linda que já vi. Pensei isso assim que a vi no Calanmai.

E era algo muito, muito estúpido que beleza significasse qualquer coisa, mas... Meus olhos se encheram de lágrimas.

— Isso é bom — acrescentou Percy —, porque você achou que eu fosse o macho mais lindo que você já viu. Então, isso nos torna quites.

Fiz uma careta, e Percy gargalhou, deslizando as mãos para agarrar minha cintura e me puxar para si. Ele se sentou no banco embutido na banheira, e montei nele, acariciando distraidamente os braços musculosos.

— Amanhã — falou Percy, e as feições se tornaram sérias. — Partiremos amanhã para a propriedade de sua família. As rainhas mandaram notícias. Elas retornam em três dias.

Fiquei espantada.

— Está me contando isso só agora?

— Me distraí — respondeu Percy, os olhos brilhando.

E a luz naqueles olhos, a alegria silenciosa... Elas me deixaram sem fôlego. Um futuro... teríamos um futuro juntos. Eu teria um futuro. Uma vida. O sorriso de Percy se dissolveu em algo espantado, algo... reverente, e estendi a mão para segurar seu rosto...

Então, vi que minha pele brilhava.

Levemente, como se alguma luz interior brilhasse sob minha pele, escorrendo para o mundo. Luz quente e branca, como a do sol; como uma estrela. Aqueles olhos cheios de assombro me encararam, e Percy percorreu meu braço com o dedo.

— Bem, pelo menos agora posso me gabar de literalmente fazer minha parceira brilhar de felicidade.

Gargalhei, e o brilho ficou um pouco mais forte. Percy se aproximou, me beijando suavemente, e me derreti por ele, envolvendo seu pescoço com os braços. Percy ficou firme como uma rocha contra mim, empurrando enquanto eu me sentava, montada, bem acima dele. Seria preciso apenas um movimento suave para que entrasse em mim...

Mas Percy ficou de pé na água, nós dois pingávamos, e entrelacei as pernas a sua volta quando ele nos levou outra vez ao quarto. Os lençóis haviam sido trocados pela magia doméstica da casa e pareciam quentes e macios contra meu corpo nu quando Percy me deitou e me encarou. Brilhando... eu estava brilhando, forte e pura como uma estrela.

— Corte Diurna?

— Não me importa — declarou Percy, a voz rouca, e tirou o encantamento que recaía sobre ele.

Era uma pequena magia, dissera Percy certa vez, para conter quem ele era, qual era a aparência do seu poder.

Quando o mistério total de Percy foi liberado, ele preencheu o quarto, o mundo, minha alma, com reluzente poder ébano. Estrelas e vento e sombras; paz e sonhos e o limiar afiado de pesadelos. Escuridão ondulou de Percy como gavinhas de vapor quando ele estendeu a mão e a apoiou, aberta, contra a pele reluzente de minha barriga. A mão da noite espalmada, a luz vazando pelas sombras vaporosas, e me apoiei no cotovelo para beijá-lo.

Fumaça e névoa e orvalho.

Gemi ao sentir aquele gosto, e Percy abriu a boca para mim, me deixando roçar a língua contra a dele, passá-la por seus dentes. Tudo que Percy era tinha sido exposto  diante de mim — uma última pergunta.

Eu queria tudo.

Segurei seus ombros, guiando Percy até a cama. E, quando ele se deitou de costas, vi o lampejo de protesto diante das asas esmagadas. Mas cantarolei:

— Bebê illyriano. — E passei as mãos pelo abdômen musculoso de Percy... e além dele. Percy parou de protestar.

Ele era enorme em minha mão: tão firme, mas tão sedoso que simplesmente passei o dedo, maravilhada. Percy sibilou, o pênis tremeu quando passei o polegar pela cabeça. 

Dei um risinho quando o fiz de novo.

Percy estendeu a mão para mim, mas eu o impedi com um olhar.

— Minha vez — avisei.

Percy me deu um sorriso preguiçoso de macho antes de se recostar, levantando a mão para trás da cabeça. Esperando.

Desgraçado arrogante.

Então, me abaixei e o guiei para minha boca. Percy estremeceu diante do contato e soltou um Merda; então, ri sobre ele, mesmo ao tomá-lo mais fundo na boca. As mãos de Percy estavam agora em punhos nos lençóis, os nós dos dedos brancos conforme eu deslizava a língua por ele, roçando levemente com os dentes. O gemido de Percy era como fogo em meu sangue.

Sinceramente, fiquei surpresa por ele ter esperado um minuto inteiro antes de me interromper.

Avançar era uma palavra melhor para o que Percy fez.

Em um segundo, ele estava em minha boca, minha língua percorria aquela cabeça grossa; no seguinte, as mãos de Percy estavam em minha cintura, e eu era virada de bruços. Ele abriu minhas pernas com os joelhos, separando-as enquanto segurava meu quadril, erguendo mais e mais antes de me penetrar profundamente com um único ímpeto.

Gemi no travesseiro a cada glorioso centímetro, erguendo o corpo sobre os antebraços conforme meus dedos agarravam os lençóis. Percy recuou e mergulhou de novo, a eternidade explodiu ao meu redor naquele instante, e achei que poderia me partir por não conseguir o suficiente dele.

— Olhe só para você — murmurou Percy ao entrar em mim, e beijou a extensão de minha coluna.

Consegui me erguer o suficiente para ver onde estávamos unidos — ver a luz do sol brilhar de dentro de mim contra a noite ondulante, nos mesclando e unindo, crescendo.

E ver aquilo me arrasou tão completamente que alcancei o prazer com o nome dele nos lábios.

Percy me puxou contra si, uma das mãos agarrava meu seio enquanto a outradeslizava e acariciava aquele emaranhado de nervos entre minhas pernas, e não consegui distinguir o fim de um prazer do início do seguinte quando Percy penetrou de novo e de novo, os lábios em meu pescoço, em minha orelha.

Eu podia morrer daquilo, decidi. De querer Percy, do prazer de estar com ele. Percy nos virou, recuando apenas o suficiente para se deitar de costas e me puxar sobre o corpo.

Um lampejo na escuridão — um flash de dor remanescente, uma cicatriz. E entendi porque ele me queria daquele jeito, queria terminar daquele jeito, comigo montada nele.

Aquilo partiu meu coração. Eu me inclinei para a frente a fim de beijar Percy, suave e carinhosamente. Quando nossas bocas se encontraram, deslizei sobre Percy, o encaixe ainda mais profundo, e ele murmurou meu nome contra minha boca. Beijei-o de novo e de novo, e o montei suavemente. Mais tarde — haveria outros momentos para ser firme e rápida.

Mas agora... Não pensaria em por que aquela posição era uma na qual Percy queria terminar, para que eu expulsasse a mancha na escuridão com a luz. Mas eu brilharia... por ele, eu brilharia. Por meu futuro, eu brilharia. Então, me sentei, com as mãos apoiadas no peito largo de Percy e liberei aquela luz em mim, deixando que ela afastasse a escuridão do que quer que tivesse sido feito a ele, meu parceiro, meu amigo.

Percy grunhiu meu nome, impulsionando o quadril para cima. Estrelas dispararam quando ele me penetrou profundamente.

Acho que a luz que emanava de mim podia ser luz estelar, ou talvez minha visão tivesse se partido quando o prazer irrompeu em mim de novo e Percy alcançou o próprio prazer, arquejando meu nome diversas vezes ao transbordar dentro de mim. 

Quando terminamos, permaneci sobre Percy, as pontas dos dedos enterradas em seu peito, e me maravilhei com ele. Conosco.

Ele puxou meu cabelo molhado.

— Precisaremos encontrar uma forma de abafar essa luz.

— Posso esconder as sombras com facilidade.

— Ah, mas só perde controle delas quando está irritada. E como tenho total intenção de fazê-la o mais feliz que alguém pode ser... Tenho a sensação de que precisaremos controlar esse brilho espantoso.

— Sempre pensando; sempre calculando.

Percy beijou o canto de minha boca.

— Não tem ideia de quantas coisas já pensei no que diz respeito a você.

— Me lembro da menção a uma parede.

A risada de Percy foi uma promessa sensual.

— Da próxima vez, Annabeth, vou trepar com você contra a parede.

— Com tanta força que vai fazer os quadros caírem.

Percy gargalhou.

— Mostre de novo o que pode fazer com essa boca safada.

Obedeci.

***

Era errado comparar, porque eu sabia que provavelmente todos os Grão-Senhores podiam evitar que uma mulher dormisse a noite inteira, mas Percy era... faminto.

Consegui talvez uma hora completa de sono à noite, embora, talvez, devesse compartilhar a culpa igualmente.

Não conseguia parar, não conseguia me saciar com seu gosto na boca, com a sensação de Percy dentro de mim. Mais, mais, mais... até eu achar que podia explodir de tanto prazer.

— É normal — garantiu Percy depois de uma mordida no pão enquanto estávamos sentados à mesa para tomar café da manhã. Mal tínhamos chegado à cozinha. Percy dera um passo para fora da cama, me fornecendo uma vista total das gloriosas asas, das costas musculosas e daquela linda bunda, e avancei nele. Rolamos no chão, e Percy destruiu o belo tapete com as garras enquanto eu o cavalgava.

— O que é normal? — perguntei. Mal conseguia olhar para Percy sem querer entrar em combustão.

— O... frenesi — respondeu ele, com cautela, como se com medo de que a palavra errada nos fizesse disparar um contra o outro antes de nutrirmos o corpo. — Quando um casal aceita o laço da parceria é... sobrepujante. De novo, desde a época das bestas que um dia fomos. Provavelmente tem algo a ver com se certificar de que a fêmea seja emprenhada. — Meu coração deu um salto ao ouvir aquilo. — Alguns casais não deixam a casa por uma semana. Machos ficam tão voláteis que pode ser perigoso para eles até mesmo aparecer em público. Já vi machos racionais e educados destruírem um cômodo porque outro macho olhou por tempo demais na direção de suas parceiras, logo depois de terem virado parceiros.

Expirei, sibilando. Outro cômodo destruído me veio à mente.

Percy falou, baixinho, sabendo o que me assombrava:

— Gosto de acreditar que tenho mais controle que o macho comum, mas... Seja paciente comigo, Annabeth, se eu parecer um pouco ansioso.

O fato de ele admitir aquilo...

— Não quer deixar esta casa.

— Quero ficar naquele quarto e trepar com você até ficarmos roucos.

E, rápido assim, eu estava pronta para ele, ardendo de desejo, mas... mas precisávamos partir. 

Rainhas. Caldeirão. Jurian. Guerra.

— Quanto à... gravidez — comentei.

Podia muito bem ter jogado um balde água fria sobre nós.

— Nós não... não estou tomando um tônico. Não tenho tomado, quero dizer.

Percy soltou o pão.

— Quer começar a tomar de novo?

Se eu quisesse, se começasse naquele dia, anularia o que tínhamos feito na noite anterior, mas...

— Se sou parceira de um Grão-Senhor, espera-se que eu carregue seus filhos, não? Então, talvez eu não devesse.

— Não se espera que você carregue nada para mim — grunhiu Percy. — Filhos são raros, sim. Muito raros e muito preciosos. Mas não quero que os tenha, a não ser que você queira, a não ser que nós dois queiramos. E agora, com essa guerra vindo, com Hybern... Admito que estou apavorado ao pensar em minha parceira grávida com tantos inimigos ao nosso redor. Apavorado pelo que eu possa fazer se você estiver grávida e em perigo. Ou ferida.

Algo apertado em meu peito se aliviou, mesmo quando um calafrio percorreu minhas costas ao considerar aquele poder, aquele ódio que eu vira na Corte Noturna, libertado sobre a terra.

— Então, começarei a tomar hoje, quando voltarmos.

Eu me levantei da mesa, com joelhos trêmulos, e fui para o quarto. Precisava tomar banho — estava coberta dele, minha boca tinha o gosto dele, apesar do café da manhã.

Percy falou baixinho, atrás de mim:

— Eu ficaria infinitamente feliz se você um dia me honrasse com filhos. Por compartilhar isso com você.

Eu me voltei para Percy.

— Quero viver primeiro — falei. — Com você. Quero ver coisas e viver aventuras. Quero aprender o que é ser imortal, ser sua parceira, ser parte de sua família. Quero estar... pronta para eles. E, por mais que seja egoísta, quero ter você todo para mim por um tempo.

O sorriso de Percy foi carinhoso, doce.

— Leve o tempo que precisar. E, se eu tiver você inteira para mim pelo resto da eternidade, então, não vou reclamar.

Cheguei à borda da banheira antes de Percy me pegar, me carregar para a água e fazer amor comigo, devagar e intensamente, em meio ao vapor que subia.


Notas Finais


Eiiiii! Finalmente ã?🎉🎉🎉🎉


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