História Uma Corte de Rosas e Espinhos - Capítulo 49


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Palavras 1.728
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bem gente, este é o penúltimo capítulo da fic. Queria avisar que amanhã irei começar a continuação desta fic que terá o nome UMA CORTE DE FÚRIA E NÉVOA.

Capítulo 49 - Capítulo 49


Acordei com a luz do sol e espaço aberto; nada além de céu limpo e montanhas cobertas de neve ao meu redor.

E Percy sentado em uma poltrona diante do sofá no qual eu estava deitada, olhando as montanhas, o rosto incomumente sério.

Engoli em seco, e a cabeça de Percy se virou em minha direção.

Não havia bondade em seus olhos. Nada além de um ódio infinito e gélido.

Mas Percy piscou e aquele ódio sumiu. Substituído talvez por alívio. Exaustão.

E a luz pálida do sol que aquecia o piso de pedra da lua... alvorecer. Era alvorecer.

Eu não queria pensar em quanto tempo ficara inconsciente.

— O que aconteceu? — perguntei. Estava com a voz rouca. Como se tivesse gritado.

— Você estava gritando — explicou Percy. Não me importei se meu escudo mental estava erguido ou abaixado ou totalmente destruído. — Também conseguiu dar um susto e tanto em todos os criados e as sentinelas da mansão de Luke quando se envolveu em escuridão e eles não conseguiram vê-la.

Meu estômago pareceu vazio.

— Eu machuquei algum...

— Não. O que quer que tenha feito, ficou contido a você.

— Você não foi...

— Segundo lei e protocolo — disse Percy, esticando as longas pernas —, as coisas teriam se tornado muito complicadas e muito confusas se fosse eu quem entrasse naquela casa e a levasse. Quebrar o escudo foi uma coisa, mas Rachel precisou entrar a pé, deixar as sentinelas inconscientes com os próprios poderes e carregar você até a fronteira para outra corte antes que eu pudesse trazê-la aqui. Ou Luke teria liberdade total para marchar suas forças até minhas terras e reivindicá-las. E como não tenho interesse algum em uma guerra interna, precisamos fazer tudo de acordo com as regras.

Era o que Rachel tinha dito... que fizera tudo de acordo com as regras.

Mas...

— Quando eu voltar...

— Como sua presença aqui não é parte de nosso dever mensal, não tem qualquer obrigação de voltar. — Percy esfregou a têmpora. — A não ser que queira.

A questão caiu sobre mim como uma pedra afundando para o fundo de um lago.

Havia tanto silêncio em mim, tanto... nada.

— Ele me trancou naquela casa. — Eu consegui dizer.

A sombra de asas poderosas se abriu atrás da cadeira de Percy. Mas o rosto estava calmo quando disse:

— Eu sei. Eu senti. Mesmo com os escudos erguidos... para variar.

Eu me obriguei a encarar Percy de volta.

— Não tenho para onde ir.

Era uma pergunta e uma súplica.

Percy gesticulou com a mão, as asas sumiram.

— Fique aqui por quanto tempo quiser. Fique para sempre se tiver vontade.

— Eu... eu precisarei voltar em algum momento.

— É só dizer, e será feito. — Ele também foi sincero. Mesmo que eu conseguisse ver pela ira nos olhos de Percy que ele não gostava da ideia. Percy me levaria de volta à Corte Primaveril assim que eu pedisse.

De volta ao silêncio e àquelas sentinelas, e a uma vida de fazer nada além de me vestir e jantar e planejar festas.

Percy cruzou as pernas com o tornozelo sobre o joelho.

— Fiz uma oferta quando veio aqui da primeira vez: me ajude, e comida, abrigo, roupas... Tudo isso é seu.

Eu tinha vivido de esmolas no passado. A ideia de fazer isso agora...

— Trabalhe para mim — disse Percy — De todos os modos, tenho uma dívida com você. E resolveremos o resto com o passar dos dias se for preciso.

Olhei na direção das montanhas, como se pudesse ver até a Corte Primaveril ao sul.

Luke ficaria furioso. Ele destruiria a mansão. 

Mas ele... ele me prendeu. Ou era muito profundamente incapaz de me entender, ou ficara destruído demais pelo que acontecera Sob a Montanha, mas... ele me prendeu. Então,  eu não me importaria mais com ele. Iria o apagar da minha vida.

— Não vou voltar. — As palavras ecoaram em mim, como um badalo da morte. — Não... não até resolver as coisas. 

Um dia de cada vez. Talvez... talvez Luke se desse conta. Talvez se curasse daquele ferimento pontiagudo de medo pútrido. Talvez eu me resolvesse. Não sabia.

Mas sabia que, se ficasse naquela mansão, se fosse trancafiada mais uma vez...

Poderia levar a cabo a destruição que Gaia tinha começado.

Percy conjurou uma caneca de chá quente do nada e a entregou a mim.

— Beba.

Aceitei a caneca, deixando que o calor passasse para meus dedos rígidos. Percy me observou até que eu tomasse um gole, e, então, voltou a monitorar as montanhas.

Tomei mais um gole: menta e... alcaçuz e outra erva ou tempero. Delicioso. 

Eu não voltaria. Talvez jamais sequer tivesse chegado a voltar. Não de Sob a Montanha.

Quando a caneca estava pela metade, procurei algo, qualquer coisa para dizer que afastasse o silêncio sufocante.

— A escuridão... é... parte do poder que você me deu?

— É de se presumir que sim.

Terminei de tomar o resto da caneca.

— Nada de asas?

— Se herdou alguma coisa da transfiguração de Luke, talvez possa fazer asas próprias.

Um calafrio percorreu minha coluna ao pensar naquilo, nas garras que tinham crescido naquele dia com Ethan.

— E dos outros Grão-Senhores? Gelo... isso é da Invernal. O escudo que um dia fiz, com vento endurecido... de quem isso veio? O que os outros podem ter me dado?

— A-atravessar está ligado a algum de vocês em particular?

Percy refletiu.

— Vento? A Corte Diurna, provavelmente. E atravessar... não é exclusividade de corte alguma. É totalmente dependente de sua reserva de poder e de seu treinamento. — Não tive vontade de mencionar meu fracasso espetacular em me mover sequer um centímetro. — E quanto aos dons que recebeu de todos os outros... Acho que cabe a você descobrir.

— Eu deveria saber que sua boa vontade se dissiparia depois de um minuto.

Percy soltou uma gargalhada baixa e ficou de pé, esticando os braços musculosos acima da cabeça e alongando o pescoço. Como se estivesse sentado ali há muito, muito tempo. Durante a noite toda.

— Descanse um dia ou dois, Annie — disse ele. — Então, comece a tarefa de descobrir todo o resto. Tenho assuntos para tratar em outra parte de minhas terras; voltarei no fim da semana.

Apesar de ter dormido bastante, eu ainda estava muito cansada... cansada até os ossos, até o coração destruído. Quando não respondi, Percy saiu andando por entre as pilastras de pedra da lua.

E vi como passaria os próximos dias: na solidão, com nada para fazer, somente eu mesma, com pensamentos terríveis por companhia. Comecei a falar antes que pudesse mudar de ideia.

— Me leve junto.

Percy parou quando afastou duas cortinas de organza lilás. E, devagar, ele se virou.

— Você deveria descansar.

— Já descansei o suficiente — argumentei, apoiando a caneca vazia e me levantando. Senti uma leve tontura. Quando tinha comido pela última vez? — Aonde quer que vá, o que quer que faça, me leve junto. Ficarei longe de problemas. Apenas... Por favor. — Odiei a última palavra; engasguei. Ela não surtira o efeito de dissuadir Luke.

Por um longo momento, Percy não disse nada. Então, ele caminhou em minha direção, as longas passadas percorriam a distância rapidamente, e seu rosto estava determinado como pedra.

— Se vier comigo, não terá volta. Não poderá falar sobre o que vir com ninguém fora de minha corte. Porque, se falar, pessoas morrerão... meu povo morrerá. Então, se vier, precisará mentir a respeito disso para sempre; se voltar para a Corte Primaveril, não pode contar a ninguém o que vir, e quem conheceu, e o que testemunhará. Se você preferir não ter isso entre você e... seus amigos, então, fiquem aqui.

Ficar ali, ficar trancada na Corte Primaveril... Meu peito era um ferimento exposto, aberto. Imaginei se sangraria até a morte devido a ele, se um espírito podia sangrar até morrer. Talvez isso já tivesse acontecido.

— Me leve com você — sussurrei. — Não contarei a ninguém o que vir. Nem... para eles. — Não suportava dizer o nome deles.

Percy me observou por alguns segundos. E, por fim, me deu um meio sorriso.

— Sairemos em dez minutos. Se quiser se limpar, vá em frente.

Um lembrete incomumente educado de que eu provavelmente parecia um cadáver.

Eu me sentia como um. Mas falei:

— Aonde vamos?

O sorriso de Percy se alargou.

— Para Velaris, a Cidade de Luz Estelar.

***

Assim que entrei no quarto, o silêncio vazio retornou, levando consigo qualquer pergunta que eu pudesse ter sobre... sobre uma cidade.

Tudo fora destruído por Gaia. Se havia uma cidade em Prythian, sem dúvida eu visitaria uma ruína.

Disparei para a banheira, me limpando o mais rápido possível; depois, corri para pegar as roupas da Corte Noturna que tinham sido deixadas para mim. Meus movimentos eram distraídos, cada um, uma tentativa frágil de evitar pensar no que acontecera, no... no que Luke tentara fazer e tinha feito, no que eu tinha feito...

Quando voltei para o átrio principal, Percy estava recostado contra uma pilastra de pedra da lua, limpando as unhas. Ele apenas disse:

— Você demorou 15 minutos. — Antes de estender a mão.

Não tive qualquer vontade de sequer tentar fingir que me importava com a provocação antes de sermos engolidos pelo rugido da escuridão.

Vento e noite e estrelas passaram em disparada conforme Percy nos atravessou pelo mundo, e os calos de sua mão roçaram contra os meus, que se suavizavam, antes...

Antes que a luz do sol, não das estrelas, me recebesse. Ao semicerrar os olhos para a claridade, me vi de pé no que sem dúvida era o vestíbulo da casa de alguém.

O tapete vermelho ornamentado acolchoou o único passo que dei, cambaleante, para longe de Percy a fim de observar as paredes quentes com painel de madeira, as obras de arte, a escada reta e ampla de carvalho adiante.

De cada lado havia dois cômodos: à esquerda, uma sala de estar com uma lareira de mármore preto, muita mobília confortável e elegante, mas gasta, e prateleiras de livros embutidas em todas as paredes. À direita: uma sala de jantar com uma mesa longa de cerejeira, grande o bastante para dez pessoas — pequena em comparação com a sala de jantar da mansão. No fim do corredor estreito adiante havia mais algumas portas, e ele terminava com uma que presumi dar para uma cozinha. Uma moradia urbana.

Certa vez, visitara uma, quando era criança e meu pai me levou em viagem para a maior cidade em nosso território: pertencia a um cliente fantasticamente abastado e tinha cheiro de café e naftalina. Um lugar bonito, mas pomposo; formal.

Essa casa... essa casa era um lar que fora habitado e aproveitado e querido.

E ficava em uma cidade.


Notas Finais


O que acharam deste capítulo? Agora é mesmo definitivo: ANNABETH DEIXOU O LUKE 🎉🎉🎉


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