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História Uma Cura Assassina - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O Preço da Cura


Fanfic / Fanfiction Uma Cura Assassina - Capítulo 1 - O Preço da Cura

Jacob corria rapidamente entre toda a multidão infectada, a manopla sobre seu braço esquerdo perfurava os corpos dos "zumbis" enquanto corria, dilacerando a pele podre dos infectados rapidamente, enquanto sua mão direita disparava as balas de seu revólver, explodindo todas as cabeças em seu caminho. Mas tudo isso nunca seria o suficiente para dar conta da epidemia que assolava o país. Jacob se viu encurralado quando deu de cara com uma alta parede de tijolos em um beco ali perto, com a multidão incessante repleta de infectados chegando ainda mais perto:

"Ai, Evie, cadê você quando eu estou pra morrer? Anda logo, anda..." - Implorava o assassino, puxando sua pistola reserva do coldre e disparando contra as cabeças de zumbi que não paravam de surgir na sua frente, até que de repente, todos aqueles infectados começaram a explodir sobre o impacto que a carroça causava sobre os seus corpos pútridos. Foi tudo tão rápido que a mente dele nem teve tempo para se ligar no que estava acontecendo, a porta da carroça se abriu e um braço puxou ele para dentro, os solavancos que a roda da carroça sofria a cada cabeça de zumbi que esmagava era algo violento demais para ser narrado em palavras, mas tudo o que Jacob pudera assimiliar era que sua gêmea Evie Frye o havia salvo, e havia o motorista da carroça também, que ainda não tivera a chance nem de reconhecer:

"Não dá tempo pra perguntas, Jacob, o senhor Bell está quase chegando na sua base secreta, e é melhor você começar a rezar para o plano dele dar certo, senão, a gente se vê no Céu" - Ralhou sua irmã gêmea, Evie, enquanto respirava fundo e se recostava sobre o banco estofado da carroça, deixando um Jacob pensativo e sem ter reação alguma a tudo aquilo. Foi naquela tarde que a epidemia estourara em Londres, os operários largarm as suas ferramentas e começaram a atacar todos os outros humanos, os olhos estavam tão estranhos, eles salivavam, as suas peles se descascavam e deterioravam, todos se moviam de forma estranha, e devoravam a carne das pessoas que ainda não eram monstros corredores como eles haviam se tornado. E foi então que a carroça parou de se mover, e Evie abriu a porta e saiu da mesma antes de Jacob, enquanto aquele famoso inventor descia daquela carroça:

"E então, conseguiu criar uma cura para essa epidemia louca? Porque essas...hm, coisas...não param de aparecer e eu não sei se consigo dar conta delas, ao menos não de tantas ao mesmo tempo" - Dizia a assassina, se sentando em um canto ao observar o inventor caminhar por aquele local escuro e deserto. Parecia muito com uma ala hospitalar abandonada, haviam cortinas tapando as janelas, madeiras em cada porta, parecia muito com um bunker anti-apocalipse, era como se Alexander já tivesse cogitado que aquilo iria acontecer:

"Não temos os recursos para estudar a fundo esse novo vírus, minha cara, mas a minha pesquisa conseguiu descobrir uma forma de conter esse surto. Se trata de uma espécie de imunidade, e somente há uma pessoa no planeta que contém esses genes em seus anticorpos, eu preciso de vocês, preciso que vocês achem essa tal pessoa e tragam o dna dela para que eu possa criar uma vacina" - Dizia o doutor, se sentando próximo de uma cortina e se voltando para encarar os gêmeos. Jacob brincava de jogar sua faca para cima e para baixo, enquanto Evie andava de um lado para o outro sobre o bunker, aquilo parecia tão surreal que ela não sabia o que dizer e muito menos o que iria fazer:

"Mas quem é essa pessoa? Como ela se parece? Você sabe o nome dela? E como diabos você descobriu que ela consegue ser imune a essa desgraça? Alexander, eu não sei se o que você está nos pedindo é o correto a se fazer agora e..." - Mas Evie parou de falar quando o viu puxando uma cortina do meio do local, revelando uma máquina enorme repleta de lâmpadas e metal, parecia um provador de roupas pra lá de bizarro, e tinha espaço para apenas duas pessoas. Jacob se aproximou mais e olhou diretamente nos olhos do inventor:

"Mas que porra é essa, doutor? Olha, eu não tô gostando nada desse seu mistério todo, poderia nos explicar de uma vez o que quer que a gente faça?" - Perguntou o assassino, impaciente, enquanto Evie o fitava de braços cruzados. Alexander se aprumou em uma cadeira e soltou aquele suspiro, parecia aliviado e temeroso tudo ao mesmo tempo, mas ele abriu a gaveta da escrivaninha e puxou um pergaminho recém-impresso de dentro dela, jogando o objeto para que um dos gêmeos visse:

"O nome da garota é Ellie Williams, ela tem dezenove anos de idade. Nascida no ano de 2019, essa garota carrega dentro de si a cura para um surto semelhante ao nosso na época dela, a garota foi mordida por uma dessas coisas e não virou uma dessas criaturas, nem sequer apresentou sintomas. Eu preciso que vocês peguem o dna dessa menina, se possível, tragam a garota para mim, extrairei os anticorpos dela e criarei a vacina, podemos curar a população de Londres, e nos tornaremos bilionários" - O homem explicou as suas ambições, Jacob sorriu e se aproximou dele, ignorando o plano maluco para só pensar no dinheiro, enquanto Evie quase teve um infarto só de racionar o que seus ouvidos acabavam de ouvir. Mas antes mesmo que ela perguntasse, Alexander a respondeu, dando tapinhas na máquina:

"Essa é a primeira máquina do tempo que a humanidade já viu. Vocês terão que usar ela se quiserem cumprir essa missão de criarem a vacina. Pois nessa linha do tempo em que estamos, vocês vão ter de ir direto para o ano de 2034, onde essa garota já vai estar adulta e os anticorpos dela serão muito maiores e mais utéis na prática. Vocês topam essa missão para salvar a humanidade?" - Perguntava ele, enquanto Jacob sorria e Evie suspirava, sabia que não teria como recusar, olhou o retrato da garota no pergaminho, deveria ter uns 14 ou 15 anos. Por fim, ela viu seu irmão adentrar a máquina do tempo, e se viu sem outra escolha senão seguir ele...

"Não se esqueçam, ela se chama Ellie Williams e vocês precisam extrair o que ela carrega nas veias, não importa se ela esteja viva ou morta" - Dizia o inventor, e antes mesmo que Evie pudesse protestar ou mudar de idéia, o homem fechou sua máquina do tempo e apertou um botão do lado de fora, imediatamente, um barulho insurdecedor dominou os ouvidos deles, a máquina começou a chacoalhar e meio que se contorcer, de distender no ar, sua realidade parecia estar sendo distorcida, os olhos dos gêmeos somente viam um borrão em alta velocidade durante longos minutos e, enquanto gritavam, tudo ao seu redor ficou escuro e muito silencioso.

Era impossível saber quanto tempo havia se passado dentro da máquina, mas era mais do que óbvio que o tempo fora dela havia avançado e muito. Evie e Jacob se lembravam de que estavam vivendo no ano de 1868, naquela famosa Revolução Industrial, mas as pessoas ao seu redor andavam com aparelhos nas mãos ou ouvidos, telas brilhantes que emitiam sons e projeções em 3d multi-coloridas:

"Meu Deus do Céu, Evie, em que ano nós estamos mesmo? Eu não me lembro de quase nada que o doutor disse" - Brincou Jacob, maravilhado com aquela cidade enorme, as carroças deram lugar à motos e carros ultra-modernos, as casas e os prédios eram melhores, mais espaçosos e aconchegantes, haviam telões brilhantes espalhados pela cidade, exibindo vídeos e propagandas dos seus novos produtos...

"Jacob, você não vai acreditar, puta que pariu, estamos no ano de 2039, você me ouviu? DOIS MIL E TRINTA E NOVE, isso são exatos 171 anos da época em que nós estávamos há tipo...minutos ou até horas atrás!! JACOB, NÓS VIAJAMOS MAIS DE 100 ANOS NO FUTURO!! JACOB, JACOB, O QUE ESTÁ FAZENDO?" - Gritou Evie, já perdendo a paciência ao ver o seu irmão furtando carteiras dos estranhos e bem vestidos na rua, colocando as notas de 20 dólares em máquinas que devolviam com salgadinhos e latinhas de refrigerante que saíam por uma pequena abertura nelas:

"EVIE, VOCÊ VIU ISSO? Dá pra comer e beber de dentro de uma máquina, ah fala sério, por quê na nossa época não tinha isso, hein?" - Jacob bebia os refrigerantes e carregava os salgadinhos nos braços, enquanto a gêmea revirava os seus olhos azuis e puxava o irmão pelo sobretudo, o guiando até um carro amarelo que tinha uma plaquinha em cima, escrito TÁXI ou algo assim, visto que eles não sabiam o que aquilo era, mas era diferente de todos os outros carros que apareciam por ali...

"Com licença, senhor, somos meio que do interior e acabamos de vir de algumas festas à fantasia, estamos vestidos como personagens históricos do século 19, e precisamos urgentemente chegar na tal cidade chamada Jackson, o senhor pode nos levar até lá, por favor?" - Perguntou Evie, puxando a orelha do irmão antes que ele se afastasse dela para comprar mais porcarias modernas. O homem do táxi concordou com a cabeça, ele abriu a porta de trás, rindo ao ver que Evie havia empurrado o irmão para dentro de forma violenta, ambos sendo conduzidos pelo táxi por uma estrada nada barulhenta em comparação às ruas da londres vitoriana:

"Eu não iria pra lá se fosse vocês. Sabem que, há muitos anos atrás, um novo vírus chamado Cordyceps surgiu e assolou o nosso mundo. Por sorte, algumas áreas se desenvolveram mesmo assim, e depois de tantos anos, parece que existem uma ou outra cidade que conseguiram isolar o vírus, como o caso da nossa. Mas nesse lugar que você deseja ir, Jackson, é um lugar muito violento. Não apenas cheio de zumbis, como chamamos os infectados hoje em dia, mas cheio de humanos dos mais violentos possíveis, cuja humanidade já não se distingue daqueles corredores de carne podre que perambulam por aí na forma de zumbis" - Dizia o taxista, vendo Evie e Jacob se entreolharem no banco de trás. Por fim, o motorista ficou quieto por alguns minutos, vendo Jacob ler algo no pergaminho velho, e então desligou seu carro em uma espécie de colina íngreme:

"Chegamos em Jackson. Lá embaixo é a sede dos Vaga-Lumes, conforme você me pediu para levá-los. Não precisam ter o trabalho de me pagarem a viagem, afinal eu não me sentiria bem em aceitar algum dinheiro de gente morta. Desejo sorte pra vocês, meus caros, porque até Deus deve ter desistido desse lugar" - O motorista do táxi aguardou pacientemente os gêmeos saírem do mesmo, deu a partida e sumiu em direção à neblina que envolvia aquele local. Estava quase anoitecendo, Jacob e Evie deram as mãos enquanto desciam a colina da cidadezinha escura, até que os seus olhos notaram algumas luzes que se acendiam à frente, e uma musica tocava:

"Devem estar dando uma festa por ali, eu vi no pergaminho que essa tal de Ellie mora nesse vilarejo, como é pequeno, nós talvez possamos perguntar sobre ela pra algum morador na festa" - Sugeria ele, e Evie sorriu para o irmão, concordando de cabeça para a fala deste. Juntos, ambos se aproximaram e adentraram a festa sob uma tenda gigantesca de circo. Haviam inúmeras pessoas ali, um balcão oferecia as mais diversas bebidas e os homens ali conduziam as mulheres em uma dança:

"Quero uma garrafa de uísque, por favor, encha o copo...e você, maninha? Não vai encher a cara nunca?" - Brincava Jacob, estendendo algumas notas ao barman do local, enquanto Evie se sentava no banco do bar e revirava os olhos, negando com a cabeça para o irmão. A assassina teve que virar o pescoço para ver quem havia dado risada dela, e viu que era a garota que havia se sentado bem do seu lado:

"Não quer mesmo beber? O mundo está acabando, todo mundo pode morrer aqui e agora, e você nem sequer vai encher o rabo de uísque? Caramba, eu já achava que você era do século passado pelas roupas, mas agora vi que é sério mesmo, hein?" - Brincou a garota, sorrindo ao ver a expressão espantada no rosto de Evie. A assassina não respondeu, ficou apenas encarando a menina enquanto sentia sua mão tremer sob o bolso de seu vestido de mais de um século. A garota deu risada de novo e estendeu a mão para ela, havia uma tatuagem em seu braço, ela tinha os cabelos curtos na altura do ombro e os olhos eram verde-esmeralda. Ela tinha a pele branca, mas muito suja, como se ela nunca tomasse banho, e os dentes não eram a coisa mais limpa do mundo, as unhas cheias de terra diziam o mesmo:

"Onde estão meus modos? É claro que você deve ser do interior, deixe que eu me apresento primeiro. Meu nome é Ellie, Ellie Williams, e o seu?" - Ellie sorriu quando apertou a mão enluvada de Evie Frye, a assassina enviada para matá-la, que lhe apertava a mão, boquiaberta, suando aos litros ao perceber que sua missão talvez não fosse tão simples quando parecera, já que assim que ela olhou nos olhos de Ellie Williams, ela sentira algo queimar dentro dela ao se lembrar de sua missão como assassina. Evie puxou o pergaminho das vestes quando Ellie se virou para o balcão para pegar outra bebida. Ela olhou para o retrato da pequena Ellie e a reconheceu de imediato, a versão crescida da menina que carregava a cura para a humanidade, e que agora esboçava um sorriso pra ela.



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