História Uma dose violenta de qualquer coisa - Capítulo 22


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Assassinato, Colegial, Drama, Lgbt, Romance, Tragedia
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Palavras 1.800
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Eu não sei mais o que sinto


99 dias antes.

-Quer saber, hoje eu estou me sentindo especialmente animada – Luana chegou por trás de Rafaela e fez a amiga derrubar todos os livros, a loira riu enquanto ajudava a amiga a juntar os livros do chão.

-Que merda, Luana – Rafa riu nervosamente –Você tem que fazer isso sempre? Não sabe conversar com as pessoas normalmente?

-Esse é o meu normal! – a loira sorriu e segurou no braço da amiga enquanto ambas caminhavam pelos corredores do colégio –Então, não quer saber o que tenho em mente?

-Uma festa, imagino – ela chutou.

-Não! – algo no sorriso de Luana estava deixando Rafa profundamente desconcertada, como se houvesse uma coisa que ela não conseguia entender ou que a loira não estava contando –Uma super festa!

-Você é ridícula – Rafaela riu.

-Eu sei, eu sei – Luana fingiu estar magoada mas logo aquele sorriso divertido voltou ao seu rosto –O que me diz? Só nós duas, como era antigamente...

-Por que Marina não vai?

-Sabe como é, com todo esse negócio da mãe dela... Até tentei chama-la mas ela prefere ficar no hospital com o pai... E talvez alguém chamado Eli também faça companhia à ela – Luana disse a última parte com um pouco de malícia na voz.

-Luana, você sabe que esse lance da Marina e do Eli tem causado problemas entre ela e o Guilherme. Tem algum dedo seu nisso? – Rafa perguntou enquanto a amiga a puxava mais rápido pelo corredor.

-Sabe que tem dedo meu em todas as coisas... Mas não nessa, juro!

***

98 dias antes.

Eli se aproximou de Marina e estendeu um copo de café para ela. O pai da garota tinha ido pra casa descansar devido à insistência dela e à garantia de Eli de que ficaria a noite inteira de olho na loira. Depois de um pouco de hesitação e um olhar desconfiado para a filha e o garoto ele concordou em ir embora e disse que voltaria cedo no outro dia.

-Está ficando tarde, você devia ir pra casa – a loira disse enquanto pegava o café e se aconchegava na poltrona. Os ruídos dos aparelhos do hospital a deixavam desconfortável mas não mais do que o fato da sua mãe ainda estar sob o efeito de sedativos para evitar outro colapso mental.

-Prometi para o seu pai que ficaria aqui – Eli se sentou na poltrona perto da janela, era possível ver as estrelas brilhando e as árvores sacudindo com o leve movimento do vento –Ele me mataria se soubesse que te deixei aqui sozinha...

-Você não tem nenhuma obrigação comigo – a garota retrucou, sentia-se como se estivesse se aproveitando do amigo e isso deixava seu estômago embrulhado –A pessoa que deveria estar aqui não está, então...

-Guilherme? – ele perguntou erguendo uma das sobrancelhas, uma habilidade que Marina invejava e fazia o garoto parecer mais atraente aos olhos dela.

“Mas que diabos, você tem namorado!”, a garota procurou afastar o pensamento.

-Bom, ele é meu namorado...

-Mas, sinceramente, não deveria ser...

-Olha, Eli, sei que...

-Não – ele a interrompeu e se inclinou em direção à poltrona dela –Você precisa me escutar. Se tem uma coisa que me ensinaram foi como tratar uma garota e nenhuma deveria passar pelo que você passa com ele. Tudo bem, tenho problemas com esse cara mas isso não quer dizer que minha opinião não vale nada...

-Não queria dizer isso – Marina tomou um gole do café e sentiu-se aliviada pelo calor que se espalhou pelo seu peito, ultimamente vinha se sentindo tão fria que achava que estava morta –A sua opinião vale muito pra mim, só não quero que você fique se preocupando com um problema que é meu.

-Não pode me pedir isso, não pode me pedir pra não me preocupar – ele retrucou e Marina sentiu um arrepio subir pela sua espinha, ela não sabia direito como reagir a isso mas fazia muito tempo que um garoto não se preocupava com ela. A loira não conseguia lembrar quando foi a última vez que Guilherme fora atencioso com ela mas sabia que já tinha algum tempo...

-Eli, eu agradeço tudo que você vem fazendo, de verdade – a garota não conseguia encarar Eli nos olhos, parecia errado o que ela estava dizendo, como se estivesse traindo Guilherme mas não podia negar o quanto o amigo tinha sido bom com ela desde que se conheceram –Ficando do meu lado nessa merda toda... Quero dizer, não só com o que aconteceu com minha mãe mas... Tudo! Obrigada, do fundo do meu coração.

Então o sorriso dele se abriu e nada poderia ter feito o coração de Marina bater mais rápido. Os dentes brilharam quando o sorriso tomou conta do rosto dele, os olhos escuros pareceram ficar menos raivosos e ela teve vontade de guardar a expressão no rosto dele pra sempre em sua memória. Era algo que nunca vira antes, Eli parecer tão feliz, tão genuinamente feliz. E ficou orgulhosa por ser o motivo disso.

-Quando você precisar, Nina – o único que a chamava assim era o pai e Eli tinha ficado tempo suficiente para ouvi-lo chamando-a desse jeito, ela gostava do apelido, era carinhoso e soava ainda melhor saindo dos lábios de Eli.

Ela sorriu envergonhada e voltou a se concentrar na mãe que deitava na cama inconsciente mas sem nunca deixar de sentir a presença do garoto que sentava ao seu lado.

***

Rafa seguia Luana pela rua cheia de pessoas. O vento batia nas suas pernas descobertas e fazia seu corpo inteiro se arrepiar mas não parecia ter qualquer efeito na loira.

“Talvez porque ela já esteja acostumada a andar por aí com pouca roupa”, pensou enquanto lutava contra o frio e tentava não esbarrar nas pessoas que bloqueavam a entrada da boate. Nunca fora nesse lugar antes mas parecia o tipo de lugar que não deveria ir sozinha na companhia de Luana...

Era um prédio quadrado com umas luzes roxas sinistras emanando de todos os lugares e uma música eletrônica que tocava absurdamente alta. Pessoas embriagadas ou simplesmente confusas com a combinação de música alta e ambiente escuro cambaleavam para fora do edifício enquanto outras entravam animadamente.

-Por aqui – a loira segurou sua mão e passou pelos dois seguranças gigantescos da entrada, Rafa apenas se deixou ser guiada para dentro do lugar. E sentiu como se tivesse ficado cega assim que entraram...

A única luz do local vinha da cabine do DJ e do bar o que conferia a tudo um aspecto confuso. Corpos se tornavam apenas formas sem foco enquanto uma multidão ensandecida pulava perto de onde as caixas de som estavam. No bar, a coisa era ainda mais deprimente: garotas riam histericamente ou lutavam para se manterem de pé enquanto eram analisadas por homens com expressões maliciosas. Rafa se sentiu mal por essas garotas...

Ela bateu contra as costas de Luana de repente, a loira parara no meio do lugar e pareceu olhar em volta procurando alguma coisa.

-Luana! – tentou chamar a amiga mas a música era alta demais, puxou o braço dela e voltou a gritar –Luana! O que foi?

A loira tinha uma expressão apreensiva demais no rosto, havia algo a incomodando.

-Nada – ela olhou novamente em volta e aproximou sua boca do ouvido de Rafa –Vem, a gente tem que dançar...

Rafa não teve tempo de responder pois foi puxada pela mão até a massa de corpos que pulavam, a música era ainda mais alta ali e ela teve a impressão de não conseguir ouvir nem mesmo os próprios pensamentos. Mas nada disso parecia importar quando ela percebeu que Luana sorriu pra ela, ainda conseguia sentir a apreensão da amiga mas isso não parecia mais tão importante.

Então elas apenas se juntaram ao movimento dos corpos em volta delas.

***

Luana estava cansada e alguém tinha dado uma cotovelada nas suas costas mas ela não se atrevera a parar de dançar com Rafa. É como se a amiga se transformasse aos poucos em outra pessoa durante as últimas semanas, uma pessoa mais ousada, mais divertida... E Luana gostava disso. E agora, ao ver a forma como seu corpo se movia no ritmo da música, a loira não conseguia deixar de sorrir.

“Ela está se divertindo, divertindo de verdade!”, pensou consigo mesma mas não podia se distrair, tinha vindo ali com um propósito em mente e se lembrou disso quando avistou Guilherme com o mesmo grupo de alguns dias atrás perto do bar.

Tinha a esperança de que ele frequentasse o lugar com frequência e, já que ela não podia entrega-lo para Marina, podia fazer com que Rafaela o visse e então ela poderia contar. Mas ele não estava acompanhado das líderes de torcida, só os garotos estavam com ele dessa vez...

Sentiu-se frustrada com isso, teria que pensar em outra coisa. Voltou sua atenção para Rafa e voltou a sorrir.

“Foda-se o Guilherme, é uma noite boa, Rafa merece um pouco de diversão. Posso resolver todos esses problemas outro dia”, então Luana puxou a amiga pela mão e a levou para beber um pouco.

***

97 dias antes.

Marina olhava Eli enquanto ele dormia jogado na poltrona. Sentia-se um pouco culpada pois sabia que ele devia estar desconfortável e que provavelmente acordaria com dores mas também estava feliz por ele ter lhe feito companhia e percebeu o quanto ele era diferente enquanto estava dormindo sem toda aquela expressão séria que era tão característica dele.

Ele se remexeu de repente e ela desviou o olhar, achou que seria estranho se ele a pegasse encarando-o e não saberia arrumar uma desculpa para isso. Não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo com ela mas havia algo em Eli que a fazia querer tê-lo por perto. Era fácil conversar com ele, Eli era agradável, divertido, gentil... Não havia nada de errado em querer ficar perto de alguém assim, certo?

-Bom dia... – ele disse baixinho fazendo Marina se assustar. O garoto continuava jogado na poltrona mas tinha um sorriso no rosto e os cabelos brancos estavam emaranhados.

-Você está com uma cara péssima – ela riu –E deve estar com dor por ter dormido nessa poltrona dura...

-A companhia compensa o sacrifício – ele respondeu passando as mãos no rosto e se endireitando na poltrona –Ficaria agradecido se você não zombasse da minha aparência. Não é todo mundo que acorda magnifico que nem você...

Marina riu.

-Eu estou magnifica porque não dormi.

-Ora – ele sorriu –E por que não?

“Porque não consegui, porque você me tira o sono com tudo que faz. Como posso dormir sabendo que você está aqui?”, pensou. Mas não tinha coragem de falar isso e sabia que não devia, pelo menos não até resolver o que precisava ser resolvido com Guilherme. Então simplesmente ficou em silêncio, encolheu os ombros e voltou a olhar para a sua mãe desejando que isso fosse o suficiente.

E foi.



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