História Uma dose violenta de qualquer coisa - Capítulo 36


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Assassinato, Colegial, Drama, Lgbt, Romance, Tragedia
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 36 - Invasoras


24 dias antes.

Luana tamborilava a caneta na mesa em um ritmo constante, parecia mais concentrada na batida do que na aula de Sociologia que acontecia. Eli e Marina sussurravam no canto da sala procurando serem o mais discretos possível mas vez ou outra uma risada escapava e chamava atenção de alguém que estava perto. Rafa apenas se limitava a encarar o céu lá fora pela janela, era um dia cinzento e ela sentia que combinava com seu humor. Chuvas fortes tomaram conta do sul do país nos últimos dias e a previsão do tempo dava a ideia de que isso duraria mais alguns dias, talvez mais uma semana.

Rafaela não se importava, podia acontecer um dilúvio de proporções apocalípticas que ela ficaria parada olhando.

***

-Você está incrivelmente calada nos últimos dias, sinto até falta de seu sotaque caipira... – Luana comentou com um meio sorriso enquanto almoçavam, não havia nenhum sinal de Eli e Marina. A loira, apesar de sorrir e tentar fazer graça, estava realmente preocupada com a amiga, só queria que ela desse um sorriso ou falasse que estava tudo bem. Apenas isso.

Rafaela espalhou o arroz no prato, era como se não tivesse escutado a amiga.

-Estou falando com você, fofa – Luana alfinetou mas a preocupação só aumentava dentro dela, o que havia de errado?

-Ah, desculpa – a garota finalmente pareceu tomar consciência da voz da loira –Eu não quis te ignorar, eu só estou... Com muita coisa na cabeça. Todos esses trabalhos, provas, o vestibular chegando... E temos que começar a ver as coisas de São Paulo se realmente quisermos ir pra lá, eu ouvi falar que...

-Rafaela – Luana a interrompeu –Você pode enganar qualquer uma menos eu, sabe que sou à prova de merdas...

-Você é a definição viva de merda – Rafa devolveu com um sorriso mas não convenceu a loira, ainda havia tristeza em seus olhos e outra coisa que Luana não soube identificar, ela nunca fora boa em interpretar os sentimentos dos outros, mal conseguia interpretar os seus.

-Vou encarar isso como um elogio, já que merda serve pra adubar a vida! – ela retrucou entre garfadas –Mas, já que você não quer confessar o que tanto incomoda seu coraçãozinho, tenho uma proposta pra você!

Rafa ficou curiosa e se inclinou para frente, o barulho no refeitório era ensurdecedor e a garota não queria perder uma palavra do que a amiga ia falar. Luana sorriu consigo mesma, conseguira definitivamente captar sua atenção.

-Fico com muito medo quando você faz essa cara... – Rafa confessou olhando a expressão que tomara conta da fisionomia da outra garota.

-Não fique com medo – a loira a tranquilizou e se aproximou também, continuou em um sussurro –Tem algo que pode te alegrar: uma última pegadinha. É a última antes da minha pegadinha final e você tem que me ajudar. Eu, você e Marina, como sempre.

Rafa encarou seus olhos cinzentos, a loira parecia animada de verdade mas também havia uma ponta de preocupação naqueles olhos indecifráveis. Rafaela sorriu e balançou a cabeça concordando.

-Eu não vou perder isso por nada...

Luana se inclinou para trás e voltou a comer seu almoço parecendo obviamente satisfeita.

***

Marina e Eli observavam os alunos correndo na pista de atletismo mesmo que estes não pudessem os ver. E ambos agradeciam mentalmente por isso.

Estavam debaixo das arquibancadas de metal, longe dos olhares curiosos de qualquer pessoa. Longe das fofocas das líderes de torcida, longe dos atletas, longe principalmente de Guilherme...

Marina olhou para Eli cuja atenção parecia totalmente voltado para os garotos e garotas de 15 anos dando voltas na pista. Alguns pareciam a ponto de cuspir seus pulmões fora, outros mal se esforçavam para correr todo o percurso. Os cabelos brancos de Eli estavam ficando compridos mas não daquele jeito desleixado que costuma ficar em alguns rapazes, era charmoso nele, era lindo ver aquelas mechas descoloridas caírem sobre seus olhos para depois serem arrumadas com um simples balançar de cabeça. E os olhos... Meu Deus, Marina mal sabia o que falar sobre aqueles olhos! Escuros e um pouco assustadores, ela confessava, mas também escondiam uma sensibilidade e gentileza que ela nunca achou ser possível encontrar em um homem que não fosse seu pai. E os lábios...

-O que você tanto está olhando? – ele perguntou sem desviar os olhos dos atletas, um leve sorriso se formava nos seus lábios –Tem alguma coisa na minha cara?

A loira desviou o olhar desconcertada mas logo começou a rir.

-A sua cara inteira é uma desgraça, nem consigo começar a dizer o que está errado aí! – ela retrucou e, quando ouviu a risada de Eli, sentiu seu peito ficar mais leve. Tudo sempre ficava mais leve com ele.

-Que absurdo... – ele sussurrou, talvez tenha sido mais para ele mesmo do que para ela. Ficaram alguns segundos em silêncio e a garota não pôde deixar de pensar o quanto era confortável ficar ali sem dizer nada ao lado dele. Estava tão perdida em seus próprios pensamentos que se assustou ao perceber os braços dele em volta de sua cintura e levando-a de encontro a um dos suportes de ferro da arquibancada.

A superfície gelada pressionava suas costas enquanto o corpo de Eli a prendia ali, seus braços firmemente postos ao redor dela e seu rosto a centímetros de distância. Marina mais uma vez se viu encarando aqueles lábios.

-Você mente muito mal – ele disse –Até parece que você conseguiria achar algum defeito em mim...

Ela suspirou, queria ser capaz de dar uma resposta a altura mas seus sentimentos estavam muito aflorados para que ela pudesse pensar claramente.

Ele se aproximou, ela sentiu os lábios dele contra sua orelha:

-Eu não consigo achar nenhum em você...

A loira sorriu e envolveu o pescoço de Eli com seus braços, queria que aquele momento pudesse durar para sempre mas foram interrompidos pelo barulho do sinal que indicava o fim do horário do almoço e o retorno obrigatório às salas de aula. Pela primeira vez ela gostaria de se dar ao luxo de matar aula como todo mundo fazia uma vez ou outra, mesmo que essa não fosse a conduta esperada pela presidente do Grêmio Estudantil.

Marina suspirou e o afastou gentilmente.

-Temos que ir agora...

Eli abriu caminho para ela passar com um sorriso no rosto:

-Sim, mas nem pense que terminamos o que estávamos fazendo aqui.

A loira sorriu e tomou a frente.

***

20 dias antes.

Marina estacionou o carro algumas quadras antes da casa de Luana. A loira a avisara para fazer isso caso o pai dela estivesse acordado, ela e Rafa sairiam discretamente da casa e iriam até ela. Marina estava apreensiva, Luana não explicara o que iriam fazer apenas pediu que estivesse no local combinado perto de meia-noite e usasse roupas pretas. Marina imaginava que as roupas pretas fossem só pra instiga-la ainda mais...

Os minutos passaram e a garota logo conseguiu vislumbrar dois vultos escuros andando na calçada. Soube quem eram no mesmo instante, quando chegaram perto o suficiente para ouvi-la pôde perceber que traziam mochilas.

-Isso não parece nada bom, me diz que não vamos roubar nenhum lugar... – a garota brincou mas sabia que existia a possibilidade desse realmente ser o plano de Luana e explicaria a necessidade de roupas pretas...

-Melhor do que isso! – Luana exclamou jogando as mochilas no porta-malas e sentando no banco traseiro enquanto Rafaela tomava seu lugar no assento do passageiro –Vamos fazer uma invasão!

Marina e Rafa olharam a amiga assustadas. A loira apenas tinha aquele típico sorrisinho no rosto enquanto era encarada, sem dar explicação alguma.

-Isso é sério? – Rafaela enfim teve coragem de perguntar –Sabe que isso não é muito melhor do furto, certo?

-Sei, meu amor – a loira se inclinou para frente, queria estar o mais próximo possível das duas amigas –Mas eu ainda não me vinguei de verdade do ataque que as líderes de torcida e os atletas organizaram contra mim e acho que não existe nada melhor do que deixar um lembrete de com quem eles estão mexendo no lugar mais sagrado para eles...

-A gente vai invadir a escola? – Marina  tentava entender –Luana, isso não é que nem as outras pegadinhas... A gente vai se ferrar muito se formos pegas, isso sem falar que não vamos estar acalmando as líderes e os atletas. E eles sabem muito bem quem faria uma coisa dessas...

-Mas nós não vamos ser pegas! – Luana riu enquanto se jogava novamente no banco de trás, era incrível o quanto ela parecia relaxada e confortável com a situação enquanto Rafaela e Marina pareciam a ponto de vomitar de nervosismo –E eles não podem provar nada... E, se deixar vocês mais tranquilas, eles não podem me pegar de novo. Eu estou mais atenta, mais sagaz, não serei pega de surpresa por aqueles bostas!

Marina sufocou uma risada, Luana dizer que estava tomando cuidado era como Rafa dizer que queria matar aula: não era algo que condizia com a pessoa que estava falando.

-Vocês estão comigo ou não? – a loira perguntou, todo o ar de graça que ela tinha dera lugar à uma expressão séria.

Rafaela encarou Marina. A loira sabia que a garota apoiaria Luana, o que seus olhos pediam era que ela apoiasse também.

-Por que ainda pergunta? Estamos sempre com você... – Marina respondeu enquanto dava a partida no carro e aceitava o que quer que Luana tivesse planejado para elas.

***

A escola à noite tinha uma atmosfera extremamente macabra, Rafa não pôde evitar esse pensamento quando finalmente chegaram na entrada do estacionamento que se encontrava vazio. Apesar de já ter estado por perto nesse horário antes, naquela emocionante noite da torre com Luana, saber que invadiriam o lugar e fariam sabe Deus o que lá dentro era totalmente diferente.

-Acho melhor estacionar aqui fora, vai ser estranho se alguém passar e ver um único carro lá dentro – Luana comentou como se não fosse nada demais, como se falasse sobre o clima ou algo assim.

Marina obedeceu e deixou o carro alguns metros mais à frente. Luana correu para pegar as mochilas no porta-malas assim que o carro parou. Rafaela olhava para Marina, a amiga mal reclamara sobre o que iriam fazer e, de todas elas, a loira era quem tinha mais a perder. Todo mundo sabe o quanto pegaria mal a presidente do Grêmio Estudantil estar envolvida com vandalismo escolar...

-Vocês vão ficar aí dentro ou vão me ajudar a tirar essas coisas? – a outra loira chamou a atenção das duas rindo, ela não poderia parecer mais descontraída.

-Eu acho bom não ter uma bomba dentro dessas coisas – Marina disse enquanto saía do carro sendo seguida por Rafa.

-Vamos descobrir isso logo, logo... – Luana provocou pendurando uma das mochilas no ombro e caminhando em direção à portaria. Marina e Rafa a imitaram.

O barulho da noite era tranquilizador apesar dos corações das três amigas estarem batendo forte no peito. A falta de qualquer outra pessoa também fazia com que elas se sentissem donas do mundo, como se só elas existissem e, depois das merdas das últimas semanas, era uma sensação bem-vinda. Estavam cansadas de preocupação, conflitos e sofrimentos, queriam apenas ser três garotas felizes e as próximas horas proporcionariam isso.

Quando chegaram na entrada, estava trancado. Luana já parecia esperar isso então apenas deu a volta e começou a assobiar casualmente, Marina e Rafa pareciam ficar menos preocupadas a cada minuto e mais curiosas.

Pararam em frente a uma janela semiaberta que presumiram ser de um dos banheiros, elas nunca estavam fechadas e, apesar de serem muito altas, eram também muito largas. Luana parou em frente, jogou a mochila que carregava através da abertura e virou-se para as amigas pedindo as outras. Logo todas as três estavam do outro lado. Luana se colocou debaixo da janela e fez uma concha com as mãos. Ela disse:

-Você vai primeiro, Rafa. É a menor de nós.

Rafaela concordou relutante mas fez o que a amiga pediu. Foi impulsionada para cima e agarrou a beirada da janela com força, se projetando para dentro. Assim que seus pés encostaram no chão do outro lado, sentiu aquele cheiro desagradável do banheiro masculino.

-Você não podia ter nos feito entrar no banheiro feminino pelo menos?! – gritou para as amigas do outro lado mas tudo que recebeu como resposta foi o riso abafado de Luana.

Rafa pegou uma das mochilas e colocou novamente nas costas. Encarou a escuridão em volta dela que ficava menos persistente à medida que o tempo passava. Em alguns minutos Marina já estava ao seu lado juntando uma das mochilas no chão enquanto Luana grunhia tentando passar o corpo pela abertura. Logo a outra loira estava com elas.

-Vamos logo – ela disse com a mochila nas costas e tomando a frente.

Saíram do banheiro direto para o corredor. Pensaram em como não havia nada mais assustador do que um corredor à noite, principalmente um escolar. Rafa de repente se lembrou sobre filmes de terror e como tudo acontecia entre amigos que queriam se divertir e zoar um pouco, afastou esses pensamentos com um balançar de cabeça e pôs-se a seguir as amigas.

-Temos três tarefas essa noite, vamos cumprir cada uma delas na ordem e dar o fora daqui, ok? – Luana comentou sorrindo sem nunca parar de caminhar, ela estava concentrada em procurar algo –Não vamos fazer nada de extraordinário, temos a pegadinha final para isso, certo?

-E você já tem uma ideia do que vai ser a sua tão esperada pegadinha final? – Marina a provocou.

-Claro que tenho, bebê – a loira respondeu – Mas vamos nos concentrar no presente. Primeira parada: o corredor dos troféus!

Rafa e Marina estremeceram. O corredor dos troféus obviamente era chamado assim por conter algumas estantes cheias de troféus conquistados pelas equipes esportivas da escola, que não eram muitos, e era de conhecimento geral que a modalidade que mais costumava ganhar era o basquete, eram os garotos que odiavam Luana e haviam a perseguido em uma outra noite. Isso basicamente só iria irritá-los ainda mais e logo agora que começavam a relaxar novamente.

-Se isso não é extraordinário, não quero nem parar pra pensar o que vai ser a pegadinha final... – Rafa comentou baixinho apenas para que Marina a ouvisse, a loira a olhou com uma expressão preocupada e balançou a cabeça concordando.

Não demorou muito para que estivessem de frente para os troféus e vissem seus reflexos nos vidros que os protegiam. Luana sorria maliciosamente, as meninas sabiam o quanto isso devia ser satisfatório para ela. A loira tirou uma lata de tinta spray da mochila e a sacudiu, olhou para as amigas e avisou:

-Cada uma de nós tem direito a uma frase – e começou a marcar o vidro.

Rafa e Marina olharam enquanto a loira escrevia em um vermelho vivo e em letras grandes: “4 troféus e se acham a porra de atletas olímpicos, meu rabo joga melhor”. Marina riu alto, Rafa relaxou e se permitiu rir também.

-Você é simplesmente a melhor! – Marina comentou enquanto remexia a mochila em busca de outra lata e ia em direção ao vidro. Logo as letras azuis começaram a formar a frase: “Guilherme é o capitão dessa bosta? Ele nem conseguiu liderar Marina quem dirá uma equipe!”

Luana gargalhou, Rafa sorriu.

-Boa – a loira admitiu –Não sabia que tinha toda essa ironia dentro de você, garota.

-Tem muito que você não sabe – a outra loira brincou e ambas olharam Rafaela, a garota se sentiu intimidada porque queria escrever algo a altura. Logo a ideia perfeita surgiu, enquanto ela sacudia sua lata. As letras pretas destacaram sua frase: “ouvi dizer que vocês gostam de bater nas pessoas quando elas estão sozinhas na rua, deviam se preocupar em bater punheta ao invés disso!”

A gargalhada que as três amigas deram ecoou por todo o corredor, se houvesse qualquer pessoa na escola elas teriam sido escutadas. Felizmente estavam realmente sozinhas.

-Uau – Luana finalmente disse depois das risadas cessarem –Você ganhou, com certeza! Se eu pudesse te daria um desses troféus como prêmio, quem sabe na pegadinha final?

-Eu vou cobrar – Rafa respondeu enquanto jogava a lata no chão.

-Bom – a loira pareceu se concentrar novamente –Segunda parada: nossa sala de aula.

Marina e Rafa se olharam apreensivas mas sorriram, parecia que toda a tensão havia as abandonado. As três riam e caminhavam descontraídas nos corredores escuros, era como se fosse hora do almoço e não madrugada. Luana vez ou outra fazia alguma das suas piadas indecentes que Marina fingia não gostar mas logo ria junto com elas.

-Eu odeio o jeito que a nossa professora de gramática olha para os meninos, como se quisesse que eles fodessem ela – Luana disse entre risadas –Ela parece ter um interesse especial em Eli, se eu fosse você ficaria preocupada, Marina. Aquela verruga no queixo dela é bem sensual, seu boy pode bem te trocar por ela...

Marina ficou corada e não conseguiu pensar em nada para responder, tinha sido pega totalmente de surpresa. Rafa a encarava, parecia que isso confirmava a sua suspeita: ela e Eli definitivamente estavam tendo alguma coisa e Luana também notara.

-Ei, tudo bem – Luana disse depois de ver a expressão envergonhada da amiga –Entendemos que você esteja sendo cautelosa por causa do Guilherme e tudo mais, é que está estampado na cara de vocês o quanto se gostam...

E com isso mudaram de assunto mas Marina se sentiu bem por não ter mais que esconder isso das duas pessoas que mais amava no mundo.

-E aqui estamos – Luana anunciou enquanto abria a porta e entrava na sala de aula –Nada demais aqui, vamos colocar uns pôsteres que eu fiz falando mal do nosso terceiro ano. Falei mal até mesmo de nós três pra não levantar suspeitas...

-Bem estrategista você – Marina provocou enquanto pegava um dos pôsteres que ela tirava da mochila e via o que estava escrito.

-Estou sempre um passo à frente – a outra loira rebateu enquanto colocava os papéis na parede.

-“Rafaela: sem graça, precisa ser mais bem comida mas não vejo quem se interessaria por ela” – Marina leu rindo, Rafa fingiu estar ofendida mas logo começou a rir também –“Marina: uma piranha vagabunda, não sei se está com Eli, Guilherme ou dando pra qualquer um”, uau, essa é sua opinião?

-É a opinião da pessoa anônima que invadiu a escola essa noite! – Luana sorriu enquanto colava os últimos.

-“Luana: uma patricinha que se acha e deve ter a vagina do tamanho dessa porta de tanto que dá” – Marina continuou lendo –Isso é totalmente verdade.

-Claro que não! Minha vagina não é larga – a loira reclamou –Quando eu sinto que estou exagerando, dou meu cu também...

-Meu Deus, Luana... – Rafa abafou uma risada.

-Ah, amiga, a gente não nasceu com tantos buracos à toa – Luana se afastou do mural e admirou seu trabalho –Certo, é hora da nossa última parada e podemos ir embora.

-Vá na frente – Marina indicou a saída da sala.

A loira mais uma vez caminhou pela escuridão dos corredores com as duas amigas logo atrás. Não demorou para que parassem em frente ao laboratório de ciências.

-Eu sabia, vamos explodir a escola? – Marina brincou.

-Não hoje – Luana sorriu e começou a remexer a mochila, tirou uma daquelas armas de água para crianças –Tem uma em cada bolsa, peguem as suas.

-Não entendi – Rafa falou –Vamos fazer uma guerra de água no laboratório? Por quê?

-Porque é divertido! – Luana respondeu com um sorriso enorme no rosto –E porque, quando abrirem tudo amanhã, vão pensar que a água no chão é algum produto químico vazando...

Rafa e Marina riram, era uma ideia maravilhosa.

-Vão ficar aí paradas? – disse Luana apontando sua arma para as duas e molhando-as sem que esperassem por isso.

Enquanto Marina e Rafa a xingavam, a loira entrou no laboratório e se escondeu atrás de uma das mesas de aço. As outras duas a imitaram e caçaram umas às outras até a água de todas as armas acabarem. Luana era a que estava menos molhada, a loira tinha uma agilidade bem superior à das amigas, Rafaela estava completamente encharcada por outro lado.

-Ok, você é demais, já entendemos isso – Marina admitiu tirando os cabelos molhados da testa.

-E é com essa confissão que podemos encerrar nossa noite e ir dormir na minha casa – a loira anunciou.

As três amigas juntaram as coisas e saíram pela mesma janela em que entraram no começo da noite. Eram quase 3 da manhã agora mas elas não poderiam se sentir melhores. Quando saíram e começaram a ir em direção ao carro, Luana, que estava entre as duas, as abraçou e disse:

-Fazia muito tempo que eu não tinha uma noite tão boa!

Rafaela e Marina se limitaram a balançar a cabeça concordando.

***

19 dias antes.

Rafa e Luana acordaram com o barulho da voz de Marina ao telefone, ainda vestiam as roupas pretas da noite passada. Chegaram tão cansadas que apenas se deitaram. Rafaela esfregou os olhos enquanto Luana não perdia uma palavra do que era dito.

-Sim, eu entendo. Tenho certeza que vão pegar as pessoas que fizeram isso! – Marina falava andando de um lado para o outro –Bom dia pra você também, diretor.

Luana apenas ergueu uma sobrancelha quando a loira desligou o celular, Rafa a encarava nervosa.

-Aparentemente algum vândalo invadiu a escola e não teremos aula hoje – ela disse rindo.

-Que pena, agora vamos ter que passar um dia no lago sem fazer nada! – Luana comentou –Liga pro seu boy, Marina, vamos comemorar nossa folga!

E as três se arrumaram para aproveitar o resto do dia.



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