História Uma experiência quase mortal - Capítulo 1


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Personagens Haruka Nanase, Makoto Tachibana, Personagens Originais
Tags Coma, Haruka, Makoharu, Makoto, Morte, Shounen Ai, Sobrenatural, Yaoi
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Terminada Sim
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Era um dia de inverno. O frio invadia as ruas e a chuva caía descontroladamente. As estradas estavam molhadas e os carros andavam devagar. Ao contrário dos outros dias, havia poucas pessoas na rua devido ao clima gelado. As pessoas usavam roupas quentes como casacos, gorros, cachecóis e luvas. As casas eram aquecidas pelas lareiras ou pelos ares-condicionados ligados para suportar o frio. A respiração quente das pessoas quando em contacto com o ar gélido dava a origem a vapor.

Um rapaz branco de cabelos azuis-escuros e brilhantes olhos da mesma cor encontrava-se prestes a sair de casa. O seu nome era Haruka Nanase. O rapaz tinha 21 anos e era nadador profissional na equipa nacional de Tóquio. A sua especialidade era o nado livre e ele adorava sentir a água envolver o seu corpo enquanto ele nadava.

Antigamente, Haruka era fechado e quase não sorria, para além disso ele não falava muito dos seus sentimentos. Ele tinha muitos amigos mas havia um que se destacava, o seu melhor amigo Tachibana Makoto.

Tachibana tinha cabelos castanhos-claros e olhos de vários tons de verde misturados. Ele era um rapaz calmo e simpático. Os dois eram bastante chegados. Conheciam-se desde a infância e fizeram o ensino fundamental e o ensino médio juntos.

Nanase era apaixonado por Makoto, havia descoberto isso no primeiro ano do ensino fundamental quando o esverdeado encontrava-se com uma dúvida enorme em relação ao seu gosto por Haruka e pela natação. Tachibana acabou por chegar à conclusão que gostava bastante dos dois. Quando o maior revelou isso ao melhor amigo, o coração de Haruka acelerou e um sentimento de felicidade envolveu o seu corpo.

Passados vários dias, Haruka encontrava-se distraído, a cena daquele dia não saía da sua cabeça então foi procurar ajuda com um dos seus outros amigos. Esse amigo analisou o que Nanase lhe disse e logo sorriu dizendo que ele gostava de Makoto. O menor ficou perplexo com a ideia de que os seus sentimentos pelo melhor amigo tenham mudado e demorou alguns dias até perceber que era verdade. Guardou os seus sentimentos para si durante vários anos.

Alguns anos depois, Makoto avisou a Haruka que ia fazer faculdade de desporto em Tóquio e isso mexeu bastante com Nanase que pensava que este ia abandonar-lhe.

A ideia de que o seu melhor amigo (que era também a pessoa que ele gostava) fosse embora gerou a primeira discussão entre os dois rapazes.

O azulado ficou bastante magoado e foi nessa altura que percebeu o quanto Makoto significava para si e o quanto a ideia de perde-lo era dolorosa.

Nesse momento Haruka descobriu que o seu simples gostar que havia surgido há bastantes anos atrás tinha evoluído para algo mais forte, amor.

Alguns dias passaram e finalmente tomaram uma atitude e fizeram as pazes.

Tachibana convidou Nanase para ir com ele para Tóquio. O azulado aceitou imediatamente com um sorriso de alívio no rosto, ele não iria perder Makoto.

Como prometido mudaram-se para Tóquio e moravam em apartamentos próximos.

Com a mudança, Tachibana começou a fazer faculdade de desporto como ele sempre desejara, afinal queria ser professor de natação.

Haruka integrou-se na equipa nacional de Tóquio, onde reencontrou alguns dos amigos do ensino fundamental e assim começou uma nova vida.

No dia de inverno referido anteriormente, Haruka encontrava-se a calçar-se para sair de casa, tinha prometido a Makoto que iria buscar-lhe para irem nadar juntos como não faziam há muito tempo atrás.

Ao sair de casa dirigiu-se ao carro. Colocou o cinto e começou a conduzir. O seu corpo estava fraco, Nanase não comia desde o lanche do dia anterior e ele não dormia bem há dias devido aos treinos pesados que tinha tido recentemente. Os seus olhos começaram a pesar e a sua visão ficou desfocada. As pálpebras fechavam-se pouco a pouco e o corpo gelado do menor caia lentamente para o lado. A consciência aos poucos ia embora. O seu corpo desmaiado, num movimento rápido caiu para o banco ao lado do  condutor.

Em frente, um semáforo que encontrava-se num cruzamento, estava vermelho. Como o azulado tinha desmaiado não dava para parar o carro. Como o cruzamento estava tão perto, a velocidade mesmo que estivesse a reduzir-se aos poucos, não conseguiria fazer o carro parar.

O carro passou o semáforo e chocou-se de repente contra um caminhão que estava a passar. O acidente fez o caminhão desviar-se da sua rota indo para trás com o embate.

No carro que seguia caminho atrás do caminhão, um homem e uma mulher encontravam-se totalmente chocados com a traumática cena acontecida anteriormente.

-Chama uma ambulância- Pediu o homem desesperado à mulher que se encontrava no lugar do passageiro. A mulher obedeceu e logo chamou a ambulância que levou pouco tempo a chegar devido à proximidade que o hospital encontrava-se dali.

A ambulância aproximou-se do local com dificuldade devido ao trânsito que tinha ficado complicado de gerir.

Após algum tempo os socorristas saíram da ambulância com uma maca e uma mala de primeiros socorros.

O homem que conduzia o caminhão não tinha ferimentos graves, apenas tinha partido o braço e feito diversos hematomas. Já Haruka encontrava-se bastante ferido, tinha partido a sua perna direita e o seu braço esquerdo, tinha diversos hematomas e bastantes cortes feitos através do vidro partido em sua pele.

A socorrista que foi ter com o condutor do autocarro aproximou-se apressada e ao ver que o outro estava consciente apresentou-se:

-Olá, o meu nome é Amanda e sou socorrista. Preciso que me diga exatamente como se sente- Pediu a mulher.

-Eu estou bem, apenas acho que parti o braço e tenho alguns hematomas. Como está o condutor do outro carro?- Perguntou preocupado.

-Não sei, o meu colega está a ajudá-lo mas agora preciso que me siga até à ambulância.

O homem seguiu a Amanda até à ambulância e sentou-se num banco de lá colocando o cinto de segurança.

O socorrista que estava com Haruka tirou-lhe do carro com cuidado e com a ajuda da Amanda posicionou-o na maca. Colocou-lhe a máscara de oxigénio e entraram na ambulância seguindo em direção ao hospital.

Ao chegar ao hospital, Nanase foi levado para os cuidados intensivos. Os médicos vestiram-lhe a bata do hospital e examinaram-no, engessaram os ossos partidos, retiraram os vidros, cozeram os cortes e colocaram uma pomada nos hematomas.

Haruka tinha a pulsação baixa então tiveram de ligar a máquina do oxigénio, e a máquina de transfusão e circulação de sangue.

Juntamente com o paciente, havia uma mala. Os socorristas levaram-na com eles e ao chegar ao hospital procuraram por uma carteira para saber a identificação do doente.

-Haruka Nanase- Respondeu a socorrista para a pessoa que estava na receção quando esta perguntou-lhe o nome do paciente.

-Certo, vou ligar aos pais, obrigada- Agradeceu a rececionista do hospital a Amanda.

A mulher foi chamada novamente para ir socorrer outra pessoa e seguiu o seu caminho de volta para a ambulância dirigindo-se ao local do próximo caso de emergência.

A rececionista pegou no número da mãe do doente e telefonou-lhe. Demorou um pouco para alguém atender.

-Estou?- Perguntou a voz de uma mulher do outro lado da linha.

-Bom dia, fala do hospital nacional de Tóquio, estou a falar com a mãe de Haruka Nanase?- Questionou a mulher calmamente pois sabia que aquilo era algo trágico para qualquer pessoa que a ouvisse.

-Sim é a própria, aconteceu alguma coisa com o meu filho?- Perguntou a outra senhora com um tom de voz preocupado.

-Infelizmente o seu filho teve um acidente de viação e está em coma- Respondeu tristemente a rececionista, sabia que aquilo ia ser horrível de se ouvir.

-O quê?- Perguntou a mãe do azulado com lágrimas nos olhos- Vou já para aí- Respondeu entre soluços desligando o telefone em seguida.

A mulher falou com o marido que ficou chocado com a notícia e logo dirigiram-se ao hospital em prantos.

Identificaram-se no balcão e a rececionista informou-lhes que era para esperarem serem chamados pelo médico que está responsável pelo tratamento de Nanase.

Enquanto esperavam, a mãe de Haruka decidiu contactar Makoto que já se encontrava impaciente pelo rapaz estar a levar tanto tempo para lhe ir buscar.

-Estou?- Perguntou o maior do outro lado da linha.

-Olá Makoto, é a mãe de Haruka- Identificou-se a mulher.

-Olá, aconteceu alguma coisa? Nós tínhamos combinado que ele vinha buscar-me para irmos nadar mas já faz muito tempo e ele ainda não apareceu- Perguntou Makoto extremamente preocupado com o motivo da demora do melhor amigo.

-Haruka teve um acidente de viação e entrou em coma, estamos no hospital nacional de Tóquio- Soltou a senhora de uma vez.

Tachibana sentiu o seu coração doer e as suas pernas fraquejarem.

-Estou a caminho - Respondeu o esverdeado desligando a chamada e começando a andar em direção à estação de metro próxima dali.

Algum tempo depois finalmente chegou ao hospital. Perguntou pelo melhor amigo e encontrou os pais do menor que se encontravam sentados na sala de espera.

Passado mais algum tempo, um médico entrou na sala:

-Acompanhantes de Haruka Nanase- Chamou o homem.

Os três levantaram-se rapidamente e dirigiram-se até ao médico que indicou-lhes com gestos que era para seguirem-no.

Ao fim de passarem por diversos corredores, por fim chegaram à zona dos quartos. Dirigiram-se até ao último quarto e o médico abriu a porta.

-Têm uma hora de visita dividida por vocês os três, a enfermeira depois vem cá chamar-vos quando o horário de visitas terminar, obrigado- Proferiu o médico retirando-se em seguida.

Os pais do azulado entraram primeiro e Makoto esperava impacientemente.

(…)

Os pais de Haruka tinham acabado de entrar no quarto fechando a porta em seguida.

A mãe de Nanase encarava o filho ligado a todas aquelas máquinas, com a perna e o braço engessados, vários cortes cozidos e hematomas roxos que se destacavam na pele branca do menor.

O pai do rapaz estava chocado e queria chorar mas não ia fazê-lo, tinha de ser forte pela mulher ao seu lado. Tinha de ser um bom apoio para a família naquele momento trágico.

-Porquê? Porque tinha de acontecer isto com o meu filho?- Perguntava a mulher enquanto chorava descontroladamente.

(…)

Haruka não conseguia visualizar nada, a sua visão estava repleta de um fundo preto.

Queria mexer-se mas não conseguia, o seu corpo não reagia às suas tentativas falhas de se mover.

Apesar de não conseguir fazer nada referido anteriormente, Nanase conseguia ouvir muito bem. Os barulhos irritantes das máquinas que ele presumia estarem ligadas ao seu corpo invadiam os seus ouvidos.

Os ruídos das sirenes das ambulâncias eram frequentes naquele local. Foi nessa altura que o azulado percebeu que estava num hospital.

O azulado escutou a porta ser aberta e alguém aproximar-se. Sentia-se observado.

-Olá?- Perguntou o menor em voz alta mas não obteve resposta.

-Porquê? Porque tinha de acontecer isto com o meu filho?- Perguntava uma mulher enquanto chorava descontroladamente.

-Mãe!- Gritou o azulado- Mãe, responde-me!- Gritava novamente tentando chamar a atenção da mulher mas sem sucesso.

-É impossível, ninguém consegue ouvir-te- Surgiu outra voz na cabeça de Nanase. A voz era grossa e tinha um ar divertido com a situação.

-Quem és tu?- Perguntou Haruka confiante.

-O meu nome é demon lover e sou o responsável por tu estares em coma- Disse o ser sobrenatural.

-Coma? Eu estou em coma?- Perguntou o menor surpreso- Por isso eles não conseguem ouvir-me?- Perguntou novamente com uma voz preocupada.

-Exatamente, ninguém consegue ouvir-te mas tu ouves toda a gente- Explicou a voz prepotente.

-Porquê? Porque me fizeste isto?- Perguntou o azulado com a voz levantada e uma expressão indignada.

-Porque tu não cumpriste o acordo!- Gritou a voz de forma raivosa.

-Qual acordo?- Perguntou Nanase confuso.

-Eu vou explicar-te- Disse a voz teletransportando a consciência interior de Haruka até ao dia que fizeram o acordo.

(…)

Haru encontrava-se deitado na cama a dormir profundamente. Em sua mente pensava em nadar no infinito oceano. Estava a ter um sonho lindo quando uma nuvem negra invadiu os seus pensamentos.

-Olá Haruka Nanase.

-Quem és tu?- Perguntou o menor atordoado.

-O meu nome é demon lover e tenho um acordo para fazer contigo.

-Que acordo? Porquê comigo?

-O meu objetivo é reunir as almas gémeas mas não como um cupido, digamos que de uma forma diferente- Respondeu a nuvem carregada.

-De que forma?- perguntou o azulado nervoso.

-De uma forma mortal- Respondeu a voz sobrenatural.

-O quê?- Perguntou Haruka surpreendido e preocupado ao mesmo tempo.

-O acordo é o seguinte, tens cinco meses para conquistares a pessoa que tu gostas, se até ao terceiro mês não conseguires fazer essa pessoa ficar apaixonada por ti então eu vou ter de agir e deixar-te às portas da morte por dois meses, se nesse tempo através da consciência interior o conseguires conquistar então voltarás à vida imediatamente ao ouvires a declaração dessa pessoa. Se por acaso ela ou ele não se declarar então a morte vai levar-te sem pensar duas vezes quando os dois meses terminarem.

(…)

-Então foi isso que aconteceu…- Pensava Haruka preocupado, ele lembrava-se daquilo mas não tinha levado a sério, pensava que era apenas um sonho estúpido.

-Isso quer dizer que eu ainda tenho dois meses para conquistar Makoto?- Perguntou com a sua voz interior para a voz desconhecida.

-Exatamente- Respondeu a voz com um tom de voz divertido.

-Mas como irei fazer isso se estou em coma?- Perguntou com um tom de voz e uma expressão de desistência.

-Usando a tua consciência interior­- Finalizou a voz grossa retirando-se em seguida da cabeça do menor deixando-o com os pensamentos confusos.

(…)

Os pais de Haruka retiraram-se do quarto do hospital dando espaço para o maior entrar.

Tachibana fechou a porta do quarto e encarava o melhor amigo com algumas lágrimas nos olhos.

-Porquê Haru?- Perguntou o esverdeado tristemente.

-Makoto…- Pensava Haruka ao ouvir a voz do melhor amigo.

O maior aproximou-se de Nanase e sentou na cama encarando os ferimentos que o menor tinha.

-Desculpa, se tu não fosses buscar-me aquele acidente não teria acontecido- Desculpou-se Tachibana pensando que a culpa era sua pelo seu melhor amigo estar assim.

-Não é culpa tua!- Gritou o azulado mesmo sabendo que Makoto não o ouviria- Mesmo que eu não fosse buscar-te eu iria parar às portas da morte graças ao acordo que fui obrigado a fazer- Explicou o menor tentando fazer com que aquilo ficasse na sua memória.

-Por favor acorda, eu não quero perder-te- Sussurrou o esverdeado derramando mais algumas lágrimas.

-Não me vais perder. Por favor apaixona-te por mim- Pediu o menor interiormente- Eu preciso de ver-te pelo menos mais uma vez.

-O horário de visitas acabou- Disse a enfermeira que tinha acabado de bater à porta.

-Sim, estou a ir- Respondeu o maior levantando-se e indo em direção à porta. Antes de sair proferiu calmamente um “até amanhã Haru” e saiu do quarto indo em direção ao carro e voltando para casa.

(…)

Haruka pensava desesperado no que podia fazer em relação a Makoto.

Pensou bastante mas não obteve nenhuma conclusão lógica e acabou por desistir naquele momento.

Ele tinha de fazer alguma coisa, mas o que é que seria?

(…)

No dia seguinte Makoto voltara no mesmo horário, pois tinha faculdade antes e não podia faltar porque estava quase em época de testes.

-Olá Haru- Cumprimentou Tachibana como se o outro lhe ouvisse, o que ele não sabia era que ele ouvia-o mesmo.

-Olá Makoto, obrigada por voltares- Cumprimentou Nanase interiormente.

O esverdeado sentou-se novamente na cama e encarava a pele pálida do outro repleta de ferimentos.

A sua expressão que já era de tristeza fechou-se mais ainda.

-Hoje na faculdade falámos sobre natação- Começou o maior com um sorriso pequeno no rosto- Quando o professor perguntou quais os tipos de nado que existiam eu não consegui falar o free. Eu tive de sair da sala porque naquele momento eu estava bastante preocupado contigo e não conseguia pensar noutra coisa senão no teu estado- Continuou Tachibana terminando o sorriso.

Haruka ouvia atentamente e ficou triste por ter preocupado o esverdeado e feito ele ter de sair da sala porque não se sentia bem.

-Lembras-te Haru? O primeiro revezamento que nós fizemos? Foi tão emocionante, nós ficámos tão felizes quando ganhámos o troféu. Apesar da tua cara estar séria na foto eu sei que tu estavas feliz. Eu só queria nadar contigo mais uma vez…- Comentou triste.

Haruka não aguentou e uma lágrima caiu dos seus olhos.

Makoto ficou chocado.

-Haru, porque estás a chorar? Consegues ouvir-me?- Perguntou Makoto mais animado por pensar que isso podia acontecer. Então Haruka ainda tinha consciência?

Nanase queria responder que sim, conseguia ouvir tudo o que ele dizia mas infelizmente não conseguia falar, o seu corpo não lhe obedecia.

Tachibana ficou feliz por ter tido uma reação, isso queria dizer que o estímulo graças às lembranças do passado era importante para Haruka e que ele conseguia ouvi-lo.

Makoto saiu do quarto e chamou uma enfermeira.

-O que se passou?- Perguntou a senhora preocupada.

-Eu estava a relembrar o passado em voz alta e ele derramou uma lágrima! Isso quer dizer que ele ainda tem consciência e que ele consegue ouvir-me certo?- Perguntou animado com a melhoria.

-Eu não sei- Respondeu a enfermeira- Eu vou chamar o médico.

O médico chegou depressa ao local e Makoto explicou o que se passava.

-O que é que acha?- Perguntou Tachibana curioso.

-É uma melhoria enorme, acabámos de descobrir uma coisa que não tínhamos a certeza. O coma é um fenómeno bastante desconhecido para a medicina mas agora temos provas de que quem está em coma consegue ouvir!- Respondeu o médico orgulhoso com a nova descoberta- Como ele tem consciência ele pode acordar a qualquer momento. Temos de ter esperança- Disse o médico pousando a mão no ombro do esverdeado.

-Obrigado doutor- Disse Tachibana antes do homem sair do quarto.

-Ouviste isto Haru? Há probabilidades de tu acordares a qualquer momento!- Disse o maior com um tom de voz alegre.

-Sim, mas isso só vai acontecer quando te declarares para mim, o que provavelmente não vai acontecer- Pensava o azulado tristemente.

(…)

O dia passou-se rapidamente, já era de noite.

Nanase pensava novamente em como fazer Makoto se apaixonar por si.

-Usar a consciência interior…- Dizia a voz interior de Haruka- Já sei!- Gritou animado- Vou tentar aparecer para ele num sonho durante a noite.

Passadas algumas horas, o menor queria colocar o plano em prática.

- Ei demon lover- Chamou Haru com esperança de que ele aparecesse.

-O que foi? Para que é que estás a chamar-me a estas horas? Um ser sobrenatural não pode dormir sossegado?- Refilava a voz numa cena cómica.

-Eu posso invadir sonhos?- Pergunta Nanase determinado.

-Ah, parece que descobriste como contactar Makoto- Respondeu a voz animada, isso era um passo que Haru tinha dado na sua missão de conquistar Tachibana- Sim, é possível.

-Como?- Perguntou o azulado curioso e ansioso para colocar o plano em prática.

-Só tens de pensar na pessoa e dizer as palavras mágicas: demon lover contactar, mas cuidado só lhe podes invadir 30 minutos do sonho.

-Certo, obrigada- Disse Haruka feliz com a resposta positiva à sua pergunta.

A voz desapareceu e Nanase fez o que ela lhe disse, proferiu as palavras enquanto pensava na pessoa que queria invadir os sonhos.

(…)

Makoto sonhava com uma das aulas de natação que ele deu no ensino médio. A ideia de ensinar crianças a seguir o sonho de nadar agradava-lhe bastante.

De repente no sonho aparece alguém que caiu dentro da piscina onde Tachibana ensinava as crianças.

-Makoto!- Disse o rapaz ao vir à superfície.

-Haru?- Perguntou o maior surpreso pelo melhor amigo ter caído sabe-se lá de onde para a piscina.

-Precisamos de falar, não tenho muito tempo- Respondeu o azulado enquanto aproximava-se de Tachibana e puxava-o para fora da piscina.

Foram para um lugar particular para poderem falar sem ninguém os interromper.

-O que se passa?- Perguntou o esverdeado preocupado.

-Tu agora não vais entender mas quando acordares eu preciso que faças uma coisa- Despejou as palavras de uma vez.

-O quê? Como assim acordar?- Perguntou o maior confuso.

-Agora não vais perceber. Eu vou explicar melhor: eu fui obrigado a fazer um acordo que se eu não o cumprisse dentro de cinco meses eu morreria. Passaram-se três meses e o ser com quem eu fiz o acordo colocou-me em coma, por isso agora preciso que por favor penses nos teus sentimentos por mim e chegues a alguma conclusão sobre eles. Por favor quando souberes admiti-os.

-Mas… Como assim?- Perguntou Tachibana surpreso.

Do nada apareceu um portal e Nanase entendeu, o seu tempo tinha terminado.

-Não tenho tempo de explicar, a decisão se eu vivo ou não está nas tuas mãos, até nunca Makoto.

-Haru!- Gritou o esverdeado enquanto acordava do sonho.

(…)

O maior acordou sobressaltado. Sentou-se na cama e passou as mãos sobre a cabeça demonstrando a sua confusão.

-Makoto?- Perguntou a sua mãe enquanto batia à porta.

-Eu estou bem- Respondeu voltando a deitar-se.

-Ainda bem, até amanhã- Despediu-se a mulher voltando para a sua cama.

Tachibana encarava o teto

-Será que aquilo é verdade ou foi apenas um sonho?- Perguntou-se a si próprio.

Um grande ponto de interrogação formou-se na sua cabeça:

O que ele sentia por Haruka?

(…)

A consciência de Nanase voltou ao seu corpo.

-Será que consegui?- Perguntou-se o azulado preocupado.

(…)

No dia seguinte Makoto voltou novamente ao quarto de Haruka.

-Olá Haru! Hoje tive um sonho estranho… Eu não percebi se aquilo era verdade ou não mas eu percebi uma coisa, eu tenho imensas saudades tuas! Eu não posso dizer ainda o que eu sinto porque nem eu mesmo sei, preciso de algum tempo- Finalizou segurando na mão do menor.

-Tempo é a única coisa que eu não tenho- Respondeu o azulado interiormente.

-Por favor, dá-me um sinal, qualquer coisa, eu sei que consegues ouvir-me!- Suplicou o esverdeado com algumas lágrimas nos olhos.

Haruka estava determinado, iria dar um sinal a Makoto, a sua vida dependia daquilo!

Com muita força de vontade, através dos seus pensamentos conseguiu envolver o seu “amor” em toda a sua mão e mexeu levemente o dedo acariciando a mão do melhor amigo.

Nanase sorria por dentro, tinha conseguido, tinha dado um sinal ao esverdeado.

Makoto arregalou os olhos com o carinho feito pelo azulado e logo sorriu com mais algumas lágrimas nos olhos.

Tachibana chamou novamente o médico que agradeceu-lhe pela informação.

-O coma já não é tão profundo, como ele consegue ouvir e reagir a estímulos como às lembranças de infância e ao amor através do toque do melhor amigo, então está a evoluir para o lado positivo!- Respondeu o médico com um sorriso no rosto.

Makoto saiu do hospital feliz e durante aquele dia Haruka não saiu dos seus pensamentos.

(…)

No dia a seguir, Tachibana voltou ao hospital.

-Olá Haru- Cumprimentou o esverdeado como sempre- Eu não sei como começar, mas os meus sentimentos estão bastante estranhos… O que eu sinto por ti está a mudar mas eu estou confuso.

Naquele momento o coração de Haruka acelerou e os “pips” da máquina do coração aumentaram rapidamente.

Makoto sorriu, aquela era a sua resposta. Nanase sabia o que sentia.

(…)

Os dias passavam-se rapidamente. Aos poucos Makoto foi pensando melhor naquilo que sentia e começou a lembrar-se de todos os momentos que tinha passado com Haruka, incluindo aquele momento que disse que gostava dele. Makoto sabia que o gostar de agora era diferente do gostar de antigamente.

Sim, Tachibana descobriu que gostava de Nanase num sentindo romântico.

(…)

-Faltam duas semanas para Makoto declarar-se… Se ele não fizer isso, eu morro- Pensou Haruka com uma expressão triste.

A voz apareceu novamente mas desta vez trazia um aviso.

-Eu acho que esqueci-me de referir uma coisa- Começou o ser sobrenatural.

-O quê?- Perguntou Nanase preocupado.

-Se a pessoa se declarar mas ela não for a tua alma gémea, a declaração fica sem efeito- Falou devagar.

Haruka arregalou os olhos e ficou com o dobro da preocupação que já tinha antes.

Makoto gostava dele? Seria ele a sua alma gémea?

(…)

Uma semana passou-se depressa.

Nessa semana Makoto percebeu definitivamente os seus sentimentos. Ele sacrificaria tudo para ver Haruka acordar. Nanase era a sua vida, o seu melhor amigo e a pessoa que ele amava.

Sim, amor. Como é que Tachibana percebeu isso em apenas uma semana?

Tudo começou quando ele finalmente admitiu os seus sentimentos. Aquele tinha sido um passo muito importante na sua vida. Gostar do seu melhor era uma experiência diferente, mas gostar do seu melhor amigo que estava em coma era ainda mais estranho.

Ao princípio, Makoto queria que Haruka acordasse, mas agora ele daria até a sua própria vida para que Nanase se curasse.

Foi em meio desses pensamentos que o simples gostar que ele pensava ser a palavra que descrevia os seus sentimentos mudou. Mudou para melhor, para algo chamado amor.

(…)

Faltava um dia para Tachibana declarar-se para Haruka.

Nanase estava confuso, Makoto gostava dele?

(…)

No último dia do acordo Makoto dirigiu-se ao hospital.

Após ter pensado muito decidiu falar a Haruka os seus sentimentos, já que ele próprio disse-lhe para admiti-los.

Ao chegar ao quarto sentou-se na cama como fazia nos outros dias todos.

-Olá Haru! Bem, eu decidi acreditar naquele sonho estranho que eu te contei e neste tempo todo eu finalmente entendi os meus sentimentos. Eu já te disse antes no ensino fundamental que gostava de ti, naquela altura era como um melhor amigo, mas agora é diferente, eu já não gosto de ti- Tachibana calou-se durante algum tempo.

Haruka estava chocado, então Makoto não gostava dele. Nanase estava muito triste, afinal iria morrer e nunca mais veria o esverdeado.

-Porque eu amo-te- Finalizou Makoto depois do silêncio momentâneo.

(…)

-Porque eu amo-te- Makoto disse com um ar feliz.

O azulado de repente foi envolvido num brilho azulado e pela última vez ouviu aquela voz:

-Devo informar que o meu trabalho aqui acabou, vocês são almas gémeas e agora podem ficar juntos.

(…)

Makoto encarava o chão. Sentia muito a falta do seu melhor amigo e agora que descobriu-se apaixonado por ele ficou triste por não poder ouvir uma resposta.

Haruka recuperava a consciência e devagar abriu os olhos vendo o esverdeado pela primeira vez em dois meses.

-Eu também te amo- Disse Nanase com a voz rouca fazendo Tachibana encara-lo com os olhos arregalados.

O menor sentou-se na cama e Makoto envolveu-o num abraço apertado.

-Eu senti tanto a tua falta- Disse o esverdeado com lágrimas nos olhos- Eu amo-te tanto- Repetiu com um sorriso no rosto.

Haruka quebrou o abraço para unir os lábios num beijo calmo repleto de sentimentos.

Ao separarem-se Nanase respondeu-lhe:

-Eu amo-te desde o ensino fundamental- Disse dando o seu melhor sorriso.

Makoto apenas limitou-se a sorrir e agradecer pelo seu melhor amigo ter acordado.

Num momento repentino um brilho amarelo envolveu os pulsos dos dois rapazes.

No pulso de Haruka existia a letra “M” e no pulso de Makoto a letra “H”.

-Este é o símbolo das almas gémeas, é uma lenda portuguesa, mas parece que virou realidade- Disse Makoto feliz ao encarar o pulso.

-Depois do que eu passei, eu acredito em tudo o que parece ser impossível- Afirmou Haruka arrancando uma gargalhada de Tachibana.

(…)

Toda a gente ficou feliz com o despertar de Haruka e fizeram uma festa de comemoração.

Os pais do azulado estavam bastante felizes, agora iriam recuperar o tempo perdido e voltar a viver como deve ser.

Nessa festa Tachibana pediu Nanase em namoro, que durou toda a vida, afinal eram almas gémeas.

E apesar de tudo, Haruka agradecia por ter participado numa experiência quase mortal.


Notas Finais




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