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História Uma Forma De Recuperar Sua Humanidade - Capítulo 16


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Notas do Autor


A partir desse cap eu vou mudar a escrita para ficar um pouco mais parecida com um livro, ainda vão ter alguns erros pq né kk mas acho que vocês não vão sentir muita diferença.

Capítulo 16 - Não Estou Sozinho


Fanfic / Fanfiction Uma Forma De Recuperar Sua Humanidade - Capítulo 16 - Não Estou Sozinho

Os alunos daquela sala do segundo ano ficaram impressionados. Nunca haviam visto aquela garota de pele pálida e cabelos longos, e na primeira vez que a viram, a mesma já havia causado uma forte impressão. Ela entrou na sala sem falar com ninguém, o que normalmente seria algo que passaria despercebido, entretanto Marceline tinha um estilo e aparência que se destacavam dos demais.

Os estudantes da sala achavam que ela era algum tipo de modelo ou algo do tipo. Marshall a encarava com um sorriso de canto estampado no rosto, enquanto a morena estava com uma expressão mais séria.

— Você já quer me pedir algo logo de cara? Não vai me nem perguntar como eu estou? Ainda somos da mesma família, não é? — perguntou Marshall ironicamente.

Marceline ignorou seu primo e começou a ficar incomodada com os olhares e a atenção que havia chamado da classe.

— Vamos sair daqui. Esses olhares já estão me irritando — disse ela, pegou o braço do rapaz e o arrastou para fora da classe.

Eles saíram da sala e andaram um pelo corredor, então pararam em um lugar um pouco distante da classe de Marshall.

— Ei, eu não acho que aconteceria algo legal se nos pegassem conversando tão tranquilamente aqui — comentou Marshall sorrindo.

— Não tem problema, nós somos primos porra — disse Marceline encostando na parede.

— Tem razão. Mas então, o que você quer, Marce? — perguntou o rapaz também encostando na parede.

— Não me chama assim — ordenou lançando um olhar ameaçador ao moreno.

— Para de ser chata e fala logo. — falou Marshall suspirando.

— Eu preciso que você me ajude com os boatos que estão rolando. — disse seriamente.

— Não te entendi, prima. — declarou ele.

Marceline suspirou e depois disse claramente:

— Eu quero acabar com esses boatos sobre Finn Mertens.

— O quê? Você quer acabar com eles? Você sabe que isso é meio impossível, né? Além disso, você não tem nada a ver com isso. Por que você iria querer ajudar esse garoto que você nem conhece? — perguntou Marshall, confuso.

— Sim, eu não tenho relação nenhuma com ele, mas a Fionna tem. Ela tá namorando ele, e tenho certeza que uma hora ela vai acabar fazendo algo imprudente para ajudar e acabar estragando tudo — explicou Marceline.

— Como você tem tanta certeza de que isso vai acontecer? — perguntou a ela novamente.

— Intuição feminina — ela respondeu.

— Você tá falando sério? Você só quer ajudar ele por causa dessa sua intuição feminina? — perguntou ele, com uma cara de desgosto.

— Você vai me ajudar ou não? — respondeu com uma pergunta.

— Você sabe o meu modos operante. Se você me mostrar a cor do seu dinheiro, eu levo até um tiro por você — disse abrindo um sorriso a ela.

— Você continua o mesmo mercenário de sempre, não é? Tenho certeza que seus pais te dão mesada, estou errada? — indagou suspirando e pegando sua carteira no bolso de trás da calça.

— Dinheiro nunca é pouco, prima — sorriu. — Posso fazer um desconto para você, já que é da família.

— Vou aceitar sua oferta. Quanto você quer? — indagou abrindo a carteira e pegando algumas notas.

— Cento e cinquenta.

— O quê? — Arregalou os olhos, surpresa, enquanto ele apenas ria. — Você não ia me dar um desconto, porra!?

— Esse é o desconto. Normalmente, seria duzentos e cinquenta. Estou te dando cem reais de desconto — explicou Marshall.

— Seu maldito... — disse Marceline pagando o rapaz à vista. — Não vou me esquecer disso.

— Foi um prazer fazer negócios com você — sorriu para garota.

E coincidentemente, quando o acordo entre eles foi fechado, o sinal para o começo das aulas toca, e os alunos voltam para suas salas, e mais um dia letivo começa. Na sala de Finn e Fionna, o clima estava um pouco pesado. Os alunos ainda não haviam esquecido o ocorrido do dia anterior, e pra piora a situação, quando chegam na escola no outro dia já tinham aparecido mais boatos relacionados ao loiro.

Todos encaravam Finn descaradamente, ninguém ligava se ele estava percebendo ou não. Era a primeira vez na vida escolar de Finn que ele era tão observado e odiado pelos outros. O garoto nunca chamou atenção, mas também não era odiado, apenas era alguém que passava despercebido; o que trouxe uma certa saudade daqueles pacíficos dias.

Depois de ser muito “baleado” com os olhares de seus colegas, o intervalo chega para aliviar a tensão que o rapaz havia passado. Fionna novamente vai até o conselho estudantil novamente, o que faz Finn refletir sobre aquilo:

— Merda, a presidente também está do lado daqueles vermes. Mas por que ela faria isso? Mesmo que eu saiba a resposta não iria mudar muita coisa. Enfim, parece que vou ficar sozinho mais uma vez — pensou.

O loiro decidiu passar o intervalo em um banco no pátio da escola, mesmo sabendo que chamaria muita atenção estando ali. E assim aconteceu, depois de comer seu lanche, cinco garotos com faixas e ferimentos por todo o corpo apareceram diante dele e começaram a falar com ele.

— Você não se cansa de fazer isso com os outros, cara? — perguntou um dos rapazes que estava menos machucado.

— O-O-O que aconteceu com vocês? Eu não bati em vocês tanto assim para adquirirem ferimentos desse nível! — disse Finn levantando do banco surpreso.

— Como pode mentir dessa forma? — perguntou um outro rapaz, se aproximado de Finn com uma muleta. — Tenho certeza que você lembra do cara que você subiu em cima quando ele já estava debilitado. Nesse exato momento, ele está no hospital se recuperando do que VOCÊ fez! — completou colocando um dedo no peito de Finn.

Alguns alunos que estavam nos bancos em volta começaram a cochichar e encarar eles conversando.

— É melhor nós irmos antes que ele decida bater em nós novamente, cara — falou um rapaz que estava quieto até então.

— Tem razão, é melhor nós irmos.

O quarteto apenas olhou Finn com desdém e se retirou do local. Olhar o estado que eles estavam fez o loiro sentir um misto de sentimentos de raiva e pena. Dito isso, ele decidiu sair dali para tentar esfriar a cabeça. O loiro andava pelos corredores da escola, enquanto era constantemente encarado pelos outros alunos, andar pela escola não tinha sido a melhor ideia para se acalmar.

Ele já havia andado tanto que acabou voltando para o corredor das salas de aulas, lá viu vários alunos em frente suas respectivas salas e outros avulsos por ali. E de repente, o garoto escuta alguém chamar seu nome, aquele era Victor. Quase que imediatamente, todos voltaram sua atenção para ele e fizeram silêncio para prestar atenção no que estava por vir.

— Finn Mertens, o estudante com um comportamento violento que se agrava cada vez mais. Você está se tornando um problema cada vez maior para o nosso espaço acadêmico. Você não se envergonha disso? — indagou Victor, a uma certa distância e com um sorriso estampado no rosto.

— Você sabe que eu não deixei eles daquele jeito! — respondeu Finn, um pouco furioso.

— Não, eu não sei. Nem assumir a responsabilidade pelos seus atos você consegue? Tem provas de você espancando os cinco rapazes — constatou Victor.

— Eu estava me defendendo, porra! Além disso, eu também estou ferido, caralho! Você não consegue ver!? — disse apontando para as ataduras no rosto. — É praticamente impossível uma única pessoa machucar outras cinco até elas ficarem tão feridas assim!

— Uma pessoa normal, talvez. Mas se tratando de você, Finn... Seu passado mostra que é claramente possível — afirmou Victor fazendo uma cara triste e depois sorriu disfarçadamente para o loiro.

— Seu desgraçado! — disse Finn rangendo os dentes. — O quanto você se diverti estragando a vida de outras pessoas!?

— Eu estragando a vida dos outros? Eu acho que você não está olhando ao seu redor, Finn. — disse Victor gesticulando e mostrando a multidão de alunos que olhavam Finn com desprezo. — Uma única pessoa conseguiu ser desprezada por todos da escola, e essa pessoa é você, exclusivamente você.

Depois de ouvir aquilo de Victor, as frases dos variados alunos começavam a ecoar na e entrar na cabeça do loiro, algumas delas diziam:

— Ele tem problema mental?

— Esse cara não tem empatia com os outros?

— Um ser humano sendo selvagem como um animal, que deplorável.

— Ele não tem amigos com quem se importa?

— Ele é apenas um solitário de merda.

Aquelas vozes começaram a ser cravadas na pele e na do rapaz. E novamente, ele sentia algo dentro dele rachando, o que fez ele pensar:

— Eu realmente estou sozinho... Eu achei que estava mudando, mas novamente as pessoas com quem me importam se afastaram... Fionna, onde você tá? Jujuba, pra falar a verdade, eu não queria que você se afastasse de mim.

— Finn, você devia apenas se ajoelhar e pedir desculpas por todo o mal que você vem trazendo para essa escola — declarou Victor.

 Ouvir aquilo foi a gota d’água para o loiro, ele sentiu aquilo que estava rachado dentro dele se quebrar de vez. E num breve segundo de fúria, ele avançou até uma das janelas do corredor e socou a mesma, deixando-a em pedaços, e com a mão cheia de sangue.

O movimento tomado pelo rapaz surpreendeu a todos. Ninguém esperava que ele fosse fazer algo tão imprudente. Seu rosto foi cortado por conta de alguns cacos que voaram e por pouco não acertaram seu olho. Por sorte, nenhum outro aluno se feriu com o vidro, pois se afastaram de Finn ao ver ele chegar perto da janela.

Entretanto, ver o loiro em uma situação degradante foi o estopim para todos revelarem o que realmente pensavam.

— Olhem isso, esse otário deu um soco na janela!

— Esse cara é totalmente louco!

— Como alguém pode ser tão idiota?

As vozes riam e caçoavam da situação de Finn, que naquele instante, estava tomado por um sentimento que nunca havia sentido, ódio genuíno. Aquelas risadas apenas aumentavam exponencialmente a raiva do rapaz, que decidiu ir para cima de Victor, que tinha um sorriso vitorioso no rosto.

Porém, ao dar um passo em direção a ele, sentiu seu braço que não estava ensanguentado ser segurado por algo. Ao se virar, ele vê Jujuba o segurando e com os olhos marejados.

— P-P-Por favor, Finn... Não se machuca mais que isso... Por favor! — disse Jujuba tentando segurar as lágrimas cada vez mais.

— P-Por que você... — disse Finn sem forças, logo depois desabou de joelhos.

O loiro já estava exausto, pensar que o recreio daquele poderia ser um tempo para descansar foi um dos maiores enganos que ele havia cometido. A dor aguda em seu braço direito começou a aparecer aos poucos, mas ver Jujuba o ajudando daquela forma fez ele esquecer totalmente o ferimento no braço.

Depois disso, uma professora chegou no local e viu o que estava acontecendo, e mandou os alunos saírem dali e foi com Finn até a enfermaria. No caminho, o silêncio prevaleceu entre eles, Jujuba e Finn sabiam que aquilo poderia resultar em algo muito ruim.

Chegando lá, a enfermeira tratou dos ferimentos do rapaz e depois a professora foi conversar com ele. Ela começou a falar e Finn apenas assentia com a cabeça enquanto escutava. Depois de algum tempo, ela saiu de lá, deixando Finn e Jujuba a sós. O silêncio prevaleceu entre os dois, até Finn quebra-lo dizendo:

— Você não fez o que eu te pedi. — disse Finn sorrindo para ela.

— Como eu poderia deixar alguém como você sozinho? Você iria matar ele se eu não tivesse aparecido. — comentou sorrindo de volta para o rapaz.

— Verdade.

Novamente o silêncio havia tomado conta do local, mas mais uma vez Finn fez questão de quebra-lo.

— Quer saber de uma coisa, Jujuba? Na verdade, eu menti quando disse que pra você se afastar de mim. Eu estava com medo e queria que você ficasse do meu lado, mas não falar isso pra ti... É por isso eu quase... — Começou a tremer de raiva.

— Eu sei, Finn. Você pode se acalmar, agora já está tudo bem — disse Jujuba colocando a mão em cima da mão do rapaz.

— Obrigado, Jujuba.

Ao terminar de agradecer sua amiga, a porta da enfermaria abre de forma brusca, e ao olharem, eles veem uma loira completamente ofegante. Ela correu em direção ao garoto e o abraçou fortemente e depois começou a falar:

— Me perdoa, Finn. Se eu estivesse do seu lado, não teria chegado a esse ponto. — disse Fionna sussurrando no ouvido do loiro.

— Não tem como eu não te perdoar recebendo um abraço desses. — retribuiu o abraço. — Mas agora já está tudo bem, agora eu sei que Não Estou Sozinho.

Aquilo que foi quebrado dentro de Finn se dividiu em muitas partes, mas por conta daquelas duas, os pedaços que foram separados começaram, de pouco a pouco, se juntar novamente.



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