História Uma garota muito especial - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Tags Amor, Desilusão, Futebol!, Homossexualismo, Preconceito
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Palavras 1.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Vidas em segredo


— Lucas, o que você está fazendo aqui? Ian viajou — Daniela perguntou, impaciente, ao abrir a porta.

— Eu sei — ele falou, com um sorriso torto, sem se importar com a recepção pouco amistosa. —Por isso mesmo, eu estou sozinho, você está sozinha, imaginei que poderíamos fazer companhia um ao outro. Além do mais trouxe a melhor pizza da cidade — respondeu, entregando-lhe a caixa quadrada e fina em sua mão.

— Pizza? Não sei se uma boa ideia. Sua namorada não pode lhe fazer companhia? — indagou de um jeito irônico.

— Eu não sei por onde Vivian anda, deve estar fazendo algum edital de moda em Milão, China ou Budapeste, não me interessa. Posso entrar ou vamos ficar conversando aqui na porta?

— Tenho escolha. Entre! — Ele passou por ela e, com a maior intimidade, foi até a sala e se instalou no sofá, reparou na garrafa de vinho e na taça meio cheia, sobre a mesa, e na música da playlist romântica de Ian.

— O que é isso? – disse abrindo os braços.  Ela colocou a caixa sobre a mesa de centro.

— Eu só estava aproveitando a noite.

— Aproveitando a noite? Ainda bem que cheguei para salvar você — disse com desdém.

— Não preciso ser salva — Daniela o fitou, chocada.

— Podemos ir para algum lugar e, realmente, aproveitar a noite de um modo mais divertido.

— Não posso mais ser vista com você, já tivemos sorte antes. Não quero insinuações sobre nos dois nas redes sociais e nos tabloides de fofocas.

 — É, você tem razão. Vivian me mataria, apesar de ser alemã, ela tem um temperamento de latina —revelou, olhando o rótulo do vinho.

— Quer um pouco? — Daniela perguntou, Lucas franziu o nariz.

— Não, obrigado. Prefiro uma cerveja.

— Eu vou pegar para você — Ela saiu em direção a cozinha e ele relaxou, se reclinando no sofá, apoiando a cabeça nos braços.

Daniela voltou, trazendo pratos, talheres e uma pequena garrafa de cerveja, que lhe entregou e ele a abriu, tomando um grande gole direto no gargalo.

— O que você está fazendo aqui, Lucas? — quis saber, colocando os utensílios sobre a mesa de centro.

— Já disse, eu estou sozinho e você também...

— Não é isso que quis dizer, afinal o que quer de mim? – ela perguntou, o encarando com uma expressão séria.

— Conhecer você melhor. Eu já disse que gostei de você.

— Sou namorada do seu amigo.

— Eu sei, por isso, não estou dando em cima de você, só estamos fazendo companhia uma ao outro. Vamos comer?

Daniela sacudiu a cabeça, rindo, sentaram-se no chão e começaram a se servir, os pedaços de pizza desapareceram com rapidez.

— Não entendo como você e Ian podem ser amigos, vocês são tão diferentes.

— Isso é fácil, somos conterrâneos em um país estrangeiro, isso une as pessoas, mesmos as muito diferentes, como nós dois. Por que não foi com ele, nessa viagem?

— Ele não me convidou, disse que era uma viagem de negócios — Ela deu de ombros, ele tomou um longo gole da sua cerveja, sem desviar os olhos dela, o que a fez sentir exposta, quase como se tivesse nua e gostou disso. Gostava do modo que Lucas a olhava, se sentia desejava, sensual. Uma tentação. Nem se lembrava quando alguém a fez se sentir assim antes. Estava naquela cidade linda e exuberante, presa a uma mentira, ao lado de alguém que nunca a olharia assim, nunca seria seu. E, agora, estava com aquele homem, aquele anjo demoníaco bem diante dela, com aqueles olhos quentes cheios de promessas. Pensando assim, estendeu o braço e pegou sua taça e tomou um longo gole de vinho.

Whitney Houston começou a cantar I always love you, Lucas se levantou e estendeu a mão para ela.

— Já que vamos ouvir essas músicas um tanto...

— Românticas — completou com um sorriso na voz, olhando para a mão dele.

— Românticas. Podemos dançar

— Por que não? — Ela aceitou o convide, segurando a sua mão, se levando. Ele a envolveu suas costas com os seus braços, começaram a dançar bem devagarinho.

Ela tinha consciência que caía em uma armadilha. Arrepiou-se com a respiração dele quente sobre sua pele, seu cheiro almiscarado e o calor das mãos transpassando sua roupa. Fechou os olhos e colocou sua cabeça sobre o ombro dele, o mundo girava lentamente ao compasso da música, e seus braços a estreitaram ainda mais. Ele segurou o queixo dela e ergueu seu rosto, seus olhos se encontraram e se fecharam, quando seus lábios se acharam, por um breve instante.

— Não! — Daniela deu um passo para trás. — Você não devia estar aqui! Não devíamos estar fazendo isso! Não está certo! É melhor você ir embora, agora, Lucas.

— Você realmente quer que eu vá? — Ele a encarou, ela vacilou por um breve instante.

— Não! Eu quero muito você — respondeu, o puxando contra si, suas bocas se encontraram em um beijo insano, as mãos deslizaram pelos corpos, em carinhos tempestuosos, ele a ergueu e a levou para o sofá. Deitando-se sobre ela.

 

Encostado na fina parede do reservado do banheiro, feliz e saciado, Ian respirava ofegante, sem se importar com o cheiro acre de urina e desinfetante, sem escuta o burburinho a redor. Em um reflexo, ajeitou a máscara, levantou a calça e olhou para o seu parceiro parado do outro lado, ainda com as calças abertas e um sútil sorriso nos lábios. Ian esticou a mão e lhe acariciou o belo rosto, seus lindos olhos azuis cintilavam tais quais estrelas. Como gostaria de conhecê-lo melhor, saber seu nome, ver seu rosto sem máscara, tê-lo sem restrições.

— I would like a cigarrete, now — o rapaz falou, se espreguiçando.

— I don’t smoking — Ian respondeu. — I need to go. — Sabia que era o momento de partir.

— My hot Cinderela, why so fast?

— It’s late. I have to go.

Ian estendeu o braço e o puxou pela nuca, para um derradeiro e insano beijo.

— Stay — pediu, com os olhos ternos, Ian quase vacilou e ficou.

— I can´t. Good bye.

— Good bye — seu anômino amante sorriu.

Um tanto relutante, Ian saiu do banheiro e da boate, tirou e jogou a máscara em uma lixeira, caminhou pelas ruas escuras e pouco movimentadas por algum tempo, por alguma distância, até encontrar um táxi, para voltar ao hotel, recostou a cabeça no assento, mais leve e feliz, precisava daquele momento, do toque quente e possessivo sobre a sua pele, dos beijos ardentes, mesmo sendo fugazes, mas não tinha escolha, se quisesse manter o que tinha, precisaria ser assim, uma vida em segredo.

 

— Lucas! Você precisa ir agora — disse com a voz branda, deitada sobre o peito dele, passando a mão suavemente pelo seu peito.

Ele murmurou uma negativa e abriu os olhos, piscou duas vezes.

— Você tem razão — Levantou e começou a se ajeitar.

— Por favor, vamos esquecer que isso aconteceu.

— Se isso que você quer — respondeu, em tom sombrio.

Não era isso que ela queria, mas o que tinha de ser.



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