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História Uma história de amor e ódio (lawlight - light x lawliet) - Capítulo 38


Escrita por: nucifera

Notas do Autor


Boa leituraaa <3

Capítulo 38 - POV L: deixe queimar


Fanfic / Fanfiction Uma história de amor e ódio (lawlight - light x lawliet) - Capítulo 38 - POV L: deixe queimar

O som do sino fez Lawliet virar a cabeça para a janela de seu quarto, dando aos olhos um descanso da tela brilhante do computador à sua frente. Está chovendo. O badalar dos sinos transportou-o para a sua infância.

Um órfão que nunca pertenceu a nenhum lugar e a ninguém, que preenchia seu vazio com açúcar na vã esperança de que a dopamina pudesse lhe trazer alegria e regular seu sono, mas, ainda assim, toda noite era igual. Os pesadelos voltavam, então Lawliet acordava e ia para o pátio escuro, mergulhava no breu da vida para não ser capturado pelo breu do buraco que lhe ocupava o peito.

– Ei, você pode abandonar o computador por uma noite?

A voz suave de Light desperta o detetive, que ainda está olhando para a chuva torrencial e escutando o badalar do sino. Não há sino. Vira o rosto para a tela do computador e bufa um sorriso.

– Você fica muito suspeito assim, me atrapalhando na investigação.

Sente sua mão da corrente sendo puxada, junto com a cadeira de rodinhas ao qual está sentado e não luta contra isso. Lawliet se deixa puxar e encontra Light sorrindo presunçosamente. Agora com a cadeira colada à cama, pula preguiçosamente até o colchão.

– Oi. – Light diz, ainda sorrindo, e com os cotovelos apoiados na cama.

– Oi. – L responde e roça seu nariz no dele.

É sempre assim quando estão juntos. Light desperta L para a vida. Agora suas preocupações, sua infância, seus pesadelos, o sino, o caso Kira foram todos substituídos pela boca de Light contra a sua, e tudo que ressoa no quarto são suspiros e gemidos e estalos de beijos molhados.

– O que você está pensando? – Light pergunta, sua voz abafada pela boca do outro. L se afasta um pouco para observar sua expressão facial, e coloca um dedo na boca para ajuda-lo a pensar.

– No caso. – Responde, como se fosse óbvio.

– Eu acho que você está mentindo. Você está pensando em outra coisa.

– Como você sabe disso? – L pergunta sinceramente, sentindo uma pontada no coração, surpreso com o quanto Light o conhece bem. Será que nascemos um para o outro? – Eu estava pensando no orfanato.

– Do Watari?

– Sim. Wammy’s House.

L tem plena consciência do quão perigoso é dizer à Light todas essas informações sobre o seu passado, e acredita que Watari ficaria muito decepcionado. No entanto, é incapaz de se conter. Seu amor por Light não é motivo de orgulho pessoal, muito menos profissional. Eu sou um detetive, o que há de errado comigo? Seus ombros caem em desânimo. Sou apenas um detetive, ou sou um humano? Sou o detetive L ou o homem L Lawliet? Eu não sei.

Mesmo assim, continua contando o que lhe vem à cabeça para Kira:

– Quando fui escolhido por Watari, eu meio que sabia o que me aguardava. Watari me perguntou se eu sabia por que ele estava me adotando. Eu disse que não, no entanto. Testar as pessoas sempre foi uma habilidade minha. E então ele me disse que eu era uma criança muito especial. Me senti confuso, e perguntei por quê eu estava sendo levado para outro orfanato. Eu estava cansado de orfanatos. Watari me disse que não era um orfanato comum, e em pouco tempo comecei a passar por inúmeros testes e jogos de inteligência. Eu gostava disso. Ainda gosto, na verdade. Em pouco tempo Watari descobriu minha paixão por doces, e sempre me presentava quando eu vencia um desafio. Logo me destaquei das outras crianças, e desde muito cedo, carreguei a responsabilidade de me tornar um detetive e lutar pela justiça.

– E você queria isso?

– Eu não sei. Acho que sim.

Um silêncio se estende no quarto enquanto L reflete sobre suas palavras. Eu sempre aceitei o destino que me foi concedido. Se não fosse por Watari, talvez eu estivesse morto agora.

– E você já teve alguém? – Um sorriso divertido se abre na boca de L, atrás de seu polegar. Essa é uma resposta suficiente para Light entender, que franze o cenho em ciúme. – Como ele era?

– Harry. Ele era... Interessante. Inteligente. Não como você, é claro. Ninguém é como você. – Sua expressão começou divertida, mas acabou em um sussurro triste, como uma confissão que ainda não havia feito em voz alta. Light pareceu satisfeito com a resposta, e sorriu presunçoso. – Ele foi adotado um pouco depois de mim, e costumava me seguir pelos corredores. Eu acho que entendia a sua solidão. Mas, no final, ele tentou me matar. – Quando Light abriu a boca assustado, L deu de ombros e soltou uma risada fraca. – Talvez eu tenha um interesse estranho por pessoas que tentam me matar? – Foi uma pergunta, mas só o próprio detetive pode responde-la.

– Ei! Eu não tentei te matar.

– Uhum.

– Hmm... E ele era bom com você?

– Na maior parte do tempo, sim. Muito bom, na verdade.

Light faz uma carranca de novo, e L acha muito divertido arrancar tais expressões do mais novo. Light se aproxima e lentamente L se deixa deitar na cama, com Light em cima dele. Sente a boca macia e quente no seu pescoço, e estica para expor mais pele.

– Ele fazia isso com você? – Light pergunta enquanto passa a língua por sua pele pálida e fria, e L estremece e solta um gemido contido com o toque. Parece que essa é a resposta que Light precisava para começar a passear a mão pelo abdômen do detetive, por baixo da camisa. – E isso? – Light pergunta novamente quando sua mão para no zíper da calça, e então por um instante tudo que ecoa no quarto são suspiros de L e o barulho do zíper se abrindo. Em resposta, L enlaça sua perna na cintura de Light e busca sua boca com uma necessidade violenta que é rapidamente correspondida.

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– Veja esta lista, chefe. – Mogi diz para Soichiro, que pega os papéis contendo as informações dos membros da Yotsuba.

L já reviu tais papéis inúmeras vezes para ponderar algumas hipóteses. Kira está apoiando a Yotsuba, ou é um deles. O detetive aposta na segunda opção. Antes de levar um garfo com bolo à boca, avista seu amante e suspeito com o olhar vago.

– Light? – Sussurra, baixo o suficiente para apenas Light ouvi-lo. Parece que sua voz o desperta.

– Hã?

– Está tudo bem?

– Sim. – Light comenta, e imediatamente L percebe que algo está errado. Porém, este não é o lugar nem o momento para questioná-lo.

– Quer um pedaço de bolo? Talvez você esteja triste que eu vá comer tudo sozinho, não é? Tome. Vai fazer bem para você.

– Er... Não, Ryuzaki, obrigado.

– Ryuzaki. – A voz de Watari através do monitor corta a sala. Todos olham em sua direção.

– Estou aqui, Watari.

– Acabei de receber um sinal de emergência do cinto do Matsuda.

L suspira. Droga, Matsuda!

– Onde ele está?

– Parece que está vindo de dentro do escritório central do grupo Yotsuba.

– Oh, Deus. – L e Light suspiram ao mesmo tempo.

– Me passe o telefone. – L pede para Light, com a mão estendida. – Sou eu, Asahi! – L exclama quando Matsuda atende. – Quanto tempo, cara! Não parece que você está na rua. Ainda está em casa? ... Você está sozinho? ... Quer sair para um drinque hoje? ... O que está rolando? Não me diga que você está com problemas de grana. ... Ok então, a gente se vê outro dia. Até mais, parceiro. – Matsuda, seu idiota. L devolve o celular à Light e suspira, levando dois dedos para massagear a testa tensionada. – Matsuda está sozinho e com problemas. Light, ligue para Misa Amane, por favor.

Quando Misa atende, Light coloca no viva voz, e Lawliet sente dor de cabeça com a voz estridente da garota.

– Light!! Desculpa estar trabalhando tanto. Já está acabando, ok? Logo mais estou de volta para ficar aí com você.

L sente uma pontada de dor no coração, e Light o observa, parecendo incomodado e envergonhado. No entanto, sua resposta é fria e objetiva.

– Misa, você não está com o Matsuda, está?

– Ele é um incompetente! Foi embora e me deixou aqui. Espera, Mattsu está me ligando no meu outro celular.

– Peça para ela segurar o telefone de um jeito que possamos ouvir. – Lawliet direciona ao seu amante, sua voz soando mais amarga do que pretendia.

– Misa-Misa! – A voz de Matsuda ressoa no telefone. – Quando acabar a filmagem, vem aqui no escritório da Yotsuba. Não é certeza, mas eles estão interessados em fechar um contrato para que você faça os comerciais deles. Estamos conversando sobre isso.

– É mesmo?! – Misa responde. – Você é demais, Mattsu! Então era isso que você estava aprontando! Vou aí agora mesmo.

L pega a manga comprida da blusa de Light, na intenção de chamar a atenção de seu amante, e então diz, sua voz soando determinada, e seu cérebro trabalhando da maneira que apenas o melhor detetive do mundo é capaz.

– Light, eu tenho um plano.

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– Isso foi divertido! – Light exclama como um adolescente, e cai na cama macia com um sorriso no rosto. L o acompanha.

– Não, não foi. Matsuda é um idiota.

– Foi interessante sair um pouco desse prédio, pra variar.

– Sim, mas Matsuda poderia ter colocado tudo a perder. – L aponta, enquanto envolve Light com os braços e deita a cabeça em seu peito. – Definitivamente não estava nos meus planos ter que salva-lo das próprias decisões estúpidas e impulsivas.

– Sim. Mas você é um gênio e o detetive mais competente que eu conheço, então Matsuda está em boas mãos.

Mesmo sem olhar, L sabe que Light está sorrindo, e sorri também, enquanto seu indicador passeia em círculos pelo peito de Light. Ultimamente, L está dispensando os membros da força-tarefa às oito horas da noite, e está indo para o quarto com Light, ambos sempre ansiosos para descansar. E em algum momento eles realmente descansam. Lawliet tem dormido profundamente desde que se envolveu com Light, e isso tem lhe dado bons resultados para a investigação. Falta pouco para a conclusão do caso, L reflete, e um frio na espinha o percorre com o prenúncio do que pode vir a acontecer. Em meus ossos, eu sei que o Light de antes tinha um plano. Eu sei que ele tinha um plano para receber o poder de volta. Será que vai dar certo? Quem vai ganhar? Light e eu, ou Kira? Levantou a cabeça para fitar o mais jovem. Tão lindo, pensou enquanto seus dedos acariciam o rosto que deslumbra. Light abaixa os olhos para encará-lo.

– Mais cedo, você estava pensativo. O que foi? – O detetive questiona quando seus olhares se encontram.

Light bufa uma risada antes de responder.

– Nada escapa de você, não é? Eu... eu estava pensando em Misa.

– Oh. – L leva sua mão que antes acariciava as maçãs do rosto de Light para a cintura e o aperta em um abraço, desviando o olhar do mais novo.

– Seja lá o que você está concluindo nessa sua cabecinha, não é isso. – Light informa, parecendo sorrir. L suspira. – Eu me sinto mal por não retribuir o que ela sente por mim.

L se afasta de Light para sentar e encará-lo apropriadamente. A expressão normalmente neutra de Lawliet está agora brilhando de raiva.

– Oh, Light. Então porque você não vai lá agora falar com ela? Posso deixa-los a sós, se você quer tanto isso. Tente conhece-la melhor, quem sabe assim você encontre algo interessante. Boa sorte com isso.

Light imediatamente se senta na cama para encarar o detetive em um ângulo melhor, e levanta a mão espalmada em sua direção.

– Não, L, você está entendendo tudo errado. Eu não sinto nada por ela. E não vejo como poderia vir a sentir algo, porque... – Light engole em seco e L mordisca o dedo em expectativa. – Eu quero ficar com você, L. Não com ela. Eu estava pensativo porque não quero que ela continue achando que tem alguma esperança de ficar comigo. Quer dizer, eu nunca incentivei nada disso.

– Na verdade, você incentivou sim.

– Ok. Me escute. Eu nunca questionei minha sexualidade antes. Na verdade, eu nunca senti nada por ninguém antes. Não da maneira como eu sinto por você. Então, isso significa que eu sou gay?

Light parece mais jovem do que realmente é e L sente uma ternura invadindo todo o seu corpo, que relaxa, assim como a sua expressão.

– Eu não sei. Você é, Light?

– Eu não sei. Eu só sei que eu gosto de você.

– E eu sou um homem. – O detetive lembra.

– Eu sei.

– E Misa Amane é uma mulher.

– Eu me sinto mal toda vez que ela fala comigo. Eu sinto que estou enganando ela.

– Bom... você está. Enquanto você não for sincero, ela vai fantasiar que vocês são namorados.

– Sim. Você está certo. Eu vou conversar com ela assim que possível. Vou ser direto e sincero e desejar que ela seja feliz com outra pessoa.

Misa Amane era um peão de Kira, o pensamento ocorre ao detetive. O que significa que ela era útil de alguma forma. Misa Amane tinha o poder de matar apenas com o rosto, enquanto Light tinha o poder de matar com rosto e nome. E agora, Light está do meu lado. Light, você está pronto para encarar a verdade?

– Light, eu tenho que te mostrar uma coisa.

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L e Light estão na sala de cinema particular do detetive. O último vídeo da gravação da noite em que Mello morreu finalizou, e agora L está mostrando na tela grande imagens da tragédia em que Mello se encontrou, morto por overdose quando nunca teve nenhum vício em drogas. L estende para Light, que pega com a mão trêmula, um laudo do psiquiatra que atendia Mello na Wammy’s House, notificando o fato de que Mello nunca teve tendências às drogas ou ao suicídio.

Farto de ver as imagens grotescas de morte à sua frente, L desliga o televisor. Light está suando frio, tremendo, e com os olhos arregalados, encarando o nada.

– Light, não se preocupe.

– Não me preocupar?! – O grito de Light ecoa pela sala vazia e é cruel aos ouvidos do detetive, que se encolhe com o susto. – Eu sou um monstro! E você sabe disso! Ryuzaki. – Light aperta o pulso livre de L, que olha para ele, ambos com os olhos arregalados, fitando o rosto um do outro na escuridão do cinema particular. – Você tem provas suficientes para me incriminar. Se você não fizer isso, então eu vou. Eu vou sair daqui e vou confessar. É isso. Eu não sei porque você guardou isso por tanto tempo. Na verdade, Ryuzaki, isto que você está fazendo é cruel. Eu me apaixonei por você, sabia? Você poderia ter me poupado disso. Você poderia ter me incriminado, e então... Seria mais fácil. Seria mais fácil para ambos. Então eu poderia simplesmente te odiar por me incriminar, mas no momento tudo que eu consigo sentir é que eu me odeio, o que eu fiz é nojento e não tem perdão, e não é mais fácil decidir morrer pelos meus crimes quando tudo que eu quero é viver com você. É isso que você queria, L? Você queria me mostrar que eu poderia ter uma vida de oportunidades, que eu poderia ter você, mas estraguei tudo. É isso? – L abre a boca, mas não sai nenhum som. Light não espera muito, e grita, o som cortante e frio. – Me responda!

– Light. Light. – L pronuncia o nome como em uma prece, segurando o rosto trêmulo e molhado de lágrimas do outro. Light o encara e seus olhos castanhos avermelhados são a única luz na escuridão. – Eu sei que é muito para processar. Eu tive um tempo para processar tudo isso também. Mello era meu amigo. Eu quis matar você. Mas, eu não posso. Eu não posso te matar por isso. Agora eu entendo. Kira era uma maldição, e você está livre. Nós vamos superar isso, ok? Eu precisava te mostrar a verdade. Eu sei que é difícil, eu sei que dói, mas apenas a verdade é capaz de curar a ferida. Vai ficar uma cicatriz aí – L explica, levando uma das mãos até o peito de Light, na direção de seu coração. – Mas vai curar, eu vou cuidar de você. Eu tenho um plano e preciso que você me ouça. Eu vou ajuda-lo, porque eu te amo.

Os olhos de Light brilham por um momento, e L se sente enrubescer. Nunca amou ninguém na vida, e sabe como é desgrenhado para demonstrações de afeto, mas guardar seus sentimentos estava se tornando insuportável. É a verdade, Light Yagami. Eu te amo. Eu te amo desde quando você era o Kira.

– E qual é o seu plano? – Light sussurra com a voz trêmula.

– Nós vamos pegar o caderno. E nós vamos queimar o desgraçado. 


Notas Finais


E ai, o que estão achando? :3


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