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História Uma lenda no País das Maravilhas - Capítulo 4


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Notas do Autor


Demorou um pouquinho, mas voltei com mais um cap.

Boa leitura!

Capítulo 4 - Não perca a cabeça


Depois do almoço do dia seguinte receberam sob a porta dupla um elaborado convite para o Jogo Oficial de Críquete. O evento acontecia anualmente quando a Rainha estava no Reino, sempre no final do outono quando a neve rosada sequer ameaçava enfeitar todo o terreno do País das Maravilhas e antecedia o Grande Chá Anual que era no final da estação seguinte.  

Kristin analisou o convite vermelho cuidadosamente e rompeu o selo negro da Rainha, lendo seu conteúdo com a autorização da Princesa de Copas. 

— A presença da Princesa de Copas para o Jogo Oficial de Críquete é solicitada. Você jogará o jogo final contra o Valete de Copas e a Rainha de Copas. 

Regina ergueu a cabeça e fitou alarmada sua dama de companhia.  

— Como contra a Rainha de Copas?! Leu corretamente, Kris? 

— Certamente, alteza, é o que diz. 

— Oh, será um grande jogo. Nunca jogou contra a Rainha de Copas antes! — Kathryn exclamou com demasiada excitação ao que Regina afundou o rosto em baixo do travesseiro para tentar dormir. Não queria pensar em nada daquilo. — Kris, temos que ir pensando em que roupa a princesa usará. O evento por si só vai determinar a tendência da moda do próximo ano, então temos que escolher com cuidado. 

— Pela Coroa! Só temos três dias. Vamos agora mesmo! 

As garotas deixaram o quarto excitadas, Henry, porém, sentou-se aos seus pés na cama e parecendo ler seus mais profundos pensamentos disse suavemente: 

— Você está certa sobre Zelena não poder participar, mas quanto ao resto lembre-se que as aparências enganam, minha menina, não é de todo verdade a imagem que formulou das pessoas que gostam do jogo de críquete anual. Eu, por exemplo, aprecio você tendo um momento comum como todas as outras pessoas do Reino. Quando está no meio do campo concentrada em sua jogada, parece apenas Regina, sem todo o peso que sua posição carrega. É extraordinário prestigiar alguém da linhagem de Copas como alguém comum como eu! Eu simplesmente amo e torço sempre por você. 

— Henry... 

— Eu digo para o seu bem, minha criança, aprecie ao menos dessa vez, embora não ganhe ou perceba não gostar ao final, mas aprecie enquanto estiver lá.  

Ele saiu dos aposentos, deixando-a encarando o teto pensativa. 

 ♥ 

No dia marcado Regina apareceu elegantemente sobre os saltos médios de uma delicada sandália vermelha, um coque muito bem amarrado no alto da cabeça e com um vestido adorável com a parte superior branca, as mangas cobrindo apenas até os cotovelos, a saia vermelha fluída descendo em camadas como pétalas de uma rosa até abaixo dos joelhos e duas trilhas de pedras negras rodeando sua cintura como um cinto. 

Não à toa chamou tanta atenção ao chegar. Como lhe diziam as meninas enquanto a arrumavam: a moda jamais seria a mesma no País das Maravilhas depois de sua aparição naquela manhã. 

O Jogo Oficial de Críquete acontecia no campo perfeitamente preparado no lado leste do Grande Jardim e dispunha de uma multidão de espectadores presentes e ansiosos para o jogo final.  

Por ser um evento aberto ao público todas as Cartas de Copas ficavam apostos para o caso de precisar intervir, enquanto as Espadas faziam o papel de proteger o palácio. 

Regina ficou sentada na parte mais baixa da arquibancada preparada para reunir a multidão e observou com nervosismo todas as jogadas daqueles que solicitaram participar do evento até que o mestre de jogo veio chamá-la para entrar em campo.  

Respirou fundo e levantou. Suas damas e tutor acenaram animados para ela enquanto se posicionava na entrada. Os trompetes logo anunciaram sua entrada e a multidão comemorou com palmas, gritos e palavras de apoio.  

Ela sorriu surpresa e corada. Nunca teve uma recepção tão calorosa de seu povo. 

Quando parou no meio do campo, Killian, que estava à sua espera, fez uma breve mensura e beijou galantemente o dorso de sua mão sorrindo para ela. O jovem Valete de Copas estava como sempre muito elegante em seu conjunto vermelho e branco e cabelo negro amarrado na altura dos ombros, de modo que nem mesmo o gancho na mão esquerda o fazia parecer menos galanteador. 

Ela sorriu em cumprimento e o mestre dos jogos se aproximou, entregando um longo bastão de madeira no formato do pássaro oficial do Reino, o flamingo rosa, a cada um. 

Os trompetes rugiram novamente e ambos se curvaram em seguida à espera da Rainha. 

Cora apareceu no meio do campo com um elegante vestido vermelho e preto, o cabelo castanho preso elegantemente para trás, um broche de ouro no lado esquerdo do peito, o colar de diamantes negros no pescoço e a pesada Coroa de Copas na cabeça. 

Ela pegou seu bastão e os três receberam uma bolsa com suas bolas no formato de ouriço. Cora ficou com as vermelhas, Killian com as brancas e Regina com as pretas. O mestre do jogo explicou as regras, depois os três tomaram suas posições. Cora deu a primeira tacada e assim começou o jogo. 

O tempo no campo pareceu se estender mais que o esperado enquanto os três abriam caminho aro após aro. A multidão explodia em reações pela Rainha, comemorando quando ela avançava cada vez mais e ficando em silêncio quando passava por uma meta difícil. 

Era certo que Killian nunca iria afrontar a Rainha tentando ganhar, mas foi ficando para trás cedo demais notando uma certa rivalidade entre as duas. 

Regina tinha motivos para não gostar muito do evento, principalmente porque a irmã nunca foi convidada como ela. Além disso as pessoas somente se importavam com a moda e ela mesma nem era tão habilidosa no jogo, mas naquela manhã algo nos incentivos do povo fez despertar um lado competitivo seu que desconhecia até então. Por isso na sua penúltima jogada, ela curvou e rodopiou lançando forte sua bola que chocou-se com a última vermelha de sua mãe e a lançou para fora da fronteira. 

Cora endureceu a expressão e, num rompante, puxou a mais nova pelo braço para perto. Regina a olhou assustada, enquanto as unhas cravavam em sua pele. Para despistar a multidão, a Rainha acariciou os cabelos presos da menina enquanto sorria de uma forma cínica para ela. 

— Não tente colocar as garras para fora na frente de todos! Não vou perder para você, então diminua o ritmo, querida, não perca a cabeça por causa de um jogo — ameaçou entredentes.  

Regina sentiu um frio atravessar sua espinha e a mãe a soltou e acenou para a multidão, não antes de seus olhos lacrimejarem e o choro prender em sua garganta.  

Assentiu ao entender a ameaça. Logo o mestre de jogo veio para o meio do campo para anunciar a jogada final. Toda a multidão levantou a espera do resultado. 

A Rainha fez sua jogada e a bola vermelha rolou através da última marca e atingiu a estaca final, para o delírio dos observadores.  

Regina preparou o bastão e percebeu que estava tão tremula que ele não parava quieto. As primeiras lágrimas deixaram seus olhos ao lembrar as palavras de Henry. Primeiro a exclusão de Zelena de todos os eventos do palácio, depois a ameaça a ela própria. Era impossível desejar estar ali novamente, tudo não passava de uma farsa por isso anualmente a Rainha ganhava.

Respirou fundo e bateu na bola com toda a força que tinha no momento, isto é, quase nenhuma e ela parou bem antes de atingir a marca. 

Estava feito. Um pequeno silêncio de expectativa tomou o jardim seguido da explosão de saudações gloriosas à Rainha. Regina se sentiu uma pessoa comum ao fingir que estava contente pelo final do jogo: engoliu o choro, soltou o bastão e bateu palmas à mãe.  

Naquele dia aprendeu uma triste lição, assim como ela mesma o povo só torcia e felicitava Cora porque a temia, não porque a amava.  

Saiu do campo muito abalada, a passos rápidos sequer esperando por seus acompanhantes. Para piorar toda a situação antes de entrar no palácio acabou prendendo o pé direito num punhado de grama e caiu aos pés das Espadas que protegiam o local. Ela sentiu uma dor terrível no tornozelo, mas nada comparado aos olhares de desprezo e comentários maldosos que passou a ouvir. 

— É mesmo uma desgraça para o Reino. 

— Nunca chegará aos pés da Rainha. 

Limpou as lágrimas e tentou levantar, mas percebeu que o tornozelo doía mais do que pensava, impossibilitando-a de se mover. No mesmo instante ouviu uma voz atrás de si que a deixou um tanto surpresa. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar. 

— Escutem com atenção o que vou dizer: da próxima vez que isso acontecer eu os considerarei meras cartas em branco e sabem muito bem o que acontece com elas. Não me darei ao trabalho de pedir que a Valete tome alguma providência e muito menos aborrecerei a Rainha com inúteis como vocês: eu mesma cuidarei de cortar a cabeça do imbecil que ousar rir novamente da futura Rainha de Copas. Espero ter sido clara. — Sua voz era fria e firme, assim como sua expressão, fazendo todos engolirem em seco, até mesmo Regina. — Consegue andar? — questionou, virando-se para ela pela primeira vez. 

Abriu a boca para responder, mas sua voz ficou presa em algum lugar. Respirou fundo e sussurrou:  

— Não tenho certeza.  

Tentou levantar novamente, fazendo uma careta ao não conseguir.

— Isso não vai funcionar.  

A loira não hesitou. Com um suspiro resignado passou uma mão por baixo de seu corpo e a outra em suas costas, levantando-a. Regina rodeou seu pescoço com os braços, surpresa por sua atitude e se deixou ser levada para dentro do palácio.   

O caminho foi todo feito em silêncio, mesmo com tantas perguntas a serem feitas Regina ficou tão surpresa com o reencontro que se viu incapaz de formular uma frase coerente.

Fizeram todo o caminho em poucos minutos e quando chegaram aos aposentos as damas vieram logo atrás esbaforidas.  

— Oh! o que houve, minha querida?! — Kathryn perguntou ao vê-la sendo posta na cama pela Carta. 

— Devo ter torcido meu tornozelo, nada demais.

— Obrigada por tê-la ajudado, senhorita. O senhor Henry já deve estar vindo. Pedirei que chamem o dr. Whale para averiguar o machucado. Não se preocupe, ficará novinha para a hora do chá! — garantiu Kristin antes de sair apressada do quarto. 

Emma desviou o olhar para a porta dupla, falando em seguida: 

— Devo me retirar agora. 

Então virou de costas e deu os primeiros passos em direção à saída. Regina sentiu o coração bater desesperadamente contra o peito. Era a chance que tanto desejava e mesmo que não tenha sido planejada não podia desperdiçar. Havia esperado tempo o bastante.

— Não vá! — disse um tanto desesperada, então olhou para sua dama e falou — Gostaria de um minuto para agradecer a senhorita. 

— Princesa... 

— Pode ir, Kathryn, ficarei bem e serei muito breve — Regina disse ao que a loira saiu depois de uma breve hesitação. 

— Não posso ficar, eu não devia entrar no palácio e muito menos estar em seus aposentos — Emma disse de uma maneira um tanto seca. Regina ignorou o tom inédito usado com ela bem como sua fala como todo.  

 — Então peço que arranje um local mais adequado para isso. Gostaria de conversar com você e não desejo interrupções. 

— Desculpe a franqueza, mas é perigoso demais e não vejo motivo para tal, afinal não temos nada para conversar, alteza.  

Regina abriu a boca surpresa. Mesmo um tanto abalada, recompôs-se a olhando resignada e usou seu tom mais firme para que entendesse que a decisão já havia sido tomada.

— Seja breve ou eu mesma arrumarei uma maneira de falar com você! 

 A loira a lançou um último olhar duro e saiu em silêncio. 

 ♥

A resposta chegou uma semana depois com um papel em sua sobremesa que dizia Coma quando todos estiverem dormindo. 

Aquilo a fez andar de um lado para o outro por um longo tempo. Emma não havia assinado, mas acreditava que havia sido ela e não que se tratava de um atentado contra a realeza. Não entendia o que aquele pequeno pedaço de doce tinha a ver com o encontro das duas, mas ele viera no seu prato apenas.  

Ela o analisou: branco e açucarado. Era perigoso arriscar nos tempos em que viviam, mas desejou no fundo do coração que fosse dela. Tinha que ser de Emma, era dela, ela sentia. Fechou os olhos e deu uma boa mordida. 

Soltou um grito assustada quando algo aconteceu. Seu corpo tremeu e logo começou a encolher, ficando no tamanho da palma de uma mão, suas roupas formando uma camada gigante de proteção. 

O que diabos estava acontecendo? 

— O que... — Sua voz soou extremamente fina e ela arregalou os olhos ao ver sua Carta entrando nos aposentos e tampou seu corpo como pôde, constrangida. — O que faz aqui?! — Era uma pergunta patética, obviamente ele a ouvira gritar e veio conferir se estava bem, mas ela estava tão nervosa que era difícil raciocinar.  

— Eu só quero ajudar, prometo — respondeu cauteloso, retirando um pedaço de tecido pequeno do bolso. Parecia um vestido em miniatura. — Vista isso, logo, não temos tempo — Embora receosa, Regina fez o que Graham pediu enquanto ele se virava. Quando terminou, observou-o colocar uma cartola a sua frente. — Agora entre na cartola, uma gota disso e ela encontrará sua dona.  

— Espere... eu conheço essa cartola. Foi... — Falou, enquanto ele a ajudava a entrar. Observou o pequeno frasco em sua mão e ele sorrir. 

— A outra princesa quem fez e jogou pela janela, Emma conseguiu pegá-la. — Ele levantou com a cartola em mãos e foi até a varanda, onde colocou uma gota do conteúdo do frasco e observou a morena segurar como podia. — Segure e aproveite a viagem. 

Ele lançou a cartola com força e com um gritinho de medo Regina se viu voando para fora do palácio em direção a saída Norte. Segurou forte no forro e deixou o medo de lado, abrindo bem os olhos aproveitando a sensação.  

Mesmo sem avistar o luar o céu estava lindo, sem nuvens e brilhante pelas estrelas. O vento abraçava seu corpo e fazia seu longo cabelo voar.  

Sorriu. Mesmo que estivesse nervosa pela conversa que teria em breve não deixou de se sentir leve. Sentia-se livre, verdadeiramente livre. Era o mais próximo que chegou perto de liberdade na vida. 

A cartola somente parou quando pousou fora das dependências do palácio, na extremidade esquerda após o primeiro portão de ferro, nas mãos estendidas de Emma. Ela a ajudou a sair e ofereceu um pequeno frasco com líquido azul. Regina o pegou.  

— Você comeu demais, tome um bom gole. 

Emma virou as costas para deixar o chapéu atrás dos arbustos e encarou seus olhos castanhos quando se aproximou com uma capa negra para lhe cobrir o corpo. Com o crescimento, a outra peça rasgara. 

Regina suspirou ao olhá-la de perto.

Emma não pareceu perceber e sem demora a arrastou para um local estranho, não muito longe dali.  

Parecia um lugar que se reuniam para beber. Regina por nunca ter saído do palácio não sabia como aqueles lugares eram chamados, mas não gostou nem um pouco ao avistar algumas mulheres com tanta pouca roupa que sequer conseguia pensar como se protegiam daquele frio.  

Três mulheres desse tipo tocaram Emma de forma íntima demais para seu agrado, mas ela nada disse. Permaneceu calada o tempo inteiro, até quando a outra negociava algo com um homem que parecia bêbado, perguntando-se com que frequência ela ia naquele lugar e o que costumava fazer na companhia daquelas mulheres. 

Observou-a pressionar uma moeda de ouro na mão do homem, que sorriu compreendendo algo que nem Regina entendeu e lhe deu uma chave dourada. 

— Conheço o caminho. 

Emma não esperou resposta, segurou-a pelo cotovelo e a arrastou por um corredor e logo para dentro de um pequeno quarto. Ela fechou a porta, Regina retirou o capuz e a encarou. 

— Sei que esse não é o tipo de lugar que uma princesa deveria frequentar, mas aqui não teremos interrupções e seja lá o tema de sua conversa creio que ficará segura aqui entre essas quatro paredes. 

— Você... — engasgou. Pensar naquela possibilidade a assustava, mas precisava saber, mesmo que ela lembrasse e ainda assim procurasse distância de si. Respirou fundo e se recompôs — Você se lembra de mim? 

Emma a encarou pela primeira vez desde que chegaram e resistente em responder com palavras apenas assentiu.  

Regina a encarou surpresa, depois ficou irritada.  

— Então não posso crer que depois de tudo o que fez e do risco que correu para me trazer até aqui ainda continua se fazendo de desentendida quanto a nossa conversa! Desconsidera tudo o que passamos ao longo dos anos? O que aconteceu com você, afinal? Eu... senti tanto medo quando sumiu, achei até que o pior tivesse acontecido, que tinha sido capturada de alguma forma pelo povo encantado! — Falava de forma calma, apesar do turbilhão em seu coração. A loira, no entanto, fechou a expressão ainda mais ao ouvi-la, deixando-a desesperada ao não reconhecê-la. O que tinha acontecido a sua doce Emma, afinal? 

— Como pode notar estou bem e o único povo que me capturou mais de uma vez foi o seu, mas como pode notar também a Rainha de Copas aplicou da melhor forma a justiça no País das Maravilhas, como sempre — rebateu firme, seca, como nunca fizera antes. — Isso não pode e não vai acontecer novamente, princesa, então se já tivermos acabado vamos retornar agora ao palácio antes que deem por sua falta. 

Regina não deu ouvidos, num rompante de coragem se aproximou e a apertou em um abraço que pouco importava ser correspondida ou não. 

— Não! Eu sei que não é isso que quer, não se arriscaria tanto para nada! Eu senti sua falta, Emma, quando sumiu e quando foi à guerra. Senti também medo, medo de te perder para sempre e não apenas uma vez. Você não imagina quantas noites passei em claro imaginando como você estaria, se estava viva, se estava bem, se um dia voltaria. Apesar de todo medo no fundo eu sentia que estava viva, que voltaria assim que pudesse e que ficaríamos juntas novamente, que minha vida teria alguma felicidade outra vez — sussurrou a última parte. 

— Você não pode me dizer esse tipo de coisa — murmurou um tanto abalada ao tentar se afastar. Regina não permitiu, segurou seu braço e a encarou nos olhos.  

— Por que não posso se é a verdade, se é o que sinto? Não continue me olhando dessa forma, como se fôssemos duas desconhecidas! Posso suportar tudo menos esse olhar — pediu, não se importando com as lágrimas que lhe escapavam agora. Emma desviou o olhar e quando voltou a encará-la tinha atendido seu pedido — Eu não sei o que aconteceu ou porque está agindo dessa forma, mas sei que não pode ser indiferente a mim, indiferente a nós. 

Uniu suas testas, deslizando a mão direita pelos cabelos agora curtos da outra. Apesar de ser apenas dois anos mais velha, o corte pouco acima dos ombros havia lhe deixado com uma aparência ainda mais madura, embora permanecesse com o aspecto angelical de sempre. Emma era linda de toda maneira. 

— Você tem razão — Ela admitiu por fim, depois de alguns instantes a olhando. — Eu não sou indiferente a você, nunca fui, mas as coisas mudaram agora. Se ocupo tamanha importância na sua vida como diz, terá que entender.  

— Eu prometo tentar e você também pode me ajudar — Encarou os olhos verdes, quase que suplicando para ter uma explicação do que acontecia com ela. Emma, no entanto, desviou o olhar novamente e retirou a sua mão de seu cabelo antes de se afastar, permanecendo de costas com as palmas fincadas numa pequena escrivaninha do quarto. 

 — Desculpe. Talvez seja cedo demais para isso. 

— Tudo bem, isso não importa — Apressou-se em dizer. Era visível que a incomodava não poder falar, então mostraria que ficaria ao seu lado dessa vez independente do que fosse. — Confio em você. Só peço que não se afaste — Suspirou, caminhando até ela e parando ao seu lado. — Eu entendo que as coisas não são como antes, que há coisas que não pode falar agora, que é uma Espadas e que não podemos ser vistas juntas como antes, mas daremos um jeito, sempre demos. Só... não se afaste mais, por favor. — Deu um passo para o lado e notando que a loira permaneceu parada aproximou-se até que a abraçou novamente.  

Senti-la corresponder sem se afastar foi a certeza de que poderiam lidar com aquilo juntas. 


Notas Finais


Até o próximo


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