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História Uma Luz no Fim do Túnel - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olha quem chegou... A boa filha a casa torna!
Depois de mais de um mês, cá estou eu com mais uma atualização (dança da comemoração). Mas antes, como de praxe, alguns avisinhos: os próximos capítulos irão atrasar mais um pouquinho (infelizmente). Minha faculdade irá começar, e vou dar uma atenção exclusiva a ela. De antemão, já peço desculpas pelo atraso que virá. Mas, como sou alguém persiste, tentarei atualizar, pelo menos, uma vez no mês, ta bom?
Enfim, gostaria de agradecer mais uma vez a Lara, meu amore, que betou MUITO rápido esse capítulo!!

Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 5 - Primeiros passos


Uma Luz no Fim do Túnel

Capítulo V - Primeiros passos

Por katebbh

 

O céu naquela noite estava estrelado, como Baekhyun amava. Era primavera, época em que as flores iniciavam sua floração novamente, deixando a paisagem com aspecto mais vivo e alegre. Admirava aquela visão maravilhosa pelas lentes de seu telescópio, vez ou outra tentava tirar fotos com sua mais nova aquisição: uma câmera fotográfica profissional. Nos últimos dias havia adquirido este hábito tão magnífico, afinal, uma nova etapa estava por se iniciar, e nada mais justo do que documentá-la para sempre ser lembrada futuramente.

Algumas semanas já haviam se passado desde que expôs todos os detalhes de sua vida pessoal a Sehun; desde as brigas familiares que o atormentavam até os sentimentos que nutria por Chanyeol, estes que cresciam dia após dia, não conseguindo mais controlá-los. Queria cada vez externalizar tudo o que sentia pelo Park, mas não achava que aquela hora era a certa. Havia passado por tantos momentos ruins, que o destruíram de todas as formas possíveis, e aos poucos estava se reerguendo, achando um novo Baekhyun. E quando a procura estivesse finalizada, iria correr atrás daquilo que mais almejava no momento.

E essa caminhada não era fácil, Baekhyun tinha plena consciência disso. Os problemas não desaparecem magicamente em um piscar de olhos, pelo contrário, ainda iriam manter-se ao seu lado até que enfrentasse de forma corajosa aquele empecilho que havia atrasado sua vida. Ainda era difícil, pois havia dado apenas um passo entre tantos outros que ainda viriam. As brigas familiares ainda mantinham-se, mas tentava ter forças para aguentar e refutar tudo que era desferido em sua direção, mesmo que em alguns momentos se arrependia amargamente de ter feito tais atos.

Contudo, tinha em pensamento que aquelas pequenas mudanças estavam fazendo com que nascesse como uma nova pessoa. E nesse meio tempo havia aprendido — mesmo que em alguns momentos na marra — que se isolar e sofrer sozinho, esperando que tudo passasse rapidamente e da forma menos dolorosa possível não o fazia bem. Sehun batia na tecla de que deveria expor a ele o que o afligia, com a premissa de que se sentiria bem com aquilo. Por vezes contava e sentia-se bem e protegido com o carinho que o melhor amigo lhe dava, mas sempre havia aquela pulguinha atrás da orelha que dizia estar atrapalhando. Todavia, tentava jogá-la o mais longe possível, esquecendo-se desta possibilidade.

Com essa ajuda tão significativa, resolveu dar o segundo passo em sua renovação. Era uma noite chuvosa e deveras fria, onde em algum momento do jantar, uma nova briga havia ocorrido entre ele e seus progenitores, mas dessa vez o ponto alto da discussão não fora sua sexualidade, mas que estava saindo muito de casa, deixando seus irmãos mais novos sozinhos e os afazeres domésticos acumulados. Não tentou refutar, pois realmente havia reduzido o ritmo em que fazia os deveres, mas não fizera aquilo por birra como apontado pelos seus pais à mesa; fizera aquilo por um motivo maior, a qual intensificou-se naquela noite.

Ao chegar no quarto, decidiu, por fim, colocar sua ideia em prática. Há alguns dias vinha pensando em procurar um emprego, independente de suas proporções, pois apenas queria ter seu próprio dinheiro todo final de mês para sustentar-se, e não necessitar da ajuda dos pais regularmente. Com a ideia enraizada na cabeça, ligou o notebook e direcionou ao site da faculdade destinado à procura de estágios remunerados. Tinha em mente que seria algo difícil de conseguir, mas seria persistente o suficiente para conseguir uma vaga de emprego.

Algumas semanas depois sua persistência deu resultado, já que em meio a diversas entregas de currículos, conseguiu ser chamado para uma entrevista na própria faculdade onde estudava, no setor bibliotecário. A proposta era trabalhar no período da tarde, mas apenas quando ocorresse o retorno efetivo das aulas; na entrevista tentou seu melhor e poucos dias após recebeu uma simples ligação o informando de sua contratação. No início não acreditou que realmente havia conseguido a vaga, mas ao chegar no RH da instituição e ler o documento que informava sua contratação, uma felicidade imensa o atingiu.

Saiu do local abraçado com o documento em seu peito, com um sorriso genuíno em seus lábios. Estava feliz, e isso poderia ser constatado por qualquer pessoa ao observá-lo, o que acontecera com Sehun. O mais novo encontrou Baekhyun o esperando em frente a universidade, e de longe avistou o amigo daquela forma. Estacionou o carro com rapidez, saindo do mesmo e dirigindo-se a passos rápidos ao amigo, que tinha os olhos brilhantes, tamanha o tempo segurando as lágrimas de felicidade.

— Eu consegui… — sussurrou fraco, aquelas duas palavras que foram ouvidas apenas por Sehun, que tratou de abraçar o melhor amigo com força, aninhando em seus braços. O mais alto estava igualmente feliz pela nova conquista do amigo em um momento tão importante para a sua nova vida.

Após se soltarem, caminharam para o carro com Baekhyun contanto-o tudo que havia acontecido desde o dia que se candidatou para a vaga de emprego, até a chamada para comparecer à instituição para assinar a papelada de contratação. Em todo momento o rosto do moreno era iluminado por seu grande sorriso que não deixou seus lábios em nenhum momento da conversa, até quando comentou com o melhor amigo que quando voltasse ao ritmo acadêmico seria difícil, pois ficaria o dia inteiro ocupado. Todavia, tinha em mente que iria tirar aquilo de letra, sem maiores problemas.

Saíram do local e foram comemorar aquele grande triunfo em uma hamburgueria conhecida e frequentada há muitos anos por ambos. Por todo o caminho até o estabelecimento, Baekhyun não parava de tagarelar o quanto estava feliz, deixando Sehun extasiado com toda a felicidade do mais velho. O Oh, em todo o momento, sorria com o entusiasmo do amigo, vez ou outra fazendo breves comentários de satisfação, assim como apontamentos sobre o que viria a seguir, mas o amigo não se mostrava abalado em nenhuma das possibilidades.

Ao chegarem no local, acomodaram-se em uma mesa perto das janelas, tendo como visão o parque pequeno que havia do outro lado na rua. Não tardaram em requisitar seus pedidos ao atendente com um sorriso imenso nos lábios… De tão falso que era, vale ressaltar, mas não ligaram, e continuaram o assunto.

— Já contou para o Chan hyung? — perguntou Sehun, enquanto bebericava o suco recém posto à mesa.

— Não, vou mandar uma mensagem a ele agora.

Baekhyun sacou o celular do bolso, procurou a conversa com Chanyeol, que estava no topo do aplicativo por ter conversado com o mais velhos recentemente, e digitou:

 

Baekhyun (18h04min):

Oi Chanyeol…

Você deve estar ocupado com os preparativos para as aulas,

mas só queria dizer que consegui passar na vaga de emprego.

No início do semestre começo como atendente na biblioteca na faculdade.

Só queria agradecer pela sua ajuda. Você e Sehun foram muito importantes! <3

 

O sinal de enviado iluminou a tela do celular do Byun, que suspirou longamente antes de guardar o aparelho em seu bolso novamente. Concentrou-se na conversa com Sehun, que já não mais era destinada a sua recente vitória, mas sim nos devaneios do mais novo com a série que estava revendo. Era revigorante passar esses momentos descontraídos ao lado do melhor amigo, onde ria e se divertia, esquecendo-se do que o esperava do lado de fora.

Passou boa parte da noite com Sehun, retornando à residência apenas quando já se passavam das onze horas da noite. Diferentemente do esperado, pois havia passado grande parte da tarde e noite fora de casa, sua mãe não estava o aguardando para que pudessem conversar, o que o deixou aliviado. O dia tinha sido maravilhoso com a notícia de ter conseguido sua primeira vaga de emprego, e no momento não queria que nada atrapalhasse sua felicidade.

Lavou-se rapidamente e retornou ao quarto, deitando-se em um pulo. Estava cansado pelo dia corrido, mas antes de se render ao mundo dos sonhos, tratou de visualizar a mensagem que Chanyeol havia lhe enviado logo após tê-lo comunicado de sua conquista. Cheios de emojis de confetes e corações, as mensagens de felicitações e o encorajamento que o loiro passava apenas por simples frases, deixava o coração do moreno quentinho e disparado ao extremo. 

Dormiu naquela noite em paz e feliz com tudo que havia vivido naquele dia, a qual marcou um grande passo na vida pessoal e profissional de Baekhyun.

Ao notar que os pais já estavam acordados na manhã seguinte, não tardou em descer as escadas rumando decidido à cozinha para contar a novidade. Seria surpresa se a notícia fosse comemorada pelos progenitores como imaginava, mas pelo contrário, houve reclamações em como ficaria os afazeres da casa e o cuidado com seus irmãos, e por diversos minutos ouviu-os declamar suas opiniões, claramente tentando induzi-lo a mudar de ideia. Mas já estava decidido, e nada faria mudar suas decisões.

Por fim, explicou-lhes como ficaria a rotina quando ao novo semestre se iniciaria, trazendo junto o estágio obrigatório e o início efetivo do emprego de meio período. Mais uma vez, tentaram mudar sua ideia, mas sem êxito novamente. Não iria ser deixado ser levado pelas opiniões deles novamente; não iria ser mais uma marionete onde seus pais puxavam as cordas e o comandavam como queriam, sem se importar com seu psicológico e seus sentimentos.

Ao notar que não teria uma conversa civilizada como almejada, se retirou da cozinha e tentou ao máximo esquecer-se deste fático momento. E para ajudá-lo, resolveu procurar Sehun — e consequentemente Chanyeol —, que estavam sempre de braços abertos para o moreno cheios de problemas, mas que estava à procura de soluções. Passou a maior parte do dia com eles, assim como os restantes dos dias de férias. 

— Chegou um parque de diversões novo na cidade. Estou pensando em ir, topam? — Deitado no sofá, com a cabeça apoiada nas pernas do aspirante a professor, Sehun perguntou.

— Hm…, seria legal, pra desestressar principalmente — respondeu o moreno, pensativo. — Chanyeol? — O mais velho, que estava concentrado na tela do celular levantou a cabeça, com seus olhos grandinhos levemente arregalados pelo susto.

— Não sei, já passei um pouco da idade para essas coisas…

— Que passou da idade, o quê? Me engana que eu gosto, hyung… Você é a maior criança em formato de gente grande que eu conheço! — exclamou Sehun, revoltado com a fala dita pelo irmão.

Baekhyun soltou uma risadinha em divertimento pela situação, já que nos momentos seguintes observou os irmãos iniciaram uma leve discussão, apesar de ser descontraída e não ter um fundo de verdade. Retornou o cafuné nos cabelos do melhor amigo, tentando acalmá-lo daquela briguinha sem sentido iniciada. Era engraçado ver aquilo, pois Chanyeol havia dito minutos atrás que estava muito velho para o programa proposto, mas estava brigando como um adolescente birrento.

— … O que você acha, Baek? — Saiu de seus devaneios ao ter seu nome mencionado pelo Oh, que o encarava em expectativa.

— Seria legal você ir, já que estava trabalhando duro com o material do curso essas últimas semanas. Pra descontrair… — respondeu, sorrindo minimamente em direção ao Park. O loiro semicerrou os olhos, encarando Baekhyun fervorosamente em um duelo de olhares, mas soube que vencera a pequena disputa com o suspirar alto do mais velho.

— Tudo bem, vou chamar os caras pra irem também. No sábado? — propôs Park, rendido.

— Pode ser, o Baek também não vai ter nada pra fazer mesmo — ripostou o Oh com rapidez. — Mas que engraçado, né? Ele você ouve quando te chama, mas seu pobre irmão não. Sacanagem… Não quero nem ver quando começarem um relacionamento de fato, vai ser uma melação que só.

O moreno arregalou os olhos, surpreso pela frase que saira de forma descontraída por entre os lábios do amigo. Abriu diversas vezes a boca para tentar falar algo, mas não conseguiu, principalmente com a última tentativa, que fora interrompida pela risada do loiro, que piscou para si antes de retornar a visão ao celular novamente.

Ele piscou… Ele piscou para si!

 

[...]

 

Baekhyun olhava-se no espelho mais uma vez, analisando se aquela roupa que acabara de vestir estava boa para ir ao parque. Era apenas uma calça com uma lavagem clara, uma blusa escura e uma jaqueta igualmente escura que o abraçava… Seria muito simples? Já havia trocado milhares de vezes as combinações, mesmo que Sehun o estivesse dizendo em todas as vezes que suas escolhas ficam bonitas em si. Porém, sempre encontrava algum defeito que o fazia mudar de ideia quanto a escolha.

— Ficou bonito em você essa roupa. — Sehun disse, sentando-se desleixadamente na poltrona ao seu lado. — Não sei pra que se arrumar tanto, se lá é um parque, nada muito importante.

O mais novo já estava farto de tanto esperar o moreno em arrumar-se para uma simples ida ao parque; não conseguia entender a motivação para tanta arrumação, e principalmente para tanta empolgação. Baekhyun, por outro lado, apenas revirou os olhos, continuando a observar-se no espelho do quarto e finalmente dando-se por vencido de que, realmente, aquela roupa ficava bonita em si e o favorecia. Assim, dirigiu-se para os procedimentos finais, ouvindo ao fundo o amigo resmungar em felicidade.

Naquele dia havia acordado um tantinho empolgado, pois tinha a percepção de que sairia na parte da tarde com as pessoas que o faziam bem, e que iria se divertir, o que estava precisando. Sehun, ao o ver naquele estado, o comparou a uma criança entusiasmada em receber seu brinquedo novo, mas o que poderia fazer? Era a primeira que sairia sem preocupações o assolando a cada segundo que passava e necessitava apenas curtir. Contudo, sua empolgação teve uma pausa ao notar que não teria nada para vestir, mas agora já estava tudo resolvido.

— Levanta essa bunda daí e vamos logo, Sehun. — Sem esperar o amigo, encaminhou-se para fora do quarto, descendo as escadas rapidamente.

Ao entrarem no carro, afivelaram os cintos e Sehun deu partida no automóvel. Diferentemente da última vez que andou no carro do amigo, a qual o percurso foi feito de forma silenciosa, principalmente por parte do moreno; agora, Baekhyun falava pelos cotovelos, deixando o mais novo zonzo de tanto ouvir o amigo contar o quanto estava empolgado para ir nos brinquedos e ganhar os brindes que a maioria das barraquinhas lhe ofereciam. Era engraçado o modo como o mais velho agia, em que vez ou outra tentava dar pulinhos no banco, mas sem sucesso por causa do cinto de segurança.

O aspirante a professor parou de mexer-se e falar apenas enquanto Sehun parou o carro em uma vaga no estacionamento, a qual tinha uma visão privilegiada da entrada do parque de diversões onde encontrava-se Chanyeol ao lado de mais alguns homens. Reconheceu brevemente alguns rostos, que remetiam aos homens que haviam chamado o loiro no dia do show. Todos estavam rindo, presumia que de alguma piada que alguém do pequeno ciclo havia contado.

Mas sua alegria virou preocupação em segundos ao notar a expressão no rosto do melhor amigo. Os olhos estavam grudados no grupo que ainda continuava a rir, as mãos estavam apertando fortemente o volante e respiração estava sendo puxada em lufadas altas; pousou uma das mãos em seus ombros, massageando levemente, tentando acalmá-lo.

— Ei Hun, o que houve? — perguntou, enquanto ouvia seu celular apitar em seu bolso.

O Oh fechou os olhos fortemente e suspirou longamente antes de pousar a mão em cima da sua, ainda localizada nos ombros largos. Sorriu minimamente para o amigo, e apertou sua mão de forma desengonçada, antes de ouvir sua voz baixa contando o que estava acontecendo.

— Se lembra do carinha que não deu certo? — Baekhyun forçou em sua memória sobre o que Sehun estava dizendo, mas logo se lembrou da história que ele havia contado sobre o homem que havia cortando relações com o Oh, sem mais nem menos. Assentiu brevemente, esperando que ele continuasse. — Então... É aquele encostado no meio-fio, abraçado com o baixinho — segredou baixinho.

O Byun forçou o olhar novamente para o grupo, observando o casal abraçado. Estava longe, mas podia notar dali o quanto seus gestos demonstravam a paixão que sentia, deixando-o até um pouquinho desconcentrado. Em alguns momentos o mais alto daquela relação sussurrava algo nos ouvidos do mais baixo, fazendo com que este risse. Concluiu que eles eram o típico casal água com açúcar; aqueles bem melosinhos, na verdade.

— Vou ficar ao seu lado independente aonde for. Já aviso, isso inclui idas ao banheiro — Sehun soltou uma risada, dando um tapa em seu braço. Amaciou o local que começava a latejar pela intensidade do tapa, mas sorriu ao ver que o Oh estava mais relaxado.

— Só você pra me fazer rir nesses momentos, Byun. Anda, vamos... A gente está um pouquinho atrasado já. — Assentiu e saiu do carro simultaneamente com Sehun.

Caminharam silenciosamente em direção ao grupo, com Baekhyun, de rabo de olhos, conferindo como estava Sehun à medida que se aproximavam. Ainda estava um pouco surpreso por, uma inconveniência do destino, ter colocado o mais novo e seu antigo affair frente a frente depois de tudo que rolou entre eles, e como brinde, ter o namorado do salafrário a tiracolo. Mas se bem que o Jongin, aparentemente, era amigo do Chanyeol…

Maneou a cabeça, dissipando seus pensamentos e focando no que viria, já que estava perto dos demais e conseguia visualizar Chanyeol sorrindo para si.

— Olá… — disse, abaixando a cabeça em um cumprimento silencioso a todos os presentes. Ouviu Sehun falar a mesma coisa, mas estava concentrado em passar os olhos em cada um dos caras, parando o olhar sobre o loiro que o encarava em alívio.

— Pensei que não vinham mais, tinha até te mandado mensagem. — Chanyeol informou, fazendo Baekhyun e Sehun olharem-se e sorriem um pouco envergonhados pelo atraso. — Então, esses são meus amigos… Junmyeon, Jongdae e a namorada, Nahuel, Kyungsoo e o namorado, Jongin, e por fim, e nenhum pouco importante, o Minseok. E cambada, esse é Sehun, meu irmão, que vocês já conhecem e o amigo dele, Baekhyun. — Byun curvou-se novamente em sinal de respeito perante os mais velhos,  mesmo que estivesse com um pé atrás com alguns deles.

— Até que enfim pude conhecer o grande Byun Baekhyun… Você é bem comentado entre nós. — Baekhyun franziu o cenho, não entendendo o tom usado pelo baixinho de cabelos pretos, a qual esqueceu-se como chamava.

— Esquece o que ele falou, Baek. — Chanyeol disse, enquanto desfere um tapa na cabeça do baixinho que havia falado a pouco tempo. — Ok, já que todos estão aqui, vamos comprar os ingressos.

Todos se dirigiram à bilheteria, onde havia uma fila consideravelmente grande, pois trata-se de um sábado e a maioria da população local ia ali para se divertir, igualmente como eles. Como Sehun e Baekhyun estavam em último na fila, ambos puderam observar atentamente a dinâmica entre Chanyeol e seus amigos, que descobriu serem os mesmos colegas da banda que tocará no dia da bebedeira no bar.

À medida que a fila caminhava para as suas vezes, Baekhyun observava o modo retraído que Sehun ficara por toda a situação desconfortável. O Oh estava mais quieto e reservado, e olhava com atenção os brinquedos à sua volta, tentando não prestar atenção no que ocorria à sua frente. O Byun até tentou puxar assunto, tentando distrair o amigo o máximo que podia, mas entendeu que não daria certo ao ter respostas monossilábicas respondidas em sua direção. Estava preocupado, mas deixaria Sehun o contatar a hora que fosse melhor para ele, pois estaria esperando caso quisesse conversar.

Sua atenção foi desviada do melhor amigo ao ter seu braço tocado por Chanyeol, que chamava ambos para o canto onde encontrava-se o pessoal. Desconfiado, puxou o amigo pela mão — lamentando internamente por sair da fila — e caminhou até o Park, que segurava ingressos a mais em sua mão, em sua percepção.

— Já comprei os seus ingressos — disse, entregando os papéis em sua direção juntamente com um cartão para cada. — Fiz também uma carga de alguns poucos wons no cartão. O atendente explicou que você entrega o bilhete na entrada e usa o cartão até acabar o limite que foi colocado, e se precisar de mais, é só voltar aqui e recarregar — completou sorrindo.

— Não precisava, Chanyeol… A gente tinha dinheiro, mas obrigado pelo gesto. — Baekhyun pegou os ingressos e os cartões, guardando os últimos em seu bolso para não perdê-los.

Não poderia negar que aquele simples gesto de comprar seu ingresso — e de Sehun também, vale ressaltar — havia aquecido o coração de Baekhyun. Foi algo inesperado, mas que feito com muito carinho, esperava que assim fosse. Sorriu, tentando encontrar as palavras certas para chamá-lo a ir consigo e o mais novo nos brinquedos, pois quem sabe assim poderia passar um tempo considerável com ele e não deixaria o amigo ao relento, sem companhia.

— Então, que ir com a gente nos brinquedos? Eu e Sehun estávamos planejando ir naqueles de tiro ao alvo, sabe? — perguntou. Trocava o peso dos pés, nervoso e ansioso pela resposta do mais velho.

— Bem que eu queria, mas também tinha combinado com os coisinhas que iria naquelas máquinas que pegam pelúcias. — Baekhyun assentiu, desmanchando o sorriso aos poucos dos lábios, nenhum pouco contente no momento. — Mas depois disso a gente pode ir, quem sabe, na roda gigante. O que acha?

— Pode ser… Será super legal, tenho certeza — respondeu o moreno com rapidez.

— Então está certo… Eu vou indo lá, mas depois a gente se encontra na lanchonete, para ser mais fácil ir pra roda gigante. — Chanyeol disse, dando leves passos para trás, se afastando deles.

O moreno assentiu, acenando minimamente para o grupo que aguardava Chanyeol com ansiedade. Observou o grupo se dissipar animadamente, mas seu coração apertou ao ver o loiro afastar-se, rindo e brincando com o baixinho que brevemente conversando consigo, se é aquilo poderia ser considerado uma conversa, pensava o Byun.

— Vocês parecem dois adolescentes marcando encontro — anunciou Sehun, puxando-o pela mão para a entrada.

— Como assim? — perguntou, enquanto entregava o ingresso para o funcionário.

— Sério? — O mais alto perguntou em indignação. — Vocês dois nervosos para se convidarem, não querendo se afastar… Como disse, dois adolescentes! — completou em desdém.

Baekhyun apenas revirou os olhos e puxou o braço do amigo novamente para se dirigirem à primeira barraca de brinquedos, a de tiro ao alvo, como haviam planejado. Esperaram alguns minutos na pequena fila que havia ali, ansiosos para as suas vezes — pelo menos, Baekhyun estava ansioso. Ao chegar suas vezes, se divertiram como nunca… De certa forma, precisavam daquele momento de descontração para se reconectarem novamente, pois estavam exaustos.

Passaram boa parte daquele final de tarde assim, passando pelas diversas barraquinhas de brinquedos se divertindo. Ganharam diversos brindes, uns menores podendo colocá-los dentro de seus bolsos, já outros muito grandes, onde carregavam para todos os lados, chegando até a esquecê-los por entre as barracas que passavam, mas retornando para buscá-los depois da breve contagem que faziam entre as mudanças de barracas.

Quando o sol já dava indícios de que iria embora, já estavam cansados o suficientes para rumarem a área da praça de alimentação, onde tinha combinado com Chanyeol e seus amigos de se encontrarem; poderiam estavam atrasados nesse encontro, mas estavam ocupados o suficiente se divertindo e rindo para se importarem em se encontrar com os demais. Mas como o cansaço os abateu e necessitavam de descanso e líquido para se nutrir, aquela era a hora.

Demoraram alguns minutos para encontrar os rapazes, mas quando os acharam, rumaram à mesa mais afastada onde estavam localizados, desviando no processo do mar de pessoas que continham naquela localidade do parque de diversões. Ao chegarem, cumprimentaram novamente todos e se desculparam pela demora, o que não foi contestado por ninguém à mesa, já que também haviam chegado a pouco tempo, ocupando aquela mesa com pressa para não perdê-la.

— Que bom… — disse Baekhyun, sorrindo. — Eu e Sehun vamos buscar algo para comer, vocês irão querer algo?

— Não precisa, Baek — respondeu Chanyeol com rapidez. — Já pedimos, só estamos esperando sermos chamados para buscarmos.

— Então tá… Vamos lá? — Baekhyun perguntou a Sehun, que assentiu.

Os dois amigos caminharam novamente na direção onde estava a barraquinha de comida que desejavam, já que estavam namorando desde o momento em que colocaram os olhos nelas; afinal, quem não gosta de um bom cachorro quente? Não demoraram muito em requerer seus pedidos, pois a fila estava pequena, mas infelizmente constataram ao olhar os números de seus pedidos que esperariam por um bom tempo. Porém, pelo menos, conversariam nesse meio tempo.

— Sehun, estava pensando aqui, quando eu for com o Channie para a roda gigante, você irá ficar bem? — De frente para o melhor amigo, Baekhyun perguntou. Havia falado ao mais alto que estaria ao seu lado no decorrer do dia, mas a saída momentânea que teria com o Park iria contra ao que havia dito, e não queria decepcionar o Oh.

— Não, pode ir tranquilo, tem os outros meninos para conversar. O Minseok e o Junmyeon são bem legais… — Sehun disse, piscando um de seus olhos em cumplicidade, deixando Baekhyun mais tranquilo.

Ficaram mais um tempinho ali, esperando seus lanches ficarem prontos. E, ao tê-los em suas mãos, retornaram à mesa junto a todos os demais rapazes.

Entre conversas e risadas, comeram seus lanches de forma tranquila. O clima, que outrora se mostrou mais pesado — apesar da maioria não saber o porquê daquilo —, agora era mais amistoso, como todos conversando animosidades. Em nenhum momento ficaram quietos; os mais velhos daquela mesa sempre incluía os mais novos no que estavam falando, apesar de desconhecer o assunto conversado. Todavia, era diversão garantida.

— Baek, o que acha de irmos agora? — Chanyeol fez aquela pergunta ao pé do ouvido, fazendo com que os pelos da nuca do moreno se enrijecerem. 

Agora é a hora, não faça ou fale besteira, pensava o Byun, ainda que afeto pela voz grossinha do mais velho ao pé do ouvido.

— Pode ser, vamos — respondeu rapidamente.

Levantaram no mesmo minuto, chamando a atenção dos demais a mesa, fazendo Baekhyun corar um pouco pela atenção recebida. No entanto, Chanyeol tomou as rédeas da situação, dizendo a eles que iriam sair para dar uma volta juntos, não especificando a onde iriam ao certo, deixando-o aliviado. Mesmo com os olhares desconfiados de alguns deles, saíram dali e rumaram ao destino escolhido por ambos anteriormente.

Baekhyun estava nervoso, pois iria ficar sozinho com o loiro, já Chanyeol… Bem, ele estava tranquilo. Tudo o que ele mais queria era ficar sozinho com Baekhyun e dedicar todo seu tempo a ele, somente ele.

 

[...]

 

Baekhyun e Chanyeol caminhavam lentamente em direção à roda gigante, apreciando com grande volúpia o tempo em que passavam juntos. Nesse meio tempo, não foi iniciada uma conversa, pois o silêncio para ambos os homens era suficiente para aquela breve caminhada. Entretanto, a ânsia de ficarem cada vez mais juntinhos o consumiam a cada segundo que passava, e foi irredutível que suas mãos — que outrora tocavam-se brevemente —, se entrelaçassem de forma lenta e calma.

A noite já começava seu pequeno espetáculo, com a lua grandiosa enfeitando o centro do céu estrelado; era uma cena linda, e tinha convicção que se tornaria a mais espetacular vista do topo… Principalmente se estivesse na companhia de Chanyeol.

Observou de rabo de olho o loiro, que estava distraído com a paisagem e com as pessoas que os encaravam com certa curiosidade — e também, certo nojo. Infelizmente, ainda viviam em uma comunidade homofóbica e retraída, apesar de estarmos em pleno século XXI. Aquilo o entristecia, não poderia negar, pois queria ter mais liberdade e menos pensamentos preocupados quanto a essas situações, como estava nesse exato momento. Era angustiante ver aqueles olhares sobre as mãos entrelaçadas, e por isso, tentou separá-las, mas Chanyeol tornou a juntá-las novamente, depositando um carinho singelo no processo.

Suspirou, fechando os olhos brevemente, e continuou seu andar até a fila do brinquedo. Tentava ignorar os olhares destinados a eles, e se concentrava no carinho que o loiro fazia; sabia que o mais velho estava fazendo aqueles gestos para o acalmar, e aquilo o aliviava de uma forma grandiosa. Às vezes ficava surpreso pelo fato do Park conhecê-lo tão bem, e sobretudo, por ter essa energia que o fazia ficar tranquilo e descontraído em poucos minutos. Era realmente sortudo…

Chegaram no local onde estava situada a roda gigante, e se endireitaram rapidamente na fila deveras grande que continha ali. Baekhyun olhava para aquelas cabines que subiam e desciam com certo nervosismo por causa da altura excessiva, que aumentou ainda mais ao constatar que não haviam pessoas sozinhas na fila, mas sim acompanhadas… Como casais, presumia. Respirou profundamente, o que não deixou despercebido este ato pelo loiro ao seu lado.

— Está tudo bem? — perguntou o mais velho, sorrindo levemente. Não respondeu com palavras, apenas assentiu, devolvendo o carinho que o mais velho fazia em sua mão. 

O restante do caminho foi realizado da mesma forma que vieram para ali, em silêncio. Vez ou outra chegavam a fazer comentários sobre algo que viam ou apenas riam de alguma cena engraçada que passava pela frente de seus olhos, mas nada mais que aquilo. Era uma quietude reconfortante, que não apresentava ser vergonhoso para nenhum deles. Eram o jeito dos dois, que estranhamente combinavam.

Ao chegar suas vezes, entraram na cabine. O coração de Baekhyun começou a palpitar, provavelmente em antecipação com o início da rotação da roda gigante, que logo seria realizada. E foi motivado por isso que, ao se endireitarem nos acentos, Baekhyun buscou novamente a mão de Chanyeol, trazendo-a para seu colo e a apertando fortemente em busca de algo para distraí-lo.

— Poderia ter me dito que tem medo, assim não teríamos vindo. — sussurrou Chanyeol perto de seu ouvindo, e logo depois beijou sua têmpora. Apenas assentiu, respirando longamente diversas vezes para adequar os batimentos de seu coração. — Ainda dá tempo de sair, quer? — Negou veemente, mesmo que não olhando para o loiro.

— Por incrível que pareça, quero continuar. — sussurrou igualmente em meio aos respirares.

Inesperadamente, o mais velho soltou suas mãos, fazendo o mais novo levantar o olhar, observando Chanyeol retirar algo de seu bolso, que revelou-se ser um pequeno chaveiro; um chaveiro de urso de pelúcia. Estendeu o pequeno objeto em sua direção, balançando-o levemente para chamar sua atenção, que já estava prendida no olhar do Park e no pequeno adereço em suas mãos.

— Iria te dar quando estivessemos no topo, mas acho que este é o momento. — Baekhyun sorriu, apanhando o pequeno pingente e apertando-o de forma delicada em suas mãos. Era tão fofinho e dado em um momento tão crucial, que nunca iria esquecê-lo.

— Eu amei… Vou colocá-lo na minha bolsa e carregá-lo para todo lado — disse Baekhyun, um tanto emotivo. E foi inevitável para Baekhyun não se aconchegar nos braços do loiro, que o acolheu com grande amor.

Nos braços do mais velho ficou por todo o percurso até o topo da roda gigante, onde teve uma pequena parada do brinquedo para que seus passageiros pudessem observar a bela vista de todo o parque é daquela imensidão azul escuro com diversos pontinhos reluzentes, acompanhado com a lua gigantesca no centro.

— Que lindo… — Baekhyun sussurrou, enquanto levantava seu tronco para ver melhor aquela cena fascinante. Já Chanyeol, estava mais fascinado ainda na imagem a sua frente, de Baekhyun com seus olhos brilhantes encarando o lado de fora da cabine com fascinação.

Baekhyun virou-se para Chanyeol para chamá-lo atenção sobre a vista, mas encontrou o loiro olhando diretamente para si, com um sorriso nos lábios e um olhar tão apaixonante que desconcentrou o moreno de diversas formas inimagináveis. Aos poucos começaram a se aproximar, como imãs; aquela aproximação, era certa e fazia muito sentido para ambos. E, assim, sobre a luz do luar, seus lábios se tocaram de forma casta, com muito sentimento.

As mãos do moreno foram diretamente ao rosto do loiro, fazendo carinhos lentos na região. Enquanto que Chanyeol, deixou seus braços alocados na cintura do mais baixo, deixando igualmente carinhos ali.

Era um sonho para Baekhyun aquele simples beijo, por mais casto que fosse, significava muito para o estudante. Estava nas nuvens com toda aquela cena e todos os detalhes que os envolviam… Parecia até um filme, para falar a verdade, daqueles bem água com açúcar, que fazem seu coração palpitar e quase sair pela boca. Então, era assim que o pobre Byun estava se sentindo.

Se afastaram lentamente — por mais que não fosse aquilo que queriam — e se encararam, com sorrisos nos lábios e olhos igualmente brilhantes, totalmente emergidos naquela bolha de amor e carinho que os envolvia, felizes por ter se encontrado novamente.

Aquele simples beijo foi apenas o começo — ou recomeço — daquela história que começara há alguns anos atrás, e que merecia ser retomada novamente, mas agora sem empecilhos, pois seriam apenas os dois… Juntos!


Notas Finais


E aí, gostaram? Me digam o que acharam nos comentários, me motiva demais suas opiniões!
Capítulo não teve tantas coisas históricas, a não ser claro, o "primeiro" beijo do casal mais amado, mas deu o pé inicial ao relacionamento do Chanyeol e Baekhyun, que vai evoluir ainda mais com o passar dos capítulos (spoiler).

Beijão e até a próxima!!


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