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História Uma noite como esta - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Capítulo XIV


Quando finalmente Hinata acordou, sua mente lentamente mudou de preto implacável para nuvens cinzentas, a primeira coisa que sentiu foram mãos apertando e cutucando, tentando remover sua roupa.
Ela queria gritar. Tentou, mas sua voz não obedecia.  tremendo incontrolavelmente, seus músculos doíam e estavam exaustos, e não tinha certeza de que pudesse abrir a boca, muito menos fazer um som.
Ela já foi encurralada antes, por confiantes jovens que viam uma governanta como uma brincadeira justa, pelo senhor de uma casa que percebia que estava pagando seu salário, de qualquer maneira. Inclusive Toneri Otsutsuki, que definiu sua vida por isso, em primeiro lugar. Mas ela sempre foi capaz de se defender. Ela tinha força, inteligência, e com Toneri, até uma arma. Agora ela não tinha nenhuma dessas coisas. Não conseguia nem abrir os olhos.

—Não. — Ela gemeu, contorcendo-se e movendo-se no que parecia ser um
chão frio de madeira.

—Shhh. — Veio uma voz desconhecida. Era uma mulher, no que Hinata encontrou tranquilizador. —Vamos ajudá-la, Senhorita Hinata.

Eles sabiam o seu nome. Hinata não conseguia decidir se isso era uma coisa boa ou não.

—Pobrezinha. — Disse a mulher. —Sua pele está como gelo. Nós vamos colocá-la em um banho quente.
Um banho. Um banho soava como o céu. Ela estava tão fria, não se lembrava de ter sentido tanto frio antes. Tudo parecia pesado… seus braços, pernas, até mesmo o seu coração.

—Aqui estamos nós, querida. — Chegou à voz da mulher novamente. —Só me deixe chegar a esses botões.

Hinata lutou mais uma vez para abrir os olhos. Era como se alguém tivesse colocado pesos em suas pálpebras, ou estivesse submersa em uma espécie de gosma pegajosa da qual não conseguia escapar.

—Você está segura agora. — Disse a mulher. Sua voz era gentil e ela parecia querer ajudar.

—Onde estou?— Hinata sussurrou, ainda tentando forçar os olhos abertos.

—Você está de volta a Colina Namizake. Lorde Uzumaki a trouxe na chuva.

—Lorde Uzumaki, ele… — Ela suspirou, e seus olhos finalmente se abriram para revelar um banheiro, muito mais elegante e ornamentado do que aquele para o qual foi atribuída atualmente no berçário. Havia duas empregadas com ela, água para um banho, e outra tentando tirar a roupa encharcada.

—Ele está bem?— Hinata perguntou freneticamente. —Lorde Uzumaki?— Flashes de memória correram para ela. A chuva. Os cavalos se soltando. O som horrível da madeira se quebrando. E então o cabriolé, caindo para frente. E então… nada. Hinata não conseguia se lembrar de nada. Eles devem ter caído, por que ela não podia se lembrar? —Meu Deus, o que aconteceu com eles?

—Sua senhoria está bem. — A empregada assegurou. —Exausto como um corpo pode estar, mas não é nada que um pouco de descanso não vá curar. — Seus olhos brilhavam com orgulho quando ela ajustou a posição de Hinata para que ela pudesse soltar as mangas de seus braços. —Ele é um herói. Um verdadeiro herói.

Hinata esfregou o rosto com a mão.

—Eu não consigo me lembrar do que aconteceu. Alguns pedaços e peças, mas isso é tudo.

—Sua senhoria disse-nos que foram jogados da carruagem. — Disse a criada, chegando a trabalhar na outra manga. —Lady Uzumaki disse que provavelmente bateu a cabeça.

—Lady Uzumaki?— Quando ela viu Lady Uzumaki?

—A mãe de sua senhoria. — Explicou a empregada, interpretando mal a pergunta de Hinata. —Ela sabe um pouco sobre lesões e cura. Ela examinou-a ali mesmo no chão do hall de entrada.

—Oh, meu Deus. — Hinata não sabia por que isso era tão humilhante, mas era.

—Sua senhoria disse que tem um nódulo, bem aqui. — A empregada tocou sua própria cabeça, um par de centímetros acima da orelha esquerda.

A mão de Hinata, ainda esfregando sua testa, mudou-se para cima pelos cabelos. Ela encontrou a contusão instantaneamente.

—Uwe. — Disse ela, afastando os dedos. Ela olhou para a mão. Não havia sangue. Ou talvez houvesse e a chuva tivesse lavado.

—Lady Uzumaki disse que achava que a senhorita iria querer um pouco de privacidade. —continuou a criada, deslizando o vestido de Hinata pelo seu corpo. — Vamos dar-lhe um banho e aquecê-la, depois colocá-la na cama. Ela mandou chamar um médico.

—Oh, tenho certeza que não preciso de um médico. — Disse Hinata rapidamente. Ainda se sentia horrível e dolorida, com frio, e uma explicação para sua dor de cabeça furiosa. Mas eram sintomas temporários, do tipo que instintivamente, sabia precisar só de uma cama macia e sopa quente.
Mas a criada apenas encolheu os ombros.

—Ela já pediu para buscar um, então não acho que tenha muita escolha.

Hinata assentiu.

—Todo mundo está bem preocupado com a senhorita. Lady Himawari estava chorando, e…

—Himawari?— Hinata interrompeu. —Mas ela nunca chora.

—Ela chorou dessa vez.

—Oh, por favor. — Implorou Hinata, de coração partido com preocupação. —Por favor, alguém diga a ela que estou bem.

—Um lacaio trará mais água quente em breve. Nós vamos pedir que conte a ela.

—Um lacaio?— Hinata ofegou, suas mãos, instintivamente, cobrindo sua nudez. Ela ainda estava em sua camisa, mas molhada, era praticamente transparente.

—Não se preocupe. — A empregada disse com uma risada. —Ele deixa na porta. É para Peggy não ter que carregá-la pelas escadas.

Peggy, que estava colocando outro balde de água na banheira, se virou e sorriu.

—Obrigada. — Hinata disse calmamente. —Obrigada a ambas.

—Sou Bess. — A empregada disse a ela primeiro. —Você acha que pode se levantar? Só por um minuto? Preciso tirar o vestido por sua cabeça.

Hinata assentiu e com a ajuda de Bess se levantou, agarrando-se ao lado da banheira de porcelana como apoio. Uma vez que a camisa saiu, Bens ajudou Hinata a entrar na banheira, e ela afundou com gratidão na água. Estava muito quente, mas ela não se importou. Era tão bom.
Ela ficou no banho até que a água ficou morna, em seguida, Bess a ajudou vestir sua camisola de lã, que pegou do quarto de Hinata.

—Aqui está. — Disse Bess, levando Hinata através do tapete macio para uma bela cama de dossel.

—De quem é este quarto?— Hinata perguntou, olhando a atmosfera elegante.
Arabescos estavam no teto e as paredes estavam cobertas de damasco, do azul mais delicado ao prateado. Era, de longe, o mais grandioso quarto no qual ela já dormiu.

—O quarto de hóspedes azul. — Disse Bess, afofando os travesseiros. —É um dos melhores em Namizake.

– À direita no corredor da família. 

Família?

Hinata olhou com surpresa. Bess encolheu os ombros.

—Sua senhoria insistiu.

—Oh. — Disse Hinata, imaginando o que o resto de sua família pensava sobre isso.

Bess viu como Hinata encostou se na cama, então, perguntou.

—Devo dizer a todos que pode receber visitas? Eu sei que eles querem ver a senhorita.

—Não Lorde Uzumaki?— Hinata perguntou com horror. Certamente elas não lhe permitiriam entrar em seu quarto. Bem, não em seu quarto, mas ainda assim, um quarto. Com ela nele.

—Oh, não. — Tranquilizou-a Bess. —Ele está em sua própria cama, dormindo, eu espero. Não acho que vamos vê-lo por pelo menos um dia. O pobre homem está esgotado. Acho que você pesa um pouco mais molhada do que seca. — Bess riu de sua própria piada, então saiu do quarto.

Menos de um minuto depois, Lady Kurenai entrou.

—Oh, minha pobre, pobre menina. — Exclamou ela. —Você nos deu um susto. Mas meus céus, você está muito melhor do que há uma hora.

—Obrigada. — Disse Hinata, não muito confortável com tal efusividade por parte de sua patroa. Lady Kurenai sempre foi gentil, mas nunca tentou fazer Hinata se sentir como um membro da família. Nem tinha esperado isso dela. Ser governanta era mais que uma criada, mas definitivamente não era da família.
Sua patroa, a primeira senhora na Ilha de Man a avisou sobre isso. Uma governanta era sempre presa entre acima e abaixo, e seria melhor se acostumar com isso rapidamente.

—Você deveria ter se visto quando seu senhorio lhe trouxe. — Lady Kurenai disse ao sentar em uma cadeira ao lado da cama. —Pobre Himawari pensou que estivesse morta.

—Oh, não, ela ainda está chateada? Tem alguém…

—Ela está bem. — Disse Lady Kurenai com um aceno rápido de sua mão. — Ela insiste, porém, em vê-la por si mesma.

—Isso seria mais agradável. — Disse Hinata, tentando reprimir um bocejo.— Gostaria de desfrutar de sua companhia.

—Você vai precisar descansar em primeiro lugar. — Lady Kurenai disse com firmeza.

Hinata assentiu, afundando um pouco mais em seus travesseiros.

—Eu tenho certeza que você vai querer saber como Lorde Uzumaki está. — Lady Kurenai continuou. Hinata assentiu novamente. Queria saber desesperadamente, mas não se  forçou a perguntar.
Lady Kurenai se inclinou para frente, e havia algo em sua expressão, Hinata não conseguia ler.

—Você deve saber que ele quase entrou em colapso depois de trazê-la para casa.

—Eu sinto muito. — Hinata sussurrou. Mas se Lady Kurenai ouviu, não deu nenhuma indicação.

—Na verdade, acho que seria preciso dizer que ele entrou em colapso. Dois lacaios tiveram que ajudá-lo e levá-lo praticamente para o seu quarto. Eu juro que nunca vi algo semelhante.

Hinata sentiu as lágrimas ardendo nos olhos.

—Oh, sinto muito. Estou tão, tão triste.

Lady Kurenai olhou para ela com uma expressão estranha, quase como se tivesse esquecido que ela estava falando.

—Não há necessidade para isso. Não é sua culpa.

—Eu sei, mas… — Hinata balançou a cabeça. Ela não sabia o que dizer. Ela não sabia de nada mais.

—Ainda assim. — Lady Kurenai disse com um aceno de mão. —Você deveria ser grata. Ele a carregou por mais de meia milha, sabe. E estava ferido.

—Sou grata. — Hinata disse calmamente. —Sim, muito.

—As rédeas foram cortadas. — Lady Kurenai disse a ela. —Devo dizer que estou chocada. É inconcebível que a equipagem saia dos estábulos sem reparo. Alguém vai perder a sua posição, tenho certeza.

As rédeas, Hinata pensou. Fazia sentido. Tudo aconteceu tão de repente.

—De qualquer forma, dada à gravidade do acidente, devemos ser gratos que nenhum de vocês foi mais gravemente ferido. — Lady Kurenai continuou. — Embora me disseram que querem ver você de perto por causa desse caroço em sua cabeça.

Hinata tocou novamente, estremecendo.

—Dói?

—Um pouco. — Admitiu.

Lady Kurenai parecia não saber o que fazer com essa informação. Ela moveu-se um pouco em sua cadeira, em seguida, os ombros e então finalmente disse.

— Bem.

Hinata atentou sorrir. Era ridículo, mas quase se sentia como se devesse tentar fazer Lady Kurenai se sentir melhor. Era, provavelmente, por todos esses anos de serviço, querer agradar seus patrões.

—O médico vai estar aqui em breve. — Lady Kurenai finalmente continuou. — Mas, enquanto isso, vou ter certeza de que alguém diga a lorde Uzumaki que você despertou. Ele estava muito preocupado com você.

—Obrigada. —  Hinata começou a dizer, mas, aparentemente, Lady Kurenai não.

—É curioso, porém. — Ela disse, apertando os lábios. —Como é que você foi parar em seu cabriolé em primeiro lugar? A última vez que o vi, ele estava aqui na Colina Namizake.

Hinata engoliu em seco. Este não era o tipo de conversa que queria ter, mas deveria ter o máximo de cuidado.

—Eu o vi na aldeia. — Disse ela. —Começou a chover e ele se ofereceu para me trazer de volta para Namizake — Ela esperou por um momento, mas Lady Kurenai não falou nada, portanto, ela acrescentou. — Eu aceitei.

Lady Kurenai levou um momento para considerar sua resposta, em seguida, disse.

— Sim, bem, ele é muito generoso. Embora, veja, você teria feito melhor se andasse. — Ela levantou-se rapidamente e deu um tapinha na cama. —Você tem que descansar agora. Mas não durma. Já me disseram que não é para dormir até que o médico chegue para examiná-la. —Ela franziu o cenho. —Acredito que vou enviar Himawari, ela vai mantê-la acordada.

Hinata sorriu.

—Talvez ela pudesse ler para mim. Ela não tem praticado a leitura em voz alta há algum tempo, e eu gostaria de ver o seu trabalho nesta dicção.

—Já a professora, eu vejo. — Lady Kurenai disse. —Mas isso é o que queremos em uma governanta, não é?

Hinata assentiu não muito certa se ela foi elogiada ou lembrada de seu lugar.
Lady Kurenai caminhou até a porta, em seguida, virou-se.

—Ah, e quanto a isso, não se preocupe com as meninas. Lady Ino e Lady Sakura estão compartilhando seus deveres enquanto estiver se recuperando. Tenho certeza de que as duas podem trabalhar em um plano de aula.

—Matemática. — Hinata disse com um bocejo. —Elas precisam estudar matemática.

—Matemática, então. — Lady Kurenai abriu a porta e saiu para o corredor. —Tente descansar um pouco. Mas não durma.

Hinata assentiu e fechou os olhos, mesmo sabendo que não deveria. Ela não achava que fosse dormir, no entanto. Seu corpo estava exausto, mas sua mente estava correndo. Todos disseram que Naruto estava bem, mas ainda estava preocupada, e continuaria até que o visse por si mesma. Não havia nada que pudesse fazer sobre isso agora, quando mal conseguia andar.
E então Himawari entrou, pulou na cama ao lado de Hinata, e começou a bater em sua orelha. Foi quando Anne percebeu mais tarde, exatamente o que precisava.

O resto do dia passou tranquilamente. Himawari ficou até o médico chegar, e disse que Hinata deveria ficar acordada até o anoitecer. Em seguida, Matsuri apareceu, com uma bandeja de bolos e doces, e finalmente, Mirai, que carregava consigo um maço pequeno de papel da sua peça atual, Henrique VIII e o Unicórnio de Doom.

—Não estou certa se Himawari vai estar satisfeita com um unicórnio do mal. — Disse Hinata.

Mirai arqueou a sobrancelha.

—Ela não especificou que deveria ser um unicórnio bom.

Hinata fez uma careta.

—Você vai ter uma batalha em suas mãos, é tudo que vou dizer sobre o assunto.

Mirai encolheu os ombros e disse.

— Vou começar pelo segundo ato. O primeiro está um completo desastre. Tive que rasgá-lo completamente.

—Por causa do unicórnio?

—Não. — Disse Mirai com uma careta. —Escrevi sobre as esposas na ordem errada. É divorciada, decapitada, morta, divorciada, decapitada, viúva.

—Que gracioso.

Mirai lhe olhou, então disse.

— Troquei um dos divórcios por uma decapitação.

—Posso te dar um conselho?—  Hinata perguntou. Mirai olhou para cima. —Nunca deixe ninguém te ouvir dizer isso fora do contexto.

Mirai riu em voz alta, em seguida, agitando os papeis, indicou que estava pronta para começar a leitura.

—Ato dois. — leu com um floreio. —E não se preocupe você não deve ficar muito confusa, especialmente agora que nós revimos todos os óbitos das esposas.

Mas antes que Mirai chegasse ao terceiro ato, Lady Kurenai entrou no quarto, sua expressão urgente e grave.

—Preciso falar com a Srta. Hinata. — Ela disse a Mirai. —Por favor, deixe-nos.

—Mas nós ainda não…

—Agora, Mirai.

Mirai olhou para Hinata com um olhar de o-que-pode-ser-isso, que Hinata não soube responder, ainda mais com Lady Kurenai de pé frente a ela, parecendo uma nuvem de tempestade.
Mirai recolheu seus papeis e saiu. Lady Kurenai caminhou até a porta, para ter certeza de que Mirai não estava escutando, em seguida, virou-se para Hinata e disse.

— As rédeas foram cortadas.
Hinata ofegou.

—O que?

—As rédeas. Do cabriolé de Lorde Uzumaki Foram cortadas.

—Não. Isso é impossível. Por que… — Mas ela sabia o porquê. E sabia quem. Toneri Otsutsuki. Hinata sentiu-se empalidecer. Como ele a encontrou ali? E como ele poderia saber… A pousada. Ela e Lorde Uzumaki estiveram lá por pelo menos meia hora.
Qualquer um que estivesse observando teria percebido que ela voltaria para casa em seu cabriolé.
Hinata aceitou que o tempo não iria diminuir o desejo de Toneri Otsutsuki por vingança, mas nunca pensou que seria tão irresponsável a ponto de ameaçar a vida de outra pessoa, especialmente alguém da posição de Naruto. Ele era o Conde de Uzumaki, pelo amor de Deus. A morte de uma governanta muito provavelmente não seria investigada, mas de um conde?
Toneri era insano. Ou, pelo menos mais do que foi antes. Não poderia haver outra explicação.

—Os cavalos voltaram várias horas atrás. — Lady Kurenai continuou. — Empregados foram enviados para recuperar o cabriolé, e foi aí que eles viram. Foi um ato claro de sabotagem. Couro desgastado não se encaixa em uma linha mais reta.

—Não. — Disse Hinata, tentando entender.

—Não acho que você tenha algum inimigo nefasto em seu passado que se esqueceu de nos dizer a respeito, verdade? — Disse Lady Kurenai.

A garganta de Hinata ficou seca. Teria que mentir. Não havia outro meio.
Mas Lady Kurenai deve ter se envolvido em um pouco de humor negro, porque não esperou por uma resposta.

— É Danzou. — Disse ela. —Maldição, o homem perdeu toda a razão.

Hinata só a olhava, não tinha certeza se estava aliviada por ter sido poupada do pecado da mentira ou chocada por Lady Kurenai ter tão furiosamente amaldiçoado.

E talvez Lady Kurenai estivesse certa. Talvez isso não tivesse nada a ver com Hinata, e o vilão era de fato o Marquês Danzou. Ele perseguiu Naruto fora do país há três anos, certamente estava tentando assassiná-lo agora. E certamente não se importaria se tirasse a vida de uma governanta no processo.

—Ele prometeu a Naruto que iria deixá-lo em paz. — Lady Kurenai disse andando pelo quarto. —Essa é a única razão por ele ter voltado, você sabe. Ele pensou que seria seguro. Lorde Sai percorreu foi até a Itália para dizer-lhe que seu pai prometeu colocar um fim a toda essa bobagem. —Ela soltou um grunhido frustrado, com as mãos firmemente fechadas dos lados. —Já se passaram três anos. Três anos, ele estava no exílio. Não é o suficiente? Naruto nem mesmo matou seu filho. Ele apenas o feriu.

Hinata ficou quieta, não tinha certeza se deveria tomar parte nesta conversa.
Mas, então, Lady Kurenai se virou e olhou para ela diretamente.

—Suponho que você sabe a história.

—A maior parte, eu acredito.

—Sim, é claro. As meninas devem ter contado. —Ela cruzou os braços, então os descruzou, e ocorreu até Hinata que nunca viu sua patroa tão perturbada. Lady Kurenai inclinou a cabeça, em seguida, disse. —Não sei como Kushina vai suportar. Quase a matou antes, quando ele deixou o país.

Kushina deveria ser Lady Uzumaki, a mãe de Naruto. Hinata não sabia seu nome.

—Bem. — Disse Lady Kurenai, então abruptamente acrescentou. — Suponho que você possa dormir agora. O sol se pôs.

—Obrigada. — Disse Hinata. —Por favor, dê… — Mas ela parou por aí.

—Você disse alguma coisa?— Lady Kurenai perguntou.

Hinata balançou a cabeça. Teria sido inadequado pedir Lady Kurenai que desse seus respeitos à Lorde Uzumaki. Ou se não fosse isso, teria sido imprudente. Lady Kurenai deu um passo em direção à porta, e então parou.

—Senhorita Hinata. — Disse ela.

—Sim?

Lady Kurenai virou-se lentamente ao redor.

—Mais uma coisa.

Hinata esperou. Lady Kurenai não costumava ficar em silêncio no meio da conversa. Isso não era nada bom.

—Não escapou meu conhecimento que meu sobrinho… — Mais uma vez, ela fez uma pausa, possivelmente procurando a combinação correta das palavras.

—Por favor. — Hinata deixou escapar, certa de que estava pendurada por um fio. — Lady Kurenai, garanto…

—Não interrompa. — Lady Kurenai disse, embora não de maneira grosseira. Ela levantou uma mão, instruindo Hinata a espera-la concluir seus pensamentos. Finalmente, apenas quando Hinata tinha certeza que não poderia suportar isso por mais tempo, ela disse. — Lorde Uzumaki parece gostar muito de você.

Hinata esperava que Lady Kurenai não esperasse uma resposta.

—Estou certa de seu bom senso, não estou?— Lady Kurenai acrescentou.

—Claro, milady.

—Há momentos em que uma mulher deve apresentar uma sensibilidade que os homens não têm. Acredito que este é um desses momentos.

Ela fez uma pausa e olhou para Hinata diretamente, indicando que desta vez ela esperava uma resposta. Então, Hinata disse.

—Sim, milady. — E rezou para que fosse o suficiente.

—A verdade é, Senhorita Hinata, sei muito pouco sobre você.

Os olhos de Hinata se arregalaram.

—Suas referências são impecáveis e, claro, o seu comportamento desde que entrou para nossa casa tem sido irrepreensível. Você é uma das melhores governantas que já empreguei.

—Obrigada, minha senhora.

—Mas não sei nada sobre sua família. Não sei quem é seu pai, ou sua mãe, ou que tipo de conexões você pode possuir. Você foi bem educada, o que está muito claro, mas além disso… — Ela levantou as mãos. E então ela olhou diretamente nos olhos de Hinata.

—Meu sobrinho deve se casar com alguém de posição clara e impecável.

—Percebo que sim. — Hinata disse calmamente.

—Ela certamente deve vir de uma família nobre.

Hinata engoliu em seco, tentando não deixar qualquer emoção se mostrar em seu rosto.

—Não é estritamente necessário, é claro. É possível que ele possa se casar com uma garota da pequena nobreza. Mas ela teria que ser excepcional. —Lady Kurenai deu um passo em direção a ela, e sua cabeça ligeiramente inclinou-se para o lado, como se estivesse tentando ver dentro dela. —Eu gosto de você, Senhorita Hinata. — Ela disse lentamente. — Mas não te conheço. Você entende?

Hinata assentiu.

Lady Kurenai caminhou até a porta e colocou a mão na maçaneta.

—Suspeito. — Disse ela calmamente. — Que você não quer que eu a conheça.

E então partiu, deixando Hinata sozinha com seus pensamentos tortuosos.
Não havia má interpretação no significado dos comentários de Lady Kurenai. Ela estava avisando-a para ficar longe de Lorde Uzumaki, ou melhor, para ter certeza de que ele ficasse longe dela. Mas era agridoce. Ela deixou a porta um pouco aberta, insinuando que Hinatapoderia ser considerada adequada se a conhecesse melhor. Mas era claro que isso era impossível.
Poderia imaginar? Dizer a Lady Kurenai a verdade sobre seu passado? 


Bem, a coisa é, não sou virgem.
E meu nome não é realmente Hinata Wynter. Ah, e esfaqueei um homem e agora ele está me caçando loucamente até que eu esteja morta.

Uma risada horrorizada saiu da garganta de Hinata. Era um currículo
formidável.

—Sou um prêmio. — Disse ela para a escuridão, e então riu um pouco mais.

Ou talvez chorasse. Depois de um tempo, era difícil dizer qual era qual.


Notas Finais


O que acharam dessa conversa da Hinata com a Lady Kurenai ein?


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