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História Uma Nova Chance - Capítulo 26


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Capítulo 26 - Assustada


Fanfic / Fanfiction Uma Nova Chance - Capítulo 26 - Assustada

Medo, eu vivi por um tempo com muito medo, nervosa e sempre na defensiva. Quando você mora com um pai descontrolado e abusivo é assim que você vive. Eu aprendi cedo por meio do meu irmão que o melhor a fazer é não ficar na mira dele, principalmente quando as coisas não dão certo pra ele. Meu irmão Wendler sempre ficou entre a ira do meu pai e eu, ele sempre aguentou a maioria dos abusos, isso não quer dizer que eu não tenha experimentado uma de suas surras quando nova, infelizmente meu irmão teve que sair de casa cedo de mais para meu gosto e eu me vi sozinha com meu pai. ele andava até mais controlado, a casa estava sempre cheia de pessoas, na maioria seus parceiros de negócios então ele esquecia que eu existia, mas sempre havia aqueles dias, os dias em que ele lembrava da minha mãe e de que eu existia e bom... levo comigo as marcas desses dias. Mas a ultima que ele fez me deixou marcada pro resto da vida, tudo o que eu desejei depois da ultima “lição” que ele me deu, era morrer, eu quis tanto morrer, primeiro eu achei que morreria e ninguém nunca saberia, mas depois que meu irmão me tirou da casa do meu pai eu desejei ter morrido lá mesmo. Tenho tantos medos que não sei nem enumerar, mas vozes altas, olhares nervoso, som de tiro ou pancadaria me levam direto para aquele dia, o dia que eu quero tanto esquecer, mas que me assombra todas as vezes que fecho meus olhos e sinto toda a dor que ele me causou.

O BTS me acolheu, pra ser mais precisa a Ana, esposa do Jimin me acolheu como sua filha, eu não sei o que é amor de mãe, perdi a minha quando tinha 4 anos, eu a encontrei morta enforcada dependura no dossel da cama do quarto dela. E tudo o que ela me deixou além dessa lembrança foi uma carta se desculpando e pedindo para eu ser melhor que ela e ser feliz. Eu não sei o que ela quis dizer com isso, mas hoje conhecendo meu pai eu duvido que ela tenha sido feliz em algum momento. Mas hoje já faz alguns meses que estou morando com eles e Ana é uma pessoa tão especial, ela é uma mãe incrível com as crianças, e apesar de todo o trabalho que eu dou a ela, que não é pouco, por que acordo de madrugada com pesadelos, quando cheguei a mordia, tentei me matar entre várias outras coisas, ela mesmo assim não desistiu de mim, e tenta de todas as formas me dar amor, carinho e atenção. Uma das melhores coisas que eu gosto é quando ela canta enquanto penteia meu cabelo, um gesto simples, mas eu nunca tive alguém para cantar para me acalmar ou para pentear meus cabelos, mesmo grávida, ela sempre vem depois do banho e penteia meus cabelos, e faz todos os tipos de penteados até me fazer sorrir, coisa que só consigo com ela. Eu ainda não falo, não sei porque, apenas não consigo, o médico que veio me ver disse que é por medo, mas nem eu sei que medo é esse. Medo de falar o que aconteceu? De reviver tudo o que passei? Não sei, mas não consegui vencer essa barreia, e eu gostaria muito. Mesmo assim Ana fala comigo. Muito! O dia inteiro. Sobre tudo. Eu tenho aprendido muitas coisas com ela, inclusive o coreano. Mesmo sem falar, ela tem me ensinado no dia a dia, e eu anoto e guardo na memória. Um dia eu sei que vou voltar a falar.

Porém, meus medos estão todos de volta. Eu estou na sala da casa principal, e não consigo nem mesmo me levantar do lugar onde me escondi. Estou agachada por de trás do sofá e quero parar de chorar, quero sair de onde minha mente foi, mas é como se eu estivesse me afogando, e vendo o reflexo da luz na superfície da água, sei para onde devo ir, mas um peso apenas me puxa para baixo, para as profundezas do desespero e do medo, eu ouço o tiro e meu coração para. Estou com os gêmeos dentro de casa, por sorte, eles não sabem o que está acontecendo, estão brincando, mas eu sei o que está acontecendo lá fora e eu estou com medo. Medo de sofrer de novo, mas pior do que isso, medo que algo tenha acontecido a Ana.

***

Depois de um tempo de silêncio vejo Sakura entrar em casa, ela está tremendo mas vem me minha direção. Estou deitada no chão em posição fetal, sei que estou chorando, só estou dormente. Ela me sacode e pede para que eu volte, mas eu não consigo até que ouço algo que eu jamais poderia imaginar, Jimin levou um tiro no peito e foi levado as pressas para a emergência e Ana foi junto, isso parece estalar um interruptor na minha cabeça, por que as lágrimas param, a tremedeira passa, tudo passa, menos o zumbido de sangue nos meus ouvidos, Ana está sofrendo! Yoongi deve estar desesperado. Porque esse pensamento cruza minha mente? Eu não sei. Nós mal nos relacionamos, ele basicamente não fala comigo, mas de um tempo para cá nós nos acostumamos ao silêncio um do outro. Parece que o fato de eu não falar não o incomoda, e eu até sei quando ele está zangado ou quando ele está feliz com algo pela sua expressão facial, coisa que ele dificilmente muda. Ele ama a Ana, as crianças e o Jimin, ainda não entendi direito a relação deles no passado nem no presente, a única coisa que sei é que eles são muito importante uns para os outros, e que por causa da Ana ele também tem cuidado de mim. Por várias vezes ele me viu em crise e em silêncio deu um jeito de esconder da Ana pra ela não se preocupar e me ajudou a superar. Gosto de deitar de madrugada no chão da cozinha e sentir o som do piano tocando, ele faz muito isso de madrugada.

Eu não penso muito no porque, nem como, apenas corro de volta pra casa e faço uma muda de roupas para eles, coloco tudo o que acho que eles possam precisar e espero por alguém para ir no hospital. Ainda não sai de casa depois que cheguei aqui, mas não há nada que me impeça de ir ver a Ana.

 

 

***SUGA***

- Onde ela está? – eu pergunto assim que chego ao pronto socorro. Há uma quantidade considerável de fãs já plantada na porta, infelizmente não pude vir rápido o suficiente, eu deixei Jeon tomando de conta do stúdio como de costume quando não tenho nada agendado por lá, meu trabalho lá é mais freelancer, vou quando eu quero, há outros aplicadores de pircings mais profissionais que eu, vou apenas para dar uma força mesmo pro makenae, ele não lida bem em tomar de conta das coisas sozinho, mas sinto que isso está mudando já que a Sakura tem estado mais presente em sua vida, ele tem precisado cada vez menos da nossa atenção e tem ficado mais tempo com ela, eu estava trancado no estúdio de gravação na empresa fazendo umas tomadas de áudio para um projeto novo que eu tô fazendo com o Nam e não vi todas as ligações e mensagens que o Tae e o Jin mandaram pra mim. Há uma mensagem de voz nada delicado da Samara que nem eu em toda minha vida disse tantos palavrões em tantos idiomas diferentes. O fato é que estou com tanto medo agora, que não sei o que fazer. Eu corro pelos corredores e parece que não consigo chegar. Sabe aqueles pesadelos que você só fica caindo e nunca chega no chão? Pronto é assim que eu me sinto. Estou sufocado. Não sei como está ninguém, mas tudo que eu consigo pensar é no Jimin e na Ana. Assim que a vejo eu quase caio de joelhos no chão. Ela está com a roupa suja de sangue, amo aquele vestido, eu ajudei o Jimin a escolher e ela fica perfeito nele, mas está todo estragado com manchas de sangue por ele, ela está pálida e não para de andar de um lado para o outro em frente a porta do que eu sei ser a sala cirúrgica do setor de emergência.

- Ana? – eu pergunto já chegando perto dela, ela apenas acaba com a distância que há entre nós e gruda em meu corpo ao ponto de eu precisa dar um passo pra trás para poder buscar equilíbrio. Ela treme dos pés a cabeça, e soluça baixinho – ele vai ficar bem. Se acalme pense no bebê.

- Não minta pra mim Min, de todas as pessoas, eu não aceito que você minta pra mim. – ela diz em meio aos soluços, eu sento no chão e a levo comigo sentando ela no meu colo, não estou aguentando com seu peso e tenho medo dela cair, preciso que ela se acalme. – ele fechou os olhos na minha frente Min, nos meus braços, ele se despediu. Eu não...

- Shiii, o Jimin  é forte querida, ele não se despediu, ele quis apenas te acalmar. Não se desespere. Porque não vamos pra casa, trocamos de roupa você relaxa e volta, a cirurgia com certeza não vai terminar agora, e mesmo que termine ele vai ser encaminhado para o quarto de observação. Ele não iria querer que você ficasse aqui e nem colocasse o bebê em risco. Onde estão os gêmeos? Onde está Rosa?

- Nada disso fará sentido Min. você não entende? O que eu vou fazer com 3 crianças se o pai delas não estiver por perto? Como eu vou viver se perder ele também? Yoongi eu não suporto mais perder ninguém. – ela fala tudo isso agarrada a mim, eu a abraço forte, sinto a pequena chutando contra o aperto na barriga, ela detesta quando apertamos a barriga e chuta sem parar, mas não me importo, isso mostra que ela está viva e lutando de certa forma lá de dentro, nada disso deve fazer bem pro bebê, eu olho ao redor para tentar alguma ajuda, Ji está sentada ao lado da porta da urgência também, sua gravidez não é tão avançada quanto a de Ana, mas quase me esqueci que ela está grávida, mas o Hobi a tem entre os braços, ele também está sujo de sangue, mas não vejo nenhum ferimento. Sam está sentada no colo do Nam que faz carinho nas suas costas enquanto fala baixinho com ela, acredito que tentando acalma-la também.

- Eu sei que você está com medo, mas eu tenho fé que o Jimin sairá dessa. Você não está sozinha lembre disso. Nunca mais vou deixar você sozinha, nenhum de nós. Olhe em volta, Hobi e Ji estão aqui, Sam e o Nam também, nós todos estamos preocupados.

- Não é a mesma coisa. – ela funga baixinho e isso parte meu coração.

- Eu sei que não é. Mas você precisa buscar sua força pequena. Por mim, por todos nós.

Fico na mesma posição com ela, sinto ela fungar e tremer ainda um pouco, mas com o tempo sua respiração fica normal, e imagino que ela tenha dormido. Minhas pernas estão dormentes por estar na mesma posição, mas não me importo, se ela precisa de mim, assim é exatamente assim que eu vou ficar. Tenho vontade de perguntar para o Hobi quem está com os gêmeos e a Rosa, ela ainda está muito arisca, e deve ter ficado mais agitada ainda com o barulho de tiros e toda a comoção, nós não mantemos mais seguranças vigiando a casa como antigamente, não somos mais tão assediados, mas hoje gostaria que tivéssemos mantido ao menos uma pequena equipe durante o dia. Mas antes que eu pergunte alguma coisa vejo o Tae e a Jang chegar, logo atrás está a Rosa, ela vem com cautela, parece que ao menor movimento ela vai pular igual a um gato assustado e sair correndo se trancar em algum lugar. Não sei exatamente o que aconteceu com ela, a única pessoa que conseguiu que ela tivesse qualquer progresso foi a Ana, mas ela não fala. Parece que o trauma foi tamanho que ela perdeu a capacidade de falar, ou é por medo, assim foi o que os médicos que a Ana levou para avalia-la disseram. Mas que talvez com o tempo ela pudesse recuperar a voz. Tae e a Jang vão para onde está a Ji e o Hobi e lhe entregam uma mochila com roupas limpas para que eles possam se trocar, somos vips temos direito a usar o quarto aqui, então eles conversam um pouco e eu tento prestar atenção na conversa mas um bloquinho de notas e posto na minha frente e minha visão embaça antes que eu consiga ler o que está escrito.

- “Como ela está?” – é tudo que está escrito na nota, o coreano não é fluente, está escrito de um jeito quase errado, mas compreensível. Olho para cima e vejo Rosa segurar o bloco na minha frente. Ela fala Hangul?! Interessante. Ana tem falado com ela em Alemão, coisa que eu entendo nada, mas o Jimin sabe um pouco de Alemão e tenta também, mas agora eu sei que mesmo pouco mas ela tem algum conhecimento de Coreano. Interessante.

- Ela se acalmou agora. mas está com medo. – digo em coreano e falo de vagar para ver se ela consegue compreender o que digo, ela inclina a cabeça para o lado processando o que digo e quando penso em repetir ou dizer em inglês para testar se ela entende melhor ela puxa o bloco para escrever de novo. Então eu espero.

- “Entendo sua resposta, falo melhor inglês, tudo bem?” – eu apenas aceno com a cabeça e ela volta a escrever. – “trouxe roupas limpas para ela, as crianças estão com o Jackson, eles não sabem do que aconteceu. Será que ela vai demorar para acordar?”

- Faz um tempinho que ela dormiu eu acho, obrigado pelas roupas e por me dizer onde as crianças estão. Você está bem? – não posso deixar de perguntar. Ninguém sabe pelo que ela passou, mas acho que tudo isso pode ser de mais para ela.

- “Não tem de que. Ana me contou que eles são importantes para você. Eu estou bem por enquanto. Obrigado.”

Depois de me mostrar o bilhete ela vai até onde estão as cadeiras de espera e se senta sozinha, longe da Sam e do Nam, mas está aqui. Pela Ana. E ela falou comigo. De um jeito inusitado mas falou. Vejo o Tae me olhando com uma interrogação na expressão, mas nem eu sei o que acabou de acontecer. hoje só pode ser um dia saído direto da caixa de pandora.

 

 

PLAY LIST:

iKON - '뛰어들게(Dive)
            7 'Outro : Ego' 

Love Maze



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