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História Uma Nova Chance (Camren) - Capítulo 62


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Notas do Autor


Muito mais rápido do que eu mesma pensei hein! Capítulo pequeno, mas tão importante pra o que vem por aí... Por favor, ouçam a música quando indicado!!! É linda e essa versão em espanhol ainda mais! Link nas notas finais... Até a próxima!

Capítulo 62 - Se eu dormir aqui...


— Agora vocês vão me contar o que está acontecendo! — Minha filha diz cruzando os braços na altura do peito no minuto em que eu pisei os pés em casa.

— Elisabeth! — Camila a repreende. — Isso é jeito de receber a sua mãe? Não vê que ela está cansada? — Tomando minhas dores e beijando meus lábios rapidamente. — Tudo bem? — Pergunta encarando meus olhos à procura de qualquer informação.

—Está sim. — Beijo sua cabeça enquanto massageio meu pescoço dolorido.

— Faça o favor de se desculpar com a sua mãe. — Diz encarando nossa filha que mantinha sua postura irritantemente adolescente, ao que Beth obedece à contra gosto.

— Onde já se viu! Sua mãe está exausta Elisabeth, ela esteve viajando praticamente sem parar por mais de vinte e quatro horas e tudo em que você pensa é em você?

— Camz, está tudo bem. Ela já se desculpou.

— Não está não Lauren!

— Amor... — Peço silenciosamente. Camila está tão nervosa quanto eu. — Oi filha — Abraço Elisabeth que retribui. — Eu vou só tomar um banho e então desço para conversarmos ok?

— Você vai tomar banho, comer alguma coisa e descansar Lauren. Você mal está se aguentando em pé!

— Mamãe está certa. Melhor você descansar mãe.

Inspiro profundamente e agradeço silenciosamente por isso. Eu queria acabar com essa situação de uma vez, mas um tempo para organizar meus pensamentos seria bem vindo.

— Vocês conversam amanhã, filha. — Camila diz abrandando sua voz. — Agora eu vou subir e ajudar a sua mãe. Você pede alguma coisa para o jantar?

— Pizza?

— Amor?

— Eu estou sem fome Camz, vocês podem escolher.

— Lauren, você não pode simplesmente ficar sem se alimentar, eu tenho certeza de que não deve ter comido nada desde ontem quando viajou.

E ela estava certa. Mas, meu estômago se recusava a aceitar qualquer coisa.

— Peça o que você quiser filha. — Eu digo novamente enquanto subia os degraus, a mochila em minhas costas parecendo pesar uma tonelada.

Chego ao nosso quarto e observo a noite ganhando espaço, a chuva fina voltando a cair. Permito-me sentar na cama para descansar minhas pernas cansadas, minha cabeça doendo tanto pela preocupação quanto pelas horas seguidas sem dormir ou me alimentar.

Camila senta ao meu lado, seus olhos ainda perscrutando meu rosto incansavelmente.

— Foi muito ruim? — Pergunta baixinho.

— Foi cansativo. Eu me senti esgotada assim que dei a conversa por encerrada e saí.

— Vocês discutiram?

— Mais ou menos.

Ela fica em silêncio por um tempo até beijar meu rosto e se levantar dizendo ir separar minhas roupas, voltando minutos depois.

— Vem — Ela chama.

— Hã?

— Eu vou te ajudar a tomar banho.

Mesmo cansada ainda sou capaz de sorrir maliciosamente para ela.

— Acha que eu não posso fazer isso sozinha?

— O que eu acho é que eu sei fazer isso muito melhor. Vem Lo.

Eu não resisto.

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Seguro sua mão e seguimos para o banheiro, meus ombros cansados gritando por uma massagem e água quente. Tiro minhas roupas enquanto observo Camila ligar o chuveiro para em seguida se livrar das próprias roupas.

Estamos juntas há mais de quinze anos, mas vê-la assim nunca se torna comum; meu coração acelera os batimentos consideravelmente enquanto meu corpo cansado entra em estado de alerta. Observo seu corpo bonito, a pele impecável e naturalmente bronzeada, os longos cabelos negros que ela prendia num coque frouxo... Eu sou louca por essa mulher!

— Será que eu nunca vou me cansar de ficar assim? Só te observando e admirando o quanto você é linda? — Pergunto sorrindo enquanto ela juntava nossos corpos, passando os braços por meu pescoço.

— Sinceramente eu espero que não.

Sorri com a pontinha da língua entre os dentes enquanto selam nossos lábios num beijo ansioso e cheio de saudade, minhas mãos escorregando de sua cintura para seu bumbum arrancando-lhe um gemido arrastado.

— Pensei que estivesse muito cansada.

— É você quem está dizendo.

— Huuummm...

— Sabe que eu adoraria te mostrar o quanto eu estou cansada? — Pergunto retoricamente ouvindo sua risada divertida.

— Eu sei. Mas, algo me diz que o que você mais precisa agora é de carinho e atenção. Podemos cuidar dessa outra parte depois.

Suspiro dramaticamente ao que ela sorri.

— Obrigada por me entender tão bem, mesmo quando eu não digo nada.

— Nós somos um casal Lo. Estamos juntas há tanto tempo, eu te conheço melhor que ninguém. Eu sei quando a minha mulher precisa ser cuidada, assim como sei que você não se negaria a me dar prazer agora se eu pedisse, porque você sempre coloca as minhas necessidades à frente das suas.

Junto nossas testas sentindo um nó se formar em minha garganta lembrando-me de quando me desnudei por completo para Camila, permitindo que ela conhecesse cada pedacinho meu. Nunca me arrependi disso. Ela é a minha pessoa. O jeito como as pessoas tentam não mudar ao longo do tempo não é natural, como quando queremos mudar alguma coisa porque é difícil aceita-las como elas são. É incrível como temos o hábito de nos prender às velhas lembranças em vez de criarmos outras. Mas, com Camila sempre foi diferente. Ela sempre me aceitou como eu sou mesmo com todas as minhas imperfeições e manias e tenacidade exagerada.

Sem pressa deixamos a água quente nos lavar enquanto Camila cumpria sua palavra e literalmente me dava banho, lavando meus cabelos e cada pedacinho do meu corpo; eu não me importei, sempre pertencia a ela. Secou como pode os meus cabelos e não muito depois eu saio do banheiro deixando que ela se secasse e vestisse as roupas e voltando ao quarto gelado eu me sento em frente a um espelho grande encarando as marcas arroxeadas debaixo dos meus olhos denunciando minha insônia. Não sei quando tempo fiquei assim, encarando meu próprio reflexo até que Camila se põe de pé atrás de mim alcançando uma escova que passa a deslizar por meus cabelos ainda úmidos.

Ficamos assim, ela penteando os meus cabelos enquanto eu encarava nossos reflexos, meus pensamentos letárgicos de mais para que eu dissesse alguma coisa, mas silenciosamente pensando em como as coisas puderam funcionar tão bem entre nós. Aparentemente não importa o quão esquisito e diferente você seja sempre existirá alguém certo para você. Pelo menos eu acredito nisso agora.

Eu me agarrei tanto a Camila ao longo de nossas vidas que não sinto o menor constrangimento em admitir que eu sou absurdamente dependente dela. Se Camila está bem então eu também estou, se algo lhe acontece é como se eu absorvesse seus sentimentos. A verdade é que eu tive muita sorte em encontra-la e em ser amada por ela, ainda mais naquele momento em que nos conhecemos... Eu estava quebrada, sem esperanças de que algo ou alguém pudesse colar meus caquinhos. Mas, Camila o fez. Tudo bem que tivemos nossas diferenças, momentos em que largar tudo parecia e com certeza era mais fácil, mas, nunca pareceu certo. Então ela colava cada pedacinho quebrado novamente, independente do que havia feito com que eu me partisse. Depois que Beth nasceu na verdade isso não havia acontecido ainda. Bom, não aconteceu, mas, algo gritava dentro de mim que não tardaria em acontecer.

— Um dos maiores prazeres que nós temos é quando alguém penteia os nossos cabelos. — Fala baixinho, sua voz suave e tranquila como se soubesse que eu estava num dos meus momentos reclusos. Sinto meus olhos arderem e antes que pudesse derrubar as lágrimas que os queimava eu sorrio cansada e peço para nos deitarmos.

Eu não precisava de mais nada nem de ninguém. Aqui, deitada de frente para Camila, seus olhos preocupados me olhando como se desvendassem minha alma, seus dedos numa carícia gostosa em meu rosto... Aqui é o meu lugar. Com ela. Com a nossa família, com tudo o que ela já me permitiu viver ao seu lado. Tudo o que eu sou é por ela. O meu medo de desaponta-la sempre foi sufocante e eu consegui reprimi-lo por muito tempo. Até hoje. Como eu poderia seguir firme para ela e nossa filha quando tudo em que eu passei a acreditar e confiar estavam prestes a ruir diante dos meus olhos sem que eu pudesse fazer alguma coisa? Sem que eu tivesse a chance de escolha? Ironicamente nossas vidas são cheias delas, cheias de escolhas. Certo e errado, dentro e fora, alto ou baixo. Enfim, escolhas bobas. Mas, há também aquelas sérias e determinantes, aquelas que nos fazem parar para pensar um pouco mais. Amar ou odiar. Ir ou ficar. Rir ou chorar. Ser um herói ou um covarde. Às vezes até mesmo viver ou morrer. Essas são as escolhas importantes e que quase nunca estão em nossas mãos.
Como podemos saber quando as coisas são demais? Informação demais, ciúmes demais, medo demais, cedo demais, tarde demais... Amor demais... Quanto demais à gente pode suportar? Fecho meus olhos feliz pelo carinho dela, feliz por ser com ela, mas a lembranças dos últimos meses pesavam em meu peito, angustiada por saber que nossas vidas estavam prestes a mudar; angustiada por não saber se o meu “demais” com Camila havia enfim extrapolado o limite que nós podemos suportar.


Notas Finais




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