1. Spirit Fanfics >
  2. Uma Nova Viagem >
  3. 2. Memórias em Plox

História Uma Nova Viagem - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - 2. Memórias em Plox


Acabei de aterrissar no Planeta Plox. Saio da Starship e paro para respirar. Não gosto daqui. Não tenho boas lembranças. Um companheiro meu morreu aqui, Mike. 

Mike era um bom homem, literalmente deu a vida por mim. Recebemos a missão do nosso comandante de explorar o Planeta Plox a procura de ser habitável. Lembro como se fosse ontem, pois além de estar muito assustada, aqui foi minha primeira missão.

- Ammy, não precisa se preocupar, vai dar tudo certo, Plox não aparenta ser um planeta hostil, e se acontecer qualquer coisa, eu estou aqui para te proteger. - Ele falou bagunçando meu cabelo.

- Você não precisa fingir que tá tudo bem, eu mesma estou apavorada. - Falei me sentindo um pouco insegura.

- Não estou com medo, até hoje as minhas missões foram extremamente tranquilas, até os combates foram simples. Você se lembra do treinamento básico Ammy? É só praticar o que aprendeu e vai dar tudo certo. - Mike falou com um sorriso na boca de canto a canto.

- Me lembro sim. - Falei enquanto respirava profundamente, tentando conter minha agonia. 

Conversamos mais um pouco, descobri que Mike queria ser astrônomo. A Terra já estava em condições quase insuportáveis, e para Mike ver as estrelas era a sua realização plena, então ser um patrulheiro galáctico era mais do que suficiente para ele.

No meio das nossas conversas, as coordenadas piscaram, nós chegamos.

- Hora de aterrissar recruta, - ele falou me dando para mim com erguendo a mão com o polegar levantado.

Dei meu último suspiro e finalmente Starship aterrissou. Assim que pousamos saímos da nave cuidadosamente, o Mike na frente e eu atrás, ele segurando sua pistola de proteção e eu a mochila com os alimentos.

- Temos dois dias para percorremos sessenta quilômetros. Se durante esse percurso o ambiente for favorável, poderemos começar a estudar o processo de colonização. Acamparemos na metade do caminho e iremos ver como o planeta se comporta a noite. - Disse Mike olhando para mim ao me dar as instruções. 

- Tenha calma Ammy, vai dar tudo certo - ele concluiu novamente bagunçando meu cabelo.

Começamos nossa caminhada. Plox tem uma atmosfera pantanosa. Ele é relativamente alagado, caminhamos sempre com a água e mato na altura dos joelhos. Tem algumas árvores distantes com aspecto lembrando palmeiras, outras parecem parreiras, embora o ambiente seja sombrio. E e o ar possui um cheiro meio podre, como merda pegando fogo. Meu nariz fica irritado e coçando. 

- Ei. Tá certo que o ar fede, mas acredite, esse é o menor dos problemas. A primeira vista caso não encontrarmos terra para acampar durante a noite, teremos que voltar antes do escurecer e darmos a missão como fracassada. - Falou ele todo risonho.

- Qual o motivo da graça? Isso significa que a missão falhou. - Falei sem entender.

- Significa que ainda poderemos olhar as estrelas por mais tempo. - Ele disse isso totalmente sem preocupação.

- Mas as pessoas da Terra estão dependendo de nós. - Falei preocupada.

-  Pelos dados que eu recebi do restante da patrulha, o Planeta Alfa me parece plenamente adaptável. Então vamos pensar que a missão deles deram certo e que estamos aqui apenas a passeio. Como se fosse férias. - Falou olhando para mim.

Dei de ombros e apenas acenei. Mike é muito despreocupado, ou sou eu que penso demais, não sei. Enfim, continuamos conversando e finalmente perto do anoitecer, quando o sol estava se pondo, encontramos um bom pedaço de chão para acamparmos.

Era estranho, de um ambiente pantanoso, passou para um chão duro, árido, como se fosse um deserto seco, embora o clima lúgubre continuasse. Agora tinham árvores perto parecendo mangueiras e bananeiras. Minha visão também encontravam samambaias. Ou eu acho que eram. Entre elas tinham alguma coisa se movendo, parecia que eu estava vendo uma cauda, mas não dei importância, achei que era apenas a característica da planta.

Acendemos a fogueira, retirei os alimentos da mochila, começamos a comer e continuamos a conversar. Mike todo brincalhão, de repente parou e me perguntou se eu estava solteira.

- Que pergunta é essa? Espero que não esteja dando em cima de mim, não é apropriado, somos colegas de trabalho e você é meu superior - Comecei a tossir logo depois de me engasgar. Fiquei enrusbecida com a pergunta.

- Não estou dando em cima de você. -Ele começou a rir. - Eu só acho que você deve relaxar um pouco mais. Se permita. Para que você virou cavaleira? Embora cavaleiros de rastreamento não se envolvam tanto em combates, ser cavaleiro galáctico não é apropriado para pessoas comprometidas. - Ele concluiu seu pensamento olhando para mim.

- Eu sou órfã - disse com as lágrimas brotando em meus olhos.  - Estamos perto de duzentos anos procurando uma nova morada, o organismo dos meus pais estavam bem debilitados devido ao caos na Terra e o pouco que eles tinham, me pagaram para eu estudar e ter oportunidade de sair da Terra o mais rápido possível. No meu último mês de estudos eles pegaram uma febre forte e antes de eu me formar eles faleceram. Não tenho mais ninguém a não ser eu mesma. - Finalizei.

Mike estava me olhando bem seriamente. Ele discorreu: 

- Eu tinha família, tinha uma esposa e uma filha. Elas morreram pisoteadas no meio de um protesto a caminho da compra do vestido do nosso aniversário de casamento. Aonde eu morava os alimentos já estavam em péssima qualidade, os animais já estavam morrendo, o povo estava começando a adoecer e os cavaleiros ainda não tinham descoberto nada no espaço. Mas éramos felizes da nossa maneira. E é por isso que eu amo olhar as estrelas. Me fazem estar mais perto delas. - Desabafou para mim. - Mas vamos parar de falar de tristeza. Temos muita coisa boa pela frente e você ainda é muito nova, vai  encontrar alguém e vai querer viver a vida ao lado dela. Querendo ou não, os sentimentos são uma benção para o ser humano. São eles que nos mantém vivos e esperançosos. E precisamos muito de esperança para realizar nossos sonhos. - Terminou com um largo sorriso, afagando novamente meus cabelos.

Fomos dormir, e então no meio da noite acordo com uma vontade de fazer xixi. Fui perto das mangueiras ou das bananeiras, não sei ao certo o que era. Abaixei minha saia, retirei minha calcinha, e comecei a urinar. 

Assim que eu terminei, e vesti novamente minhas roupas de baixo, sinto uma coisa no meu ombro, como se fosse uma gota, quente e ardeu muito. Quando eu olhei tinham nas árvores lagartos. E eles eram horríveis. Eram quatro, cada um tinham três olhos, uma crista meio serrada em cima do olho central, caudas altamente escamosas, e tinham presas que pareciam rasgar a boca. Ao redor das presas, pareciam carne viva, e um deles que parecia ser o líder pois tinha a língua bifurcada começou a andar de maneira que os dedos com unhas pontudas faziam barulhos no chão como se tivesse partindo o chão ao meio. 

E ele abriu a boca, nisso meu instinto falou mais alto e eu me abaixei. Assim que eu me abaixei ele soltou um fogo azul, queimando inteiramente a própria árvore onde ele estava, e o piso em minha volta sem me atingir, como se estudasse meu medo. Quando eu olhei ele e seus capangas não tinham se queimado, eram imunes ao próprio fogo. Congelei assustada. Era o meu fim. Os quatro estavam avançando para cima de mim.

- Corra! - Era Mike. Ele chegou com a pistola atingindo em cheio dentro da boca de um dos lagartos e olhou para mim e falou:

- Não é só lagartos que estão aqui. Temos que sair daqui rápido, de volta para Starship! - Disse pegando na minha mão.

Correndo às pressas com os lagartos atrás da gente, seu líder aparentando está com muita raiva, pois Mike matou um dos seus lacaios, chegamos novamente ao matagal alagado, com o vislumbre das parreiras e palmeiras de novo.

De repente, jatos de água começaram a subir, não sabíamos mais aonde pisar direito, e os lagartos não paravam de nos perseguir. No meio de tudo isso, uma das palmeiras começou a se levantar, e quando eu vi não era uma palmeira, era uma tartaruga gigante que usava plantas para se camuflar no meio do matagal, e quando abriu a boca eu descobri que o cheiro podre parecendo merda queimada vinha dela. Era o hálito da tartaruga. 

- Mas que merda, mergulha! - Mike ordenou. 

Eu mergulhei, mas antes disso deu para ver, a tartaruga também estava cuspindo fogo, um fogo verde, em direção aos lagartos. Submergimos e paralisei com o combate. A tartaruga estava visivelmente irritada, os lagartos subindo e tacando fogo nela, arranhando seu rosto. O líder deles cegou um dos olhos dela, eu vi o olho da tartaruga pulando para fora, foi horrível, o grunhido dela me perturbou.

A tartaruga começou a dar pisões no chão, cada pisão mais água jorrava para cima, os lagartos iam e voltavam, e quando eu vi, um dos lagartos que não era o líder, arranhou a garganta da tartaruga, e ela com muita raiva ficou em pé. Era um colosso!

Eu e Mike corremos sem parar, deixamos o combate rolando. Depois de muita correria e cansaço, quase não aguentando mais, finalmente estávamos vendo o alcance da nave. Então escuto um grito. Era Mike.

Quando me virei, lá estava Mike caído com as pernas carbonizadas, e na frente dele o maldito filho da puta do lagarto líder, com os seus três olhos, sua língua bifurcada e suas enormes garras olhando para Mike, sozinho sem nenhum ferimento. Acho que seus capangas ficaram para trás, não tinha nem visão deles e nem da tartaruga.

Mike levantou a pistola e disse: 

- Vá e me deixe aqui, eu distraio eles, volte para Starship, repasse que aqui não tem condições para habitarmos.

Eu não vou lhe deixar aqui!!! Gritei. - Isso não é justo! - Chorei aos soluços.

- Você ainda tem muito para viver, e eu me sinto um privilegiado, pois no máximo eu me livrarei de tudo isso e estarei nas estrelas com minha esposa e minha filha. Vá e busque suas respostas! - Ele me disse piscando o olho esquerdo e sorrindo. 

Então eu corri, cheguei na Starship, e antes de entrar eu me virei, e quando vi Mike já estava sendo devorado. O lagarto estava devorando seu peito e abrindo seu tórax. Que Deus lhe proteja e que sua família lhe receba nas estrelas como você merece.

E então depois dos meus devaneios, do meu estômago borbulhando e da minha ansiedade chegando, eu começo a respirar novamente. Afinal, tem alguém aqui que precisa de mim, uma voz feminina doce que me trouxe uma paz que eu não lembrava que poderia ter. Imaginação ou não, eu vou salvar ela. Vencerei o pesadelo desse Planeta e quem sabe assim acharei alguma resposta. Quem sabe assim essa voz seja minha resposta. Abrindo meus lábios, eu grito:

- Gema, cheguei!!!




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...