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História Uma Paixão (anos 60) - Imagine Jaehyun - Capítulo 2


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Notas do Autor


Era muito triste o que as pessoas dos anos 60's faziam para se divertir no recreio.

Capítulo 2 - Eu quero um encontro


O sinal tocou e a algazarra de alunos, do sexto ao nono ano se formou. Todos tinham que estar em fila quando todos os professores descessem a escada para cantar o hino nacional. Aquele deveria ser o momento mais importante do dia. Para os funcionários, era um momento de respeito para a bandeira dos Estados Unidos. Mas para quase todos os alunos, era o momento de saber como foi a tarde dos amigos que não tinham telefone em casa. 

A fila do oitavo ano (assim como todas as outras) era organizada em uma para meninos e outra para meninas. Nicolle e Bárbara colocaram a sua pasta no chão e posicionaram seus braços para trás em sinal de respeito quando todos os professores apareceram junto da diretora para começarem a cantar o hino nacional. 

Quando a cantoria terminou, todos os alunos pegaram as suas pastas do chão e, conforme o professor ou professora chamava para subir até as salas de aula. Quando a professora chamou a fila do oitavo, todos os alunos passaram pelas portas duplas de madeira; que na frente havia uma escadaria que dava para as salas. Nicolle e Bárbara iam conversando com os amigos antes de entrarem. 

As carteiras escolares eram feitas de madeira e tinham um espaço para colocar a tinta e a caneta tinteiro (que era usada somente em ditados ou provas). A mesa do professor ficava bem na frente da sala, de frente para o grande quadro negro que já estava um pouco desgastado por causa do giz que a professora usava para escrever. As paredes tinham tinham um tom amarelo claro, com três janelas de madeira do lado esquerdo. Já do lado direito, ficava o mural de anúncios. 

- Bom dia! - Exclamou Rafaela se sentando ao lado de Bárbara - Fizeram a lição? Eu ligaria para vocês...Se eu tivesse telefone em casa...Argh!

- Quando sua mãe vai comprar um? - Pergunta Nicolle se sentando a sua frente 

- No dia em que ela parar de perguntar para as vizinhas que tem, se a conta de luz do mês vem mais cara - Rafaela bufou apoiando a cabeça na mesa - E a resposta é sempre a mesma: "Não é muita coisa...Mas vem." E como ela não quer gastar nem mais um centavo nas contas, lá em casa a gente se comunica por cartas mesmo.

- Muito bem, agora eu quero todos sentados - Pediu a professora de sua mesa. Os alunos obedeceram e ficaram todos calados - Hora da chamada. E quando eu chamar o seu nome, por favor traga a sua lição de casa, que eu darei o visto no caderno

Nicolle e Bárbara se entreolharam nervosamente e depois olharam para Guilherme, que mantinha um sorriso vitorioso nos lábios, pelo visto ele ainda não havia esquecido do que vira no ônibus. A professora leu o primeiro nome e uma garota de cabelos loiros se levantou com o seu caderno e foi até a mesa da professora, ganhar o visto. 

Conforme os nomes eram chamados, mais aumentava a tensão. Será que o garoto iria mesmo dedurá-las para a professora? Por mais que Bárbara cumprisse o que promete, aquela era uma época onde todas as pessoas, homens e mulheres eram extremamente machistas. Aquilo definitivamente não eram certo...Mas o que eles poderias fazer?

- Guilherme Dos Santos Estrada - Chamou a mulher enquanto molhava a ponta da caneta na tinta

O garoto se levantou como se fosse alguma espécie de autoridade de sala e foi em direção a mesa da professora, que deu o visto no caderno. Nicolle e Bárbara estavam com os olhos arregalados, esperando qual seria a atitude de Guilherme. Surpreendentemente, ele não disse nada, apenas voltou calado para o seu lugar, isso já fez o coração de ambas desacelerar um pouco. 

- Bárbara Rodriguez Lopes - A mulher disse já sabendo qual seria a nota que escreveria no caderno da garota 

Ela se levantou como cadernos em mãos. Quando a professora viu os exercícios todos feitos, fez uma expressão de surpresa. 

- Fez todos os exercícios? Que milagre é esse? - A professora escreveu "feito: dia 07 de junho de 1962" 

(...) quebra de tempo

- Eu te disse para não copiar igual ao do meu - Nicolle sussurrou para a amiga - Ainda bem que a professora não desconfiou de nada 

- Eu não copiei igual - Disse Bárbara largando o lápis em cima da mesa - No seu estava escrito: " Ele morreu em 1835", não é isso?

- Sim - Nicolle olhou para o caderno - E como você escreveu?

- Em 1835 ele veio a falecer - Bárbara disse com um tom tão natural, que Rafaela começou a rir 

- Srta. Rafaela? - Perguntou a professora se virando de costas para o quadro - Está tudo bem por ai?

- Está sim professora - Respondeu a garota imediatamente, fazendo a mulher se virar de volta para o quadro negro e com o giz na mão, continuar a escrever os exercícios da lição de casa

- "Em 1835 ele veio a falecer"... - Nicolle suspirou sorrindo - Só podia ser coisa da Bárbara mesmo

- Ah! Um recado para vocês! - A professora se sentou em sua cadeira - Hoje após o lanche, terá uma prova surpresa...

Os alunos ficaram alvoroçados. Um prova? Surpresa? Qual seria a matéria? Será que daria para eles estudarem no recreio? A professora bateu a sua régua na lousa para que eles se calassem. 

- Eu ainda não terminei de falar - Disse ríspida - Continuando...Hoje após o lanche, vocês terão uma prova surpresa E na saída da escola, todos sem falta devem estar no pátio, para tomar a dose de vermífugo

Os alunos bufaram. A única coisa pior do que uma prova surpresa, era ter que tomar vermífugo depois da tal prova. Hoje seria um dia daqueles.

(...) Hora do intervalo 

O pátio foi tomado por várias crianças e adolescentes na hora do lanche. Várias pulavam corda ou balançavam nos balanços do parquinho. Nicolle, Bárbara e Rafaela estavam na fila para pegar o lanche antes de se sentar em um banco do pátio e ficar conversando té o sinal (que na verdade era um sino que alguém batia com um martelo todos os dias). 

Como algumas mães de alunos não tinham tempo para fazer a lancheira do filho ( o que acontecia com muita frequência), ele ou ela tinha que enfrentar uma fila enorme para pegar seu lanche na cantina. Mas, os outros privilegiados que não precisavam pegar o lanche, o levavam em um saco de papel marrom e era quase sempre igual ao dos outros: pão com manteiga, uma fruta e um suco na garrafa feita de plástico. 

- Essa fila está lenta demais - Reclamou Rafaela dobrando as pernas - Minhas pernas não aguentam mais!

- Eu sei, isso cansa um pouco - Nicolle inclinou o corpo para ver o começo da fila - E pelo jeito ainda vai demorar mais um pouco...

- Mas ai vai acabar o recreio, e a gente vai ficar com fome o resto do dia - Rafaela cruzou os braços - E eu não quero ficar com fome 

- Ou o lanche pode acabar antes - Bárbara apontou para um garoto que saia da fila com nada mais nada menos do que cinco embalagens de bolacha água e sal - Olha lá, esse ai passa fome em casa. 

- Ai que dó de vocês... - Guilherme de aproximou do trio de amigas, com o seu saco marrom em mãos - É uma pena que vocês precisem ficar nessa fila para pegar o seu lanche...

- Guilherme... - Bárbara começou - Porque você não nos deixa aqui em paz? 

O garoto olhou com desprezo para Bárbara, a ignorando depois. Ele puxou de seu saco, um sanduíche de pasta de amendoim e geleia que, as olhos de muito, parecia feito pelos deuses. Algumas pessoas fariam de tudo para provar apenas um pedaço, já que pasta de amendoim não era muito comum nos mercados normais. 

- E ai? Querem um pedaço? - Perguntou ele ironicamente - Pena, porque eu não vou dar nem uma migalha. - Então, Guilherme deu uma boa mordida em seu lanche 

Nicolle ficou com ódio que Guilherme, mas teve que se controlar, já que ela não podia fazer nada para reverter aquilo. No lugar, ela apenas respirou fundo e olhou para ele de volta. 

- Só me diga o que você quer aqui - Pediu ela com a voz trêmula 

- Como sabe que eu quero alguma coisa? - Perguntou guilherme guardando seu lanche de volta no saco marrom 

- Você não nos dedurou para a professora - Bárbara disse - Então isso, obviamente tem um preço, certo?

- Boa garota - Guilherme deu um passo a frente, para parecer assustador - Quero uma coisa, de Nicolle

As outras duas olharam para a amiga, que estava com os braços cruzados, ela parecia bem apreensiva.

- O que você quer? - Perguntou a mesa

- Um encontro. E eu não estou falando de se sentar juntos no recreio. Quero dizer em uma lanchonete de verdade. E como uma boa garota, você irá pagar a conta, independente do quanto eu quiser comer. E se o seu dinheiro não for o suficiente...Ai isso seria uma coisa boa, porque você já aprenderia a como lavar pratos corretamente. 

- Sério isso Guilherme? - Perguntou um garoto que vinha atrás dele - E porque você não fica para lavar os pratos?

- Faça-me um favor, Jaehyun - Guilherme se virou - Eu? Um homem? Lavando pratos? Isso é coisa de mulher!

- Ou não - Jaehyun o fuzilou com o olhar - Você também duas mãos, ou seja, pode fazer o mesmo trabalho. 

Guilherme revirou os olhos. 

- Eu não tenho medo de você - Disse com um ar de durão - Veio defender sua namoradinha, é? Isso só prova como todas são fracas e...

Jaehyun deu um soco na cara de Guilherme, fazendo o mesmo cair no chão, em cima de seu lanche. As pessoas nem ligaram muito, só deram uma olhada rápida e depois voltaram aos seus afazeres. Nicolle, Bárbara e Rafaela estavam tão surpresas...Se elas tivessem feito isso, todos olhariam, falariam mal e tudo isso que se pode imaginar. A vida de um homem era sim, mais fácil da que de uma mulher. 

- Meu pai vai ficar sabendo disso! - Guilherme se levantou, massageando o rosto - Você vai para a cadeia, seu delinquente!

- Se quiser eu dou até o meu endereço para você, aceita? - Jaehyun perguntou irônico - Agora que você já se levantou, pode ir embora, não? 

Guilherme bateu os pés e saiu pisando duro. Jaehyun olhou para o trio e sorriu gentilmente. 

- Desculpem por isso, mas eu acho que dessa vez ele passou dos limites. 



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