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História Uma pequena perda de Inocência - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo Cinco


Fanfic / Fanfiction Uma pequena perda de Inocência - Capítulo 7 - Capítulo Cinco

As marcas que os humanos deixam são, com frequência, cicatrizes. — A culpa é das estrelas


Sigo sempre tentando me convencer que tudo nessa vida tem um propósito: meu nascimento prematuro, meus pais problemáticos e o sofrimento do dia vinte e cinco de novembro que, infelizmente, se repete todo ano. Sigo tentando acreditar que no final de tudo irei olhar para trás, sorrir e dizer para mim mesma as palavras mágicas 

"Valeu a pena passar por tudo que passei." 

Atravessei a rua sem muito movimento de carros com passos largos. Quando sair da mansão dos Wright estava caindo alguns respingo de água do céu, contudo, agora no meio do caminho creio que o resto de chuva se foi de vez. Seria esse o motivo para tantos rostos sorridentes?

Alguns cidadãos  passavam por mim, me cumprimentavam com um bom dia e eu com um sorriso amigável desejava o mesmo.

Antigamente eu costumava associar as pessoas a cores. Minha mãe seria azul, meu pai preto e  eu certamente seria algo neutro — cinza, como uma fumaça solta no ar para poluí-lo. Quem não me conhece como eu me conheço me associaria ao laranja, ou vermelho… apenas porque meu exterior lembra cores quentes. 

Eu sempre quis ser amarelo e sempre sinto um pouco de ciúmes de quem é. Dylan, meu irmão era tão amarelo quanto as pétalas de girassóis; Rebecca é — Fernando, meu ex namorado era. 

Quando eu o conheci, ou melhor, quando ele de algum jeito me encontrou pelas ruas de Scarfield — prometeu me transformar em amarelo e eu aceitei depois de muitas insistência… uma pitada de esperança apareceu no final do túnel e admito que fui um pouco egoísta em ter aceitado. Misturamos nossa cores igualmente, no entanto, não foi o suficiente e então Fernando colocou mais um pouco e mais um pouco e mais um pouco até que aconteceu a metamorfose, fiquei amarelo, mas não como almejava… virei um amarelo triste — o cinza continuava alí. Me decepcionei ficando ainda mais neutra; chorei e quebrei o coração radiante do rapaz o fazendo ficar azul.

Ajeitei minhas tranças com frizz rebelde e úmidos enquanto me aproximava da porta larga com aspecto antigo. O movimento não estava tão grande comparado aos outros dias em que faço esse percurso. Em todas ou quase todas as vezes em que chego aqui na porta consigo escutar as várias vozes falando ao mesmo tempo na parte da lanchonete.

— Bom dia, Fourth month! — Escutei o barulho de uma… duas porta de carro sendo fechada e a tão conhecida voz compacta subindo no ar. 

— Chegou no horário, Mrs. Harris! 

Fechei os olhos amedrontada quando escutei a segunda voz. Virei-me lentamente, dando quase que de cara com o Fernando e seu pai, Albert. — Sim, Mr. Reid Black! — Foi a única coisa que saiu de minha boca trêmula. 

Eu não deveria ser tão intimidada pelo homem, visto que Albert é tão gentil, porém, ele tem alguma coisa que causa horríveis calafrios em qualquer um.

— É bom ver que você, mesmo que seja menos que o esperado, ainda tem responsabilidade com esse emprego que é o sonho de muitas jovens! — Sorriu de um jeito pavoroso. 

— Pai! — Fernando o repreendeu. Seus olhos castanhos escuro estavam arregalados, reprovando as palavras de seu pai. 

Neguei com a cabeça. — Ele está certo! — Sorrir com os lábios unidos. — Me desculpa por todos os atrasados, Mr. Reid Black! 

— Um disco arranhado, não? — Também negou com a cabeça. — Mas tudo bem! Gosto do jeito que se esforça aqui dentro… você sabe que uma das minhas melhores funcionárias! — Ele me olhou com uma expressão enigmática e em seguida abriu a porta de seu estabelecimento. — Faça o que tem que fazer e não enrole muito! — Falou para Fernando antes de sumir.

O som do sininho avisando que alguém adentrou a lanchonete espalhou-se na calçada movimentada. 

— Como você está? — Abriu a porta para mim. — Faz tempo que não nós vemos! — Disse colocando as mãos nos bolsos de sua calça social clara.  

Cursar administração na UofT faz com que passe pouco tempo em Scarfield, uma coisa boa para nós dois. Me lembro perfeitamente do dia em que ele descobriu que havia conseguido entrar na universidade depois de muitas noites acordado esperando a resposta; se eu fechar os olhos ainda consigo escutar seus gritos eufóricos no lado de fora de minha casa em plena madrugada "Eu conseguir, meu amor… eu conseguir!" 

Fernando costumava me incluir em todos seus planos para depois de tudo isso e pensar nisso me faz sentir-me ainda mais culpada. Ele fazia o impossível para sempre ter um momento comigo; era um mês aqui e dois lá;  infelizmente deixei o relacionamentos subir de nível pensando que um dia iria me apaixonar por ele... eu tentei muito, mas infelizmente não conseguir o amar.

— Estou bem! — Joguei os ombros para trás. — E você… Ame e Tista? — Perguntei o olhando rápido. 

Uma das coisas que mais sinto falta é de cuidar de Ame e Tista, suas adoráveis gatinhas; costumava exercer a profissão de babá enquanto ele estava no Canadá.

— Falar com você me deixa, sabe… muito melhor! — Deu um sorriso de um garotinho apaixonado. — Então… falta pouco tempo para... — Molhou a garganta desviando o olhar para o chão brevemente. Estava nervoso. — Meu aniversário está chegando e eu queria muito ter você lá nesse momento especial... — As palavras saíram com tanta urgência de sua boca que quase não conseguir entender. 

— Fernando, eu… 

Suas mãos vieram em direção as minhas, mas ele recuou com elas trêmulas. — Mesmo que não tenha dado certo… — Seus lábios se abriram em um amplo sorriso. — Você sabe o quanto é especial para mim… os melhores momentos foram ao seu lado! — Permitiu que um pouco de ar deixasse seus pulmões. —  Minha família do México vem... — Olhou fixamente para meu rosto. — A Abuela e o Abuelo virão... e eles te adoram, Harris! 

Dei um sorriso enfraquecido, envergonhada. — Eu só fiz o que uma boa namorada faria! — Dei de ombros.

— Por favor! — Suplicou com voz baixa. 

Virei a cabeça para o lado e peguei um pouco de ar. — Vou tentar… Porém, não cria expectativas! 

Não sei se foi apenas coisa de minha cabeça, mas o vi dando um pulinho felicidade e eu não pude evitar que um sorrisinho tomasse meus lábios. 

— Os clientes não vão se servir sozinhos! — A voz grossa de Albert espalhou-se no salão. 

Olhei em direção ao homem. Ele encontrava-se próximo a saída, olhando para nós dois com seu jeito impaciente. — Vamos Fernando! Acho que dei tempo suficiente para você fazer seu convite.

O rapaz me olhou uma última vez de um modo indecifrável antes de iniciar uma caminhada até seu pai impaciente. Albert o recebeu com sermões; era possível notar isso por causa dos seus gestos bruscos com as mãos e o jeito que seus lábios se mexiam.

— Só pode ter… como é que dizem? Hãm… Mel? 

Escutei as risadinhas, mas preferir não dar atenção. 

— Se não for isso — Uma risadinha nojenta feminina. — Deve ser algo muito bom! 

Olhei para trás com tanta vontade de mandar eles se fuderem. Era os seres insignificantes Daniel e Mollie que estão sempre tentando fazer da minha vida um inferno. Passei por eles respirando e inspirando fundo para não ceder às provocações.


Notas Finais


Obrigada por ter lido 🥀🍒

Trailer Book: https://www.instagram.com/p/B7Rag66hh2j/?igshid=tpfozqkm9q2t


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