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História Uma Promessa Florida - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Noite em Paris


   Finalmente as aulas terminaram! Não aguentava mais ficar lá dentro, queria logo voltar pra casa e me encontrar com a minha cama.

   Por conta da pressa e o cansaço, acabei esquecendo de esperar Sabrina e fui direto pra casa, e só chegando lá é que me dei conta disso, acabei mandando uma mensagem me desculpando e falando que não ia se repetir, ela entendeu e falou que estava tudo certo e que ia demorar pra ir embora hoje, então de qualquer maneira eu iria sozinha pra casa.

   Abri a porta, cumprimentei meus pais, peguei algo pra comer e subi direto pro quarto, deixei minha comida na mesa e me joguei na cama, esperava só dar uma deitada, mas em questão de segundos adormeci.

꧁𝚂𝚘𝚗𝚑𝚘꧂


   Eu estava sentada num lugar escuro, sozinha e usando um kimono, ele era branco, com detalhes em rosa e dourado. Comecei a gritar pra ver se tinha mais alguém ali, me levantei e fui andando de maneira perdida pelo vazio escuro, eu estava sozinha, não havia nada, nem ninguém, só eu... Resolvi gritar mais alto, mas não adiantou, só fiquei sem voz.

   Agora estava perdida e não conseguia falar.

   De tanto andar acabei avistando duas pessoas conversando, era um menino e uma menina, os dois também usavam Kimono... Ela estava de pé e segurava uma katana ainda na bainha, seu kimono era vermelho com detalhes em preto e amarelo, enquanto ele estava ajoelhado no chão, com um kimono verde e branco desbotado, sujo e rasgado, preso por uma corrente de flores de cerejeira, quis ajudar e comecei a acelerar o passo, até que o rosto do garoto se virou para mim... Era Kurotsuno, seu rosto estava machucado e seu estado era deplorável, a menina tirou a katana da bainha e se preparou para atacá-lo.

   Comecei a correr o mais rápido possível para salvá-lo, não podia vê-lo morrer, ele não podia morrer. Comecei a gritar e a implorar que ela não fizesse isso, mas estava sem voz e parecia que meus passos ficavam cada vez mais lentos...Eu estava quase lá, mas... não fui rápida o suficiente, ela o atingiu e era como se eu tivesse perdido ele pela segunda vez. Ele caiu morto no chão e o sangue que jorrou de seu corpo pintou o pano branco que eu usava, de vermelho.

   Meu corpo havia voltado ao normal, corri o pouco que faltava até ele e me ajoelhei ao seu lado o abraçando fortemente, passava várias vezes a mão pela ferida, tentando estancar o ferimento e de alguma maneira milagrosa salva-lo.

-O sangue dele está nas suas mãos, não nas minhas... - Ouvi a garota que havia o esfaqueado dizer de maneira serena.

   Imediatamente olhei suas mãos e realmente estavam limpas, já as minhas... olhei para elas e enquanto uma segurava ele, a outra estava sobre meu rosto - o ensanguentando -, estavam cheias sangue, sangue do Kurotsuno, a culpa era minha, toda minha... eu prometi protegê-lo custe o que custar e agora ele morreu e eu não pude fazer nada.

   Olhei dessa vez pro rosto da garota que me encarava com um olhar sereno e autoritário, não expressava qualquer sentimento, ela estava plena como sempre, como eu odiava a Kumiko! Ela matou ele e sem qualquer excitação, não tinha mais escrúpulos, era uma assassina a sangue frio que esqueceu o que é ter sentimentos.

   Comecei a gritar palavras de ódio e gemidos de raiva, queria vingar ele, queria fazer o mesmo com ela, queria matá-la!

꧁𝙵𝚒𝚖 𝚍𝚘 𝚂𝚘𝚗𝚑𝚘꧂


   Acordei no susto, estava suando frio e com muita dor de cabeça, meu corpo estava trêmulo e eu estava chorando.

   Me encolhi na cama e comecei a chorar de maneira silenciosa, apertando meu pulso esquerdo o mais forte que conseguia, fazendo ele ganhar marcas avermelhadas, olhar para aquilo me fez chorar ainda mais, a ponto de embaçar a minha visão.

   Eu tinha a resposta para aquela duvida agoniante em minhas mãos - ou melhor, em meu pulso -, mas não sabia se relamente queria ela... Olhei para o meu criado mudo onde deixei a presilha que recebi na carta e a peguei, me virei de frente ao teto e estiquei os dois braços que seguravam ela.

-Eu tenho que saber a verdade, mas preciso de coragem pra isso - desci a presilha de volta ao meu peito a segurando com força - só que antes tenho que refrescar meus pensamentos pra fazer uma escolha sensata e me prevenir de fazer alguma idiotice-se.

   Enxugo as lágrimas e vou ao banheiro lavar o rosto, depois disso começo a sair do quarto e percebo que nem sequer comi algo desde as 17 horas, peguei meu celular e fui ver a hora, 18:38, não havia dormi muito, mas o suficiente, como estava sem fome deixei a comida no quarto mesmo e saí, me despedi dos meus pais e falei que ia voltar na hora do jantar.

   Saí de casa e fiquei andando pela ruas de Paris, até que olhei para o lado e vi a grande Torre Eiffel, por que não? Afinal, que lugar melhor para pensar do que o ponto mais alto da cidade? Comecei a ir em sua direção devagar, ainda pensando no pesadelo e sobre o que fazer perante ele.

   No caminho passei por algumas árvores de cerejeiras, mas por não estarem na época não havia flores, de qualquer modo elas ainda tinham o poder de me trazer tanto boas, quanto más lembranças.

   Chegando lá respirei fundo e comecei a subir as escadas até o topo - ainda perdida em meus devaneios -, foi cansativo subir tudo a pé, mas aquilo fez minha cabeça esvaziar e também abafar um pouco o frio que estava sentindo, já que havia esquecido de trazer uma blusa.

   Chegando no topo me apoiei na grade de ferro da Torre, fechei os olhos e fiquei passando a mão de leve no meu pulso esquerdo - que ainda estava marcado -, eu só queria que tudo fosse um sonho e que eu acordasse logo.

-É só isso que eu queria... - sussurrei baixo para mim mesma e peguei a presilha que havia guardado no bolso da calça, girando ela entre meus dedos.

-Só queria o que? - Uma voz familiar, baixa e preocupada apareceu interrompendo meus pensamentos.

-Hã? - Olhei para trás e vi Mike me encarando com um olhar pesado, como se estivesse acabado de enxugar os olhos... Pelo visto não era só eu que tive uma tarde difícil.

-Você não é a única que vem aqui pra aliviar os pensamentos - Ele sorriu para mim gentilmente coçando a nuca. Acho que ele disse aquilo por perceber minha cara de curiosa sobre ele.

-Desculpa... - Balancei a cabeça em negação e voltei a olhar pro céu, ainda girando a presilha nos dedos.

-Não precisa se desculpar por isso LadyBlue - ele se aproximou de mim e também se encostou nas barra de ferro olhando o céu.

   Ficamos num silêncio amigável, cada um perdido em seus pensamentos e dúvidas, queria saber sobre o que ele estava pensando ali de maneira tão serena, mas não quis incomodar ele, então para quebrar o gelo falei qualquer coisa. Continuar pensando sobre Kurotsuno só ia me fazer chorar e eu não queria fazer isso na frente dele.

-Por que você me chama assim? - perguntei despreocupada, ainda olhando o céu que se escurecia cada vez mais.

-Do que? LadyBlue? - ele perguntou olhando pra mim e em resposta apenas confirmei com a cabeça - Bom, eu achei que você soubesse pelo menos o básico de inglês - ele se virou de costas para o apoio da torre e deu uma risada, não respondi ao seu ato sarcástico, apenas olhei pra ele revirando os olhos e depois voltei a olhar para o céu - Lady:Dama, Blue:Azul... bom, depois disso não é difícil, olhos azuis, cabelo azul, cor favorita azul... Deu pra entender?

-Como você é idiota... - Falei respirando fundo e depois desviei o olhar do céu para os seus olhos - Eu quis dizer por que eu sou a única que você chama assim? Nunca vi você chamar as outras meninas que você atazana desse je-

-Ei! Eu não atazano ninguém! - ele falou arregalando seus olhos para mim em descontentamento.

-Eu só falo o que eu vejo - dei de ombros pra ele que bufou pra mim, ele era uma criancinha - De qualquer modo, há várias outras meninas que são iguais a mim, tipo a Isabelle: Loira, olhos cor de mel, a cor favorita é amarela, vive usando amarelo e fora isso é apaixonada por você.

-Isso é ciúmes? - Ele brincou fazendo novamente sua cara sedutora, então o empurrei com a mão para longe revirando os olhos - Ok... Já entendi - ele abaixa a cabeça, levantando as duas mãos pro alto e se aproximando de volta - E outra, ela não está apaixonada por mim.

-Como você sabe? - Olhei para a presilha e comecei a pensar novamente em Kurotsuno... "afinal, como se sabe quandoa alguém está apaixonado?" Foi isso que se passou pela minha cabeça na hora.

-Pelo visto eu sei mais do que você quando e trata dos assuntos do coração - Ele respirou suavemente e o silêncio entre nós voltou.

   Desta vez ele que quebrou o gelo, mas diferente de mim ele realmente tirou sua dúvida.

-Sobre o que você está pensando? - Ele olhou para a presilha que eu rodava constantemente entre meus dedos e depois os direcionou para meu pulso marcado.

-Estou com uma séria dúvida - Falei apertando a presilha, queria falar com alguém sobre isso e por mais que ele não entendesse, ele era uma boa companhia - Acontece que eu tenho como saber a verdade...

-Mas está com medo dela - eu olhei para ele e ele estava olhando para baixo, parecia perdido em seus pensamentos, como se tivesse se lembrado de algo.

   Voltei a olhar a lua, ela estava cheia e brilhante, até que uma brisa fria bateu em meus braços e eu passei minhas mãos neles, a noite estava fria naquele dia, até que quando percebi, Mike havia colocado sua blusa na minhas costas a segurando com suas mãos em meu ombro, automaticamente coloquei a mão que não segurava a presilha por cima da sua.

-Você deve estar com frio - Ele sorriu e se afastou, voltando a se apoiar na grade ao meu lado - De quem é a presilha? - ele apontou para ela com a cabeça e depois de um um momento excitação, resolvi falar.

⊱✿⊰


Notas Finais


Nota do autor: Sorryyy, mas o capítulo ficou muuuito grande e tive que dividi-ló em 2 duas partes.😅

Obrigado por ler até aqui e...

𝐁𝐞𝐢𝐣𝐢𝐧𝐡𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐌𝐞𝐠
ฅ^•ﻌ•^ฅ


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