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História Uma Proposta Irrecusável - Capítulo 1



Notas do Autor


História por: @CLSiilva
Capa por: @lvrsick

Capítulo 1 - Capítulo Único


Não era porque eu não gostava do meu trabalho. Seria perfeito... Se a minha maldita chefe não fosse tão arrogante, nem tão mulherenga, muito menos a CEO do meu emprego dos sonhos. Não que ser mulherenga fosse um problema, mas se tornava quando uma das minhas funções de secretário pessoal fosse dispensar seus pretendentes.

Seria tão mais fácil se ela fosse feia, mas por que ela tem que ser tão insuportavelmente bonita com esse cabelo loiro curto tão brilhante ou com os olhos escuros misteriosos extremamente concentrados? Ela não usava muita maquiagem, nem precisava disso pra ser a mulher mais atraente e inteligente da empresa. Não porque era a dona, mas porque ela nasceu assim, linda de morrer. 

Linda de tirar o fôlego. 

— Hoseok? Está me ouvindo?

— O quê? — Saio do meu transe constrangido. Ela me pegou mais uma vez olhando. Nossa, eu tinha que ser melhor em disfarçar. — Quer dizer, sim senhora? 

Ela arqueia a sobrancelha, seu olhar é afiado. 

— O que faz aqui? 

Ah sim, o que faço aqui? Eu tinha entrado na sala dela do nada, isso era fato. Nem me lembro se eu bati a porta, mas isso nem faz mais diferença. Que cabeça, Sol

Tento me lembrar sobre o que eu vim fazer aqui. Ela pareceu impaciente enquanto batucava a unha na madeira cara de sua mesa. Quase me desconcentrei mais uma vez, mas sentia que se fizesse isso de novo eu estaria no olho da rua. 

Essa ideia não é nada atraente.

— Ah sim! Sua mãe está aqui e me mandou vir pessoalmente dar o recado. — Lembro orgulhoso de mim mesmo. Mas diante da careta que Anabelle Carter tenho apenas a opção de desmanchar meu sorriso. — Senhora?

— Droga. — Aquela figura imponente que eu já vi tantas vezes amedrontar o maior dos homens, ganhar tantos contratos, mandar em milhares de funcionários, estava pálida diante da mera menção da sua mãe. — Você precisa manda-la embora. Agora!

— Como quer que eu faça isso? — Questiono exasperado já começando a soar com aquela ideia.

Nós dois sabíamos que não tinha como enganar Mel Carter que de doce só tinha o primeiro nome. 

— Você é pago pra me ajudar. Então faça alguma coisa, qualquer coisa. Eu não tenho tempo pra... 

— Anabelle Marie Carter, sua filha ingrata. Você quer que eu murche naquela sala se espera? Eu mandei seu secretário a dois minutos avisar minha chegada e onde ele está agora? Sendo segurado por você para quê? Pra me mandar alguma desculpa que você não pode falar comigo? Eu já cansei de desculpas fajutas sua...

Era ela mesma, a senhora de cabelos elegantemente pintados de loiro escuro. Olhos chamuscados pela raiva, que parecia tanto uma versão mais velha da CEO dessa empresa.

Parecia ser tarde demais. E aqui estou eu presenciando uma senhora muito irritada prestes a puxar a orelha da própria filha. Por um momento senti uma intensa vontade de rir, mas por amor a minha vida, e ao olhar assassino da minha chefe, não fiz nem menção de repuxar um centímetros sequer dos lábios.

— Mamãe, que surpresa. — A CEO murmurava sem nenhuma animação tentando sorrir enquanto era claro que iria gritar se fosse possível, ignorando que a velha senhora falava pelos cotovelos.

— Não me interrompa enquanto falo com você. — Mel adverte. Até eu estremeço de medo. 

Essa é definitivamente a minha deixa. Era claro que seriam duas horas de reclamações da minha chefe depois que a sua mãe fosse embora. Ela jogaria na minha cara sobre o quanto fui ineficiente na missão de enxotar aquela mulher. 

Qualquer que fosse o assunto, Mel Carter parecia irritada. Eu mesmo não me intrometeria, mesmo que estivesse morrendo de vontade de saber o que era e rir da cara da minha chefe por estar tão acuada com sua mãe. 

Por isso, dei meia volta, mas antes de fechar a porta bato desastradamente o rosto contra ela. Não sabia que estava tão perto.

— Desculpa. — Peço depois que um silêncio constrangedor toma conta do lugar. Saio de lá tão rápido quanto o vento. 

Eu e minha desastreza natural.

Sentei-me em minha cadeira e me inclinei para o computador suspirando. Tinha tanta coisa pra fazer que quase me senti perdido, mas não deixei o sorriso idiota sair dos meus lábios.

Quando vi já eram quase dez horas da noite, ou seja, passei duas horas do expediente normal. Meus olhos ardiam de sono, mas eu precisava terminar aquela tabela se não amanhã seria mais trabalho e mais...

— Hoseok, já não deveria ter ido embora? — Meus olhos se desprendem da tela do computador para encarar a figura curvilínea da minha chefe a frente. Seus olhos estavam cerrados, ela tinha uma bolsa preta nas mãos e cruzava os braços. Meu coração quase sai do lugar. 

Normalmente eu sempre sou o primeiro a ir embora, ela sempre fica pra depois do expediente. Me surpreende muito ela ainda não ter gritado comigo sobre meu evidente fracasso com suas ordens sobre sua mãe.

— É-é e-eu... Tenho algumas coisas pra terminar.

— Nada disso, você vai para casa. 

— Está me demitindo? — Pergunto assustado. Ela parecia tão irritada que me deixei pensar que já tinha o papel da minha demissão nas mãos.

— Isso não é uma má ideia depois daquele papelão. A minha mãe ficou duas horas falando e falando. Tem noção de quantas reuniões eu deixei de ir?!

— Três, remarquei elas para a semana que vem. — Eu sabia que essa não era uma pergunta retórica, mas precisava dizer alguma coisa ainda por me sentir tenso com a ideia da demissão.

— Que ótimo. — Ela revira os olhos. Talvez seja a coisa mais idiota que vá dizer, mas é a revirada de olhos mais linda que eu já vi... E me faz imagina-la revirando aqueles olhos em outras ocasiões. Com certeza devo estar de bochechas coradas. — Eu não vou ficar esperando o dia todo, Hoseok.

Não digo mais nada, ela é mesmo uma mulher arrogante. Apenas arrumo minhas coisas e coloco a alça de minha bolsa de lado no ombro esquerdo.

Seguimos para o elevador juntos.

Eu estava meio que nervoso. Minha chefe nunca fez questão de ir comigo, pelo menos pra ir embora. Ela nem se importaria se eu fosse o último a sair do prédio, isso é algo que me deixou muito curioso. Curiosíssimo

Logo, depois de entrarmos, as portas se fecham lentamente e também lentamente começo a me sentir claustrofóbico. Não tinha ninguém, ninguém, só nós dois. 

Senti o olhar dela em mim, tive que me encostar na parede do elevador para que não caísse aqui mesmo, sob seus pés calçados em um elegante Prada vermelho. 

Seu perfume me entontece. Isso não pode ser normal, não posso estar pensando em... 

— Mais o quê... — Murmuro alarmado. O elevador para, as luzes se apagam. Pego meu celular em segundos e então ligo a lanterna para procurar alguma resposta. A mão da minha chefe está apertando o botão de emergência… ela, ela parou o elevador??

— Precisamos conversar. — Disse convicta. Seu tom de voz é empresarial, daqueles que só usa para ganhar contratos. Estou realmente assustado... E um pouco, só um pouco mesmo, ansioso. 

— Precisava ter parado o elevador? Não poderia ser na sua sala? — Pergunto pela pequena dose de coragem que me resta. Mas acho que eu tenho o direito, afinal, ela trancou nós dois.

Ainda bem que não sou claustrofóbico de verdade.

— Ninguém vai nos escutar, nem as câmeras vão funcionar e aliás, nós já estávamos aqui mesmo. — O tom de voz de Anabelle é quase um miado arrastado, ela também estava sorrindo, um sorriso malicioso que me fez perder o fôlego.

— Mesmo sem luz? 

— A falta de luz, meu caro, é essencial para nossa conversa. — Aquelas palavras foram o suficiente pra que ela silenciosamente pegasse o celular para si. Eu nem teria notado se ela não tivesse balançado ele nas mãos e a luz se movesse de um lado para o outro. — Com medo, Sol?

Esbugalho os olhos.

— Como sabe o meu apelido? — Me surpreendo não só por aquilo, mas porque eu ainda consigo pronunciar alguma palavra coerente. Ela gargalha baixinho, seu salto bate contra o metal do piso e sei que está mais próxima de mim. 

— Você ficaria surpreso com as coisas que eu sei. 

Mais um passo. Comecei a me perguntar o porquê de estar ansiando tanto por aquela aproximação. 

— Mas... — Ela continua. — Já ouvi alguns funcionários te chamando de Sol. Me diga, se seu apelido tem tanto haver com você acho que deve ter medo do escuro... E se eu desligasse a lanterna?

Ela ainda estava com meu celular nas mãos, a lanterna mal fazia sua função enquanto se direcionava para o chão. Eu podia ver só um pouquinho do seu rosto, só um pouquinho mesmo. Mas era o suficiente para me deixar nervoso, ela estava claramente querendo alguma coisa, não sabia se seria forte o suficiente para negar.

— Eu não tenho medo do escuro, mas não gosto muito dele. — Declaro. Me sinto corajoso, não queria mais mostrar tanto a minha timidez na frente dela. Não nessa situação. Por isso, pego o meu celular daquelas mãos e o mero roçar de nossas mãos me transmite algo. Eu mesmo desligo a lanterna. Ficamos completamente no escuro. — Mas já que faz questão.

É agora ou nunca. 

Começo a caminhar em sua direção. A respiração da minha chefe fica muito audível, consigo sorrir porque sei que ela está se sentindo acuada quando começa a andar para trás. 

Consigo ouvir suas costas baterem contra o metal frio do elevador com força. Minhas mãos tateiam aquela parte para que ficassem cada uma ao lado do seu corpo. O seu corpo transmitia um calor sobre-humano.

Pelo amor de Deus, o que eu tô fazendo?

Tento não pensar muito nas consequências daquele ato. E como eu sou um pouco mais alto, tenho que me inclinar um pouco até sentir a respiração dela em meu rosto. Eu daria tudo pra conseguir ver a cara de Anabelle Carter, mas acho que era por causa do escuro que eu mesmo estava com tanta coragem. 

— Sobre o que a senhora quer falar? — Sei que minha voz sai em um sussurro, mas o perfume dela é tão delicioso, assim, tão próximo de mim que não tem como ignorar.

— Não estamos em horário de trabalho. Me chame de Bell. — Aquele era o apelido dela? Por que soava tão doce? 

— Bell. — Testo seu nome em minha boca, ouso me aproximar mais um pouco, só mais um pouco, em direção a sua orelha. — Bell... 

Ela solta um arquejo quando sussurro e pincelo minha língua sob lóbulo da sua orelha. Ai minha nossa, ela gemeu no meu pescoço?!

Sinto um fogo crescer em mim, aquilo só estava me encorajando ainda mais. 

Eu, um mero secretário, estava seduzindo a grande CEO. Essa era nova.

— Bem ousado você. — Ela sussurra. Em seguida dentes mordiscam levemente a pele do meu pescoço. Dessa vez era minha vez de soltar um gemido. As pernas bambas quase me fizeram cair aqui mesmo, ela não tinha como me segurar. — Mas não se esqueça que eu sou mais. 

E então, tão rápido como o vento, ela me joga contra o outro lado da parede e quando seu corpo está próximo o suficiente, me prensando contra aquele metal gelado, ela devora minha boca como se fosse a última coisa que faria no mundo. 

Eu fico surpreso, exasperado, excitado. Aquilo era a última coisa que achei que um dia faria com a minha chefe, a mulher que paga meu generoso salário, mas aqui estava eu e não tinha como não retribuir, nem pensar na mera possibilidade de afastar meu corpo ao seu.

E se ela queria abusar do meu corpo quem sou eu pra dizer não? Não quando queria fazer a mesma coisa. 

A língua dela não demora muito pra encontrar a minha, nossas bocas estavam em chamas e ela tinha gosto de menta, um delicioso gosto de menta. 

Arfo quando sinto aquelas unhas cravam em meu traseiro. 

— Sol, Sol, Sol... Por quais nuvens se escondia? — A voz dela era um murmúrio rouco em meus lábios. Seus dentes mordiscam de leve o meu lábio inferior. 

— Então, sua conversa era tudo invenção pra me seduzir? — Pergunto sem ideia nenhuma de responder aquela sua pergunta. 

— Seduzir? — Ela ri, agora contra meu pescoço. Suas mãos seguraram meu cabelo. — De que século você é? 

Ah minha nossa, no cabelo eu derreto de vez. 

A faço se pressionar ainda mais contra mim, já que eu mesmo parecia sua presa da noite.

— Sabe que ao menos que queira me demitir não vai conseguir mandar uma cartinha me dando fora, não é? Espero que não se esqueça que era você que me mandava fazer esse trabalho sujo. 

— Ah não, meus planos com você são mais divertidos. — Ela morde o lóbulo da minha orelha de leve. Depois volta a sussurrar. — Sabe, mamãe anda muito irritada comigo. Eu tenho 35 e ela não para de me pressionar sobre questões amorosas.

— Questões amorosas?

— Shhh, me deixe continuar. — Pede. — Ela quer que eu apresente o namorado que eu inventei que tinha a algumas semanas atrás. A princípio eu iria faze-lo achar alguém apropriado pra mim, alguma invenção. Mas agora eu quero se seja você.

— E-eu?! — Dessa vez eu fico surpreso. Se estivéssemos com a luz ligada, com certeza procuraria algo no rosto dela que me dissesse que aquilo era uma pegadinha. — Quer que eu seja o seu namorado de mentira?

— Na verdade não. 

— Não? 

— Eu quero que seja realmente algo de verdade. — Dessa vez seu tom me diz que tudo o que estava falando não era falso. Isso estava me deixando com medo, muito medo de concordar até se ela me dissesse que iria invadir Marte. — Você trabalha pra mim a anos, é bonito, é inteligente e é atraente. Eu sei que eu não sou de se jogar fora então porque não?

— Por que seria uma péssima ideia namorar a minha chefe? — Questiono alterado. — Quer que eu cite por ordem alfabética?

O mundo só pode estar acabando. 

— Vamos nos conhecer, isso é um fato. O rótulo é só porque minha mãe precisa dele.

— Sua mãe não vai gostar que a filha fique com um mero secretário.

— Vamos, pare de se menosprezar. — Tenho quase certeza de que ela revira os olhos para depois dar um tapinha leve no meu ombro. — Você é ótimo. Quer dizer, eu não estava coagindo essa possibilidade a alguns minutos trás, mas...

De repente ela para de falar.

— Mas? — Acho estranho ficar tão interessado naquela resposta.

— Nos beijamos e pareceu tão certo. — Isso eu tinha que concordar.

Mas antes que pudesse respondê-la, as luzes se acendem e o elevador começa a funcionar. Droga, devem ter concertado, mas já?

Me afasto dela por um impulso, meio constrangido pelo meu estado… Meu estado insuficiente para esconder o volume sob o tecido das minhas calças. Coloco a bolsa por cima, para evitar constrangimentos, mas quando olho para minha chefe seu estado parece até semelhante ao meu... Não pelo volume, claro.

Seus cabelos estavam assanhados, ela acabara de desviar seus olhos daquela minha parte que tinha acabado de esconder e um sorriso malicioso se formou entre seus lábios logo depois de ter passado a língua atrevida sob os mesmos. 

Eu estava realmente perdido.

— O que acha de tirarmos a prova dos nove lá em casa?

Fico até sem palavras. Aonde eu estava me metendo?

Era possível que ela só estivesse me usando, mas se fosse aquele o motivo por que estava tão interessado? Era algo que eu queria correr o risco, algo que talvez estivesse a muito tempo querendo e uma proposta dessa não tinha como recusar. 

— Sol? — ela me chama, como se estivesse me desprendendo do meu recém estado catatônico.

O elevador abre suas portas no estacionamento. Mordo meus lábios, depois sorrio. Um sorriso quase inocente. 

Por que não? 


Notas Finais


História por: @CLSiilva
Capa por: @lvrsick


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