História Uma Questão de Amor - Capítulo 10


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nesse capítulo acontecem umas coisas surreais, mas foi a primeira coisa que me veio a mente para continuar a escrever essa fic.

Capítulo 10 - Capítulo 10


Estava lendo meu jornal no sofá e percebendo que Carmen andava de um lado para o outro tentando não demonstrar nenhuma aflição, mas era perceptível. Meus óculos estavam na ponta do nariz e eu fingi que estava concentrada na minha leitura. Eu sabia que tinha algo estranho.

- Shane? – Ela sentou-se do meu lado no sofá com o olhar apreensivo.

- O que foi Carmen? – Questionei ajeitando meus óculos e olhando para ela.

- Bom, eu nem sei como e por onde começar, mas você se lembra do dia que vimos aquela estrela cadente quando fomos à Paris?

- Claro que lembro, por quê? – Perguntei sem entender muito bem onde a morena estava querendo chegar com esse papo.

- Você se lembra do pedido que fizemos depois?

- Lembro. – Comecei a juntar dois mais dois e entendi onde ela estava querendo chegar com essa conversa. - Oh My God, não vai me dizer que... – Não tive tempo de terminar a minha pergunta.

- Sim. – A morena sorriu após confirmar.

- Tem certeza disso? – Perguntei.

- Amanhã irei fazer o exame de sangue para ter certeza absoluta, mas já fiz três testes de gravidez de farmácia e todos deram positivos.

- Eu te amo. – Segurei a mão dela e dei um beijo em seus lábios.

- Você não vai ficar brava ou algo do tipo? – A morena me perguntou.

- Claro que não! Por que eu ficaria?

- Não sei. Só uma pergunta que me veio à mente. – Percebi que ela ficou aliviada com minha resposta. Escorreguei um pouco no sofá e aproveitou para deitar apoiando sua cabeça em minha perna. Gabi dormia no berço da sala.

- Ainda estou absorvendo essa informação. – Comentei para quebrar o silencio.

- Fiquei com medo de como você reagiria quando eu te contasse.

- Não precisava ter medo. Isso é maravilhoso e você é a mulher mais incrível que eu poderia ter conhecido. Não imagino minha vida sem você.

- Shane, posso te pedir uma coisa? – Ela ajeitou-se de maneira que pudesse olhar em meus olhos.

- Qualquer coisa minha rainha. – Encarei seu olhar castanho.

- Não comenta nada com nossas amigas. Pelo menos por enquanto.

- Seu pedido é uma ordem. Agora imagina quando elas souberem.

- Por isso mesmo. Não vamos comentar como realmente aconteceu, mas precisamos pensar em alguma coisa.

- Com certeza. Precisamos pensar em algo.

...

Eu estava colocando a Gabi no berço quando Carmen chegou com o exame em mãos. Ela sentou-se no sofá e logo me sentei ao seu lado. Olhei em seus olhos tentando adivinhar a resposta já que ela não tinha falado uma palavra sequer. Peguei o envelope de suas mãos e no final estava escrito um positivo em negrito e caixa alta. Não dissemos nada. Apenas nos abraçamos.

- Quando você volta a trabalhar no escritório?

- Semana que vem. – Respondi. – Preciso ir ao banheiro. Levantei-me e fui até o nosso quarto, procurei o pequeno embrulho escondido que por algum motivo eu deveria ter entregado no dia da festa surpresa de seu aniversário. E que agora cairia tão bem para este momento quanto antes. Voltei para a sala e sentei-me novamente ao seu lado. Estiquei a mão com o pequeno embrulho e comentei “Pra você” e sorri. Ela pegou o embrulho e abriu. Pegou o objeto na mão e leu que tinha havia sido gravado no verso. No pingente de coração estava escrito “Shane & Carmen 4ever”.

Ela agradeceu e me beijou. Olhei para o berço e logo em seguida para a barriga de Carmen que ainda nem tinha crescido.

- Parece que a Gabi vai ganhar um irmão. – Comentei

- Ou uma irmã. – Ela completou. A abracei. Ficamos ali curtindo a novidade.

A semana seguinte chegou e eu tinha que voltar ao escritório. Acordei cedo e preparei o café da manhã. Enquanto a água esquentava, fui ajeitando a gravata no reflexo da geladeira. Arrumei a mesa e esperei alguns segundos.

Adorava curtir o cheiro do café pela manhã. Ouço passos e vi que Carmen tinha acordado. Fez-me companhia, terminei o café, dei um beijo em sua testa e fui para o trabalho.

Cheguei ao escritório e verifiquei a correspondência que estava em minha mesa. Algumas nem tão importantes. Fui repassando cada envelope olhando o remetente. Somente um me chamou a atenção.

Prezada Shane McCutcheon,

Venho por meio deste, comunicar que o pedido de adoção de Gabrielle teve alguns problemas em seu andamento. O juiz ordenou a criança seja  entregue a assistente social, que deverá ir a sua residência na data e horário abaixo. Fiz o que pude, em curto prazo, para tentar reverter essa situação, mas infelizmente não foi possível. Informo que é possível reverter a decisão do juiz e sei que você vai. Conte comigo.

Data: 10/03

Horário: 14h00

Atenciosamente,

Anastácia R. Zimmer

 

Passei os olhos por cada palavra. Não acreditava no que estava lendo. Liguei rapidamente para Anastácia.

- Olá Anastácia. Acabei de ler sua carta. – Comentei.

- Olá Shane. Carmen deve estar chateada. – A voz do outro lado da linha comentou.

- Estou no escritório e ela ainda nem sabe. Aquela garotinha mudou as nossas vidas.

- Eu te entendo Shane. Como você vai fazer para desfazer isso?

- Ainda não sei, mas farei o que for preciso para provar ao juiz que ele está errado quanto a sua decisão que foi... Qual foi mesmo a explicação que ele deu?

- Aquela velha desculpa de sempre. Que casais homoafetivos não tem capacidade para formar uma família.

- Quando será a próxima audiência?

- Daqui um mês.

- Okay, vá me mantendo informada. Tchau. – Desliguei o celular.

Ainda tentava me recompor depois de ter lido essa notícia. Tinha que pensar em como a informaria para Carmen. Encostei-me na cadeira e fiquei pensando em como resolver este problema, mas nada vinha no momento. De repente meu celular vibra, um aviso de mensagem da Carmen. Peguei meu celular e li sua mensagem: “O que iremos fazer hoje a noite?” Fiquei pensativa para dar uma resposta, comecei a digitar algo porém acabei percebendo que era importuno para o momento. Pensei mais um pouco e algo que não demonstrasse minha preocupação. “O que você está planejando?”. Não demorou muito para ela responder novamente: “Nada. Apenas estive pensando da gente sair um pouco.” Olhei para a pilha de papeis em minha mesa. “Talvez outro dia, ok? Hoje deve ser um dia cansativo, mas se quiser me surpreender não irei achar ruim.” Enviei minha mensagem. “Tudo bem, então deixaremos para outro dia. Vou deixar você trabalhar.” Guardei meu celular no bolso. Tentei me concentrar, mas estava impossível. Disquei o ramal da secretaria e informei que ela remarcasse todos os compromissos de hoje para a semana seguinte. Coloquei pastas de casos em minha maleta e resolvi ir embora. Peguei meu celular e liguei para a Alice e combinamos de nos encontrar no The Planet. Fiquei esperando por ela que não demorou muito para aparecer. Pedimos suco e algum petisco e então comecei a lhe explicar tudo.

- Caramba Shane, nem sei o que falar. Eu adoro a minha afilhada.

- Eu nem sei como falar para a Carmen.

- Ela vai ficar arrasada.

- Disso eu não tenho duvidas.

- O quanto antes você contar pra ela será melhor.

- Eu sei.

Ficamos conversando mais um pouco e então resolvi ir para casa. Tinha que encarar esse monstro de frente, não seria fácil. Entrei e Carmen assistia um filme na TV enquanto dava uma mamadeira para a nossa garotinha.

- Já em casa?

- Sim e precisamos conversar.

- Shane, não estou gostando desse tom. O que houve?

- Coloque a Gabi no berço, por favor. – Ela o fez e voltou a sentar no sofá novamente. Desfiz a gravata. Abri minha maleta e entreguei o envelope para ela que começou a ler.

- Só pode ser uma brincadeira. – Ela comentou.

- Não é brincadeira Carmen. – Ela começou a chorar. – Eu vou fazer o possível e o impossível para ter a nossa garotinha de volta. – Comentei abraçando-a e pousei um beijo em sua cabeça. Olhei para o berço e vi a menina remexendo os braços.

- Shane, o que vamos fazer sem ela? – As lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto.

- Eu vou dar um jeito. Até lá teremos que ser pacientes e nosso amor por ela não vai mudar.

- Quero que você esteja aqui quando a assistente social vier busca-la.

- Eu estarei minha rainha, eu estarei. – Limpei suas lágrimas e pousei um beijo em sua bochecha. Nada mais foi dito nesse momento. Eu sabia o que viria pela frente, mas até lá tínhamos que aproveitar o tempo que nos resta. Tirei uma folga extra por conta deste imprevisto. Procuramos passar o mais tempo possível com a pequena Morales McCutcheon até o dia em que nosso sonho se tornaria um terrível pesadelo. E então esse dia chegou.

A campainha tocou perto do horário combinado, respiramos fundo e atendi a porta. Uma senhora gorda e simpática estava parada na minha frente e me analisou rapidamente com o olhar. Resolvi seguir uns conselhos de vestimenta que andei lendo na internet e Carmen havia feito o mesmo.

- E onde está a menina?

- Terminando de tomar um banho. Precisamos trocar a fralda e... – Respondi. – Logo minha esposa a trará.

- Já entendi.

- Não entendeu. Precisamos dar um banho nela pra não dar assadura depois.

- Shane, estou certa? – Apenas assenti com a cabeça. – Eu realmente entendo. Tive cinco filhos.

- Ok, me desculpe.

- Não precisa se desculpar e entendo o por que de você estar assim. Saiba que acho injusto a decisão do juiz, porém estou fazendo apenas o meu trabalho. Soube que você é advogada, estou certa?

- Sim. – Carmen apareceu na sala com a menina no colo.

- Que coisa mais linda e encantadora. – A assistente social comentou.

- Ela é mesmo. – Carmen acrescentou.

- Senhora Morales McCutcheon, soube que você era DJ, estou certa?

- Sim, mas parei de tocar algum tempo antes da Gabi entrar em nossas vidas.

- Compreendo. Eu estou vendo com meus próprios olhos o quanto essa garotinha está sendo bem cuidada. Queria eu ter um poder para reverter isso, mas infelizmente não tenho. Vou deixar vocês se despedirem dela. – Após comentar a assistente social foi para a garagem nos deixando a sós com a menina. Carmen segurava a menina e a beijava tanto nas bochechas rosadas da pequenina.

- Minha pequena, se cuide. Logo você estará de volta conosco. Mamãe te ama muito. – Carmen dizia aos prantos. Abracei minhas duas preciosidades, pousando um beijo na cabeça de cada uma. Logo a assistente social retornou. Peguei a menina do colo de Carmen.

- Carmen, pega as coisas dela lá no quarto, por favor. – A morena foi até o nosso quarto e voltou com uma pequena mala. Ficou do meu lado enquanto eu me despedia da menina uma ultima vez. Carmen ajeitava o cabelo da pequena.

- É hora de ir. – A assistente social comentou. Despedimos-nos uma ultima vez e entreguei a menina. Não tinha outra opção no momento a não ser fazendo o que a lei manda. A assistente social saiu logo em seguida com a menina no colo. Colocou a mala no porta-malas do carro. Carmen estava sentada no sofá chorando. Fechei a porta assim que perdi de vista a nossa pequenina naquele carro. Sentei ao lado da minha amada enquanto tentava consola-la. A campainha tocou e fui ver quem era enquanto Carmen secava as lágrimas. Abri a porta e vi nossas amigas no hall de entrada.

- Entrem. – Comentei. – Elas entraram e fechei a porta logo em seguida.

- A assistente social já veio? – Bette perguntou.

- Já sim. Faz uns dez minutos que saiu daqui. – Respondi.

- Nem tive tempo de despedir da minha afilhada. – Alice comentou decepcionada.

Tina sentou-se ao lado de Carmen tentando consola-la. Bette me chamou para um canto junto com a Alice. – Você já sabe o que vai fazer Shane?

- Eu ainda não sei. Tenho que pesquisar sobre algumas coisas e ver toda a papelada.

- Você sabe que pode contar com a gente, não sabe? – Alice perguntou.

- Não tenho dúvidas disso.

Dana entregou um copo de água para Carmen para ela tentar se acalmar.

- Tina, vamos? – Bette chamou.

- Vamos. Vemos vocês depois.

- Acho que podemos ir também. Vamos Dana?

- Claro. – Dana respondeu já se despedindo de Carmen e logo em seguida veio em minha direção. Alice deu um abraço na minha esposa e veio se despedir de mim.

- Qualquer coisa é só nos chamar. Se cuidem. – Alice comentou após me dar um abraço.

- Tchau Dana, tchau Alice. – Falei enquanto elas fechavam o portão.

Meu olhar se voltou para observar a minha morena que ainda chorava com a recente partida da nossa pequena estrela. Eu ainda não sabia o que fazer, mas algo tinha que ser feito.

- Carmen? – Aproximei-me e sentei na mesinha de centro da sala de modo que ficasse de frente para ela.

- Hmm?

Minhas mãos foram de encontro as suas. – Olha pra mim, por favor. – Comentei.

- Minha maquiagem está borrada e estou horrível.

- Eu não me importo com isso agora. Por favor, olhe nos meus olhos. – Ela o fez. Minhas mãos acariciavam as suas. – Preste atenção no que vou te dizer, pois é muito importante.

- Ok. – Disse tentando engolir o choro e segurando as lágrimas.

- Não importe o que aconteça, eu vou fazer o que estiver ao meu alcance pra termos a Gabi de volta. Eu também estou triste com isso tudo, mas vou cuidar dessa parte burocrática, entendeu?

- Mas... – Interrompi o resto de suas palavras colocando o meu dedo indicar sobre seus lábios.

- Xiu. Sem essa coisa de mas..., você entendeu o que eu disse?

- Sim. – Ela comentou e limpei uma lágrima que agora escorria pelo seu rosto.

- Agora vem cá e me dê um abraço. – Ela me abraçou tentando encaixa-lo em algum lugar favorito em meu corpo.

- Eu te amo, sabia disso? – Ela comentou em meio ao nosso abraço e depois beijou-me no pescoço. Acariciei suas costas. – Eu sei que me ama. Sempre soube. – Levantei-me e estendi minha mão para ela que foi gentil em aceitar minha ajuda. – Vem, deixa que eu te carrego em meu colo. – Ela não hesitou. Ajeitei-a em meu colo e fomos para o nosso quarto. Após o banho, deitamos em nossa cama. Ela se reconfortou em meus braços e eu remexia em suas mechas escuras.

– Obrigada.  – Ela murmurou.

A olhei pelo canto do olho. Acariciei sua cabeça e em seguida beijei sua bochecha. – Agora durma minha anja. – Murmurei em seu ouvido. Não sei quanto a ela, mas eu demorei a pegar no sono. Fiquei pensando no que tinha acontecido e nas coisas que estavam por vir. Não quis me mexer para não acorda-la. Não queria tirar a paz daquela que dormia calmamente em meus braços. Apenas deixei-me levar por meus pensamentos até o sono surgir.



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