História Uma Rainha (nem um pouco) perfeita - Clace - Capítulo 31


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Categorias Os Instrumentos Mortais
Personagens Clary Fairchild (Clary Fray), Jace Herondale (Jace Wayland)
Tags Clace, Clary Fray, Comedia, Jace Herondale, Londres, Principes, Rainhas, Reis, Romance, Romance De Época, Uma Duquesa Qualquer
Visualizações 286
Palavras 2.591
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Haha! Acharam que tinha acabado?

Boa Leitura <3

Capítulo 31 - Capítulo 31


Alguns meses depois...

Se existe algo melhor que o cheiro de livros, é esse cheiro misturado aos aromas de chá forte e biscoitos de especiarias – e tudo isso em uma tarde chuvosa.

Uma comemoração era necessária. A biblioteca circulante Duas Irmãs fazia aniversário de um mês nesse dia.

Todas as mulheres de Idris tinham comparecido à festa delas. O pequeno estabelecimento estava lotado de jovens debruçadas sobre livros escandalosos e molhavam seus biscoitos em xícaras de chá com leite.

Clary amava esse lugar, como nunca pensou que pudesse amar algo que poderia dar certo. E como ela trabalhou duro – todos os dias, da alvorada ao crepúsculo. Mas o trabalho era um tipo fatigante de alegria. Idris estava fervendo com uma nova safra de mulheres de férias, todas ávidas por encontrar novo material de leitura.

Alguns dias uma jovem entrava pela porta parecendo perdida, e então encontrava um velho amigo em uma das prateleiras, encadernado em Marrocos vermelho. Ou talvez fizesse uma nova e empolgante amizade. Então ela saía com um livro na mão e um sorriso no rosto. Esses dias faziam valer a pena todo o trabalho duro.

Clary nunca trabalhava sozinha. Erika estava sempre com ela. Ela e a irmã tinham trocado um quarto no mezanino por outro. Moravam em cima da loja, agora. A não ser por visitas à mãe nos domingos, elas mesmas determinavam seus horários, faziam sua comida e limpavam (ou não) a casa quando queriam. Elas esbanjavam muito com velas, queimando-as até tarde da noite enquanto liam poesia uma para a outra.

Esse lugar era realmente um lar.

– Quem é aquele atravessando a praça? – uma mulher perguntou, espiando pela janela. – Nós o conhecemos?

– Acho que sim. – Outra jovem riu.

– Oh, minha nossa – disse Charlotte Highwood. – Ele de novo, não.

Não podia ser. Ele não podia ter vindo. Mas no fim, a curiosidade venceu. Clary foi até a janela e olhou através da chuva.

Oh, Raziel. É ele. Mesmo com a chuva, ela reconheceria as feições marcantes e os ombros largos em qualquer lugar. O Príncipe de Halford estava caminhando diretamente para a biblioteca. Jace.

O pulso dela acelerou. Por que ele tinha aparecido, depois que meses se passaram sem nenhuma mensagem? Bem quando ela tinha reunido os pedaços do coração e construído uma casa nova e mais segura.

– Não se preocupe, Srta. Fray – Charlotte disse. – Vou espantá-lo antes que ele a atormente.

Clary foi para os fundos da loja, tentando se preparar.

Ele abriu a porta, baixando a cabeça ao entrar.

– Esta é a...

– Alto lá. – Charlotte bloqueou a passagem com uma vassoura. – Está procurando alguém?

– Não – ecoou a voz grave dele. – Com toda certeza não estou procurando “alguém”. Estou procurando Clary Fray e ninguém mais.

O coração de Clary falhou uma batida. Charlotte se manteve firme.

– O preço da entrada é uma poesia. Sem exceções.

Jace olhou por cima dela, vasculhando o estabelecimento lotado até que seus olhos encontraram os de Clary. Santa Misericórdia. Ele era mais bonito do que ela se lembrava.

– Srta. Fray – ele disse. – Eu posso...

– Sem exceções – Charlotte repetiu. – Uma poesia.

– Não sei nenhuma poesia.

– Crie uma.

– Muito bem, muito bem. – Ele passou a mão pelo cabelo moreno e úmido. – Era uma vez um Príncipe libertino. Ele... ele... não era matutino. E deixou seu amor escapar, mas quer que ela saiba...

Clary lhe deu as costas, incapaz de continuar olhando para ele.

– Eu não parei de pensar em você desde aquela noite, Clary – Jace gritou para ela. – Nem por um instante.

– Essa poesia é terrível – disse Charlotte, mantendo o cabo de vassoura à frente dele. – Não tem rima.

– Eu não sei o que pode rimar com “escapar”.

As mulheres murmuraram entre si, debatendo as possibilidades.

– Eu sei – a voz de Charlotte se elevou acima das demais. – Vomitar! “Ele deixou seu amor escapar, mas quer que ela saiba... que pensar em seu rosto o faz vomitar.”

– Não serve – Jace disse. – Isso não é verdade.

– Pelo menos rima – Charlotte resmungou.

– Apanhar – Clary declarou, exasperada. – Ele merece apanhar.

– Excelente – Jace disse. – Fico com essa. Posso passar agora?

Erika jogou um biscoito, que acertou a testa de Jace.

– Vá embora, Príncipe. Deixe minha irmã em paz.

– Erika tem razão – Clary disse. – É melhor você ir embora. Não consigo imaginar o que você quer depois de tantos meses.

– Eu queria ver você, ver o que tem feito. – Ele passou os olhos pela biblioteca. – Isto é genial, Clary. Eu sabia que você conseguiria.

Era só isso?! Jace tinha feito a viagem de Londres até Idris só para ver o investimento dele, por assim dizer.

– Bem, agora você já me viu – ela disse. – Pode ir.

As outras mulheres presentes concordaram, juntando suas vozes ao coro que pedia a saída de Jace.

– Escutem, se vocês me derem um momento a sós com a Srta. Fray, eu...

– Vá embora! – ela gritou, os nervos em frangalhos. O aroma nefasto da colônia dele começou a chegar até Clary, e logo ela estaria reduzida a uma poça de emoções no chão recém-pintado. – Você pode ser um Príncipe, mas não pode transformar isso em hábito; aparecer no meu local de trabalho sem aviso para virar minha vida de cabeça para baixo. Eu não aceito isso. Não consigo. Então a menos que tenha vindo até aqui para cair de joelhos, suplicar por perdão e implorar para que eu me case com você, pode ir embora agora mesmo e nunca mais voltar.

Ele não foi embora. Jace apenas ficou parado ali, olhando para ela.

Então ele se ajoelhou.

– Oh, não. – Clary levou as duas mãos ao rosto. – Jace, não.

– Você não pode recusar antes que eu peça. – Ele passou a mão pelo cabelo. – Por que isto tudo está acontecendo de trás para frente? Eu sabia que você ficaria surpresa em me ver, e, sem dúvida, brava por eu ter demorado tanto tempo. Mas achei que, pelo menos, você me deixaria dizer algumas palavras. Eu até preparei um discurso, sabia? E era bom. Mas agora que você arruinou a surpresa...

Ele enfiou a mão no bolso e pegou uma bolsinha de veludo.

Clary espiou por entre os dedos trêmulos. A essa altura ela chorava para valer.

Impaciente, limpou as lágrimas com as duas mãos, esforçando-se para ver o anel que Jace despejou na própria palma. Uma esmeralda sobre um anel grosso de ouro, cravejado de pequenos diamantes.

Bem, pelo menos ela sabia que ele mesmo tinha escolhido. Era lindo.

Ela se virou para o lado, enterrando o rosto no avental. Jonathan Christopher Herondale, 8º Príncipe de Halford, estava ali, de joelhos, por ela. Havia um anel na mão dele e toda vila assistia. Era demais. Impossível demais para ela aceitar. Alegria demais para entender.

– Eu te amo, Clary Fray. Amo você desde o dia em que nos conhecemos. Na verdade, desconfio que uma parte do meu coração a amava muito antes disso. Não havia mulher que servisse para mim antes de você, e se me rejeitar, não haverá depois. Eu sei que não sou bom partido, mas...

Ela o interrompeu com uma gargalhada indelicada.

– Não é um bom partido? – Virando-se, ela enxugou os olhos. – Jace, você é um Príncipe.

– Sim, eu percebi. E daí?

– E daí... que nós já chegamos à conclusão de que um Príncipe não pode se casar com uma atendente de taverna. Nem com uma comerciante.

– Você tem razão. Nossas vidas eram muito diferentes. Para que nós dois pudéssemos dar certo, algo tinha que mudar. Eu não podia mudar o mundo. E não queria mudar nada em você. Parecia evidente, contudo, que já era tempo de eu melhorar.

– Melhorar?

– Você conhece o legado Herondale. Eu venho de uma longa linhagem de intelectuais, exploradores, generais. Eles acumularam uma série de realizações e uma fortuna imensa. E eu, finalmente, me dei conta de que existe uma coisa que eu tenho coragem de fazer, mas que nenhum deles faria.

– E o que é?

– Doar tudo.

A biblioteca ficou muito silenciosa.

– Tudo? – Clary repetiu a última palavra dele.

– Oh, não – Charlotte gemeu. – Agora ele é pior que um Príncipe devasso e arrogante. É um Príncipe pobre.

– Não estou pobre – ele disse. – Vocês não precisam ficar tão aflitas. Um Príncipe não pode abrir mão do título. Existem propriedades vinculadas, fundos. Essa parte é assunto entediante para advogados. Talvez eu deixe de ser o quarto Homem mais rico da Inglaterra para cerca de décimo-quarto. Mesmo assim, eu tive liberdade para me livrar de uma boa quantia de dinheiro. E isso foi fácil, depois que me dediquei à tarefa.

Clary o observava, cautelosa.

– Não entendo. O que você está me contando?

– Descobri meu talento natural. Nasci para dar dinheiro. Mas não aquela bobagem de “esbanjar alguns milhares de libras aqui ou ali”. O que estou fazendo é uma doação sistemática da parte dispensável do dinheiro da família. O 8º Príncipe de Halford vai ser lembrado como o maior doador beneficente da história da Inglaterra. Esse vai ser meu legado.

Ela o encarava, chocada. Mas ele parecia feliz. Totalmente em paz consigo mesmo e com seu lugar no mundo. Ele não estava humilde, de fato. Clary imaginou que aquela arrogância jovial nunca sumiria – não que ela quisesse isso. Mas ele parecia um homem com objetivo e direção na vida.

E a melhor parte era que ela sabia que Jace não tinha feito nada disso por ela. Ele fez para si mesmo.

– Confesso, contudo, que fiz uma última compra egoísta. – Um sorrisinho matreiro entortou a boca dele. – Uma casa de fazenda caindo aos pedaços. No fim do mundo, em Idris.

Você comprou a casa Whitelaw?

– Era a única propriedade à venda na paróquia. – Murmurando uma imprecação, ele jogou o peso de um joelho para outro. – Você vai dizer “sim” logo? Este maldito chão é muito duro, e você está muito longe.

Ela se aproximou.

– Não lembro de ter ouvido uma pergunta.

– Eu não sei bem o que perguntar, na verdade. “Quer ser minha esposa?”, ou “Seja minha Rainha”, ou apenas “Seja minha”... tudo isso soa perigoso. Não quero pôr nomes ou títulos nisso, porque você vai encontrar um motivo para discutir. Nem mesmo me importa que você use a droga do anel. – Ele jogou o saquinho de veludo no chão.

– Eu uso o anel – Charlotte se prontificou.

Clary deu-lhe um olhar ameaçador. Não toque nisso.

Jace estendeu a mão vazia.

– Clary, estou aqui lhe pedindo, implorando, se for necessário, que você aceite a minha mão. Apenas aceite minha mão, e prometa diante do Anjo que nunca irá soltá-la. Eu vou jurar o mesmo. Podemos providenciar para que isso aconteça logo? Em uma igreja? – Depois de um instante, ele acrescentou, em voz baixa: – Por favor?

Ela pôs a mão na dele e Jace curvou os dedos ao redor dos dela, um aperto que foi tão emocionante quanto um abraço, quanto uma promessa forjada em ferro. Ela soube, em seu coração, que os votos na igreja seriam meras formalidades.

Esse foi o momento. A partir de então, o mundo só ficou mais quente. Jace levou a mão dela até os lábios e a beijou.

– Diga-me que isso quer dizer sim – ele pediu.

– Sim – ela disse. – Sim para todas as perguntas. Para cada uma delas. E vou ficar honrada em usar seu anel.

A não ser Charlotte, que murmurou “droga”, todas deram calorosos vivas.

 

~||~

 

Horas mais tarde, depois que todos os biscoitos foram comidos e a chaleira esvaziada, depois que Erika foi dormir no quarto, os dois estavam em lados opostos do balcão da biblioteca, de mãos dadas, trocando olhares carinhosos.

– Acabei de notar uma coisa – Clary disse. – Eu sempre me sinto mais apaixonada por você quando estamos rodeados de livros.

– Muito bem. Então preciso falar com o arquiteto que está projetando nossa casa nova. Vou dizer para ele instalar estantes de livros do chão ao teto em todas as paredes do nosso quarto.

– Basta que você esteja comigo. – Ela sorriu. – Confesso que tinha perdido a esperança. Eu li no jornal que você estava em sua casa, em Cumberland.

– Eu fui para lá. Com minha mãe. Acertei as coisas com meu administrador, de modo que eu não precise voltar por algum tempo. E também colocamos uma lápide para Elisa no cemitério da família.

– Oh, Jace. Fico feliz que vocês tenham conseguido fazer isso juntos.

– Eu também. – Ele pigarreou e olhou ao redor, para a biblioteca. – Como você conseguiu fazer isso tudo sem dinheiro?

– Eu comecei com os livros que você me enviou, é claro. As mulheres daqui me ajudaram a conseguir mais. E para alugar a loja, peguei um empréstimo com Matthew Lightwood.

Ciúme queimou nos olhos dele.

Matthew Lightwood emprestou dinheiro para você?

Ela concordou com a cabeça.

– Um empréstimo de amigo. Só isso. Já paguei metade do que devo para ele.

– Aposto que sim. – Ele beijou a mão dela e a acariciou. – Vou ter que me dividir, sabe. Idris agora é meu lar, mas tenho outras responsabilidades que precisam de atenção em Londres também. Sou o mantenedor de várias organizações beneficentes. E desconfio que os próximos anos vão nos mostrar quem são nossos verdadeiros amigos. Se formos convidados para um baile ou evento, gostaria de ir e exibir minha bela esposa.

– Eu também gostaria disso.

Ele franziu a testa enquanto observava o espaço entre o segundo e o terceiro dedos dela.

– Não posso lhe prometer filhos, você sabe disso. Não tem nada que eu queira mais do que uma família com você, mas... não posso garantir.

– Eu sei.

– Tudo que posso lhe oferecer com certeza é um marido apaixonado e uma sogra conspiradora. Será que é o bastante?

Ela riu.

– É mais do que o bastante.

– Bem, e não podemos nos esquecer de Erika. Ela também vai nos acompanhar. Eu sei que mudanças são difíceis para ela, mas pensei bastante nisso. Vamos providenciar para que ela tenha um quarto em cada uma de nossas residências, todos decorados exatamente do mesmo modo. Assim ela sempre vai se sentir em casa. E nós poderemos contratar uma acompanhante para ela, se você quiser. Uma que seja excelente. Você sabe que só contrato os melhores funcionários.

Clary sentiu a garganta apertar tanto que só conseguiu soltar um:

– Obrigada.

– Não precisa me agradecer. Você sabe que sou filho único. A alegria vai ser minha de ganhar uma irmã, se puder dividi-la comigo.

Não havia nada – nada – que ele pudesse ter dito que a emocionasse mais. Jace era o melhor dos homens. Ela nunca deveria ter duvidado dele, nem por um momento. Nunca duvidaria de novo.

– Desconfio que Erika e minha mãe vão se entender muito bem, como criminosas – ele disse.

A imagem fez Clary sorrir em meio às lágrimas.

– Nossa. Imagine quando forem às compras.

– As compras serão o de menos. Imagine o tricô.

Eles riram juntos.

Clary levou a mão ao rosto dele.

– É demais. Você está sendo perfeito demais. Rápido, diga algo horrível para que eu saiba que isto não é um sonho.

– Muito bem. Eu tenho um problema de pele nojento e crocito feito uma coruja quando chego ao orgasmo.

Ela riu.

– Mas eu sei muito bem que nada disso é verdade.

– Não era verdade meses atrás. Acho melhor você tirar toda minha roupa e verificar se nada mudou.

– Hum. Acho que eu conheço um mezanino sossegado.

Ele se debruçou sobre o balcão e a beijou. Um beijo caloroso, descontraído. Foi, talvez, o melhor beijo de todos. Foi um beijo cotidiano.

– Eu te amo. – ele disse.

– Amo você. Tudo vai mesmo dar certo – ela disse.

– Não é?

Ele torceu os lábios e apertou a mão dela.

– De vez em quando tudo vai estar bem. Mas a maior parte do tempo, vai ser maravilhoso.

E foi.


Notas Finais


Ainda não acabou, não! Vejo vocês ainda hoje!

Bjss de Luz! <3


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