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História Uma semana para apaixonar-se - Capítulo 1


Escrita por: e lushmon


Notas do Autor


Olá pequenos lírios que enfeitam o jardim da vida, primeiramente gostaria de dizer que estou muito feliz por debutar neste projetinho maravilhoso, no mais deixarei para falar nas notas finais, espero que me acompanhem por aqui também e tenham uma boa leitura.

Capítulo 1 - Em menos de uma semana


“As juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão como a mais simples palha.”

William Shakespeare

 

Apaixonar-se por uma garota é algo normal para rapazes da idade de Taehyung, mas o jovem jamais sequer parou para reparar nos detalhes de uma garota; ele sequer se interessava por elas.

Enquanto estava sentado no pátio da faculdade, viu duas garotas aparentemente agradáveis acenarem para si e devolveu a gentileza, mas não era como se estivesse interessado, era somente educado demais.

Ficaria ali sentado sem falar com ninguém, se não fosse por Yoongi e Jimin, seus amigos mais próximos lhe atirando algo que parecia um cardápio expresso de uma pizzaria.

– Ei,Tae, quer um pedaço de pizza? – perguntou JiMin ao se aproximar mais do amigo.

– Claro, me parece bom!

– Eu vou querer aquela com berinjela e carne picada – Yoongi falou enquanto apontava para a opção no cardápio. 

– Certo, peçam todas de carne então – disse JiMin e os amigos apenas concordaram com a cabeça. 

Os jovens entraram em uma breve discussão sobre quem iria receber a pizza no portão, mas gritinhos eufóricos roubaram-lhes a atenção. 

– Ele não virá para a faculdade hoje? – falava uma menina de estatura baixa e cabelos curtos. 

– Jennie disse que não, parece que ele pegou um resfriado, mas não é certeza. Estou tão preocupada com o SeokJin oppa! – gritava a garota no meio do pátio.

– SeokJin… Já estão falando dele logo cedo? – ditou um Taehyung desacreditado.

– Normal, hoje é a segunda-feira do okay, é certeza que querem uma chance. – JiMin revirou os olhos. Ainda lembrava e sentia o pé na bunda que seu hyung havia lhe dado.

Ah, sim, a "segunda-feira do okay". Todos na faculdade sabiam sobre ela. Toda segunda-feira, Kim Seokjin, o veterano de artes cênicas, aceitava os sentimentos de quem quer que fosse, homem ou mulher, mas na segunda-feira seguinte ele acabava com o namoro com a típica frase: “Desculpa, eu não consegui me apaixonar”.

– Hey, Tae, você faz cinematografia com ele, não é? – indagou Yoongi, sorrindo sugestivo. – Dois caras bonitos deveriam tentar algo, por que não pede uma chance?

– O quê?! Isso seria estranho… Nós nunca nos falamos, apenas cumprimentos ocasionais. – falou, mesmo que não negasse que tinha sim uma quedinha pelo veterano, mas, por Deus, quase todos ali tinham.

– Pois deveria. Saí com ele no final do mês passado! – falou JiMin sorridente ao lembrar da semana que passaram juntos.

– Você se orgulha disso? – Taehyung mirou o amigo, estreitando os olhos, desacreditado. 

– Menino, é claro que sim! Porque sair com ele é como ganhar na loteria – exclamou.

– Não, JiMin, é totalmente ao contrário. 

– Pessoas normais como você nunca vão entender como populares pensam. – JiMin revirou os olhos. Seu amigo era um belo idiota mesmo.

– E você, Taehyung, o que acha dele? – perguntou Yoongi, que até então só ouvia a pequena discussão. 

– Bom… – Buscou em suas memórias os momentos em que esteve no mesmo ambiente que seu hyung. – Ele é viril.

– Tem certeza que é só isso? – perguntou Yoongi arqueando a sobrancelha, como quem sabe que ali havia uma quedinha platônica escondida.

– Tá', tá', ele é bonito. – Olhou para o amigo que ainda estava de sobrancelha arqueada. – Tá' bom, seu merda, ele é bem bonito.

– Ah, mas disso já sabemos – JiMin falou, enquanto olhava para as unhas.

– Certo, vou indo. – Levantou do banco.

– O quê? Taehyung, aonde você vai? –  chamou JiMin. 

– Receber a pizza, ué.  – Deu de ombros e saiu dali em direção ao portão.

– "Pessoas normais como você nunca vão entender como populares pensam." – imitava a fala do amigo de minutos atrás, enquanto esperava a pizza, sentado em frente o portão. Oras, aquilo era um ultraje!

Se assustou quando um Sedan vermelho passou em alta velocidade em frente à faculdade. Olhou para ver quem era o obtuso que dirigia àquela velocidade tão cedo. E por mais idiota que soasse, era Kim Seokjin, o veterano do quinto período de artes cênicas, e dono das segundas do okay.

Virou o rosto rapidamente quando viu que SeokJin saía do carro, seguido de uma garota. Não entendia o porquê de o seu coração pesar tanto.

– Bom dia. – Assustou-se quando uma voz grave se fez presente. Olhou para ver quem era e teve certeza que SeokJin estava mais bonito naquela manhã.

– É… bom dia. – Desviou o olhar para a garota, que parecia brava com algo.  – Aquela é sua namorada da semana? – perguntou a SeokJin, ainda olhando para a moça. – Ela parece mais velha que você.

– Você não é muito observador – respondeu SeokJin, sorrindo de lado. – Errou nas duas frases, ela é diferente. Mas enfim, o que está fazendo aqui? Ainda temos aulas, não?

– Esperando uma pizza.

– Ah, entendi.

"Uma semana é tempo suficiente para se apaixonar. SeokJin é completamente fiel também." Lembrou-se das palavras de JiMin, quando havia lhe contado sobre o namoro de uma semana com o veterano, e como nos desenhos animados, uma ideia lhe veio à mente.

Encarou SeokJin, que estava escorado no portão também. Ao perceber que Taehyung o olhava, encarou-o de volta.

– O que foi? – perguntou. 

– Ah, nada! Ninguém se declarou para você hoje?

– Ainda não.

– Então para você tudo bem mesmo? Contanto que alguém se declare primeiro? Mesmo que ele ou ela não faça o seu tipo?

– Tipo? Você não sabe disso apenas olhando, não sabia disso? 

– Não, quero dizer, a aparência delas? Por exemplo, uma pessoa de aparência gentil ou uma pessoa do tipo sexy?

– Hum, não sou exigente. Mas eu gosto de sua aparência, é uma mesclagem dos dois. Então seria o tipo certo que você diz?

Droga, foi realmente no calor do momento, pensava o jovem, se batendo mentalmente. Um simples pensamento de "Como esse cara vai reagir? Não custa nada tentar”.

– Saia comigo, SeokJin hyung. 

Encarou o mais velho mais uma vez. Este estava surpreso pelo pedido e ficou em silêncio por alguns minutos, não sabendo o que falar, mesmo que estivesse acostumado com aquele tipo de conversa. Não entendia o porquê de com Taehyung ser diferente.

Ficaram a se entreolhar por minutos, parando apenas quando a buzina de uma moto se fez presente. Pelo slogan, era da pizzaria.

Taehyung levantou-se para receber, pois também precisava voltar à sala.

– Você é Kim Taehyung? – perguntou o entregador. 

– Sim.

– Custa 6.700¹ won. 

– Certo. – Colocou a mão no bolso da calça, não encontrando a carteira. Droga, como poderia ter esquecido?

– Ah, foi mal. Minha carteira ficou na minha mochila.

– Então aqui está – falou SeokJin, entregando a quantia ao entregador, que recebeu e após uma breve reverência foi embora.

– Desculpe-me! Eu deixei minha carteira na sala – pediu Taehyung, que agora tinha certeza que estava vermelho feito tomate. Não bastasse o possível fora que recebeu, agora um vexame desses, era demais para si.

– Está tudo bem, mas vá logo para sala ou ela vai esfriar. – Entregou a pizza ao mais novo e sorrindo virou as costas, entrando na faculdade.

– Não! Passe mais tarde na minha sala. Eu vou te pagar, SeokJin hyung.

– Certo, passarei por lá mais tarde.
 

...

 

– Taehyung, quer passar na HSD para jogarmos, a caminho de casa depois? – perguntou Yoongi, ao se aproximar da carteira em que o amigo estava sentado, arrumando a mochila.

– É claro, seu bosta. 

– Bosta é você, seu- O quê?! O SeokJin está aí na porta, Tae, olha! – Apontou Yoongi, que encarava o outro como todo o restante da sala.

– É mesmo, o SeokJin. – Lembrou-se de que estava devendo ao mais velho e levantou-se pegando a carteira para pagá-lo logo. 

– Obrigado por antes. – Entregou o dinheiro  – Eu estava quase esquecendo.

– Ah, não precisa. – Devolveu as notas. – Eu queria saber se podemos ir para casa juntos hoje? – perguntou, rindo quando Taehyung arregalou os olhos.

– O quê?!

– Ou você tem alguma outra coisa?

– Não, não tenho – respondeu em um fio de voz, sentia que desmaiaria a qualquer momento, de verdade.

– Então vamos! – Pegou na mão direita de Taehyung, o arrastando dali, deixando um Yoongi curioso, assim como o restante dos cursistas de artes cênicas do quinto período. 

No caminho, Taehyung não sabia o que falar, então optou por fazer o que sempre fazia quando estava perto de SeokJin: nada.

Só haviam se falado quando o mais velho pediu para que colocasse o endereço no GPS e nada mais.

– Você tem telefone? – SeokJin quebrou o silêncio. 

– Uh, sim. – O olhou de um jeito estranho.  – Não sabia que você era do tipo que se importava com isso.

– Há muitas coisas que você não sabe sobre mim.

– Ah, bom – Taehyung respondeu sem jeito. 

– Deixe para lá, diga seu número e endereço eletrônico.

– Me dê seu celular, é melhor.

– Certo. – Entregou o celular a Taehyung que, com as mãos trêmulas, digitou seu número, mesmo que estivesse com medo de errar algum dígito ou parecer estranho, entregando o celular assim que terminou.

A partir daí os jovens empataram em uma conversa sobre cinematografia, o único curso que faziam juntos, e nem perceberam que estavam próximos ao prédio onde Taehyung morava.

– Acho que chegamos. – Taehyung sorriu amarelo. – Obrigado, Seokjin.

Estava prestes a sair do carro, mas SeokJin o parou puxando seu antebraço, assustando o garoto.

– Espere, eu abro para você – ditou e saiu do carro, deixando um Taehyung corado para trás. – Agora suba e descanse – falou ao abrir a porta e ajudar o mais novo a sair do veículo.

– Certo, obrigado novamente. – Estava nervoso de verdade. 

– Não precisa agradecer.

– Tudo bem então, tchau – desengonçado, Taehyung despediu-se.

– Taehyung! – SeokJin o chamou, quando Taehyung estava prestes a entrar no prédio. – Vamos sair.

Sentenciou e saiu dali em direção ao Sedan vermelho, dando partida em seguida.

 

...

 

Já era noite e SeokJin cochilava sobre o sofá. Estava nervoso e confuso e, ao chegar em casa, ainda foi obrigado a ouvir o irmão reclamando do quão o Ensino Médio era uma merda cansativa.

Assustou-se quando uma mão fez carinho em seu peitoral. A mão era leve e quente, definitivamente não era seu irmão. Abriu os olhos, deparando-se com Jungkook, namorado de NamJoon, seu irmão mais novo.

Assustou-se ainda mais quando o jovem passou as pernas uma de cada lado de seu corpo, o olhando. Mas era tão analítico que, de certa forma, incomodava. 

Tentou levantar dali, mas o jovem o puxou de volta. SeokJin não entendia o porquê do jovem estar agindo daquela forma.

– Jungkook, se meu irmão nos ver, ele vai entender errado. Saia, por favor – falou calmo, mesmo que sua vontade fosse jogá-lo de cima de si.

– Tudo bem, eu terminei com ele – sussurrou próximo ao seu ouvido. – Eu gosto de você, Jin hyung. – SeokJin não esperava aquilo. – Eu amo você – falou baixo, rebolando de leve no colo do outro. 

– Mas eu não, deveria se respeitar em primeiro lugar, e pense um pouco mais em Namjoon. – Tirou o jovem de cima de si, levantando-se – Fale com ele, licença. 

...

 

No dia seguinte, SeokJin acordou com o toque irritante de seu celular, era uma ligação. Animado, procurou o celular sobre a cama, pensando ser Taehyung, mas, ao olhar a tela ficou estranhamente triste. O número era desconhecido e provavelmente de algum(a) ex. Não atenderia, definitivamente.

Levantou-se mesmo que a contragosto, pois precisava ir para a faculdade. No banho, pegou-se pensando em Taehyung pela segunda vez desde que acordara, estranhando o fato de que, mesmo Taehyung sendo um cara bem bonito, nunca tinha sido visto namorando com alguém e sempre rejeitava os sentimentos alheios. Perguntou-se o porquê do jovem agir assim consigo, logo consigo.

Questionou-se também se dessa vez conseguiria apaixonar-se e, mesmo que não admitisse em voz alta, esperava que sim. Havia achado Taehyung legal, mesmo que tímido na maioria das vezes em que conversaram. Tinha medo de não conseguir dessa vez.

Acontecia sempre da mesma forma, SeokJin ficava esperançoso no início da semana, mas o sentimento nunca fluía. Quando a semana se findava, era sempre a mesma coisa: “desculpe, não podemos continuar”. Estava cansado, era fato. 

Sete dias para apaixonar-se era o bastante.

Já havia acabado de se arrumar quando finalmente olhou as horas e, para seu espanto, estava quarenta minutos adiantado. Estranhou seu relógio biológico, que não costumava ser desregulado.

Resolveu por fim que ligaria para Taehyung, pois ele não parecia o tipo de pessoa que acordava tarde, e assim fez, recebendo um: “eu te odeio por me acordar cedo” assim que o jovem atendeu o celular. Riu, afinal, o garoto poderia ser fofo até mesmo cedo da manhã.

Conversaram por todo o tempo, enquanto Taehyung arrumava-se e SeokJin tomava café da manhã, desligando apenas quando o horário de ir para a faculdade cumprir com as aulas finalmente chegou.

Mesmo que tivesse sido acordado cedo, Taehyung ainda assim conseguiu chegar atrasado. Não era mentira que alguns hábitos da adolescência ainda pareciam presentes em sua personalidade. Olhou brevemente os horários notando que o primeiro era cinematografia, o mesmo que fazia com SeokJin, e corou violentamente com a lembrança de que, agora, ele era o namorado da semana.

Entrou na sala onde ficava um palco médio, enfeitado com uma grande cortina vermelha, e algumas poltronas à frente. SeokJin estava no palco, com um bigode falso, um colete e uma cartola negra na cabeça.

– Tarde demais o conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o. Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor. É um pobre amor aquele que se pode medir.

SeokJin recitava Shakespeare, pôde perceber pela frase; sua fala era suave, quase hipnotizante; sua postura era nobre, elegante.

– O que achou? – perguntou o veterano ao se aproximar do jovem que ainda estava encantado.

– Você recita muito bem, hyung, não é atoa que é um dos melhores bacharéis em artes cênicas. Parabéns, de verdade. – Foi sincero, não havia por que mentir.

– Não é para tanto. – Sorriu. Mesmo que a modéstia fosse uma qualidade sua, gostava mesmo que elogiassem sua ótima atuação.

Passaram o restante do tempo conversando sobre o curso. Falaram sobre Shakespeare, Molière, Charles Dickens, Dante Alighieri, William Wordsworth, Charlie Chaplin e variados poetas, escritores, dramaturgos e romancistas que admiravam em comum. Falaram até mesmo sobre a teoria das cores, muito bem aplicada por ambos.

Cor é como o cérebro interpreta os sinais eletro nervosos vindos do olho, resultantes da emissão da luz vinda de um objeto que foi emitida por uma fonte luminosa por meio de ondas eletromagnéticas; e que corresponde à parte do espectro eletromagnético que é visível. A Cor não é um fenômeno físico. Chegando à conclusão de que, todos têm uma cor, só precisam achar a coloração que mescle de forma boa com a sua.

Ao final dos três tempos seguidos, despediram-se com um abraço, não porque estavam "namorando" e sim porque, antes de tudo, tornaram-se amigos. É claro que a proximidade de ambos causou estranheza nos outros cursistas, mas não era como se não soubessem da segunda-feira do okay. Especulavam ser isso.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Taehyung saía apressado da faculdade. Já era noite e ele estava mais do que atrasado, sabia que ficar e ajudar os amigos para o teatro anual não seria uma boa ideia. Acabou que mais jogaram conversa fora do que realmente prepararam algo.

– Taehyung! – uma voz conhecida o chamou, fazendo-o parar no mesmo instante. – Já está indo para casa?

– Sim. – Virou-se. – Por quê? Deseja alguma ajuda, hyung?

– Ah… bom, eu queria saber se você não gostaria de sair comigo, sabe, agora que somos… É, você sabe, é normal sairmos, não é? – perguntou sorrindo amarelo, SeokJin estava nervoso, inacreditável!

– H-hoje? – Coçou a garganta. 

– Não, amanhã. Você deve estar cansado, então vá para casa e descanse.

– C-certo… Aonde vamos?

– É surpresa. – Deu de costas, sumindo rapidamente da vista do mais novo.

Taehyung pôde notar em apenas dois dias que SeokJin era mesmo tudo que falavam: atencioso, charmoso, carinhoso; enfim, um ótimo namorado. Uma lástima que o encanto acabava em uma semana. Pensando nisso, o jovem sentiu novamente um aperto no peito, mas preferiu ignorar. 

...

 

Quarta-feira, terceiro dia da semana e igualmente o terceiro dia do namoro. Mais cedo naquele mesmo dia, SeokJin havia enviado uma mensagem a Taehyung, avisando que não iria para a faculdade naquele dia e lhe informando o horário que iria buscá-lo no prédio onde morava, não revelando em momento algum o lugar onde iriam.

Taehyung gostaria mesmo de acreditar que estava nervoso porque não sabia onde iriam, e que se arrumou mais do que deveria, pelo mesmo motivo, e apenas; mas lá no fundo sabia que não era uma total verdade.

Por volta de quatro horas da tarde seu celular apitou. Era SeokJin avisando que estava lhe esperando em frente ao seu prédio.

Pontual, pensou Taehyung. 

O jovem optou por descer pelas escadas, na tentativa de esvair o nervosismo e não parecer estranho demais, mas em menos de cinco minutos já estava no hall, encontrando um SeokJin em toda sua glória em frente ao seu Sedan vermelho. Sim, ele era mesmo tudo que falavam por aí.

Ao lhe enxergar, o moreno abriu um sorriso lindo para si e veio em sua direção.

– Boa noite, Taehyung, você está excepcionalmente lindo esta tarde.

– A-ah, obrigado, é... você também, Jin.

– Obrigado, belo jovem. – Riu – E então, vamos? – estendeu uma das mãos.

– Vamos. – Pegou na mão do outro de bom grado, aceitando a gentileza.

Entraram no carro e, minutos depois, Taehyung já havia deixado a timidez de lado; SeokJin era um galanteador nato, tinha assunto de sobra e elogios infindáveis. 

– Aonde estamos indo, hyung? – perguntou Taehyung, franzindo o cenho ao ver que já haviam passado do centro de Seul.

– É surpresa, já disse, você vai gostar.

Minutos depois, estacionaram em um enorme sobrado que, de longe, via-se um grande jardim em seu interior. Era lindo.

– Nossa! Eu nunca havia visto este lugar antes. – O jovem olhava admirado para as flores que enfeitavam o lado de fora.

– Bem-vindo ao Sky Rose Garden. Me surpreende que nunca tenha vindo até aqui.

– Eu realmente nunca havia visto esse lugar.

Entraram no sobrado encantando-se pela diversidade de cores e plantas expostas. O espaço era grande e se assemelhava ao jardim botânico de Sidney. Tinham flores por todo o lugar, desde o mais simples girassol até a Jade Vine mais preciosa.

Andaram por todo o lugar, aproveitando para tirar algumas fotos e conhecer-se melhor, parando apenas quando um deles ficava exausto, alegando não conseguir mais andar.

Taehyung segurava um vaso delicado de tulipas azuis e sorrateiramente SeokJin registrou o momento. Era fofa a forma como ele segurava o vaso e acariciava a planta enquanto conversava com ela.

Estavam tão entretidos entre si que sequer perceberam o Sol que já se punha.

– Acho que precisamos ir, está ficando tarde. O Sky Rose Garden geralmente fecha antes das sete – SeokJin avisou ao se aproximar do banco onde Taehyung estava sentado. 

– Que pena, eu gostei bastante do lugar. – Respirou fundo, inalando um pouco mais do ar puro e doce dali. – Obrigado me trazer até aqui, virei mais vezes, com certeza.

– Percebi. – Viu que o menino ainda olhava encantado para a planta em sua mão. – Você gosta dela?

– "Dela" quem? – perguntou sem entender.

– Da tulipa, Taehyung.

– Gosto, é bonita e delicada.

– Você quer ela?

– Sim, mas deve ser caro demais e-

– Eu vou comprá-la para você. – Cortou SeokJin, chamando um dos funcionários para lhe fazer o pedido.

– Mas, hyung, é muito caro. – Abaixou o rosto envergonhado. 

– É um presente, não recuse, ou eu me sentirei mal, uh?

– Tudo bem. – Respirou fundo mais uma vez.

– Aqui está, senhor, deseja mais alguma coisa? Estamos prestes a fechar – o funcionário perguntou gentil, entregando o vaso a Taehyung. 

– Não, é somente isso.

– Certo. Obrigado, boa noite e voltem sempre.

– Pode deixar. – SeokJin devolveu a gentileza. – Agora sim podemos ir, Tae, vamos.

– Vamos.

Seguiram rumo ao carro e já a caminho de casa, SeokJin argumentou arduamente que um encontro não era um encontro sem que se tomasse sorvete. Oras, era verdade. 

Pararam em uma pracinha que ficava próxima ao prédio onde Taehyung morava, escolheram os sabores e sentaram-se em um dos bancos do lugar. Falavam sobre a sétima arte. Ah, formandos de artes cênicas!

– Acho sim que, para a cinematografia de uma forma geral, o movimento de Ricciotto foi o mais importante, visando que, se não fosse por ele, o cinema não seria considerado a sétima arte, junto de arquitetura, escultura, pintura, música, poesia e dança – argumentou SeokJin, que era quem estava mais adiantado no curso de artes cênicas, levando em conta que estava no sétimo período e Taehyung, no quinto.

– Exatamente! Eu também penso assim. É uma pena que exista militância imposta até em assuntos como esses. Eu acho incrível a forma moderna como Ricciotto pensava, mesmo em 1911.

– Sim, e como ele mesmo dizia: “o cinema, por ser espetáculo para a massa, mas aproximá-la e integrá-la à categoria das Belas Artes, como música, pintura, escultura, arquitetura, poesia e dança. Entende-se que o cinema é uma arte ‘síntese’, uma arte total, que concilia todas as outras artes”.

E céus! As expressões que SeokJin fazia eram cômicas e extremamente engraçadas. Taehyung permitiu-se cair em gargalhadas, rindo ainda mais ao ouvir a risada engraçada e singular do outro.

SeokJin parou de rir em um passe, olhando para um ponto fixo: os lábios melados de sorvete de Taehyung.

– Está sujo – falou, aproximando-se do jovem. 

– A-onde? – retribui o olhar de SeokJin, que agora o encarava analítico.

– Aqui. – Tocou os lábios bem desenhados. – Posso limpar? – Não obteve resposta, mas o olhar de Taehyung fora o suficiente. Beijou-o pela primeira vez na vida, sentindo uma estranha sensação de já ter vivido aquilo. Os lábios dele eram viciantes, encaixavam-se de uma forma absurda. Taehyung passou os braços pela nuca do mais velho, este que pousou as mãos em sua cintura, separando-se apenas quando Taehyung recebeu uma ligação, saindo dali às pressas para ter mais privacidade e deixando um SeokJin sozinho.

Dez minutos depois, o jovem voltava para onde havia deixando o então namorado, mas parou quando viu duas garotas próximas demais a ele. Falavam alto o suficiente para que pudesse ouvir. 

– Ah, certo SeokJin oppa, com quem você está saindo essa semana?

– Hum, eu não-

– Eu! – Taehyung o cortou, entrando na conversa sem ser chamado. – Na verdade, estávamos saindo, não estamos mais.

– O quê?! Como assim? – SeokJin parecia desesperado e ficou ainda mais nítido quando o rapaz virou de costas, saindo dali. – Taehyung! O que aconteceu? 

– Nada, não aconteceu nada afinal. – Respirou fundo tentando controlar a respiração falha. – Eu entendi que você ficou com vergonha de falar que estava saindo comigo; afinal, o veterano bonito e gostoso nunca sairia com um estranho desconhecido como eu, não é?

– Taehyung, você entendeu errado, eu-

– Não! Eu entendi tudo certo, não precisa fingir sentimento, o nosso namoro de uma semana acaba aqui.

Falou e saiu correndo, sem sequer dar oportunidade para SeokJin explicar o que realmente iria ou não falar. Ele não perguntou e sequer fez questão. O jovem corria a caminho do apartamento, lutando contra as lágrimas irritantes que insistiam em lhe descer a face. Inferno! Tinha que ser mesmo um cara de coração tão mole? Até por falta de termo, o cursista de artes apenas se fodia, e merda, não precisou de uma semana para apaixonar-se pelo outro.

Mas o que ele veria em mim, afinal? Pensava o jovem.

Kim Taehyung não era o estereótipo que se sente menor do que todos, mas não pôde evitar se sentir pequeno para SeokJin naquele momento.

Sexta-feira fora uma completa tortura para Taehyung acordar. Os olhos ainda estavam inchados pela noite passada e seu corpo parecia pesar o dobro.

Levantou-se mesmo assim, pois a semana de provas estava batendo na porta e não podia se dar ao luxo de faltar apenas por ter se apaixonado.

Ao entrar no enorme prédio, pediu a todos os deuses existentes (ou não) que a maquiagem disfarçasse as olheiras. Não queria dar explicações aos amigos, pois sabia o quão ficariam preocupados, mas droga, ninguém esperava por isso. Quando Taehyung falou sobre ser o namorado da vez de SeokJin, foi muito bem avisado por YoonGi e JiMin sobre o que poderia acontecer ou não, mas era uma mula e não pensava direito. 

SeokJin entrou quase correndo na faculdade, ignorou qualquer um que tentasse falar consigo, pois ele precisava falar com Taehyung. Andou por todos os lugares prováveis que o menino estaria, não o encontrando em lugar algum. Avistou Park JiMin e sabia que o garoto não simpatizava muito consigo após o término deles, mas falaria com ele mesmo assim.

Precisava achar Taehyung, precisava.

– JiMin! – gritou de longe. – Preciso falar com você – falou após aproximar-se.

– Não tô afim de falar com você. 

– Por favor, eu preciso da sua ajuda.

– Minha ajuda? Isso é patético. 

– Eu preciso falar com o Taehyung, você sabe onde ele está? – Ignorou a arrogância do outro, ele tinha motivos mesmo.

– O que eu ganho com isso? – Arqueou a sobrancelha.

– O que você quer?

– Dinheiro o suficiente para comer hoje e tomar refrigerante. 

– Certo. Eu pago para você. Mas agora me diz onde está o Taehyung. 

– Está no bloco C, com o Yedam – respondeu, provocando SeokJin. Sabia o que havia acontecido e mesmo querendo o matar, torcia para que ficassem juntos. Taehyung estava apaixonado, mesmo que não admitisse.

SeokJin correu mais uma vez naquele dia, subindo as escadas mais rápido do que já tivera feito antes, e buscou com o olhar Taehyung, encontrando-o abraçado com Yedam, estudante de música do segundo período. Encarou a cena, o coração apertou dentro do peito, o rosto ficou vermelho. Estava com raiva. Andou a passos largos em direção aos jovens.

– Precisamos conversar – interrompeu a conversa dos jovens.

– Não, nós não precisamos – ditou firme.

– Sei que está bravo, mas me dê um chance de lhe explicar. Caso você não queira ouvir, tudo bem, mas eu gostaria mesmo de te falar o que aconteceu antes de qualquer coisa.

– Tudo bem, mas seja rápido. – Buscou manter a calma. Estava sim magoado e, mesmo que não admitisse em voz alta, desejava que tudo não passasse de um mal-entendido.

Seguiram para o carro e Taehyung revirou os olhos ao que SeokJin abriu a porta do veículo para si. Droga, por que ele tinha que ser tão gentil?

– Taehyung, ontem você não me deixou explicar. – Olhou para o garoto. – Você entendeu tudo errado.

– Ah, é? Entendi tudo errado? – Revirou os olhos, tentando não chorar.

– Sim. O que eu ia dizer para aquelas meninas era que não era um namoro de uma semana, porque eu não pretendia me separar de você, porque, caramba, eu me apaixonei por você! – falou, não se dando conta do que havia revelado.

– V-você o quê? – O menino estava surpreso, os olhos arregalados e as mãos inquietas denunciavam o nervosismo.

– Eu me apaixonei por você. – Respirou fundo. – Eu entendo se você não sentir o mesmo, e-

Taehyung o calou com um beijo. Era doce, era calmo, separaram-se apenas porque o ar lhes faltou. Olharam-se cúmplices, sabiam o que queriam.

Saíram dali rumo ao apartamento de SeokJin. Não houve perguntas, questionamentos ou coisa do tipo, eles sabiam o que queriam e como queriam, não negariam mais, não havia dúvidas. Como bons estudantes de artes, sabiam que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar pelo simples medo de arriscar.

Trocaram alguns beijos no carro e, ao chegarem ao apartamento, a porta foi fechada de qualquer forma. Inferno, estavam pouco ligando para isso.

SeokJin levou o outro até seu quarto, batendo contra a parede algumas vezes por estar de olhos fechados. Ao achar sua cama, deitou-o ali, encarando-o por um breve segundo e admirando o quanto Taehyung era realmente bonito, antes de voltar a beijá-lo. Separou-o apenas para subir os beijos para o canto da boca, a bochecha, o lóbulo da orelha, percebendo que o garoto abaixo de si gostava de ser tocado ali, pelo gemidinho baixo que soltou.

Taehyung respirou fundo, sentindo a risada do outro abafada em sua pele. Os beijos desceram para o pescoço, SeokJin passava o nariz pela pele quentinha do outro, o arranhando com os dentes.

– Tae, você é tão cheiroso, tão gostoso. – Subiu o olhar para encontrar o do garoto. – Eu te quero muito, eu quero você gemendo meu nome, me deixe te convencer de que, depois de hoje, você será tanto meu quanto eu serei seu, porque eu vou te foder tão gostoso que você não vai querer deixar ninguém além de mim te tocar.

Taehyung não conseguia pensar em nada, não conseguia formular uma frase simples, então apenas gemeu em aprovação; SeokJin sorriu sacana, levantou da cama e tirou a roupa devagar, dando ao garoto a visão dos seus ombros largos e corpo definido. Gostava de provocar, verdade.

– Sua vez – sussurrou, e mais rápido que pôde Taehyung obedeceu, sentindo o olhar do outro queimar sobre seu corpo. – Você é lindo. – Ele subiu na cama novamente, passando a mão sobre a barriguinha saliente do outro. Taehyung não tinha um corpo nada definido e SeokJin gostava disso, gostava da forma como Taehyung não parecia querer ser perfeito. – Não sei o que é melhor, seu corpo, sua bunda, seu sorriso ou seus olhos… Você me deixa à beira da loucura!

SeokJin abaixou a boca sobre o abdômen do outro, lambendo e mordendo a pele bronzeada e tão bonita, levou a boca para os mamilos, lambendo um e massageando o outro com a mão. Levou a mão desocupada para dentro da cueca do garoto, estimulando o falo rijo, passando o dedo pela glande e espalhando o pré-gozo.

– Você está querendo assim agora... Mal te toquei, você é tão sensível, Tae. Você vai gemer meu nome quando eu te foder? Vai gritar por mim?

– P-por favor, Jin.

– Por favor o quê? Eu nem comecei ainda.

O garoto ainda pediu por favor, mas SeokJin ainda lhe torturaria um pouco mais, e céus, o olhar que Taehyung lançou ao mais velho era tentador demais! SeokJin apenas sorriu e sem avisar abocanhou o falo do outro, chupando e lambendo com força. Não havia carinho, não havia delicadeza, era tudo à base do toque, do prazer. Taehyung queria fechar os olhos, mas a imagem de SeokJin lhe chupando era bela demais e o garoto gemia alto, mas sequer se importava com o barulho que poderia incomodar os vizinhos

A mão de SeokJin substituiu a boca, acariciando as bolas vez ou outra, passando os dedos ousados pela entrada sensível. Desceu a boca para o músculo ansioso, invadindo sem vergonha com a língua, acompanhada de um dedo, preparando-o para o que viria depois.

SeokJin afastou-se para pegar lubrificante e camisinha, castigando o menino abaixo de si. Colocou o preservativo devagar, lambuzando com o lubrificante, não queria que Taehyung sentisse dor, queria se gravar de forma boa em sua memória.

Caminhou pela cama até estar entre as pernas torneadas, encostou o falo na entrada do outro, deslizando para dentro. A lentidão era agoniante. Tinha sim o desconforto inicial de sempre, que parecia maior, mas não chegava a ser insuportável, porque o mais velho não era pequeno em nada.

Taehyung gemeu alto quando sentiu todo o membro de SeokJin dentro de si. O mais velho era gentil, doce, e esperou que se acostumasse, distribuindo beijinhos por seu rosto, estocando devagar após o outro mexer o quadril soltinho de leve, indicando que estava pronto. 

–  Ok, SeokJin, mais. 

O mais velho fez como fora pedido, vez ou outra vigiando-se para não perder o controle, não queria machucá-lo ou assustá lo.

– Mais forte, Jin. Eu tô quase – avisou. 

Inferno, claro que ele não negaria. Segurou firme a cintura do outro, estocando nele da forma como queria. Taehyung era uma bagunça manhosa, gemia fino sentindo o baixo ventre repuxar, indicando que chegaria ao limite. Abraçou o corpo de Seokjin com as pernas e braços, sujando os abdomens. SeokJin ainda se movimentava, prolongando o prazer do rapaz e aproveitando do aperto ainda maior, não demorando para gozar.

Saiu de seu interior, tirando a camisinha, dando um nó e voltando seu olhar para a bagunça que Taehyung estava. Encararam-se, estavam uma bagunça, riram do rumo que tudo tomou e prenderam-se em um abraço gostoso, trocando palavras que só cabiam aos dois.

Definitivamente, a semana do okay acabava ali. SeokJin sabia que Kim Taehyung, o estudante de artes, era a pessoa certa para apaixonar-se.

 

"Amor não é amor, se quando encontra obstáculos se altera, ou se vacila no mínimo temor. Ninguém é perfeito, até que você se apaixone por essa pessoa.”

William Shakespeare

 

¹ won: moeda coreana. 6.700 wons equivalem a, mais ou menos, 20 reais.

 


Notas Finais


\0/ @miihflyer menina (???) eu ainda estou impactado com essa capa linda maravilhosa, muito obrigado mesmo, apenas três palavras para você = au au au. E @by_taejin kkkkk meu deus foi quase uma novela né? Mesmo assim obrigado pela paciência e meu deus que betagem foi essa? Perfeita perfeita. E também obrigado a @mysro pela paciência, acho que dei um pouco de trabalho né? Mas enfim, eu estou muito feliz mesmo, por estar no projeto e ter conhecido tanta gente maravilhosa (até mesmo a minha escritora favorita de todo o mundo, mas sem spoiler)


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