História Uma Senhora Para Pemberley - Capítulo 7


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Categorias Orgulho e Preconceito
Personagens Caroline Bingley, Catherine "Kitty" Bennet, Charles Bingley, Charlotte Lucas, Elizabeth Bennet, Fitzwilliam Darcy, George Wickham, Georgiana Darcy, Jane Bennet, Lydia Bennet, Mary Bennet, Sra. Bennet
Tags Darcy, Elizabeth, Lizzy, Orgulho, Preconceito
Visualizações 316
Palavras 3.593
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa tarde, lindezas da minha vida! Tudo bem com vocês?

Primeiramente quero agradecer a todas pelas leituras, favoritos e comentários, amei ler e responder cada um!
Não tenho muito a dizer sobre o capítulo de hoje, somente desejo uma boa leitura a todos!

Capítulo 7 - A Megera Domada


Fanfic / Fanfiction Uma Senhora Para Pemberley - Capítulo 7 - A Megera Domada

Pontualmente as três horas da tarde, a carruagem do senhor Darcy parou em frente a casa dos Gardiner para buscar Elizabeth.

O cavalheiro estalava os dedos da mão deixando transparecer toda a sua ansiedade enquanto aguardava pela moça do lado de fora do veículo.

- Calma irmão! - Georgiana falou do lado de dentro ao ver o nervosismo dele. - Ela deve estar se arrumando. Isso é bom sinal!

Ele nem prestou atenção direito ao que ela disse, pois enquanto ela falava Elizabeth saiu pela porta. Deu um sorriso quase imperceptível ao vê-la andando em direção a carruagem

Achou-a belíssima. Ao que parecia, ela estava usando o mesmo vestido que usara no baile em Netherfield, no dia em que dançaram, porém desta vez os cabelos dela estavam mais soltos, fazendo com que uma cascata ondulada lhe caíssem pelos ombros. Com os cabelos soltos, ele achou que ela adquiria uma aparência mais jovial.

- Senhor Darcy, peço desculpas pelo atraso. - Disse Elizabeth com pressa, quase atropelando as palavras. - Ocorreu um imprevisto com um dos meninos, e precisei ajudar minha tia. Acabei me perdendo na hora.

- Nem percebi seu atraso. - Mentiu ele. - Espero que os meninos estejam bem!

- Sim, estão. É que o Frederick acreditou que poderia voar, e acabou pulando da cadeira. Mas não ocorreu nada grave. Apenas um joelho ralado. - Explicou ela e ele riu discretamente.

A seguir ele lhe estendeu a mão, com o intuito de ajudá-la a subir no veículo. Elizabeth prontamente aceitou a pequena ajuda, e ele quase lamentou que a mão dela estivesse coberta por uma luva, impedindo o contato pele na pele.

Elizabeth agradeceu-o pela gentileza e entrou na carruagem, encontrando no interior dela com a  jovem loira que lhe sorria timidamente.

- Senhorita Bennet, permita-me apresentar minha irmã. Senhorita Georgiana Darcy. - Falou ele e sua irmã cumprimentou Elizabeth.

- É um prazer finalmente conhecê-la! - Falou Elizabeth, sentando-se ao lado da moça, e de frente ao senhor Darcy. - Muito tenho ouvido falar a seu respeito!

- Verdade? Espero que tenha ouvido falar bem! - Falou Georgiana olhando surpresa de Elizabeth para seu irmão.

- Sim... Muito bem! Não apenas seu irmão, mas também os Bingleys a elogiaram muito. - Falou Elizabeth e Georgiana sorriu sem graça.

- Também ouvi muito falar muito bem da senhorita! - Georgiana falou e lançou um olhar de esguelha para seu irmão. - Ouvi muito falar da sua beleza, e agora que a conheço pessoalmente, vejo que é ainda mais bonita do que dizem!

- Você com certeza é muito gentil! Mas tenho certeza de que exageraram quando lhe falaram da minha beleza! - Elizabeth respondeu em um tom divertido para Georgiana. - A beleza é algo muito subjetivo. O que alguns acham bonito, outros consideram feio, ou até mesmo tolerável.

- Senhorita Elizabeth, posso assegurar-lhe de que a senhorita está bem acima do tolerável. - Manifestou-se o senhor Darcy a olhando incisivamente. - Se alguém disser o contrário, saiba que é mentira.

Elizabeth sorriu ficando momentaneamente desconcertada por aquele elogio. O senhor Darcy acabava de desmentir a si próprio, e ela definitivamente não estava esperando por aquilo. Embora em primeiro momento ela tenha ficado constrangida, logo aquela sensação passou dando lugar a um sentimento de lisonja, por saber que ele a considerava bela.

Contudo, por mais lisonjeada que estivesse, ela preferiu não se delongar naquele assunto. Afinal, ela não tinha plena certeza dos seus próprios sentimentos, diante dos galanteios do senhor Darcy, então não queria dar a impressão de o encorajar.

O senhor Darcy, por sua vez, optou por também permanecer em silêncio durante o restante do trajeto, pois agradava-lhe mais ver a conversa entre Elizabeth e Georgiana, do que participar dela. Ele queria muito que as duas se conhecessem e se gostassem, pois pretendia trazer Elizabeth para a família em breve.

Quanto as duas moças, a afinidade foi mútua. Georgiana nunca viu seu irmão verdadeiramente interessado em uma mulher. Sempre fora focado nos negócios e também na criação dela, então ela ficou imensamente feliz ao ver seu irmão apaixonado por alguém. Ela queria muito conhecer a moça que fora capaz de conquistar o coração do seu irmão. Uma moça que era digna da afeição do senhor Darcy, era também digna da sua afeição, pensava Georgiana.

Já Elizabeth nutria uma certa curiosidade em conhecer a garota, desde que George Wickham havia dito que Georgiana era tão orgulhosa quanto o senhor Darcy. Elizabeth percebeu que Georgiana, assim como o seu irmão, necessitava de algum encorajamento para entrar em alguma conversação, porém ela não lhe pareceu nenhum pouco orgulhosa ou vaidosa, apenas tímida.

Logo, a curiosidade e boa disposição de ambas, fez com que as duas instantaneamente se dessem bem.

Ao chegarem na entrada do grande teatro, Caroline e Charles já estavam na porta, em companhia do senhor e da senhora Hurst, bem como o coronel Fitzwilliam. Iniciou-se uma sessão de cumprimentos, e Charles, por sua vez, era o mais ansioso para falar com Elizabeth.

- Senhorita Elizabeth! Como tem passado? - Perguntou Charles com um sorriso de orelha a orelha.

- Muito bem obrigado! E o senhor?

- Muito bem também! E sua família como, estão todos? - Perguntou ele, e quando falava em família, queria na realidade saber sobre Jane. A resposta dela foi uma afirmativa, um pouco evasiva, na opinião dele. Diante disso ele não perguntou mais nada.

O coronel Fitzwilliam também foi muito atencioso com Elizabeth, pois havia desenvolvido uma certa afinidade com a moça no período em que estiveram em Rosings. Caroline Bingley, era a única que estava verdadeiramente incomodada com a presença de Elizabeth. 

- Miss Eliza! - Exclamou Caroline aproximando-se de Elizabeth. - Que lindo vestido está usando! Lembro de ter visto um muito parecido, não me recordo aonde! Ah lembrei! - Fingiu lembrar-se. - É o mesmo que a senhorita usou no baile em Netherfield não é?

Ela falava como se fosse apenas uma conversa casual, mas Elizabeth a conhecia bem o suficiente para entender que aquilo era uma provocação.

- Muito bem observado, Senhorita Caroline. É o mesmo vestido! - Disse Elizabeth. - Ainda bem que há água e sabão o suficiente na Inglaterra, assim podemos lavar as roupas e usá-las novamente não é mesmo? - Falou ela mostrando que pouco se importava com as opiniões mesquinhas de Caroline, que com aquela resposta apenas assentiu em concordância.

- Concordo plenamente! - Georgiana, tomou partido na conversa. - Ainda mais se o vestido for bonito como esse, deve ser usado quantas vezes for possível. - Falou e Elizabeth lhe sorriu.

Caroline ficou tomada de cólera, pois agora percebia que até mesmo Georgiana preferia Elizabeth.

Percebendo a pequena alteração que se formava, o senhor Darcy convidou todos a entrar para que a conversa não se delongasse mais.

A senhorita Bingley foi se aproximando lentamente do senhor Darcy, na tola esperança de que ele a acompanhasse, mas Charles foi mais rápido e a convidou para ir com ele. A moça não teve outra opção a não ser aceitar. O senhor Darcy por sua vez ofereceu o braço para Elizabeth e ela o acompanhou.

Ambos entraram no recinto, e não se faz necessário descrever a suntuosidade do lugar, mas era de deixar qualquer um estarrecido com a beleza da arquitetura e da decoração.

Assim que entraram, Elizabeth ficou momentaneamente constrangida com os muitos pares de olhos que olhavam com curiosidade para ela e o Senhor Darcy. Ele evidentemente era muito conhecido em Londres. Um homem respeitado na alta sociedade. Era objeto de desejo de várias senhoritas, bem como das senhoras, que desejavam ver uma de suas filhas, casada com o senhor de Pemberley.

Ele nunca dava crédito para as atenções que recebia das moças, e agora ali estava ele, com uma jovem desconhecida. Isso despertou olhares curiosos, e até mesmos invejosos de algumas pessoas.

A própria Caroline, ostentava uma visível carranca ao observar o senhor Darcy dando atenção a Elizabeth. Sentia-se mortificada por ver que ele preferia aquela mulher deselegante do campo do que ela.

- Senhor Darcy, eu esqueci de lhe perguntar, que peça nós vamos assistir? - Sussurrou Elizabeth inclinando-se levemente em direção ao cavalheiro enquanto andavam.

- Uma peça de Shakespeare. - Respondeu ele.

- Oh por favor, me diga que não é Romeu e Julieta! - Exclamou ela olhando-o gravemente e ele a fitou com curiosidade, devido a expressão dela.

- Por que? Não gosta de Romeu e Julieta?

- Pelo contrário, eu gosto muito. Mas eu sempre choro no final! - Explicou ela. - E o senhor é testemunha, de como eu fico ridícula quando choro. - Falou ela e ele riu discretamente.

- Creio que todos ficam ridículos quando choram. Até mesmo eu. - Afirmou ele e foi a vez dela rir.

- Sinceramente, eu não consigo imaginar o senhor chorando, Senhor Darcy. - Disse ela fitando-o com um olhar maroto.

- Eu lhe peço que nem tente imaginar, Lizzy. - Disse no mesmo tom descontraído e ela notou que era a primeira vez que ele a chamava pelo apelido. - Com certeza não será uma imagem muito lisonjeira. E quanto a peça, não se preocupe, pois é uma comédia. A Megera Domada. O único risco é chorar de rir. - Disse ele por fim.

Elizabeth sorriu aliviada e continuaram andando.

Como era de se esperar, ele havia reservado um camarote para todos. Este era dividido em duas fileiras com quatro lugares cada uma. Sendo assim o senhor Darcy, Elizabeth, Georgiana e o coronel Fitzwilliam ocuparam as poltronas da frente e Charles, Caroline e o casal Hurst as de trás.

Dentro de alguns minutos as cortinas vermelhas do palco foram abertas dando início ao espetáculo.

A Megera Domada, tratava-se uma comédia a respeito de uma jovem chamada Catarina, que tinha um gênio extremamente difícil. Ela espantava todos os seus pretendentes, falando-lhes várias grosserias, e assim ficou conhecida como uma megera. Ela tinha uma irmã mais nova chamada Bianca, que ao contrário de Catarina era meiga e dócil, atraindo assim vários pretendentes, porém nenhum podia cortejá-la, pois o pai das moças só deixaria Bianca se casar, se Catarina se casasse.

Um rapaz chamado Petruchio decide cortejar Catarina, pois está interessado no dinheiro dela. A peça se desenrolava em torno das peripécias dos dois, e as divertidas tentativas de Petruchio de domar a megera Catarina.

Era de fato uma peça engraçadíssima e Elizabeth se divertia muito com as piadas e tudo mais. Em até certo ponto identificou-se com a personagem principal Catarina, já que a moça se negava a ser cortejada por qualquer homem. Obviamente Elizabeth não tinha um gênio tão forte como o de Catarina, mas não pode deixar de lembrar de si própria quando rejeitou o senhor Collins.

Além do mais, o fato de Jane e ela não serem casadas, nunca atrapalhou as mais novas. Pelo contrário, Kitty e Lydia foram apresentadas á sociedade bem cedo, e nunca perdiam a oportunidade de flertar com rapazes, principalmente os do regimento.

Uma risada ao seu lado tirou Elizabeth de seu devaneio. Olhou para o lado, e percebeu que o senhor Darcy ria de algo que tinha visto na peça e chegava a estar até um pouco vermelho. Elizabeth nem saberia dizer o que ele havia achado engraçado, pois a risada dele chamou mais atenção do que a cena. Ela nunca o tinha visto rir. E tinha de admitir, ele ficava bem mais bonito quando sorria.

O senhor Darcy por sua vez, percebeu que Elizabeth o fitava, e olhou para ela.

- Está se divertindo? - Perguntou ele.

- Muito! - Sussurrou ela em resposta e voltou a olhar para o palco.

Voltaram a ficar em silêncio, e Elizabeth nunca se sentiu tão bem na companhia do senhor Darcy como naquele momento.

(...)

O sol ainda estava a pino quando a peça terminou. Charles deu a idéia de fazerem um passeio no Hyde Park para aproveitar o sol. Elizabeth até gostaria de continuar o passeio, mas não sentia-se bem em afastar-se da casa dos tios por tanto tempo. Assim foi decidido que voltariam para casa.

Na mesma formação de antes, Darcy foi para sua carruagem, somado a Georgiana e Elizabeth. Mantiveram silêncio nos primeiros momentos até que Georgiana foi a primeira a falar.

- Irmão, pode me deixar em casa antes de levar Elizabeth? - Perguntou Georgiana. - Estou com um pouco de dor de cabeça.

O senhor Darcy concordou, porém desconfiou que aquela fosse uma artimanha da irmã para deixá-lo a sós com Elizabeth. Sendo uma artimanha ou não, ele não discordaria, pois queria ter oportunidade de conversar com Elizabeth com privacidade.

Georgiana continuou conversando com Elizabeth, até que logo pararam em frente a residência dos Bingleys, que era onde estavam hospedados.

Elizabeth olhou com curiosidade a residência em questão. Residência que poderia ser de Jane, pensou ela. A casa de Charles em Londres, era menor que Netherfield, mas nem por isso era menos bela. A carruagem de Charles havia chegado antes que a do senhor Darcy, assim todos já estavam dentro de casa, e o senhor Darcy acompanhou sua irmã até o hall de entrada.

Dentro de pouco tempo estavam apenas Darcy e Elizabeth na carruagem, e logo o senhor Darcy iniciou uma conversa.

- E então, Elizabeth, gostou da peça? - Perguntou ele a olhando.

- Sim, gostei muito! A muito tempo eu não ria tanto. - Disse ela. - E o senhor gostou?

- Sim, eu confesso que estava um pouco reticente no começo, pois a ideia foi de Charles, e bom... geralmente eu e ele divergimos quanto a escolha de diversão, mas devo admitir que ele fez uma boa escolha. - Falou ele.

- Com certeza uma ótima escolha. - Falou ela. - Eu só não gostei muito do final.

- Verdade. Por que? - Perguntou ele.

- Achei que a Catarina perdeu muito da sua essência, depois de se casar com Petruchio. No início ela não se deixava dominar por ninguém, mas então ao casar, ela magicamente passa a acreditar que todas as mulheres devem ser dominadas pelo marido. Não achou isso um pouco forçado?

- Sim, concordo. Foi deveras um pouco forçado. - Respondeu ele, meditando brevemente nas palavras dela. - Mas é apenas uma ficção.

- Claro, é apenas ficção. - Concordou ela. - Mas não acha que esse tipo de ficção, molda a mente das pessoas, principalmente dos casados, para pensar que o proceder correto é a mulher ser cegamente submissa ao marido? - Argumentou ela. - Catarina, tinha o direito de não querer se casar, mas esse direito não foi respeitado, e por isso ela foi taxada como megera.

- Ela era conhecida por megera, por seu gênio terrivelmente forte, não por negar-se a casar. - Retorquiu ele, e estava se divertindo com aquele pequeno debate a cerca da peça que haviam assistido. Ela riu com o argumento dele.

- Pode ser... Espero que não leve a mal o que vou dizer agora, pois me diverti muito em nosso passeio, mas eu não sei se concordo com a ideia defendida nessa peça. - Disse ela, verdadeiramente preocupada em não ofendê-lo, afinal, a intenção dele havia sido boa em levá-la ao teatro.

- Não levarei a mal. Todos temos o direito a ter sua própria opinião. Mas me diga, qual a ideia que lhe desagradou?  

- Essa ideia de dominação. - Disse ela. - Mulheres não foram feitas para serem domadas, e sim conquistadas.

Assim que disse isso, instantaneamente ela se arrependeu. E se ele encarasse aquilo como uma indireta para ele, ou um encorajamento? Diante disso ela preferiu ficar calada, afinal, em breve chegariam a casa de seus tios e o passeio acabaria. Isso a deixava um tanto desapontada, pois mesmo depois de passar duas horas na companhia dele, ela ainda não tinha uma conclusão satisfatória.

Agora Elizabeth tinha certeza de que ele alimentava algum sentimento por ela, mas então a pergunta que ficava era: ela estava disposta a retribuir? 

Permaneceram em silêncio durante o restante do trajeto, até a carruagem parar em Gracechurch Street, em frente a casa dos Gardiner.

Mais uma vez, ele foi gentil ao ajudá-la a descer do veículo. A casa ficava a alguns metros de distância da rua, e ele ofereceu-se para acompanhá-la neste pequeno percurso. Mais alguns passos e ela estaria na porta da casa, mas antes de chegarem lá, o senhor Darcy parou, e ela acabou parando também.

- Algum problema? - Perguntou ela, sem entender o motivo de ele ter parado.

- Senhorita Elizabeth… Eu preciso lhe falar algo! - Disse ele, capturando assim a atenção dela. - Desde que estávamos em Rosings, quero lhe falar isso. São sentimentos profundos os que venho nutrindo pela senhorita, e não posso mais guardá-los para mim. - Disse ele e um lampejo de compreensão atingiu Elizabeth. Quando o Senhor Darcy a visitou em Hunsford antes de ela receber a triste notícia sobre seu pai, ele queria declarar-se para ela. Ela sentiu-se muito tola por perceber isso apenas naquele momento.

- Eu a amo! Ardentemente! - Confessou ele e Elizabeth engoliu em seco. - Os últimos dias que tenho passado, tem sido uma verdadeira agonia, mas peço que esses sentimentos sejam recompensados, pela sua aceitação. Quer se casar comigo Elizabeth?

Ela estava completamente sem palavras. Era muita informação ao mesmo tempo. A pouco havia passado a suspeitar da afeição dele por ela, e agora ele estava se declarando abertamente e a pedindo em casamento. Elizabeth não estava preparada para aquilo.

Porém ela não sabia o que dizer. Ele estava expondo para ela seus mais profundos e nobres sentimentos - sentimentos reais, e não como os que o senhor Collins imaginara sentir por ela - e a última coisa que Elizabeth queria era ferir os sentimentos dele.

- Senhor Darcy... Devo admitir que essa declaração me surpreendeu! - Disse ela. - E eu fico muito lisonjeada com a sua afeição, mas não é certo aceitar me casar com o senhor! - Ela preferiu ser direta, pois não havia um jeito fácil de dizer aquilo.

- Posso saber por que não? - Ele perguntou com surpresa, pois esperava uma aceitação da parte dela.

- Não creio que uma união entre nós seja prudente. Eu não tenho dinheiro, nem conexões. - Explicou ela. - Mas o mais importante, é que eu não tenho certeza dos meus próprios sentimentos. Eu nunca pensei que o senhor pudesse sentir algo tão profundo por mim, mas eu realmente valorizo os seus sentimentos. É por isso isso que eu não acho justo me ligar a você, já que meus sentimentos não são intensos quanto os seus. - Falou ela por fim, e lhe doeu ver a decepção nos olhos dele.

Não queria magoá-lo, mas precisava ser honesta com ele.

Darcy por sua vez, embora estivesse decepcionado, também estava admirado com a resposta dela. Ele tinha plena consciência de que muitas moças, se estivessem  no lugar dela, o aceitariam sem pestanejar, sem pouco se importar com os próprios sentimentos. Ele deveria saber que com Elizabeth era diferente.

Por vezes, enquanto estava no Hertfordshire, ele pensou que Elizabeth estava flertando com ele, e rapidamente o jeito dela o conquistou. Embora nas últimas vezes em que se encontraram ela se mostrasse mais receptiva as atenções dele, ele devia admitir que ela nunca demonstrou nutrir sentimentos por ele, como ele nutria por ela. Isso mortificava um pouco o seu orgulho, mas fazia com que ele a admirasse mais.

Elizabeth definitivamente não era como as outras moças. E ele não estava disposto a ficar sem ela.

- Então são essas suas objeções? - Perguntou ele, e ela assentiu. 

- Quanto às suas conexões e ao dinheiro, eu posso afirmar que tenho o suficiente por nós dois. - Disse ele. - Quanto aos seus sentimentos, eu respeito profundamente, mas se me der uma chance, creio que poderá se afeiçoar a mim, como eu estou afeiçoado a você.

- Como pode ter certeza?

- Certeza eu não tenho, mas peço que me dê uma chance, para conquistá-la. - Disse ele e ela lhe virou as costas para esconder sua expressão de surpresa, e um pequeno sorriso que brotava de seus lábios.

- E então, o que me diz Elizabeth? Você me dá uma chance? - Perguntou ele mais uma vez.

O coração dela batia aceleradamente. A sua resposta mudaria para sempre as vidas dos dois, então não era uma decisão leviana e que poderia ser tomada as pressas. E além de tudo, ela não queria ser uma megera como Catarina, que enxotava seus pretendentes sem pestanejar.

- Eu preciso pensar! - Disse ela voltando a olhá-lo e viu um brilho de esperança cruzando pelos olhos dele.

- Tudo bem. - Disse ele. - Você tem o tempo que precisar.

- Muito obrigado senhor Darcy. - Falou ela. - Eu o procurarei, tão logo tiver uma resposta!

O cavalheiro, que esperava sair dali noivo de Elizabeth estava um pouco desapontado. Porém não estava zangado, pois ela havia sido sincera. A resposta dela não era o que ele esperava, porém ele voltaria com um pouco de esperança, pois ela prometeu pelo menos pensar no pedido dele.

Despediram-se sem muitas delongas, e tão logo entrou em casa e fechou a porta, Elizabeth inspirou o ar profundamente, mas parecia que nem todo o ar do mundo seria capaz de encher os seus pulmões. Sentia um nervosismo que nunca havia sentido antes e seu coração batia tão forte que e ela poderia senti-lo na garganta. Teria uma noite longa, e com muitas coisas para pensar.

Londres havia trazido muitas surpresas para ela.


Notas Finais


E então o que acharam?
Será que Lizzy deve aceitar o pedido?


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