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História Uma Sereia Na Superfície - Capítulo 1


Escrita por: lizadanvers e Projeto_Dofia

Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Uma Sereia Na Superfície - Capítulo 1 - Capítulo 1

No topo de uma colina estava sentada uma garota de cabelos longos loiros e lisos, o tempo corria devagar e o vento soprava no rosto dela a deixando com um brilho juvenil. Era difícil ela sair antes do pôr do sol, a garota gostava de cada momento naquele ambiente cercado de colinas e árvores agitadas com os pássaros empoleirados nos galhos.

– Papai vai brigar se não voltamos para casa. – Sofia estava com as nadadeiras azuis fora da água em cima de uma pedra olhando para a irmã mais nova que encarava o sol.

– Vou daqui a pouco. – Bufou cruzando as pernas.

– Ah Dove... – Sofia iria tentar persuadi-la se um rapaz não estivesse se aproximando com uma voz rouca.

– Está sozinha? – Sofia pulou para dentro da água, Dove tomou um susto com a aproximação do jovem. – Desculpa! – Ele falou rápido se afastando.

– Quem é você? – Ela levantou o encarando.

– Sou Thomas e esse é Jimmy. – Apontou para um menino mais baixo de cabelos castanhos curtos e lisos olhando sorridente para ela.

– Dove. – Ela disse seca se virando para olhar a pedra logo abaixo onde a irmã não se encontrava mais.

– Veio sozinha ou seus pais estão por aqui? – Ele perguntou olhando em volta onde apenas o mar se expandia e por trás a floresta dançava ao vento.

– Vim sozinha. Tenho que ir. – Ela olhou para o sol que ainda mal havia desaparecido e estava longe de acontecer, ela não ia compartilhar o melhor momento com aquele rapaz. – Adeus. – A garota séria caminhou para dentro da floresta, Thomas e Jimmy se olharam confusos.

Sofia nunca sentiu tanta preocupação e nervosismo como estava naquele momento, os humanos sempre se intrometiam onde não eram chamados. A morena nadou para o mais perto possível da colina e com cuidado tentando saber o que os dois diziam.

– Ela é bonita. – Disse Jimmy agitado.

– E um pouco ríspida. – Acrescentou Thomas.

Os dois deram as mãos e andaram em direção a um barco onde dois casais de idade  estavam esperando por eles.

– Andem logo meninos, não quero perder a festa. – Disse uma mulher de cabelos grisalhos.

Eles entraram no barco e foram de oposto a Sofia para longe, ela suspirou saindo do mar e se colocando de mal jeito com as nadadeiras para fora, as pernas e pés surgiram dando tonalidade clara, a mulher levantou se se arrastando como zumbi para aprender a usar aquele “mecanismo". Passou se minutos até encontrar Dove sentada em uma árvore caída brincando com um coelho cinza.

– Eu tenho que sair pra te caçar é isto? – Sofia perguntou nervosa.

– Estava esperando os garotos irem embora. – Deu de ombros deixando o coelho sair dos seus braços.

– Pois saiba que eles foram a muito tempo! Está escurecendo rápido. Vamos embora. – Dove levantou tento total equilíbrio ao contrário de Sofia que estava quase caindo. – Odeio vir para a superfície, odeio ter que andar. 

Dove a ignorou indo mais rápida que ela. As duas subiram a colina e de lá se jogaram com os braços esticados para dentro do fundo do mar, seus corpos foram cobertos por camadas de conchas, brilho e detalhes do oceano, cada uma tinha a sua cor sendo roxo e azul. Sofia sempre achava a calda de Dove muito longa para o tamanho dela e muito roxa, a irmã mais nova era ágil e corria entre as profundezas como uma dança divertida. Elas chegaram ao reino em vinte minutos, o rei estava no trono com o tridente e conversava com Salmão, o polvo alaranjado que usava óculos arredondados.

– O jantar já foi servido. – O pai das duas falou sorrindo.

– Eu disse que ele não iria se importar. – Dove disse baixinho para Sofia.

– Vocês não estavam na superfície né? – Salmão aproximou se delas como se tentasse cheira las.

– Não. Fomos dar uma olhada em alguns peixes pequenos, eles precisavam de ajuda. –

Dove disse tranquilamente, Sofia a encarou de boca aberta.

– Hum... Tudo bem. Vão jantar. – O pai falou antes que Salmão as denunciasse.

Dove riu de Sofia quando a morena continuou a ficar pasma com as mentiras que a loira conseguia criar. Todos os dias Dove despistava os animais aquáticos, o pai não era exceção com a obsessão de continuar escondido no mar. Ela entendia, perdeu a mãe para piratas que queriam vender a mulher, foi difícil para todos a verem morrer no verão a três anos atrás. Dove gostava de ter calda e viver no mar mas também era incrível ter pernas na superfície e estar mais próxima daquelas pessoas que nunca haviam visto tais criaturas como as chamavam de “sereias".

– Ainda dormindo alteza? – Uma menina de sete anos estava na janela do quarto de Dove.

– Olá Íris, como você está? – Dove sorriu para a menina olhando a cauda esverdeada ficar escura.

– Acho que estou bem, disse aos meus pais que fui até o mar morto e eles quase me fizeram ir pra lá. – Ambas gargalharam.

– Sua calda ainda não está cem por cento, foi a algum lugar? – A garotinha sorriu sapeca afirmando.

– Hoje estava passando um barco e subi para ver o que era, algumas pessoas estavam bebendo e comendo. Tinha um menino que estava passando a mão na Laila, isso não é incrível? – Laila era a mascote da família real, uma baleia filhote que andava para cima e para baixo com a prima de Dove e Sofia, a Íris.

– Ele te viu? – Dove abriu a boca completamente surpresa.

– Sim! Ele acenou pra mim e chamou um outro garoto que era muito mais velho que ele. Acho que pra dizer que eu estava lá. – Dove a abraçou.

– Tome cuidado, eu adoro a superfície mas não podemos abusar da sorte. – Depositando um beijo na cabeça da menina, Dove tirou de dentro de uma gaveta metálica um frasco. – Beba antes de dormir e a calda voltará a tonalidade normal. – Elas se despediram e Dove voltou a ficar sozinha na janela.

Nos dias que se seguiram a garota evitou ir a superfície quando o pai começou a vigiá-la com mais frequência pedindo para ajudar na caça a comida ao lado de outros guardas que sempre respeitaram a família real. Um dos rapazes, o mais velho, guiava outros dez guardas e Dove tentava o máximo possível estar perto da superfície, ela deixou os guardas seguirem adiante quando mentiu ao dizer que havia se cansado e voltaria para o castelo. Obedecendo, eles continuaram o percurso e ela subiu o mais rápido para não verem e pulou para a terra firme. A cauda roxa sumiu e um par de pernas foram surgindo, o sorriso de gratificação brotou na loira. Ela não fazia ideia de onde estava mas imaginava que era perto de casa, nunca esteve por ali antes, sempre seu canto precioso era as colinas e as pedras cercando o território mais longe que ela via o sol sob ele deixando mais iluminado e verde.

– Você tem barco? Como conseguiu chegar até aqui? – Thomas apareceu sorrindo segurando frutas em uma cesta.

– Eu... hãm... – Dove prendeu a voz sem saber oque dizer.

– Ela é uma sereia! Eu mostrei pro papai a menina no mar. – A loira arregalou os olhos mas logo ficou tranquila quando Thomas riu.

– Ele está com essa brincadeira faz dias. – Revirou os olhos o rapaz.

– Ele é só uma criança, deixe ele fantasiar um pouco. – O menino não gostou muito do incentivo de Dove, ele fechou a cara e caminhou a passo firme para uma casa grande de madeira.

– E aí? Vai falar como veio parar aqui ou eu terei que acreditar no meu irmão? – A garota voltou a olhar para o mar procurando qualquer resposta.

De repente um golfinho apareceu saltando de um lado para o outro, Thomas abriu a boca em choque e extasiado sentando se imediatamente ao lado de Dove. Ao tocar rapidamente o braço dela, a garota teve arrepios lhe percorrendo, era a primeira vez que chegava tão perto de um humano. Se o pai soubesse daquilo, teria matado os dois.

– Ele é lindo! – Thomas queria esticar a mão para tocar o topo da cabeça do animal mas se conteve com medo.

– É ela. E pode tocar, as fêmeas são mais carinhosas. – Dove esticou a mão e imediatamente o animal pôs a cabeça abaixo da pele clara sentindo uma deliciosa carícia.

– Você é boa com animais. Não me diga que veio nela? – Perguntou ele rindo.

– Claro que sim, ela é uma ótima cavalaria. – Dove também riu.

A garota ainda sentia se insegura em arriscar tanto ao lado daquele humano mas pegou na mão dele esticou até o golfinho, Thomas parecia emocionado ao acariciar o animal. Foi algo novo para ela ver um humano ter emoções.

– Meus pais estão fazendo o jantar, você quer vir? Será rápido e pode aproveitar pra jogar com a gente. – Ela pensou, o sol iria se pôr em menos de vinte minutos e os guardas demorariam quarenta minutos para pegar os alimentos.

– Posso ficar só uma hora. – Ela disse rápido.

Ele concordou e se levantou despedindo se do golfinho, estava a poucos passos de Dove quando a viu murmurar com o animal, o fez sorrir mas ficou intrigado com aquele gesto estranho. Dove nunca viu tanta animação em uma casa, o irmão de Thomas estava agitado contando e recontando a mesma história mil vezes para duas primas que brincavam com barbies vestidas de sereias, o pai de Thomas era o mais calado porém adorou conhecer Dove e a mãe do rapaz estava ocupada demais terminado a bagunça que o marido tinha feito na cozinha para prestar muita atenção na garota.

– Olha oque eu fiz? – Com a loira calada e um silêncio na enorme sala de estar, Thomas pegou uma garrafa onde tinha por dentro um barco. – Gosto de fazer essas decorações. – Ele falou passando a mão na cabeça.

– Como consegue? É interessante... – Dove disse encarando o objeto com fascinação.

– Nunca viu um desses? – Ele a encarou e a mesma manteve o olhar no barco com as bochechas coradas.

Naquela noite, Dove ouviu diversas perguntas e respondeu menos da metade sempre tentando manter se discreta, Thomas era o único a ficar calado mas as vezes estava curioso para saber sobre ela. Os dois estavam caminhando juntos pela praia, o lado oposto de onde haviam se encontrado.

– Se não estiver ocupada, podemos sair amanhã. Aqui perto vai ter um festival, você iria gostar... – Dove sorriu.

– Não deve ser pior que perguntas sobre mim. – Ela deu de ombros não falando por mal.

– Desculpa por isso aliás. – Ele riu.

– Sem problema. – Dove se virou para ele ficando na frente do rapaz. – Obrigado pelo jantar, foi divertido mas eu preciso ir. – Thomas entristeceu concordando.

– Posso leva lá se quiser. – Ofereceu.

– Obrigado mas eu sei o caminho. – A garota deu as costas.

Thomas ficou parado no meio da areia confuso com aquela misteriosa garota, Dove continuou a andar até o final da praia onde não o via mais e finalmente pôs os pés dentro da água correndo para a calda não aparecer logo e ela cair com a cara na água rasa. Sofia esperava a garota em um coral alaranjado, estava quase correndo as próprias unhas quando a loira apareceu com um sorriso doce nos lábios.

– Pare de sorrir! Papai está nervoso. Você deveria estar com os guardas. – Sofia a puxou para o castelo adentro.

– Prometo não me atrasar da próxima. – Respondeu a loira.

– Está com cheiro de humanos. – Sofia fez uma careta quase vomitando. – Tome um banho rápido e depois vá para a sala real. – Mandou a mais velha a jogando para dentro do quarto.

Dove riu da irmã, ela passou por uma pedra acinzentada encostada a um buraco e passou pelas rosas mágicas tomando banho. Era uma espécie de perfume que deixavam as sereias cheirosas e encantadoras com a beleza mas era mortal para humanos pois os deixavam loucos e atraídos pelas sereias, Dove evitada sempre usar quando estava na superfície. A jovem encontrou o pai conversando com Sofia, a garota se curvou a ele fingindo que nada havia acontecido mas o homem não parecia se esquecer.

– Amanhã você vai até a zona dos prisioneiros ajudar nas cargas de alimentos com os guardas. – Dove abriu a boca para falar mas o homem a interrompeu. – Não terá desculpas e se não voltar em três horas, terá um castigo maior. Não volte a superfície. Isso é uma ordem, entendeu? – Ela encarou Sofia mas a morena também estava em choque, parecia que o pai sabia mesmo por onde as filhas andavam sem precisar ouvir da boca de uma delas.

Dove concordou calada mas ao voltar para o quarto jurou que o pai não iria se intrometer na vida dela sem motivos no dia seguinte porém, ela não sabia que a manhã seguinte seria a pior de todas ao final do dia.



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