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História Uma Sereia Na Superfície - Capítulo 2


Escrita por: lizadanvers e Projeto_Dofia

Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Uma Sereia Na Superfície - Capítulo 2 - Capítulo 2

A zona dos prisioneiros ficava muito longe do reino mas bem perto do festival o que favoreceu e muito para Dove escapar, ela sabia dos riscos que estava cometendo mas por algum motivo queria tentar mesmo que aquilo custasse caro e não era pelos humanos em si, talvez por Thomas! Mas não. Ela precisava de um momento de divertimento para ocupar a cabeça, no final todos os seres de quaisquer lugares eram iguais.

– Por ali, verifique a área dez. – O chefe oficial dizia a tarefa a cada um.

Dove um dos guardas novatos até a superfície para vigia, se passaram em torno de vinte e cinco minutos para finalmente o rapaz se cansar daquela tarefa e adentrar o mar. Sorrindo sentada na longa pedra coberta de pequenos peixes ao redor, ela nadou para a areia onde as pernas davam vida e ela levantada com triunfo. O festival era a entrada do inverno, coberto de neve falsa e gigantes bonecos brancos em formatos de bolas se posicionavam com os ajudantes para aquele dia, as comidas quentes e frias se misturavam nas tendas com nomes claros mostrando os pequenos restaurantes e lojinhas estendidas para agradar todos os cidadãos e estrangeiros que invadiam o evento, a música havaiana tocava enquanto algumas jovens e rapazes se vestiam com roupas de clima tropical e as crianças ficavam vermelhas suando dentro das roupas frias de inverno mostrando a “adoração” pelo inverno. Era algo ridículo para algumas pessoas que viviam na região onde as estações do ano se resumiam ao verão mas a maioria optou em comemorar as mudanças de estações como algo simbólico mesmo que aquilo fosse estranho.

– Aí está você! – A mãe de Thomas sorria envolvida em casaco, botas e uma longa e fria calça preta. – Esse “inverno" está muito engraçado, vá na barraca dos aperitivos, tem um suco de pêssego divido. – Enfatizou ela mordendo os lábios animada.

– Obrigado. – Dove murmurou sorrindo e se movendo rápido para longe da mulher, nunca a viu com tanta empolgação.

Algumas crianças se enfileiravam para tirar foto com um boneco de neve que era fixado a madeira e a um ventilador profissional com outros objetos que a loira não sabia identificar onde mantinha aquele material em pé e não descongelava. Dove usava uma legue roxa e descalça com apenas um biquíni a cobrindo e os cabelos soltos quando saia da água mas dessa vez passando por uma das tendas viu algumas roupas interessantes.

– Fique a vontade para escolher a que você quiser. – Uma senhora disse lhe entregando alguns vestidos escuros.

– Eu não tenho dinheiro para comprar isso... – Ela pensou em voltar ao mar para pegar algumas conchas mas descartou da cabeça antes da mulher falar. Não estava no mar e naquele lugar não iria usar conchas como forma de pagamento, pelo menos foi oque ela achou.

– É de graça, são todas doadas para quem quiser usar meu bem. – Disse docemente mostrando outras peças de roupas e alguns conjuntos de sapatos.

Dove olhou procurando algo que a agradasse e pudesse usar de imediato. Uma blusa rosa com uma sereia da Barbie e um par de sapatilhas pretas foi a melhor opção que ela teve com a moda em toda a vida, pegou e os colocou sob o corpo se sentindo bem e agradecendo a senhora. Procurando por Thomas, ela o avistou jogar o irmão mais novo em uma piscina de bolinhas brancas, ao vê lá ali naquele evento, a expressão do rapaz foi de surpresa.

– Que bom que você veio. – Ele segurou nas mãos dela, Dove arregalou os olhos com o gesto. – Quero que você veja uma coisa. – O rapaz a fez correr pela multidão.

Ela nunca se sentiu tão grata em toda a vida como naquele instante em que tentava se equilibrar para não cair e corria o mais rápido que podia com Thomas a levando para algum lugar que ela não fazia ideia. Os dois chegaram ao final da praia, o rapaz se agachou e ela fez o mesmo entrando com ele dentro de uma caverna.

– Você vai gostar disso. – Ele disse sussurrando para ela.

Dove não estava gostando, sentiu o frio percorrer o corpo e a escuridão inunda lá mas Thomas continuava a segurar a mão dela. Gotas de água caíam sob os ombros dos dois, pouco tempo depois estavam no meio de uma gruta, pedras cristalinas cobriam a margem da água que levava a um profundo oceano afora, os olhos dela brilharam. Thomas sorriu pois era exatamente isso oque ele queria dela, aquela reação.

– Achei esses dias, precisava mostrar pra alguém. – Ele falou se aproximando da água azulada clara quase transparente onde pequenos peixes procuravam por comida, Thomas tirou da calça florida um pacote de ração para peixes e começou a jogar para eles.

– É lindo... – Ela murmurou ficando ao lado dele.

Os pequenos peixes que esperavam ansiosos por mais alimentação, tocaram as mãos da loira quando ela pos a pele debaixo d'água. Thomas arregalou os olhos, aqueles animais aquáticos estavam agindo de forma “normal" sem medo, como se a conhecessem tão bem quanto ele que a conhecia a poucas semanas.

– Quer nadar? – Ele sugeriu começando a tirar a camisa.

– Não. Esse lugar é muito bonito mas temos que voltar. – Ela disse séria se afastando.

– Acabamos de chegar, você não sabe nadar? – Ela iria respondê-lo se não fosse Sofia com os cabelos negros e longos molhados mostrando a metade do corpo fora d'água.

– Acredite, ela sabe mais do que nadar. – Disse a irmã mais velha com os olhos castanhos intensos e escuros sob a mais nova com clareza da raiva que sentia.

– Como... quem é você?... meu deus... – Thomas abriu a boca formando um “O" com a  nadadeira azulada que mostrava nítida nas águas cristalizadas.

– Sofia, por que veio até aqui? – Dove tentou dizer com a voz rouca.

– Papai estava te procurando depois que os guardas voltaram e a princesinha não estava com eles. – Disse sarcástica. – Essas roupas... O que você faz com esses humanos? Eles nos matariam! Ou melhor, abusariam da gente e depois nos matariam sem piedade. – Sofia saiu da água com as pernas surgindo em um piscar de olhos, Thomas engoliu em seco com a autoridade que aquela mulher tinha só de estar ali presente.

– Eu não aguento mais papai mandando em mim, não sou mais criança! Ele não pode odiar os humanos a esse ponto. A mamãe morreu por causa deles isso é certo mas... olhe agora?! – Apontou para Thomas. – Existem pessoas boas Sofia. – Murmurou.

– Você não entende... – Sofia segurou firme no pulso de Dove. – Eu faço isso para o seu próprio bem. – A morena a jogou dentro da água, Dove sentiu se sufocada com a pressão e a surpresa quando a irmã havia feito aquilo, ao recuperar apenas viu Thomas com os olhos marejados de algo que Sofia havia lhe dito e a morena voltar para a água e levá-la pelo pulso rápido para chegarem em casa.

As roupas que estavam na loira sumiram, ela voltava a usar o fiel roxo de cima a baixo no corpo. Naquela noite não dormiu, estava trancada dentro de um quarto acinzentado com grades, a comida que sempre era bem vinda se encontrava jogada em um canto flutuando. A garota teve noites muito piores, ouviu diversas reclamações do pai e viu a irmã decepcionada e com pena. Enquanto Dove sofria pelas idas a superfície, Thomas procurava entender como uma sereia poderia existir. Os dias passaram e ele não conseguiu tirá-la da cabeça, se envolveu em diversos livros e filmes, sempre tentando descobrir o que eram aquelas sereias, o quanto as pessoas acreditavam nelas. Foram meses perto do mar, meses na colina, meses pela praia e tudo resultou em pesquisas e mais pesquisas sem ver o rosto claro emergindo com o pôr do sol.

– Papai? – Sofia estava em uma sala particular do rei onde ele cumpria as obrigações.

– Entre querida. – O homem tirou os óculos arredondados para vê lá melhor e pegou um livro de pedra a entregando. – Esse é o livro que a sua mãe fez. – Ele riu baixinho, Sofia sorriu emocionada. – Tomei coragem para ler uns dias desses. – Suspirou.

– Posso ler ele? – Ela perguntou animada.

– Leituras são para humanos, nenhuma sereia sabe ler. – Ele disse sério.

– Mas somos diferentes... – Ela gaguejou. – Reis, princesas, toda a realeza merece ler. É uma forma de sermos menos ignorantes. – A indiferença do pai a fez ficar rígida.

– Sua irmã não foi a única a ultrapassar minhas regras. – Ele a encarou cruzando os braços.

– Não. Admito que uma ou duas vezes estive procurando por ela e acabei encontrando alguns livros pela praia por causa de um barco que havia naufragado. – Ela disse baixo mas audível.

– Eles usam equipamentos “modernos" assim os chamam, para que isso não ocorra. – As mentiras de Sofia estavam piorando quando ela tentou se explicar novamente mas  gaguejou e se calou com as bochechas vermelhas. – Vá atrás da sua irmã, se ela quer estar na superfície, que seja! – Ele deu as costas deixando o livro em cima da mesa de pedras.

– Mas papai...

– Apenas o faça. E leia o livro depois. – Concluiu passando por uma porta de metal.

Sofia nunca soube o que havia ali dentro mas pela primeira vez conseguiu identificar objetos da superfície como os óculos do pai e taças de ouro. A morena queria ir diretamente ver a irmã e tirá-la daquele quarto mas o livro a chamou tanta atenção que Sofia sentou se em uma pequena pedra colocando o volumoso e pesado livro em cima da calda para ler. Ela não tinha palavras, talvez um pequeno grito poderia ser ouvido a poucos metros caso ela quisesse gritar para tentar amenizar o que tinha no peito. Sofia levou o livro preso aos seios com os braços em volta e nadou pelo castelo até o quarto da irmã que vivia sempre trancado e somente aberto por Sofia, o pai ou algum funcionário marinho.

– Vá embora. – Dove disse deitada sob uma enorme concha em que dormia.

– Papai quer deixa lá ir para a superfície, descobri o motivo. – Dove não entendeu absolutamente nada mas Sofia tentou explicar, foi rápida demais se atrapalhando mas lendo e relendo o livro as irmãs entendiam com clareza . que fez o homem odiar tanto aquele mundo fora do mar.

A mãe das garotas morreu na superfície ao ajudar os humanos em um navio que colidiu com uma rocha, a mulher deixou um livro em que contava das aventuras na vida que tinha. Era uma humana que nasceu e cresceu fora do mar mas quando conheceu o pai das garotas, se apaixonaram e ele conseguiu para ela um feitiço que a deixava dentro da água. Por isso Sofia e Dove podiam entrar e sair com as caldas e pernas, elas eram metade sereias e metade humanas e mesmo com o pai sabendo daquilo e nunca contando a elas, ele não sabia o quanto a mãe das jovens gostava de contar do antigo lar e o quanto era grata pelos dois “mundos” que podia ter a luxúria de viver.

– Acho que esse é o momento em que você deve procurar aquele seu amigo ou namorado... – Dove corou.

– Nunca poderei agradecer a mamãe. – Disse triste.

– Você pode agradecê-la me deixando conhecer seus amigos da superfície. – Sofia piscou para ela deixando o livro ao lado.

As duas nadaram de onde havia começado os problemas, elas estavam na colina sentadas com uma legue, cabelos soltos e usando sob os seios camadas de conchas com detalhes brilhantes roxos e azuis. Thomas estava com a barba mal feita e segurava um binóculo, ele caminhou de cabeça baixa sem ver que a frente estava a garota que ele procurava a meses.

– Devo deixa los a sós. Vou ver o pôr do sol com os golfinhos, me chame quando acabarem o encontro. – Sofia disse em alto e bom som dando um susto no rapaz, Dove fez uma careta para a irmã que chamava atenção ao se jogar da colina caindo dentro da água e nadando ao encontro dos golfinhos.

– Pensei que nunca mais te veria. – Ele disse respirando profundamente ainda se recuperando.

– Acredite, você não foi o único. – Ela riu lhe dando um abraço.

– Então... você é uma sereia? – Os cabelos dela tinham um cheiro gostoso de mel, Thomas acariciou a região.

– E também humana, é uma história que posso te contar depois. – Ela olhou para ele, o sol começava a desaparecer.

– Você vai embora?

– Só se você quiser que eu vá. – Ele sorriu dando um beijo na bochecha dela a fazendo corar pela segunda vez naquele dia.

– O que faremos agora? – Sentados na areia fria com a lua no céu e as estrelas brilhando, eles estavam juntos com os braços ao redor um do outro ouvindo o mar agitado.

– Usar o tempo necessário para mostrar que sereias e humanos não são monstros. – Eladisse firme sentindo o vento percorrer o corpo e a vida começar a mudar.



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