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História Uma Tempestade Perdida - Capítulo 7


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Notas do Autor


Trazer alguém de volta a vida não tirará ele do reino da morte. Aceite. A mais forte das prisões é aquela que criamos.

Capítulo 7 - Espelho Quebrado pt.1: Pariformes, por pouco


Alguns meses após a consumação. Aellen Beleuchtung deu à luz dois meninos: Schwert e Sverd Beleuchtung. Perfeita e estranhamente idênticos. Cabelos negros. Olhos com um profundo azul. Mesma altura: 50 centímetros. E o mesmo peso: 3 quilos. Joseph, o pai dos meninos, não sabia onde colocar tanta alegria. Transbordava felicidade. Mal conseguia esperar seus filhos terem idade para poder ensina-los a jogar xadrez ou como usar uma espada.

Passava os dias, meses e anos. Schwert e Sverd cresciam igualmente nas mesmas proporções. Recebendo mesma atenção dos pais. Mesma escola. Mesmas roupas e sapatos. Não havia um único momento de suas vidas que não fossem exatamente iguais. Quando estavam aprendendo a andar de bicicleta caíram juntos no chão, machucando o mesmo joelho. Choraram, igualmente, por 2 minutos. A vida de um era a projeção da vida do outro. Quando vistos na rua eram chamados de clones. Mas o que podiam fazer? Seus corpos, mentes e almas estavam conectados. Andavam juntos por uma fina corda bamba de igualdade.

Certo dia estavam a jogar xadrez juntos.

-Xeque, irmão. –Diz Schwert.

-Não tão rápido, irmão. –Responde Sverd enquanto movimenta um dos seus cavalos bloqueando a jogada do seu irmão.

-A quanto tempo vocês estão nessa partida? –Pergunta Joseph.

-Três horas e vinte e quatro minutos, papai. –Schwert responde.

-Vocês nunca conseguiram terminar alguma partida, não é?! –Continua Joseph.

-Nunca. Schwert é muito bom. –Afirma Sverd.

-Você também é muito bom, irmão. –Completa Schwert.

-Okay, okay. Chega por hoje. Vamos jantar. –Ordena Joseph.

Os meninos se levantam e seguem o pai. Tinha macarrão para o jantar. Os meninos sentaram um de frente para o outro em uma mesa para quatro pessoas. Seus pais, nas cadeiras restantes. A família jantava em silêncio. Quando a mãe começou a tossir.

-Desculpe. –Diz Aellen cobrindo a boca com a mão.

Todos pararam de comer para ver a mãe se recuperar. Quando terminaram de comer, os pais foram recolher a mesa e os meninos foram à sala. Enquanto caminhava com os pratos nos braços, Aellen parou para poder tossir mais um pouco. A tosse não parava. Deixando os pratos na mesa, a mãe continuou a tossir secamente sem parar.

Aellen sentiu seu corpo fraco. Parou de tossir. Apoiou as mãos no balcão, sentiu Joseph segurar seus ombros.

-Você não parece bem. Quer que eu pegue um remédio? –Perguntou Joseph.

-Não precisa... eu... já vai passar. –Aellen, ofegante, tenta responder Joseph. A mãe, então, olha para cima, vê o cômodo ficar mais claro. A luz do teto ficou mais forte. Aellen sente seus joelhos falharem em sustentar seu corpo e cai de costa no chão. O impacto fez suas costelas apertarem seus pulmões. O pouco de ar que ainda tinha em seu corpo foi jogado para fora. Não conseguia puxar o ar. Sua visão começou a escurecer. O pouco de luz que via oscilava em seus olhos que não viam mais que um palmo a sua frente sem embaçar.

-Pelo Céus! –Gritou Joseph. –Meninos, tragam-me o telefone.

Schwert e Sverd vieram para a cozinha carregando o telefone do pai. Enquanto Joseph ligava para o hospital pedindo uma ambulância, os meninos ficaram paralisados vendo a mãe agoniando no chão. Seus olhos estavam estalados. Não viam o tempo passar. Estavam presos no tempo com a imagem de Aellen tatuada em suas mentes.

Tomando de volta o controle dos corpos. Schwert e Sverd se puseram a correr quando os paramédicos chegaram. Correram para longe daquela cena. Subiram as escadas, pularam em suas camas e afundaram os rostos em seus respectivos travesseiros.

Na mesma noite, a avó dos meninos veio tomar conta deles enquanto Joseph acompanhava Aellen no hospital. Schwert e Sverd estavam com medo. Não queriam perder a mãe. Mas infelizmente, naquela mesma semana, os meninos receberam a notícia que sua mãe estava morta.

A partir daquele dia, eles mudaram. O acontecimento desmanchou suas almas. Como seguiriam agora? E o dia das mães? Aniversário e Natal? Nada mais seria o mesmo. A Terra no Inferno se transformou. A sombra do luto seguiria eles pelo restante de suas vidas. Os meninos não tinham controle sobre a vida e a morte. Estavam enfurecidos. Magoados e feridos. O chão abaixo de seus pés havia se tornado água. Eles se afogavam nesse horrível gosto da morte. Se sentiam vazios, incapazes e fracos.

A partir daquele dia, a fina corda bamba que eles caminhavam havia se rompido. E, o espelho que refletia suas vidas, deixando-as perfeitamente iguais, havia se quebrado.


Notas Finais


Espelhos são portais. Revelam a mais amarga imagem de seu ser, mas não tenha medo, pois, este é você. Não há problema em mostrar suas falhas, medos e cicatrizes. Aqueles que sobrevivem a mais infértil das terras, serão considerados as mais belas e fortes flores.


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