História Uma Vampira Bipolar - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Tags Colegial, Darkfic, Depressão, Escolar, Originais, Vampiros
Visualizações 53
Palavras 4.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Nota de uma autora fantasma,
Se você está lendo isso, parabéns por não ter desistido da história, você é um sobrevivente. Não sei o que dizer por ficar CINCO MESES sem postar nada, vergonha.
Masss passado é passado, olha que tem capítulo novoo...
quase 5 mil palavrinhas e-e,
bora ler meu povo

Capítulo 12 - Uma dica, (não) confie nos vampiros certos


Fanfic / Fanfiction Uma Vampira Bipolar - Capítulo 12 - Uma dica, (não) confie nos vampiros certos

Margot

Senti os pelos dos braços se eriçarem, aquela sensação de frio na barriga. Olhei no espelho, mas a garota que me olhava de volta era-me estranha. O motivo de meu desconforto apareceu, a loira sorriu pra mim com dois vestidos, um em cada mão. Hesitante, apontei para o menos chamativo, Zara pareceu satisfeita e pediu para que eu me vestisse. Eu só não entendia o porquê da vampira querer-me “enfeitar”, deveria ser mais um de seus joguinhos, por que decorar a comida? Essa é fácil, Margot, você é tão sem graça que precisa de um pouquinho de pimenta. Há-há-há.

60 horas antes

 

Fui desperta na manhã de uma quinta-feira com o estrondoso barulho do despertador, que, infelizmente, era meu querido celular, e só por isso se safou de beijar a parede. Um beijo de quebrar corações, bem, no caso, telas. Com essa visualização maravilhosa, eu iniciei minha jornada matinal, a ideia era agir normalmente; mas o roteiro não foi lá muito longe, já chegaremos lá, e eu gostaria de nunca ter chego.

Focaria na escola, algo totalmente corriqueiro pelo qual todos têm de passar. E enfim a Srta. Ímã para tragédias estava pronta para receber seus queridos alunos, olha só que coisa maravilhosa, eu teria minhas adoradas aulas de volta!

Peguei um casaco rosa e joguei por cima da minha camiseta branca ao passar pela porta da casa das Price. Deparei-me com Cara, minha amiga estava rodopiando em meio às folhas de outono como uma bailarina sem postura, suas vestes esvoaçavam em sintonia, o preto do casaco e o carmim do cachecol se espalhavam como se fossem um só. Não pôde evitar sorrir, mas meu sorriso morreu assim que ela me flagrou e levantou uma sobrancelha, Cara sabia ser assustadora quando queria, e isso bastou para que eu deixasse as perguntas para depois.

As aulas não foram tão entediantes quanto pensei, digamos que os professores estavam atrasados, então não faltou matéria. Não tive muitas oportunidades de falar com meus amigos nas aulas, e bem, tinha algo realmente me incomodando. Eu necessitava saber se Dylan era um vampiro, pelo que eu pude perceber, eles pareciam respirar, talvez fosse hábito, mas... O coração também batia o que era intrigante, e a pele, talvez fosse morna, não havia reparado até então. Tudo isso torna impossível distingui-los, pensei. 

Fui obrigada a me distanciar dos meus pensamentos, se eu queria um dia normal, tinha de agir como um ser normal. Levei um pequeno susto ao constatar que Maise estava em minha frente, partilhávamos a mesma mesa do refeitório.

— Margot! — ela me olhava com seus enormes olhos azuis em expectativa.

— Desculpe o que houve? — perguntei.

— Consegui ver o celular dela, mas não pôde trazer a mãe não deixou, entretanto achei duas fotos do garoto, uma escura demais, a outra não dá pra ver direito, parece que foi tirada sem que ele percebesse, irei te mandar — ela fez um gesto pedindo meu celular.

— Isso é bom, Maise, muito bom! — falei entusiasmada enquanto entregava meu celular a ela.

Assim que terminou de salvar seu número me devolveu o celular e disse:

— Sinto muito que tenha conseguido apenas isso, tentarei mais pistas.

Olhei a foto, realmente não dava pra ver muito da primeira, mas o anel prata em forma de caveira que o garoto ostentava, era algo a se considerar.

Maise me deu um beijo na bochecha antes de sair, achei estranho, antes ela nem falava comigo, incrível como a pessoa muda ao tirar o peso da influencia de outra das costas. Olhei para o motivo de a moça ter saído, Kaden.

O rapaz estava com os cabelos bagunçados, estava comprido o bastante para formar cachos, o que o deixava fofo. Ele virou uma cadeira e sentou-se, com os braços cruzados e apoiados no encosto, próximo a mim.

— Você está bem, Margot?

Balancei a cabeça negativamente.

— Você está?

— Não estava falando disso — ele apontou o refeitório, se referindo à escola, então tocou no assunto que eu pensava estar esquecido —, mas sobre o seu desmaio.

Ah, o estranho acontecido, do qual notifiquei Cara por mensagem e ela ficou azeda comigo. Parecia ter sido há tanto tempo... me peguei olhando para boca de Kaden, nosso beijo também, era como se um século tivesse se passado... ou que nem tivesse acontecido.

Kaden beliscou meu nariz.

— Nem você se lembra de ter desmaiado — ele deu um sorrisinho enigmático.

Talvez tivesse percebido o que eu estava encarando, e achado que... Misericórdia!

— Olá minha humana favorita, e meu humano não tão favorito assim — Theo olhou feio para Kaden enquanto me dava um abraço desajeitado, e assim me salvou de responder àquela pergunta que nem eu tinha a resposta.

Qual a verdadeira rixa entre os três — Dylan, Theo e Kaden — eu não fazia ideia, mas o garoto me chamando de humana me fez perguntar se ele também sabia de todo o vampirismo espalhado pelo universo, ok eu estava paranoica.

— O que faz perto da minha garota? — Kaden disse em tom zombeteiro, mas seus olhos diziam outra coisa.

— Sua garota?! — Theo se sentou espalhafatosamente, algumas pessoas nos olhavam. — Estávamos tendo um momento, mas você estragou o clima.

— Estávamos? — perguntei inocentemente.

Kaden começou rir.

— Parece que vocês têm opiniões divergentes sobre esse clima.

— Estou sentindo sua dor de cotovelo daqui, ao menos eu falo com ela — Theo disse.

Theo não teve intensão de cutucar a ferida, estava claro em seus olhos caramelados e sinceros, e no modo em como sorriu sem graça ao perceber o que falara. Uma sombra de culpa passou pelo rosto de Kaden, mas tão rápida quanto à tensão do momento, ela se foi, dando espaço para um sorrisinho de canto quando ouviu uma garota o chamar.

— Isso não acabou aqui, te espero na saída — disse casualmente enquanto se distanciava.

— Mal posso esperar! — Theo gritou por suas costas antes de olhar para mim — o que vai fazer sábado, Margot?

— Por quê? — perguntei hesitante.

— Temos uma festa pra ir, e você irá comigo — seu tom de voz soou imperativo.

— Talvez eu vá visitar meu avô — dei um sorriso triste ao mencionar o velhinho.

— Você não vai passar a noite no asilo.

— Talvez fique até mais tarde no trabalho — era uma mentira.

— Sua tia é gente boa, ela não vai ligar se sair cedo — Theo me implorava com os olhos, desviei o olhar.

—Uma garota morreu Theo, não é tempo pra festa.

— Sim, e ela não tinha nenhum laço com você, até te bateu, isso não é motivo Margot.

— Está bem, você venceu — ergui as mãos, impotente.

— Eu sempre venço — ele deu seu sorriso vencedor.

 

***

 

Sábado havia chegado, quase dois dias haviam se passado e eu não consegui falar com Dylan em particular, isso só me deixou ansiosa. Naquele dia enquanto ia para o trabalho fui interceptada pelo Hales pai, e fiquei envergonhada, porque tive que negar mais uma vez sua ajuda, eu ainda não confiava nele e talvez nunca devesse. Queria passar bem longe de seus grupos de apoio, um homem que se mostra bom demais para com os outros, guarda segredos.

 A tão esperada festa, ou melhor, o momento em que eu falaria com Dylan havia quase chego. A animação foi por água abaixo quando eu tentei passar delineador três vezes e não consegui, decidi usar apenas gloss. Como se não bastasse, tentei mais uma vez no banheiro da casa noturna em que eu me encontrava, mas fracassei. O lugar estava “legalmente” aberto para menores de idade, garotas não pagavam até meia noite e eu fiquei apavorada quando depois de quinze minutos não achei nenhum conhecido, então me refugiei no banheiro.

Os únicos que apareceriam seriam Theo e Dylan. Minha ansiedade estava me deixando agressiva, joguei meu delineador na bolsa sem nenhum cuidado e me encaminhei em direção à saída.

Fiquei alguns minutos com os braços cruzados por cima de um corrimão enquanto observava as pessoas dançarem, beberem, rirem, tudo o que eu não sentia vontade de fazer. Até sentir um calafrio.

— Olá, Margot — disse uma voz próxima ao meu ouvido.

Olhei em seus olhos, Christian esboçou um sorrisinho.

— Não precisa correr de mim, segundo meu pai, por ter salvado o caçula e todo aquele lance do passado, temos uma dívida com você e eu devo me manter longe.

— Você não parece estar, hum... Longe — tentei fazer minha voz soar indiferente.

— Sei que está esperando meu irmão e que ele é seu amiguinho. É até fofo, mas isso é a o quê...? Uma semana? Você sabe que ele é meu irmão, família é tudo igual Margot, e o que mais sabe sobre ele? Não muito, imagino...

— Onde está querendo chegar? — perguntei receosa.

— Pergunte o que aconteceu no terceiro dia de aula, foi ele quem desligou as câmeras enquanto as garotas te atacavam, e depois ele mentiu pra você sobre tudo isso, ele sempre soube quem você era.

— Por que está falando isso? — minha voz não passava de um tênue sussurro.

— Se serve de consolo, eu nunca quis te machucar, não sabia que Cara era sua amiga — Christian disse de maneira doce, mas não havia calor em suas palavras.

Tentei segurar o choro, mas uma lágrima teimosa escapou. Não podia ser verdade, eu não queria que fosse, por que ele teria interesse em participar de uma briga entre garotas? Por que as ajudaria?

Eu queria ir embora e teria ido se não tivesse o visto caminhando em minha direção. Falei pra mim mesma que deveria ouvir a versão dele, mas minha mão disparou em direção ao seu rosto; o ato acabou por doer mais em mim.

— É verdade? — Dylan parecia perdido. — O que aconteceu no terceiro dia de aula?

O garoto cruzou as mãos atrás da cabeça e suspirou, quando deixou cair os braços parecia impotente.

— Eu devia um favor a Jack, então desliguei as câmeras pra ela, sem perguntas, mas fui ver o que iria acontecer e quando cheguei ao local dei de cara com o diretor e a bagunça toda.

Ele soava sincero e culpado. Droga, Margot! Sempre querendo ver o melhor lado das pessoas.

— Deveria saber que ela faria algo ruim! Poderia ter avisado alguém, elas me machucaram, e seria pior se o diretor não tivesse aparecido.

— Eu sei que tive um dedo de culpa nisso, Margot, e eu não sei o que faria se a coisa toda tivesse saído do controle, assim como sei que sabe que eu não sou um bom exemplo de pessoa — o loiro disse sem jeito.

Pode não parecer muito, nem éramos próximos, mas tudo aconteceu rápido, eu o salvei e depois começamos o que parecia uma amizade. Não sabia o que pensar daquilo, talvez estivesse magoada por que o irmão dele sabia e eu não.

— Sabia o tempo todo sobre mim — falei depois de um tempo.

— Sim, e quando me aproximei eu quis te conhecer, mas tive medo de dizer a coisa errada e você se afastar, principalmente pelo que meu irmão fez.

Dylan parecia à beira das lágrimas. Senti-me perdida, eu me apeguei à obsessão de falar com ele para descobrir se era um vampiro, se era como o pai e o irmão. Foquei nisso para tirar da cabeça o fato de uma garota estar morta, e de alguém estar me seguindo, mas acabei encontrando mais do que deveria.

— O que mais está omitindo?

— Não sou um demônio sugador de sangue, sei que tem suas dúvidas — falou o loiro.

Eu deveria sentir alívio?

— Eu sinto muito, perdoe-me — ele disse em um sussurro.

Não podia culpa-lo por não me dizer que sabia sobre mim, eu mesma não sabia como abordá-lo, vampirismo era um assunto delicado. Christian só disse àquilo para que nós brigássemos. Dylan era o maior sem coração do colégio, já fizera tanta coisa absurda no passado que eu nem ficava surpresa, mas ele havia mudado, não por completo, mas estava no caminho. E eu não queria culpar o irmão errado, então disse:

— Já perdoei por mais coisa, tem sorte garoto. Mas preciso de um tempinho, sabe? — dei um sorriso triste.

Ele me abraçou meio sem jeito.

— Dói em mim te ver magoada, acredite não deixarei meu irmão se aproximar de você, não mais... e...eu acho que nunca te agradeci por salvar minha vida, obrigado.

Enquanto desfazia o abraço, Dylan ficou segurando minha mão por um tempo, quando enfim tive certeza de que iria chorar, o soltei e corri. Theo teria de me desculpar, eu não podia simplesmente fingir que estava bem e ficar em um lugar que não me sentia a vontade.

A lua iluminava o céu, a noite havia caído havia pouco, as ruas estavam cheias; pessoas voltando pra casa depois de um dia de trabalho, ou indo curtir uma noite de sábado que só Los Angeles sabe proporcionar. Parei perto da fachada de um café que já havia fechado, sentei-me no banco de madeira ali em frente, recolhi meus pés para cima do assento e me pus a observar as coisas ao meu redor enquanto enviava mensagem para Zara.

“Consegui algo”, digitei.

Desde o nosso encontro no bar mantivemos contato, na verdade falei com ela umas três vezes só, contando com a última em que pedi ajuda para chegar até a polícia e denunciar o meu perseguidor, e ela disse que ajudaria.

“Quando quer ir? Pra mim pode ser daqui uma hora”, ela não demorou meio minuto pra responder.

Eu não confiava na vampira, assim como não confiava no Steve Hales, mas com Zara era diferente, ela parecia quase... sincera. E era minha única chance de agir por mim mesma e não ficar à mercê de algum vampiro psicótico.

Enviei o endereço pra ela e mandei mensagem pra Cara.

“Se encontrarem meu corpo amanhã, foi Zara”.

Enquanto limpava as lágrimas que nem notei estarem caindo, conversava com Cara sobre o que tinha acontecido mais cedo. Eu tinha ideia de que minha amiga odiava quando contava uma coisa dessas por mensagem, mas era melhor ela ser a primeira a saber, senão eu ouviria horrores depois.

Uma moto preta ia passando bem devagarinho, esperei, ela continuou indo em minha direção, já ia me preparando para correr quando a loira tirou o capacete.

— E a cavalaria chegou... Pronta pra missão?  — Zara me estendeu um capacete. — Só preciso que não faça perguntas, depois eu explico melhor.

—Desde que você também não faça.

— Já andou de moto?

— Uma vez, há muito tempo.

— É só segurar que você não cai — ela voltou a colocar o capacete.

— Que reconfortante! Só não corra muito, por favor — murmurei e pelo som da risadinha de Zara ela me ouviu.

Ao subir na garupa da moto e segurar na cintura da vampira, ela a ligou e acelerou. O que se seguiu foi... tranquilidade, eu estava meio inquieta e desconfiada, e logo a loira aumentou a velocidade, me fazendo fechar os olhos.

Foi como me desprender de tudo, a sensação de liberdade me preencheu, foi algo tão bom! E embora meu coração estivesse acelerado eu me sentia em paz. O vento acariciava meu rosto e brincava com meus cabelos, os agitava como se fossem uma bandeira. Era como se o tempo estivesse congelado, só consegui atender ao pedido de Zara quando ela me chamou pela terceira vez.

 — Margot, nem pense em dormir em cima de uma moto! Você está embevecida — a vampira disse em um tom brincalhão.

— É maravilhoso! Eu quero uma moto, Zara — tive que gritar pra ela me ouvir.

Zara riu.

— Sim, olhe as estrelas, se pudesse tocaria em uma delas?

Só então me dei conta de que ainda estava com os olhos fechados, ao entreabri-los demorei alguns segundos para me adaptar a paisagem. O céu estava limpo de nuvens e repleto de luzes brilhantes, o número de estrelas parecia ter se multiplicado, embora eu nunca tivesse sido boa em desenhar, naquele momento eu teria feito um desenho daquele céu se tivesse qualquer coisa ao meu alcance. Mas tudo o que tinha era uma estrada com placas aqui e ali, um deserto de ambos os lados, do qual eu via vagamente a areia e a vegetação rasteira que passavam em um borrão.

— E se eu me queimasse, ou algo assim? — respondi à pergunta de Zara.

— Ao menos teria tentado, arriscado, quebrado barreiras e alcançado seu desejo, eu morreria feliz.

— Maluca.

— Medo de tocar em uma estrela?!

A loira gargalhou, eu não pude deixar de acompanha-la.

 

***

 

Quando vi estava dentro de um apartamento, Zara me enfeitava como se eu fosse um bolo. Eu já havia me arrependido de ter pedido ajuda a uma vampira desconhecida que poderia fazer o que bem entendesse comigo, e ao que parecia estava me arrumando para um casamento ou coisa semelhante, e não para ir até a polícia dos vampiros.  

Enquanto ela se ocupava com minhas madeixas me peguei assimilando a viagem. Sim, viagem, estávamos em outra cidade, só podia ser Las Vegas. Eu me distraí, mas a estrada pela qual passamos só devia ser a que atravessa o deserto de Mojave e liga Los Angeles a Las Vegas. Tentei não me desesperar com o fato de Zara ter se “desviado” do objetivo, se é que alguma vez ela o considerou.

Esperei ela sumir em um dos quartos e me peguei olhando ao redor, havia uma cama, um closet, o enorme espelho, uma penteadeira, um tapete do tamanho da cama e a janela a qual me chamou a atenção. Pelas placas chamativas, a quantidade de gente andando na rua por volta das duas da manhã, era oficial, estávamos em Las Vegas, a cidade do pecado. Corri para frente do espelho com medo da vampira fazer algo.

Senti os pelos dos braços se eriçarem, aquela sensação de frio na barriga. Olhei no espelho, mas a garota que me olhava de volta era-me estranha. O motivo de meu desconforto apareceu, a loira sorriu pra mim com dois vestidos, um em cada mão. Hesitante, apontei para o que ostentava a cor marsala, Zara pareceu satisfeita e pediu para que eu me vestisse. Eu só não entendia o porquê da vampira querer-me “enfeitar”, deveria ser mais um de seus joguinhos, por que decorar a comida? Essa é fácil, Margot, você é tão sem graça que precisa de um pouquinho de pimenta. Há-há-há.

Fiquei estática com o vestido nas mãos, Zara reparou em meu comportamento e se aproximou cautelosa.

— Qual o problema?

Fiquei um momento sem fala, me concentrei em minha respiração lenta e no cheiro de sândalo que preenchia o quarto.

— Eu não sei m-me diz você... Por que estamos em outra cidade?

Zara arregalou os olhos quando compreendeu o que estava acontecendo.

— Não vou lhe fazer mal, Margot, relaxe, lembra-se do “sem perguntas”? Acho que está na hora de ter contar.

E ela contou.

 

***

 

E lá estávamos nós, adentrando em um cassino, uma garota de 16 anos e uma vampira. Diferente de Zara que usava um vestido preto que possuía um decote em v que ia até a cintura; o vestido que eu estava era da cor marsala e me caia aos joelhos, as mangas eram compridas e se iniciavam abaixo dos meus ombros, os deixando nus, e quanto ao decote, bem, não havia, graças aos deuses! Meus peitos eram pequenos e eu até gostava deles, entretanto naquele dia a loira fez questão de me arrumar um sutiã que os deixaram maiores do que o habitual.

Isso tudo por que Zara disse que eu deveria parecer mais velha, de fato eu me sentia outra pessoa debaixo de tanta maquiagem, estava até que bonita. Não que eu me achasse feia, mas era um rostinho comum e bonitinho do qual não se destacava muito, talvez eu tenha um dedo de culpa nisso, nunca quis chamar a atenção de ninguém.

Zara indicou o caminho com um aceno de cabeça, seguimos por um tapete carmesim em meio ao cheiro de fumo. O tapete dava nos degraus de um estrado, o qual portava um carro. Antes de chegar aos até eles havia duas direções a serem seguidas; a da direita levava a um grupo que estava fumando — o que explicava o cheiro de fumo — sob o teto de vidro, o qual possibilitava a vista às estrelas, aquela parte estava aberta para que a fumaça não se concentrasse no ar, e do lado esquerdo se encontrava uma diversidade de caça-níqueis. O que separava os grupos era o tapete principal.

A loira me guiou até uma torre de taças cheias de conteúdo alcoólico, ao pegarmos a bebida passamos por uma porta-dupla e descemos uma escada. No andar inferior tudo parecia elegante, porem estava um caos. Garçons andavam para lá e para cá com bandejas de petiscos e bebidas, homens comemoravam a sorte, outros se afogavam na bebida com a perda, uma música era tocada em um piano, o som suave preenchia o recinto.

Zara se afastou e eu me sentei em um sofá de couro, enquanto observava a vampira se aproximar de uma mulher de cabelos de um vermelho deslumbrante. Beberiquei minha bebida, era doce, e parecia não conter álcool. O chão de mármore polido refletia as silhuetas das pessoas, das quais observei por um tempo, assim como fiquei arranhando o sofá e bebendo pequenos goles da bebida que trazia nas mãos, eu começava me sentir deslocada.  

Quando a loira voltou, acabou mexendo em meu colar e então senti algo deslizar entre meus peitos. O olhar que ela me lançou era mais ameaçador do que sedutor então preferi não perguntar nada, ela havia me advertido que as coisas poderiam ser um pouco complicadas. Encaminhamo-nos para os banheiros, mas ao invés de entrar neles seguimos até uma área de limpeza, e antes de entrarmos, Zara pegou o que aparentava ser uma ficha vermelha, tirei o objeto que ela deslizara em meu bojo, e se revelou ser a mesma coisa.

 Dois seguranças nos esperavam, mostramos as fichas e um dos homens abriu caminho e nos guiou até um elevador que nos deixou no que deveria ser uma garagem. Zara desatou a falar:

— Aqui era uma garagem interditada, então ninguém deu falta já que o estacionamento lá de cima não tem infiltração.

Ao me adaptar com a luz vi o que parecia um escritório, cheio de computadores, arquivos, pessoas concentradas, e claro que carros, porque isso não falta em uma garagem.

— É para o caso de precisarem de uma fuga rápida — Zara explicou ao seguir meu olhar.

Uma garota de óculos, do meu tamanho e um pouco mais velha veio falar conosco.

— Bom te ver Zara, olá, Margot é um prazer te conhecer, eu me chamo Kendra.

Apertei a mão que ela me estendeu, a garota explicou que Zara havia entrado em contato antes e explicado a situação, então pediu os detalhes e eu os dei, após anotar tudo em seu computador enquanto nós esperávamos em um sofá de visitas de sua sala improvisada, ela nos guiou até outra sala.

— Nunca imaginei que te conheceria pessoalmente, você é tipo... respeitável — ela disse toda alegre enquanto Zara revirava os olhos.

— Desculpe...? — perguntei sem entender.

Nós seguíamos por um corredor repleto de guichês de ambos os lados.

— Christian Hales é famoso por infringir a lei, e bem, não é todo dia, pra ser exata, quatro décadas, que alguém recusa ser um vampiro — Kendra sussurrou a última frase.

Ela nem me deu tempo de formular uma resposta.

—... digo , você tinha 14 anos! E o mais incrível é que não quis essa vida vampiresca, você é uma...

— Hei, viemos fazer uma denuncia se empolga não — Zara falou autoritária. — Kendra é obcecada por Christian, como ele sempre se safa, bem, ela sempre tenta achar um jeito de pegá-lo.

Eu não sabia o que pensar, tinha mil e uma perguntas. Ao chegarmos à sala do detetive contive um gritinho. Ele era o rapaz que me dera o bilhetinho no bar em que encontrei Zara pela primeira vez e que dias mais tarde perseguiu o louco assassino que tentara me matar.

A loira entrou comigo no pequeno escritório, assim como Kendra. Zara sentou em uma das cadeiras, segui seu exemplo enquanto a estagiaria mexia em uma impressora.

O detetive, que mais tarde descobri chamar Vincent, já havia lido tudo o que havia dito antes a sua estagiaria, então pediu que eu contasse a ele sobre a última vez que nos encontramos, pediu detalhe por detalhe. Contei sobre a Jack, sobre os bilhetes que recebi, inclusive os mostrei, até falei do dia em que fui perseguida ao sair pra caminhar de manhãzinha. Então, a cereja do bolo, mostrei as fotos que Maise tinha conseguido.

Vincent pediu que esperássemos, enquanto ele saia e voltava Kendra ficou conosco.

— Querem café? — ela perguntou depois de mexer em umas papeladas.

— Adoraria — disse Zara num tom doce.

Assim que a garota saiu, ela se virou pra mim com um sorriso ladino.

— Ela vai demorar, e provavelmente estaremos aqui quando voltar, essas queixas tendem a demorar um pouquinho, mas o resultado é bem rápido, melhor do que a polícia que vocês têm.

— O que fazem com os criminosos? — fiz a pergunta que tanto queria.

— Em caso extremo, um assassino em série, por exemplo, eles o matam e depois criam pistas para a polícia humana achar o culpado. Claro que têm casos que eles precisam alterar algumas coisas que nos expõem, mas também há uma prisão, dizem que o lugar é medonho, eles torturam e deixam você dissecar, têm casos de vampiros que está há 80 anos sem uma única gota de sangue.

Kendra voltou com o café e nos serviu.

— Os vampiros se tornam loucos, se você vai para a prisão nunca mais volta, muitos se suicidam, arrancam a própria cabeça, ou o próprio coração, é a única maneira de escapar daquele lugar. Há 500 anos, havia um carcereiro que imobilizava os prisioneiros nos primeiros 70 anos para que pagasse pelo que fez sem tirar a vida antes e só depois de tortura-los como bem queria é que os deixava dissecar, ou livres para se matar.

A história havia despertado meu interesse, tomei um gole do café que estava com um cheirinho convidativo. Kendra continuou:

— Agora, bem, as coisas têm saído do caminho, mas não devo falar disso...

Zara e eu falamos em uníssono:

— Conta vai.

— Continua!

Kendra espiou para ver se ninguém vinha e se virou pra nos e sussurrou:

— Estamos cada vez mais cuidadosos e escondidos por que há corruptos entre nós, vez ou outra mergulhamos em uma missão para caçar vampiros corruptos, e há casos em que alguns estão metidos com crimes perversos, por que acha que Christian Hales ainda está solto?

Vincent entrou no escritório e espalhou diversos papéis pela mesa. Fotos de mortos, e as de um rapaz.

— Estamos atrás dele já tem um tempo, ele é esperto e sempre foge, já matou 15 pessoas até onde sabemos, e sempre são adolescentes com a faixa etária entre 14 e 18 anos — gesticulou para as fotos. — Conseguimos clarear a foto, Margot, e é ele.

Realmente era. Além do anel, os traços do rosto estavam bem nítidos. Vincent explicou e mostrou todo o caso que estava sendo montado contra o vampiro, e disse que ele estava por aí matando fazia três semanas. Mas me assegurou que estava no rastro dele e em breve conseguiriam detê-lo, só não o tinham feito ainda por conta de provas, e dúvidas, mas agora nenhuma restava.

A sensação de ter tirado um fardo das costas era estranha, já havia me acostumado com aquilo. Logo a ideia de ter matado a garota me pareceu absurda, mas ao menos havia me levado a fazer justiça por ela.

Antes de sair, Vincent disse:

— Quanto àquela ligação, ainda estou esperando.

Voltamos ao cassino e ver toda aquela gente ali sem nenhuma ideia do que acontecia no subsolo, me perguntei o que fariam se soubessem.

— E então, pequena justiceira, o que acha de terminarmos a noite em Las Vegas? O que acontece na cidade do pecado fica na cidade do pecado — disse Zara com um olhar cúmplice.


Notas Finais


Eitaa que estamos resolvendo os misteriosinhos,
Chris fazendo intriga entre o irmão e a Margot, aaaanaao
Margot deu o bolo no Theo tadiimm :(
O que cês acham da Zara?? Eu gosto dela, gente melhor pessoa! opaa autora, para de comentar né? '-'
Margot, enfim fazendo algo definitivo para tirar o peso do assassinato das costas, tadinhaa já tava a ponto de enlouquecer
Gente e essa polícia vampírica, será que são mesmo bons??
Please, digam o que estão achando dessa história cheia de intriguinhas,
Sorry mais uma vez pela demora, espero que estejam gostando da story,
Bjoss cats <3


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