História Uma vez eu um sonho - Capítulo 4


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Capítulo 4 - The gleam in your eyes


Fanfic / Fanfiction Uma vez eu um sonho - Capítulo 4 - The gleam in your eyes

ETHAN

Não estava aguentando mais correr, sei que tenho costume e que sou bom nisso, mas nunca tinha visto alguem tão insistente como ela. Pra minha sorte, por conta da árvore, eu finalmente tinha conseguido me livrar daquela maluca! De Onde ela veio afinal?

É, esquisitinha, parece que me perseguir não foi o seu melhor plano.

Minha comemoração por sossego não demorou muito, cessou assim que ouvi o seu berro. Ela parecia estar tão aflita que... não sei. Eu que queria tanto o meu tão amado espaço pessoal, ao ouvi-la chorar, quis voltar atrás. A consciência pesou... sei lá! Senti que não podia deixa-la sozinha chorando daquele jeito, por mais que, só de pensar em voltar pra lá, minha vontade fosse de chorar também.

Foi a minha deixa, saí correndo por aí tentando encontrá-la. Corri, mas ela já tinha parado de chorar, então não sabia mais como poderia encontrá-la. E também não sabia se ainda precisava.

O que eu deveria fazer agora?  Continuar procurando a garota... ou não. Por que faria isso se ela já parou de chorar? Bom, talvez eu lhe devesse um pedido de desculpas...

Por que estaria chorando? Culpa minha?

Continuei andando sem rumo e, num passe de mágica, todas as minhas dúvidas sobre continuar ou não procurando tornaram-se completamente inúteis.

Isso porque ao virar uma esquina nós acabamos trombando. Levantei rápido e sem jeito, sabia que devia um pedido de desculpas mas... Devia um pedido de desculpa mesmo?

- ei - mas minha voz saiu meio estranha, completamente sem jeito, eu estava nervoso e nem sabia o porquê disso. Me senti como se nunca tivesse conversado com outro ser humano antes. Deus, o que eu estou fazendo?

Entao essa foi a vez dela de não  me responder. Vingativa? Me pareceu. Só ficou lá, sentada no chão, apenas me encarando. Ela e aqueles olhos dela e aquela expressão que eu não soube interpretar... Talvez... Estranheza?

Estava realmente nervoso com aquela situação. O que, diga-se de passagem, nem fazia sentido nehum. Por que tão nervoso? Por que não me responde?

- você está bem? - ofereci ajuda pra que se levantasse mas ela recusou, se levantou sozinha e... Eu devo ter ficado com uma cara muito idiota, porque fiquei o que me pareceu um século e meio tentando entender o que aquilo significou.

Não quer mais falar comigo?

 Ela me deu as costas e saiu andando. Repito: ELA SAIU ANDANDO! A mesma garota que estava correndo atrás de mim pela cidade toda. Se eu estava confuso um segundo atrás, bom, agora eu não tinha certeza nem do meu nome. O que aconteceu aqui?

Foi quando me lembrei do Tio dizendo "Mulheres! Tão tampinha e já tão lelé!" Chega a ser engraçado, ele sempre fala isso da Té, minha irmã caçula, mas acho que essa frase se encaixa muito melhor nessa aí que não sei nem o nome ainda.

Por isso, acho que se Té soubesse dela ficaria até feliz... Afinal, essa menina é muito mais doida que a Érica! Sem comparação!

Do nada ela parou a caminhada e voltou a olhar pra mim. Levei a mão direita à minha nuca na tentativa de me acalmar, o que não adiantou muito. Ensaiei abrir a boca e dizer algo, mas antes que pudesse pensar no que diria foi ela quem quebrou o silêncio.

- você sabe sair daqui? - perguntou com voz de... choro?

Dei uma risada em resposta, sem nem pensar direito, sabe? Foi automático. Depois percebi que ela falava sério.

- sair daqui? - Não faz sentido. Entendi errado? É por isso que me seguia ela então.

- É... - confirmou cabisbaixa.

Parecia surreal a ideia de que alguém no mundo poderia, por um segundo que fosse, não querer estar por ali pelo resto da vida. Devia ser um pensamento aleatório, aleatório e louco. Mas daí ela voltou a chorar.

- Por que iria querer sair daqui?

- Por que? Quem iria querer ficar?

- Eu - dei de ombros enquanto ela me encarava atônita. - Aqui é... é perfeito!

Desisti de entendê-la. Só sabia que ela ainda parecia triste e que queria acalma-la logo, por mais que não fizesse ideia de como.

- calma... - ela me olha irritada e bufa.

Odiando ter que lidar com isso, ter que lidar com ela. E ainda sim tentando meu melhor pra ela BUFAR pra mim! Que ódio.

- Perfeito? Estou presa num mundo sem mais ninguém além de um menino incendiário que só quer distância!

Ai. Por que ela iria querer ficar perto de mim? Não faz o menor sentido.

- E isso é ruim? - perguntei.

- Esse é meu pior pesadelo!

Ah. Eu... fiquei sem reação de novo, ela está ficando cada vez melhor na arte de fazer isso comigo.

Tive que parar um pouco pra raciocinar. Ela parece ter esquecido da parte de que aqui não temos ouvir e cheirar morte.

E esqueceu da liberdade. A liberdade, ah... Essa sim é perfeita... Liberdade! É isso! Pode ser que ajude ela. Deve convencer!

- L I B E R D A D E ! - saiu um pouco mais animado do que eu pretendia, me recompus - Aqui você pode fazer o que quiser.

Não convenceu. Ela apenas ficou lá, me encarando de novo. Como se dissesse outra língua, ou ainda como se eu fosse um ninvírio... ou, não sei. Como se eu fosse de qualquer outro planeta que não seja a Terra.

- Sem sermões, sem consequências, nem obrigações... sem problemas! - tentei de novo, falhei de novo. Olhos lilás me olhando com ar de estranheza - Como pode não ver o quanto isso é incrível?

Não disse nada. Abriu a boca algumas vezes para dizer mas não emitiu som algum.

Custei um pouquinho pra perceber  isso mas... Nós somos opostos.

Eu adoro ficar sozinho e ela detesta... Mas tinha uma coisa boa nessa história: ela não queria ficar tanto quanto eu não queria que ela ficasse.

- Meu nome é Lilás. - sorriu tímida.

Lilás? Esse nome não me pareceu nada criativo tendo em vista que os olhos dela são dessa cor.

Acabei rindo disso e ela achou ruim, ao menos acho que achou. Fechou o cenho e recuou, quase como se mudasse de idéia quanto a confiar em mim. Mas não foi por maldade, juro. É tão... diferente. 

Lilás. 

Só repetir o nome dela mentalmente me fez sorrir? Estou perdido!

- Ethan. - Estendi o braço direito em sua direção e apertamos as mãos... - Não sei nem tentar te ajudar, nunca pensei em sair daqui.

Ela respira fundo em derrota, fita o chão com um olhar triste que por um instante sinto meu coração falhar.

Pode ser totalmente diferente de mim, mas ver ela mal meio que me deixa mal junto.

Foi aí que decidi não deixa-la sozinha. Dar uma chance pra amizade dela... e alguma coisa me dizia que ela estava me dando uma chance também.

Aqui pensando, talvez pela ausência daquele olhar de ódio, só talvez...

Tê-la por perto nem seja tão mal.



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