História Uma Vida Escolar Nada Comum - Capítulo 260


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Categorias Hetalia: Axis Powers
Tags Gakuen Hetalia
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Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pra variar, meus planos originais mostraram falhas épicas... Aí lá vem eu com mais um plano mirabolante pra salvar o dia 8D
(Ok, eu recebi ajuda, mas enfim >.>)

O Ministério da Magia adverte: não tentem reproduzir os feitos desse capítulo em casa.
Mas se tentarem, me chamem-----

Capítulo 260 - Semente da memória


Inglaterra

 

Exalei o ar dos meus pulmões quando percebi que o estava prendendo por tempo demais.

Tudo daria certo. Teria que dar.

Eu passara os últimos cinco dias imerso na preparação necessária para a realização do ritual: evitara conversas desnecessárias (o máximo possível; isso é difícil quando se tem idiotas ao seu redor...!), não ingerira alimentos excessivamente industrializados nem geneticamente alterados, tomara apenas a água pura do córrego da Floresta Mágica... Entre algumas outras preparações que eu prefiro não comentar.

Sob meu comando, os demais membros do Clube de Magia também fizeram suas preparações, embora em escala muito menor que a minha. Afinal, eu chefiaria aquele ritual; era eu quem deveria estar preparado, muito mais do que eles.

A hora propícia se aproximava. A hora em que a Lua estaria em seu vazio astral, coincidindo com a hora de Vênus, antes de entrar no campo astral de Virgem, quando seria a hora de Mércurio...

Certo, certo. Agora era uma hora da tarde de domingo, satisfeitos?

Nós seis rumávamos para a sala do Clube de Magia em silêncio. Eu ia na frente, carregando o cajado que eu forjara com um galho oriundo da Floresta Mágica (cuja entrada me foi permitida após muito esforço). Ao meu lado, Elisa caminhava, apreensiva, preocupada e visivelmente nervosa. Em seguida, vinha o Noruega, carregando os incensos; Inger, com os pergaminhos; Nikolay, com a faca cerimonial; e o Romênia, com todos os demais objetos.

Foi também em silêncio que entramos na sala e começamos as preparações finais. Sem pisar no círculo mágico previamente desenhado, Romênia e Noruega começaram a posicionar os incesos, os amuletos, e todo o restante da parafernalha necessária. Inger depositara os pergaminhos sob uma mesa (recém-comprada e devidamente higienizada previamente), e ajudava Nikolay a preparar as velas.

Quanto a mim, eu colocara a Elisa sentada em uma das cadeiras também recém-compradas e comecei a colocar nos três altares previamente preparados nossas oferendas: frutas frescas, pequenos pedaços de ouro (o metal do dia) e sangue virgem (ou assim eu esperava...). Com isso feito, conferi as demais preparações e, vendo tudo nos conformes, acendi as velas, amarelas como determinava o dia.

O próximo passo foi mergulhar a faca cerimonial no sangue, utilizando-o para desenhar o círculo externo, o qual precisava ser acrescido no último instante antes da realização do ritual. Desenhei os símbolos e pentáculos necessários, até ter a certeza de que nada mais faltava.

Os ponteiros do relógio marcavam duas e meia. Era a hora.

Não precisei de muitas palavras para sinalizar aos demais que chegara o momento do ritual. Conduzi a Elisa até o centro, onde ela deveria ficar de pé, e cada um de nós cinco assumiu uma das pontas do pentagrama que preenchia boa parte do vão central do círculo interno. Como o mestre, assumi a ponta que indicava o lado de fora, para que eu pudesse canalizar a luz solar. Os demais assumiram, em sentido horário, a posição correspondente ao que eu designara previamente: Noruega do meu lado esquerdo, Inger, Nikolay, e então o Romênia, do meu lado direito.

Assumimos a posição adequada, que era, basicamente, manter as pernas afastadas em uma linha reta com o quadril, enquanto os braços ficavam erguidos a 45º com as palmas viradas para cima. A exceção era Elisa, que não havia uma posição obrigatória, então ela tentava ficar confortável de alguma forma. A única regra para ela era jamais cruzar ou entrelaçar qualquer parte do seu corpo, para não quebrar o fluxo de energia.

Então, comecei. Os demais fecharam os olhos enquanto eu murmurava as preces iniciais, invocando a força de todos os astros e seres superiores que seriam necessários pra cumprir nosso intento. Arcanjos Superiores, forças da natureza, magia antiga... Seres oriundos das profundezas do mundo subterrâneo. Todos eram necessários.

Continuei com as preces, conforme deveria ser. Pedi perdão pelos meus pecados (e infelizmente a lista era longa), supliquei a ajuda de todos os presentes (não só de nós cinco, se é que você me entende) e mentalizei o objetivo que queríamos alcançar: a recuperação das memórias apagadas da Elisa.

Mas... Algo estava errado.

Não, não tinha nada de errado acontecendo. Esse era o problema: nada estava acontecendo.

Olhei para Elisa, que estava virada para mim. Eu não havia percebido até aquele momento, focado como estava, mas o nervosismo dela estava sendo, aos poucos, substituído pela descrença.

Não havia sido fácil convencê-la a participar do ritual. Apesar de a Elisa não sentir mais dores ao ficar perto de mim, isso não a tornara mais receptiva à minha pessoa. Ela continuava sem suas memórias, e sem qualquer vontade de se aproximar de mim por qualquer que fosse o motivo.

Ao menos ela passara a perceber buracos em suas memórias; lembranças que aparentemente não se interligavam, nem correspondiam com as que outras pessoas tinham do mesmo momento. Claro que pedi ajuda à Kurogawa para que provocasse essas lembranças “vazadas”. Eu sabia que a garota faria qualquer coisa para ajudar a amiga.

Foi com a promessa de devolver a ela tudo o que lhe foi tirado, e preencher todos esses espaços, que eu a trouxe para o Clube de Magia, exatamente um mês depois de seu fatídico aniversário. Eu também lhe dissera que isso finalmente lhe daria as respostas que ela buscava, como porque eu me importava tanto com ela e porque ela se sentia compelida a não tirar a aliança do dedo, ainda que não soubesse como ela fora parar ali.

Mas aquele vazio simbolizava minha derrota, e o olhar incrédulo de Elisa pisava nas minhas últimas esperanças.

- Sinto... – Romênia murmurou e, logo em seguida, suspirou, arrependido por ter de falar e quebrar o momento. – Sinto muito, Inglaterra-san. É culpa minha.

- O que você quer dizer com isso?

- Eu... Eu tentei avisar... Eu não sou como vocês. Não consigo realizar qualquer magia – nesse instante, Romênia me encarou nos olhos, e pude perceber que ele estava a ponto de chorar. – Enquanto... Enquanto eu estiver em uma das pontas... O ritual não se realizará.

- Era só o que me faltava...

A situação era tão desesperadora que eu sentia vontade de rir, mas sabia que não podia estragar ainda mais o clima que construímos.

Eu sempre soubera que o Romênia não possuía magia como nós. Entretanto, eu contava com o fato de que ele era um excelente cartomante, uma atividade também associada à magia negra, e esperava que isso fosse o suficiente.

Obviamente não foi.

- O que faremos, Inglaterra?

Olhei para o Noruega, e apenas balancei a cabeça para os lados. Eu não sabia.

Bloody hell, eu não fazia ideia de qual seria meu próximo passo.

Eu apostara todas as minhas fichas naquele ritual. Sabia que estava correndo contra o tempo, já que levaria pelo menos um mês para ter outra data tão propícia quanto aquele domingo, ainda que isso inevitavelmente significasse uma preparação tardia e incompleta.

Mas agora...

Abri a boca para falar, mas o barulho da maçaneta tentando ser girada me interrompeu.

Ah, que maravilha, alguém tentando invadir o Clube era tudo de que eu precisava...!

A pessoa do outro lado insistiu, mas eu e o Noruega fomos os únicos a olhar para a porta. De costas, os gêmeos não se atreveram a virar, e o Romênia estava em um estado de humor completamente diferente.

- Mas que droga, como é que eu vou fazer uma entrada triunfal assim...?

Reconhecendo a voz abafada, Elisa tentou virar-se, até se lembrar de que, preferencialmente, não deveria se mexer, de modo que continuou no seu lugar.

Fechei os olhos e quebrei a barreira que protegia a sala. Isso fez com que a garota do outro lado abrisse a porta de supetão, já que não havia desistido da maçaneta, e entrasse quase aos tropeços, recuperando-se após alguns passos destrambelhados.

- Foi daqui que chamaram uma sacerdotisa? – a garota sorriu amplamente, colocando ambas mãos cerradas na cintura.

- Sachiko...! – Elisa murmurou, confirmando suas suspeitas, ainda que não pudesse virar para olhar a amiga.

- O que você está fazendo aqui, Kurogawa?

Tentei manter o tom neutro, ao mesmo tempo em que escolhia minhas palavras, para não tornar aquela conversa desnecessária e manchar toda a preparação ritualística.

- Eu vim ajudar... Se eu puder. – O sorriso de Sachiko esmaeceu, e ela passou a olhar para o chão. – É minha melhor amiga que vocês estão colocando no meio da magia negra de vocês, eu não quero ficar lá fora esperando o resultado...!

Pensei em responder que não era questão de “querer”, mas sim de não ter a maturidade mental para conseguir esperar em silêncio, mas nada disse.

- Além do mais...  – ela voltou a olhar para mim. – Há memórias da Elisa-chan que só eu tenho. Vocês precisam me deixar ajudar.

Infelizmente, Kurogawa estava certa. Fazia parte do nosso ritual, enquanto eu entoava os encantamentos necessários, que cada membro do círculo mentalizasse todas as memórias da Elisa que tivéssemos. Afinal, foram justamente as memórias dela conosco que foram apagadas, e isso daria suporte ao encantamento para recuperar as lembranças. Mas, com exceção de mim, os outros quatro membros do Clube compartilhavam quase as mesmas memórias... E muitas das lembranças da Elisa foram compartilhadas apenas com sua melhor amiga, e não conosco.

Permiti-me abrir um leve sorriso.

- Você veio na hora certa, Kurogawa. Pode assumir o lugar do Romênia?

- Claro!

- Em silêncio, por favor. Ainda estamos no meio de um ritual, se você não lembra.

- Wah, desculpa...!

Sob meus comandos, o Romênia afastou um dos pés do círculo, que foi logo substituído pelo pé da Kurogawa. O procedimento se repetiu com o outro pé, e logo Kurogawa estava no lugar do Romênia no círculo.

- Faça como nós – eu disse, indicando a posição em que nos encontrávamos –, e foque todas as suas energias no objetivo, a recuperação das memórias da Elisa, e nas memórias que você compartilhou com ela.

- Eu não preciso repetir nenhuma série de encantamentos...?

- Sou eu quem faço isso nesse círculo, Kurogawa. E mais uma coisa: evite falar a não ser que estritamente necessário.

Apesar de ter aberto a boca para responder, Kurogawa mudou de ideia no meio do caminho e apenas confirmou com um aceno de cabeça. Assim, respirei fundo e me preparei para retormar o ritual.

Reiniciei as preces do começo, e pude sentir, conforme as entoava, que as coisas estavam diferentes. Eu começara a sentir a magia entrando em nosso círculo, agora sem uma ponta solta, por assim dizer. Entretanto, eu ainda não me sentia plenamente seguro.

Como uma sacerdotisa, a energia da Kurogawa era, obviamente, branca. Além do mais, ela não tinha passado nem por uma vírgula da preparação que nós havíamos feito. Eu só esperava que isso não trouxesse muitas consequências ruins...

Com o final das preces introdutórias, peguei o meu cajado, que jazia ao meu lado, e segurei-o com ambas as mãos, canalizando minhas energias nele. Dei início à segunda parte das preces, na qual eu evocava para o círculo a energia de todos aqueles seres para quem minhas preces iniciais se dirigiram.

À medida em que as energias eram recebidas pelo círculo, o ar foi ficando mais pesado, e eu senti que os membros do círculo também notaram a mudança. Apesar de se esforçarem para sustentar o influxo, os gêmeos ainda estavam debilitados, e isso ficava claro em seu esforço para conter a magia nas pontas em que eles estavam. Já a Kurogawa parecia sofrer de mal diverso: sua aura eminentemente branca lutava contra a energia negra que fluía, purificando uma parte e absorvendo o restante. A parte absorvida era gradualmente liberada com menor carga negativa, mas eu temia que ela estivesse absorvendo mais do que poderia aguentar.

Quando o relógio marcou três horas, o ritual atingiu o primeiro clímax. Ergui o cajado na vertical e, quando senti que toda a energia presente se concentrara na ponta dele, apontei-o para Elisa, sem jamais deixar de pronunciar o encantamento.

Era agora ou nunca.

Foi tudo muito rápido. Mal pude perceber os olhos da Elisa se arregalando quando desci o cajado, já que, logo em seguida, toda a energia acumulada a atingiu. Com a carga, Elisa emitiu um grito extremamente agudo e entrou em uma espécie de transe, com seu olho girando em sua órbita até que tudo o que enxergávamos era a esclera esbranquiçada.

- Eli-

- Kurogawa! – eu a interrompi. – Se você quebrar o ritual agora, não sabemos o que vai acontecer com a Elisa, então fique quieta!

- Mas...!

- Por favor!

Não é como se eu não entendesse como ela se sentia. Aquela visão também me deixava extremamente desconfortável, mas eu precisava acreditar que era para um bem maior.

Um bem maior...

Feixes luminosos começaram a emanar da Elisa, o que, para mim, simbolizava as falsas memórias que foram implantadas nela sendo expelidas de seu corpo. Aquilo me motivou a continuar. Estava funcionando...!

A energia se movimentava muito rápido, entrando no círculo, sendo canalizada para o cajado, transmitida para a Elisa e então expulsando as lembranças intrusas da mente dela. Levou muito tempo, mas eu já esperava que demorasse. Eram três meses de lembranças forjadas, afinal.

Quando parecia não haver mais nada a ser apagado, Elisa caiu de joelhos, mole como pudim, e seus olhos voltaram ao normal (apesar de vidrados e desfocados). Sua cabeça pendia levemente para trás, e ela parecia completamente desacordada, a boca entreaberta.

Ainda não era uma visão agradável, mas estava dando certo. Estava. Dando. Certo.

Ou era o que eu pensava.

Embora eu começasse a terceira parte das preces, na qual o foco passava a ser não mais expelir as memórias erradas, mas sim gravar as verdadeiras no lugar, nada mais acontecia. A magia ainda pairava no ar, ainda se acumulava ao nosso redor.

Mas ela não surtia os efeitos que deveria.

O que diabos...?

Olhei para o rosto de todos os meus colegas (e da Kurogawa). Eles pareciam tão compenetrados quanto antes, e não acho que eles desistiriam agora. Até mesmo a Kurogawa parecia determinada a continuar.

Então, o que estava acontecendo...? O que eu fizera de errado...?

Teria sido a minha preparação prematura? Ou então a troca do Romênia pela Kurogawa, obviamente despreparada e detentora de uma magia quase incompatível com o ritual?

Seria a falta de magia suficiente? De sacrifício suficiente?

Poderia ser a minha incapacidade de conduzir um ritual desse porte...?

As perguntas não paravam de invadir minha mente.

Percebendo que, de fato, continuar a terceira parte do ritual não ia servir de nada (a não ser para esgotar ainda mais nossas energias, que não eram infinitas), cessei os encantamentos.

- Inglaterra, o que houve...?

- Nada, Noruega. Outra vez, nada – murmurei. – E, outra vez, esse é o problema.

Passei o cajado apenas para a mão direita e apoiei-o no chão, pensando no que fazer em seguida.

- Aparentemente, cumprimos a primeira parte – Inger disse.

- Mas a segunda...

- Não quer ocorrer – Inger terminou o raciocínio iniciado pelo irmão ao mesmo tempo que ele.

- Poderia ter algo a ver com a profecia? – Noruega arriscou.

Tentei me lembrar das palavras da profecia. Eu a havia lido tantas vezes que a decorara: “Perde suas asas a pequena fada / E a história se repete. / Seu príncipe não sabe nada / Da angústia que lhe acomete. // Contra as confusões da mente / Não há solução / A menos que esteja em seu coração / De todas as lembranças, a semente”.

Espera...

Eu sempre interpretara que, enquanto a Elisa tivesse guardada no fundo de seu coração ao menos uma pequena semente, uma pequena parte de uma lembrança nossa, suas memórias poderiam ser trazidas de volta.

Poderia isso significar que não havia sobrado nada no coração dela...?

Ou pior, será que o ritual teria expulsado inclusive a semente...?

- Maldição!

Fora de mim por um mísero instante (que poderia ter custado minha vida), golpeei o chão com o cajado. Isso fez uma grande rajada vento percorrer toda a sala, abrindo as janelas, derrubando tudo o que não estava ligado ao círculo ritualístico e quase tirando nosso equilíbrio. Mas nos mantivemos firmes, o que, por sorte, salvou o nosso ritual.

Ou não.

Enquanto eu me concentrava para tentar reagrupar a energia que eu havia dispersado de maneira tão estúpida, notei que os olhares de todos estavam na minha direção... Mas não olhavam para mim.

- Inglaterra-kun...

- Agora não, Kurogawa.

- Eu sei que só era para falar quando fosse algo importante, mas isso-

- Agora não, Kurogawa!

Esperando que ela não me interrompesse mais, tornei a focar minha mente na tarefa de captar as energias... Quando eu vi o que eles viam.

Bom, quase.

Com o auxílio da luz solar, a sombra de um imenso par de asas abertas foi projetado no chão à minha frente. Elas pareciam sair de mim, como se fossem minhas asas.

No momento seguinte, as asas se fecharam, e parecia que eu usava as asas para engolir a Elisa.

Raios, aquilo não era nada bom.

A energia que se dispersara provavelmente invocara para o círculo algum demônio faminto, louco para devorar a alma de um dos presentes. Mas que fosse a minha; a da Elisa, demônio algum levaria. Nem que eu precisasse...

Ah, sim, se eles levassem minha alma, eu morreria...

Enquanto eu estava dividido entre manter minha posição no círculo e me virar para defender a Elisa, já que ambas as opções poderiam trazer consequências negativas irreversíveis, o ser alado alçou voo, passando por cima da minha cabeça... E pousando no ombro esquerdo do Noruega.

Era um maldito corvo!

- Pelas barbas de Odin...!

Não era sempre que eu ouvia o Noruega praguejar daquele jeito, então deveria ser um corvo muito importante. Ou era melhor que fosse, antes que ele perturbasse todo o ritual...!

- Noruega, esse não é...

Nikolay começou a frase, mas não se atreveu a terminar. Ao seu lado, Inger fez menção de levar a mão às orelhas, mas interrompeu o gesto na metade, sem encostar nelas.

- Não adianta, Volkov – Noruega murmurou. – Ele já sabe. Huginn contou a ele.

- Huginn... – Inger murmurou.

- Então, esse é...

- Sim, Løkken. – Noruega voltou-se para mim, tentando me mostrar o corvo. – Inglaterra, esse é Muninn, um dos corvos de Odin, que viajam por Midgard, nosso reino, para recolher informações.

- E o que eu tenho a ver com isso?

Os três noruegueses se entreolharam, como se compartilhassem uma informação que eu não tinha.

- O nome dele, em nórdico antigo... Significa “memória”. Ele é o corvo-deus da memória.

- Bloody hell...! – deixei escapar. Aquilo tinha de ser um bom sinal, pelo amor da Rainha...!

O corvo crocitou, nos pondo em silêncio de uma só vez. Ao abrir suas asas e crocitar novamente, o fluxo de energia reiniciou seus movimentos, criando um pequeno redemoinho. Meu cajado foi puxado para cima, e instintivamente voltei a segurá-lo com ambas as mãos, tentando impedir que ele saísse do controle.

Uma bola de energia começou a se formar diretamente acima da Elisa, formada com tudo o que tínhamos reunido até então (e talvez mais um pouco). O corvo, então, alçou voo, e deixou cair no meio da esfera uma pequena semente, pousando no outro lado da sala.

Uma semente...!

- Recebam essa semente de Yggdrasil, a Grande Árvore que une e sustenta os Nove Reinos, como reconhecimento de Odin pelo bom trabalho de seus filhos – a voz do corvo, Muninn, retumbou pela pequena sala. – O que não se aplica a todos aqui, mas Odin está se sentindo especialmente generoso.

Aquelas palavras pareceram ferir os gêmeos Volkov, apesar de, como sempre, eles não demonstrarem.

- É uma honra receber este precioso presente, Muninn – Noruega agradeceu. – Agradeça a Odin por ter ouvido minhas preces, e diga a ele que não seremos ingratos. A oferenda a ele será generosa.

- Sabemos disso, Noruega.

Com essas palavras, Muninn fez um voo rasante sobre nossas cabeças, e começou a sobrevoar o círculo em espiral, terminando em cima da esfera de energia, que agora continha a semente de Yggdrasil.

Com um grande puxão, senti como se algo fosse arrancado de mim, assumindo a forma de diversas esferas luminosas. O mesmo ocorreu com os demais presentes no círculo, e todas as centenas de esferas flutuaram para o centro, até serem absorvidas pela semente de Yggdrasil.

Preenchida com o que eu acreditava ser nossas memórias, extraídas pelo próprio corvo-deus nórdico das memórias, a semente desceu e atravessou o peito de Elisa, chegando até seu coração.

Ou aquilo tinha dado certo, ou então tudo estaria definitivamente perdido.


Notas Finais


CLIFFHANGER, HOHOHOHOHOHO~
A conclusão eu posto amanhã, sério *veste a armadura e sai correndo*


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