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História Una suas forças (ou lute contra elas) - Capítulo 1


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Notas do Autor


Faz certo tempo que eu escrevi isso, mas apenas hoje tive segurança o suficiente para publicar. Aproveitando o fato de que a tag está tendo mais envios sobre Josuhan em um universo onde ambos estão no futuro, decidi carregar mais uma história com esse tema (e é isso).

Espero que vocês gostem novamente. Boa leitura ❤︎!

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

Kishibe Rohan estava tomando sua primeira refeição do dia na cafeteria mais próxima do centro de Morioh quando viu uma viatura policial estacionar em frente ao estabelecimento. Muito provavelmente, algum roubo havia ocorrido nas proximidades da cidade ou se tratava apenas de mais uma patrulha habitual que o mangaka costumava ver através do carro vagando pelo subúrbio.

 

 Ele bebericou um último gole de seu café, organizando uma pilha de esboços nos braços que faziam jus ao seu manuscrito do mês sem realmente prestar atenção no que estava acontecendo ao seu redor. Assim que ele voltou a dedicar seu foco ao seu trabalho, uma grande sombra pousou em seu campo de visão sobre todos aqueles papéis importantes.

 

“Eu estive te procurando, Rohan.”

 

O som que piniciou seus ouvidos foi o suficiente para fazer o rosto de Kishibe se contorcer em uma careta desgostosa. Ele não precisou olhar para cima para ver Higashikata Josuke de todas as pessoas, encarando-o com aquela feição boba e presunçosa em sua fisionomia mais velha – senão mais madura e firme em seus novos músculos adquiridos pelo seu treinamento na academia de polícia.

 

 Foi um estresse sem fim quando Josuke se formou e se tornou um policial, obrigando Rohan a vê-lo todos os dias perambulando pelas ruas da cidade com seu uniforme impecável e devidamente justo ao corpo. Decerto, assim como todo o restante do grupo dos três rapazes insuportáveis (exceto Hirose Koichi, porque Rohan gostou genuinamente dele), Josuke havia crescido e obtido certo grau de maturidade com o tempo. O jovem adulto parecia mais tolerável agora, embora sua personalidade gananciosa e seu humor duvidoso nunca tivessem desaparecido realmente dele. Rohan apenas o ignorou nesses anos, distraído com os mesmos afazeres que sempre teve e sendo forçado uma vez ou outra a interagir com o mais novo em ocasiões especiais. 

 

Rohan desviou seus olhos dele rapidamente após o curto contato, voltando seu foco aos rascunhos de seus painéis. “O que você quer, Higashikata? Pensei que estivesse mais ocupado com suas tarefas no posto policial a essa hora do dia.”

 

Ele escutou Josuke bufar acima dele e, para sua infelicidade, a cadeira vazia à sua frente ranger em uma sinalização breve que dizia que o mais novo não planejava sair tão cedo.

 

“Você é adorável.” Ele brincou, com uma voz doente que fez Rohan apertar mais o lápis em seu punho de modo que por um segundo ele achou que seria capaz de quebrá-lo sem nem perceber. “E eu ainda estou trabalhando, de certa forma.”

 

Se ele estava mesmo trabalhando como bem disse, por que perder seu tempo tirando a paz do artista assim?

 

"Eu também estou ocupado com meu trabalho, inclusive, estou me retirando agora mesmo. Gostaria de poder dizer que foi bom ver seu rosto estúpido hoje, porém eu estaria errado.” Ele se levantou de seu lugar com determinada falta de delicadeza, fazendo os olhos de Josuke se arregalarem com o movimento.

 

Suportar Josuke enquanto eles estavam em um círculo de amigos foi uma coisa, agora aturá-lo enquanto eles estavam sozinhos era outra completamente diferente.

 

O policial bateu as mãos sobre um dos papéis que Rohan estava prestes a recolher, impedindo que ele o pegasse. Kishibe franziu o cenho para o mais alto, a um passo de invocar seu stand para fazê-lo desaparecer de sua visão quando ele umedeceu os lábios. “Eu tenho um pedido a fazer, e você deve imaginar que é algo sério porque eu não estaria vindo até você sem um motivo convincente.”

 

“Não me faça se arrepender de ter saído de casa hoje.” Rohan cuspiu, não estando atento de verdade às baboseiras que o homem irritante e de penteado idiota estava dizendo.

 

Josuke curvou os lábios em um sorriso malicioso, liberando a pressão de sua mão esquerda da folha no mesmo instante em que se acomodou melhor em seu assento. “Isso pode te ajudar com o seu mangá.”

 

O artista recuou, enfim hesitando depois de dar seu primeiro passo para longe de Higashikata. Ele se virou para o mais novo, um tanto confuso na medida em que processava a informação calmamente em sua cabeça.

 

 Kishibe se deu por vencido, sabendo que Josuke tinha acertado em seu Calcanhar de Aquiles, dando meia volta e se sentando novamente na cadeira. “Espero que você não esteja mentindo para me fazer ouvir você, Josuke.”

 

“Eu também não queria estar recorrendo a você, de todas as pessoas.” A voz de Higashikata pareceu mais séria agora, como se finalmente tivesse cansado de brincar. Ele colocou seu quepe azul na mesa, dando a Rohan a chance de ver suas madeixas mais curtas e o suor que descia em sua testa pelo tempo abafado. “Apenas seja um pouco menos hostil hoje e tente me escutar, ok?”

 

O mangaka cruzou os braços, transmitindo o quão insensível ele era a qualquer coisa que se tratava do outro.

 

Josuke continuou: “Apareceu um novo caso no registro criminal da cidade na semana passada, e ontem ele finalmente foi dado como solucionado depois que encontraram o responsável por isso.” Ele mordeu o lábio inferior, passando a mão por seus cabelos em um tipo de demonstração de cansaço ao estalar as articulações de suas costas. O artista observou tudo aquilo com uma feição curiosa no rosto, pensando em como era uma boa referência natural para seu mangá. “Acontece que eu não acredito que o homem que foi pego tenha sido verdadeiramente o culpado.”

 

Rohan ergueu uma de suas sobrancelhas finas, um tanto confuso após ouvir a breve explicação do policial mais jovem. “E como isso pode me beneficiar com meu mangá?”

 

“Bem, você sempre diz que a realidade é o que dá energia à sua criatividade e te inspira a fazer seu serviço. Seja lá o que isso quer dizer, eu achei que participar de um caso policial poderia te dar uma dose disso.”

 

Rohan abriu a boca para refutá-lo, mas ele somente percebeu que não possuía nenhum argumento tarde demais.

 

Quando Josuke se tornou tão esperto? O mangaka apoiou uma das mãos no próprio rosto, encarando Higashikata como se tentasse intimidá-lo. “Você não consegue fazer o seu trabalho e está pedindo ajuda a mim para auxiliar você? Não pensei que chegaria a um nível tão baixo.”

 

O semblante sereno de Josuke se comprimiu em algo que Kishibe interpretou como um tipo de escárnio.

 

“Acredite, é repugnante para mim como policial ter de lidar com alguém que foi pego furtando no ano passado numa loja de departamentos nacional.”

 

Isso enfureceu Rohan sem fim. Ele não estava furtando de verdade, foi apenas uma análise para o seu mangá.

 

“Não use esse tom nojento comigo, Higashikata! Foi uma pesquisa relacionada a referências, nada que uma pessoa ignorante como você possa realmente entender.”

 

“Sim, tudo sobre o seu mangá. Agora me diga, você está dentro ou não? Eu não tenho tempo a perder.”

 

Rohan suspirou, se estabilizando mais uma vez no acolchoado. “Você disse que o caso foi fechado, no entanto, continuar com essa investigação mesmo depois da solução do caso seria considerado ilegal. Como planeja seguir em frente?”

 

Josuke o acusou de fazer algo contra a lei, mas lá estava ele propondo coisas assim.

 

O maior coçou a nuca, voltando a sorrir nervosamente. “Digamos que é nessa parte que você estará entrando.”

 

“E por que eu deveria aceitar? Não seria muito interessante usar meu stand para manipular o juiz em prol de um único mandado.” Isto é, poderia render-lhe alguma margem de inspiração, entretanto não valia o esforço que ele estaria fazendo.

 

“Apesar de você ser um polvo egoísta, eu admito que suas habilidades e seu senso investigativo seriam úteis posteriormente.” Confessou o policial, enviando uma sensação estranha pelas costas de Rohan pelo elogio repentino. “Você não estará fazendo isso somente por mim, de qualquer forma. Há uma garotinha que está no hospital em coma induzido, com uma família desesperada buscando por justiça. Isso não parece eloquente para você?”

 

Rohan não precisou responder. Ver Josuke dessa maneira, com um olhar determinado ardendo em suas íris azuis envoltas de uma empatia e sede por justiça foi o que ele precisava para saber que essa experiência estaria lhe rendendo uma ótima influência diretamente nas páginas de sua história.

 

Não foi porque ele se deixou levar pelo pouco que soube da vítima do caso que Higashikata estava investigando, ou porque ele queria ver mais dessa aura no policial mais alto: definitivamente não. Ele ainda era O Grande Kishibe Rohan, acima de tudo. Ele não precisava de sensibilidade e todas essas outras coisas sentimentais. Foi tudo apenas para provocar Josuke e provar como ele era melhor do que ele mesmo em sua especialidade.

 

Higashikata saiu de volta ao posto policial depois que eles terminaram, logo após Rohan concordar – com determinada relutância – em fazer parte de seu plano. Ele se certificou de tirar um tempo para visitar o Tribunal de Justiça da Cidade S como combinou com o mais novo anteriormente, tendo o nome do magistrado que precisaria manipular através de Heaven’s Door para concedê-los o mandado necessário na finalidade de dar continuidade à investigação criminal: mais precisamente, para que conseguissem total autorização da lei e por fim invadir a residência do principal suspeito apontado por Josuke.

 

 O mangaka não fazia ideia do que se tratava. Higashikata apenas disse que ele deveria estar na porção interior de Morioh às oito em ponto, onde ficava um dos maiores condomínios de alto padrão do subúrbio.

 

Quando chegou ao local combinado, devidamente equipado como Josuke o informou, ele não precisou esperar muito. O policial apareceu minutos depois, vestido com algo que não era seu uniforme. Kishibe podia admitir que Josuke não tinha um senso de moda especialmente ruim nas coisas, mas o modelo que ele estava usando agora foi... Antiquado (como todo o resto dele).

 

“Você parecia melhor em sua farda.” Rohan comentou, torcendo o nariz ao passo em que enrolava o cachecol em seu pescoço. Estava frio, sem embargo de que ainda era outono.

 

“Eu tive que me disfarçar um pouco mais dessa vez.” Higashikata piscou para ele, ficando mais próximo do artista ao observar por trás dos arbustos a mansão do outro lado da rua. "Sinto muito se te decepcionei em parecer menos atraente essa noite.”

 

Isso foi um flerte? Rohan quis rir ao pensar nessa possibilidade. Seu estômago coçou de uma maneira estranha quando ele refletiu nisso mais seriamente.

 

Ele deu um leve empurrão nos ombros largos do policial perto dele. "Eu sou inferior por conhecer você.”

 

Josuke deixou uma risada anasalada preencher o silêncio depois disso, apenas irritando Rohan novamente.

 

“Eu ainda não te disse nada sobre o caso, certo?” Kishibe negou com a cabeça, se afastando do corpo alheio para ter uma perspectiva melhor da construção. “Bem, nós estamos esperando o dono dessa mansão luxuosa sair para a sua sessão de fisioterapia. Ele é um atleta paraolímpico internacional aposentado e Morioh é sua terra natal.”

 

“E qual é a relação dele com a vítima?” Rohan questionou, apertando seus olhos para tentar enxergar o que estava acontecendo àquela distância. Ele não sabia que outras celebridades como ele viviam na cidade.

 

Josuke pareceu ter feito uma pausa para organizar suas palavras, assoprando no ar gélido ao ouvi-lo. “A nossa vítima também é uma atleta paraolímpica. Ela foi brutalmente espancada e teve seu cérebro lesionado durante o ataque. O agressor usou uma medalha de prata que teria sido ganha por ela no dia do crime onde estava acontecendo um jogo importante.” Ele parecia triste ao descrever tudo isso. O artista ficou genuinamente surpreso perante aqueles fatos, e um tanto assustado também. O mesmo não pensou que ainda havia pessoas capazes de cometer tais atrocidades em Morioh, pelo menos não depois de tudo o que aconteceu concretos sete anos atrás. “A questão é que as digitais de um traficante qualquer que não tinha nenhum motivo em especial para machucá-la foram encontradas na medalha, e eu não acredito nisso.”

 

“Não acredita que ele fez isso com ela?”

 

Higashikata respirou profundamente, apontando para os detalhes da edificação. “Dê uma olhada. Não acha que essa casa só pode ter sido financiada através de uma lavagem de dinheiro? Tudo bem que ele era um atleta renomado, mas faz décadas desde que a fama dele sumiu dos holofotes. Uma quantidade de dinheiro como essa não aparece de repente.”

 

A fisionomia do artista se contorceu de interesse aos pés dos relatos bem-conceituados do homem mais novo.

 

Pink Dark Boy era um mangá que retratava um cenário de terror em suspense, com cenas psicológicas, emocionantes, e personagens realistas. O gênero policial também estava difundido em todo esse meio, então Kishibe mal percebeu quando começou a sentir uma criatividade e vontade de ter um caderno de desenhos ao seu lado para fazer vários esboços naquele mesmo instante.

 

Rohan não queria admitir, mas aceitar a proposta de Josuke estava sendo uma ótima ideia.

 

 “Ele está saindo.” O policial disse, chamando a atenção do mangaka. Os dois se encolheram atrás das rochas, atentos à forma como o suspeito foi conduzido até o táxi que supostamente havia chamado antes de eles chegarem até lá.

 

Quando o veículo estava a uma distância considerável da mansão, Josuke avançou em sua frente, se apressando para contornar o jardim e chegar à entrada. Rohan foi logo atrás dele, se sentindo fortemente decepcionado consigo mesmo por ter se esquecido de trazer sua câmera fotográfica na finalidade de captar toda aquela paisagem incrível.

 

Em apenas um segundo, Higashikata materializou Crazy Diamond e destruiu a porta em um só golpe. Rohan assistiu-o abrir caminho nos escombros da madeira demolida, passando pela entrada sem nenhuma dificuldade evidente.

 

Ver o stand de Josuke de uma forma tão próxima ainda o enviava lembranças frescas do dia em que conheceu o jovem adulto, há quase uma década atrás. Ele preferiu não se recordar tanto disso, balançando a cabeça para afastar o pensamento.

 

Kishibe ainda não via sentido na teoria que Higashikata elaborou. Algo nisso tudo não se encaixava para ele. “Por que esse cara teria contratado alguém para tentar matá-la?”

 

Josuke deu-lhe uma aparência confusa enquanto consertava a porta atrás dele. “Eu não diria que ele o contratou, de fato. Está mais para tê-lo incriminado, já que eu imagino que ele fez isso com suas próprias mãos. Só que, de qualquer forma, é tarde para concluir isso. Digamos que ele possui um filho que também está seguindo com o ramo dos jogos e que participa de grandes competições. Por um acaso, o jogo que seu filho efetuou na semana passada e ganhou como primeiro lugar foi justamente o mesmo que a nossa vítima estava participando.”

 

Ok, agora isso possuía algum nexo. Em realidade, foi bem plausível para Rohan.

 

Eles subiram juntos todas as escadas para dar início à busca no segundo andar ao passo em que acendiam todas as luzes e garantiam que estavam sozinhos na mansão espaçosa.

 

“E o que nós estamos procurando?” Rohan sibilou, assistindo Josuke revirar os móveis da sala como um cachorro grande e incontrolável.

 

Higashikata delimitou um novo sorriso divertido em seus lábios. “A medalha.”

 

Oh. Ele finalmente entendeu o que Josuke quis dizer. Depois de passar todo esse tempo tentando conectar os pontos do caso em sua cabeça, ele conseguiu compreender o raciocínio que o outro estava fazendo.

 

Obviamente, havia duas medalhas na história. Em uma das premiações dos jogos de beisebol que Rohan participou ele pôde descobrir que as medalhas entregues aos participantes vencedores não possuíam nenhum tipo de identificação em nome ou data: a única parte relevante do material era se o mesmo foi feito de prata, ouro, ou bronze.  Quer dizer, podiam existir inúmeras cópias idênticas entre um jogo e outro. O filho do atleta cujo eles estavam buscando uma prova concreta para poder delatar podia ter recebido uma dessas de forma igual a da cena do crime. Desse modo, a medalha original poderia ter sido substituída posteriormente sem que ninguém notasse.

 

Kishibe varreu seus olhos verdes como esmeraldas afiadas rapidamente pelo aposento, observando o porta-retratos sobre a cômoda amarela que armazenava uma foto amorosa entre pai e filho. Sua visão vagou para a cadeira de rodas ao lado dele, além de todas as outras mesas baixas que existiam lá.

 

 “Nós estamos no lugar errado. A medalha está no primeiro andar, especificamente no quarto dele.”

 

“Como concluiu isso tão fácil? Eu estou dando o meu melhor aqui!”

 

O mangaka estalou a língua no céu da boca, guiando o mais novo em suas próprias constatações. “Ele é deficiente, então você está perdendo tempo buscando-a em lugares tão altos. O único que poderia guardar uma prova como essa seria o próprio criminoso, e o local de fácil acesso não estaria aqui no segundo piso onde há uma quantidade enorme de escadas e obstáculos para ele se locomover. Se eu fosse o agressor, me certificaria de deixar a medalha o mais próximo possível de mim.”

 

Josuke assobiou, chocado com o pensamento ágil de Rohan.

 

“Bem pensado.” Higashikata se levantou, desistindo de tentar empilhar os livros da estante que estava vasculhando. Ele lançou um olhar amigável ao outro: “Você até que seria um bom parceiro.”

 

O mangaka se sentiu um pouco constrangido e confuso com a maneira que seu coração palpitou suavemente ao ser elogiado outra vez pelo mais alto.

 

Aquele pirralho, ou melhor, aquele homem, estava brincando com ele. “Está dizendo isso por se sentir humilhado?”

 

O sorriso de Josuke se desmanchou gradativamente. “... Eu não estou me sentindo humilhado.”

 

 O policial não sabia quando o anfitrião estaria chegando, logo eles tiveram que ser cuidadosos com todos os detalhes.

 

Assim que eles chegaram até a porta, o mangaka fez uma careta para Josuke. “Não comece a revirar tudo novamente ou eu estarei saindo daqui.”

 

“Qual é o seu palpite, então?”

 

Kishibe revirou os olhos, entrando e checando a suíte. As paredes possuíam uma tonalidade neutra que se harmonizava com cores fortes entre a mobília e o revestimento do piso, além do banheiro que tinha um espelho enorme e uma iluminação exuberante em toda parte. Rohan podia ser conhecido por ter um alto patrimônio, no entanto até mesmo ele sentiu inveja de tais detalhes. “Você é um policial forense, não é?”

 

“Eu sou um policial comunitário.” Josuke corrigiu. “Mas acho que ela está ali, nas gavetas inferiores do guarda-roupa.”

 

Rohan manteve sua visão cética ao ir até lá e abrir o compartimento, se sentindo um tanto surpreso ao perceber que Josuke estava certo. Havia um pequeno pacote no qual o mais novo recolheu eventualmente com cuidado, notando vestígios de danos ao material e rastros de algumas gotículas de sangue na extensão da peça de prata.

 

Josuke o olhou de soslaio no canto do cômodo, parecendo aliviado e feliz consigo mesmo por suas pistas terem indicado um rumo correto. Ele olhou para o mangaka novamente, sorrindo de novo ao passo em que o mais velho podia ver um rastro rosa surgir em suas bochechas (ou talvez foi apenas sua imaginação?).

 

 "Obrigado, Rohan. Você sabe, por ter me ajudado com tudo isso. Eu sei que você me seguiu com o pretexto de obter experiências para o seu trabalho, só que eu sei que há alguma parte em você que é boa e quis me ajudar a fazer justiça, mesmo que seu orgulho te impeça de admitir.”

 

“Não se vanglorie tanto assim, Josuke.” Kishibe o alertou, tentando esconder sua face na posição em que estava. Ele tinha certeza que seu rosto estava queimando também, embora não soubesse exatamente o motivo.

 

“Sério, eu realmente poderia passar mais tempo com você.”

 

Rohan sentiu seu coração acelerando.

 

A porta principal fez um barulho longo e ruidoso e os dois se viraram espontaneamente pelo susto, se deparando com a figura do dono da mansão em seu suporte para paraplegia. Antes que o homem ou Josuke pudessem reagir de qualquer maneira, Rohan desenhou no ar dentro do alcance do ex-atleta, manifestando Heaven’s Door em um par de segundos. Josuke foi rápido o suficiente para usar seu stand e impedir que o mesmo caísse e desmaiasse no chão, fazendo Rohan arquear as sobrancelhas finas.

 

 Apesar de estar consciente dos atos alheios, Higashikata nunca deixava de ser o idiota empático que ele era.

 

“Eu não pensei que ele fosse chegar tão cedo.”

 

“As pessoas nunca esperam.” Disse Rohan, dando de ombros enquanto se ajoelhava ao lado de Josuke para ter acesso às memórias do homem mais velho. Ele leu algumas páginas e informações mais importantes, adquirindo um bom conhecimento da vida do outro por meio de suas experiências:

 

Seu nome era Sugawara Raiden. Ele tinha 57 anos e seu tipo sanguíneo era O negativo. O mesmo iniciou sua história no esporte quando ainda era uma criança, se dedicando desde cedo a manter seu corpo saudável e a aperfeiçoar suas habilidades, o que foi sua maior ambição durante toda a sua vida e sendo esse o sonho no qual realizou ao longo dos anos na fase adulta. Ele nasceu em Morioh, mas se mudou para a Flórida depois que seu sucesso atingiu seu ápice aos 30 anos e, nesse mesmo período, se casou e teve seu primeiro filho aos 39. Seus pais morreram por sua senescência pouco tempo depois disso e, misteriosamente, como se algum tipo de nuvem de caos tivesse o atingido naquela mesma década, Raiden foi diagnosticado com um tumor na medula em 1992.

 

Rohan encontrou um ponto intrigante referente aos acontecimentos recentes que julgou que seria do interesse de Josuke ouvi-lo: “Meu filho não gostava da modalidade que eu o incentivei a praticar. Quando eu era criança, eu sempre gostei dos jogos e, no momento em que eu o vi daquela forma, com sua plena capacidade de mover suas pernas e se recusando a me orgulhar foi terrível para mim. Eu o obriguei a treinar. Depois que ele cresceu um pouco mais, pude apresentá-lo a outros esportes para que ele pudesse trabalhar em qual possuía mais aptidão. Assim, desenvolvi seu senso competitivo e ele logo começou a participar de vários torneios. Eu estava orgulhoso, até perceber que meu filho estava sempre em segundo lugar nos jogos. Nunca em primeiro lugar. Nunca o número um, como eu era. Após descobrir isso, o incentivei ainda mais a melhorar. Ele passava todo o seu tempo livre se dedicando a aprimorar suas capacidades físicas, e eu não podia me sentir melhor vendo-o se esforçar de verdade nisso. Porém, ainda tinha aquela garota que sempre o atrapalhava. Em algum ponto, me senti farto disso e percebi que se eu quisesse que meu filho não se tornasse um fracassado como eu, eu precisava fazer algo a respeito...”

 

Kishibe parou nesse ponto, não conseguindo ler mais. Algo em Rohan se sentiu aliviado que ele teria a punição que merecia agora, apesar de todos esses pensamentos angustiantes e inebriados em arrependimentos.

 

“Acredito que já temos provas o suficiente agora.”

 

Rohan assentiu com a cabeça, desativando o efeito de seu stand para que Josuke pudesse algemar o homem abaixo dele.

 

Eles tiveram um pouco de trabalho para mover o corpo desacordado do criminoso para dentro do camburão, todavia a força de Higashikata os assegurou de que eles não tivessem tantos problemas assim com isso.

 

Josuke estava pronto para entrar no carro da polícia quando deu um último olhar a Rohan, com uma expressão ilegível estampada em seu rosto. “Você tem um lugar para ficar hoje?”

 

O mangaka tremeu um pouco do lado de fora, não sabendo se era por conta do frio avassalador ou do fato de que se esqueceu de dizer a Josuke que ele não tinha mais sua casa.

 

Ou melhor, ocultou do policial mais jovem, porque seu orgulhoso nunca estaria permitindo revelar que ele tinha simplesmente falido.

 

Rohan havia comprado seis montanhas. Ele as comprou apenas para fins de pesquisa e, infelizmente, não conseguiu revendê-las devido a uma nova construção na estrada que desvalorizou todo o lote. Ele precisou vender todos os seus objetos de valor para cobrir seu prejuízo, desde suas preciosas figures de Sailor Moon à sua própria casa.

 

Rohan tinha apenas alguns ienes agora, que não poderiam pagar nem mesmo por mais um dia em sua estadia no Morioh Grand Hotel.

 

“Como sabe disso?”

 

“Koichi me contou.” Ele coçou a nuca timidamente, como se não quisesse estar acusando seu melhor amigo.

 

Kishibe abaixou a cabeça. Não era culpa dele. Koichi apenas estava preocupado. Ele não podia ajudar Rohan na situação em que estava, então era cabível que ele tentasse encontrar alguém que pudesse - mesmo se esse alguém fosse Josuke.

 

Quando ele olhou para Higashikata novamente, ele tinha um sorriso acolhedor em seu rosto.

 

 "Entre na viatura, eu tenho um quarto sobrando em casa.”

 

 

 


Notas Finais


Gênero policial mais uma vez. O quanto eu amo isso? Eu não sei. Esse pormenor no final que diz respeito ao Rohan ter falido ao comprar seis montanhas é uma referência às spin-offs (mais especificamente, à "Thus Spoke Kishibe Rohan"). Também estejam conscientes que me inspirei bastante na série Lúcifer e na relação dele com a Chloe para exibir a interação entre Josuke e Rohan aqui.

A questão é que chegamos finalmente à quadragésima história e eu estou muito feliz por essa conquista (com essa completamos 41 fanfics, mas eu esqueci de mencionar na última, então vamos fingir que eu não cometi esse erro). Muito obrigado pelo apoio que vocês me dão ❤︎. Vocês realmente não fazem ideia do suporte enorme que vocês compõem apenas em favoritar e/ou comentar minhas histórias.

Eu estou passando por um momento complicado, logo ter isso aqui comigo é precioso demais.


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