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História (Un)breakable - Capítulo 26


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Notas do Autor


Oie. :)

Não sei no estado de vocês, mas aqui no Rio parou tudo por causa do vírus, então não tem aula, não tem trabalho, não tem nada. Apesar de ser convocada todo dia para ir à praia coisa que eu já não faço questão de ir quando a situação tá boa, e apesar de ter que pegar o metrô a força para me locomover nessa cidade, estou bem e saudável, por isso, resolvi atualizar a minha fic linda e cheirosa.
Então, lavem as mãos, andem com o álcool gel na bolsa e bebam água.
PS: Os últimos dois parágrafos, meus preferidos.
Adeus.

Capítulo 26 - Le Fantôme de l'Opéra


Fanfic / Fanfiction (Un)breakable - Capítulo 26 - Le Fantôme de l'Opéra

Em meu colo tenho dois pertences. 

O primeiro deles é um dos lenços impecavelmente bordados da família Kim. A ponta dos meus dedos desenha a letra K bem marcada em estilo antigo e formal. O segundo e último é um ramo de flores perfumadas, muito coloridas e presas juntas em um laço de cetim meio torto, porém, sendo o pestinha o dono desta arte para mim está até que razoável. 

Árvores, flores e o perfume dos pêssegos que caem dos pessegueiros aos montes. Eu me concentro em somente inspirar e respirar lentamente a essência vinda de cada parte desse lugar já tão familiar a mim. 

A vista aqui fora é tão ou mais bonita que a da sacada, daqui tudo é mais amplo. Posso olhar para frente, para os lados e para trás sem paredes para me atrapalharem. O ar limpo e fresco quase entra corretamente em meus pulmões machucados.

Eu ainda me sinto fraca e perecível, os músculos das minhas pernas e braços não tem força suficiente para fazer algo além de uma caminhada de três minutos, ou pentear o cabelo. Em falar em cabelos, Namso aproveitando da minha condição suscetível, dedica sem que eu tenha pedido, ou ao menos desejado ser usada como cobaia para treinar seus penteados matinais. A cada novo dia, ela corre para o meu quarto e me apronta para o tapete vermelho que me levará direto para o sofá da sala, ou cadeira da cozinha. 

Não tive palavras para me desculpar sobre a falta na sua grande estreia em uma Ópera, porém, a garota entendia os fatos e não se sentiu ofendida, somente, desejosa de que um dia eu ainda a visse tocar em todo o seu esplendor. Acredito que tenha ficado pelo menos um trilhão de vezes mais chateada que ela, eu sempre quis assistir à uma Opera, pena que não deu certo. 

Se eu acreditasse em milagres diria que o Sol de 18° marcando o céu azulado de Ilsan fora uma providência divina. De verdade, eu não suporto mais passar horas e mais horas no mesmo quarto, fazendo absolutamente nada além de existir. Ter saído um pouco da minha torre e só sentar para tomar o café do lado de fora para uma pessoa confinada há séculos é melhor que panetone com gotas de chocolate no Natal.

Em falar em Natal, ele está logo ali. 

O Natal é nossa época preferida do ano. Nós dois. Appa e eu. 

Ele vem cobrando sem parar uma visita, e eu por minha vez, desconversando. Para não me sentir tão sozinha hoje além de poder vislumbrar a grama de perto, a Sra.Kim preparou um café da manhã especial cheio de quitutes aos quais eu não posso comer. Ao que parece a ahjumma só lembrou disso quando me viu sentada a mesa. Na lista de convidados além dos moradores habituais, incluindo Maggie, estavam Seokjin e até incrivelmente o carrapato que deveria estar morrendo sem a minha presença no hospital, Jooheon. 

Minha tuberculose não é mais contagiosa, na verdade, não é mais há um tempo, então, todos puderam dividir a mesa comigo. Porém, os efeitos prejudiciais continuam intrincados em mim e isso impossibilita qualquer ação que não envolva uma cama e uma bolsa de medicamentos. 

Pela manhã, enquanto Namso fazia um arco trançado no meu cabelo lavado e sem necessidade alguma passava batom nos meus lábios anêmicos, ela atendeu uma ligação do estagiário. Percebi que ambos tinham se aproximado bastante, talvez, após ele tê-la prestigiado segundo a ahjumma com muito afinco no dia da Opera. 

Apesar dos pesares, eu não poderia estar mais esperançosa com relação a esse achegamento. Na minha opinião, quanto mais próxima de Jooheon, mais longe de Hoseok. 

Em falar naquele idiota, ele tentou entrar em contato comigo diversas vezes. Nunca o respondi por além dos motivos óbvios, nem força para gritar e xingá-lo eu tinha, porém, isso não quis dizer que o Jung não se aproveitaria do status para obrigar os subordinados como o pobre estagiário a servir como pombo correio.

Pensei que Jooheon estava sendo somente educado ao me servir uma xícara do terrível chá de salgueiro branco, porém, além do chá, atuando como um verdadeiro agente secreto, quiçá, o James Bond coreano, ele me entregou um bilhete como se ali estivessem os maiores segredos da Yakuza*.

O chefe da cardio não escreveu nada explícito ou foi descarado de alguma forma, na verdade, no bilhete só tinham 2 linhas e a assinatura. Hoseok desejou melhoras e disse estar com saudades dos foras e ignorâncias que descarto em sua presença. 

Pensei em responder-lhe com uma mensagem e mandá-lo tomar naquele lugar ou algo assim, mas, talvez se estivéssemos em situações contrárias eu também desejasse suas melhoras, afinal, poucas pessoas merecem de verdade a morte. 

Inspirei. 

Os raios solares atingem minha face e eu fechei meus olhos respirando o mais fundo que podia. Mesmo sentada as pontas do vestido rosa que finalmente tive a oportunidade de usar se agitavam minimamente. Os pássaros, os insetos, o perfume das flores misturado ao dos pêssegos que por sua vez se aglomeravam todos em volta de um único aroma:

Canela.

— O que você quer Kim Namjoon? — perguntei sem abrir os olhos tendo a certeza de sua presença.

Ele riu soprado e pelo tom aumentado de sua voz, estava bem perto. 

— Como soube que era eu? — perguntou ousando tocar os cantos da minha face.

— Como não seria você? — Com esse cheiro??

Abri os olhos para dar de cara com ele agachado na minha frente mudando o olhar entre o penteado que a irmã preparou mais cedo e meus lábios avermelhados falsamente. Durante todo o café o vi repetindo esses mesmos atos, e de novo, e de novo, e mais uma vez.

— Pensei que não gostasse de rosas. — Afirmou franzindo o cenho para o ramalhete colorido.

Percebi seu olhar confuso e esclareci como o pestinha uma vez me respondeu. 

— Eu não gosto de rosas, mas essas são peônias. 

Ele pareceu achar graça da diferença ou talvez da minha boa vontade em esclarecer o fato. 

— Tenho uma surpresa pra você — disse logo depois, parecendo muito excitado. 

Embora fraca, nem a doença faria com que eu deixasse de ser eu.

— Não gosto de surpresas. — Anunciei com o tom de voz baixo sem conseguir cortar o olhar e desviar de seu toque. 

Odiar é uma palavra muito forte. Apesar de não parecer eu odeio de verdade poucas coisas nessa vida, como por exemplo, a sombra da mulher que um dia me deixou e que hoje vislumbro o reflexo quase idêntico através do espelho. 

Desgostar é diferente de odiar, porém, no fundo os sentimentos são iguais, só o que muda é a intensidade a qual você sente aquilo. E surpresas, de fato, não me agradam em nada. Não ter o controle de tudo a minha volta me deixa perdida. E eu odeio me sentir assim. 

— Eu estaria surpreso se gostasse.  — Afirmou deixando por fim de tocar meu rosto ao abrir o maior dos sorrisos do mundo sem mostrar absolutamente nenhum dente. — Mas dessa tenho certeza que você vai. 

[...]

Eu não faço ideia do motivo dele acreditar que eu gostaria de algo que não me agradava, porém, segui ao seu lado até o salão principal. Segui é muita coisa, o certo seria andei vagarosa e ritmicamente com o seu auxílio, sentindo suas mãos sobre meu corpo e meu peso sendo amparado pelo seu. 

Admitir é difícil e meio incomodo, porém, é complicado me fazer de rogada e não aceitar que ele se esforçava em parecer útil e solícito sempre que eu desejava pisar fora daquela prisão de quatro paredes. 

Quando não é ele, Kihyun ou Hyungwon se atracam a mim e eu os faço de encosto até estar no jardim que tanto desgostava anteriormente, observando o pestinha correndo para todos os lados com o pulguento em seu encalço, ou mesmo só na sala de TV assistindo documentários egípcios, enquanto Eunha pira com o álcool 70% no meu quarto. 

Porém, nenhum deles é tão delicado quanto Namjoon. 

O pior de tudo foi começar a perceber a quantidade de pressão que ele despejava em seus toques, o tanto de cuidado quando com as pontas dos dedos retirava os fios soltos do meu cabelo da face, o quanto ele deveria sorrir para que suas covinhas aparecerem completamente. 

Por que coisas tão irrelevantes foram se tornando tão relevantes para mim?

— Está se sentindo mal? — perguntou interrompendo nossa caminhada com o cenho franzido ao me analisar milimetricamente.

Sua dúvida veio com meus passos disformes e a olhada nada adequada em sua direção. Eu só poderia estar realmente delirando para encará-lo dessa forma assim do nada e em plena luz do dia. 

Tentei me afastar de seu toque, embora a mão pousada sobre minha testa e depois rente a curvatura do pescoço fosse tão cálida que meu corpo me impediu. 

— Não estou febril — Neguei rápido demais. — Preciso de uma pausa, só isso. — Menti uma mentira nem tão falsa assim, já que ainda tinha mesmo a pequena caminhada até o casarão como um suplício. 

— Então vamos ficar parados por um momento — disse simplista. 

Ele subiu a mesma mão pela minha face mantendo-me presa em seu aperto e mostrando preocupação com o olhar como se eu fosse feita de vidro. Porém, eu não sou. Eu sou feita de aço e nada, nada nesse mundo pode me quebrar. 

— Está melhor? — perguntou tão próximo quanto o possível. 

Seu hálito de canela que eu já sentia me atingiu em cheio da mesma forma que minhas pernas sem permissão bambearam. Eu me segurei em seus ombros com mais força e quando ele se abaixou me vi á cinco centímetros de distância de sua face. Tão próximos como se fossemos um quando voltei a sentir o acariciar lento de sua mão grande e quente deixando um formigamento incomodo por onde passava. 

Em seus olhos eu vi o que pretendia, ele estava vidrado na curva dos meus lábios abertos involuntariamente. 

— O que está fazendo? — Sussurrei sem uma gota de ar ao tombar a cabeça para trás.

Namjoon me segurou com mais força, tanta que quase um arfar escapou de meu corpo quando superficialmente ele deitou os lábios nos meus por apenas um milésimo de segundo. Segundo esse suficiente para que seu suspiro envolvesse nós dois. 

Foi tão rápido e tão leve que quase poderia não ser sentido, mas eu senti. 

Tuberculose não se passa por beijo, muito menos sexo, o bacilo se dissipa pelo ar, todos estão vacinados e eu nem sou mais capaz de transmiti-lo, mas isso não importa em nada.

Na última vez que nos beijamos eu quis, eu permiti seus beijos, seus toques, sua audácia. Ele me afastou mesmo querendo fazer comigo tudo o que eu queria fazer com ele, Namjoon não sabe separar emoções para ele sexo e amor estão relacionados, mas essa não é uma verdade para mim.

Certo??!

Detesto admitir que gostei dos beijos, dos carinhos e agora poderia facilmente submeter-me a sua hipnose velada, ao seu corpo másculo que me ocupa toda a visão, aos seus braços fortes que me seguram com tamanha gana. 

— Estou me perguntando como pode parecer que você quer meu beijo quando se recusa piamente a aceitar o meu amor. — Afirmou de forma baixa, séria. Seus olhos perfurando cada canto do meu ser. — Eu te ofereci um combo Olivia, prazer junto com amor, ou você tem os dois, ou nem um. 

Neguei com a cabeça. 

— Como você pode ser assim Kim Namjoon? — perguntei sem realmente querer uma resposta. 

Eu endireitei o corpo e me afastei o suficiente para ainda continuar sobre seu apoio, porém, de forma menos pessoal. 

Quer dizer, que tipo de cara de 25 anos pode agir dessa forma? Que homem busca por amor, amor e amor? 

O que de fato ele procura em mim?

O que eu estou procurando nele? 

Por que eu estou procurando algo nele??

— Você tem o seu jeito e eu o meu, a diferença é que eu te aceito mesmo quando não deveria e procuro enxergar além do que transparece, e você Olivia, fingi que não me vê. Mas eu sei que no fundo, bem no fundo, você sente algo, só falta admitir isso para si mesma. — Ditou.

Eu sinto?

Não!

EU NÃO SINTO.

NADA!

Meus olhos piscaram mais que o normal, não consegui e nem sei de fato se gostaria de dizer algo, apenas continuamos nossa procissão em silêncio com meus pensamentos enlouquecidos e deslocados até finalmente avistar o hall de entrada.

Com uma passada de cada vez avistei três das cadeiras da sala de jantar bem no centro do espaço, onde de frente a elas algo parecido como um palco ou palanque se dispunha por quase toda a extensão do hall. 

O pestinha dessa vez vestido com um conjunto de listrinhas estava sentado e com as pernas rechonchudas balançando ao lado da ahjumma. Isso me levou a crer que a cadeira vazia seria minha, mas a pergunta é, por que??

Bem destacado, o piano brilhante de Namso com a própria mantendo na face um sorriso um tanto suspeito em minha direção. 

Mas o que diabos... 

— O que significa isso? — Indaguei.

Como pensei que faria, Namjoon apenas ignorou minha pergunta e se juntou a sombra dos outros que eu vislumbrava por debaixo da grande cortina acerca do palco. 

Dobrei os braços na frente do corpo desconfiada e cansada pela caminhada até aqui, agradecendo por estar finalmente sentada. Ao meu lado, o pestinha que cismava em me visitar todos os dias cochichava algo com a Sra.Kim, ambos suspeitosíssimos. 

Há uma semana Sana o pegou no flagra bem na hora em que subia sorrateiramente as escadas em direção ao meu quarto. Ali suas visitas ilícitas se tornaram lícitas, pois, segundo a cozinheira, mesmo que ela o impedisse o filho bochechudo arrumaria um jeito de me ver. 

Devo confessar que gosto de passar um tempo com o pestinha e que nossa sessão diária de leitura falsa alegra meus dias monótonos, mesmo quando o pulguento do Apollonio está no meio. 

Nem um pouco disfarçadamente a mais velha dos Kim se divertia a minhas custas pela minha cara de paisagem por não conseguir a façanha de desvendar esse grande mistério. 

— Abra a boca e me diga o que sabe pestinha. — Semicerrei os olhos.

Jimin arregalou os olhos anteriormente pequenos e foi para a ponta oposta da cadeira.

Arfei. 

— A sua sorte é que nem para te beliscar eu tenho forças. — Suspirei desiludida e ele riu bem na minha cara. 

— Ela só ameaça, mas nunca me beliscou. — Ouvi o pivete admitir aos sussurros para a ahjumma, tapando metade da boca com as mãos como se meus ouvidos estivessem entupidos e eu surda.

Ah esse pestinha.

A Sra.Kim claro, respondeu com uma risadinha, mas quando encarei o pestinha ele se ajeitou na cadeira e passou os dedos na boca como se fechasse um zíper.

Que criança mais ousada.

— Ora doutora Olivia na minha opinião está praticamente curada visto que ainda no café conseguiu envergonhar Angelina no mínimo três vezes. — A senhora Kim soltou se referindo há mais algumas alfinetadas que deferi a bruaca da Angelina mais cedo. 

A última "convidada" para o meu café da manhã especial fora a tão preciosa Lina dos herdeiros Kim. 

Sua presença se deu apenas para acompanhar a ahjumma até a casa dos netos, só que chegando aqui, claro que pela insistência de ambos, ela ficou para o café. E por mais debilitada que eu possa parecer e estar, como poderia perder a oportunidade de irritá-la quando entoava com tanta devoção o nome de Wendy na frente de todos que acreditavam que nosso casamento falsificado, era real? 

Angelina ousou indagar o motivo de Namjoon não ter convidado a pediatra como se estivéssemos dando uma festança em casa e não um simples café da manhã para que eu somente por um dia não me sentisse sufocada pelas paredes do quarto.

Ao que parece a broa de milho preparada por Sana é o pãozinho favorito de Wendy, então, automaticamente passei a detestar a maldita broa de milho e só não a taquei na cara da governanta por não ter a força necessária para fazer uma mira perfeita. 

Ainda hoje, mesmo após todos esses meses na cabeça oca de Angelina eu cheguei de paraquedas na vida do seu adorado Kim Namjoon, ou melhor, Jonnie e não que eu possa contestar esse fato, porém, como nosso casamento é apenas comercial ela me tem como uma aproveitadora e não faz questão de esconder isso. Para Angelina, quem deveria estar ao lado de Namjoon e usando o tão cobiçado sobrenome dos Kim, era Wendy, entretanto, ele só não casou com ela, porque não quis.

A culpa não é minha. 

E sinceramente na minha opinião, repito, tanto faz como tanto fez. A bruaca não é a primeira pessoa a não ir com a minha cara e com toda certeza não seria a última, a questão é que enquanto o contrato que guardo junto com meus documentos importantes estiver em vigor, se ela, aquela, ou seja lá quem for não gostar ou aceitar a aliança brilhante que carrego no dedo, eu só posso lamentar. 

Na verdade, não lamento. 

— Por que parece que estou levando uma bronca por somente ter dito a verdade? — Indaguei ainda forçando os braços ao redor do corpo. 

Segundo a ahjumma eu poderia ter sido mais delicada em minhas palavras e relevado outras, mas, delicadeza ou fingir problemas auditivos, infelizmente nunca fizeram parte das minhas maravilhosas qualidades. 

— Porque somos da mesma família, e avós sempre estão repreendendo os seus netos, no caso neta. — Ela respondeu me oferecendo uma das mãos impecáveis através do pestinha no nosso meio. 

Apenas não me surpreendi totalmente com sua fala por pelo menos uma parte mesmo pequena de mim considerá-la como uma avó. Para a ahjumma, o Kim que compartilhamos em circunstâncias nada parecidas tem um peso muito grande. O meu Kim é temporário, ela não deveria esquecer disso, e muito menos eu. 

— A senhora sabe que eu não sou sua neta de verdade. — Lembrei sem encará-la. 

A senhora Kim desfez o meu cruzar de braços á força e segurou com firmeza uma de minhas mãos.

— Quando a vi criando confusão em Seoul dia sim, dia não e a paixão queimando como chamas vivas em seu olhar eu mesmo sem conhecê-la desejei que você fosse. — Admitiu com um dos seus sorrisos aconchegantes e calorosos.

Não faço ideia do que tem na água de Ilsan, mas esse povo vive sorrindo por aí, e eles sorriem para mim como se fosse algo normal mostrar os dentes a cada dois minutos de conversa. Sorrir não é típico na minha vida, mas quando algum deles sorri, eu sempre fico com vontade de fazer o mesmo. 

Acho que intimamente eu também queria ter uma avó como todos tem, e dividir com ela opiniões mais semelhantes do que as de um homem. Não que meu appa não seja suficiente, ele é, ele sempre foi, mas, com uma outra mulher seria diferente e bem ao meu lado tenho uma das melhores espécimes do mercado, pelo menos por um tempo. 

— Ok. — Concordei ousando retribuir não seu sorriso, mas seu aperto de mãos e achando graça da atitude do pestinha em pôr suas duas mãos gordas sobre as nossas com mais um dos seus sorrisos típicos e patetas. 

Antes mesmo de virar novamente para a frente do palco, uma canção familiar e apresentada de forma impecável começou a tocar.

Namso dedilha com maestria cada nota audível e então percebi qual música tocada. Retirei os fios soltos do penteado matutino de forma lenta ao mesmo tempo em que Namjoon transpassava a cortina vestido a rigor e com uma máscara cobrindo metade de sua face. Sua áurea obscura completa a melodia melancólica onde por fim, descobri o que tudo aquilo significava. 

— The Phantom Of The Opera. — Sussurrei. — Você... — interrompi minha própria fala por não conseguir montar uma frase a partir do que ocorria diante de mim. 

Quando os outros personagens surgiram no palco improvisado completando assim o elenco daquela peça, me vi analisando detalhadamente a minuciosidade de tudo aquilo e do que aquele gesto representava para mim. 

Seus olhos puxados se focaram como os meus se inundavam aos poucos pelos dele. Senti uma sensação de calor se alastrando por todo o meu corpo que não tinha absolutamente relação com a febre noturna que tive por tanto tempo. 

Incredulidade. 

Todas as palavras que sobrevoavam minha mente se perderam como eu mesma me perdi naquele instante. 

Eu nunca fui à uma Ópera, e por culpa da tuberculose perdi a única oportunidade que teria, mas agora, ele trouxe O Fantasma da Ópera para mim. 

Le Fantôme de l'Opéra.

Todo o musical foi baseado no livro do advogado, jornalista e escritor francês Gaston Leroux e publicado entre 1909 e 1910. 

The Phantom Of The Opera conta uma trágica história desenvolvida através de um triângulo amoroso passado nos bastidores de um antigo Teatro em Paris. O protagonista, Erik, ao contrário da maioria é um músico genial que carrega uma aparência deformada desde o nascimento, consequência essa do seu isolamento nos calabouços parisienses. 

Ele usa uma máscara que cobre parcialmente sua face, fazendo jus aos contos de que a Opera é assombrada. Quando uma jovem e bela órfã é acolhida pelo Teatro, ele através das paredes a envolve no mundo da arte e a ensina a cantar dizendo ser seu "Anjo da Música". Ao longo dos anos ele não ousa revelar-lhe sua verdadeira face por medo, pois, além do amor pela música, o Fantasma desenvolve uma paixão obsessiva por Christine. 

Quando Raoul, o primeiro amor da jovem retorna e eles voltam a se aproximar atrapalhando assim toda a rotina de ambos, Erik motivado pelos ciúmes a sequestra finalmente revelando seu verdadeiro eu. 

O Fantasma confessa seus sentimentos nas catacumbas dos subsolos do Teatro, implorando pelo seu amor e pela sua voz como companhia. Enfurecida, Christine arranca a máscara que se sobrepunha sobre sua deformação e envergonhado e enraivecido, ele a manda de volta, porém, quando Raoul a pede em casamento, Erik a sequestra pela segunda vez e a força a se casar com ele afirmando que caso ela resista, seu amor pagará com a vida. 

Ela concorda e levanta sua máscara para vislumbrar sua face totalmente e beija seu rosto apesar da deformidade. Erik emocionado confessa que nunca havia sido beijado e chora de tristeza ao tomar uma decisão por amor, deixá-la partir mesmo sabendo que sua amada iria direto para os braços de outro. 

O Fantasma a faz prometer que voltará quando ele morrer para devolver o anel de ouro que havia a presenteado anos antes, a jovem concorda também aos prantos e vai-se. 

Não muito tempo depois Erik morre de amor, Christine retorna ao Teatro e cumpre sua promessa ao enterrá-lo em um local secreto junto com seu anel de ouro. 

Uau.

Essa é uma estória tão, mais tão triste que eu mal consigo respirar.

Meus olhos não piscam, meu corpo responde em excitação a cada fala audível que chega até mim, me sinto vidrada, hipnotizada, perdida.

Eles fizeram isso por mim, para mim. 

Namjoon se vestiu de Erik, Seokjin de Christine e Jooheon de Raoul, e apesar de não ter uma orquestra completa ou a melhor iluminação, eu tenho Namso e meu vestido rosa de organza. 

Sorrir parece tão fácil nessa situação. 

Eu sorrio, sorrio e sorrio mais um pouco ao analisar Kim Namjoon se fingindo de morto aos pés de Seokjin com Jooheon a pouca distância, todos ainda focados na atuação. 

Eu me pergunto, quando tempo dura a felicidade?

Por quanto tempo isso que estou sentindo fará meus olhos, meu corpo, minha essência flutuarem em conjunto e envoltos da melodia que ainda é tocada pelos dedos ágeis de Namso?

Endorfina, Serotonina, Dopamina, Oxitocina e Anandamina, tudo dentro de mim está em festa. 

Não faço ideia da última vez em que havia sentido algo como felicidade. Não tenho o conhecimento se alguém no mundo, se uma das mais de 7 bilhões de pessoas nesse instante que estão aprisionadas nessa bola giratória gigante e azul é mais feliz do que eu. 








 

 


Notas Finais


A Nicole Scherzinger apresentou a música tema da peça no Teatro Royal há alguns anos atrás.

The Phantom Of The Opera
https://www.youtube.com/watch?v=69qSSrDIGPI

Bonito e cativante. Excêntrico e hipnotizante. <3


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