História Uncertain Future - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Black Pink, CrystaL Clear (CLC), Got7, TWICE
Personagens Chaeyoung, Dahyun, Elkie, Jackson, Jennie, Jihyo, Jisoo, Jungyeon, Lisa, Mark, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Rosé, Sana, Seunghee, Sorn, Tzuyu
Tags 2na, 2yeon, Blackpink, Chaelice, Chaelisa, Chaetzu, Chaeyoung, Chaeyu, Crianças, Dahmo, Dahyun, Família, Fanfic, Girl&girl, Got7, Jacksonwang, Jensoo, Jeongyeon, Jihyo, Jikook, Kpop, Lalisa, Lisa, Markson, Marktuan, Mimo, Mina, Momo, Nayeon, Rose, saida, Sana, Twice, Tzuchaeng, Tzuyu
Visualizações 495
Palavras 3.998
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoinhas!!!!!!!!!!!

Eu finalmente me organizei nessa fanfic e decidi que os dias de postagem dela serão toda sexta, se eu consegui atualizar mais de um capítulo durante a semana ele será postado na sexta.

Então toda sexta-feira aguarde-me que eu estarei postando os capítulos para vocês, quase eu me atrase com algo farei de tudo par postar o capítulo um dia depois do atraso mas irei tentar ao máximo concluir os capítulos antes da sexta (mesmo estando em época de revisão)

Pois bem, vamos ao capítulo porque eu já enrolei demais.

Capítulo 4 - I Don't Remember


Fanfic / Fanfiction Uncertain Future - Capítulo 4 - I Don't Remember


Sorte é uma palavra que não se encaixa mais em meu vocabulário.
Eu teria agradecido se o filme tivesse sete horas de duração, estava sendo incrivelmente fácil cuidar daquelas duas praguinhas quando estavam caladas.
A quietude que se instalava pelo local era realmente muito boa, mas eu não tinha sorte então assim que os créditos começaram as duas crianças deixaram de lado o silêncio e começaram a falar tantas coisas que eu acabei me perdendo.
Deus, odeio o fato de eu ser mãe de duas crianças pequenas e eu direi isso até o dia do meu velório.
Qual a parte de "eu odeio crianças" o destino não entendeu?
Talvez ele estivesse fazendo de propósito, evidentemente estava. Eu tenho total certeza disso.
— Omma, estou com fome. — Taeyang disse deitando sua cabeça em meu braço.
Por falar nisso eu odiava esse costume dos meus supostos filhos, nunca gostei de muito contato com outras pessoas. A não ser que a pessoa fosse um jogador do time de futebol super perfeito e é claro rico.
Mas eu tinha que agradecer ao destino por eles terem quatro anos, eu precisava pensar no lado bom. Não eram bebês, ao menos eu não trocaria fraldas de ninguém.
Isso seria nojento.
— Não posso fazer nada. — falei me afastando dele.
Sun-Hee riu inocentemente e balançou com a cabeça diversas vezes.
— Omma Zuy está chateada com você porque brigou com aquele garoto. — disse a garotinha enlaçando os braços em sua boneca.
Ela tinha me chamado de Zuy? O quê?
— Mentira! — bradou o menino. — Omma não sabe, só se você contou.
— Hum, não contei nadinha. — disse a garota. — Talvez a tia Yeri tenha ligado para as mamães e contado que você brigou com o Suk.
O menino fez uma careta e cruzou os braços.
— Ele é um idiota. — disse Taeyang cruzando os braços. — Fica se gabando por aí somente porque tem dois pais.
— Ele tem dois pais? — perguntei encarando o menino.
— Sim, e ele fica dizendo para todo mundo que é bem mais legal que todo mundo.
— Babaca. — resmunguei revirando os olhos.
— Sim, mas nós temos duas mães Tae. — Sun-Hee sorriu de maneira reconfortante. — É bem melhor não é?
— M-Mas eu não tenho nenhum appa para jogar futebol comigo. — disse o garotinho aparentando estar triste.
Ao ouvir o que ele disse pensei melhor sobre sua frase, ele poderia ser só uma criança mas de alguma forma estava sendo preconceituoso.
Franzi as sobrancelhas ao refletir sobre isso sentindo uma onda elétrica de raiva inundar meu corpo.
Eu odiava preconceito.
Porra destino me fazer ter um filho homofóbico foi realmente uma tacada de mestre viu?! Acho que você realmente deseja que eu acabe assassinando o pirralho.
— Quer dizer que você queria ter um appa?! — perguntei o olhando incrédula. — Mas e a sua mãe? Ela se esforça tanto pra cuidar de você, criança. Acha isso justo com ela? Ela saiu para trabalhar no sábado, sábado! Somente para que você tivesse comida e uma roupa para vestir. Sinceramente acho que você está sendo egoísta ao pensar dessa forma.
Taeyang permaneceu calado piscando os olhos diversas vezes enquanto poucas lágrimas escorriam deles, Sun-Hee apenas encolheu-se e ficou apertando a boneca em seus braços.
Ótimo! Acabei de dar um sermão parcial sobre homofobia para um garoto de quatro anos.
Certo, eu exagerei. Exagerei tanto que tive que revirar os olhos depois de ter acabado de falar; entretanto, eu havia esquecido completamente que ali tinha duas crianças e que meu tom de voz não estava calmo e sereno.
Eu sei que exagerei, agora me sentia como se fosse realmente mãe deles. Que horror!
Taeyang não chorou, somente deixou as lágrimas escorrerrem de seus olhos castanhos e sem olhar para mim disse:
— D-Desculpe omma Zuy, eu não estava reclamando. Eu amo você e a omma Chae mas eu só queria ter um appa igual aos meus amigos.
Respirei fundo antes de dizer.
— Não foi nada, eu acho que entendo.
Na verdade eu não entendia, somente disse aquilo porque não queria ser a culpada pela morte de uma criança e muito menos gostaria de ver ela chorar, principalmente Sun-Hee que estava encolhida e com um olhar distante. Eu não suportava choro de criança me dava uma terrível vontade asfixiá-las com um travesseiro.
— Mamãe está irritada comigo? — perguntou ela se abraçando com a boneca.
— Não. Por enquanto. — suspirei pesadamente antes de prosseguir. — Vou tentar fazer algo para vocês comerem.
Eu não queria fingir ser babá de ninguém, principalmente agora que eu estava a fim de matar Taeyang por ter tido aquele maldito pensamento por uma fração de segundos. Ele era uma criança de sorte, tinha duas mães. Algumas crianças somente queriam ter uma e infelizmente não podiam.
Eu também não queria tentar cozinhar e acabar queimando a casa, mas esse era um bom jeito de evitar aquelas duas pragas antes que Sana chegasse, que aliás estava mais do que atrasada.
Eu sei que ela tinha dito que viria depois do almoço mas o certo seria ela vir minutos após de eu ter ligado, já que eu estava em uma situação desesperadora e a qualquer momento poderia ter um infarte.
Não estou sendo dramática, eu estava a ponto de ter um infarte seguido por outros dois.
A cozinha era o cômodo mais calmo da casa, por essas e outras era o mais entediante também.
A cerâmica quadriculada das paredes faziam ela parecer ainda mais chata, tinha algumas panelas espalhadas ao redor do ambiente sendo que algumas estavam guardadas em um armário de madeira branca nada refinado, uma geladeira simples, uma mesa revestida em madeira com quatro cadeiras ao seu redor e um fogão de seis bocas. Sem falar na pia de concreto que estavam cheia de louça suja do café da manhã.
Fiz uma cara de nojo observando todos aqueles pratos e copos espalhados dentro da pia, aposto que se fosse em minha antiga casa eles já estariam limpos e esterelizados.
Passei meus olhos por todo âmbito procurando algum sinal que pudesse me revelar do quê duas crianças de quatro anos se alimentariam, se fossem bebês eu poderia me arriscar a fazer mingau ou dar aquelas coisas nojentas quem vem dentro de potinhos e geralmente são feitas a base de frutas.
Entretanto, mesmo não tendo nenhum bebê ali havia uma mamadeira com detalhes em rosa secando no escorredor.
Ela estava tampada e provavelmente pertencia a Sun-Hee, será que mingau de aveia faria ela calar a boca ao menos até que sua mãe chegasse do trabalho e assumisse total responsabilidade de cuidar dela e de seu irmão?
Suspirei pesadamente ao perceber que isso provavelmente não funcionaria, e em passos pesados caminhei rumo a geladeira abrindo-a logo após que fiquei alguns centímetros de distância.
Não tinha nada de interessante nela, somente verduras algumas frutas vermelhas e mais coisas nutritivas.
Vasculhei toda geladeira e a única coisa que achei que realmente tivesse um bom gosto foi uma barra de chocolate branco comida pela metade, revirei os olhos com descaso e voltei a guardá-la em seu "esconderijo" no fundo da geladeira.
Peguei a droga das verduras e decidi fazer uma salada, ao menos isso eu sabia fazer. Por mais que a governanta sempre mandara eu parar de bancar a cozinheira e deixar que o meu chefe particular preparasse a salada.
Como uma boa garota rica eu tinha diverso empregados, desde de mordomo a motorista. Uma governanta, a cozinheira e dentre outras profissões que recebem uma pequena quantidade de dinheiro para cuidarem do meu bem-estar. Se eu fosse eles me sentiria honrada por estar no mesmo cômodo que minha pessoa, imagine se eles tivessem a chance de me verem todos os dias e conviverem comigo.
Nessa realidade eu tive tudo isso, porém não dei valor. Porque obviamente eu não posso ter dado  valor ao que tinha se eu tivesse escolhido morar em uma casa minúscula sem nem mesmo ter uma babá para aquelas duas crianças que alegavam ser meus filhos.
Deixei que meu corpo desmoronasse em uma cadeira permitindo que poucas lágrimas escorressem por meus olhos.
O destino era tão injusto comigo, eu nunca fui uma pessoa cruel.
Passei a manga da minha blusa em meus olhos limpando as lágrimas e me levantei da cadeira pegando o prato de salada e voltando para sala, não queria que nenhuma das duas crianças dessem por minha falta então o melhor era eu tentar fingir que estava tudo bem.
— Aqui, comam e não reclamem. — falei entregando o prato para as duas crianças que fizeram uma leve careta mas nada disseram.
Chaeyoung tinha me avisado sobre doces, então eu não queria simplesmente permitir que os filhos dela comessem algo que ela não havia deixado.
As duas crianças pareceram estarem acostumadas com vegetais, já que estavam comendo a salada sem reclamar, ou eles somente eram muito obedientes.
Mudei o canal da tevê tentando achar algo para me distrair enquanto Sana não chegava, acabei por deixar em um canal que só passava séries americanas. Eu costumava assisti-lo com Momo e Jihyo quando elas iam para minha casa.
— O quê é isso, omma? — perguntou Taeyang levando sua atenção para a tevê.
— Pretty Little Liars. — falei sem olhar o menino. — A melhor série da história das séries.
Olhei de soslaio para as crianças vendo Sun-Hee franzir as sobrancelhas em uma expressão de dúvida.
— É bem velha. — disse a menina.
Revirei os olhos, ela não precisava me lembrar que não era mais 2016 indo para 2017.
— Eu sei. — resmunguei enquanto observava uma cena em que mostrava as personagens Emily e Alisson.
— O quê elas vão fazer? — perguntou Taeyang parecendo interessado.
— Estão se beijando como a omma Zuy e a omma Chae naquele dia em que fomos pra casa da tia Dahyun. — Sun-Hee disse dando de ombros.
Olhei para a garotinha tentando entender por qual motivo ela disse aquilo.
— Hum… não. Elas estão se beijando igualzinho a uma vez que eu entrei no quarto delas sem bater.
Arqueei as sobrancelhas e abri levemente a boca ao ouvir o garoto.
Como assim, meu Deus?
Olhei para a tevê novamente vendo as duas quase se comendo ali mesmo.
Droga!
Peguei o controle remoto e mudei de canal rapidamente colocando em um canal mais apropriado para crianças.
— Por que mudou, omma? Eu tinha gostado dessa série. — reclamou Taeyang.
— Não seria legal se você visse aquilo. — eu disse simplesmente.
Sim, eu iria me foder caso deixasse Sun-Hee e Taeyang assistirem a uma cena de sexo lésbico. Além de traumatizá-los.
Porém estávamos quase quits por eles terem me feito imaginar o que eu e Chaeyoung estávamos fazendo quando Taeyang entrou no quarto sem bater — e devo agradecer a Deus por ele ter entrado, isso me poupa os detalhes.
— Por que? — perguntou o menino. — Era só um beijo. Você e a omma Chae vivem se beijando daquele jeito.
Ao ouvir o que ele disse minha expressão mudou repentinamente para uma de nojo.
— Não, eu nunc-
Parei de falar quando percebi que eu nunca faria isso, porém a outra Tzuyu já tinha feito.
— Fez sim! — disse Sun-Hee com a voz determinada.
Revirei os olhos para o protótipo de Chaeyoung — isso pelo fato das duas serem demasiado parecidas — e disse:
— Eu prefiro acreditar que não.
— Mas fazem! — disse Taeyang.
— Espere, o quê fazem? — perguntou Sun-Hee mesclando entre confusa e pensativa. — O quê vem depois do beijo?
Taeyang se calou e ficou com uma expressão pensativa também.
Senti um leve rubor em minhas bochechas ao ouvir o quê as duas crianças tinham dito.
Jesus, isso é para eu aprender a não deixar eles assistirem PLL sem censurar algumas partes.
— Eu prefiro que por enquanto vocês fiquem sem saber. — falei tentando fazer com que o rubor cessasse.
As duas crianças olharam para mim confusas e disseram em uníssono:
— Por que?
— Porque sim, porque isso destruíria os pensamentos de vocês e porque eu iria ser morta caso contasse. — falei no meu melhor tom dramático e suspirei pesadamente.
Taeyang pareceu se convencer do que eu havia dito e somente deu de ombros.
— Não quero que a omma morra. — disse o garoto me abraçando.
Suspirei pesadamente forçando um sorriso logo após, estava tentando controlar minha vontade de empurrar aquela criança.
— M-Mas por que? — perguntou Sun-Hee ainda não parecendo estar convencida.
Encarei a garota com meu olhar fulminante e isso fez ela encolher os ombros e abaixar a cabeça.
Ao menos isso surtia efeito, eu não queria ser obrigada a matar uma criança.
Taeyang pensou em dizer algo mas o menino foi interrompido pela buzina de um carro.
Levantei do sofá com um sorriso esperançoso no rosto e quase corri em direção da porta.
— Quem é? Mamãe já chegou? — perguntou Sun-Hee parecendo um pouco alegre.
Eu não respondi somente disse:
— Finalmente.
Depois disso eu abri a porta quase pulando de alegria, não porque ia ver Sana mas sim porque eu estava apenas a um passo de voltar para minha realidade.
— Sana! — gritei correndo na direção do carro.
Pensando bem, ela era rica porque tinha que ser rica para ter aquele carro, vulgo era uma BMW.
Estou vendo que todo mundo se deu bem nessa droga de realidade menos eu.
Esse carro me fazia lembrar a época em que eu tinha vários carros que na verdade eram do meu pai, isso me fez ficar depressiva por alguns minutos.
A porta do carro se abriu revelando minha suposta melhor amiga, que agora estava totalmente diferente do que eu me lembrava dela.
Na última vez que eu vi Sana foram a três semanas atrás, — na verdade dez anos e três semanas atrás — eu acabei discutindo com ela como sempre mas isso foi porque ela ousou atravessar meu caminho e eu simplesmente odeio quando alguém faz isso, somente se fosse um dos jogadores aí eu não me importaria com isso.
Ela tinha uma face muito angelical antes, se bem me lembro. Seus cabelos estavam tingidos de loiro e claro, ela era dez anos mais nova do que é agora.
Como eu disse, sua face está mais adulta agora e os cabelos outrora loiros assumiram a cor natural.
— Eu acho muito bom que seja sério, sua praga dramática. — foi a primeira coisa que ela disse.
— É sério, é muito sério. — falei tentando conter a vontade de bater nela por ter me chamado de dramática.
— Chaeyoung fez greve de sexo? — perguntou ela cruzando os braços.
Ao ouvir o que ela disse minha expressão virou um mesclado de nojo e raiva.
— O quê?! Você está maluca, eu não te chamaria aqui por esse  motivo.
— Se não é isso então o que é? Não me diga que ela pediu para ter outro filho, se for isso eu juro que bato em você.
Minha expressão se tornou séria rapidamente.
— Tente parar de adivinhar o que aconteceu. Não é nenhuma dessas besteiras, é sério.
Sana arqueou as sobrancelhas ao me ouvir e encostou sua mão esquerda na minha testa.
— Ok, cheguei a conclusão que você está realmente com problemas.
— Você acha?! — disse com sarcasmo.
— Fala logo o que aconteceu, demônia.
Suspirei pesadamente, ela iria achar que eu sou louca se dissesse a verdade. Mas talvez tinha algum modo de falar, acho que tinha.
— Eu meio que…
— Você o quê? — perguntou ela me interrompendo. — O quê você fez?
Respirei fundo tentando ter coragem de dizer aquilo, não a total verdade do que tinha acontecido comigo mas o que as pessoas acreditariam.
— Eu acho que não lembro de nada que ocorreu nos últimos dez anos. — disse finalmente fazendo Sana assumir uma feição preocupada.
— Você está com amnésia? Como não me avisou isso antes?
— É que não é simples assim. E-Eu não sei o que aconteceu comigo, somente acordei hoje e não me lembrava de nada.
Sana pareceu confusa após me ouvir dizer tal coisa. Claro que essa não era totalmente a verdade, mas a verdade parecia algo incerto e difícil de se compreender e é claro, eu não queria aumentar minhas chances de ir parar em um manicômio.
— Você tem algum problema de memória?
Suspirei pesadamente e neguei com a cabeça.
Sana permaneceu em silêncio por longos segundos até finalmente decidi que deveria dizer algo; entretanto, quando a mesma decidiu falar algo uma voz infantil atrapalhou tudo.
— Tia Sannie! — gritou Sun-Hee praticamente pulando em cima da minha suposta melhor amiga.
Sana rapidamente mudou a expressão para um leve sorriso no rosto e colocou a criança no colo.
— Hey, baixinha. — Sana sorriu amplamente para a menina. — Andou desenhando muito, hum? — perguntou ao perceber que havia algumas manchas de tinta de canetinha no rosto de Sun-Hee.
— Sim! Eu adorei as canetinhas que a tia Dahyun me deu de presente de aniversário. — a menina disse abraçando Sana como se não a visse a anos.
Revirei os olhos e me afastei um pouco, a atenção deveria ser mantida em mim. Eu que estava com problemas. Por isso que eu odeio crianças, elas conseguem tudo somente se fizerem aegyo.
— Gostou só do presente da tia Dahyun?! — perguntou Sana fingindo estar triste.
— Não. — riu Sun-Hee. — Eu amei aquela boneca que você me deu, eu amo a Rapunzel. — disse ela alegremente.
Sana sorriu ao ouvir o que a menina disse.
— Você me disse que amava as princesas da Disney, lembra?
— Sim! Mas a minha favorita sempre vai ser a Elsa.
— Sun-Hee, poderia ficar um pouquinho com o seu irmão? Eu e Sana precisamos conversar. — falei tentando soar o mais serena possível.
Claro que eu estava a expulsando, porém não podia fazer isso de um jeito rude.
— Já sei, conversa de adulto. — disse a menina parecendo um pouco desanimada.
— Yeah… isso. — respondi brevemente.
Sana colocou a menina no chão e a mesma correu para dentro de casa, depois de alguns segundos ela suspirou e olhou para mim.
— Agora você vai me contar tudo o que aconteceu.
Olhei em volta notando que ainda estávamos paradas na calçada da casa em que eu estava morando agora.
— Aqui não. Vamos conversar lá dentro.
                        ***
Foi bem difícil convencer Taeyang de que eu precisava conversar a sós com Sana; entretanto, depois de eu colocar um dos filmes que estavam espalhados por uma das gavetas do criado-mudo, as crianças finalmente calaram a boca e passaram a prestar atenção no filme.
Levei Sana até a cozinha onde teríamos total sossego para tratar desse assunto, todavia eu não conseguia explicar para ela que eu não sabia como isso tinha ocorrido. Na verdade eu sabia, mas eu queria continuar aparentando ser uma pessoa normal.
— Então você simplesmente não sabe como isso aconteceu? — perguntou ela me fazendo assentir como uma breve resposta. — Qual é a última coisa que se lembra.
— Baile de formatura do ensino médio. — respondi rapidamente.
Sana ficou surpresa por alguns segundos antes de dizer:
— O quê?! Isso foi em 17 de dezembro de 2016. Pelo o que estou vendo o caso é sério mesmo.
Claro que é sério, pensei enquanto tentava manter minha paciência.
— Foi estranho para mim acordar e descobrir que sou casada e tenho filhos. — disse com um certo desgosto já que esse não era meu desejo. — O quê aconteceu depois do baile?
— Faculdade?! — Sana falou em tom de questionamento, mas eu pude sentir a ironia.
— Estou falando sério.
Sana riu baixo e eu permaneci séria.
— Tá. Depois do baile você decidiu que ia fazer faculdade de moda, Dahyun se focou em literatura e eu fui fazer psicologia. — disse ela dando de ombros. — Na verdade, eu nunca esperei que você fosse fazer faculdade de moda já que antes você queria fazer medicina.
Revirei os olhos ao ouvir o que ela disse. Credo, eu nunca faria medicina em toda minha vida.
— E a Chaeyoung? Por que ela trabalha em um Starbucks.
Sana respirou fundo antes de dizer:
— Ai sua praga ingrata, isso é parcialmente por sua culpa.
Franzi as sobrancelhas ao ouvir ela.
— Minha culpa?
— Sim, quando nós começamos a fazer faculdade Chaeyoung tinha optado por fazer designer gráfico pois ela sempre amou desenhar, assim como a Sun-Hee. Aliás elas são muito parecidas.
Não me diga.
— E? — perguntei me interessando um pouco na história.
— E que quando sua mãe descobriu que você era lésbica ela te expulsou de casa.
— O quê?! — bradei surpresa.
Bem, eu não sei porquê eu estava tão surpresa já que era evidente que Huang Yen-Ling, minha mãe, não aceitaria uma filha lésbica. Mas eu era sua filha favorita — e única, mas isso não vem ao caso — então foi meio decepcionante ela ter me expulsado de casa por esse motivo.
E eu era contra a homofobia e qualquer tipo de preconceito do gênero. Não acredito que fui expulsa de casa por isso.
— Ei calma, você já superou isso ok? Não sei o quê está acontecendo com você mas precisa se lembrar que isso já passou e não tem mais nenhum motivo para lamentar-se por isso. — disse Sana tentando me acalmar.
Respirei profundamente piscando os olhos diversas vezes e disse com a voz frágil:
— C-Continue.
— Então como você não tinha onde ficar, Chaeyoung a levou parar morar junto com ela e Nayeon em um apartamento que elas tinham alugado assim que iniciaram a faculdade. Bem, é claro que ela não deixaria você sozinha em um momento como aqueles, nem nós.
— E o quê aconteceu depois?
— Como eram três pessoas naquela casa e somente uma delas trabalhava em meio período, Chaeyoung decidiu deixar a faculdade para trabalhar em período integral no Starbucks. Então você tem muito o que agradecer a ela, se ela não seguiu seus sonhos foi por sua causa.
Não sei se ela estava tentando me comover ao dizer isso, mas de qualquer forma eu não me comovi com esse ato. Afinal de contas não fui eu que obrigou ela a sair da faculdade, se ela fez isso foi por vontade própria.
— E sobre Taeyang e Sun-Hee?
— Uns meses depois que você e a Chaeyoung se casaram, eu não sei por qual motivo você decidiu que queria ser mãe. Tipo ter uma família como as outras pessoas.
Tentei evitar rir ao ouvir o que Sana disse, era realmente estranho pensar em minha pessoa querendo ser mãe de uma crianças.
— Então, nós decidimos fazer inseminação artificial?!
— É, como na inseminação artificial tem mais chances de nascer mais de um bebê foi isso que ocorreu. De oito espermatozoides dois foram fecundados.
— Eu fiquei grávida?!
— Como se você fosse querer tal coisa, logo você. — ela disse com tamanho sarcasmo que eu não sabia mais se ela estava se referindo a outra Tzuyu ou a mim. — Claro que não, você queria ser mãe mas não queria ficar grávida.
Ao menos um pouco da minha verdadeira essência está aqui nessa realidade terrível na qual fui abandonada pelo destino.
— Isso é algo bem eu. — comentei sorrindo um pouco convencida.
— Sim, você sempre vai ser a rainha do drama. Não importa o quê você diga ou faça, você sabe muito bem que é o drama em pessoa.
Revirei os olhos ao ouvir o que ela disse.
— Eu não sou dramática. — disse semicerrando os olhos.
Sana riu baixo.
— É sim.
Me mantive calada pois não estava a fim de bater nela, pelo menos por enquanto. Até que nessa realidade ela não era tão insuportável, com exceção de algumas coisas claro.
— Eu acho que isso já me ajuda em algo.
— Eu ainda quero entender como você teve essa perda repentina de memória. Não é algo muito comum.
Sim, não era comum porém era mais normal do quê uma pessoa ir parar em um universo paralelo totalmente oposto ao seu.
— Eu acho que estou me lembrando das coisas lentamente, deve ter sido besteira. — falei calmamente.
Sim, agora que eu sabia como eu era nessa realidade essa desculpa que dei era realmente uma grande besteira.
Agora eu precisava me focar nessas coisas que eu sabia sobre mim e achar a forma de voltar para minha realidade.
Claro, eu era totalmente ao contrário dessa minha versão. Mas precisava ter alguma coisa nela que não tinha na outra. Algo que fosse a palavra-chave para a razão que eu estava aqui.
É claro que seria muito mais fácil se o destino me dissesse "Para voltar para sua realidade você precisa…" mas ele estava complicando para mim e tenho certeza que estava fazendo isso de propósito.


Notas Finais


Eu espero que o capítulo não tenha ficado muito chato, porque eu o mostrei para uma amiga e ela disse que estava meio chatinho.

Mas garanto que melhorarei no próximo capítulo, principalmente porque estamos indo exatamente para minha parte favorita.


Pois bem, me despidirei de vocês.

Até próxima sexta!
See ya :)


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