História Under the blue moon - Capítulo 6


Escrita por: e Laisrodric

Postado
Categorias EXO, Harry Potter
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Hp!au, Ot12, Slow Burn, Sulay, Tags Adicionais No Futuro, Todo Mundo É Pansexual
Visualizações 34
Palavras 13.849
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi :3
Olha eu realmente preciso de um word no meu computador, passei um sufoco deixando tudo em itálico.
Como vocês estão?
Espero que gostem do capítulo, avisos nas notas finais (Leiam os avisos antes, caso não queiram surpresas ^^)
Boa leitura!

Capítulo 6 - Sorriso de Coração - Pt. II


Junmyeon não entendia como a comunal ficava tão vazia aos finais de semana e nenhum monitor ou professor parecia notar esse fato. Revirou na cama preocupado, Tao estava fora e ele sabia o quão medroso o menino era. Fora um outro companheiro de quarto que pareceu ter evaporado, depois de uma semana em que mal se falaram. Irritado levantou da cama, sabia que não ia conseguir dormir, conferiu o relógio que estava na cabeceira que indicava ser pouco mais que duas da manhã. 

Pegou sua varinha e iluminou ao seu redor vendo Remo agitado dentro da gaiola, ia se aproximar do animal quando a porta foi aberta em um rompante e viu Byun Baekhyun e Huang ZiTao entrarem com as roupas meio sujas de sangue, assustado foi em direção aos dois. 

— Cadê o Zhang? – Baekhyun disse antes que Suho pudesse falar qualquer coisa. 

— Por que não me surpreende te encontrar aqui, Baekhyun? – bufou o Kim enquanto se aproximava dos mais novos conferindo o rosto de Tao – O que diabos vocês estavam fazendo?

— Um puta sexo selvagem, as coisa saíram um pouco do controle – disse debochado Baekhyun, fazendo Suho estreitar os olhos enquanto Tao ria baixinho.

— Me matou de rir, Byun. E você, ZiTao? Olha seu estado! O que tem na cabeça? – dizia cada vez mais irritado – Chegando depois do toque de recolher e ainda por cima volta todo arrebentado horas depois de cumprir detenção!

— Okay, papai. Mas agora onde o Yixing está? – Baekhyun perguntou novamente. 

— Em alguma festa, sei lá. Acho que hoje ele não vai voltar apto a usar magia sem destruir a sua cara –  Junmyeon falou depois de respirar fundo e olhar para Tao que já tinha os olhos baixos, culpados. – Eu posso limpar isso e você volta aqui amanhã, ou vocês podem ir até a enfermaria cuidar desses machucados e aproveitarem pra receber a punição que merecem. 

Baekhyun revirou os olhos e teve que se segurar para não dar mais uma das suas respostas ácidas enquanto Suho cuidava dos machucados dos garotos. Quando estavam mais apresentáveis, o grifano se despediu e foi em direção a sua comunal deixando Tao para receber um longo sermão sobre responsabilidade do terceiranista. 

— Espero que isso não se repita, não deveria começar o ano assim. – Terminou Junmyeon enquanto alisava os cabelos do Huang que estava deitado em sua cama quase adormecido. 

Observou o mais novo que dormia tranquilamente com as gatas – Pompom e Pickles – se aninhando em seu corpo, e pensou em se juntar a ele no mundo dos sonhos, mas a ideia sumiu da sua cabeça quando viu Zhang Yixing entrar no quarto com passos trôpegos. Poderia ter ficado quieto e ir para cama, no entanto nunca era indiferente quando o assunto era o chinês. 

— Estava me esperando, Jun? – Lay disse abrindo um sorrisinho bêbado. 

— O mundo não gira em torno de você, Yixing – Bufou Junmyeon tentando não notar que, mesmo naquele estado, ele ainda era lindo – Você está fedendo a álcool. 

— Vai me dar um banho? – Yixing o provocava com uma naturalidade que não conseguia entender. 

— Não – Mas ainda assim assim se aproximou do outro o puxando para o banheiro. – Só que você realmente precisa de um banho!

Yixing riu de leve notando as bochechas coradas do menor, ele sentia saudades de beijar aquela boquinha pequena. 

— Você toma banho com Tao todo dia – disse fazendo manha. 

Ignorando as reações que todo aquele charme causava em si, apenas o levou até o box, e ajudou com as roupas ainda tentando manter o controle. 

— Vai continuar flertando comigo? Posso trazer alguém que caia no seu flerte. – Junmyeon falou enquanto se afastava do garoto que agora entrava no box.

— Mas eu não quero outras pessoas... – a frase dita meio enrolada foi o suficiente para Suho encarar os olhos pequenos que estavam concentrados nele – Eu quero você!

— Não parecia quando se esfregava em outras pessoas por aí –  Quis voltar atrás assim que as palavras saíram da sua boca, mas era difícil raciocinar com o coração tão acelerado. 

Yixing riu, um riso fofo mostrando as covinhas e saiu do box com o jeans ainda no corpo, aproximou-se de Junmyeon juntando seu corpo ao dele e sussurrou:

— Essas pessoas… Não são importantes – passou a boca lentamente pela clavícula do menor – Eu gosto de você.

Estava a um ponto de ceder as carícias e as palavras sussurradas, mas sabia que flertar era um dos hobbies do Zhang então apenas o empurrou de volta para o box ligando o chuveiro e saindo do banheiro. 

Quando Yixing voltou para o quarto, Suho fingia dormir com as cortinas de sua cama de colunas fechadas em um sinal claro de “não incomode”, não que o mais novo se importou com isso, pois logo abriu as cortinas se jogando ao lado de Junmyeon que arfou surpreso. 

— Te acordei? – Perguntou falsamente com uma de suas mãos deslizando pelo braço de Suho, riu baixinho quando notou os arrepios seguindo o mesmo caminho de seus dedos. 

— Vai para sua cama, Zhang. – Resmungou Suho decidido a não ceder aos encantos do mais alto. 

Yixing se aconchegou mais ao corpo do outro sem se importar com a ordem dada, a mesma mão que outrora acariciava o braço de Suho deslizou agora para a cintura do mais velho ao mesmo tempo que sua boca colou-se ao lóbulo da orelha mordiscando de leve. Junmyeon soltou um suspiro que apenas serviu para reforçar o comportamento do Zhang que desceu seus beijos para o pescoço, distribuindo beijos e mordidas delicadas. 

Todo o corpo de Suho estava arrepiado com aqueles toques, ele sentia uma falta desgraçada dos beijos de Lay e tudo o que precisava para matar essa saudade era se virar e colar seus lábios. Pensou por alguns segundos o que deveria fazer, se deveria ceder ou manter-se firme na posição de que não iria aceitar esse pouco caso que o mais alto tratava-o, mas era particularmente difícil manter uma linha de raciocínio coerente quando Zhang Yixing estava beijando seu pescoço e o tocando de uma forma tão… Apaixonada. 

Com outro suspiro virou-se de uma vez antes que mudasse de ideia e aproximou sua boca de Yixing que riu baixinho levando uma de suas mãos ao cabelo de Suho pronto para puxá-lo para um beijo.

— Eu disse para você ir para sua cama, Zhang. – Suho sussurrou de forma firme sentindo o cheiro do hálito do outro e quase mudando de ideia. 

E sem mais demoras empurrou Lay com força de sua cama sentindo apenas um pouco de pena quando ouviu o barulho dele caindo no chão e viu os olhos brilhando em uma expressão um tanto quanto chocada. 

— Jun… – Yixing começou, no entanto logo Suho fechou as cortinas de uma forma decidida sem deixar nenhum espaço para protestos. 

 

***

 

Baekhyun acordou irritado no dia seguinte, o corte em sua sobrancelha latejava e ele queria muito ir até a enfermaria ou até o Zhang para dar um jeito naquele ferimento. Colocou uma roupa qualquer e pegou o galho do Salgueiro Lutador, iria levá-lo até o Chen depois ir até a enfermaria e de lá descer para o almoço. 

Fez o caminho até a torre da Corvinal notando o pouco movimento pelos corredores e a cara de cansado de praticamente todos que encontrava, sem hesitar bateu a aldrava e esperou a águia dizer o enigma da vez. Não demorou muito para chegar a uma resposta e adentrar ao salão comunal agora tão conhecido seu. 

A sala estava relativamente vazia, apenas alguns alunos fazendo experimentos ou pegando algum livro nas estantes para se abrigar em algum canto para ler. Não havia sinal de Chen ali. Respirou fundo tentando manter a calma e dirigiu-se para uma garota, perguntando se ela havia visto seu amigo por ali. 

— O Chen? Ele saiu tem um tempo já, foi levar a amiga dele para o salão comunal dela. 

Baekhyun agradeceu um tanto quanto irritado e jogou-se em um dos pufes, desde que essa tal amiga dele chegara à Hogwarts, Chen havia colocado a amizade dos dois em segundo plano. O grifano espero pelo que pareceram horas, a cada segundo sua irritação ficando maior, e então Jongdae finalmente entrou na Comunal paralisando por alguns segundos ao notar o grifano ali. 

— Jongdae! – Baekhyun chamou levantando-se – Valeu mesmo por ter ido ao nosso compromisso ontem, você é um puta amigão, cara. 

— Baekie, desculpa mesmo. – Jongdae abaixou o olhar constrangido – Eu queria muito ter ido, mas a Audrey passou mal e eu tive que ficar cuidando dela. 

— Tanto faz. De qualquer forma, toma aqui a porra desse galho que eu nem sei para que você quer. – Baekhyun empurrou o galho para as mãos de Chen.

— Obrigado, Baek. Você não precisava ter continuado com o plano… – Murmurou o corvino encarando o machucado na testa de seu amigo. 

— Diferente de você, Jongdae, eu levo a sério meus compromissos. – Baekhyun retrucou afastando-se do amigo – Espero que sua amiguinha esteja melhor. 

Jongdae suspirou pesadamente quando viu a porta da comunal se fechando atrás de Baek, não havia mentido de todo para o amigo, afinal Audrey realmente passara mal ao final da festa porque havia conseguido driblar Chen e beber alguns copos. Mas ainda assim, sentia-se culpado por ter de certa forma usado Baekhyun para conseguir algo que nem beneficiaria o grifano. 

Chen olhou ao redor procurando pelo garoto que ele sabia que estaria em algum canto por ali e não demorou até achá-lo parado em uma das janelas observando a paisagem lá fora enquanto acariciava o Sr. Frog – seu sapo gordo e verde. 

— Aqui está seu tão precioso galho – Chen disse quando se aproximou do menor e soltou o galho no colo dele. 

— Você conseguiu mesmo! – Segurava o pedaço de madeira admirado – Acho que agora vou ter que cumprir minha parte do acordo. Quando é o teste?

— Sim e quase perdi um amigo – resmungou baixo enquanto via os olhos do garoto atentos em si – Quarta depois das aulas, na sala de música, eles costumam servir doces. 

A conversa não foi muito mais longe e Jongdae logo foi em direção a Faith que estava desenhando alguma coisa, e perguntou a menina como tinha sido a aventura do dia anterior, já que Baekhyun estava tão bravo que não tivera tempo de pedir detalhes.

O grifano, depois que saiu da torre da Corvinal, passou na enfermaria inventando uma história qualquer sobre ter caído da cama, que a enfermeira fingiu acreditar, e logo teve seu ferimento cicatrizado. Saindo dali, andou sem rumo pela escola até que seu estômago começou a roncar alto, não tomara café da manhã devido a ter acordado tarde e já estava perto do almoço. Por fim seu estômago falou mais alto e o garoto se dirigiu até o Salão Principal, vasculhando o lugar, pegou o exato momento que Chanyeol chegou e se enfiou na mesa da Sonserina parecendo querer sumir, o que só piorou seu humor.

Na mesa da Grifinória, Ivy e LuHan acenaram animados para ele que deixou os problemas de lado e sorrindo foi se juntar ao amigos de casa.

— Você sumiu ontem – LuHan disse animado enquanto se servia com um pedaço de frango – Teve uma super festa, o pessoal não costuma chamar os primeiranistas, mas achei que agora que está no segundo o veria por lá!

— Tinha outros planos – disse com a boca cheia da sua torta favorita – Como foi?

— Nossa! Tocou muita música boa, ninguém saia da pista – O loiro dizia animado – Ah! O que me lembra do Chanyeol e o Chen na pista, os dois são muito engraçados dançando.

A frase inocente foi o suficiente para deixar Baekhyun ainda mais irritado. 

—  Calma, o que? – Questionou mastigando lentamente – Chanyeol e Chen estavam lá?

— Sim! Chanyeol inclusive teve que ir embora carregado, não é, Minnie? – Luhan continuou contando alheio a forma como Baekhyun parecia estar se contendo. 

Ambos os seus amigos o deram bolo para uma aventura que ele nem mesmo precisava ter ido e passaram a noite de divertindo numa festa! Comeu a comida em seu prato com mais afinco cerrando os olhos para Chanyeol que estava do outro lado do Salão claramente fugindo do seu olhar.

 

***

 

O primeiro mês em Hogwarts havia sido bastante proveitoso pelo menos em questão de aulas, e na infinidade de ingredientes para poções que conseguia ter acesso sem que ninguém desse falta. Só que nem tudo era maravilhoso e a prova disso era estar cercado por dois de seus companheiros de casa mais velhos que faziam sua bolsa flutuar enquanto seus pertences caiam no chão.

— Qual é, Soo… Cadê aquele seu sapo nojento? Achei que levasse ele pra todos os lugares – O primeiranista apenas olhou entediado para o maior, mesmo que por dentro arrepios de medo gelavam seu estômago. 

— Ele deve lamber esse anfíbio desejando se tornar um homem-sapo – Uma garota disse com um sorriso maldoso estampado e Kyungsoo quis rir do absurdo que ouvia, mas não continuou engraçado quando o menino que falou primeiro empunhou a varinha apontando para si.

— Acho que ele gostaria de comer uma lesmas, não acha, Karin? –  O garoto olhava em volta notando os frascos, alguns quebrados e outros ainda intactos, contendo ingredientes que o veterano nunca tinha visto antes, enquanto a garota ria de uma forma um tanto maníaca. 

Kyungsoo sabia que devia começar a agir ou alguma coisa muito ruim iria acontecer, mas sua varinha estava caída no chão e a escola sempre tão lotada, estava completamente vazia naquele corredor, até mesmo os quadros estavam vazios. Pensava rápido enquanto os olhos varriam discretamente o ambiente, aqueles poucos segundos pareciam durar a eternidade, precisava deixá-los falando. 

— Sabe quem gostaria de lesmas? O Sr. Frog. Mas ele meio que ficou dormindo hoje então acho que vão ter que deixar pra depois. – Kyungsoo respondeu dando um pequeno passo rumo a sua varinha torcendo para os outros corvinos não notarem.

— Você se acha o espertinho, não é? – O garoto mais velho não sorria mais, ao invés disso se aproximou ameaçadoramente e Kyungsoo se esforçou para não engolir em seco – Pois vou te dar uma dica… Não se meta com pessoas como nós, entendeu? 

— Mas assim, na real, eu não me meti com vocês. Foi justamente o contrário. 

Kyungsoo mal havia terminado de falar quando se arrependeu amargamente de ter dado continuidade a provocação, a garota, com um simples aceno de varinha e nenhuma palavra proferida, havia o prendido na parede de forma que ele não conseguia mover um músculo. 

— Do Kyungsoo, o Estranho. Um belo título, não acha, Roger? – Karin ostentava um sorriso astuto e um brilho no olhar – Combina com essa escória da Corvinal. Há muito tempo, Ravenclaw já foi mais seletiva e agora…

A garota soltou um suspiro cansado e balançou a cabeça.

— Agora olha só o tipo de pessoa que temos que aguentar na nossa Casa. – O garoto completou e se aproximou de Kyungsoo com a varinha em punho. – Acho que devíamos realmente dar uma lição nesse esquisitão, o que acha, Karin? 

— Acho uma brilhante ideia. – Karin também se aproximou de Kyungsoo – Mas o que fazer? 

Kyungsoo achava que aquele era um bom momento para correr, poderia pegar os ingredientes em outro momento, mas preso na parede com os dois o fechando não seria muito fácil e aquela foi a primeira vez que Do Kyungsoo demonstrava medo em seus olhos. Roger se aproximou ainda mais erguendo a varinha até encostá-la no pescoço do mais novo que, dessa vez, engoliu em seco fazendo com que o outro abrisse um sorrisinho ameaçador e a garota soltasse mais uma risada maníaca. 

— Você não parece muito afim de falar agora, não é? – Sua voz soava baixa, quase um sussurro. – Então apenas preste atenção, ninguém te suporta nessa escola, esquisitão. Já perdi as contas de quantas vezes vi pessoas rindo de você após alguns segundos de conversa ou apenas de te ver na comunal acariciando um sapo… Digo, que tipo de pessoa sente prazer em acariciar um sapo? 

— É patético como você fica pelos cantos fazendo feitiços e poções como se as pessoas fossem obrigadas a te tolerar. – Karin completou – Na verdade, você é patético. 

Kyungsoo queria conseguir gritar, dizer que praticar feitiços ou coisas ainda mais estranhas eram extremamentes comuns na Corvinal, que praticamente todos ficavam pelos cantos fazendo algo que ninguém se importava… Que os Corvinos, de forma geral, eram estranhos. 

Porém, mesmo que conseguisse falar, não iria fazê-lo. Não parecia certo discutir com aqueles garotos porque era óbvio que o motivo de toda aquela situação não eram os feitiços ou poções, ou até mesmo o Sr. Frog, mas sim o fato de ser ele. E, naquele momento, Do Kyungsoo odiou com todas as suas forças estar em sua própria pele. 

— O quê? O bebezinho vai chorar? – Roger provocou e, antes que eles pudessem continuar, ouviram risadas se aproximando – Sua sorte é que estamos nos sentindo bonzinhos hoje… 

Roger soltou uma risada maliciosa e fez um aceno para Karin que logo desfez o feitiço fazendo com Kyungsoo desabasse no chão. As risadas ficavam cada vez mais próximas.

— Vamos deixar um presentinho para você lembrar da gente, Soo…

 E, com um estampido e um clarão verde, Kyungsoo soltou um sonoro arroto e várias lesmas caíram de sua boca direto para o chão fazendo com que os outros dois gargalhassem alto. 

— Até mais, docinho. – Karin piscou e, juntamente com Roger, afastaram-se rindo alto e fazendo comentários maldosos. 

Kyungsoo voltou a vomitar lesmas, seus olhos queimando de vontade de chorar. O pequeno garoto não sabia o que fazer ou para onde ir, ninguém havia preparado-o para o inferno que seriam as pessoas em Hogwarts. 

— Kyungsoo? – Uma voz conhecida chamou e o primeiranista reconheceu como o Chen, ao seu lado havia uma garota ruiva bonita que olhava-o com certo nojo devido as lesmas que não paravam de sair de sua boca. – Meu Merlin, eu preciso te levar para a enfermaria!

O mais novo abriu a boca para protestar, para dizer para Jongdae o deixar em paz, no entanto tudo o que saiu foi mais um jorro de lesmas. 

Chen não se importou em agachar ao seu lado e passar um de seus braços pela cintura de Kyungsoo e, com um pedido para Audrey recolher as coisas do primeiranista, Jongdae levou o mais novo para a enfermaria.

 

***

 

A aula de transfiguração naquele ano era uma combinação de turmas diferentes. Depois de dois anos tendo que aturar Kris Wu e toda arrogância por ser extremamente eficiente na matéria, era um alívio não ficar preso ao garoto de novo. Junmyeon estava sentado na primeira fileira como sempre, esperando a professora Holloway, ajustou seu material na mesa e discretamente olhou para trás, mais especificamente quatro fileiras, onde Yixing conversava animado com LuHan que estava sentando ao seu lado. Os garotos pareceram não notar seu olhar, mas Ivy acenou de leve quando seus olhos se cruzaram. 

Yandra adentrou pontualmente, com sua longa capa arrastando pelo chão, as conversas morrendo conforme a professora passava pela sala em direção a própria mesa, não sem antes lançar um olhar gelado em direção a Luhan que ainda conversava com alguém que estava perto de si, o que fez Minseok lhe dar um cutucão mal humorado. 

A mulher estava de frente para turma com uma expressão fechada, sacou a varinha e o quadro começou a se encher de complexas informações da aula que seria ministrada, já era possível notar as penas frenéticas sobre os pergaminhos. 

— Hoje veremos uma habilidade que poucos conseguiram aperfeiçoar. – Yandra falou se apoiando na grande mesa de mogno – Alguém já ouviu falar sobre animagos?

A mão de Suho logo se levantou, outros alunos também levantaram logo em seguida, mas todo mundo sabia que o lufano teria a resposta certa.

— É a capacidade de um bruxo de transformar em um animal sem utilizar varinha. – Yandra confirmou, os olhos pareciam sorrir, mesmo que todo mundo duvidasse da capacidade da professora de demonstrar sentimentos que não fossem assustadores. 

A mulher começou a andar pela sala explicando o conceito para uma transformação bem sucedida e a turma estava concentrada em anotar o máximo que conseguiam, quando a professora parou novamente de frente a sala e ficou em silêncio, todos os olhares se voltaram para ela no exato momento em que ela se transformava em um porquinho da índia fazendo a turma ofegar surpresa e depois pode-se ouvir ruídos animados dos alunos que observavam o roedor branco e peludo com apenas um tufo de pelos negros no topo da cabeça que lembrava muito os coques apertados da professora.

— Awn, que fofinho – Yixing murmurou enquanto apertava as mãos no próprio rosto, reações semelhantes eram visíveis em todo ambiente. 

Assim que Yandra Holloway voltou a sua forma humana, a sala parecia ter perdido todo o calor que segundos antes derretia todos os alunos. 

— Menos um ponto para cada aluno que guinchou de felicidade – Ela murmurou claramente irritada enquanto burburinhos de descontentamento eram ouvidos por toda sala – Silêncio! Como eu ia dizendo, a principal diferença de um animago para um bruxo transfigurado é que mantemos a consciência humana, enquanto um ser transfigurado se torna completamente um animal. Vale ressaltar que quando desenvolve-se a habilidade não é possível escolher qual animal o bruxo acabará se transformando.

— Lógico que não, se ela pudesse escolher, aposto que seria algum animal selvagem. – LuHan sussurrou para Yixing que teve que se controlar para não rir alto. 

— O Ministério da Magia tem leis rígidas sobre o registro de animagos, para evitar que criminosos não sejam identificados. É importante sempre lembrar que animagos não registrados podem sofrer altas sanções. – A professora Yandra acenou novamente com a varinha fazendo com que todas as informações no quadro fossem substituídas por instruções para algum trabalho – Para a próxima aula quero que tragam uma redação contendo o máximo de informações sobre os animagos conhecidos. No mínimo, um metro de pergaminho. Estão dispensados. 

 Os alunos começaram a recolher suas coisas se retirando da sala, LuHan estava com a cabeça apoiada na mesa, sem forças. 

— Vamos logo, ainda tem aula de Trato pra mim e Estudo dos Trouxas para você, principezinho – Ivy disse puxando o braço do loiro que olhou para ela com olhos derrotados.

— Como vamos fazer uma redação de um metro?! – resmungava indignado, mas acabou se deixando arrastar pela garota – Temos jogo daqui uns dias e não é como a Johanna facilitasse pra gente. 

— Você diz isso como se fosse fazer alguma coisa sem que eu te obrigue, né? – Xiumin disse revirando os olhos quando já estavam no corredor. – Se a Johanna é o próprio demônio quando tem que lidar com atrasos, eu nem quero ver o que a Holloway seria capaz e dessa vez eu não estou fazendo nenhum trabalho pra você, Hannie!

LuHan tentou retrucar, mas sabia que entrar numa discussão sobre deveres de casa com Xiumin era uma guerra perdida, então apenas suspirou novamente fazendo um bico nos lábios por ter que se separar de seus amigos já que ele havia se inscrito em Estudo dos Trouxas sozinho.

— Por que mesmo que eu vou fazer Estudo dos Trouxas? – Falou manhoso apoiando em Ivy que riu divertida. 

— “Acho que vou me inscrever em Estudo dos Trouxas porque deve ser fácil e não vou ter que fazer nada” – Ivy falou imitando-o com uma voz um tanto mais fina.

— E agora você tem um professor que te enche de trabalhos absurdos sobre trouxas. – Xiumin completou com um sorriso divertido fazendo Luhan suspirar novamente – Agora vamos logo porque minha professora de Runas literalmente me mata se eu me atrasar. 

E com isso, Xiumin despediu-se de seus dois outros amigos seguindo rumo a sua aula enquanto ambos faziam o mesmo. 

 

***

 

Naquela sexta à noite, Zitao estava caminhando sozinho pelos corredores rumo à mais uma reunião do Bunny Kingdom. Cantarolava baixinho uma música qualquer enquanto pensava em toda sua evolução desde que viera para Hogwarts, estava feliz e satisfeito consigo mesmo e nada poderia estragar isso… Nada, exceto uma das coisas que ainda mais o apavoravam no mundo. 

Pirraça. 

— Ora ora se não é o Zitao Cagão, já borrou as calças de medo hoje? – Pirraça começou soltando uma risada estridente sobrevoando o garoto que fechou os olhos sentindo um arrepio de medo percorrer todo seu corpo. 

Ele odiava o poltergeist com todas as suas forças e como nunca conseguia controlar a forma como se sentia, como nunca se acostumava com as brincadeiras idiotas que Pirraça fazia. Respirando fundo para reunir toda sua pouca coragem e surpreendentemente sem chorar, começou a caminhar pelo corredor que viera, torcendo para o poltergeist não o seguir. 

Sem sucesso, claro. Pirraça começou a soltar sonoras risadas malignas que pareciam transformar as pernas de Tao em gelatina, enquanto sobrevoava cada vez mais perto do garoto. Para o chinês era extremamente desesperador essa sensação e não pode mais controlar as lágrimas quando Pirraça passou por dentro dele enviando uma onda de frio por todo seu corpo. 

Zitao se jogou no chão e se encolheu chorando com os olhos bem fechados, a única saída era torcer para algum professor aparecer ou o poltergeist se cansar e ir embora. No entanto, Pirraça intensificou suas piadas e suas risadas, o que apenas fazia o garoto se encolher e chorar ainda mais.

— Pirraça! Olha o que está fazendo com o menino! – Alguém disse e, por um milésimo de segundo, Zitao permitiu-se sentir um pouquinho de esperança. Entretanto acabou por reconhecer a voz e estremeceu novamente, sua situação havia ficado ainda pior.

Pirraça soltou outra de suas gargalhadas e passou novamente por dentro de Zitao, que não controlou um de seus gritos, antes de atravessar a parede indo atormentar algum outro pobre aluno. 

— Hey, lufano. Não chore mais… – Um outro garoto falou se agachando perto dele, Zitao ergueu um pouco a cabeça e viu que o mesmo tinha um sorrisinho no canto dos lábios. – Nós vamos te ajudar com seu medo, o que acha? 

— Eu não preciso da ajuda de vocês. – Tao lançou erguendo a cabeça e olhando para cada um deles, segurando com todas as suas forças a vontade de continuar chorando. 

— Olha só, o bebezinho sabe ser corajoso, Jack. – Uma garota falou fazendo todos rir. 

— Qual é, Ella? Usar corajoso pra definir isso? – O garoto agachado na frente de Tao disse arrancando risadas dos outros dois.

Eram ao todo três pessoas, todos grifanos. Os mesmos grifanos que o atormentavam desde que descobriram sobre seu medo de fantasmas.

— Peter, como é aquela história da Menina do Corredor? – Perguntou Jack sorrindo maldosamente. 

— Você diz sobre aquela menina que saiu depois do toque de recolher e desapareceu? – Peter se aproximou de Tao abaixando o tom de voz como se contasse um segredo. – Há muito tempo existia uma garota que, igual a você, era da Lufa-Lufa. Um certo dia, voltando tarde para sua Comunal, ela simplesmente desapareceu. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas ainda é possível ouvir seus gritos no corredor em que ela morreu.

Zitao sabia que eles estavam fazendo aquilo para assustá-lo e provavelmente a menina nunca nem existiu, no entanto não conseguiu controlar o arrepio que subiu por sua coluna. E se aquilo fosse verdade? 

— Espera, Peter… – Ella falou olhando ao redor com os olhos arregalados e a boca um tanto aberta. Jack levantou-se também olhando ao redor como se ambos notassem algo. 

— Ella, é o que estou pensando? – Jack disse com a respiração um tanto pesada. 

— O que foi, gente? – Peter perguntou, a voz ainda baixa e um tanto assustadora. 

— Foi aqui… – Ella soltou e Zitao se encolheu mais – Vocês não conseguem ouvir? Está baixinho, mas são gemidos de dor… 

— É esse corredor, Peter. – Jack concluiu e nesse instante Ella soltou um grito estridente agachando no chão tapando os próprios ouvidos. – Ella, o que foi? Você está bem?

O coração de Zitao estava acelerado, aquilo definitivamente não podia ser atuação. A Menina do Corredor existiu e Ella estava ouvindo seus gritos. 

Huang Zitao começou a chorar. 

E os gritos de Ella se transformaram em uma sonora gargalhada que logo foi acompanhada pelos dois grifanos. 

— Ficou com medinho, ZiTao Cagão? Ficou? – Ella falou com uma falsa voz de pena. 

— Se bem que não demorou muito para o garoto começar a chorar, não é? – Peter falou rindo também. 

— Realmente um bebezinho chorão mesmo. – Jack concluiu. – Vem, vamos embora… E deixar ZiTao Cagão sozinho nesse corredor. 

— Boa sorte, bebê, em tentar voltar para sua Comunal. E a história que contei da Menina do Corredor realmente aconteceu, caso queira pesquisar…. 

Zitao mordeu o lábio inferior, queria falar algo para eles, no entanto não conseguia encontrar a própria voz nem para gritar. Então apenas ouviu as risadas e os comentários – “É vergonhoso como um bruxo pode ter medo de fantasmas!” – se afastarem gradativamente. 

Respirou fundo tentando parar de chorar, teria ficado ainda mais tempo ali se sua mente não tivesse começado a pregar-lhe peças fazendo pensar ter ouvido gritos distantes ou ventos gelados que não existiam. Sem se importar mais com a reunião do ARE, correu em direção sua própria Comunal até estar seguro embaixo de seus próprios cobertores torcendo para Suho voltar logo e dormir com ele. 

Não demorou muito para Junmyeon adentrar o quarto, as roupas um pouco amassadas e os lábios um tantinho inchados. Logo que viu Tao seguiu em direção a ele e sentou-se com um sorrisinho feliz no rosto, mas com um brilho preocupado no olhar.

— Por que não foi para a reunião? – Perguntou suavemente. 

— Eu não estava muito bem… – Tao murmurou, sua voz sumindo pouco a pouco.

— O quê? Não estava passando bem? O que estava sentindo? – Suho fechou o sorriso e se focou em Tao medindo sua temperatura com as costas da mão.

Naquele momento Tao olhou para ele, realmente olhou, e notou a forma alegre que Suho havia entrado. O sorriso, sua aura feliz e como, mesmo totalmente preocupado com o mais novo, ainda deixava seu olhar vagar para a porta como se precisasse estar em outro lugar. 

Junmyeon sempre cuidava de Tao, sempre estava ali quando ele precisava, então ele simplesmente não podia privar o garoto de seja lá o que ele fosse fazer, ou quem fosse encontrar. Com um suspiro, o chinês se forçou a abrir um sorriso e disse:

— Não se preocupe, Jun. Já fui na enfermaria, tudo que preciso é dormir um pouquinho e vou estar bem de novo. 

— Tem certeza? – Tao assentiu – Porque eu, er.. Bem, eu tenho meio que um, ahn… Compromisso agora e se voc-

— Fica tranquilo. Eu vou ficar bem sozinho. – Tao o interrompeu e notou as bochechas de Suho ficarem ainda mais vermelhas. – Pode ir. 

Suho concordou com a cabeça e depositou um beijo suave em sua testa antes de sair do quarto. 

Tao queria chorar novamente, sobressaltava-se a cada barulho e tinha medo de aparecer algum fantasma. Sentiu-se um pouco melhor quando Pickles pulou para sua cama se esfregando nele pedindo por carinho e, logo depois, Pompom também se juntou a eles aninhando-se confortavelmente ali. 

Soltou um sorrisinho triste e abraçou os animais finalmente sentindo o sono chegar, afinal de contas, ele não estava mais sozinho.

 

***

 

O ar gelado do fim do outono tomava conta dos arredores de Hogwarts, alguns alunos voltavam de Hogsmeade depois de um dia inteiro fora e se dirigiam para o Salão Principal, Baekhyun observava os grifanos que tinham ido para o passeio e estavam envolvidos demais nos acontecimentos do dia.

Ele por outro lado havia ficado o dia inteiro com Faith e alguns outros corvinos, mas Chen e Chanyeol continuavam distantes, nas raras vezes que sentavam juntos os dois garotos pareciam ter suas próprias piadas internas e Baekhyun se sentia deslocado. Para se poupar da auto piedade permaneceu em sua mesa, mesmo que Faith e Skye tenham chamado ele para se sentar na mesa neutra, não queria ver Chen e Audrey no mundinho deles. 

No fim, o jantar na mesa da sua casa fora bem divertido, Nick Quase Sem Cabeça estava particularmente animado e os veteranos falavam para os calouros sobre o dia em Hogsmeade, e como a madame Rosmerta fazia a melhor cerveja amanteigada que eles já tomaram, ele estava contando os dias para poder ir lá no próximo ano. 

— Hey, Algodão Doce – Ivy estalava os dedos na frente de Baekhyun que encarava a outra mesa concentrado demais na risada escandalosa de Chanyeol. 

— Que foi? – Resmungou colocando purê de batata na boca, mastigando lentamente.

— Eu aqui te contando sobre as coisas que conseguimos contrabandear de Hogsmeade para a noite de jogos semana que vem e você encarando aquele sonserino. – Ivy suspirou revirando os olhos, claramente irritada por não estar recebendo atenção. 

— Eu não estava encarando ninguém – Respondeu Baekhyun na defensiva e fixou seus olhos em Ivy. – Continue falando sobre a noite de jogos. 

— Quer saber, Baek? Esquece. – Ivy voltou a comer virando-se para focar na conversa de Xiumin e Luhan que pareciam totalmente absortos um no outro. 

— Ivy, qual é? Eu só me distrai por um momento! – Baekhyun exclamou indignado. 

— Relaxa, Algodão Doce. – Ivy voltou-se para ele – Não precisa ficar bravo, só que não entendo porque você não fala com eles se você sente tanto a falta deles assim.

— Eu não sinto a falta de ninguém. Eles se afastaram de mim, não o contrário. Não posso fazer nada. – Baekhyun respondeu em um tom firme e Ivy apenas deu de ombros sem insistir no assunto – Agora vamos falar do que realmente importa, o que vamos ter na noite de jogos? 

— Então… – Ivy arqueou uma sobrancelha rindo maliciosamente antes de se colocar a narrar sobre o que tinha planejado, dessa vez, porém, Baekhyun estava totalmente focado. 

Não demorou muito para Faith migrar da mesa neutra para sentar-se ali com ele ignorando completamente o fato de ser a mesa da Grifinória e, como andava acontecendo com frequência, Skye a seguiu e, consequentemente, Huang Zitao. 

— Ouvi noite de jogos e contrabando? – Skye falou arrancando uma risada de Ivy. – Nós vamos. 

— Nós? – Tao perguntou arqueando uma sobrancelha. 

— O Suho vai. – Faith completou – Ouvi ele conversando com o Josh. 

E logo os sete, porque Luhan e Minseok resolveram participar da conversa – voltaram a discutir veementemente sobre o evento do próximo sábado que, pelos planos, prometia ser uma das melhores noites de jogos dos últimos tempos.

 

***

 

A tradicional noite de jogos da Grifinória acontecia sempre entre os intervalos dos jogos de quadribol, e o que era uma pequena reunião entre membros da casa vermelha e dourada, já se tornava um dos mais tradicionais encontros entre casas. 

O salão comunal era arrumado com vários jogos espalhados entre mesas ou pelo chão, uma grande mesa do lado oposto a lareira continha uma enxurrada de guloseimas, cedidas pelos elfos domésticos do castelo. 

Os convidados começaram a chegar bem antes do toque de recolher e logo se juntaram ao grifanos que conversavam animadamente. LuHan adorava aquelas noites, o clima em que o lugar ficava e o fato de que Kim Minseok tornava-se muito mais suscetível a toques que faziam o coração do menino veela se encher de esperança. Porém avistou Yixing entrando com outros lufanos e logo acenou para o amigo se aproximando:

— Chegou cedo dessa vez! – O loiro quase pulava de tão animado.  

— O pessoal queria muito vir logo, aí aproveitei – Yixing se aproximou um pouco mais de Luhan sussurrando no ouvido do amigo – Vocês conseguiram trazer algum álcool?

Luhan riu puxando o moreno para um canto longe dos monitores e mostrou onde estava escondido algumas garrafas com líquido transparente.

— Isso foi o que conseguimos trazer de Hogsmeade semana passada. Não sei se já ouviu, mas alguns sonserinos que eu converso disseram que conseguiram mais algumas coisas, com um tal de D.O – Luhan segredou a Yixing enquanto Ivy se aproximava trazendo Xiumin e Joshua pelos ombros. – Já ouviu falar dele? Parece que ele anda dando alguns presentinhos por aí, só que ninguém sabe quem é a pessoa por trás.

— De graça? – o loiro assentiu e Yixing sorriu mesmo que agora só observasse Suho com dois primeiranistas a seu lado. –  Cara legal!

A menina logo se juntou a eles arranjando um copo para si e tentou entregar um para Josh que prontamente a ignorou, para ele ainda estava cedo para começar a beber e Xiumin pegou o copo rejeitado pelo corvino. Os cinco logo se separaram em outras rodas e indo em direção a mesas de jogos que mais o interessavam.

Baekhyun estava um pouco mais silencioso que o normal, Faith o puxava para jogar snaps explosivos, mas o garoto só ficava fazendo coisas levitarem por puro tédio. 

— Sério que você vai ficar com essa cara de cu o resto da noite? –  A menina olhava em volta realmente interessada em brincar com alguns dos jogos que tinham por ali.

O rosado apenas levantou o olhar para a menina que parecia chateada e acabou se rendendo, o que fez a garota sorrir empolgada enquanto jogavam algumas rodadas de snap.

Xiumin, que já se encontrava bem menos tímido que o normal, com um Luhan grudado em si, também estava na mesma mesa em que o Byun.

— Eu estou muito bêbado ou Byun Baekhyun ainda não está gritando e saltando por aí? – Minseok pontuou enquanto observava o quão calmo o mais novo parecia – E cadê aquela dupla barulhenta que estava sempre te seguindo ?

Baekhyun encarou Xiumin por uns segundos e só então respondeu:

— Não chamei, eles estão muito ocupados cuidando dos sonserinos – Disse roubando o copo do mais velho, dando um longo gole e formando mais um par de cartões que em seguida explodiram causando alguns gritos surpresos de jogadores desavisados.

O jogo continuou e Minseok notava que LuHan parecia especialmente interessado em lhe dar beijinhos no pescoço, mas apenas ignorou o amigo que às vezes era um pouco carente. Faith olhava a cena e achava engraçado como o loirinho parecia tão manhoso perto do outro grifano, a menina percebeu que Baekhyun estava mais animado, ela logo começou a circular pelo salão simplesmente entrando em outras conversas sem se importar se conhecia ou não as pessoas que falavam.

Do outro lado do salão, Junmyeon tinha acabado de ser puxado por Josh e agora ambos estavam jogando poker com as cartas auto-embaralháveis juntamente com Johanna e dois outros jogadores do time de quadribol da Grifinória. O jogo se desenrolava cheio de conversas paralelas e Lucy, artilheira do time, não entendia como Johanna podia estar toda sorrisos, o que era um pouco assustador. 

— Achei que a noite de jogos fosse mais animada... – Suho disse depois de algum tempo enquanto olhava as cartas em sua mão.

—  O que você quer fazer? – Johanna falou arqueando uma sobrancelha com um meio sorriso enquanto colocava as fichas para a rodada.

— Que tal um gole do seu copo? – O olhar de Suho era malicioso passando a língua nos lábios.

A garota prontamente passou o copo para o mais novo, que sorveu um pouco do líquido, antes de beber uma quantidade maior e controlar a expressão enquanto sentia a garganta queimar e passava o copo para Josh que aproximou o copo da boca.

— Você sabe que tem álcool nisso, né? – Junmyeon riu quando Josh devolveu o copo para a grifana ao seu lado sem ao menos provar o conteúdo. 

Eles continuaram jogando e Josh notou que o amigo se tornava mais vermelho e risonho conforme bebia o que as meninas sempre estavam oferecendo, no entanto o olhar de Suho parecia sempre traí-lo indo em direção a Yixing que estava em uma roda do outro lado do salão muito entretido em uma conversa.

Skylar era um espírito tão livre quanto Faith e as duas garotas logo se uniram para perturbar Baekhyun que estava tirando o couro dos primeiranistas grifanos ainda jogando snaps explosivos, o garoto estava ganhando várias rodadas e sorria maldosamente para os mais novos. 

— Nossa, só assim pra você ganhar de alguém, não é, Baekie? – Faith falou cutucando a bochecha de Baekhyun que apenas afastou a mão dela com um tapa sem tirar os olhos do jogo. 

— Deixa ele, Eff. Não viu que ele está mal humorado porque parou de falar com seus dois maridos? – Completou Skye cutucando a outra face de Baekhyun que, irritado, errou uma das jogadas se levantando exasperado. 

— Qual o problema com vocês duas?! – Gritou Baekhyun assustando os primeiranistas e arrancando uma risada de Minseok. 

Skye encarou Faith e as duas deram de ombros ao mesmo tempo. 

— Acho que quem está com um problema aqui é você, Baekie. – Faith falou. 

— Quer que eu chame o Chany pra te ajudar, Baek? – Skye disse arqueando uma das sobrancelhas com um meio sorriso no rosto. 

Baekhyun pareceu inflar de raiva por um momento assumindo uma coloração tão vermelha que as duas garotas acharam que ele iria explodir. 

— E por que é que vocês não cuidam da vida de vocês? – Baekhyun bufou jogando-se novamente na poltrona. – Você não deveria estar cuidando do seu namoradinho medroso, Skylar? Insistiu tanto para ele vir e cadê ele? 

— Nossa, verdade. Caralho, cadê o menino Huang? – Skye falou olhando em volta. 

— Ali! – Faith apontou para o outro lado do salão onde Huang Zitao estava encolhido entre Josh e Suho, que claramente estava bêbado e flertando com Johanna ao seu lado. 

— Cara, aqueles dois viraram até um castiçal sentados naquele sofá. – Baekhyun observou feliz por mudarem o foco da conversa dele.

— Pela primeira vez na vida, você está certo. – Skye falou balançando a cabeça e recebendo um olhar feio do grifano em resposta. 

— Acho que devíamos tirar os dois de lá… Jojo também não parece confortável. – Faith fez um biquinho se levantando. – Vamos? 

— Nem fudendo que chego perto da Johanna. – Baekhyun falou se afundando ainda mais na poltrona cruzando os braços – Ela já é o demônio normalmente, demonstrando emoções humanas não me inspira confiança. 

— Ela é humana, Baek. – Skye falou levantando-se também. – Não precisa ter medo dela. 

— Eu não tenho medo de ninguém!

— Okay, Baekie. – Faith respondeu dando dois tapinhas de consolação no topo da cabeça do garoto antes de segurar na mão de Skye e juntas atravessarem o salão. 

Quando as meninas se aproximaram, Joshua ajeitava os óculos pelo que parecia ser a décima vez em menos de quinze minutos, enquanto Tao apoiava a cabeça num Junmyeon muito risonho, entediado. 

— A cavalaria chegou para salvar vocês, nobres rapazes – Faith anunciou apoiando o queixo na cabeça de Joshua que logo olhou para cima encontrando a morena dando um dos seus sorriso estranhos. 

Skye logo puxou ZiTao de perto de Suho que segurava a mão de Johanna enquanto conversavam entre sussurros e risadinhas. 

— Então a Milady me dará a honra de ter sua companhia? – Josh perguntou rindo, ele e Faith às vezes tinham uns momentos shakespearianos juntos. A menina fez uma pequena reverência e ele levantou, não sem antes observar o amigo lufano que fazia mais uma das suas piadas ruins, mas que faziam Johanna gargalhar. 

Ao mesmo tempo Tao era tirado do assento, mas não sem antes começar a reclamar:

— Eu ‘to confortável aqui, o que você vai inventar agora, Skye? – O menino cerrou os olhos, tentando se jogar no sofá. 

— Deixa de ser chato, vem comigo! – Skye choramingou impaciente puxando o garoto mais uma vez. 

Tao suspirou cansado fechando a cara, mas levantou assim mesmo, perguntando-se como Suho ficaria, no entanto isso não o preocupou por muito tempo. 

— Se você me meter em mais alguma merda, eu vou te dedurar pelo resto do ano. Porque nós dois sabemos que você vai se envolver em situações estranhas – O menino riu maldoso encarando os cabelos da garota que andava o puxando. 

— Como se você tivesse coragem – Skye olhou para trás revirando os olhos, mas logo depois abriu um sorriso o que fez o garoto sorrir junto.

Talvez não tivesse sido uma boa ideia continuar andando enquanto seu olhar estava focado em Tao porque logo o inevitável aconteceu e ela trombou em alguém espalhando bebida por toda sua blusa arrancando uma risada alta de seu amigo.

— Oh meu Merlin, desculpa, Xiumin! – Skye falou olhando de sua blusa manchada para o grifano que respirava fundo olhando tristonho para seu copo caído no chão enquanto mantinha um segundo bem seguro na outra mão.

— Tudo bem, acontece. – Xiumin deu de ombros rindo um tanto quanto soltinho já. – Sorte que derrubou só um dos meus copos.

— O que você está bebendo? – Skye questionou com os olhos brilhando já esticando a mão para pegar o copo de Minseok que o afastou fechando a cara. 

— Não não, se quer beber pegue um copo para você, mocinha. – Xiumin respondeu e logo começou a rir da cara desolada da garota – Tem bebida naquela mesa, vai lá buscar. 

— Ah não, Skylar. Vai inventar de beber? – Tao perguntou e a garota apenas assentiu – Okay, mas eu também quero.

— Você está oferecendo bebida alcoólica para menores? – Uma voz melodiosa sussurrou no ouvido de Xiumin enquanto ele observava os dois primeiranistas se afastarem em direção a mesa. 

— Nós também somos menores. – Minseok observou virando-se de frente para Luhan sem se importar com a proximidade de ambos. 

O garoto veela soltou uma risada baixa tirando o copo das mãos de Minseok e tomando um longo gole sem tirar seus olhinhos brilhantes de cima do amigo. 

— Ei! Meu copo! Devolve, Lu. – Minseok se esticou tentando alcançar a mão de Luhan que apenas riu afastando o copo do amigo. 

— Posso te devolver… Mas em troca vou ter que cobrar um pedágio. – Luhan sussurrou com um sorrisinho brincando no canto de seus lábios.

— Um pedágio? E o que seria? – Minseok murmurou de volta sem saber exatamente porque estavam falando em voz baixa e tão próximos um do outro. 

Luhan não respondeu, não com palavras pelo menos. Seus olhos deslizaram para a boca de Minseok e suavemente traçou um caminho pelo braço do amigo até sua mão parar na nuca do mais velho.

Xiumin, pela primeira vez em sua vida, não se importou de estar cercado de pessoas que ele provavelmente não conhecia. Talvez fosse a grande quantidade de álcool ingerida, mas o importante foi que ele colocou uma de suas mãos na cintura de seu amigo e, com a outra, puxou Luhan para mais perto finalmente selando seus lábios. 

As bocas se uniram com força, os corpos se apertando, e mãos que não sabiam onde ficar, Xiumin apertou mais forte a cintura de LuHan ao sentir os dentes rasparem na boca pequena, nenhum dos dois se importando com o fato de estarem em público numa sala cheia de primeiranistas que gritavam animados. Quando se separaram as bocas vermelhas, inchadas e respirações ofegantes, Minseok então notou que seu outro copo agora jazia no chão, esquecido pelo fulgor do beijo que trocou com o melhor amigo. LuHan por outro lado estava nervoso, a atitude impulsiva havia resultado no melhor beijo que havia provado, mas as mãos tremiam ao pensar em encarar o amigo, então só agiu como fazia com qualquer outra pessoa que já tinha beijado, afastou-se em direção um grupo de grifanos e Minseok, dando de ombros, foi buscar um novo copo de bebida.  

O salão todo pareceu ficar ainda mais barulhento, quase todos os alunos falavam do beijo que o Príncipe de Hogwarts havia trocado com seu melhor amigo. 

— Vem, vamos logo pegar bebida. – Tao falou arrancando Skye de outra roda de conversa que ela havia parado – Já era pra gente ter bebido uns três copos do tanto que você é enrolada. 

— Você parece um velho reclamão, puta que pariu. – Skye respondeu passando um braço pela cintura de Tao e deixando-se levar pelo garoto até a mesa de bebidas.

— Okay, agora o que vamos beber? – A garota murmurou pensativa olhando a variedade de bebidas coloridas na mesa e algumas transparentes. – Escolhe uma cor.

— Azul. – Tao respondeu pegando dois copos limpos e estendendo para a amiga que os encheu com o líquido de uma garrafa da cor escolhida. – Um brinde?

A sonserina riu e assentiu, antes que ambos pudessem levar a bebida até seus lábios, alguém retirou os copos de suas mãos fazendo com que eles virassem de frente para um Yixing com cara de poucos amigos:

— O que vocês pensam que estão fazendo? 

— Bebendo? – Tao respondeu como se fosse óbvio arrancando uma risadinha baixa de Skye. 

— Vocês não têm idade pra isso. – Yixing constatou com um olhar sério preparando-se para jogar as bebidas fora. 

— Calma lá, cara. – Skye deu um passo à frente tirando um dos copos da mão do mais velho que a encarou com os olhos semicerrados – Por favor, a gente só quer experimentar.

— Ah é? Só experimentar? – Yixing revirou os olhos e virou-se para Tao – E você, Huang, não quero te ver colocando uma gota de álcool na boca, ouviu bem? Porque já vou deixar claro que não vou cuidar de mais nenhum bêbado hoje não, já que aquele ali  morreu. 

Yixing bufou lançando um olhar ressentido para o sofá onde Suho ainda estava sentado com Johanna, dessa vez, porém, estavam mais próximos ainda e, inclusive, uma das mãos do lufano descansavam casualmente na coxa da garota. 

— Tá com ciúmes, Xing? – Tao perguntou rindo.

— Ciúmes? De quem? Tá louco? – Lay revirou novamente os olhos bebendo um longo gole do copo de Tao deixando-o na mesa e saindo pisando firme dali. 

— Claramente sim, Tao. – Skye falou pegando de volta o copo que o mais velho deixara na mesa e empurrando-o para o lufano que bebeu um gole sem se importar com a ameaça. 

Yixing estava nervoso e nem entendia direito o porquê, respirou fundo tentando não focar na ceninha que aqueles dois faziam no sofá e escorou-se em uma das paredes que, coincidentemente lógico, dava uma visão clara do local onde Suho estava.

— Achei que tinha ido pegar bebida, Lay. – A voz provocante de Ivy o tirou de seus devaneios. 

— Mudei de ideia. – Resmungou – Não sei quem está deixando essas crianças ficarem bebendo. 

— Que crianças? – Ivy questionou e Yixing apontou para onde Tao bebericava do copo fazendo careta – Desde quando você é tão careta assim, Lay? 

— Eles têm 14 anos, não deveriam estar bebendo. E ainda me desobedecendo… – Yixing revirou os olhos e logo focou novamente no sofá. 

— Você está mal humorado e com certeza não é porque os primeiranistas estão bebendo. – Ivy constatou o óbvio. 

— Lógico que é! Não tem mais nada me incomodando nessa droga de festa. – rosnou e Ivy levantou uma sobrancelha, descrente. 

— Se você diz… – A grifana riu anasalado bebendo um gole de seu copo e passando um braço pelo pescoço do Yixing se aproximando mais – Não sei você, mas acho Johanna e Suho um casal muito improvável, e que provavelmente vai funcionar. Os dois tão focados, bons líderes… Não acha?

— Por que mesmo eu sou seu amigo? – Yixing murmurou trincando o maxilar – Eu não me importo com quem ele beija ou deixa de beijar, não me importo mesmo. 

Ivy gargalhou alto e se afastou um pouco.

— Eu no seu lugar iria atrás dele. – E com um piscar de olhos Ivy se afastou deixando Yixing perdido em pensamentos. 

O lufano não saberia dizer exatamente quantos minutos passou ali e quantas pessoas dispensou delicadamente, no entanto foi tempo o suficiente para observar o desenrolar de tudo que acontecia naquele sofá. Era um tanto masoquista, mas ele não conseguiu desviar os olhos nem mesmo quando Suho se inclinou puxando Johanna para um beijo nada próprio para ser visto por qualquer pessoa. 

Sentiu sua boca seca e o coração acelerado no decorrer em que o beijo se aprofundava, parte de sua mente quis ligar o foda-se e beber até não lembrar seu nome ou beijar a primeira pessoa que aparecesse em sua frente, no entanto, a parte mais sensata, sabia que Junmyeon iria precisar de si naquela noite já que muito provavelmente era a primeira vez que o garoto bebia assim. 

Suspirou pesadamente deixando sua cabeça tombar para trás fechando os olhos, havia visto o suficiente para saber o que estava sentindo e qual seria o próximo passo a tomar. Tudo o que poderia torcer, era que Junmyeon dissesse sim

— Acho que quero mais bebida. – Suho murmurou rindo em meio ao beijo, do lado oposto do salão – Vou buscar. 

— Traz pra mim, por favor. 

Suho concordou e levantou-se de uma vez, parou por um momento piscando repetidas vezes tentando fazer o mundo parar de girar. Não havia imaginado que o álcool tinha tido tanto efeito já que bebera sentado por praticamente toda a noite.

— Tá tudo bem, Suho? – Johanna questionou segurando a mão dele para que sentasse novamente. 

— Só… Só está tudo girando. – O lufano falou sentando-se e arrancou uma risada divertida da garota.

— Acontece quando se bebe álcool. – Ela respondeu e colocou-se de pé – Vou buscar água para você. 

— Água não. – Suho falou manhoso – Álcool. 

Johanna gargalhou alto e se afastou indo em direção a mesa de bebidas deixando para trás um Suho muito risonho.

— O que você está fazendo? – Alguém perguntou sentando-se ao lado de Suho. 

Demorou alguns segundos para o lufano conseguir focar sua atenção na pessoa que falava consigo, internamente torcia para ser um certo garoto de covinhas sentado ali, no entanto era Josh com um olhar preocupado. 

— Aproveitando a vida. – Junmyeon respondeu rindo novamente sem nenhum motivo aparente. 

— Você não é assim, Jun. – Josh falou. 

— E como eu sou? O tipo de pessoa que não aproveita a vida? – Junmyeon revirou os olhos, o que foi uma péssima ideia já que tudo girava – Não, valeu. Estou só bebendo e curtindo…

— Isso tem a ver com o Yixing? 

O nome de Yixing sendo proferido pela boca de seu amigo foi com um balde de sobriedade momentânea, Suho parou de rir e encarou Josh. 

— O que? – Perguntou piscando várias vezes seguidas. 

— Você. Agindo dessa forma. – Josh suspirou – Tem a ver com ele, não tem? 

Junmyeon mordeu o lábio inferior e soltou uma risada sem humor algum antes de voltar a olhar para Josh. 

— Sempre tem a ver com ele, não é? 

Johanna não demorou muito para voltar e logo os dois já estavam aos beijos novamente. Josh revirou os olhos e olhou ao redor do salão procurando por Faith, no entanto algo atraiu seu olhar e ele soltou uma risada nervosa. Escorado numa parede distante, sem nem ao menos tentar disfarçar, Yixing observava Suho com um olhar triste em seu rosto. 

Sem pensar duas vezes, Josh atravessou a multidão de pessoas jogando coisas cada vez mais estranhas e escorou-se ao lado de Yixing que nem ao menos desviou o olhar de Suho.

— Você devia levar ele embora. – Falou também olhando para o amigo. 

— Ele parece estar aproveitando bem a festa de hoje. – Yixing respondeu mal humorado. 

— Acredite, Yixing, ele estaria aproveitando mais se estivesse com você. – Respondeu e seu olhar captou uma Faith pulando ao redor de um grupo de sonserinos. – Não vou me intrometer na vida de vocês, mas se você se importa pelo menos um pouco com ele… Leve-o para o dormitório. 

E sem esperar uma resposta afastou-se de Yixing indo em direção à sua colega de Casa. 

Yixing respirou fundo e se afastou da parede esticando todo seu corpo, procurou ao redor até achar os dois primeiranistas, que estavam meio bêbados jogando qualquer coisa com Baekhyun e Minseok, reprimiu uma risada de reprovação antes de se aproximar puxando os dois pela orelha para um canto mais afastado dos outros garotos. 

— Ai cara, pra que agredir? – Skye falou afastando-se com um olhar magoado no rosto. – Qual a necessidade disso?

— Achei que tinha dito que não era para beberem. – Yixing respondeu arqueando uma sobrancelha com a expressão séria.

— A gente bebeu só aquele copo, mas acontece que temos 14 anos e nosso organismo é meio fraco ainda. – Tao falou massageando a orelha dolorida. 

— Tanto faz, acontece que agora vocês vão ter que fazer algo por mim. – Yixing olhou de um para outro que assentiram veementemente – Só quero que vão até o Suho e inventem qualquer coisa, o importante é convencê-lo a ir embora com vocês para o dormitório. E não citem meu nome de forma alguma, a ideia de levá-lo embora foi totalmente de vocês, okay?

— Mas a gente não quer ir embora… – Tao resmungou, mas logo se calou sob o olhar sério de Yixing. Era realmente de dar medo quando o garoto ficava assim.  – A gente pode ao menos beber mais um copo antes de fazer essa “missão”? 

Os dois primeiranistas encheram novamente seus copos rindo divertidos da situação e não demoraram em se aproximarem de Suho que, aparentemente, havia gostado muito de beijar Johanna já que não parava mais de fazê-lo. Tao e Skye se encararam por um momento antes de começarem a cutucar a bochecha de Junmyeon até que o mesmo cortasse o beijo exasperado e virasse bravo para os mais novos:

— O que vocês estão fazendo? 

— Queremos ir embora. – Skye falou bebendo um longo gole de seu copo e Tao logo a imitou.

— E desde quando você precisa da minha permissão, Skye? – Suho falou claramente irritado e bêbado. – E o que você está bebendo, Tao? Isso tem álcool? 

— Não. – Tao respondeu rápido – Mas eu quero muito ir embora e não quero ir sozinho.

— Vai com a Skye, ué. 

— A Skye não conta. – A sonserina disse referindo-se a si mesma na terceira pessoa voltando a beber de seu copo. 

— E a Skye não vai dormir comigo. – Tao acrescentou choroso – Você vai me deixar dormir sozinho?

Os olhos de Tao começaram a brilhar e seu lábio inferior a tremer como se ele estivesse prestes a começar a chorar, Suho suspirou cansado e olhou para Johanna que apenas riu erguendo as mãos como se dissesse que estava tudo bem nele ir embora. 

— Okay, vamos. Só não chore. – Suho falou e tentou se levantar cambaleando bem mais que antes – Inferno, eu ‘tô muito bêbado. 

Skye, com uma piscadela para um Zitao já sorridente, logo se adiantou fazendo com que o mais velho apoiasse um de seus braços em seus ombros enquanto o chinês se postou do outro lado de Suho. 

Não foi surpresa nenhuma para os garotos encontrarem Yixing esperando perto do quadro da mulher gorda e logo assumir o lugar dos primeiranistas passando o braço pela cintura de Suho apesar dos protestos do mesmo. 

— Hoje, pelo visto, eu é que vou ter que te dar banho. – Brincou e, como resposta, recebeu um empurrão. 

— Vocês deviam ter me avisado que ele estava metido nisso de me atrapalhar. – Grunhiu Suho indo para o corredor. 

— Ele não estava. Foi uma total coincidência ele estar esperando a gente na saída. – Tao falou acompanhando Skye que já pulava pelos corredores. – Vamos indo na frente, se não se importarem. 

— Não ouse sair de perto de mim, mocinho. – Suho falou perdendo o equilíbrio por um momento e logo sendo aparado por Yixing. 

— Desculpa, Jun. – Tao respondeu e piscou antes de correr atrás de Skylar.

— Qual seu problema, Yixing? – Suho perguntou estancando no lugar e olhando bravo para seu colega de casa.

— Você. – Murmurou suavemente dando um passo em direção ao outro – E meus malditos sentimentos.

 

***

 

Ivy caminhava de costas para o corredor, encarando Luhan e Yixing. O trio estava indo em direção a sala de Adivinhação e conversavam animadamente, bem, pelo menos era isso que as pessoas que os observavam pensavam. 

— Por que a gente não pode trocar de aula complementar? – Ivy reclamava para variar – Sério, é a aula mais inútil dessa escola e olha que eu gosto de procrastinar!

— Ivy, você tá reclamando dessa aula desde o primeiro dia! – LuHan falou mal humorado enquanto Yixing só cumprimentava um grupo de alunos da Sonserina com um sorriso simpático. – Aula do Nighy é ótima, e ele é gato pra caralho.

— Achei que você agora era fiel ao Xiumin – A menina começou com um sorriso traiçoeiro aparecendo.

— No dia que o Hannie ficar com  uma pessoa só, o mundo acaba – Yixing continuou a provocação, ouvindo a gargalhada de Ivy, e Luhan ficando com as bochechas vermelhas.

— N-nós estamos indo com calma, seus idiotas – O loiro falou rapidamente, logo um brilho malicioso passou por seus olhos – E justamente você, Yixing, falando de mim?

—  Você não sabe da nova? – A negra deu uma pausa dramática olhando para o moreno a sua frente que parecia não entender a situação – Nosso Xing aqui agora entrou pro celibato, ele vai para festas e não pega ninguém, já deve estar com teias na boca.

Luhan olhou abismado para o amigo que, ao contrário do que Ivy pensou, não ficou envergonhado, mas sim assumiu um olhar sonhador e suspirou alto.

— Talvez eu tenha menos teias agora – Yixing disse antes de subir a escada para o sótão onde ficava a sala de adivinhação.

Nessas aulas, Luhan sempre optava por ficar no meio da sala onde podia observar o professor Nighy ministrar a aula com toda sua beleza e jeito jovial, e às vezes ainda se perder nas paredes que tinham tecidos coloridos, que o menino veela podia jurar que formavam figuras que se mexiam. 

Mas isso não significava que ele realmente prestava atenção no que o professor dizia, apenas era interessante se perder na forma como sua boca se movia e como ele gesticulava bastante enquanto falava. Desde que Luhan aceitara que sentia certa atração por garotos, havia aprendido a apreciar as coisas agradáveis que aquilo lhe proporcionava. E encarar o professor mais gostoso de Hogwarts com certeza era uma dessas coisas.

Diferente de si, Yixing e Ivy se sentaram ao fundo da sala, onde o lufano encarava perdidamente um dos tecidos claramente com a cabeça em outro lugar, enquanto a garota revirava os olhos e bufava a cada informação exposta pelo professor sem fazer nem questão de disfarçar seu descontentamento com a aula.

— .... Então agora peguem os espelhos que estão na mesa de vocês e apenas observem. – Nighy instruiu caminhando pela sala – Lembrem-se que a Catoptromancia, assim como todas as artes de Adivinhação, é mais uma canalização da magia do que a técnica em si. Portanto a concentração e o foco são essenciais.

Ivy bufou novamente revirando os olhos para o pequeno espelho já em suas mãos, aquela aula era uma perda de tempo. 

— Não sintam-se frustrados caso não consigam ver nada… – O professor continuou, parando quase em frente a mesa da grifana – Nem todos possuem o dom. A propósito, Srta. Browning, qual seu signo?

Ivy abaixou o espelho lentamente e encarou o professor à sua frente com uma sobrancelha arqueada, Nighy devolveu o olhar fazendo com que toda a turma perdesse o foco dos espelhos.

— Meu signo? – Ivy revirou os olhos e riu alto.

— Seu signo. – Ele repetiu sorrindo.

— Leão. – Ela respondeu cruzando os braços, Nighy riu e ergueu as mãos, como se essa simples palavra explicasse tudo, virando-se para voltar para frente da sala – Por quê?

Nighy deu de ombros.

— Por que o senhor está agindo como se isso explicasse tudo? – A garota falou mais alto verdadeiramente irritada.

— Porque explica, leonina. Só observar isso aqui… – Ele apontou para ela e mostrou ao redor onde todos os encaravam – Bem coisa de leonina. De qualquer forma, agora que todos perderam o foco, estão liberados. 

Ivy arrumou seu material completamente irritada, como aquele professorzinho era convencido! Saiu da sala bufando praticamente pulando a escada do alçapão, mas respirou fundo e se apoiou na parede ali por perto para esperar os amigos, Yixing se despediu meio por cima e saiu em disparada, alegando que tinha que estar ajudando na enfermaria até a hora do jantar. A menina viu o exato momento em que Luhan saiu da sala, o garoto veela como sempre estava cercado por outros alunos, mas isso não a intimidava então atravessou a pequena comitiva se jogando em cima do amigo. 

— Você lembra do D.O, né? – um menino pálido demais da sonserina falava no momento em que a garota chegou a roda – Parece que ele liberou uma lista de ingredientes e quem encontrar vai ter direito a um pedido… 

— Por que sempre que tem sonserinos na roda, vocês estão falando de contrabando?

— Sério? Qualquer coisa mesmo? – Luhan disse muito animado cortando a amiga que apenas revirou os olhos. 

— Bom, pelo o que ele está pedindo acredito que sim, não sei quem vai ter coragem de procurar esses itens. 

–– Eu tenho uma vaga ideia de quem poderia – Ivy lançou pensando especificamente no grifano de cabelos rosas que sempre se metia nessas situações. 

O grupo continuou conversando enquanto lentamente as pessoas iam se separando seguindo o seu caminho. 

 

***

 

Os jardins da ala oeste eram um dos melhores locais para se reunir e relaxar ao ar livre. Construído após a Batalha de Hogwarts, era completamente diferente do jardim praticamente abandonado localizado do outro lado do colégio. Ali, na ala oeste, não era possível ver o lago ou a Floresta Proibida, ao invés disso a visão era toda preenchida por colinas e flores. No centro, havia uma grande fonte feita de pedras brancas que davam ao local uma aparência refrescante.

 Sentado na mureta da fonte, Park Chanyeol observava os outros sonserinos a sua volta, que conversavam animadamente, mas mesmo que os companheiros de casa já estivessem acostumados com ele, ainda assim a interação era desajeitada. 

— Vocês viram a Timeless dessa semana? – Caleb disse animado. 

— Falando sobre aquela modelozinha francesa? – Hayden falou revirando os olhos.

— Sim! Eu vi! – Um outro garoto falou inclinando-se para frente – Falando que ela veio até Hogsmeade só para encontrar com o Principezinho de Hogwarts. Tinha até foto dos dois de mãos dadas e tudo.

— Eu já falei para não chamarem aquele imbecil assim. – Resmungou Kris olhando para a cima. 

— Imbecil mesmo e um perdedor, não entendo porque ele tem toda essa fama. – Completou Tariq olhando para Kris em busca de aprovação. 

— Vocês já viram ele jogando quadribol? Ele tem medo de altura. – Debochou Hayden rindo e arrancando risadas de todos os outros sonserinos. 

— Sem contar que esse lixo praticamente só anda com sangue ruins e amantes de trouxas. – Kris rebateu com uma expressão de nojo fazendo Chanyeol revirar os olhos – Uma decepção para essa escola. 

— Tá, gente. Mas não estamos falando do Luhan, estamos falando da Irene. – Interrompeu Caleb tentando fazer o assunto voltar ao ponto principal. 

— Não sei como a Irene continua noiva desse menino, ele trai ela o tempo todo. E com meninos. – Falou um outro horrorizado fazendo com que Tariq engasgasse com a própria saliva olhando para o outro lado.

— Realmente, um absurdo. – Concordou Tariq – Sinceramente, não sei como as pessoas se prezam a esse papel. Além de comprometido ainda é amante de trouxas… Que nojo!

— Inclusive, vocês ouviram o boato de que ele está meio que namorando com o filho da Ministra? – Uma sonserina falou. 

— O quê?! – Kris, que até então já havia se distraído com uma formiga andando na mão de Hayden, exclamou voltando total atenção para a sonserina que falara. – Com o filho da Ministra? 

— Sim, sim. Hogwarts inteira está comentando, não sei como você não ouviu falar. – Caleb resmungou – Mas como eu ia dizendo, a Iren-

— Vocês realmente acham que o filho da Ministra ia realmente se prestar ao papel de amante? – Interrompeu Kris. 

— Por que não? – A voz de Chanyeol se sobressaiu. – Os dois são bem… Próximos.

— Porque isso não faz o feitio do Xiumin, seu amante de trouxas. – Respondeu Kris sem nem pensar. 

— Xiumin? Você parece bem íntimo dele, Kris. – Observou Chanyeol exibindo aquele sorriso insuportável que apenas despertava no mais velho a vontade de afogá-lo na fonte. 

— A gente só tem algumas aulas juntos. – Respondeu Kris respirando fundo disposto a ignorar o amante de trouxas. 

— Mas eu também tenho algumas aulas com ele e o filho da Ministra não parece conv… – Um outro garoto começou a falar, no entanto se calou ao receber o olhar de Kris. – Nada não. 

— Foda-se se o filho da Ministra tá namorando o Principezinho. – Reclamou Caleb – Estávamos falando da Irene!

— Ninguém quer saber de sua paixão pela francesinha, Caleb. – Falou Hayden revirando os olhos.

Caleb pareceu inflar de raiva e não demorou muito para que ambos entrassem em uma discussão cheia de ofensas desnecessárias, os demais sonserinos apenas observavam a cena a sua frente um tanto curiosos enquanto Kris e Chanyeol, alheios a tudo isso, acabaram por entrar em uma outra discussão sobre qual cor de hipogrifo era mais bonita. 

— É tudo culpa do Yifan e esse amor dele por amantes de trouxas! – Exclamou Caleb que, nesse ponto da discussão, já estava em pé. 

— O que foi que você disse? – Kris respondeu, a voz soando baixa e ameaçadora. 

— Exatamente o que você ouviu, Yifan! – Falou Caleb. – Algum problema com isso? 

— Nosso problema, na verdade, é você, Caleb. – Respondeu Tariq intervindo na discussão. – Por que você não se coloca no seu lugar e cala a porra da boca? 

— Você mandando eu calar a boca? Logo você que não consegue nem ir mijar sem que o Kris mande? – Debochou Caleb, todo o local imerso em um silêncio. 

— Pelo menos uma coisa esse inútil acertou. – Falou Hayden jogando os cabelos sobre os ombros – Nosso problema é você, Caleb. Ninguém te suporta. 

— Todos me amam, seus imbecis. – Caleb disse erguendo os braços e Kris soltou uma sonora gargalhada. 

— Você é quem você é porque eu deixei você ser, entendeu? – Kris retrucou também se levantando – E, se eu quiser, você deixar de ser. Simples assim. 

— Vai sonhando. – Caleb riu – Os sonserinos nunca vão querer se associar com amantes de trouxas ou sangue ruins!

— Nunca disse o contrário. – Kris se espreguiçou virando-se para ir embora – Mas isso não muda o fato de que você ainda é um perdedor, tão desprezível quanto os sangue ruins.

Tariq e Hayden foram os primeiros a se levantar, quase tropeçando nos próprios pés na pressa para seguir o mais velho. Os outros sonserinos, meio hesitantes, desculparam-se com o olhar e também foram atrás de Kris. 

— É, se eu fosse você não tinha duvidado. – Chanyeol, o último sonserino a se levantar, disse dando uma sonora gargalhada antes de apressar o passo para alcançar Kris, deixando para trás um Caleb extremamente furioso. 

Não demorou muito para Chanyeol, com suas longas pernas, alcançar Kris logo na entrada do castelo. O garoto andava como se fosse o dono da escola, com todos seus colegas de casa seguindo de perto seus passos com real admiração. 

— Sabe, seria bem engraçado caso ninguém te seguisse. – Alfinetou Chanyeol quando conseguiu se posicionar ao lado de Kris. 

— Park… Park, por favor né, me respeita. – Kris falou revirando os olhos soltando uma risadinha olhando de esguelha para Chanyeol – Não me compare a você. 

— Quantos anos você tem mesmo? – Incrivelmente, Kris riu dessa pergunta estúpida de Chanyeol que apenas o empurrou de leve antes de olhar para frente e se deparar com Baekhyun. 

Sim, Baekhyun. Seu melhor amigo que ele não conversava há algum tempo. O sorriso que Chanyeol ostentava se fechou automaticamente quando seus olhares se encontraram, foi apenas uma fração de segundo que pareceu durar uma eternidade. 

Baekhyun apenas balançou a cabeça e virou-se de volta para o caminho que viera.

— Era aquele sangue ruim? – Resmungou Kris torcendo o nariz, atrás de si pode-se ouvir várias concordâncias – Isso explica todo esse mau cheiro. 

Chanyeol não seguiu Baekhyun, mesmo que tenha visto a decepção em seu olhar. Também não ousou discordar de Kris ou dizer qualquer coisa que fosse para defender seu amigo. 

Tudo que fez foi abaixar a cabeça e seguir seu caminho para a Comunal.

 

***

 

LuHan se perguntava o motivo de estar no time de quadribol, não valia a pena se teria que subir numa vassoura na tarde com mais neblina que já viu. A visibilidade era horrível, Johanna estava totalmente irritada e Ivy, ele definitivamente não queria se aproximar da outra artilheira, que sempre ficava super competitiva em jogos contra a Sonserina.

A Sonserina estava na frente, a baixa visibilidade ajudava para as entradas fossem mais duras e Ivy via o quanto o menino veela estava retraído. Quando uma chuva torrencial começou a cair, molhando os cachos definidos da menina negra, o que só a deixou mais irritada e por isso, em um ato impensado, a garota mergulhou atrás da goles roubando do artilheiro e, fazendo uma finta, passou a goles para LuHan que marcou ponto para Grifinória. 

— E É GOL DA GRIFINÓRIA! – Chen gritou semicerrando os olhos para enxergar o que acontecia no campo através da chuva. – Após um passe perfeito de Ivy, o principezinho de Hogwarts marcou o primeiro ponto para a Grifinória! Já não era sem tempo né, convenhamos que o jogo está sendo meio difícil para eles já que estão jogando contra os porcos da Sonserin-

— Jongdae! Objetividade! – A professora Holloway falou parecendo cansada. 

— Desculpa, professora! Como eu ia dizendo, a chuva tem dificultado o jogo para todos e a Sonserina, como a Casa mais honesta e bondosa, não tem se aproveitado nem um pouco da visibilidade horrível para fazer suas jogadas sujas e… – Chen narrou bufando exasperado, mas se interrompeu ao receber mais um olhar reprovador da professora. Sinceramente, nem a Srta. Holloway entendia porque ainda mantinham aquele aluno como narrador.

O time vermelho e dourado comemorava o ponto e Tariq – goleiro da Sonserina – cerrava os olhos irritados, detestava a forma como os artilheiros adversários pareciam tão confiantes, tirou o excesso de água que molhava o rosto e preparou-se para qualquer novo avanço. Tariq esperava que Caleb fizesse um trabalho decente como batedor ou ele mesmo sairia do gol e acabaria com essa merda de jogo, ele não seria burro de subestimar um time tão consistente quanto o atual elenco da Grifinória.

O jogo continuou e as entradas estavam ficando cada vez mais violentas, assim como a provocação verbal, as coisas estavam saindo do controle e, no entanto, Luhan só queria desviar dos balaços e tentar não trombar com nenhum companheiro de time. Mas nunca as coisas são simples e ele praticamente estava sendo perseguido pelos batedores da Sonserina, fazendo ser impossível se aproximar do aro. 

Os poucos pontos que a Grifinória estava conseguindo fazer era derivado das inúmeras faltas que o time adversário cometia. Xiumin estava se sentindo pressionado, nunca fez tantas defesas e, para piorar, o seu time estava recuado.

Definitivamente aquele não estava sendo um jogo fácil.

— Lucy, artilheira da Grifinória, está com a posse da goles. Ela avança junto com Ivy em uma sincronia incrível driblando todo o time da Sonserina… Luhan se desvia de mais um balaço jogado contra ele, o que nem faz sentido já que ele nem está com a goles… – Chen suspirou e se inclinou mais para a frente, estava difícil para ele enxergar o jogo e só conseguia sentir pena do professor Nighy, que estava apitando, e dos jogadores… Da Grifinória, lógico. – Lucy se prepara para lançar a goles e… UAU! A garota não arremessou, ela fez um passe maravilhoso! Agora a goles está com a Ivy, ela nunca decepciona, ela se prepara para o arremesse e… AH NÃO! ELA ERROU. Infelizmente, esse novo goleiro da Sonserina é tão bom quanto a Bombinha de Caramelo.  

— Eu realmente preciso falar de novo, Jongdae? 

— Voltando ao jogo. A Grifinória errou e… Calma, calma… QUÊ? MUITA COISA ACONTECEU AO MESMO TEMPO, MEU MERLIN! 

No instante em que errou o gol, Ivy sabia que alguma coisa ia dar muito errado naquele jogo, não que já não estivesse. Frustrada, ela xingou o maior número de palavrões que lembrou e só ficou mais irritada ainda quando ouviu a voz baixa do idiota do goleiro se sobressaindo através do barulho da chuva:

— Quer que eu pegue mais leve? Posso deixar algumas goles passar se a mocinha quiser…

A garota apenas ignorou a provocação cerrando os dentes, mas em sua cabeça ela se via estuporando o cara de sobrancelhas estranhas. Tariq passou a goles para o artilheiro do time que prontamente foi marcado pelos batedores da Grifinória. Lucy mergulhou atrás da goles e, quando tomou posse dela, tudo aconteceu muito rápido, só viu o momento em que Luhan caiu e o árbitro rapidamente pegar o menino antes que ele batesse no chão.

O professor Nighy parou a partida e os demais jogadores desceram do ar indo até uma tenda armada ali para caso algo do tipo acontecesse. Yixing, que auxiliava na enfermaria, correu em direção a Luhan com a bolsa com poções e varinha a postos, o artilheiro da grifinória gemia de dor enquanto segurava o braço.

Minseok largou a vassoura no gramado se colocando ao lado do melhor amigo.

— Hannie… – Xiumin murmurou sem saber muito bem o que falar enquanto Luhan continuava gemendo de dor. 

— Ele só quebrou o braço. – Yixing falou vasculhando a bolsa em busca de uma poção para dor. 

Só quebrei o braço?  – Luhan exclamou tentando se erguer – Só? Ai meu Merlin, eu vou morrer!

— Calma, Hannie… – Xiumin empurrou cuidadosamente Luhan de volta para o chão, o garoto parecia cada vez mais agitado. 

— Calma? Ah não, Minnie! Eu quebrei o braço! – Ele falou segurando o braço quebrado e fazendo uma careta de dor. 

— Sem exagero, Luhan. – Yixing ralhou – Toma essa poção que logo você vai estar pronto para voltar para o jogo. 

— O QUÊ?! – Os olhos de Luhan se arregalaram – Minha cabeça está doendo! Eu acho que bati ela quando cai, tenho certeza que tenho uma concussão e meu braço tá quebrado! Como você quer que eu volte para o jogo?

— Você não bateu a cabeça quando caiu. – Xiumin ressaltou. 

— Você está fazendo pouco caso da minha dor?! Grandes amigos que eu fui arrumar! – Luhan parou de falar por um segundo quando Yixing delicadamente empurrou a poção goela a baixo – Eu sinto a vida se esvaindo de mim aos poucos e ninguém se importa!

— Luhan, para de drama. – Yixing falou já sem prestar total atenção nos resmungos do grifano, estava mais curioso com o barraco acontecendo ali perto. 

— Eu não estou fazendo drama! – Luhan beliscou o braço do chinês – Só me leva para enfermaria, eu estou morrendo.

— Leva ele pra enfermaria, Xing. – Xiumin falou se levantando – Ele só está com medo de voltar ao jogo.

— Olha aqui, Minseok, eu não estou com medo coisa nenhuma! Queria só ver se você estivesse com o braço quebrado e uma concussão se estaria falando desse jeito! Sabe o que te falta? Empatia!

— Mas seu braço já está quase bom… – Yixing falou apertando o braço machucado de Luhan que se contorceu gritando de dor, antes que pudesse falar mais alguma coisa o lufano levou um beliscão ainda mais forte. 

— Só vamos para a enfermaria, Lay! – Rosnou Luhan entredentes. 

E, sem nenhuma outra alternativa, Yixing apoiou Luhan e juntos saíram em direção a enfermaria, com o garoto veela mancando sem nenhum motivo aparente. 

Perto dali, Ivy parecia só um emaranhado de cabelo e raiva enquanto apontava o dedo na cara do batedor que derrubara Luhan ao mesmo tempo que gritava:

— Ele nem estava com a maldita da goles, seu imbecil! Você tem ideia do que poderia ter acontecido caso o Nighy não tivesse aparado a queda do Luhan? 

— Caso você não saiba, quadribol é um jogo violento! – Exclamou Tariq já cansado daquela garota ofendendo todos de seu time – E as pessoas se machucam, é normal! 

— Ah, então é normal? – Ivy voltou sua raiva para Tariq fazendo com que o batedor soltasse um suspiro aliviado e se afastasse dali. – E se o queridinho daquele idiota do Kris estivesse jogando e levasse um balaço na cara? Seria normal também? 

— O Kris nunca seria atingido por um balaço. – O pescoço de Tariq assumiu uma coloração vermelha devido a raiva que subiu assim que ouviu o nome de seu amado ser proferido por aquela boca imunda. – Mas não é como se uma garotinha como você pudesse entender de quadribol, não é mesmo? 

Aquela frase foi a gota d’água para Ivy. Ela aceitava diversos tipos de ofensas, mas uma coisa que sua mãe – a líder do Movimento Feminista Bruxo – lhe havia ensinado era nunca, em hipótese alguma, deixar um macho diminuí-la simplesmente por ser mulher. 

Antes que qualquer um dos grifanos, que já a conheciam bem o suficiente para saber que ela não iria ficar quieta diante daquela frase, pudessem fazer qualquer coisa, Ivy sacou sua varinha e gritou:

Densaugeo!

O que ninguém esperava era que Tariq também já estaria com a varinha a postos e gritou no mesmo segundo:

Furnunculus!

Nighy, que até então estava discutindo alguma coisa com os capitães dos times, voltou-se correndo para a ceninha que se desenrolara. Ele não achou a briga entre aqueles alunos resultaria em uma espécie de duelo infantil. 

— O que está acontecendo aqui? – Nighy gritou e voltou seu olhar para o sonserino cujo os dentes já estavam na altura do queixo. 

— Ela me enfeitiçou! – Tariq tentou explicar, a frase saindo meio embolada devido ao crescimento súbito dos dois incisivos superiores. 

— Eu te enfeiticei? OLHA PRA MIM! OLHA ESSAS COISAS NOJENTAS CRESCENDO NO MEU CORPO! – Ivy gritou se retraindo um pouco ao olhar para os furúnculos purolentos que agora tomavam conta de seu corpo. 

— Quer saber? Os dois estão expulsos do jogo! – Nighy respirou fundo tentando manter a calma – E vão já para a enfermaria antes que a situação piore!

— O quê? – Ivy e Tariq exclamaram ao mesmo tempo, em seguida se encararam trocando mais um olhar de ódio. 

— Nighy, você não pode expulsar a Ivy! Eu já perdi um artilheiro! – Johanna entrou no meio da discussão.

— Não posso? – Os olhos do professor faiscaram – Eles infringiram a regra e, caso não queira que mais pessoas sejam expulsas, eu sugeriria que vocês voltassem agora para o jogo!

— Mas Nighy…– Ivy tentou protestar enquanto Tariq já se afastava batendo o pé com raiva, os dentes quase na altura de sua cintura. 

— Sem nenhum “mas”, leonina! Eu vou contar até três e se você ainda estiver reclamando aqui na minha frente, vou te suspender de todos os jogos e tirar 50 pontos da grifinória. 

— Para de me chamar de leonina!

— Um… Dois…

E antes que Nighy pronunciasse o número três, Ivy engoliu todo seu orgulho e afastou-se do campo sem ter a menor dúvida que o professor de Adivinhação era a segunda coisa que ela mais odiava em toda a Hogwarts. 

A primeira definitivamente era Tariq Gordon.


Notas Finais


Avisos: Bullying, menores ingerindo álcool.
Se alguém sofre alguma discriminação dentro da escola, não fiquem calados sobre isso, conversem com um responsável e não se sintam sozinhos, saibam que sempre existe apoio :3
Ahh, e deixando claro que por lei, aqui no Brasil, álcool é permitido apenas para maiores de 18 anos e não estamos incentivando de forma alguma a infringirem essa lei.

L: Nem vou falar muito sobre esse capítulo pq aconteceu tanta coisa, que nem sei por onde começar, mas só quero dizer que queria ter o auto controle do Suho ksksks
Nosso twitter é @junxinglover e @soft_estou
Se quiserem comentar ou conversar com a gente sintam-se a vontade, eu adoro conhecer vocês :3
Até o próximo, beijinhos açucarados


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