História Under Waves (HIATUS) - Capítulo 8


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Categorias Alexis Ren, Ashley Benson, Chaz Somers, Christian Beadles, Dave Franco, Justin Bieber, Nicola Peltz, Pattie Mallette, Ryan Butler, Selena Gomez
Personagens Alexis Ren, Ashley Benson, Justin Bieber, Nicola Peltz, Ryan Butler, Selena Gomez
Tags Ashley Benson, Jelena, Justin Bieber, Nicola Peltz, Ryan Butler, Selena Gomez, Surfe
Visualizações 290
Palavras 5.264
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Esporte, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Incesto, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


voltei!

Capítulo 8 - Justin foi um verdadeiro herói.


Fanfic / Fanfiction Under Waves (HIATUS) - Capítulo 8 - Justin foi um verdadeiro herói.

                                   Selena Gomez's Point Of View. | San Diego, Califórnia.

Sinto algo pressionar meus lábios, uma coisa gelada e quente ao mesmo tempo. Percebo também que é macio como uma nuvem,  água sai da minha boca e meu corpo treme na areia gelada enquanto cuspo todo o resto do líquido que há em minha garganta. Quando meus olhos se abrem enxergo dois olhos caramelos próximos o suficiente para poder notar as gotículas de água em seus cílios. Justin está com seu rosto tão próximo do meu que sinto sua respiração em minha boca, seus lábios estão posicionados de uma forma que me dão a certeza que são eles a fonte de calor dos meus. Aos poucos vou erguendo meu tronco da areia molhada, há inúmeras pessoas em minha volta, então começo a entender o que havia acontecido. Levei um caldo, e dos grandes pelo visto, com toda certeza devo ter apagado com a força das ondas. Porém, não é isso que me preocupa agora, nem mesmo a dor de cabeça me distraí do meu objetivo final. Tento enxergar o placar, porém, os corpos postos um ao lado do outro dificultam qualquer visão que eu queira ter.

— Não me diz que eu não consegui me  classificar. — minha garganta dói com o movimento simples da fala, mas posso lidar com isso depois.

Justin senta em seus tornozelos e descansa suas mãos em sua bermuda molhada. Ele havia entrado na água para me tirar de lá? Tal pensamento mexe com algo ainda inexplicável dentro de mim.

— É com isso que está preocupada? Você quase morreu, Selena!

— Justin tem razão, amiga. Você precisa ir para casa e descansar. — Ashley aparece de repente ao meu lado. Seu semblante preocupado não é suficiente para me fazer parar de pensar na classificação e começar a me preocupar com o meu bem-estar.

— Eu não fui classificada, não é? — estou a ponto de ter um surto no meio das pessoas, que agora começam a se espalhar na praia. Contudo, o sorriso da minha melhor amiga me acalma no mesmo momento.

— É claro que você se classificou, sua boba. — volto a respirar normalmente. — Foi em segundo lugar, mas isso é ótimo devido às circunstâncias.

— Ah, eu posso tentar recuperar meus pontos na próxima.Tenho que conseguir. — passo as mãos em meu rosto e em meus cabelos, que estão duros e cobertos pela areia. Após esse pequeno momento de adrenalina para descobrir se iria ou não para o Havaí, meu corpo está acordando e recebendo todas as dores de todas as partes que antes eu não estava sentindo. — Por que você está todo molhado, baby? — faço a pergunta que ronda em minha mente.

— Justin foi um verdadeiro herói, Selena. Quando viu que os salva-vidas estavam demorando muito para entrar na água ele correu para tirar você de lá. — a loura interrompe qualquer coisa que Justin poderia querer falar, e seu ombro nu bate no meu. Há um risinho maroto brotando em seus lábios rosados. — Teve respiração boca-a-boca e tudo. Foi excitante de ver.

Prendo a respiração e meus olhos dormentes vagam em direção aos de Justin. Seu rosto adquiriu um tom de vermelho na região da bochecha, deixando evidente que havia ficado constrangido com as palavras da loura. Ashley tem esse poder de deixar qualquer pessoa sem graça com algo que sai da sua língua afiadíssima, como já estou acostumada, suas palavras não fazem tamanho efeito em mim, pois já sei lidar com sua cara de pau. Entretanto, saber que Justin se arriscou por mim sem nem pensar duas vezes deixou um calor preencher meu corpo como uma madeira é queimada rapidamente.

— Obrigada, Justin. De verdade. — sinto as mãos da minha amiga ajudando-me a levantar, o garoto segue meus movimentos.

— Não precisa agradecer, apenas fiz o que achei ser certo. Mas devo dizer que você me deu um baita susto. — sua risada rouca chega até meus ouvidos por conta do vento forte que faz o favor de trazê-la até mim.

Uma garrafa de água é colocada em frente ao meu rosto, as tatuagens no pulso confirmam que o garoto de olhos azuis se deu ao trabalho de comprar uma para mim e outra para Justin. Não sei se ele está fazendo isso para impressionar minha amiga, o que de fato não precisa porque ela já está na dele, ou ele é um babaca que consegue ser legal às vezes.

Decido lhe dar uma chance e opto pela segunda opção. Chance deveria ser a última coisa que eu poderia dar para alguém agora, mas são situações distintas, não é como se eu fosse me apaixonar por ele e com isso dar a liberdade para me decepcionar. Ugh! Só em imaginar tal coisa meu estômago gira de desgosto e preciso tomar um generoso gole da água para tentar afastar a ânsia.

— Que bom que você não morreu, gatinha. Não sou muito bom em consolar pessoas. — suas bolas azuis se direcionam para Ashley e depois para Justin, com um ar divertido pairando em volta.

Antes que eu pudesse dizer alguma fui interrompida por um dos organizadores do evento. Ele segura uma prancheta nas mãos e me fita como se quisesse checar se não deixei nenhuma parte do corpo dentro daquela água com ondas violentas. Não é o primeiro caldo que levo e sei que também não será o último, e isso não me assusta nem um pouco. A única coisa que devo me preocupar é com o que acontece quando estou dentro da água, há inúmeras técnicas que você aprende com o passar do tempo ou com um instrutor de nado. Ainda faço alguns exercícios para prender a respiração, o que é essencial quando está lá embaixo. Quanto mais tempo conseguir segurar o fôlego maior são as chances de sair viva de uma queda e um caldo como aquele. Contudo, meu problema com a queda de hoje não foi por conta da respiração e sim por algo que bateu em minha cabeça, talvez a minha prancha ou algum coral, não sei dizer ao certo, mas me fez apagar no mesmo instante.

Não quero pensar no que poderia ter acontecido se não fosse por Justin, e é melhor não ficar pensando nisso agora. Ao mesmo tempo que meu corpo quer uma cama para descansar, ele também quer dar inúmeras piruetas de alegria por eu ter consigo aquilo que vim treinando há tanto tempo.

— Selena Gomez, venha comigo para receber todas as informações necessárias para a prova final. — é o que diz, e não demoro para seguí-lo para dentro de uma das tendas onde estão os outros dois da região que se classificaram.

Recebo algumas informações que são novidades para mim e algumas outras eu já possuía uma boa ideia. Uma das novidades é que uma empresa grande quer me patrocinar, isso é muito bom no meio desse esporte, dá uma boa visibilidade para o competidor. O que eu tinha que fazer é posar para algumas fotos da marca e caso ganhe a competição final eles irão ficar com uma pequena parte do dinheiro. Grana para mim não é problema, tenho o dinheiro que meus avós deixaram para mim(que é um bom dinheiro, aliás) e também tenho o dinheiro mensal que meus pais mandam. Não entrei nessa competição por dinheiro, talvez por reconhecimento, mas nada dessas coisas supera a boa sensação de fazer o que eu amo fazer. Surfar já faz parte de mim, foi a maneira que encontrei de me manter em paz comigo mesma. Quando viajava para ilhas paradisíacas com os meus pais, a primeira coisa que eu queria fazer era surfar, por isso aprendi desde pequena. Porém, apenas quando me mudei de vez para uma cidade com bastante praias, que escolhi levar isso mais a sério. E, pelo visto, é a melhor coisa que eu poderia ter feito. Está dando certo e torço para que continue assim.

Precisei fazer alguns rápidos testes com os médicos que ficam por aqui para algum caso de acidente grave, o meu não está dentro dessa escala, mas eles acharam melhor checar antes de me deixar ir embora.

Ainda não havia dado minha resposta sobre o patrocínio, apenas sei que tenho até duas semanas para pensar. A prova final será daqui há dois meses e meio, apesar de meio longe, também sinto que está muito perto. Preciso focar bastante porque não peguei o primeiro lugar hoje então tenho que dar meu máximo para conseguir pontos maiores nas próximas baterias.

A praia já não está tão cheia como anteriormente, e as tendas erguidas para a competição já estão sendo desmontadas. Quando caminho para onde havia deixado meu carro, vejo rapidamente Ashley e Justin conversando alegremente enquanto Ryan tem uma Kathryn rindo histericamente em suas costas.

Droga! Ashley ama quando os caras são bons com ela, porém, o que deixa ela de quatro é caras que são bons com sua filha. Se o louro continuar assim terei que ter o desprazer de continuar vendo ele por algum tempo.

— Está tudo certo? O que eles disseram? — Ashley é a primeira a perguntar.

— Nada demais. Prometo contar quando estivermos em casa, eu estou com uma enorme fome. Podemos ir agora para que eu possa comer alguma coisa? — entrego minha bolsa para ela. Não estou em condições para dirigir agora em hipótese alguma.

— Selena, eu preciso te contar algo. Não sei se vai ficar contente ou achar que realmente devo contar, mas não quero esconder isso de você. — Justin passa as mãos na bermuda que estão praticamente secas, assim como a roupa que visto.

— E eu realmente preciso comer, então você pode ir até minha casa e me contar essa tal coisa importante enquanto eu me alimento. — não espero por uma resposta e adentro o carro.

Ryan senta no banco de trás com Kathryn sem ao menos ser convidado, mas estou fraca demais para me opor contra sua falta de vergonha na cara. Passei toda a curta viagem para casa com meus olhos fechados, pois as imagens correndo rapidamente por minha janela não ajudam muito na minha tontura.

A primeira coisa que fiz ao pisar em casa foi jogar-me no sofá e esperar Ashley trazer algo para fortalecer minhas energias antes que um desmaio me encontre. Justin está sentado no sofá a minha frente com a sua típica cara de garotinho assustado, enquanto seus olhos estão fixados no chão. Minha mão, quase dormente por sustentar o meu rosto, espreme minha bochecha quando meus olhos estão nele. Agradeço pelo sol quente do dia que secou nossas roupas quando estávamos na praia, mas a areia em nossos cabelos ainda é evidente. Terei que dar uma boa faxina em casa porque não tive muito tempo para realizar isso durante esses dias.

Não que eu me preocupe muito com isso, mas é sempre bom manter tudo limpinho.

— O que você queria me dizer, baby? — levo o suco até minha boca, meus olhos captam Ashley e o lourinho chato indo para o fundo da casa, onde há um pequeno caminho de pedras que leva para uma praia pouco movimentada.

— Jolyn foi embora, Selena. Mamãe a mandou para onde papai está passando um tempo por causa dos compromissos da empresa. — sua voz sai baixinha, hesitante. No entanto, consigo ouvir claramente, e isso me deixa com a atenção totalmente virada para ele.

Eu espero, espero por algo que ao menos sei o que devo esperar. Tristeza? Agonia? Não faço ideia, mas nada dessas coisas vem para mim, apenas sinto uma sensação mais leve, como um peso tirado das minhas costas. Uma sensação de tranquilidade que eu realmente não esperava. É esse sentimento quando você deixa de amar alguém? Se for, é algo diferente de tudo que já senti, e estou bem com isso agora.

Apesar de querer falar algo, permaneço em silêncio por alguns minutos. Fico vislumbrando o céu azul pela grande janela da sala de estar.O sol brilha de forma egoísta, como se ele não quisesse dividir sua grandeza com mais ninguém. Algumas vezes eu me vejo como o sol, outras como o mar, que está sempre em constante mudança, como as ondas que nascem do nada e se transformam num tudo para depois voltar do começo novamente. É isso que sou.

— Melhor coisa que ela poderia ter feito. Apesar da cidade ser grande, seria meio difícil não dar de cara com ela por aí sendo que frequentamos os mesmos lugares. — sorrio para ele, que me encara surpreso. O que ele achava que eu iria fazer? Cair no choro por conta disso?

É claro que não. Quando estou apaixonada por uma pessoa ela se torna prioridade em minha vida, e entrego-me da forma mais intensa possível, porém, quando sou passada para trás e a raiva domina meus sentimentos por uma pessoa, é ainda mais intenso. Jolyn era a última pessoa que poderia me fazer mal, confiei todo meu coração nela, para que no final cobrí-lo com veneno que corrói todos os pedaços dele até não sobrar mais nada para ser reconstruído.

— Achei que iria ficar triste com isso, por isso não quis contar mais cedo. Achei que iria atrapalhar em seu desempenho.

Ele tenta passar seus cabelos para trás, porém, o sal deixou os fios bem mais rebeldes do que realmente são no dia-a-dia.

— Agradeço! Mas isso é motivo de comemoração, não acha? — como a pizza de ontem é a única coisa "pronta" que tem para comer, estendo a caixa para mais perto dele e sento-me ao seu lado.

— Não sei se é bem isso. Mesmo que ela não tenha sido uma pessoa muito legal comigo durante alguns anos, continua sendo minha irmã e eu ainda a amo. — seus olhos estão vagos e seus dedos brincam com a borda da pizza com sua mão.

Sinto-me mal agora, por dois anos deixei Jolyn humilhar Justin inúmeras vezes, apenas quando eu achava que ela ia longe demais interferia. Mas foram tão poucas vezes que fiz algo para ajudá-lo que mal consigo lembrar dos detalhes. E agora ele vem mostrando ser uma pessoa tão diferente do que eu achava e acreditava que era. A culpa me destrói por dentro. Sei como é ser julgado por pessoas que não te conhecem de verdade e acham que podem te rotular sem ao menos tentar te conhecer de verdade. Tenho que me redimir com Justin antes que meu corpo sofra uma explosão pelo sentimento que tenho agora. Tentar ser mais agradável parece um bom começo.

— Você é um bom garoto, baby. — um sorriso brota em meus lábios quando vejo um brilho de agradecimento em seus olhos. Justin possui duas bolas castanhas mais como caramelo que são tão atrativos que chega a ser impossível não se impressionar. — Me desculpe por tudo que fiz, e pelas coisas que poderia ter feito, mas preferi deixar rolar. Jolyn não merece um irmão como você, mas é bom saber que você não é de guardar rancor senão eu estaria bem ferrada.

— Eu jamais guardaria rancor de você, Selena. Não quando sou...

Somos interrompidos por uma Kathryn gritando animada enquanto arrasta uma de suas bonecas descabeladas pelo chão. Pelo caminho que faz percebo que ela saiu justamente de onde a mãe estava, e no instante seguinte uma Ashley com os lábios rosados e quase tão descabelada quanto a boneca da filha, aparece em nossa frente.

— Mamãe estava beijando na boca! — a risada da menina é alta, e Justin faz questão de acompanhar.

Apenas rolo meus olhos para minha amiga que não está nem um pouco envergonhada por ter sido pega no flagra pela própria filha.

— Você é nojenta. — minha cabeça lateja, avisando-me que ainda preciso descansar. — Irei dormir um pouco, ainda não estou cem por cento bem. Obrigada mais uma vez, Justin.

Deixo um beijo em sua bochecha e caminho para meu quarto, com pretensões de levantar apenas na madrugada do dia seguinte.

                                    Duas semanas depois.

Estou de volta a algum lugar que sei que já estive, mas não consigo reconhecer de imediato. Porém, quando saio do estabelecimento vejo que é o pequeno mercadinho que havia achado no primeiro dia que cheguei em San Diego. Há apenas uma pessoa me esperando do lado de fora, com os cabelos louros esvoaçando para todos os lados. Quando me aproximo o suficiente para ver seu rosto distante de qualquer imperfeição, Justin está sorrindo para mim como se eu fosse seu próprio mundo particular. Suas mãos percorrem a minha pele, as pontas dos seus dedos brincam com os meus lábios, deixando a sensação de cada célula do meu corpo sendo tomada por uma chama incomum. Mesmo surpresa, a sensação que me toma é de conforto e segurança, como se tudo isso não fosse novidade para mim. Todos os meus membros respondem ao seu toque, sabendo muito bem o que fazer e como fazer. E, de repente, estou tendo o melhor beijo que um dia já senti. Estou tendo o melhor beijo com Justin!

Abro os olhos para ver suas reações, mas tudo que encontro é um teto escuro e adormecido. Estou em meu quarto, quente como o fogo e sem jeito por ter tido aquele tipo de sonho com o meu ex cunhado. Que tipo de pervertida eu venho me tornando?

Ouço corpos batendo nas paredes, como se estivessem tropeçando, e algumas risadas. Não dando a mínima para a forma como estou vestida, saio do quarto em direção ao som. O tempo para descobrir de onde vem não é grande, meus olhos recém acostumados com a pouca claridade do começo do dia captam a imagem dos dois corpos quase no fim do corredor, indo para a sala de estar. Ryan e Ashley se agarrando enquanto ele põe sua blusa e tenta abotoar sua calça.

Cenas como essas já viraram rotina, quase sempre Ryan vem trepar com minha amiga em minha casa e vai embora apenas na madrugada seguinte. Para a sorte da loura, eu possuo um quarto extra e nele fizemos um quarto especial para Kathryn, que dorme como pedra sem se dar conta das coisas obscenas que sua mãe faz no quarto ao lado.

— Ashley! Diga para o seu fedelho não fazer tanto barulho na hora de ir embora porque há pessoas nessas casas querendo dormir. — cinco horas da manhã. Cinco e quinze para ser mais exata. Sete e meia tenho que ir até a faculdade para saber como será a formatura depois das últimas provas que teremos de fazer nessas últimas semanas.

Tudo o que estou fazendo nessas semanas é me esforçando dez vezes mais do que eu me esforçava antes. Venho estudando e treinando para as provas finais. Também venho pensado bastante se devo ou não assinar o contrato com a marca de surfe, pelo o que pesquisei, devo fazer muitas coisas para eles, muito mais do que eu pensava. E a única coisa que eu realmente estou interessada é em um fotógrafo para capturar todos os momentos de algo tão importante para mim.

— Gostei da calcinha. — o garoto lança-me uma piscadela. Meus pés percorrem um caminho rápido até a cozinha, sendo seguida por minha amiga e por seu novo cachorrinho.

— Relaxa, Selena. Desde a última competição você anda muito estressada. — abro a geladeira, os vendo se escorar na bancada de madeira no meio do cômodo. Bebo o leite na boca da garrafa mesmo enquanto tiro o cereal do armário e coloco dentro de um pequeno pote branco, despejando mais leite nele. — Já sabe se irá assinar o contrato? Eu, particularmente, não acho que você deva assinar. Há mais vantagens para eles que para você.

Ashley tem total razão. Mas ainda sim preciso de algumas coisas que sozinha não posso fazer.

— Eu preciso muito de um fotógrafo, Ashley. Porém, não quero uma pessoa que eu não conheça, afinal, ele ou ela irá viajar comigo.

— Você sabe que o Justin tira uma fotos, não é? Para ser honesto, o filho da mãe realmente sabe tirar umas fotos bem da hora. — ergo o olhar para ver um Ryan com um sorriso brotando nos lábios na medida que ele continua falando. — Agora que ele está praticamente de férias do trabalho, ficará coçando o saco o dia todo em casa. Então você pode falar com ele, tenho certeza que irá aceitar na hora.

Lembranças rondam em minha cabeça na vez que invandi o quarto do garoto e vi sua câmera. Não consigo lembrar exatamente tudo com muitos detalhes, mas sei que são boas.

— Acha mesmo? — fico alegre no mesmo instante. Parece a solução perfeita para todos os meus problemas.

— Vai por mim, você não vai ter que pedir duas vezes. — uma gargalhada rouca sai da sua garganta.

É, até que o pirralho da Ashley serve para alguma coisa às vezes.

Deixo os dois pombinhos desfrutando do rápido café que Ashley preparou e vou até a sala. Pegando meu celular para organizar meu dia. No final, sei que assim que sair da faculdade pela tarde irei diretamente para casa do outro pirralho. Pensar em Justin me faz lembrar do bendito sonho que tive. Qual é, não estou tão desesperada assim por sexo, mas também tenho meus momentos. E irei me dar um desconto porque o sonho não foi necessariamente erótico, estávamos apenas nos beijando apaixonadamente. Realmente, não sei qual das duas opções é a pior.
 

 

Estou sozinha sentada na cadeira com espumas da sala de aula da faculdade. Todas as outras pessoas estão em trio ou grupo até cinco pessoas, restou apenas eu. Com a minha mudança de Nova York para San Diego, meu número de amizades também diminuiu. Todo mundo me conhece por aqui, todos frequentam as minhas festas, mas nenhum possuí minha amizade. Prefiro ter pouquíssimas pessoas ao meu lado do que ter quinhentas e não poder contar com nem um deles quando eu precisar.

Ao meu redor estão espalhados inúmeros papéis que mesmo ao meio de tanta bagunça eu consigo organizá-los em minha mente. A consequência de resolver fazer todos os trabalhos sozinha é que eu tenho que fazer sozinha. Sem a ajuda de ninguém.

Meus dedos coçam para pegar o celular e checar quanto tempo falta para poder sair daqui e ir até Justin. Se alguém me dissesse que algum dia poderia estar animada para encontrar aquele serzinho destrambelhado, iria gargalhar e dizer ser loucura. Mas agora que minha melhor amiga e seu melhor amigo estão tendo um caso, que vem se firmando cada dia mais, apesar de parecer que os dois não estejam notando isso. Justin e eu nos vemos com uma frequência maior, ele aparece sempre em minha casa para deixar Ryan, que parece muito dependente de Justin, já que eu quase não vejo-o com seu próprio carro. Ou ele sozinho.

Nesses dias estou tentando manter-me firme em relação a Jolyn, mas devo admitir que nas vezes que meu celular apita com suas ligações a vontade de atender é grande, porém, a  raiva é ainda maior. Por isso na noite de ontem fiz um bem para nós duas, bloqueei seu número e estou me sentindo bem novamente. Bom, pelo menos oitenta e nove por cento bem.

Só preciso de mais algum tempo para apagá-la da minha memória definitivamente. A única coisa que dificulta isso é a minha carência por boa parte do tempo.

— E aí, gostosa. — Noah, o imbecil dos imbecis da faculdade, senta ao meu lado, quase em cima das minhas anotações. Por que tem sempre que ter um idiota que se acha o maioral?

— O que você quer? — não tiro meus olhos dos meus papéis, ao menos dou algum sinal de que quero sua companhia.

— Soube que você e aquela sua namoradinha terminaram. Será que agora terei finalmente minha chance? — seu tom de voz sensual não causa nada além de uma vontade enorme de rir da sua cara.

— Nem se você fosse a última pessoa da Terra. — achei que havia sido salva pelo toque indicando o fim das aulas, porém, Noah me segue desde o momento de juntar meus materiais espalhados pelas cadeiras até quando piso no corredor. Ele tenta seguir meus passos e eu tento ir o mais rápido possível para não ter que aguentar sua voz irritante e seu perfume enjoativo por mais tempo.

— Qual é, Selena.

— Tem como parar de me perseguir? Você está tentando há mais de dois anos e eu acho que já fui bem clara que nada irá acontecer entre nós dois. — mesmo com o corredor lotado, consegui sentir o olhar quente de Hanna(uma das garotas que perde tempo com garotos igual ao Noah). Seus olhos faltam queimar minha roupa com tanto ódio que há neles.

— E por que não? Por causa que não tenho uma buceta?

— Não, é porque você não tem um cérebro mesmo. — ou estou muito louca, ou estou mesmo vendo Justin no meio do pátio. Não penso duas vezes antes de gritar seu nome. — Ei, Justin!

Aceno com muita energia. A medida que ele acena de volta e as pessoas vão se dissipando vejo algo que não tinha prestado atenção antes. Há uma menina com ele, seus braços estão entrelaçados aos do garoto e ambos parecem estar bastante contente em uma conversa animada. Meus dedos se fecham em minha mão por algum motivo distinto, e a perturbadora presença de Noah não ajuda em nada.

— Pera, você está tendo um caso com o Justin? O nerdizinho pirralho amigo do meu irmão? Irmão da sua ex namorada? — a risada maldosa preenche o espaço de som dos passos das pessoas e serve como um ímã para Justin e a garota, que estão se aproximando de onde estou com os pés cravados. — Você é bem mais promíscua do que eu achava.

Sua conclusão idiota me deixa com a cabeça fervendo de raiva e com uma vontade repentina de quebrar sua cara em três. Aproximo-me mais dele sorrindo e seguro suas bolas com tanta força que poderia arrancá-las se eu quisesse. O grito de dor do garoto mais alto que eu é como música para os meus ouvidos então, enquanto sussurro em seu ouvido, vou colocando mais força em minha mão.

— Olha aqui, seu boçal, já lidei com caras bem piores que você e não pense que continuará falando merda sobre mim e sairá impune. Se não quer ficar sem a única coisa que ainda funciona um pouco em você, acho bom me deixar em paz.

Solto-o com um belo sorriso. Justin está presenciando tudo com seus olhos arregalados, já a sua companheira me encara com um sorriso malandro e divertido. Noah vai se afastando tentando massagear aquilo que ele chama de membro enquanto xinga-me de todos os nomes possíveis.

— Sua vadia maluca. — é a última coisa que ouço antes do garoto sumir por entre as pessoas.

— Wow, acho que vou querer aprender uma dessas coisas. Parece bem útil. — a mão da garota com corpo escultural é estendida para mim. — Prazer, Alexis.

— Selena.

— Ah, eu conheço você. Já assisti você surfando e tenho que dizer que manda muito bem. Aliás, parabéns pela classificação, Justin me contou. Ele fala muito de você. — levo meus olhos para ele, que tem as maçãs do rosto coradas, e duvido muito que seja por causa do sol.

Ela seria sua namoradinha ou o que? Não parecem um casal, mas também mostram ter uma boa intimidade.

— É mentira, eu não falo tanto assim.

— Tudo bem, baby. Não precisa ficar envergonhado. O que vieram fazer aqui? — mesmo com a blusa mais curta e uma calça mais fresca de moletom, o calor da tarde de atinge. Devo aproveitar o tempo bom para treinar na água um pouco mais.

— Alexis quer conhecer melhor a faculdade antes de tomar uma decisão definitiva. — suas mãos encontram os bolsos da bermuda. As mesmas mãos que pegaram em meu rosto com tamanha delicadeza e precisão no sonho mais estranho que já tive.

Merda. Tenho que esquecer desse episódio ridículo.

— Eu iria até sua casa agora mesmo. Ryan me disse que você tira foto muito bem, e como eu estou precisando muito, muito mesmo, de um fotógrafo eu pensei que você poderia...

— Quero! — Justin não me deixa terminar. — Digo, por mim tudo bem. Quando iremos?

— Bom, o campeonato será no mês que vem, mas eu estava pensando em ir pelo menos uma semana antes para podermos conhecer melhor o lugar. E não se preocupe, eu irei pagar por seus serviços.

— Claro que não, Selena. Você sabe que não precisa, é como um favor e será como favor de amigos.

— Se acha isso, então por mim tudo bem. Mas faço questão de bancar a estadia.

— Justin, você é tão sortudo. Realmente nasceu com o cu virado para a lua. — a tal Alexis aperta seus braços em volta do louro e eu finjo que entendo sobre o que ela está se referindo.

— Irei deixar vocês dois explorarem o lugar agora. Passa lá em casa quando você puder, para acertamos tudo, baby. — ouço seu coração na boca quando aproximo-me para beijar sua bochecha. Seguro a risada para não deixá-lo mais envergonhado do que já está.

Apenas aceno para a garota com energia exalando do seu corpo e vou para o estacionamento, atrás do meu carro. O caminho da faculdade até minha casa não é longo, mas preciso dobrar a atenção quando meu celular começa a apitar no banco ao lado. O nome da minha mãe brilha intensamente na tela do aparelho. Quantas vezes terei de ignorar suas ligações para ela parar de ligar?

Depois do nosso desentendimento por conta da vida que eu levava antes, mamãe e eu nos distanciamos muito. Sempre vivemos em mundos diferentes e ela sempre quis me transformar em algo que não sou, tanto é que amou a ideia de eu morar bem longe para não sujar a imagem que ela tanto "luta" para manter. Também não faço questão do seu afeto, já estou acostumada a lidar com as minhas coisas sozinha. Quando o vídeo com Dave saiu a única coisa que  ela estava temendo é que caísse na boca de pessoas importantes, e não com a saúde mental da própria filha que foi humilhada por um babaca que só queria usá-la.

Apesar disso ela quase sempre liga para mim para ter a certeza de que não estou fazendo alguma merda que possa arruinar tudo novamente. E quase sempre eu não atendo por inúmeros motivos, um deles é a pouca paciência de ficar ouvindo as coisas fúteis que ela me diz. Acho que esse meu pequeno gosto por coisas caras veio dela, e tenho medo de ter herdado mais algumas das suas "características".

Resolvo atender para ver se ela enfim para de ligar.

— O que você quer?

— Isso é jeito de falar com sua mãe, Selena? — sua voz sai um pouco mais alto, ela parece estar em um lugar movimentado. Aposto que está em um daqueles salões caríssimos que frequenta.

— Diga o que você quer, estou dirigindo, e como uma pessoa que ama fazer tudo certinho você não deve querer uma filha infligindo a lei. — minha voz está tomada de sarcasmo.

— Estou ligando para avisar que seu pai e eu iremos lhe fazer uma pequena visita. Ele tem um compromisso na faculdade que você estuda.

Ah, é claro. Eles não iriam sair de Nova York apenas para me ver.

— Quando?

— Em dois ou três dias. E temos uma novidade para você, aposto que irá amar. Agora tenho que desligar porque estou fazendo minhas unhas.

E o celular fica mudo.

Preocupo-me no mesmo segundo que escuto "novidade" e "amar" na mesma frase. Nada que venha daqueles dois de forma repentina é algo bom. Única coisa que tenho certeza é que será uma semana bem difícil.

" Você está tão lindo quanto no dia em que eu te conheci. Eu esqueço porque eu te deixei, eu estava louca. Fique, e coloque aquela música do blink-182, que nós escutávamos no último volume em Tucson. " — Closer.

 


Notas Finais


Olá pessoinhas. Então gente, quero deixar claro aqui que o apelido baby que a Selena deu para o Justin não é de forma carinhosa(não ainda). Ela chama ele assim por vários motivos, ele é mais novo que ela, tem um rosto mais de "bebê", e até é tratado pela Pattie como uma criança as vezes klfghkldfhgl. Espero que tenham entendido <3 até o próximo.


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