História Under Your Spell - Capítulo 4


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Orochimaru, Sasuke Uchiha
Tags Abo, Alfa, Alpha, Devilwishes, Hinasasu, Luud-chan, Naruto, Ômega, Sasuhina, Universo A/b/o
Visualizações 316
Palavras 3.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Hentai, Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ALOOOOO! Olha quem tá atualizando de madrugada, que isso, né? Mas em vez de ser segunda, dessa vez resolvi antecipar um dia e atualizar agora. Espero que não seja um problema! ;D

Quero muito agradecer a todos que deixaram um comentário, isso me incentiva bastante a escrever, viu? Obrigada a quem favoritou também, mas ficaria mais feliz se perdessem a vergonha e também comentassem. Façam uma autora feliz! ♡ Faltam alguns comentários pra responder do capítulo passado, mas prometo que estará tudo respondidinho com muito carinho até amanhã.

É isso, agora, fiquem com mais um capítulo de Under Your Spell. Está revisado, mas se virem algum erro, me avisem, por favor, para que eu possa deixar tudo mais lindo possível pra vcs. ♡


TÍTULO DO CAPÍTULO: Você engana seus amores dizendo que é cruel e divina.

Capítulo 4 - You trick your lovers that you are wicked and divine


UNDER YOUR SPELL

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You trick your lovers that you’re wicked and divine

 

 

O som dos socos fortes e rápidos no saco de pancadas poderia ser escutado por toda a casa de Sasuke. Aquele era o som de toda sua raiva e frustração, a mais pura fúria resumida em golpes metódicos. Ele não conseguia se concentrar em outra tarefa a não ser aquela, porque todo o resto levava somente a um lugar, ou melhor, a uma pessoa: Hyuuga Hinata.

Aquela maldita alfa, que estava usando a influência dela para fazê-lo querer ficar por perto. Sentia-se furioso e ao mesmo tempo tão indefeso ao notar que, mesmo com todos os remédios que tinha tomado ao longo dos anos, que ajudaram a moldar sua genética para torná-lo menos submisso por conta da sua classe, nada disso parecia adiantar quando estava perto dela. 

No começo, ele pensou que era coisa da cabeça dele, que seu corpo apenas tinha se assustado com uma presença tão esmagadora como a dela. E o fato de estar no cio não tinha ajudado; a necessidade urgente de se saciar tinha falado mais alto do que seu bom senso e raiva por alfas de modo geral. 

Só esteve com um alfa em duas ocasiões em sua vida. Em seu primeiro cio, aos dezesseis, e depois, em uma ocasião que o remédio teve um efeito colateral indesejado, que fez e incentivou que cedesse ao instinto mais primitivo do seu corpo. Sasuke ainda se lembrava perfeitamente dos dois.

O primeiro tinha sido Uzumaki Naruto. Eles se conheceram no ensino médio e a relação deles chegava a ser engraçada, porque naquela época, Naruto não agia como um alfa, era mais para um beta. E Sasuke nunca tinha encontrado alguém em toda sua vida tão insistente quanto Naruto; ele tentou de todas as formas afastar a figura brilhante e animada que o Uzumaki era, mas o alfa acabou ganhando no cansaço e eles acabaram como dois amigos bem próximos. Inclusive, o único que Sasuke tivera em muito, muito tempo.

Durante dois anos e meio não havia nada de errado com a relação dos dois. Naruto já tinha passado pela primeira fase de maturidade de um alfa, e ainda assim, isso não afetou a relação dos dois, porque o rapaz não parecia se importar com a diferença de hierarquia — como a maioria —, mas Sasuke sempre soube que isso tinha a ver com o fato de não ter passado pelo seu primeiro cio. No momento em que ele aflorasse, tudo mudaria.

Orochimaru tinha o alertado como poderia ser doloroso para um ômega passar pelo cio sem receber o devido cuidado, e meio que tinha o aconselhado a não resistir, ao menos na primeira vez. Porque quanto mais resistisse, pior seria. E quando aconteceu, Sasuke poderia dizer até que foi um golpe de sorte.

Ele e Naruto estavam sozinhos na casa do Uzumaki, estudando para um teste. Sasuke se lembrava com perfeição de como as pupilas de Naruto se dilataram ao sentir o cheiro doce do cio dele, e como o alfa o desejou. E diferente do que tinha imaginado que aconteceria, seu amigo perguntou se ele estava bem e se queria ir para casa. Em nenhum momento ele tinha se forçado sobre Sasuke, tentado usar sua influência, só lhe deu o espaço que poderia precisar. Foi assim que Sasuke decidiu que ele era o alfa certo, a pessoa certa.

Não tinha precisado de muito, recordava-se bem disso. As mãos de Naruto eram ásperas por conta do constante manuseio do taco de baseball, mas nada disso importou quando ele o tomou para si, beijando-lhe a boca com tanto desejo e sofreguidão, que Sasuke não hesitou em retribuir com igual intensidade. O alfa brincou com seus mamilos sensíveis e lhe arrancou grunhidos de prazer, à medida que suas mãos deixavam a nuca de Sasuke e desciam pelo peitoral definido e alcançava a calça do uniforme escolar.

O Ômega se lembrava de como Naruto tinha o masturbado e juntado as duas ereções, o contato pele-com-pele chegava a ser insano, mas só isso não tinha bastado. Em um instante os dois estavam nus, e Naruto o dominou bem como um leão faria; montou nele pelas costas e manteve uma mão em seu pescoço, segurando ali com cuidado, enquanto a outra mão segurou seu quadril, ajudando-o a penetrar sua entrada lubrificada. Foi uma estocada só e Sasuke grunhiu de tanto prazer, Naruto fez com que virasse a cabeça para o lado e pudesse beijá-lo, enquanto dava estocadas fundas e fortes, levando o ômega a loucura.

Naruto o fodeu com força, com vontade, com paixão. Era a primeira vez do Ômega, mas seu corpo parecia saber bem o que deveria fazer. Então, ele não hesitou em chupar Naruto de todas as formas que conseguia, sugando-lhe o sabor salgado e deixando que ele se derramasse por seu corpo, boca, várias e várias vezes. Quando as primeiras ondas dos hormônios do cio finalmente pararam, Sasuke pensou que se arrependeria amargamente daquela decisão, e que nunca mais conseguiria olhar Naruto nos olhos.

Por incrível que pareça, não foi isso que aconteceu.

O alfa tinha o incrível dom de deixar tudo confortável com sua amabilidade e senso de humor. Ele tinha uma aura tão gentil e... Ensolarada, que Sasuke não se deteve em ficar perto dele mesmo depois de tudo, mesmo depois de Naruto ter visto seu lado mais frágil, íntimo, entregue. Eles fodiam às vezes, mas nada sério, era algo extremamente casual que nunca causou danos a relação que os dois tinham previamente.

Quando eles se formaram no ensino médio, Naruto precisou ir embora para o exterior, e de algum modo, isso fez com que perdessem o contato e nunca mais se falassem. Sasuke tinha dúvidas sobre isso, algo lhe dizia que não foi algo tão simples assim. Imaginava que uma família importante como a de Naruto, não queria se envolver com uma afundada na lama como os Uchiha.

Os Uchiha tinham se tornado um belo exemplo do que acontecia quando se desafiava o topo da cadeia alimentar, e nada do que fizesse até aquele ponto, poderia mudar isso. Então, não se surpreendeu ao não ter mais notícias de Naruto e também não se ressentiu, apenas seguiu em frente. Como sempre fazia. E já nessa época, Orochimaru tinha acabado de terminar de desenvolver o remédio que cortava a maior parte dos efeitos do cio e que permitia que Sasuke vivesse normalmente, como um beta.

O segundo alfa com quem se envolveu foi Hidan. Começou de forma voluntária, embora Sasuke estivesse tomando a medicação, ele se arriscou a procurar pela mesma sensação que Naruto tinha lhe proporcionado durante meses. Hidan era um verdadeiro duas-caras, ele tinha um sorriso intimidador e vibrante, e passava a imagem de ser um cara boa pinta. Mas na real, não passava de um babaca manipulador, e Sasuke demorou a notar a influência que ele tinha sobre si. O remédio bloqueava grande parte da transmissão dessa influência, e só por esse motivo ele não cedeu e ficou aos pés do alfa como um cachorrinho indefeso e carente.

Hidan foi o primeiro alfa que Sasuke enfrentou e conseguiu bater de frente. Reivindicou sua liberdade no punho, no sangue, e ganhou.

Desde então, nunca mais se aproximou de nenhum alfa, começou a repudiá-los ainda mais, por saber que alfas como Naruto eram um em um milhão.

Foi com esse pensamento, que continuou dando socos para se livrar de toda a frustração que se apoderava do seu corpo.

 

 

α

       

Ele tremia involuntariamente de frio, agarrado firmemente ao fino tecido do cobertor puído. A chuva tinha dado uma trégua depois de horas, e ele se esforçou para manter os fiapos que vestia somente no estado úmido. Sentiu a barriga roncar, não se lembrava qual tinha sido sua última refeição, talvez uma semana atrás? Não queria apelar para os ratos sujos, ou pior, mendigar.

No seu atual estado, tinha parado de conseguir os pequenos bicos que fazia. Ninguém queria um garoto imundo por perto, ainda mais um Ômega de uma família terminada por um massacre. As pessoas o olhavam com um misto de pena e nojo, e ele não sabia dizer o que era pior. Não queria a piedade deles, só queria uma chance para colocar a vida para frente.

Nesses momentos, ele se perguntava o que estava fazendo, seria muito mais fácil desistir, deixar que o clã Uchiha fosse extinto de vez da face da terra, não tinha porquê tentar tanto. Sasuke era um garoto perdido, sozinho no mundo e sem expectativas nenhuma sobre o futuro. Então, por que continuar se agarrando tão fortemente a vida?

Às vezes a resposta vinha com facilidade: seu pai tinha o ensinado a nunca desistir, independente das condições, um Uchiha não desistia. As adversidades existiam para fazê-lo provar que era forte, que era capaz. Enquanto em outras vezes, o que vinha em sua mente era o par de olhos cor de gelo, tão afiados quanto um par de lâminas prontas para te dilacerar. Era nesses poucos momentos em que Sasuke pensava sobre vingança.

— Ei, garoto — alguém o chamou. O Ômega levantou os olhos escuros para a figura magra parada a poucos metros de si. Era um homem magro, com feições delicadas, olhos amarelados similares a de uma cobra e de cabelo longo. — Está afim de fazer um trabalho pra mim? Te dou comida ou dinheiro em troca.

Ele encarou o homem por alguns segundos enquanto este esperava por uma resposta que não demorou a vir em um assentir de cabeça mudo. Sasuke não se importava com o que precisava fazer, seu estômago doía de fome e ele não pretendia morrer assim depois de tudo que já tinha passado.

O estranho lhe sorriu de forma esquisita, mas isso não fez com que voltasse atrás.

Sasuke podia ser tudo, mas não era um covarde.

— Meu nome é Orochimaru, algo me diz que vai ser um prazer trabalhar com você...

— Uchiha Sasuke.

O sorriso aumentou, porque ele parecia saber bem o que esse nome carregava.

— Iremos nos divertir muito, último Uchiha.

 

α

 

— É isso ou é nada — Hinata decretou sem hesitar enquanto deslizava o contrato na direção de Hoshigaki Kisame.

Ele era um homem estranho, com a pele pálida e azulada, olhos brilhantes que pareciam se fechar em fendas, com feições brutas e um sorriso pouco amigável. Também era CEO de uma das empresas que fornecia suprimentos para a Hyuuga Enterprise. Hinata não teria problemas em encontrá-lo, se já não soubesse dos desvios recorrentes que a família dele estava fazendo da sua empresa.

Kisame puxou o contrato para perto e o leu atentamente, até arregalar os olhos e soltar um grunhido que demonstrava muito bem o que ele achava sobre aquilo.

— Isso é loucura! Cinco por cento de todas as vendas? Com tudo que nossa empresa oferece, deveria ser no mínimo vinte e cinco! — protestou, as mãos cerradas em punhos em cima da mesa.

A Hyuuga não se abalou, em vez disso, ela sorriu e se levantou da cadeira presidencial. Tirou fiapos inexistentes do vestido vermelho que usava e repetiu:

— É isso ou nada.

— Você deve estar louca! — Hinata estreitou os olhos diante da afronta, mas esperou pelo resto da explosão. — Seu pai sempre foi generoso conosco, fazendo negócios com sua família há anos e é isso que você tem a oferecer? Você é louca, demente!

— Eu teria cuidado com as palavras se fosse você, Kisame — alertou-o friamente, os olhos perolados brilharam de forma ameaçadora e só nesse momento ele sentiu o peso da aura dela. — Você está certo, meu pai sempre foi tão generoso, não é mesmo? — Rondou a mesa até ficar próximo dele, deu a volta e ficou atrás do homem, apoiando as mãos delicadas nos ombros dele e começando uma massagem que seria prazerosa, se ele não soubesse que ela poderia rasgar a sua garganta a qualquer instante. — Mas como você pode ver, eu não sou meu pai, longe disso. — Aproximou a boca da orelha dele e Kisame sentiu o corpo travar quando ela continuou em um sussurro: — Eu sou bem, bem diferente dele. E se eu estivesse no seu lugar, aceitaria a minha loucura, minha demência em te oferecer esses cinco por cento em vez de chutar sua bunda e fazer com que você nunca mais apareça na minha frente. Afinal, eu tenho certeza que com o dinheiro que você vem desviando da minha família há anos com a ajuda de alguém daqui de dentro, completará os seus vinte e cinco por cento, não?

Ela se afastou silenciosamente, podia sentir o cheiro de medo nele, a tensão, como todos os músculos dele estavam resetados e ele até parecia suar frio. Deu a volta na mesa outra vez e sentou-se na cadeira, cruzando as pernas em seguida. Olhou atentamente, o sorriso seria diabólico se sua face não fosse como a de um anjo. O sorriso se alargou quando Kisame puxou a caneta do paletó e assinou o contrato sem dizer mais nenhuma palavra e rubricou todas as páginas. Quando terminou, levantou-se, o que foi seguido por ela, e fechou o paletó escuro antes de dizer em voz baixa:

— Sempre um prazer fazer negócio com os Hyuuga.

— Tenho certeza que sim, muito obrigada, Kisame. — Acompanhou-o até a porta e antes que ele partisse, completou: — Cuide-se, certo?

O homem balançou a cabeça, tenso e partiu.

A Alfa suspirou e massageou as têmporas ao fechar a porta. Ela não gostava de fazer isso, definitivamente não gostava. Mas também, detestava que a fizessem de tola. Desde que tinha assumido os negócios da família, colocou as coisas em seus eixos, porque ela não sabia dizer se seu pai sabia ou realmente estava ignorante a sujeira que ocorria dentro da sua própria empresa. Se a escolha pela ignorância era uma forma de poupar a organização arcaica do clã Hyuuga diante das infrações cometidas pelos velhos e nojentos anciões.

Mas Hinata estava longe de ser parecida com o pai. Ela não pretendia continuar seguindo as regras imundas e ultrapassadas feitas por anciões, as mesmas regras que tinham feito sua irmã ser morta. Estava mais do que disposta a mudar o clã totalmente e começaria por dentro. Não iria aturar as falcatruas e absurdos que aqueles velhos armavam. As coisas seriam do seu jeito, e mesmo que não desejasse sujar as mãos de sangue, não hesitaria em fazê-lo se fosse necessário.

O telefone tocou, despertando-a dos próprios pensamentos, ela atendeu ainda no primeiro toque:

— Sim?

— Hinata-sama, Saturobi-san está te aguardando na sala de reuniões para falar sobre a remessa nova de analgésicos. Você precisa aprovar o projeto antes de eles começarem.

— Obrigada, Karin. Estarei lá em um minuto.

— Certo, Hinata-sama, irei avisá-lo. — Desligou em seguida.

Ela tinha até esquecido dessa reunião, estivera tão focada em outros assuntos e se preocupando com o próprio cio, que mal teve tempo para se preparar para o encontro com Sarutobi. Procurou pela pasta com o projeto em sua mesa e quando o achou, foi direto para a sala de reuniões no andar de baixo. Optou por usar as escadas e não tardou a chegar ao seu destino. Assim que abriu a porta, sentiu como se tivesse recebendo um soco, o cheiro doce, peculiar, atingiu-a de maneira tão intensa que sentiu a cabeça girar por alguns segundos. Precisou de algum tempo para se recuperar, e não precisou olhar para saber a quem pertencia aquela fragrância única.

Uchiha Sasuke.

O Ômega estava sentado na cadeira ao lado de Sarutobi e parecia pouco confortável. As mãos estavam em cima da mesa, e ele tamborilava os dedos, igual no dia do bar. Os olhos escuros se voltaram para ela em um misto de fúria e confusão, o cenho franzido de tensão, os lábios entreabertos como se fosse difícil respirar.

Ele tinha cheiro de raiva e de desejo.

— Boa tarde, Sarutobi, Sasuke — desejou ao finalmente sair da porta e se dirigir para a cadeira livre de frente para os dois homens. — Desculpe pelo atraso, tive um compromisso que me tomou mais tempo do que o necessário.

— Não se preocupe, Hinata-sama, não estamos esperando há tanto tempo assim. Pelo visto, você já conhece meu assistente, Sasuke. — Apontou para o homem ao seu lado, que ficava mais tenso a cada segundo que se passava.

— Sim, tive o prazer de conhecê-lo semanas atrás enquanto supervisionava os setores. Não é mesmo, Sasuke?

— Isso. — A voz dele saiu rouca, arrastada, como se tivesse há muito sem falar.

— Podemos começar? — o velho perguntou.

— Claro, vá em frente. — Relaxou na cadeira e aguardou.

Os minutos seguintes foram uma mistura intensa de expectativa, ansiedade e falta de foco. Ela conseguiu, pela maior parte do tempo, prestar atenção no que Sarutobi dizia, mas em alguns momentos sempre acabava desviando o olhar para Sasuke. Ele falou algumas vezes, completando o projeto do velho toda vez que este lhe passava a palavra. Hinata adorava o som da voz dele, era música para os seus ouvidos sensíveis, o cheiro dele estava fraco, mas ainda era instigante a um ponto em que, de vez em quando, ela precisava soltar a respiração pela boca para poder recuperar o foco.

O olhar dele era penetrante e seria intimidador se ela não fosse uma Alfa e ele um Ômega.

— Podemos começar na próxima semana, Hinata-sama. O que acha? — Sarutobi perguntou ao finalizar a apresentação.

— Para mim está ótimo, se estiver tudo nesses conformes que você apresentou. Irei confiar no seu julgamento e assim que tudo estiver pronto, quero um relatório completo.

— Como quiser, Hinata-sama — assentiu em um tom feliz. — Irei deixá-la em paz agora, vamos Sasuke.

— Eu gostaria que Sasuke ficasse por um instante se você não for precisar da ajuda dele agora — ela pediu, surpreendendo o Uchiha.

— Não preciso. Deixarei vocês dois a sós. Até mais, te vejo mais tarde, Sasuke.

Os dois assistiram o velho partir sem dizer uma palavra. Sasuke sequer mexeu um músculo quando estavam finalmente a sós. Ela também continuou sentada na cadeira em frente a ele, analisando-o com cuidado.

— Sempre bom te ver, Sasuke — começou dizendo exatamente o que tinha dito no último encontro dos dois, dias atrás. — Não pensei que o veria de novo tão cedo.

— Hm — ele resmungou de má vontade e tirou as duas mãos de cima da mesa. — Não era o que eu gostaria.

Ela teria rido se não tivesse sentido o receio emanar dele.

— É bom esclarecer as coisas. Além do óbvio, por que está com tanta raiva de mim? Posso sentir no seu cheiro cada vez que nos encontramos.

A risada sem humor dele preencheu o cômodo e ela esperou por uma resposta que não demorou a vir:

— Você é tão cínica. Além do óbvio? — Levantou da cadeira. — Sua família acabou com a minha, com tudo que eu tinha, e você me pergunta o motivo da minha raiva? Deve realmente achar que está no topo do mundo por ser uma Alfa, não é mesmo? Hinata-sama?

A forma que ele disse seu nome trouxe arrepios que atravessaram todo o seu corpo. Ela também se levantou da cadeira, os dois ficando de pé, a mesa entre os dois.

— Você é um ótimo mentiroso, Sasuke — Hinata murmurou, inclinando-se na direção dele. — Tem uma coisa estranha em você, no seu cheiro. Não é comum que o cheiro de um ômega seja tão fraco igual ao seu, normalmente, eu poderia senti-lo a vários metros de distância, antes mesmo que pudesse te enxergar. Isso não é engraçado? — Começou a dar a volta na mesa e parou ao lado dele. Sasuke prendeu a respiração, ela estava no cio, podia sentir. — Mas sabe o que é mais engraçado? Eu ainda consigo sentir o cheiro da sua mentira.

O Ômega sentiu todo seu corpo vibrar, ela estava muito perto, mais do que consideraria seguro e saudável. O cheiro do cio dela deixava-o desarmado e tonto. Deus! Como queria que ela se aproximasse mais, que fechasse a mão no cabelo dele e que o beijasse com selvageria. Ele respirou fundo, o que não tornou a situação melhor. Só voltou a falar quando teve certeza que sua voz não falharia.

— E você é mais arrogante do que eu imaginei que seria. — Afastou-se um passo. — Mas você é a Alfa aqui, é seu direito.

— É aí que você se engana. — Não ousou se aproximar mais dele. — Mas você ainda não respondeu minha pergunta, você tem esse costume de fugir e se esconder dessa forma? Do que você está com medo? De mim?

Como ela era cruel. Sasuke pensou. Se Hinata conseguia sentir o cheiro da sua mentira, certamente também sentiria o desejo, a ânsia que exalava dos poros dele. Não adiantava mais negar, segurar. E mesmo assim, ela não estava disposta a dar o primeiro passo. Queria vê-lo rastejando, implorando.

Um som semelhante ao de um rosnado escapou da boca dele e a Alfa não pareceu surpresa com isso. Estreitou os olhos, as pupilas esbranquiçadas dilatadas, o sorriso tomou conta dos lábios pintados de carmim e ela soube que não havia volta.

Eles se encararam por um tempo que parecia não acabar, e foi ele, em voz baixa, em um tom extremamente submisso que perguntou:

— Eu posso? — Os olhos escuros também brilhavam e ela se esforçou para não o tornar dela nesse instante.

Dessa vez, ela acabou com a distância entre eles e o encostou com força contra a mesa, o corpo curvilíneo colando-se ao dele com perfeição, fazendo-o sentir a quentura que exalava. Sasuke abaixou a cabeça para poder olhá-la nos olhos, ainda era vários centímetros mais alto do que a Alfa, e mesmo assim, sentia-se tão pequeno. Hinata enroscou a mão no cabelo escuro de Sasuke e o puxou para baixo até que seus lábios estivessem a centímetros de distância.

— É o que você quer? — ela perguntou para ter certeza. Seu autocontrole gritava, o seu cio exigia tê-lo ali e agora.

— Sim — ele respondeu ao fechar os olhos com força. — Por favor.

Não havia como escapar. Uchiha Sasuke estava sob o feitiço dela, não tinha o que fazer, não tinha como resistir. Não havia saídas. Ela o encurralara. Ele seria forte o suficiente para resistir? Para ir embora? Queria ir?

Não sabia mais.


Notas Finais


aaaaaaaaaaaaaah, sksakjjsksajkas, chegamos ao fim de mais um capítulo. Quem está ansioso para o próximo?

Admito que estou super animada pra mostrar mais e mais, principalmente agora que as coisas VÃO acontecer. Preparem o coração, viu?

Espero que tenham gostado, atualizações toda segunda/terça-feira. Adicionem a fic na Biblioteca para não perderem as atualizações, certo?

Obrigada a quem leu e comentem para fazer uma autora feliz e mais inspirada. Afinal, quem comenta depois de lê não é nem gente, é anjo! ^3^

Tenho um grupo no whatsapp que informo tudo sobre minhas atualizações, e também, um ótimo meio de conversarem comigo e perguntarem o que quiserem. Fiquem à vontade para entrar:

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