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História Underwater - Capítulo 1


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Notas do Autor


Primeiro capítulo. Primeira vez aqui...nervosa.

Capítulo 1 - I - A escada


Fanfic / Fanfiction Underwater - Capítulo 1 - I - A escada

Mayura caminhava pela floresta como fazia toda manhã desde seus 14 anos. Era o único momento que podia respirar livremente e fingir por algumas horas que era uma pessoa completamente diferente. Não precisava pensar em suas responsabilidades, treinos, aulas, leituras, na sua mãe que estava mais insuportável desde a morte de seu tio, o rei. Na verdade ele era um parente bem distante, Natura acreditava que nem existia grau de parentesco entre eles mas seu filho havia desaparecido quando tinha dez anos e não havia ninguém na linha sucessória até a família de Mayura.

Graças a essas circunstâncias, ela havia sido trazida ainda criança para o Reino, protegida e sendo obrigada a estudar e treinar sua magia para o dia que assumiria o trono, ela só não esperava que fosse acontecer agora.

Mas as ambições de sua mãe não eram as dela. Muita coisa mudaria após sua coroação e ela já havia deixado extremamente claro, não gostava da política aplicada, de algumas normas e tampouco das castas mágicas que separavam todos em gerações mágicas e os classificavam em subreinos com profissões de acordo com a sua capacidade de poder. Isso mudaria. Todos deveriam ter a oportunidade de escolher quem é e onde quer estar, e ali estava ela agora, há cinco dias da coroação, nada a deveria.

"Porque estou pensando nisso agora?" Se questionou Mayura, estava ali para esquecer as responsabilidades não ficar repassando elas na sua mente. Mayura parou, já devia estar andando há quase uma hora, se demorasse muito os guardas estariam atrás dela logo logo. Ela virou -se para voltar quando algo se moveu entre as árvores.

Mayura sentiu o ar mudar, uma sensação que nunca havia presenciado, o ar ficou morno, as árvores pareciam duplas, o vento parou, Mayura ouviu como se houvesse várias pessoas ali mas não via ninguém, chegou a pensar que havia comido algo estrago no café da manhã.

"Próxima herdeira do trono morre por envenenamento" foi o pensamento que cruzou sua mente.

Então como se tudo aquilo não fosse estranho o bastante, ela viu surgir no meio da mata a forma de uma escada de pedra, tornando-se sólida, parecia magia, mas diferente da praticada por ela, diferente da praticada por qualquer um que ela já tinha visto, então no topo da escada ela viu alguém aparecer, alguém que parecia não saber equilibrar seu próprio peso, pois na mesma velocidade em que apareceu caiu no chão musguento é molhado da floresta fazendo um barulho abafado, como quando alguém joga um saco pesado na dispensa ou algo morto caindo no chão.

Mayura se aproximou devagar. Não conseguia identificar a magia no ar. A escada estava lá ainda, mais sólida e real que ela própria. Conforme se aproximava com cautela e sem compreender o que acontecia, ia reparando no que estava estirado no chão, imóvel. Era um corpo grande, com roupas estranhas e de gosto duvidoso, parecia ser um garoto com cabelos louro escuro, emaranhados e que havia caído de... Ela olhou com mais calma e não acreditava, ele havia caído de cara no chão.

Com medo, sem saber se ele estava vivo ou morto, ela estendeu sua mão em direção ao corpo imóvel e percebeu que estava vivo, o que se confirmaria com os gemidos que se seguiram.

-V-você...- ela começou....

O corpo começou a se contorcer lentamente e a emitir sons que pareciam gemidos, então ele levantou a cabeça e a encarou com seus olhos azuis profundos, um azul não tão fácil de encontrar, escuros, acinzentados...Mayura então pensou "familiares". O garoto então perdeu totalmente o foco é vomitou uma pasta verde escura com algo que deixou Mayura bastante enjoada.

-Desculpe. -ele falou fracamente, parecia que havia sido espancado pela sua cara, o cabelo estava suado e despenteado, ele estava sujo e com uma cor amarelada, parecia meio tonto pois não parava de olhar para os lados- v-você pode me ajudar? -ele olhou pra ela parecendo que iria desmaiar, fez-se silêncio até ela perceber que o encarava

-Calro - Ela disse confusa após perceber que ele era inofensivo -quem é você? - Ela disse o ajudando a levantar, ele cheirava menta com vômito e era mais pesado do que parecia. Ela o afastou do vômito e o sentou em uma pedra, tocando sua mão percebeu que ele estava bem só desorientado, desidratado, enjoado é fraco. É talvez não tão bem.

-Sou -ele começou a falar fraco e devagar -Sebastian. Pode me chamar de Bash.

-Sebastian? - Ela gelou. Não ouvia esse nome há muito tempo. -Qual seu sobrenome? Mora aonde? Por que está aqui?

- Eu...- Ela o olhava atentamente- eu não devia ter tomado tanto energético. -disse ele desmaiando logo em seguida

- O que? Você não pode desmaiar agora! -Mayura começou olhar em volta, não sabia o que fazer, tinha uma sensação de que algo estava errado, de que algo ruim aconteceria. Não sabia o que fazer com.o garoto desmaiado, era arriscado levar para o Palácio, mas ela precisava voltar e rápido, dariam por sua falta. "A ESTUFA!" Ela lembra animada.

"Se ele andasse facilitaria" pensou ela. Colocou a mão sobre o peitoral do rapaz é reparou que era maior e mais forte que o esperado. Respirou fundo e viu um campo der energia azul se formar sobre sua mão, aos poucos ele foi acordando, meio grogue e ainda confuso

-Consegue andar? - ela perguntou. Ele se limitou a concordar com a cabeça. Ela precisaria de horas para deixá-lo bem o suficiente e não tinha todo esse tempo, então jogou o corpo dele sobre ela e começou arrasta-lo, pois não podia chamar aquilo de andar, pela floresta.

Andaram alguns metros em silêncio e com muito esforço até Mayura visualizar o topo da estufa. Fazia anos que ninguém vinha ali, era só uma cabana de vidro tomada pela floresta hoje em dia, mas já foi uma linda estufa de rosas de todas as cores, presente do finado rei para a finada rainha e onde Mayura brincava com seus amigos na infância. Amigos que haviam mudado demais para ser amiga agora ou haviam desaparecido. Ela teve que deixar o garoto no chão para poder abrir a porta e empurra-lo para dentro. Certificou-se que estava bem, abriu a mochila e deixou sua garrafa der água com ele.

-Volto assim que puder. Não vá a lugar algum. -disse ela, mas ela sabia que não iria, ela se certificaria disso. Colocou a mão em seu peito é viu um campo energético amarelo se formar, ele ficaria fraco por horas. Ela saiu, trancou a estufa por fora com algumas madeiras e correu em direção ao palacio. Estava atrasada.

¤◇¤

O céu aquela noite estava em uma cor diferente. Parecia perfeitamente normal mas diferente. Sebastian nunca foi bom em explicar as coisas e essa era a definição que ele dava para o céu. Enquanto a noite adentrava em sua escuridão o brilho da enorme fogueira se destacava cada vez mais e iluminava as árvores e as sombras de alguns corpos que se movimentavam freneticamente ao som de uma melodia pesada, barulhenta, inconstante e persistente. Certamente nãoera o gosto musical de Sebastian.

-Bash! -gritou uma menina loura ao vê-lo, se aproximou lhe oferecendo um copo com um líquido verde dentro.

-O que é isso? - ele perguntou

- Apenas bebe. -disse ela sorrindo e bebendo algo parecido, ele pegou o copo e cheirou, só o cheiro o deixou tonto -relaxa princesa ninguém quer drogar você. - ela riu com seus amigos que se aproximavam. Bash que tomará apenas enérgico desde que chegou começava a se perguntar como havia sido convencido a vir essa festa.

Ele nem gostava de festas.

Talvez por isso tenha vindo. Lembrava de sua mãe adotiva insistindo em ele fazer amigos, agir como um adolescente normal, que para ela, não era ficar trancado em seu quarto lendo, jogando ou escrevendo. Mas a realidade é que essa galera, essa festa, tudo isso não tinha nada a ver com ele. Sebastian estudava e trabalhava meio período porque achava melhor que perder tempo se importando com opiniões de pessoas com sua idade e zero maturidade. Mas ali estava ele.

O primeiro gole desceu ardendo. O gosto e o cheiro da bebida empregaram no seu nariz e ele quis vomitar, mas aos poucos a sensação foi passando. Depois de certo tempo o segundo gole também o deixou desconfortável. Ao secar o copo, grande diga-se de passagem, a bebida desceu macia, seu corpo estava relaxado, seu cérebro estava lento e sentia como se suas funções motoras estivessem comprometidas. Estava bêbado. Com suas inibições e pré julgamentos esmagados pelo álcool ele se misturou a multidão contagiante de dança, gritos, fumaça e bebida alcoólica.

Bash vivia uma vida tão pacata e tediante quanto.um adolescente e poderia ter. Não tinha muitos amigos, não ia a festas, não praticava esportes e não era popular, o que reduzia seu ciclo social a quase 0. Trabalhava como auxiliar em uma marcenaria o que lhe dava um falso porte atlético por ter que carregar peso e trabalhar no pesado. Mas ultimamente andava farto da sua rotina, tão farto que aceitou ir a uma festa no meio da mata. Festa da fogueira. Tudo naquilo parecia errado e tendencioso a algo perigoso. Mas ele foi. Ele só queria que algo diferente acontecesse e lá estava ele, enjoado, dançando algo que não fazia ideia do que era, com pessoas que conhecia da escola e se sentindo fora de si. A visão turva e movimentos lentos com certeza não ajudavam Bash a se sentir melhor então ele resolveu se afastar.

Se escorou em uma árvore enquanto sentia seu estômago encolher. Tudo fervia dentro dele, podia jurar que até mesmo suas veias ferviam, como se ele fosse um enorme blue cheio de água pronto para entrar em ebulição. Um sono gigantesco começou a pesar suas pálpebras, nada estava bom mais, as roupas estavam apertadas, os sentidos de Bash o confundia, por um breve momento ele podia jurar que sentia seu corpo quente e que o vento havia parado abruptamente. Foi quando dentro da mata ele viu algo brilhar.

Brigando com seu inconsciente e sentidos de quem não era acostumado a beber se perguntou se realmente havia visto algo lá e se deveria se afastar da festa, mas quando deu por si já estava andando em direção ao nada. Conforme a música ficava mais abafado e longa e ele usava a lanterna do celular para poder enxergar onde seus pés pisavam ele sentia cada vez mais que deveria voltar. "Estou vendo coisas" pensou ele. "Preciso de um agua."concluiu. Mas quando ele pensou em voltar ouviu um barulho, apressou o passo para ver de onde aquilo vinha e por momentos pensou que podia ser apenas um casal aproveitando a natureza, no sentindo adolescente e cheio de hormônios. Mas então ele se deparou com uma escada de pedra, uma escada que não dava a lugar algum.

Ele já havia lido sobre essas escadas. Escadas que parecem em florestas e não dão a lugar algum. Como se tivessem sido construídas sem propósito. Alguns diziam serem resquícios de ruínas, mas era muito estranho não ter nada além da escada, outros diziam se tratar de uma maldição, outros falavam sobre desaparecimentos, dobras no tempo e até mesmo universos paralelos. Mas Bash não conhecia ninguém que realmente tivesse encontrado uma delas então não sabia ao certo o que eram ou porque existiam. Até aquele momento. Sem saber ao certo se era o alcool ou sua curiosidade doentia em conjunto com sua falta de fé, ele começou a subir a escada, ela era bem sólida, não fazia ruídos, mas conforme ele subia os degraus percebia que tudo ao redor parecia estar diferente, os degraus ficavam mais claro, a música mais longe e era quase como se pudesse sentir o sol da manhã. Foi quando atingiu o último degrau, seu estômago virou, sua cabeça tinia e em um piscar de olhos ele viu o sol. Seu corpo parecia pesar três vezes mais, sentiu uma tontura forte e caiu.

Fez-se silêncio por alguns segundos até ele ouvir algo se aproximando. Passos.

-V-você... -ela falou em voz cautelosa e confusa ele levantou a cabeça com muito esforço e se deparou com uma garota que o encarava assustada. Ainda estava na floresta, teria desmaiado durante a festa? Já havia sol, que horas seriam? Ele começou a tentar levantar mas seu corpo se recusava a se esforçar, tanto que sua náusea aumentou e ele acabou vomitando o que tinha a cor da bebida da noite passado mas com o gosto azedo e misturado com energético.

-Desculpe. -ele falou fracamente, sentia como se houvesse sido espancado, seu corpo queimava por dentro e ele tinha certeza que suava alcool, ele olhava para os lados tentando see localizar mas tudo estava girando e ecoando em sua cabeça - v-você pode me ajudar? -ele olhou pra a garota que não parava de o encarar com olhos apavorados

-Claro- Ela disse confusa e docemente -quem é você? - Ela o ajudou a levantar, ela cheirava a algum tipo de flor muito familiar a Sebastian e parecia estar ffazendo mais esforço do que planejava para ajuda-lo, ela o afastou do vômito e o sentou em uma pedra, tocou a mão dele o deixando desconfortável até com vergonha. Ela era a bonita, cabelos castanhos, olhos avelã, boca marcada, rosto arredondado com mechas der cabelo caindo sobre suas bochechas, usava botas de montaria, jeans e uma blusa lilás, seus lábios eram levemente avermelhados e seus olhos amendoados refletiam aos raios de sol que batiam neles eventualmente. Ele teve a impressao de ouvi-la perguntar seu nome.

-Sou -ele começou a falar fraco e devagar -Sebastian. Pode me chamar de Bash.

-Sebastian? - Ela disse surpresa -Qual seu sobrenome? Mora aonde? Por que está aqui?

- Eu...- Ela falava alto, a cabeça dele doía, sua visão ficou mais turva e o gosto do energético tomou sua boca junto com o amargor da sua bile que subia para sua boca - eu não devia ter tomado tanto energético. -disse ele cedendo a fraqueza de seu corpo e apagando no mesmo momento.

A próxima coisa que Sebastian lembrava era de acordar meio grogue e mal compreender o que a garota falava. Lembrou de andar, de uma lugar em que ela o empurrou e por fim dela tocando seu peito e ele sentindo uma fraqueza muito grande cair sobre seus ombros e um sono muito pesado fechar suas pálpebras. Enquanto caía no sono lembrou da festa, da música ao fundo, da escada. Lembrou da bebida, do seu trabalho, seus pais. A floresta, a garota, os lábios da garota, a mão dela em seu peito, a garrafa de água. A festa, a bebida, a água. A garota, a escada.

E por fim ele apagou.


Notas Finais


Espero que gostem!♡


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