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História Une Chance - Capítulo 20



Notas do Autor


Boa noite meus queridos, tudo bem?
Consegui postar o quarto capitulo seguido, um capitulo bem doce como a Rose.
Espero conseguir postar o próximo amanhã.
Espero que gostem, perdoem qualquer erro.
Boa leitura!

Capítulo 20 - Sentimentos


Quando BrTT se encontrava pensativo, era melhor não interrompê-lo. Quebrar a linha de pensamento do atirador poderia despertar aquele mau-humor padrão, ainda mais se fosse algo importante e era, naquele momento.
   Desde a madrugada de domingo estava nesse estado, não o tempo todo, mas toda vez esse assunto o tomava, como se quisesse ter certeza do que sentia e se era certo.
   Gostava de Rose, não só como sua parceira, amiga, companheira de lane e suporte, era muito mais do que isso. Porém, era esse o problema que enxergou: eles jogavam pela mesma equipe, era um problema, não era?
   Quer dizer, na visão dele não, não se importaria de ter um relacionamento sério com Rose, mas não sabia se Paada, Dion ou Nova aprovariam isso dentro da equipe. Quase nunca se importava ou muito menos dava ouvidos ao que aqueles três mandavam ou falavam, porém, pensar sobre toda essa situação o fez questionar o próprio sentimento por Rose.
   Talvez quisesse negar, deixar esse sentimento de lado, talvez fosse algo passageiro, é, porque Rose era tão linda, doce, fofa e gentil que não tinha como não se encantar por aquela francesa.
   "Porra, Felipe", xingou-se, nunca pensou em estar numa confusão de sentimentos, principalmente relacionadas a gostar de alguém. Nunca esteve assim, tão preso, o que estava acontecendo?
   Soltou um "tsc" frustrado, passou as mãos sobre o rosto e bufou, talvez fosse melhor acabar com isso tudo de uma vez, não é?
   Olhou para o lado direito da varanda, onde se encontrava sentado, e lembrou de Luci, de que ficavam na varanda do apartamento que o coreano morava e trocavam ideias. Tudo era mais fácil quando se tinha um suporte homem na equipe, e, merda, teve aquela saudade de Luci que não tinha a tempos.
   Não, não, não... Não podia pensar nisso, não era justo com Rose, ela não possuía culpa e ela era maravilhosa, uma jogadora incrível que finalmente estava tendo a chance da vida dela de ser titular e mostrar a todos que era capaz de jogar.
   E se ignorasse esse sentimento? Se deixasse passar, é, poderia ser algo passageiro.
   O problema era que BrTT fazia o desfavor de ignorar Rose algumas vezes de tanto que pensava nesse assunto.
   Poderia ser estranho toda essa mudança na postura de BrTT, mas tudo isso aconteceu graças a Magal. Por que caralhos contou toda a situação a ele? Devia ter falado com Mylon.

 

"Feh, cê tá louco? Ela é sua sup, cara. Como cê vai ficar com alguém da sua equipe. Já pensou como isso iria atrapalhar a Pain inteira se vocês tivesse um relacionamento? Tipo, se vocês tivessem uma briga e levassem pra dentro de campo."

 

   Como se BrTT não soubesse que jamais Rose levaria os conflitos do campo para o relacionamento ou ao contrário. Primeiro que a francesa não gostava de conflitos e não os criava, era só ver como aceitava qualquer coisa ou maldade que dissessem a ela. BrTT imaginou uma vez o quanto abusaram dessa passividade de Rose, desse jeito dela querer ser perfeita e aceitar tudo para chegar nesse patamar.

 

"Aposto que tudo isso é tesão, que você quer só dar uns pegas nela. Ou é falta de pegar alguém, se for isso, a gente resolve indo na primeira balada."

 

   Primeiro que BrTT jamais pegaria Rose por pegar, mesmo que se o desejo fosse grande, não faria isso com aquela francesa, nunca. Como não deixaria que ninguém tocar num fio de cabelo dela por luxúria, Rose merecia mais, merecia carinho, amor, alguém que cuidasse, que soubesse valorizar a garota incrível que Rose era. Ele gostaria de ser essa pessoa, porque já a valorizava dos pés à cabeça.
   Mas por que Magal tinha que encher sua cabeça o deixando confuso? Se não fosse pelo amigo, estaria de boa com Rose e até tentaria algo.
   Não podia estragar a amizade, o relacionamento que tinha com sua suporte. Talvez devesse ignorar tudo que Magal lhe disse.
   — Oi. — A voz baixa e tímida de Rose soou.
   Acenou com a cabeça, a olhou de soslaio, vendo ela sentar com cuidado ao seu lado, ajeitando o vestido.
   Rose batucava o dedo na coxa, sabia o que essa ação significava, ela estava nervosa e ansiosa. Algo na mente do atirador supôs que não era só por causa da rodada nove, a última antes dos playoffs.
   — O que foi? — Decidiu perguntar, sabendo que Rose estava tímida demais para começar o assunto.
   — Eu fiz algo de errado?
   "Merda", claro que ela tinha notado o fato de ter se afastado um pouco, de a ignorar de vez em quando.
   — Não, você nunca faz nada de errado. — Sorriu pequeno de canto. — Relaxa, só to pensando demais.
   — Ah, si tu dis, mais j'ai l'impression qu'il y a quelque chose. — Murmurou em francês mais para si mesma.
   Isso o fez sorrir mais, lembrou do trato que fez com ela.
   — Só não te pego porque to com preguiça.
   Rose deu uma risada baixa e fofa.
   — Então, está tudo bien mesmo?
   Levantou a cabeça para mira-lo, embora tivesse um sorriso pequeno formado pelos lábios, os olhos avelãs espelhavam o receio e medo que Rose sentia. BrTT reparou, sentiu um certo aperto. O que estava fazendo com ela era justo?
   — Tá, não precisa ficar assim, pequena.
   Então sentiu a mão delicada de Rose se colocar sobre a sua. Sempre acharia um contraste engraçado e fofo, a dela era tão pequena, fofa e macia, e a dele tão grande e tatuada.

 

"E se der errado? Cê vai fazer o que? Encarar ela todo dia como se nada tivesse acontecido? Ou não? Aí você querer chamar o Luci pra substituir ela?"

 

   Lembrar de mais um trecho dito por Magal o fez acordar no meio da apreciação daquela cena, do toque de Rose. O sorriso se desfez e retirou um pouco bruto a mão de baixo, assustando a suporte.
   — Vou lá pra dentro.
   Levantou e entrou na casa, sem se importar se Rose o acompanhava. Se continuasse dessa forma, ia estragar o seu relacionamento com a francesa de qualquer modo.
   A suporte ficou cabisbaixa, um aperto no coração. Mon dieu, ela fez algo mesmo de errado, só podia ser isso para BrTT estar assim. Ela tentava ser boa, mas parecia que nunca conseguia, desde de criança tentava agradar a todos, queria que todos gostassem dela para não receber críticas, para que ninguém a abandonasse.
   Deitou no gramado da gaming house, era um sensação gostosa, a fazia lembrar quando ia ao parque em Londres. O sol estava forte, sem nenhuma nuvem no sol, fechou os olhos, permitindo que lembranças e pensamentos invadissem a mente.

 

   "— To satisfeito com você.
   — Você o que? Je ne sais pas si j'ai bien entendu.
   — Eu to satisfeito com você.
   — Isso... Isso é sério?
   — Claro, por que eu não estaria? Cê é incrível, pequena."

 

   Será que Felipe estava mesmo satisfeito com ela?
   Logo o primeiro split do CBLOL terminaria junto do contrato da suporte, tudo dependeria do desempenho dela e do resultado da Pain Gaming no campeonato para renovar, como também dependeria da opinião de BrTT, será que ele iria querer que continuasse na equipe? Será que era por isso que ele estava agindo tão estranho? Não a queria mais na equipe?
   Sentiu um aperto mais forte. Não seria a primeira vez que alguém não iria a querer mais numa equipe de Lol, porém, BrTT era diferente, ele não seria capaz de rejeitá-la por nenhum motivo, ou seria? Talvez não estivesse jogando tão bem, mas todos os mvps que ganhou mostravam o contrário. Só que Rose era assim, pensar que alguém não estava satisfeito com a gameplay a fazia pensar de mais, se questionar demais.
   Contudo, por alguma razão, a única opinião com quem se importava era do seu atirador, não era só por serem companheiros e dividirem uma lane, não, existia algo a mais que Rose começou a entender aos poucos, sem ter muita certeza.
   Rose amava ter a companhia de BrTT e sempre adorava ter momentos com ele, seja a sós ou com o restante da Pain, como também adorava o jeito carinhoso e cuidadoso que ele tinha com sua pessoa. Era nesse jeito que recebia aqueles abraços apertados que a faziam sentir segura e aqueles que erguiam no ar em cada vitória no CBLOL e que geravam sempre uma felicidade dentro de Rose.
   Era ao lado de BrTT que sentia-se protegida, porque ele a protegia de tantas formas e sempre a assegurava que tudo ia ficar bem, que ele estaria ali para o que precisasse. Mas e se ele não estivesse mais ali? Apegou-se tanto em Felipe que não saberia lidar sozinha com situações que precisaria dele.
   Quando se machucou feio para salvar o cachorro, tudo que mais queria naquele momento era BrTT junto dela e quando, de primeira, ele não subiu para ver como estava porque Caju, a ex dele, se encontrava lá, e aquilo a machucou de alguma forma. Mas ficou tão feliz quando ele apareceu e cuidou dos ferimentos, só que temeu, temeu que ele tivesse voltado com Caju, porque ela era uma moça tão linda, mais bonita do que Rose, isso era o que a francesa achava, se diminuiu pelo aperto do coração, pelo medo de perdê-lo.
   Rose tinha medo de perder BrTT, mas por que? Porque gostava dele.
   "Mon dieu, eu non posso", pensou, mais um aperto no coração, dessa vez mais forte.
   O que faria? Não acreditava na possibilidade da reciprocidade, não acreditava que Felipe fosse capaz de olhá-la como o olhava, era somente a suporte e parceira dele, nada demais. Por que se diminuía tanto?
   Pensou no que os amigos diriam sobre essa situação.

 

   "Minha princesinha, não fique se matando por causa desse sentimento, gostar de alguém é uma coisa tão linda, tão gostosa. Não é errado, você deveria contar para ele, aposto que ele deve sentir o mesmo por você, quem não sentiria? Você é uma garota tão linda de corpo e alma."

 

   Provavelmente Bwipo daria essa resposta. O top laner da Fnatic era muito sentimental e se levava mais pelas emoções e sentimentos. Com certeza a incentivaria para declarar-se para Felipe.

 

   "Rose, sei que gostar de alguém é bom, mas também não é. Não quero que se machuque, porque ele é seu companheiro de equipe, seu adcarry, como vai lidar com isso? E se tudo der errado? Se deixar os sentimentos falarem mais alto na hora do jogo? Isso pode te prejudicar. Pense bem, não quero te ver sofrer."

 

   E provavelmente Rekkles seria mais racional e advertiria sobre esse sentimento, não diria para ela esquecer, mas para pensar bem se seria bom declarar-se.
   Mas o que Kami diria? Não precisou pensar, o melhor amigo sentou ao lado dela na grama.
   — Tá tomando sol? — Brincou, arrancando um sorrisinho da francesa que não abriu os olhos.
   — Eu sinto falta de ir a um parque.
   — Se soubesse que o Lol fosse cair hoje e você ficaria nessa folga, te levava num parque, mas acho que daqui a pouco volta.
   — O que veio fazer aqui? Non é quarta. — Era uma quinta-feira.
   — Nossa, tá querendo que eu vá embora? — Dramatizou, o que a fez rir.
   — Non seja bobo, estou feliz que esteja aqui.
   — Ei Rose, o que foi? Você tá com uma carinha e tá deitada na grama, parece pensativa. — Relou no ombro dela.
   Abriu os olhos devagar, encarou a imensidão azul que era o céu, fazendo esforço para mantê-los os olhos avelãs abertos, os raios de sol eram fortes.
   Kami a conhecia muito bem e era óbvio que não estava bem, que pensava demais, porque não se encontrava junto da equipe que se divertia na sala de estar.
   — Quer me contar o que tá acontecendo?
   — Você é um bom amigo do TT, non é?
   — Sim, por que?
   — Eu fiz alguma coisa? — Uniu as mãos.
   — Que? Não, não que eu saiba, por que? Tá tudo bem entre vocês?
   — Non sei, Kami, non sei... O TT está desde terça estranho comigo, é como se non me quisesse por perto e quando estamos perto um do outro, do nada ele muda de postura.
   — Não notei isso, ontem na gravação do Pain Responde vocês estavam tão bens. Se quiser, eu posso falar com ele.
   — Ah Kami, non, non precisa, non quero causar confusão e non quero que ele fique bravo.
   — Ele não iria ficar. — Começou a alisar o ombro. — Rose, sei desse seu jeito, mas você não acha que se importa demais com o TT acha de você e se ele sempre está bravo com você ou não? Você sempre parece ter esse receio maior com ele e... Por que você tá chorando?
   Algumas lágrimas teimosas escorriam pela bochecha de Rose, não tinha reparado que chorava até o melhor amigo comentar. Sentiu um aperto mais forte, sequenciado, ao ouvir tudo o que Kami disse.
   — Eu non queria, non mesmo...
   — O que, Rose? O que você não queria?
   — Non sei te explicar, eu tenho medo.
   — Você gosta do TT. — Não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
   — Oui, je l'aime...
   Kami ficou mais perto, colocou a cabeça da francesa no colo. Ela deitou de lado, recebeu um afago no cabelo e fechou os olhos.
   — Já suspeitava disso, vocês são tão grudados, nunca imaginei que veria vocês assim, mas percebi que ele te faz um bem, você fica tão feliz perto dele, você não ficava assim nem mesmo quando namorava o Logan. — Rose deixou escapar um pequeno sorriso pela observação. — Mas não to entendendo porque você tá triste e com medo, ele te faz tão bem, Rose e eu tinha medo do TT ser um babaca com você.
   — Ah Kami, non é óbvio?
   — Acho que já entendi, você não acha que ele sinta o mesmo por você.
   — Ele sempre tem outras garotas aos pés dele, eu sei, non me comparo a nenhuma delas. — Lamentou-se.
   — Rose, olha o que você está falando, pelo amor, você é a garota mais bonita que eu conheço e que eles ali conhecem. — Apontou para dentro de casa. — E também, não é só aparência que faz alguém gostar de outra pessoa, é tudo. Olha você Rose, você é incrível, sabe fazer tantas coisas, sem contar sua personalidade que é a mais doce possível.
   — Assim você me deixa sem jeito. — Disse baixinho. — Non acha exagero?
   — Não, porque é a mais pura verdade, flor. E sei que não é só por isso que você tem medo, não é?
   — É, e se eu me declarar e tudo der errado, ele non sentir o mesmo, nós jogamos pela mesma equipe e se isso afetar dentro das partidas? — Apertou a perna dele.
   — Não acho que afetaria em nada, sei que você não levaria nenhum conflito em campo e o TT também não, ele já tem dez anos de Lol, sabe bem as coisas.
   — Eu sei, mas ele está tão estranho comigo, estávamos tão bien e do nada está assim, ele quer que eu vá embora? — Perguntou tristonha.
   — Magina, Rose, ele não quer que você vá, você é a melhor suporte ele poderia ter. O TT só deve estar passando por alguma coisa, você sabe como ele é, não gosta nunca de contar os problemas dele.
   Sabia muito bem disso, porém, sempre deixou claro que se precisasse de algo, estaria ali por ele e que se tivesse algum problema sobre ela, era para contá-la.
   — Ou, vocês querem sorvete? — Robo perguntou gritando da entrada da cozinha.
   — Opa, eu vou querer.
   — E você, little Rose?
   — Non, merci. — Falou num tom que o top laner pudesse escutar.
   — Beleza. — Fez joinha com a mão. — Vem cá, Kami!
   — Já vou! — Ergueu a cabeça de Rose para checar se estava bem. — Você está bem? Vai ficar aqui? Se sim, quer que eu volte?
   — Estou bien, e non precisava voltar, daqui a pouco eu vou lá.
   — Qualquer coisa, só me chamar.
   Voltou a deitar com o corpo inteiro na grama, escutou os passos de Kami se afastarem de pouco em pouco. Olhou para o céu uma última vez, queria umas nuvens no céu para poder adivinhar as formas, uma brincadeira infantil, mas que amava.
   Então fechou os olhos e começou a cantar baixinho uma música qualquer, dessa vez para esvaziar a mente.
   Na cozinha, BrTT se rendeu à vontade, foi tomar um pouco de sorvete e logo deu de cara com Robo e Kami interagindo amigavelmente, ambos tomavam sorvete de creme nos potinhos. Pegou um desses, ia colocar o sorvete quando olhou mais uma vez os dois e depois para a sala, onde Cariok, Tinowns, Dionrray e Nova se encontravam vendo alguma série. Só faltava uma pessoa, a mais importante para ele.
   — Ela tá lá fora ainda?
   — Tá lá deitadona na grama. — Comentou Robo.
   — Na grama? — Arqueou as sobrancelhas.
   — É, olha lá. — Robo apontou com o dedo para a garota do lado de fora.
   Não era uma cena que o atirador esperava ver, achou até que fofo, mas sentiu-se estranho vê-la sozinha, Rose não era disso.
   Sentiu o olhar de Kami sobre si, se conhecia bem o magricelo, ele queria dizer alguma coisa e como ele era o melhor amigo de Rose, supôs que tivesse algo a ver com a suporte. E teve cem por cento de certeza disso quando Robo saiu da cozinha para ir a sala e só ficaram os dois.
   — Vai, fala. — Soltou BrTT enquanto colocava o sorvete no potinho.
   — Ué, não tenho nada pra falar. — Disfarçou, desviando o olhar e enfiando uma colherada cheia de sorvete na boca.
   — Te conheço muito bem KamiKat, fala logo, não quero perder a paciência.
   — Esqueço como você é chato. — Zoou e suspirou. — Se eu ganhasse uma moeda toda vez que ajudo vocês, acho que estaria rico.
   — Como assim ajudar?
   — Ela disse que você parece estar evitando ela, é verdade?
   BrTT soltou um "tsc", largou a colher no potinho que já tinha bastante sorvete e coçou a barba.
   — Não to evitando ela, é que minha cabeça tá zunindo com uns negócios.
   O nome desses negócios tinha nome: confusão sobre os sentimentos.
   — Imaginei fosse algo assim. Você sempre foi caladão quando tinha algo pessoal te incomodando.
   Agradeceu mentalmente por Kami não ter insistido em saber o que eram esses negócios. Era péssimo nesse assunto que se questionou porquê foi falar nisso com Magal que era pior que ele.
   — Por que não falou isso pra ela?
   — Sei lá, não fiquei afim. — Ou não ficou confortável em mentir para sua suporte.
   — Entendo que deve ter suas razões, mas você sabe como é a Rose.
   — Ela me perguntou se tinha feito algo de errado.
   — É típico dela, às vezes não gosto quando ela se culpa sem razão. — Kami deu mais uma colherada. — Mas Rose me perguntou se você queria que ela fosse embora.
   — Como é que é?!
   O magricelo sinalizou com a mão para que ele diminuição o tom de voz, pois atraiu alguns olhares do pessoal da sala.
   — Tá, mas como assim, cara? Como ela pode pensar isso?
   — Ah TT, acho que ela pensou que com o final desse split e o fim do contratado dela, você ia querer, não sei, a volta do Luci. Você sabe que ela nunca fica de boa com o próprio desempenho e acho que ela acredita que você não está satisfeito com ela.
   — Porra cara, ela não pode acreditar nisso, sempre deixei claro como ela joga bem e, cacete, não quero que ela vá embora. — Então raciocinou uma parte dita por Kami. — Como assim o fim do contratado dela?
   — Você não sabia? Ela só tem meio ano na Pain. Paada e Dion ficaram com receio de você não se adequar à ela e dar tudo errado nesse split.

 

"— Só tenta ser legal, não jogue tudo para o ar porque você não está botando fé. Se não der certo, no segundo split arrumaremos isso, mas por enquanto, você vai dividir o bot com ela, entendeu?"

 

   Dionrray tinha avisado BrTT sobre a situação da suporte francesa de uma maneira discreta, mas nunca tinha parado para pensar, estava tão transtornado naquele dia que nem se importou com o contrato dela. Mas eles iam renovar com Rose, não iam? Ela jogava tão bem, estava fazendo um ótimo split e nunca teve uma sincronia e sinergia tão boa na bot lane como tinha com Rose.
   Não podiam dispensa-la, ele não permitiria.
   — Acho que vou lá falar com ela, quero tirar essa ideia da cabeça dela.
   — Faz bem, porque aquela francesinha é teimosa demais com esses pensamentos ruins. — O ex-jogador ia sair da cozinha quando parou. — E me faz um favor, leva um pouquinho de sorvete pra ela.
   — Beleza, eu levo.
   — Obrigado.
   Com os dois potinhos de sorvete em mãos, passou pela porta de vidro aberta, caminhou em direção a francesa que não notou a presença dele, parou e sorriu ao ver ela toda bonita deitada, o sol tocava a pele branca e cantava num tom que conseguiu escutar perfeitamente a letra.
   — Cash, cash, cash
Tô correndo tipo flash
Cada esquina faço money
Coletando tipo thresh.
   Ele ouviu bem? Rose estava cantando "Flex"? Não era uma música que combinasse com o jeito da francesa, mas sorriu por ela cantar a música que o atirador participou.
   — Se continuar aí no chão, as formigas vão te pegar. — Disse para chamar a atenção dela.
   Rose parou de cantar e batucar a mão em si mesma. Abriu os olhos que expressavam a surpresa que era encarar a presença do tatuado. Não compreendeu a volta repentina dele, mas preferiu não pensar demais, era bom vê-lo ali, aquecia o coração da suporte.
   — Elas non vão me pegar.
   — Se eu não me engano, você é um docinho, não é? — Falou num tom brincalhão.
   As bochechas de Rosa ficaram mais rosadas, mas ela soltou uma risada baixa e gostosa de ouvir.
   — Você é um bobo.
   — Ah é? Vim aqui de coração te fazer um agrado e você me xinga, beleza. — Continuou no tom brincalhão, dessa vez fez um drama básico.
   Ela se ajeitou, levantou o tronco e apoiou as mãos no chão, o resto do corpo continuou esticado no chão.
   — Pardon, TT.
   Aquele olhar de cachorrinho arrependido de Rose o pegou desprevenido junto daquela pose que ela estava. Meu deus, a francesa era linda demais, encantadora demais.
   — Só perdoo se tornar sorvete comigo ali na varanda.
   Sem falar nada, Rose levantou, arrumou o vestido e depois o cabelo na parte de trás, enquanto era observada por BrTT, o qual já acostumou-se admirar a parceira de lane sem pensar muito.
   Sentados na borda da varanda, cada um com um potinho em mãos, um silêncio predominou nos primeiros segundos daquele momento. Rose sentiu um desconforto, não entendeu a mudança de postura do atirador, até então ele parecia não querer a presença dela e do nada estava ali sendo gentil. E BrTT sentiu a necessidade de se explicar de uma maneira não reveladora.
   — Sei que to estranho esses dias e acho que isso afetou nossa relação, mas é porque ando pensando numas coisas.
   Começou a dizer, porém, parou por um segundo ver que Rose não tomou mais o sorvete, a mão dela tremulou e olhos avelãs formou aquele brilho. Oh não, ela iria chorar.
   — Não é o que você está pensando, Rose, eu não quero que vá embora, não tem motivo pra eu querer isso.
   — Mesmo? — O olhou esperançosa.
   — Mesmo. Coé Rose, tu joga pra caralho e é uma pessoa de boa, por que ia querer que alguém assim fosse embora? Só se eu fosse muito idiota.
   Sorriu de canto e olhou Rose de soslaio, ela possuía um sorriso pequeno e voltou a tomar o sorvete. Ótimo, evitou que ela chorasse, sentiria-se péssimo se isso acontecesse.
   — Eu não posso te dizer o que tá acontecendo, apesar de eu ter uma certeza, preciso pensar mais, você entende? — Ela concordou com a cabeça. — No devido tempo, você vai saber.
   "Se esse sentimento não sumir, eu contarei a ela de qualquer forma", pensou decisivo. 
   Dependendo do momento e do tempo, BrTT iria se declarar, sem se importar com os conselhos péssimos de Magal que só serviram para o deixar confuso com os próprios sentimentos e quase estragar a relação de amizade com Rose, e sem se importar com as consequências, as enfrentaria se fosse possível.
   Rose colocou o potinho vazio num canto, encarou os próprios joelhos, não estavam mais ralados, e deitou a cabeça no ombro do mais velho.
   — Quando estiver pronto, estarei aqui para te ouvir. — Falou de um modo fofo.
   Colocou também o potinho num canto, envolveu o braço em torno das costas dela, a mão segurou de leve na cintura. Era como se fossem um casal, bem, na prática, eram um casal de amigos.
   — Cê sente falta da França? — Quis perguntar isso, como se fosse uma necessidade saber.
   Sim, ele tinha medo que Rose, depois do fim do primeiro split, não aceitasse nenhuma proposta possível por saudade da terra natal.
   Ela levantou a cabeça e brincou com os próprios dedos, as pontas batiam uma nas outras. Uma pergunta que remexeu o inteiro da francesa.
   — C'est très compliqué.
   Tomou um susto ao receber um aperto na cintura e o outro braço do atirador a envolver na frente do corpo. Mirou BrTT que possuía um sorriso sacana no rosto.
   — Não to com mais preguiça de te pegar, ouviu, francesa? — E deitou a cabeça no peito de Rose, era tão confortável.
   Sentiu o rosto esquentar e sem esboçar uma reação clara sobre a ação de BrTT, mas não contestou ou tirou dali. Permitiu que ficasse.
   — Ainda não me respondeu.
   — Eu sinto falta da França como sinto falta da maioria dos lugares que morei ou visitei, cada canto tem algo especial para mim. Mas non quero voltar tão cedo para lá.
   — Oxi, por que?
   Um sentimento de angústia e tristeza tomou conta de Rose por um momento.
   — Eu non quero enfrentar minha mãe. — Acabou contando a verdade, não ia esconder isso do seu parceiro de lane.
   BrTT levantou o tronco para encarar a garota.
   — O que sua mãe fez tanto com você para você ser assim? É o lance de ser perfeita?
   — Por favor, non quero falar sobre esse assunto, desculpa, mas não consigo agora.
   Segurou o rosto de Rose com uma mão, posicionou na bochecha, afastou uma mecha do cabelo e acariciou com o dedão. Ver sua suporte abatida era de partir o coração.
   — Ou, relaxa, não to te forçando a me falar nada, vai no seu tempo. Quando se sentir pronta, só me chamar e vou estar todo ouvidos, tá bom?
   — Merci, TT. — Disse um pouco emocionada
   — Não agradeça, é o básico que tenho que fazer por você, pequena.
   Não disseram mais nada. BrTT continuou a acariciar a bochecha rosada da francesa, a qual apreciava o toque, e começou admira-la novamente. Focou em cada detalhe do rosto da garota que considerava a mais bonita que já conheceu, mas deu um foco maior nos lábios avermelhados de Rose, eles pareciam tão macios e doces, era o que achava.
   Queria relar, nem que fosse um toque suave, um selinho naqueles lábios, e aproximou o rosto no dela, as bochechas mais rosadas do que antes, Rose não recuou, embora sentisse o coração bater tão rápido que achou que fosse explodir.
   Ia beija-la, estava pronto para apreciar os lábios de Rose e lidar com as consequências depois. Contudo, quando ficou a um passo de beijar, o treinador turco apareceu para o desgosto do atirador e para a vergonha de Rose que desviou o rosto, totalmente corada.
   — Desculpa atrapalhar os pombinhos, mas o Lol voltou, vamos treinar. — Nova tinha um sorriso divertido no rosto.
   — Vá se foder. — Levantou na brutalidade, estava irritado por interromper a chance de beijar sua suporte. — Me passa o seu pote, vou levar lá pra dentro.
   Entregou para ele, o agradecendo, e viu BrTT entrar na casa irritado, quase trombou no treinador que na desfez aquele sorriso.
   Se recompôs, ficou em pé, ia adentrar e seguir rumo a sala de treinamento, contudo, Nova queria ter um papo divertido com a suporte.
   — Você está tão apaixonada por ele.
   A afirmação fez Rose congelar, os olhos arregalados, o coração acelerado.
   — O que? — Perguntou devagar.
   — Você gosta dele.
   Agora sentia que ia ter um "treco".
   — Como... Como você sabe?
   — Os seus olhos te entregam e o seu jeito todo amoroso com o TT também.
 — Ele riu.
   Tensa, essa era a palavra que definia Rose agora. Como assim? Era tão óbvio o seu sentimento por Felipe? Non podia ser, porque se fosse verdade, todo mundo já tinha uma ideia sobre isso? Será que BrTT sacou esse sentimento e por isso se afastou? Por medo de magoá-la? Mon dieu, pensou além da conta.
   — Por que está tão tensa? Oh... Ele não sabe?
   — Ele não pode saber, por favor, não conte.

   Nova tombou a cabeça de lado e arqueou as sobrancelhas.
   — Mas por que essa enrolação? Achei que já estivesse juntos, em segredo é claro, porque ele está tão na sua.
   Piscou algumas vezes, como se estivesse em outra realidade, num sonho. Escutou certo o que Nova disse? Felipe estava na sua?
   — Acho que não, você deve estar vendo demais.
   — Ou você não quer acreditar que há uma possibilidade dele gostar de você.
   — Por favor, não toque mais nesse assunto, eu não quero criar expectativas e não quero que ninguém saiba
. — Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
   — Tudo bem, se é isso que você deseja. — Mas ele não desfez aquele sorriso divertido. — Mas, e se eu gritasse? — Zoou.
   Os olhos avelãs arregalaram com a possibilidade.
   — Você não faria isso.
   — Quer ver? A Rose es–

   No desespero, tampou a boca de Nova com a mão, teve que ficar nas pontas dos pés para tal ato.
   — Por favor, não faça isso.
   Nova retirou a mão dela e riu.
   — Só estava brincando com você, sua tolinha. — Empurrou a testa dela com o dedo. — Agora vai lá treinar que o seu futuro namorado está te esperando.
   — Han kommer att förstöra det. — Xingou em sueco enquanto adentrava a cozinha.
   — Olha a língua.
   Como resposta, virou a cabeça e mostrou-lhe a língua, continuou caminho, escutando o treinador gargalhar.
   Rose ganhou uma chance de ser titular numa equipe profissional de League of Legends no Brasil. E, sem querer, acabou ganhando uma chance de gostar de alguém que a merecia, que sabia dar o devido valor à ela. Rose acabou por se apaixonar pelo seu atirador.
   É, talvez não sentiria saudades da França e muito menos voltaria para lá tão cedo.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, obrigada por lerem.
Até o próximo capitulo, beijos


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