História Unexpected Help - Capítulo 1


Escrita por: , Beakhyun e llavolpe

Postado
Categorias EXO, Harry Potter
Personagens Kai, Sehun
Tags Espíritos Errantes, Exogwarts, Feitiços, Harry Potter, Magia, Sekai
Visualizações 50
Palavras 16.062
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção, Fluffy, LGBT, Magia, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olaaaaaaaaa
eu sou a @llavolpe e é um prazer enorme ter mais uma fanfic aqui no Exogwarts!
essa fanfic foi escrita com muito carinho e dedicação por mim e pela @beakhyun, então dêem muito amor á nossa bebê! <3
boa leitura, meus anjos!

olá meus anjinhos, aqui quem fala é a beakhyun aaaaa Muito orgulhosa estou dessa sekai maravilhosa que eu fiz com esse neném tão precioso grrrrr
Deem bastante amor a esse bebê preciso feito por nós com todo o carinho do mundo <3
Espero do mundo do meu coração que vocês gostem~~

Boa leitura bebês <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


Era mais um dia qualquer que Kim encontrava-se na sala de Alvo Dumbledore, o diretor de Hogwarts. Era quase uma rotina o moreno deixar as aulas a mandato dos mestres que o diziam para fazer uma visitinha ao diretor mágico, mas claro que nunca se tratava de uma simples visita.

Engana-se você se caso cogitou na ideia de Jongin ser um feiticeiro bagunceiro, oras, nunca. Embora seja da casa lufa-lufa, o jovem não era desta maneira, ele sempre foi o único diferenciado de sua casa. O real motivo de suas idas para a tão conhecida sala do diretor era por culpa de sua falta de experiência em poções e feitiços, ocasionando em notas péssimas.

Por mais que Jongin se esforçasse para conseguir efetuar o que lhe era pedido, sempre dava errado, o garoto deveras desastrado, além de ser um grande mal humorado em diversos momentos, quase distanciando-se das características de um lufa-lufa.

— Então, Kim Jongin, estudante da casa lufa-lufa, já sabe o motivo de estar aqui, não é mesmo? — O diretor começou observando o moreno encolher-se na cadeira enquanto olhava para qualquer lugar que o outro não estivesse presente. — Suas notas estão um nível abaixo do péssimo, os professores reclamam dos seus feitiços e do seu famoso mal humor em todas as aulas. Você tem algo a declarar sobre tudo isso? — Dumbledore lia as acusações feitas pelos professores ao moreno em um papel amarelado. Juntou as mãos em cima da mesa ao terminar sua fala e esperou brevemente uma resposta.

— Senhor diretor, eu tenho dificuldades em entender as matérias. — Virou o rosto para observá-lo e arrependeu-se logo em seguida ao ver a expressão descontente no rosto do mais velho. — Eu me esforço bastante para entender tudo, mas nunca sai como eu quero e o senhor já sabe disso.

— Essa é a resposta que você me dá toda vez que vem aqui, Jongin. — Falou serenamente ao observar a expressão fechada do jovem garoto sentado à sua frente. — Você já veio tantas vezes aqui que já deve ter contado quantos fios há na minha barba. — Dumbledore quis fazer Jongin rir, missão esta que não foi cumprida. — Ajude-se, Jongin, ou você sabe para onde você vai.

Dando um último olhar fixo, pouco sério, ao homem mais velho, Jongin tombou sua cabeça para baixo na tentativa de acalmar-se um pouco. Ele detestava levar sermão, ainda mais do diretor que já deixou explícito diversas vezes que apenas queria seu bem, nada mais que isso.

Porém este não podia passar a mão em sua cabeça para sempre, ele precisaria tomar medidas drásticas caso o Kim não melhorasse, ah, e como o lufa-lufa tinha ciência de tal coisa. E tinha total certeza de seu fim.

Com um forte suspirar, Jongin deixou a sala, acreditando firmemente que não teria jeito, logo seria expulso de hogwarts, não havia jeito. Ele esforçava-se, por mais que ninguém acreditasse em tal coisa, ele realmente tentava melhoria, porém, nunca tinha o resultado estimado.

Entre seus passos pelo corredor extenso, Jongin relembrava de todas as conversas que tivera com o senhor Alvo à sós. Claro, era o que ele achava. O moreno sequer cogitava da ideia de alguém estar escutando sempre suas conversas com o diretor, afinal além de paredes haviam ouvidos, alguém estava sempre a ouvir a conversa alheia.

    Não é nenhuma novidade que espíritos estivessem a flutuar perante aos corredores da escola, era quase algo normal deparar-se com um corpo flutuante, pouco transparente. Todos tinham ciência que ninguém nunca estava de fato tão sozinho quanto imaginava.

Com o seu andar pouco rápido, acompanhado com sua cabeça tombada com a intenção de mirar o chão, o jovem de pele bronzeada adentrou a sala de poções, já que nenhum aluno de Hogwarts não podia deixar de frequentar suas devidas aulas.

Estando de pé na frente da porta, este rolou os olhos da sala repleta de bancadas e objetos em formatos estranhos. O ar gélido, partido da característica do local, bateu contra o rosto deste de uma maneira cortante.

Ele de fato não desejava estar ali.

O professor de fios escuros o encarou com uma expressão pesada, causando o bufar do Kim. 

— Kim Jongin, sente-se em uma bancada. A aula de hoje é produzir a Poção calmante. Os ingredientes então naquela mesa. — Num tom rígido, tanto quanto seu olhar, este apontou para mesa pelo qual foi mencionada.

Sem responder as falas ditas pelo mestre, este caminhou pelo cômodo frio recebendo o olhar dos demais alunos, porém, o garoto não ligou muito para tal fato incomodativo, ele tinha mais coisas para se preocupar, como: efetuar a tal poção.

Ele não podia falhar, afinal, sua matrícula na escola de magia estava em jogo.

Parando em frente a bancada vazia, ele pegou o pequeno pergaminho, leu-o mentalmente e observou os ingredientes que tinha para formar a poção. Puxou um dos frascos com o conteúdo rosa claro e o deixou o mesmo escorregar para dentro do pequeno caldeirão posto em cima de sua mesa. Leu o próximo ingrediente, mas não o encontrou em sua mesa. Afastou frascos e caixinhas fazendo alguns barulhos, mas não estava o encontrando de jeito nenhum, alguém devia ter pego. 

Neste momento, o professor estava passando pelas mesas dos alunos no intuito de ver se estavam conseguindo fazer. Ao ver Jongin parado observando o próprio caldeirão, irritou-se.

— Kim Jongin! — Chamou-o e o moreno o fitou com cara de poucos amigos. — Por que não está fazendo a poção que eu mandei? — Ditou lentamente enquanto suas orbes escuras pareciam querer engolir o outro.

— Eu não encontro isso. — Respondeu já levemente irado e mostrou o ingrediente escrito no pergaminho.

— Está bem ali. — O professor disse simplista apontando para um pequeno pote de vidro. — Preste mais atenção no que você está fazendo, Jongin, ou você sabe pra onde vai. — Aproximava-se do menor à medida que falava numa tentativa de ameaçá-lo, mas só resultou em fazer Jongin criar um ódio maior por aquele professor.

Estalando sua língua no céu da boca, Kim desviou seu olhar do mais velho antes que de fato respondesse a tentativa de ameaça jogada em cima de si. Ele podia sentir seu sangue borbulhar diante de tamanha raiva que fora criada ali.

Retornando a prestar atenção na poção que estava sendo executada, o moreno deixou que as folhas de maracujá caíssem dentro do caldeirão, logo ele usou a colher de madeira para misturar junto ao líquido que mudou de cor no mesmo momento.

Com certo zelar, este fora seguindo a lista pequena acrescentando os demais elementos até que não houvesse mais nenhum.

Diante àquele momento ele sorriu pequeno ao ver que em nenhum momento sua poção estourou em pó, ou causou um odor horrendo por todo o cômodo. Tudo estava normal , até que demais. Porém ele não reclamaria por esse momento estranho, afinal, era maravilhoso ter tudo ocorrendo bem.  

Entretanto, sua alegria fora toda esvaziada ao deparar-se com a coloração das demais porções de seus colegas. Enquanto seu líquido possuía a tonalidade azul, o dos alunos tinham uma tonalidade amarela.

Totalmente diferente da sua.

Jongin não entendia onde ele havia errado, tudo foi seguido respectivamente com a ordem e quantidade contida no pergaminho pequeno. Aquilo só podia ser obra de algum monstro daquele colégio, pois não havia outra explicação, nunca teria!

Soltando um suspiro alto ele quase quebrou todos os vidros que estavam sobre a bancada feita de madeira. O motivo de ter se portado diante de um momento de frustração, fora o professor em frente de sua mesa com uma prancheta em mãos.

— Como sempre, sem um pingo adequação, passando longe da perfeição que eu esperava. Mas não estou surpreso. Sabe, em momentos como este, diante de uma poção tão fácil, eu tenho certeza que você não se esforça para conseguir acertar. — O mestre despejou tais palavras rigorosas em cima do Kim, que se manteve calado e com o olhar fixo no mais velho. — Estude Jongin, pois você está à um passo de ser convidado a retirar-se de Hogwarts.

No fim daquelas falas alfinativas, o homem de fios escuros deixou a bancada do aluno lufa-lufa, deixando este que trincava os dentes de tamanha raiva.

Sim, ele devia manter-se quieto, calmo, suave, feliz. Entretanto, este não chegava nem perto de sua personalidade mal humorada e calada, sim, ele era um lufa-lufa, possuía um coração de ouro, um coração que estava enterrado por mágoas e feridas. 

Pela segunda vez naquele dia ele estalou a língua no céu da boca, ele pode ouvir o professor anunciar que aquela aula havia chegado ao fim, e como já passava-se das três da tarde, eles teriam o restante do dia livre.

Ao ouvir àquela pronuncia, o de pele morena saiu rapidamente da sala de aula, não queria dar de cara novamente com aquele professor. Arrumou sua roupa ao corpo e passou a caminhar pelos corredores antigos no meio de outros alunos, que carregavam livros ou mochilas. Por algum motivo, o Kim sentia-se desconfortável, algo parecia o seguir e o moreno desejou que não fosse nenhum professor para reclamar consigo.

Ao chegar nas escadas que davam aos dormitórios, girou os calcanhares e viu somente alunos e mais alunos, nem sinal de algum professor. Com a testa franzida e os punhos cerrados, subiu degrau por degrau olhando para os lados rapidamente, estava realmente muito incomodado e gostaria que aquilo parasse. 

— Que diabos…

Adentrou com brutalidade o dormitório que dividia com um garoto, que não estava presente no quarto, ainda deveria estar em uma das aulas. Aproveitando o cômodo vazio, Jongin tirou sua roupa rapidamente e vestiu algo confortável. Você precisa estudar mais, eles diziam, Eu já estudo todo santo dia, Jongin rebatia mentalmente.

Em um momento de ira, este chutou o vento. Por que eles diziam que Jongin não se esforçava? Ele assistia à todas as aulas, fazia todas as tarefas propostas pelos professores e ainda fazia trabalhos extras, mas nada era suficiente para Alvo Dumbledore sair do seu pé, dizendo-o para se esforçar mais e tentar seguir como todo estudante de Hogwarts.

Jongin já estava com raiva apenas por estar pensando nas palavras ditas por seu professor mais cedo. Aquele velho! Soltou alguns xingamentos baixinhos e bagunçou os próprios fios irado.

— Tudo sai errado! Tudo! — Socou com força o colchão macio de sua cama. — Seria possível alguma coisa dar certo na minha vida?! Eu estou cansado disso! Cansado! — Berrava enquanto passava as palmas das mãos no rosto. Estava querendo bater em qualquer coisa.

Provavelmente Kim começaria a socar a parede do quarto, mas fora interrompido pela sensação estranha de algo o observando.

— Quem diabos está aí? — Gritou a plenos pulmões com a raiva acumulando dentro de si e a forte vontade de bater em alguma coisa. — Pare de ser covarde e apareça!

Neste momento, um corpo flutuante quase transparente saiu de dentro do guarda roupas e se pôs frente a frente ao moreno. A nova presença possuía os cabelos tingidos de loiro, a pele clara acompanhado de um sorriso maldoso nos lábios finos.

— Você é bem estressadinho, não é? — Riu anasalado e Jongin apertou ainda mais os punhos. — Deve ser um daqueles azarados da vida.

— Ora, seu… — Tentou desferir um soco no outro, mas sua mão atravessou seu estômago e um formigamento correu pela mesma. — Fantasma ridículo! — Esbravejou cerrando os dentes e observando o loiro rir divertido.

— O termo correto é espírito errante, baixinho. — Tocou com o dedo indicador a testa do moreno, este que sentiu um arrepio correr pela nuca.

— Você é, no máximo, dois centímetros mais alto que eu! 

— Mas ainda sou mais alto que você. — Riu novamente e Jongin jurou que nunca havia sentido tanta vontade de socar a face de alguém. Talvez, ele tenha sentido sim.

— O que você quer? — Disse ríspido ao ver o corpo flutuante mover-se pelo quarto e passar o dedo nos móveis.

— Eu sou Oh Sehun, muito prazer. — Deslizou novamente para perto do Kim e fitou o moreno com cara de poucos amigos. — Eu… tenho uma missão. — Desviou o olhar.

— Que tipo de missão? — Soou desinteressado.

— Uma que eu não quero mais cumprir somente por ter você envolvido nela. — Devolveu com o mesmo timbre que Kim, este que logo arqueou as sobrancelhas curioso. 

— O que eu tenho haver com os seus problemas? Eu não sei que missão é esta, então o que acha de sair do meu quarto? — Propôs num tom irritadiço. Aquele com toda a certeza não era um bom dia para Jongin.

O moreno de fato nunca fora nem um pouco sortudo, porém nem sempre as coisas foram desta maneira. Ele nunca foi tão estourado, muito menos mal humorado, antigamente, Kim costumava ser um garoto cativante e cheio de alegria.

Porém as coisas mudam.

A imprudência e a ousadia do lufa-lufa estranho causou um riso totalmente debochado do fantasma que estava levitando pelo quarto com seus braços cruzados. Este que não tinha nenhuma intenção de ser educado, Oh nunca fora de querer agradar os demais, principalmente pessoinhas da laia de Jongin.

— Olha aqui garoto, não sei se você ouviu ou se está se fazendo de surdo, mas assim. — Comentou, dando uma breve pausa enquanto ia aproximando-se do moreno que, consequentemente podia sentir seu corpo arrepiar-se a cada segundo que via o ser transparente próximo a si — Eu não quero estar aqui, mas nada nessa ingrata vida é uma rosa, se fosse eu não estaria aqui olhando para sua cara feia.

Diante daquela simples e provocativa fala, Jongin que já estava em seu ápice de irritação. Graças a essa raiva que ia florescendo cada vez mais dentro de si, o moreno em um único movimento pulou em direção ao corpo pouco visível esquecendo-se totalmente do fato que tocá-lo seria praticamente impossível, ainda mais se não fosse da permissão do outro.

Então tendo o resultado nada bom daquilo. O jovem lufa-lufa estava com o seu corpo estirado no chão enquanto ouvia um fantasma rindo descontrolavelmente da cena que presenciou, o Kim teve a certeza que odiaria aquele fantasma com todas as suas forças.

Francamente…

— Diga logo o que você quer, Oh Sehun! - Bradou levantando-se com mais raiva do que quando havia ido de encontro ao chão.

— Eu já disse que estou aqui por causa de uma missão. — Disse o loiro enxugando as gotículas acumuladas nos cantos dos olhos ainda rindo. 

— Que desgraça de missão é esta? — Bagunçou – mais ainda – os fios escuros e observou o outro rindo de boca fechada tentando - só tentando - ser discreto. Aquele espírito…

— Eu vi o quão ruim você é nas aulas. — A lembrança da cara de Jongin ao ver que sua poção possuía uma cor diferente das demais o fez rir brevemente. — E cara, você é níveis e mais níveis abaixo do terrível. Mas já que está tão curioso sobre minha missão; eu vim pra te ajudar. — Sorriu maldoso e o Kim franziu o cenho. 

— Eu não quero sua ajuda.

— Eu não quero te ajudar.

O silêncio instalou-se no dormitório. Os dois presentes no local encaravam-se de uma maneira séria, era nítido para qualquer um que passasse por ali que o ódio recíproco os rodeava. 

— Mas eu não tenho escolha, então me ajude a te ajudar. — Ditou suspirando frustrado.

Sehun simplesmente detestava quando tinha que implorar por algo, ele não gostava de suplicar, detestava parecer fraco e vulnerável, necessitado de alguém para realizar suas etapas da vida, e saber que teria que fazer isso logo para Kim, o causava diversos xingamentos mentais.

— E o que eu vou ganhar por isso? Nada né? Então desistir, vá assombrar outros alunos. — Rolou seus olhos enquanto soltava suas frases num timbre totalmente desinteressado.

Sehun estava segurando-se para não enforcar aquele lufa-lufa ridículo.

— Olha aqui seu garoto, primeiramente, nós não assombramos ninguém, pelo contrário estamos aqui para fazer missões, ajudar alguém – Explicou semi-cerrando seus olhos — E por último, porém não menos importante, caso você não tenha percebido, se eu te ajudar você vai ganhar muitas coisas sim, por exemplo – Sorrindo de lado ele colocou-se a aproximar-se do corpo humano que no mesmo momento encolheu-se um pouco — Permanecer com matrícula nessa escola.

Com Oh tendo um sorriso lateral totalmente definido, dando-lhe aquele ar sarcástico que tanto o fantasma tinha, o ser transparente pode jurar que Jongin estaria quebrando seus dentes, por conta da pressão imposta em seu maxilar.

Era óbvio que Jongin irritou-se. Como aquele tal de Sehun garantia-se tanto? Se mesmo ele, que estudava todos os dias, treinava e não conseguia ter nenhuma melhora, quem ele achava que era para conseguir mudar isso?

Tsc, esse fantasma é ridículo.

— Se você não conseguir fazer com que eu tire um dez em poções e feitiços, eu posso te matar? — Perguntou vendo o rosto alheio contorcer-se em um sorriso estranho.

— Meu caro, eu já estou morto.

Engana-se quem pensa que depois desta frase carregada de ironização e um sorriso de lado totalmente sacana, os dois permanecerem em silêncio. Muito pelo contrário, o quarto fora enchido de palavras irritadas e alfinetadas em forma de frases.

Em menos de uma hora os desejavam esganar um ao outro, claro que, Sehun achava aquela situação divertida, pois seu maior hobby era irritar os demais. Entretanto havia momentos que Kim o tirava do sério.

Com o passar da tarde, com alfinetadas ali, tentativas de agressão acolá, Oh – para a alegria e satisfação de Jongin – foi embora deixando o outro na vontade de socar seu rosto, já que este havia lhe esnobado novamente. 

A alegria de Jongin não durou por muito tempo, porque no dia seguinte lá estava o corpo flutuante e loiro na porta da sua sala de aula o esperando.

— Não acredito que você vai ficar me seguindo! — Disse e rosnou para Sehun que lhe deu um sorriso travesso sem lhe dizer nada. — Olha, vai embora. Eu não quero sua ajuda, já disse! 

Dizendo-lhe tal coisa, o jovem adentrou na sala de aula e sentou-se na cadeira, logo em seguida a professora de nariz empinado e cabelo branco entrou na sala mandando todos os outros calarem-se pois a aula já iria se iniciar.

Umedeceu os lábios raivoso ao ver Sehun parado ao lado da lousa, era só o que faltava. Suspirou abrindo o pequeno pergaminho que a professora havia entregado e quis jogá-lo longe assim que viu qual feitiço iriam fazer hoje. Cistem Aperio.

— Por favor, peguem suas varinhas e exerçam o feitiço agora. — Pediu a professora enquanto passeava pela sala de aula distribuindo pequenas caixinhas de madeiras cadeadas.

Jongin fez o mesmo que o garoto sentado ao seu lado, ergueu o pergaminho em uma mão e com a outra segurou a varinha apontada para a frente

Diante de seu corpo havia o experimento pelo qual seria jogado o feitiço descrito no pergaminho na coloração alaranjada, mostrando quão antigo era aquele simples papel escrito com uma letra cursiva e na coloração preta.

Passando seu olhar por cima da breve descrição marcada no papel de certa maneira, envelhecido, o garoto pode jurar que seu corpo tremeu da cabeça aos pés. Aquele feitiço era deveras difícil demais para ser executado, se nem um simples ele conseguia lançar, imagina um complexo.

Mordendo seu lábio farto com certo nervosismo o lufano tentou não transparecer sua crise mental, entretanto, essa tática não funcionou muito bem para uma pessoa, ou devia se dizer, um espírito? Sehun gostaria de simplesmente ir até Jongin e o ensinar a fazer corretamente, claro que tudo era por pena, porque Kim parecia não saber nem por onde começava.

Jongin tentou se concentrar em apenas exercer o feitiço, mas o corpo flutuante o observando do outro lado da sala só o fazia ficar nervoso. Coçou a garganta, preparou a varinha apontada para a pequena caixinha trancada e ergueu mais o papel em sua mão.

— Cistem Aperio! — Os alunos falaram em uníssono e pôde-se ouvir frases satisfeitas e exclamações alegres por terem conseguido aquele feitiço.

Jongin estava de olhos fechados, então não conseguiu ver seu resultado, mas entreabriu o olho direito para ver a caixinha do outro garoto. Tinha dado certo para ele.

— O quê? — Sussurrou ao abrir os olhos e os focar em sua mesa, vendo um cadeado a mais em sua caixinha. 

Largou o pergaminho e a varinha na mesa e catou a caixinha de madeira nas mãos, ele conseguiu fazer o feitiço reverso do que lhe fora dado. Virou o rosto rapidamente na direção de Sehun e lá estava um corpo flutuante e de fios loiros rindo histericamente. Foi culpa dele.

A professora vendo a situação foi dizer à Jongin que deveria estudar mais e se esforçar. Entretanto desta vez não fora sua culpa, mas sim por culpa do fantasma que ele não conseguiu conjurar o feitiço.

A aula havia terminado e Jongin pedia aos céus para não esbarrar com o espírito que lhe atormenta. Mas talvez nem os céus gostassem tanto de Jongin. Por que ao retirar-se da sala de feitiços, a primeira coisa que o bronzeado pode ver foi o ser quase transparente lhe encarando com um sorriso totalmente debochado. Naquele exato momento Kim o xingou tanto mentalmente. A última coisa que ele queria era ver o fantasma loiro sarcástico, e de alguma forma ele culpava os cosmos por tal acontecimento contrário.

— Olá menino que fez o feitiço reverso. — Aproximou-se do mais baixo já rindo e acompanhando o andar do Kim. — Olha, aquela caixinha nunca mais vai ser aberta. — Riu de si próprio batendo as mãos no ar.

Ao olhar de Oh aquilo tudo era hilário, aquele garoto era engraçado, em menos de uma aula estava lhe proporcionando uma ótima manhã repleta de gargalhadas. Claro que ele não podia evitar de perceber as faces irritadas do lufano, mas isso o fantasma apenas ignorava com gosto.

— Olha aqui, Oh Sehun. — Parou logo à frente do loiro que permanecia com um sorriso sapeca no rosto. — Eu não quero mais ter que te ver, você só está me atrapalhando mais ainda, seu desgraçado! — Rosnou e viu o sorriso do outro sumir aos poucos. — Eu não quero que você me ajude, eu não pedi para você vir me ajudar! E não me importaria se você sumisse para sempre! Para falar a verdade eu iria agradecer aos céus!

Após despejar as palavras frias e alfinativas no Oh, saiu batendo os pés e respirando fundo e pesadamente pelo corredor quase vazio, deixando um fantasma estático em meio a ele. 

Sehun nunca achou que palavras doessem tanto.

Era até estranho para o fantasma sentir-se impactado por tais falas que devem ser vistas apenas, unicamente, como meras palavras jogadas em uma frase qualquer, oras! Ele irritava-se por ter ficado no mínimo, tristinho com tudo ouvido pelo lufa-lufa.

Droga, ele havia pegado tão pesado que até mesmo o coração não-vivo fora ferido.

Dando um breve suspiro pesado, Sehun, pela primeira vez em sua vida, tanto como mortal, quanto imortal, ele optou por deixar Kim só.

(...)

Horas haviam se passado e Jongin encontrava-se deitado em sua cama, soltando diversos resmungos e xingamentos. Aquele com toda a certeza tinha sido o pior dia de todos, não, Sehun não havia lhe perseguido depois de ter negado sua presença, muito pelo contrário, o lufa-lufa não havia visto a figura transparente pelo restante do dia.

Porém, ele ainda sentia que todo o seu azar havia sido por culpa dele! Claro que tinha sido! Aquele fantasma parecia ser o tipo mimado e egoísta, aquele cabelo penteado para o lado e o sorriso debochado não o enganava, nunca enganaria Kim Jongin! 

Aquele desgraçado, isso era o que Sehun era, um fantasma desgraçado e rancoroso! Não sabia ouvir a verdade sendo dita, ele não aguentava suas palavras francas.

Dando um suspiro alto acompanhado com alguns socos na cama, ele fechou os olhos com certa força,tentando controlar sua ira, que, naquela altura, já estava transcorrendo por seu sangue fumegante.

Dentre seus descontos de raiva naquele objeto macio, ele pode ouvir um arranhar de garganta em seu quarto quieto. Mais do que depressa Jongin colocou-se sentado na cama, tendo a visão ampla do fantasma lhe encarando, todavia, pela primeira vez, seriamente.

— O que você veio fazer aqui?! Eu não fui claro quanto—

— Olá, Jongin, como você está? Oh, está irritado, por quê? Sabia que a qualquer momento irá quebrar sua única cama, se caso permaneça a socá-la? — Perguntou o flutuante podendo observar a face ainda irritada deste.

— Sehun, você não entendeu o que eu havia dito? Vou ter que desenhar para tu conseguir entender?! — Indagou com seu tom levemente alterado que arrancou uma risada fraca do fantasma.

— Olha aqui, lufa-lufa estranho, eu vim aqui em paz, tá ligado? — Ditou levantando suas palmas fazendo o típico símbolo da paz — Aliás, eu queria me… Hum… Você sabe, aquele negócio lá.

Certo, agora Kim encontrava-se confuso. Como assim aquele maldito errante estava em seu quarto, tão calmo, mesmo depois de todas as grosserias ditas diretamente em sua face sem nenhum vestígio de pena em tais frases despejadas? Por um acaso Fantasmas não possuíam sentimentos?

Tudo bem que Jongin poderia estar parecendo o maior louco do mundo desejando acabar com a raça de Sehun afetando apenas seu emocional, mas veja só, o loiro transparente havia acabado com suas estruturas calmas — tais que quase não existiam.

Se Sehun acreditava mesmo que anunciar um símbolo de paz iria ajudá-lo a se redimir com  o Jongin, ah ele estava muito enganado, Kim conseguia ser muito maldoso quando queria, ou seja, quase todo o momento.

— Não, eu não sei Sehun. Agora se você acabou com seu maravilhoso teatro, eu peço que se retire eu nunca mais apareça na minha frente, sim? — Novamente reforçou seu desejo momentâneo fazendo com que o fantasma rolasse os olhos.

Uma coisa que o fantasma detestava era ser posto contra a parede, claro que, no mau sentido. Por mais que o fantasma desejasse gritar para o ser vivo parar de falar aquelas asneiras e dar uma chance logo para ele, o garoto não conseguia. Tudo era complicado demais, sempre fora muito trabalhoso se expressar. Sehun era alguém fechado. Quase entrava em crise mental quando precisava urgentemente falar algo que não conseguia de certo modo. Momentos como este, onde ele quer desculpar-se com o moreno, mas não conseguia de jeito nenhum.

— Caralho! — Xingou nu tom um pouco alto fazendo Jongin o encará-lo com certa dúvida. — Eu não estou aqui por que eu quero! Eu tenho que fazer isso, você não está me entendendo? Sei que você me odeia, porém o sentimento é totalmente mútuo, então cala a porra da boca e me escuta pela primeira vez em dois dias. — O loiro despejava tais coisas que estavam presas em sua garganta desde o primeiro momento que mirou o lufano irritado.

Jongin pela primeira vez em anos não soube como reagir diante daquela atitude. O fantasma parecia ser tão calado, embora travesso demais, nunca, em sua vida, ele iria imaginar que Oh iria lhe dizer tais coisas com um tom carregado de irritação e mágoa.

Esses dois são tão complicados.

Com um único aceno positivo o garoto transparente sorriu de lado, mudando toda a sua expressão irritada, coisa que causou confusão na mente de Kim.

— Ótimo. Desde o começo estou lhe falando, todas as minhas tentativas de te ajudar vem de uma missão, correto? — Perguntou vendo o outro demorar para responder.

Jongin estava ocupado demais pensando nas seguintes frases: “Me ajudar a ir para diretoria mais rápido?” , “ Me ajudando a destruir o meu quarto?”, “Me ajudando a perder a paciência?”. Quando percebeu o olhar indagativo alheio, Kim tratou logo de concordar com a cabeça como se não estivesse matando-o mentalmente.

— Continuando… Essa missão meio que… Tem haver com a minha morte. Eu preciso mudar algo que fiz enquanto estava vivo, só assim conseguirei alcançar os céus e encontrar a paz. — Explicou por fim desviando seu olhar.

De fato mencionar o motivo de sua morte lhe machucava, pois a culpa fora totalmente sua, ele deveria mudar sua maneira de agir, entretanto ele não consegue, sempre foi alguém debochado e risonho, não há como mudar.

— Espera, sua morte? Estou curioso, agora quero saber.

— Desde quando se interessa com a minha vida passada? — Indagou arqueando as sobrancelhas.

— Desde o momento em que eu estou metido nisso tudo. Se você quer minha ajuda vai ter que falar sobre para mim.

Com um suspirar compido, o loiro apenas aaixou a cabeça tentando dispersar sua mente daqueles pensamentos antigos que lhe vieram à tona. Claro que lhe doía, mas não só por ter morrido, mas também por ter uma participação especial.

A expressão brevemente triste, abatida, colocou-se no rosto claro deste. Naquele mesmo momento Kim iniciou a repensar em suas verdadeiras ações. Sehun possuía sentimentos afinal, é, de algum jeito essa parte de sua vida havia deixado marcas profundas.

O silêncio entre os dois garotos permaneceu por longos minutos. Jongin esperava que Sehun se pronunciasse, porém nada estava acontecendo, este apenas encarava o além.

Era quase que assustador.

Isso tudo estava fazendo com que a consciência de Jongin pesasse cada vez mais.

— Sehun… eu—

— Eu sempre tive essa personalidade, sabe? Era debochado, folgava nos meus amigos, pegava no pé deles pensando que tudo se passava de uma brincadeira inofensiva. Mas não era que eu estava redondamente enganado? — Sorriu de maneira triste encarando as íris brilhantes do moreno. — Eu tinha um amigo que me lembra muito você. Ele era péssimo em feitiços e poções, sempre, sempre se dava mal, tirava as piores notas e bem, eu nunca perdia a oportunidade de pegar no pé dele.

Um suspiro. Um olhar lacrimejando. Um arrependimento.

— Nunca passou por minha mente que estivesse o afetando tanto, pois eu apenas… Dizia que ele não conseguia efetuar nada. — Mordeu os lábios de maneira forte. — Eu realmente gostava dele, sabe? Mesmo. Eu tinha um grande carinho por ele, tanto que, eu resolvi tentar ajudá-lo a melhorar a suas notas… Mas isso não foi uma boa ideia. A mágoa dele foi crescendo cada vez que treinávamos, até o momento que… Ele conseguiu aprender um feitiço, e não era algo fácil não, era algo difícil, algo mortal. Adivinha quem foi o alvo dele? — Perguntou dando um sorriso triste.

Com seus olhos crescendo de tamanho, o moreno encarou a face transparente deste com surpresa. De fato ele não sabia que havia acontecido tal coisa consigo. Ser morto pelo amigo… Aquilo era complicado. Ele desejava, e muito, dizer em alto e bom som, que ele era o culpado daquilo tudo, afinal, ninguém mandou ser um idiota, porém, optou em calar-se.

— Bem e agora para eu me redimir eu tenho que ajudar alguém que precise dessa ajuda… — Murmurou desviando o olhar por alguns segundos antes de retornar a olhá-lo. — Jongin, sei que você me odeia, eu também te odeio, mas assim… Me ajude a te ajudar…

— Tudo bem.

— Cara eu sei que eu sou um merda que eu fiz, mas me dá- PERA você disse que sim? — Este perguntou num timbre eufórico arrancando uma risada abafada do lufa-lufa que se pegou desprevenido por breves segundos.

— É, eu disse que sim Sehun, mas não me faça mudar de ideia. 

Talvez, só talvez o coração cheio de feridas de Kim tenha se sensibilizado um pouco com as palavras ditas de Oh.

Vendo o sorriso do flutuante em sua frente, este apenas o encarou de maneira estranha quando o viu pegando uma varinha enquanto estendia a palma no mesmo momento. Ouvindo breves murmúrios, bastou questão de segundos para que a palma do ser sobrenatural estar carregando aquela mesma caixa cadeada que lhe deu dores de cabeça.

— Jongin-ah, eu vou começar meus ensinamentos com essa caixa que te deixou irritado.

— Que você me deixou irritado. — Ditou fazendo com que Sehun revirasse os olhos no mesmo momento.

— Tá. Pegue sua varinha pequeno lufa-lufa.

Com muitos resmungos ele fez o que lhe foi pedido. Mesmo que Jongin detestasse receber comandos e brincasse com sua face, ele queria, e muito, aprender um feitiço, por mais tosco que este seja. Ele queria mesmo era aprender algo e esfregar na cara dos professores reclamões que insistiam em lembrá-lo todo dia qual era seu destino se não aprendesse as coisas mais rápido.

— Agora repita comigo enquanto concentra-se no cadeado — Novamente lhe deu as instruções de como efetuar o feitiço. E bem, Jongin estava tentando e aquilo já era um grande começo —  Alorromora!

Tendo a palavra proferida de um modo uníssono num conjunto de balançar de varinhas, os dois cadeados foram abertos no mesmo instante deixando Kim Jongin completamente abismado com aquilo, afinal, ele havia feito a mesma coisa na sala e não havia conseguido.

Visualizando por último o sorriso orgulhoso de Oh, o moreno não soube ao certo o que sentiu diante àquele olhar pouco estranho, ele apenas… gostou.

— Parabéns Jong-ah — Parabenizou num tom animado. — Se prepare Kim Jongin, eu vou lhe transformar no melhor feiticeiro desse colégio, caso contrário não me chamarei mais Oh Sehun.

Num tom triunfal, o fantasma se desintegrou sumindo do cômodo sem mais e nem menos, deixando o lufa-lufa completamente confuso. De fato ele não entendia que magia Sehun possuía sob sua má e boa sorte, entretanto, ele se encontrava contente mesmo não entendendo as coisas de certa forma.

Porém diante de um quarto brevemente escuro, junto a sua varinha, Kim permitiu-se sorrir brevemente, mesmo não querendo aceitar que o motivo era um ser sobrenatural, qual ele odiava.

(...)

Já era outro dia, e novamente seguindo a rotina de seu dia a dia, Kim estava na sua segunda aula ainda no período da manhã. Como no dia anterior teria aula de feitiços, onde aquele professor pelo qual Jongin não morria de amores o encarava e sorria para si de maneira irritante. 

Como se já não bastasse o professor, o feiticeiro também sentiu os olhares julgadores  dos alunos sobre si, assim que adentrou na sala de aula naquela manhã fria, mas entrou confiante e pisando forte, já que havia tido uma pequena aula com Sehun na noite passada. Talvez aquele pequeno orgulho de si mesmo acabasse o enforcando, mas ele não ligava e continuou feliz por ter conseguido conjurar aquele feitiço.

Não tardou para o professor entrar na sala também e preparar seus materiais para a aula do dia. Aquele era o mesmo professor que dava aula de poções e que, consequentemente, fazia com que a confiança de Jongin diminuir bruscamente. 

Ao notar o sorriso maldoso lançado para si pelo professor, Jongin já pode perceber que aquele era mais um dia que aquele professor iria pegar em seu pé. Mesmo diante disso, ele tentou não se importar com o mais velho direcionando o olhar para si vez ou outra, e anotava tudo o que o mesmo citava ou escrevia na lousa verde.

A parte da teoria havia acabado, e agora era hora de pôr tudo em prática. Por sorte, era o mesmo feitiço que Sehun lhe ensinara e Jongin sentiu sua sorte mudando um pouco. 

Uma mistura de ansiedade e nervosismo fazia o estômago do Kim revirar, e a caneta na ponta dos dedos finos do rapaz balançar freneticamente no ar, ao que o professor de cara fechada distribuía as caixinhas trancadas.

Apesar de ter conseguido efetuar o feitiço em seu quarto junto de Sehun isso não queria dizer que ele tinha total certeza que conseguiria realizá-lo novamente, claro que ele queria pela primeira vez efetuar algo, por mais simples que seja, aquilo seria um motivo magnífico para calar muitos de seus professores.

Ajeitou sua postura na cadeira de madeira, apontou sua varinha para a caixinha com o cadeado e proferiu o feitiço de olhos fechados.

— Jongin… — Sentiu alguém cutucar-lhe o ombro e num momento imediato ele virou-se para a pessoa, sem nem ao menos olhar para caixinha.

— Sehun. 

— Você conseguiu! — O loiro sussurrou com um sorriso no rosto. Era um sorriso diferente dos demais sorrisos que Sehun direcionava à Jongin, e o de pele morena não soube ao certo descrever qual sentimento se instalou ali, mas, diferente dos outros, este foi capaz de trazer uma sensação de quentura dentro de si — Parabéns, Kim! Eu falei para você que eu iria te transformar no melhor feiticeiro não falei?

Com Jongin sorrindo minimamente com aquela fala ele apenas abaixou seu olhar para contemplar seu feitiço completamente concluído por fim. Por míseros segundos ele pode jurar que seu coração quase pulou de seu peito diante de tanta euforia.

Ele havia conseguido.

O lufano não sabia ao certo dizer se era grato por Sehun por ter lhe ajudado, pois desde o princípio ele detestou o fantasma com todas as suas forças, entretanto, agora, a última coisa que ele estava sentindo naquele exato momento era: desprezo ou ódio.

Soltando uma pequena bufada diante de sua confusão mental, ele jogou todo o seu lado orgulhoso para um lugar distante, totalmente disposto a agradecer, pela primeira vez, Oh Sehun. 

Entretanto, ao virar seu rosto, ele pode visualizar nada mais, nada menos que a parede feita de pedras gigantescas. Ele não estava mais ali consigo. Talvez aquele não seja o momento correto para demonstrar sua gratidão, afinal das contas.

Com seu olhar direcionado para aquele lugar único, viajando em devaneios, o jovem de pele morena fora chamado pelo professor que, novamente, estava com a sua prancheta em mãos como o dia posterior. Seu sorriso lateral era completamente exposto de uma maneira irritante, causando o oposto no lufa-lufa diferenciado. 

— Deixe-me adivinhar, mais uma vez, Kim Jongin, falhou, gostaria de fazer uma visitinha ao— O homem que estava até que emocionado com aquela frase típica usada contra o Kim, ficou sem entender quando viu-se ser interrompido pelo aluno. 

— Perdão, mas o senhor não quer olhar minha caixa antes de dizer tais impetulantes acusativas? — Perguntou dando um breve sorriso de lado, sem deixar a mostra seus dentes. Era apenas mais um de seus sorrisos falsos.

Jongin não sabia descrever quão bom fora ver de tão perto a expressão de vergonha e raiva que se professor fez ao ver que o cadeado de ferro, na coloração preta, estava aberto diante da trinca.

Claro que ninguém esperava que algum dia Kim conseguiria algo, afinal, ele era Kim Jongin, o pior aluno de Hogwarts, o péssimo aluno das aulas práticas. 

Fora até uma surpresa para os alunos, que estavam próximos da mesa alheia, que logo trataram de cochichar um para o outro, até que chegasse em um ponto que toda a sala estivesse a par da feitoria de seu colega de classe.

— C-como?... Você trapaceou, não foi? — Este murmurou arrancando a risada breve deste que estava apenas a divertir-se das expressões alheias.

Era só o que lhe faltava, aquele professor, mesmo depois de conseguir concluir aquele bendito feitiço, vir impor uma hipótese de que ele havia trapaceado naquele teste de recuperação.

Se ele não havia feito isso nos demais semestres, por que o faria agora?

No mesmo momento que o silêncio tomava todo o local, esperando a resposta triunfal do lufa-lufa, o sino ecoou pelos corredores da escola de magia, arrancando um sorriso largo do jovem. 

Este passou a juntar as suas coisas com a maior tranquilidade do mundo antes de pousar sua mão no ombro do mais velho.

— Nunca duvide de minha capacidade, senhor. 

E proferindo tal coisa ele abandonou a sala de aula, deixando junto com o professor surpreso, seus colegas de sala que não estavam muito diferentes de seu mestre.

Com um sorriso grandes em seus lábios ele caminhava dentre os corredores indo para sua próxima aula de astronomia, algo totalmente teórico. Algo que ele amava, é claro. Porém diante do seu desejo de aproveitar uma das suas aulas favoritas, o garoto apenas a matou, estando totalmente convicto de procurar por um alguém. Ou melhor dizendo, um fantasma. Ele queria apenas contar à Sehun sobre a cara de bocó daquele professor irritante. Com toda certeza ele riria consigo.

Sim, era totalmente estranho ele estar pensando em compartilhar tal memória significante para si, mas era algo que estava vindo de dentro de seu interior. Tudo aquilo era quase que inevitável, algo incontrolável, afinal, Oh havia contribuído para tal coisa, por que não dizer algo que aconteceu graças a sua ajuda?

Na mente de Jongin não havia nada de errado pensando desta maneira, porém havia sim, havia muito. Mas isso não seria algo que o jovem lufa-lufa descobriria sozinho.

(...)

No dia seguinte, a figura de porte médio andava distraído nos corredores vazios e frios de Hogwarts, o olhar cabisbaixo e os braços balançando sem animação ao lado do corpo. O motivo para aquilo era que; Jongin não havia encontrado com o espírito errante quando queria contar-lhe sobre seu feito na aula anterior e a cara que o professor fez após ver sua feitoria. 

Aquilo era muito estranho para o moreno, pois além de não estar acostumado com tais sentimentos estranhos, aquele errante estava sempre em seu pé, lhe incomodando, lhe irritando, lhe divertindo. Então porquê de uma hora para outra este simplesmente sumiu sem deixar rastros?

Fora terrivelmente humilhante a maneira que ele colocou-se a procurar aquele ser morto transparente. Tudo que vinha em sua mente ele fazia, ele ia a procura, porém nunca conseguia achá-lo.

Por que ele tinha que sumir logo naquele momento? Não que Kim estivesse chateado ou triste por aquilo, nunca! Ele apenas estava… querendo compartilhar algo com alguém. Claro que sua única opção mais próxima de um ser humano era Sehun, então foi por isso que o jovem lufa-lufa procurou-o.

Mentira atrás de mentira. Kim era orgulhoso e a única maneira de achar uma solução para seus problemas e sentimentos era através de desculpas esfarrapadas. Mas talvez as mentiras não funcionassem para sempre.

E de fato não estavam tendo grande efeito, já que Kim deixou abater-se totalmente diante daquela breve solidão que sentia, de um dia para o outro, sem a companhia daquele que muito desejava longe.

Um, dois, três suspiros foram soltos durante seu breve caminhar em direção a mais uma das suas aulas favoritas, a de história. Porém, diferente das outras vezes, a sua vontade de assistir aquela aula estava abaixo de zero. 

Porém mesmo com a falta de desânimo estranho, ele foi. Mesmo que não tenha prestado o mínimo de atenção no que fora dito na aula, ele estava lá olhando para o além, navegando em seus devaneios confusos e complexos. Ele realmente estava no modo automático.

Ele seguiu desta maneira até que sua atenção foi tomada.

O som alto da pancada entre a régua de ferro contra a mesa de madeira foi o que fez o corpo mediano desse um pulo no seu assento. Diante aquilo ele pode ver a professora de nariz empinado, conhecendo logo a aula que estava tendo naquele momento: de poções.

— Kim Jongin! — A voz anasalada da mulher soou alta e ameaçadora fazendo o lufa-lufa endireitar-se na cadeira e limpar a garganta. — Se queria ficar dormindo, então por que não ficou em seu dormitório, lufa-lufa?

Levou seu olhar para suas coxas fartas e sentiu olhares curiosos sobre si. Com certeza suas bochechas estavam ruborizadas, porém ele não conseguiu perceber isso e tentava não fazer seu olhar e o da professora se cruzarem.

— D-Desculpe, professora. — Curvou a cabeça o tanto que pôde, mas não achou que isso foi necessário. — Sinto muito mesmo, irei prestar mais atenção na aula. Desculpe-me.

— Não quero que isso se repita nunca mais, Kim Jongin. — Aproximou-se do corpo pequeno do outro, que encolhia na medida que os centímetros entre si e a mulher mais velha diminuíram. — Você sabe melhor do que ninguém qual é a sua situação nesta escola e a coisa que eu mais quero agora é ver mais alguns deslizes seus para você ser mandado logo embora daqui. — Seu tom de voz ia diminuindo até chegar num ponto que somente Jongin escutava o que a senhora falava.

A mulher retornou para a lousa e voltou a anotar palavras e mais palavras, como se nada houvesse acontecido. A respiração de Jongin estava forte e rápida pela ameaça da professora alguns segundos atrás, seu coração batia freneticamente contra seus músculos e jurou que explodiria ali mesmo.

O rapaz estava nervoso, de verdade, ele sabia que mais alguns deslizes seus e o Dumbledore iria expulsá-lo dali. A sua única ajuda era Sehun, mas este não aparecia para Jongin desde o dia anterior, e isso preocupava o humano. Mas o preocupava tanto que a única coisa que Jongin conseguia pensar era em onde Oh Sehun estava e o que ele estava fazendo agora.

Como em todas as aulas de poções daquela professora, pergaminhos foram distribuídos aos alunos e ingredientes foram postos sobre as bancadas dos demais. Era mais uma poção que os jovens tinham de fazer e Jongin, novamente, não estava confiante com nada. Os dedos finos tremiam ao pegar os recipientes e despejar os conteúdos dentro do caldeirão posto à sua frente, assim como gotículas de suor corriam vagarosamente perto a sua orelha e isso só o deixava mais nervoso.

Novamente a professora soltava palavras frias em si e novamente os olhares julgadores dos outros alunos o cercavam. Sua poção havia saído totalmente errado do que era para ser, Jongin havia, sem querer, feito a poção explodir em fumaça por alguns instantes e logo depois, não havia mais nada no caldeirão.

Mas essa não era a pior parte. A pior parte era não ter encontrado com Sehun ainda, Jongin nem ligava para as palavras desmotivadoras da professora e nem o modo que os alunos o fitavam com desprezo, só queria Sehun ali. 

Jongin fitou a professora por alguns segundos antes de deixar a sala de aula furioso e triste. Se Sehun estivesse ali com ele, o espírito estaria talvez rindo de mais um de seus fracassos, mas ele não estava ali, não estava em lugar nenhum.

Andou e andou pelos corredores vazios,— afinal, os alunos ainda estavam em aula. Subiu e desceu escadas, porém a preocupação ainda o seguia e não importava quantos passos apressados dava, ela não sumia. 

Seus pés finalmente descansaram no chão, depois foram suas pernas e logo o seu tronco estava encostado na parede gélida. Juntou os joelhos em frente ao corpo pequeno e trêmulo, pensando nos sorrisos maldosos e brincalhões que Sehun costumava dar para si. Onde ele estaria agora?

(...)

Já era tarde quando Jongin conseguiu juntar forças para deixar aquele chão gélido onde passara praticamente o dia inteiro em seus devaneios. Sua fúria era totalmente incomum, talvez até maior do que o normal, pois seus embrulhos se sensações não era apenas por culpa daquela professora ridícula, mas sim por uma causa bem maior. E como ele estava irritado. Pelo menos era isso que ele pensava, já que seu misto de sentimentos nunca fora a raiva predominante, mas sim a chateação, a mágoa. Ora, quem um dia lhe diria, Kim estando dessa maneira, sem um pingo de ódio lhe tomando, mas sim a sensação de tristeza.

Agora de pé ele mordia seus lábios com certa força, machucando-os levemente a um ponto de marcá-los com seus próprios dentes afiados. Com um breve suspiro dado, o jovem de pele alva colocou-se a caminhar pelas escadas, indo em direção a seu dormitório, afinal, havia matado as demais aulas.

Com toda a certeza do mundo, Dumbledore estava o caçando pela escola. Mesmo tendo total ciência disso, o lufa-lufa diferenciado não temia, aquele diretor não iria lhe expulsar ainda, apenas receberia um sermão que levaria o restante do dia.

Dando passos curtos e lentos, o garoto sentia o frio chocar-se contra a sua pele pouca exposta, as janelas do castelo estavam brevemente abertas e na rua nevava. Ah, o tempo estava igualado ao Kim, frio e sem cor.

Por bons minutos, ele encarava a porta de madeira em sua frente, onde dava o caminho para o seu quarto escuro e solitário. Kim nunca fora alguém de se importar com a solidão, já que com o tempo acostumou-se com ela, porém, os acontecimentos mexeram consigo a um ponto de causar o temor da solidão.

Deixando com que uma bufada saísse de seus lábios fartos, o moreno abriu a porta por fim, encontrando o local escuro como sempre, vazio como sempre. 

Pelo menos era isso que ele imaginava.

— Bem vindo ao lar, querido — Disse uma voz conhecida num tom totalmente risonho.

A princípio Jongin não acreditou no que havia ouvido, porém foi totalmente inevitável sentir seu peito palpitar quase que numa simulação de taquicardia.

Mais do que depressa o jovem lufa-lufa acendeu a luz de seu quarto encontrando o tão aclamado fantasma idiota deitado de uma maneira totalmente despojado em cima de sua cama. Estaria Kim tendo uma alucinação?

Talvez, só talvez ele estava contento com a companhia alheia, porém, havia algo que contradiz tal coisa. Sehun estava em sua cama, sua amada cama.

— S-sehun? — Burbulicionou o nome alheio sentindo suas pernas bambearem brevemente. Kim podia sentir que a qualquer momento explodiria em turbilhões.

— Sentiu saudades? Sei que estava chorando pelos cantos, olha sei que sou irresistível, mas assim, não chora não, bebê. — Este ditou levantando da cama com a levitação, ficando sentado no ar, com as pernas cruzadas.

O sorriso de Oh poderia estar radiante, totalmente recheado de esnobação, entretanto, o fantasma errante não estava nada bem. Mas isso não era algo que ele gostaria de deixar exposto para Jongin, ainda mais estando a par de tudo que causou ao feiticeiro.

Ele se preocupava mais do que devia com o lufa-lufa estourado.

— Primeiro, eu chorando por você? Pff, acho que viu errado, no mínimo achei estranho seu sumiço. Segundo, me chama de bebê e querido novamente que eu faço questão de te matar. — Respondeu de uma maneira totalmente afiada arrancando o riso cordeiro de Sehun.

Com toda a certeza Jongin era uma graça.

— Ora, ora, você não negou o fato de que sou irresistível… Quer dizer que concorda comigo, nenê? — Naquele momento o fantasma pode jurar que ouviu o humano trincar os dentes diante de sua raiva.

Kim estava praticamente espumando, ele estava quase jogando para o alto os sentimentos de tristeza que havia sentido por não ter aquele errante consigo para o alto, só para desejar que ele sumisse novamente. Com toda certeza aquele fantasma tinha como hobbie lhe azucrinar.

Com o simples rolar de olhos este suspirou fundo, buscando a paciência, que não possuía, para apenas dirigir a palavra ao ser transparente. Mas claro que, ele não contava que durante seu ritual de calma, Sehun se aproximasse dele, deixando os rosto próximos.

Oh não flutuava mais no ar, agora ele estava sobre o chão, mostrando ser centimetros mais alto que Kim. 

As respirações se mesclavam num simples chocar de pele. Aquilo era estranho, Sehun era alguém que não estava vivo, porém, naquele momento, ele não se mostrava estar morto.

Em menos de segundos, o errante iniciou sua aproximação lentamente fazendo com que o lufa-lufa arregalasse seus olhos imediatamente fazendo com que Sehun sorrisse de lado. 

Jongin estava totalmente sem reação, não sabia como reagir diante aquela reação totalmente repentina, quer dizer, ele nunca havia passado por uma situação como aquela. Tanto que as reações do lufa-lufa baseavam-se em apenas trancar a respiração, tremer e arregalar os olhos. Porém em momento algum ele fez menção de o afastar.

Sehun estava achando aquilo tudo uma graça. Talvez outros tipos de provocações em relação ao jovem possa o agradar e muito. Quando os lábios estavam próximos o bastante, Oh os entreabriu e sussurrou:

— Não fique tão irritado, Jong-ah, não sei se seus dentes vão aguentar tanta pressão. — Num timbre baixo e arrastado, ele sorriu de lado se afastando rapidamente ao ver Kim iria lhe bater. 

Com um sorriso e risadas vinda diretamente do fantasma abobalhado, o Kim soltou seu ar, e pode jurar que seu olhos estava pegando fogo. Sem contar a estranha vergonha que estava presa dentro de si.

Ele não podia negar que ele desejava e muito esconder-se, expulsar aquele fantasma idiota de seu dormitório, entretanto ele apenas abaixou a cabeça tentando esconder todas as suas sensações num misto de raiva e vergonha.

Ora, quem Sehun pensava que era para quase o beijar? Ele sequer havia dado permissão para tal coisas, mesmo que ele não tenha feito menção de afastá-lo, não queria dizer que ele desejava juntar os seus lábios com os dele, claro que não, ele apenas estava pasmo com aquilo.

Não é todo o dia que alguém quase o beija num momento nada oportuno, certo? Então aí estava sua desculpa que mantinha-se firme e forte na mente do lufa-lufa. Pois veja bem, ele não queria parecer aquelas garotinhas que ficavam todas tímidas próximo do crush, até por que, ele não era uma garota e muito menos tinha uma relação amorosa pelo fantasma, os seus sentimentos por ele era apenas de ódio e amizade. Apenas isso.

Naquela situação, manter-se totalmente acuado contradiz totalmente com seus pensamentos, de não querer parecer uma garotinha toda apaixonada, e isso irritava ainda mais o Kim. Por que diabos Sehun tinha que ser tão idiota a ponto de fingir que ia o beijar? Talvez, no final das contas isso tenha deixado Jongin um pouco triste.

Sehun, por que você tinha que ser tão filho da puta? 

Pensava Jongin enquanto cerrava seus punhos com força. Mesmo com todos aqueles sentimentos o sufocando aos poucos, não era apenas aquilo que estava a incomodar o feiticeiro. Não era aquilo que estava o intrigando de fato.

Enquanto Kim estava tendo aquela crise mental e sentimental, o fantasma o encarava com um sorriso de lado tentando ignorar suas dores agonizantes, quer dizer, elas não eram tão ruins quando estava próximo de sua salvação.

Era totalmente adorável observar todas as coisas que causava no lufa-lufa irritado, ele parecia tão sensível a suas falas, seus movimentos, seus olhares. E aquilo alegrava e aquecia o errante frio de sentimentos. Não era a toa que Kim Jongin seria a sua salvação em todos os sentidos possíveis.

Percebendo que provavelmente o lufano não levantaria sua cabeça tão cedo, este deu uma risada baixa e arranhou a garganta apenas para chamar a atenção alheia, coisa que não funcionou nenhum um pouco.

— Jong-ah, não fique assim, se você quer que eu te beije eu posso—

— Por quê? — Perguntou num fio de voz interrompendo o timbre debochado do errante que estava flutuando próximo de si. — Por que você sumiu, Sehun? Você sempre, sempre estava na minha volta, e de um momento para o outro sumiu sem me dizer nada. Me diga o porquê disso.

Naquele exato momento o silêncio estabeleceu-se por todo o local, que antes continha a risada despojada do Sehun, porém essa não estava mais pairando sobre o mesmo. 

Por breves segundos o fantasma ficou chocado com a pergunta feita para si, ele realmente não esperava isso. Tanto que o errante sequer havia arrumado uma desculpa plausível para isso, porque, no fim, ele não contaria a verdade para Kim. Ele mentiria, e mentiria, mas a verdade não seria dita, ela o machucava e machucaria Jongin também. Ele desejava a liberdade, porém, agora duvidava disso.

— Por que eu sumi? — Repetiu a pergunta um tom um pouco fraco.

— Sim, Sehun. Por quê? — Repetiu novamente cerrando seus olhos em direção ao fantasma. — E não me venha com mentiras.

Sehun engoliu a seco enquanto pensava em alguma resposta.

— Eu estava ocupado. — Respondeu com firmeza vendo a expressão séria de Jongin não modificar-se em nada.

— Com o quê? 

— Quer saber o que eu comi ontem também, mamãe? — Perguntou retoricamente. Ele apenas queria dar um jeito de mudar o assunto logo.

Porém não adiantou muito, pois Jongin estava totalmente convicto de querer descobrir aquele sumiço estranho de Sehun. E mesmo que não tivesse intenção, ele pensava em possíveis motivos para ele ter sumido e, digamos que, ele não estava nem um pouco contente com seu pensamentos.

— Eu não estou para brincadeiras, Sehun… — Murmurou vendo o outro morder os lábios finos.

— Eu não quero falar sobre isso, Jonginnie. — Declarou, dando um breve sorriso antes de cruzar os braços. — Aliás temos coisas mais interessantes para falar.

— Temos? Tipo o quê? — Perguntou meio contra gosto.

Ele não havia gostado nenhum pouco de ver Oh Sehun cortando o assunto daquela maneira, todavia, vê-lo desconfortável com aquela conversa também lhe trouxe desconforto. Mas afinal, que diabos ele teve que fazer para sumir o dia inteiro? Isso não era algo bom, e,de certo modo, não era mesmo.

— Tipo… — Sorriu de lado se aproximando enquanto colocava as suas próprias palmas ao lado de seus lábios, demonstrando que contaria uma espécie de segredo. — Sobre a prova surpresa que seu professorzinho de feitiços dará amanhã. Sabia que aquele homem é o diabo em pessoa? Escolheu o pior feitiço a ser reproduzido.

— O quê? Ele vai fazer?! — Indagou com os olhos arregalados arrancando um riso do errante.

— Vai sim, e o nome do feitiço é: Legilimens. — Revelou enquanto levava suas mãos até sua nuca dando-lhe um ar despojado. — Esse feitiço além de descobrir os sentimentos da pessoa que você jogou o feitiço, também é capaz de assistir as memórias dela, principalmente aquela que a marcou profundamente. — Explicou vendo Kim manter-se calado e pensativo por longos minutos.

Por muitos minutos ele colocou-se calado totalmente pensativo. Ele tinha quase certeza que iria se dar mal, e se fosse mal era uma visita na diretoria na certa, já que seria a décima prova prática que ele iria zerar. Claro que na prova passada ele havia conseguido recuperar os pontos. Porém, como dito por Sehun, aquele feitiço era totalmente complexo.

Soltando um suspiro que definia todos os sentimentos dele, o jovem lufa-lufa colocou-se a falar:

— Como ele vai fazer? Quer dizer, em quem vamos jogar o feitiço?

— Bem disso eu já não sei, mas provavelmente em algum animal, ou nele próprio. — Respondeu abaixando-se até o colchão da cama, batendo sua palma na mesma, chamando o Kim — Mas agora, temos que decorar as características desse feitiço antes de colocá-lo em prática mocinho, então ande logo, temos uma longa noite.

Sehun com um sorriso maroto viu o garoto de pele alva rolar os olhos e caminhar até si, ocupando o lugar ao seu lado. 

E a partir desse momento os dois garotos começaram a estudar, mas diferente que pode-se pensar, eles não estavam sérios e focados naquilo que estavam lendo e codificando, já que, Sehun, fazia questão de fazer alguma piadinha e perguntas bobas em relação ao feitiço para Kim, coisas que de fato o deixavam totalmente constrangido e irritado.

Ora, aquilo era para ser um momento de silêncio onde que o Jongin estudaria e Oh iria apenas lhe ajudar com as dúvidas, mas não, aquilo virou uma bagunça, já que um momento o lufa-lufa irritou-se e tentou bater no fantasma, mas claro que sua mão o atravessou arrancando risadas do ser transparente.

Sehun estava achando realmente uma graça o moreno totalmente irritado consigo, o rosto vermelho, expresso com uma raiva insana, causava mais e mais risos neste, sem contar que o punho fechado dentro de si estava lhe causando cócegas.

Levou longas horas para que os dois garotos conseguissem se entender novamente, claro que, o drama e raiva vinha apenas de um lado: o de Kim. Ele realmente estava furioso com a atitude infantil de Oh, mas era algo que ia passando, já que este fazia questão de lhe paparicar e dizer coisas idiotas apenas para arrancar-lhe uma risada ou um breve sorriso.

Quando Sehun achou que tudo estava de certo modo, decorado, ele anunciou que por fim iriam por aquele feitiço em prática, mas primeiro ele iria fazer uma demonstração e Kim seria sua cobaia.

Porém, a ideia, de algum modo, não estava dando muito certo.

— Não. — Negou pela terceira vez fazendo o fantasma suspirar.

— Deixa de ser chato, juro que eu não vou ver os sentimentos apaixonados por mim e muito menos as memórias da sua primeira masturbação — Disse Sehun, segurando seu riso ao ver a face de Kim tomar uma coloração avermelhada novamente.

— Eu já disse que não! Use outra coisa — Rebateu vendo o outro rolar os olhos como se aquilo que dissera foi a coisa mais idiota do mundo.

Tsc, ele que era idiota. Pensava Jongin.

— Deixa disso, tem que ser feito com você, então apenas aceite isso, por que mais tarde terá que fazer o mesmo comigo. — Ditou visualizando a expressão irritada do lufa-lufa.

Francamente, ao olhar de Sehun, o garoto parecia uma criança de cinco anos que estava negando o empréstimo de seu brinquedo. Claro que, o que ele estava negando era algo muito mais valioso, mas isso não conta agora.

— Tá. 

Jongin estava bufando? Estava. Estava resmungando? Estava. Estava com uma careta horrível? Óbvio que estava, porém, havia aceitado e era isso que valia afinal.

— Ótimo, tenha em mente que as palavras que terá que dizer é o nome do feitiço. 

— Nossa, rapaz, eu nem sabia disso — Resmungou num tom totalmente irritado.

— Depois eu que sou a criança… — Devolveu no mesmo tom fazendo com que o outro tinha dito.

— O que disse?

— Como ia dizendo, logo após fazer isso, a concentração deve ser grande, tente pensar apenas no feitiço e nada mais, pois este é algo que deve ter atenção e calma, entendido? — Perguntou vendo logo o aceno positivo. — Certo, agora vou te mostrar como deve ser feito.

Pondo-se de pé, logo a frente do lufa-lufa, o fantasma pegou sua própria varia antiga, e colocou-se a reproduzir tudo que havia dito ao Kim como tutorial básico. Com os olhos firmes no de Jongin, ele mexeu brevemente a varinha e por fim disse:

— Legilimens — Ditou num tom firme.

Em questão de segundos ele não estava mais enxergando Jongin em sua frente, mas sim um cenário escuro que logo fora clareando revelando um passado de Kim.

. . . 

O silêncio se fazia presente no local luminoso, tendo apenas o som característico dos talheres de metal raspando contra o prato branco. Com uma mão o garoto de estatura baixa segurava a faca e com a outra o garfo de metal. Ele fazia movimentos de vai e vem a fim de cortar a carne mais dura que o normal, faltando apenas derrubar o prato de porcelana ao que arrancava um pedaço.

Por mais que o silêncio desse aquele ar de solidão, a última coisa coisa que aquele garoto estava era: sozinho.

Na mesma mesa que ele estava, havia mais duas pessoas mais velhas que si, sentados um em cada ponta da extensa mesa de madeira envernizada. Num tom baixo e único, eles conversavam sobre algo tedioso no trabalho e não pareciam notar a presença do garoto ali. 

Como se ele nunca estivesse ali.

Sehun deu passos na direção do garoto de fios escuros, sentado de costas para si, este estava entretido com o balançar leve dos cabelos do desconhecido e sua atenção fora tomada ao que alguém elevou a voz num momento totalmente calmo, quebrando em pedaços aquela tensão silenciosa de uma única vez.

— Coma que nem gente, Kim Jongin! — A voz grossa do homem de fios meio grisalhos soou por todo o cômodo iluminado por um lustre enorme no teto. — Menino sem modos. Por que você nunca educa esse menino, Seo Yeon? Ele cresce como um vagabundo, vive andando com aquele menino dos cabelos coloridos e do corpo esguio. Sinceramente, ele é uma má influência para o nosso filho, por que você não dá um fim nisso logo, mulher? Ele está virando um marginal por culpa sua! 

O espírito assistia à cena abismado, era uma memória de Jongin e não parecia ser uma das melhores. Os braços do garoto naquele exato momento param de balançar e logo este pousou os talheres sobre o guardanapo embaixo de seu prato, abaixou o rosto ao que a mulher, do outro lado da mesa, começou a gritar com o homem.

Por mais que o errante não estivesse a entender nada que estava ocorrendo ali, ele apenas limitou-se a enxergar as reações de Kim, que infelizmente não parecia muito confortável com aquela situação alta e agitada que começara.

Principalmente por ele ser o assunto principal da briga.

— E o que você faz para ajudar na educação dele, Hong Sin? Fica o tempo todo nesse trabalho e não sabe falar de outra coisa. Já perguntou-se sobre como vêm sendo como um pai? Um marido? — A mulher de fios ruivos bateu os talheres com força na mesa e as palmas na mesma com a ira transbordando nos olhos castanhos. — Esse menino cresce sem um pai! Ele está virando um vagabundo na escola, só tira notas baixas agora, os professores reclamam da queda de desempenho dele, os coleguinhas se afastaram e agora ele é um menino inútil! Você acha que eu me agrado com o filho que eu estou criando sozinha?

Sehun não sabia o que se passava na mente de Jongin naquele momento, porém se fosse ele ali, já teria gritado até as cordas vocais falharem e teria se esperneando da maneira que podia, mas Jongin estava só ali calado e aceitando tudo o que os progenitores soltava de si.

Oh não podia aceitar aquilo, afinal, nem de longe aquele poderia ser o lufa-lufa que conhecera, ele nunca deixaria que alguém falasse algo dele próprio desta maneira! Por que diabos ele estava simplesmente ignorando tudo aquilo?

E, diante daquela discussão que se prosseguiu, o jovem garoto apenas levantou a cabeça e continuou a comer calmamente ingerindo até o último grão de arroz antes de retirar-se da mesa num murmúrio de “licença”, ele correu para fora do cômodo.

Com um aperto forte em seu peito, uma lágrima escorreu escondida pelo olho puxado do loiro que apenas assistia tudo aquilo calado.

. . .

Ouvindo os gemidos alheios, Sehun aos poucos foi recuperando sua visão que de embaçada passava a ser nítida, podendo ver de uma maneira clara a expressão de raiva do lufa-lufa.

— Você por um acaso tem noção de como isso dói? — Perguntou num tom raivoso.

Aquele seria um dos momentos perfeitos para o fantasma pegar no pé do jovem, porém, a sua saúde vital não estava uma das melhores, seu corpo estava cada vez mais e mais transparente. Porém aquilo era algo que dificilmente era perceptível. E, por mais que desejasse, o errante não conseguia simplesmente esconder aquilo, não naquele momento específico.

— Ei… — Chamou-o num tom preocupado — Sehun, você está bem?

Silêncio. Aquilo de fato estava a assustar Jongin de certo modo, afinal, que diabos havia acontecido? O que ele tinha visto em suas memórias? 

— Sehun eu— 

— E-Eu tenho que ir… — Murmurou num tom fraco.

— Já? Ainda é cedo, você ainda tem que me ajudar a fazer o feitiço, lembra? 

— Desculpe, Jong-ah, mas eu tenho que ir.

Antes que Kim pudesse rebater qualquer coisa referente a isso, Sehun não se encontrava mais no cômodo, ele havia simplesmente sumido sem mais e nem menos, deixando o pobre lufa-lufa mais confuso que o normal.

O que ele havia feito para o fantasma agir daquele modo? Como ele ia estudar os feitiços sem ele? Como ele conseguiria uma nota sem ele?

Com toda certeza aquela noite seria longa em diversos aspectos, principalmente por Jongin passar metade dela estudando e pensando nas atitudes vindas do errante. Provavelmente pela manhã o lufano acordaria com fortes dores de cabeça, porém, quem disse que ele estava preocupado com isso?Sua maior preocupação do momento era ir bem naquele teste prático e desvendar Sehun por inteiro. 

Colocou roupas confortáveis em si e jogou-se na cama que, agora, já não parecia mais tão convidativa. 

(...)

Era — para a tristeza de Jongin. —  aula de feitiços agora e o de pele morena pensou seriamente em sair da sala de aula e não ter que assistir o professor dando sua aula e depois pedindo para os alunos efetuarem o serviço. Claramente ele não podia realizar tal sonho pelo simples fato de que suas notas já não são boas em aulas práticas, então teria que se dar bem nas aulas teóricas.

Sentia a caneta preta deslizar por entre os dedos suados, a ansiedade de ver Sehun de novo estava o consumindo pouco a pouco e saber que não tinha estudado com o espírito na noite passada o deixava ainda mais preocupado. Largou a caneta assim que o professor, de nariz empinado e pele alva, parou de deslizar o giz na lousa verde e encarou os demais presentes na sala de aula fria. 

O Kim realmente nutria um sentimento de puro ódio — aparentemente recíproco. —  pelo professor. Não que já não houvessem motivos suficientes do que os que já foram apresentados, mas ainda havia muitas outras memórias ruins com aquele professor na mente de Jongin. 

Como em todas as outras aulas, o professor mandou todos pegarem suas varinhas e os entregou caixas de sapato. 

— Vocês já sabem do que se trata o feitiço. — Disse vendo alguns alunos observando suas caixas de papelão com certo receio — Abram as caixas com cuidado, descubram o que está dentro delas e conjurem o feitiço no que está aí. — Disse simples o que fez seu aluno “predileto” revirar os olhos e morder o lábio inferior com vontade de esgana-lo. — É realmente um feitiço difícil, mas vocês já estão em um nível avançado. — Caminhou lentamente para perto da cadeira de Jongin enquanto dizia. — Não é mesmo, Jongin? — O fitou com desdém.

Para a alegria de Jongin e para o desprezo do professor, o sino soou indicando a hora do intervalo. Soltou uma lufada de ar gélido e levantou-se da sua cadeira já pronto para correr até um lugar tranquilo para comer e o fez.

Na realidade, Jongin pensou mais nos sorrisos maldosos de Sehun do que comeu seu pãozinho de mel. Ah! Os sorrisos do errante de sobrenome Oh estavam grudados na mente de Kim, que sorria fraco toda vez que lembrava-se de um. Seria bom também se somente sorrisse, porém sentia uma queimação anormal no estômago e nas maçãs do rosto.

Infelizmente, o intervalo passou mais rápido do que de costume e Jongin teve de voltar à sala de aula.

— S-Sehun! —  Abriu seu melhor e mais sincero sorriso ao ver o corpo flutuante sentado em sua cadeira de madeira. Ainda não havia alunos na sala de aula e Jongin quis agradecer aos céus por isso. — O que você está fazendo aqui? Na verdade, que bom que está aqui! — Fez-se confuso por alguns instantes.

— Estou só de passagem. — Ditou o loiro com um leve sorriso dançando nos lábios finos e pálidos. Levou o olhar para a lousa verde onde o professor havia passado as instruções do feitiço que iriam realizar, era o mesmo que Sehun havia conjurado em Jongin na noite passada. — É o feitiço que fizemos ontem…

— É o feitiço que você fez ontem. — Fez questão de tonificar o sujeito e entortou os lábios para dentro da boca. — Não acho que eu consiga fazer ele, é muito complexo e requer muita experiência, coisa que eu não tenho.

— Ei! — Escutou a risada anasalada do loiro e um sorriso ameaçou brotar em seus lábios fartos. — Você consegue, Jongin! Confie em si mesmo, está bem?

— Mas… 

Jongin lembrou-se da última vez que havia conseguido conjurar um feitiço: Sehun sumiu, simplesmente.

O jovem lufa-lufa não sabia ao certo o porquê, mas ao relembrar aquela memória um desespero incomum surgiu dentro de si. Se ele conseguisse realizar o feitiço, Sehun sumiria novamente?

— Você não irá sumir igual fez da última vez, certo?

O sorriso que antes habitava nos lábios de Sehun sumiu e deu espaço para olhos baixos e sem graça. Então, Jongin havia notado algo estranho, realmente, pois o fantasma raramente abandonava aquele belo sorriso sarcástico de seus lábios. 

E além do mais, ele não havia digerido as breves respostas e escapadas vindas do errante.

— Eu não irei sumir, Jongin. Vou sempre estar com você. — Ditou calmamente dando um breve sorriso logo quando os seus olhos encontraram-se.

Sehun envolveu a mão pequena e gordinha com a sua; de dedos gelados e finos, sentindo algo que não sentia há tempos: calor humano. 

Jongin também havia sentido algo que não sentia há tempos: o coração se aquecer.

Aquele momento, por mais calmo e breve que fosse, era especial para ambos, era algo único que naquele momento, e talvez para sempre, seriam os únicos a proporcionar um ao outro. Aquele sentimento de aquecimento, de conforto, de sentimentos.

— Agora, sente-se nesta cadeira e veja a memória desse peixinho morto. 

— Peixe morto?! — Exclamou alto demais, o que fez Sehun gargalhar alto ao ver a expressão enojada do outro.

— É só um peixinho, Jonginnie! Sabe, um daqueles de aquário. — Explicou para o outro como se tivesse tendo um diálogo com uma criança. — Um dia eu vou comprar um aquário para você e vou comprar um peixinho junto. Eu juro!

Jongin encarava o fantasma com uma expressão confusa, afinal, ele não estava crendo que aquele errante estava mesmo tirando uma com a sua face tão, tão limpa. Por um acaso ele era uma criança? 

Bem, talvez sim.

— Ya! Hunnie, você promete? — Perguntou num simples tom infantil enquanto via o sorriso do fantasma crescer ainda mais.

Ora, aquela havia sido a primeira vez que o lufa-lufa havia lhe posto algum apelidinho carinhoso que não se referisse a coisas como: idiota, bobo, chato. Claro que aquilo era quase que um salto para a relação nada definida deles, entretanto, era uma pena que isso viesse a surgir apenas naquela hora, naquele momento.

Sehun sentia-se triste por isso.

— Prometo, Jong-ah — Sorriu docemente para este que correspondeu ao gesto timidamente.

Em menos de segundos o garoto estendeu sua palma com o dedo mindinho destacado, direcionando logo a frente de Oh, que apenas mordeu seus lábios com determinada força com o ato um tanto infantil do outro. 

— De dedinho? — Murmurou um pouco constrangido com aquilo.

Dando uma risadinha debochada, o fantasma entrelaçou os dois mindinhos sentindo novamente aquela corrente elétrica circular por seu corpo fantasmagórico. E, essa sensação de quentura não fora sentida apenas por ele, mas por Kim também, que pode sentir seus pelos arrepiarem-se num único contato.

Eles precisavam aproveitar cada segundo, pois era precioso.

— De dedinho. — Repetiu selando a promessa com um selar de dedos. — Mas agora vamos treinar, antes que o sinal toque.

E com o aceno positivo do moreno, as tentativas de executar o feitiço iniciaram, coisa que durou até o final do intervalo totalmente extenso. Sim, eles passaram aquele momento inteiro juntos. Dando risadas de quando a falha aconteceu, momentos vergonhosos aconteciam quando algo era feito de maneira correta, trazendo o elogio do errante. 

Com aquelas grandes tentativas, houve um momento que Jongin desligou-se do mundo e naquele exato momento pode enxergar a memória morta deste mero animal morto.

Embora esse momento fosse emocionante, foi impossível que aquilo não tornasse um momento de grandes risadas, já que Sehun não poupou as risadas quando Kim retornou chorando, alegando estar com pena no peixinho.

Com toda certeza aquele lufa-lufa era adorável.

Tendo sua tarefa comprida e o sino badalando por todo o castelo, o fantasma sorriu triste e passou a sua palma transparente num tom azulado por cima da cabeça de Jongin, desejando-o boa sorte antes que sumisse no ar.

Depois daquela ajuda, e visita, Kim conseguiria qualquer coisa.

E ele realmente conseguiu.

Foi meramente incrível enxergar a face embasbacada do professor quando percebeu que, sim, ele havia comprido o feitiço com grande execução e sem nenhum erro sequer. Quem diria, Kim Jongin, o garoto que não sabia conjurar nem um mero feitiço de levitação, agora fazendo algo grandioso como aquilo.

É óbvio que aquele professor procurou em diversas maneiras tentar achar alguma prova que mostrasse a sua possível trapaça ao concluir o feitiço, mas é claro que não encontrou nada.

O que Jongin havia usado valia muito mais do que uma mera trapaça, talvez, o nome real devesse ser o uso do sentimento.

Depois de deixar, tanto o professor, como os alunos embarcados com sua feitoria, o lufa-lufa saiu todo sorridente da sala de aula, logo indo para a sua matéria favorita: astronomia. 

Ele já havia faltado nas aulas desta que considerava uma das melhores matérias de hogwarts. Por mais que seu maior desejo seja apenas largar suas coisas em qualquer canto, para no fim correr por aqueles corredores vazios e ir a procura de Sehun. Dessa vez ele iria comemorar com o fantasma, oh se iria.

Levando em conta esse sentimento bom em seu peito quando pensava no garoto transparente, Kim, mesmo assim, não podia evitar a grande quantia de sentimentos ruins em relação a algo. O medo lhe invadia de uma maneira grande e intrigante, quase fazendo com que ele temesse o futuro.

E de fato ele deveria temer mesmo.

Quando por fim não havia mais nenhuma aula para comparecer, ele caminhou em passos rápidos pelos corredores extensos do castelo, procurando um ser específico pelos quatro cantos das torres existentes ali.

Claro que estava contente com aquilo tudo, principalmente animado para ver Oh, porém, algo ainda o incomodava e muito.

Ignorando tais sensações amargas, ele permaneceu procurando até a noite chegar, obrigando-o a se dirigir para seu quarto. Até aquele momento ele ainda estava animado, já que cogitava ainda com a ideia do errante estar deitado em sua cama de uma maneira despojada.

Por conta disso, sua alegria ao abrir a porta foi totalmente evidente. Seu sorriso estava a mostra de um modo totalmente leve e alegre. Entretanto, este foi morrendo aos poucos ao encontrar o dormitório vazio.

— Sehun-ah?... — Chamou-o num tom baixo enquanto andava pelo cômodo. — Ya! Não gosto desse tipo de brincadeira, apareça logo, seu idiota! — Aumentou o seu tom, mostrando-se irritado.

Porém nada adiantou, seus chamados altos foram em vão, seu calamares não adiantaram de nada. Todos seus esforços naquele momento não valeram em nada.

Suspirando de uma maneira pesada, podendo sentir nitidamente aquela tristeza misturada com a amargura , ele deitou-se em sua cama fechando os olhos com força, logo murmurando:

— Você prometeu… 

(...)

Juntou os seus livros e os cadernos de capas neutras, colocando-os juntos na mochila de couro preta, que carregava para cima e para baixo consigo, deixou que os demais alunos deixassem a sala de aula, juntamente com o professor, para então começar sua caminhada de volta para o dormitório. — ele havia decidido não almoçar naquele dia. 

Ao afastar-se da sua cadeira veio a lembrança do dia anterior, Sehun segurando sua mão e lhe prometendo coisas. Deixou que um pequeno e rápido suspiro escapasse dos lábios grossos, ressecados, e voltou a caminhar ainda com aquela lembrança fresca em sua mente. 

Sua mente, desde que havia conhecido Sehun, vivia brincando consigo e o perturbando com pensamentos calorosos sobre o tal espírito errante que o assombrava sem nem mesmo estar presente.

Os pés moviam-se lentamente pela cerâmica fria e suja dos corredores de Hogwarts, mas sua mente parecia tão vazia no momento, que nem ao menos percebera quando jogou a mochila sob um banco de madeira no pátio vazio da escola de magia, onde pairava uma neblina comum de inverno, e sentou-se sentindo o frio envolver seus membros inferiores. Piscou algumas diversas vezes e sentiu a primeira lágrima cair tranquila. Depois a visão embaçou e parecia que seus olhos possuíam a própria neblina que abrangia Hogwarts. 

— Droga, S-Sehun…

A voz embargou e soube que era seu fim, choraria até o fim do dia e não se daria o luxo de comer algo depois; sempre foi assim. 

— E-Eu fal-falei pra não i-ir!

Agora, soluçava exasperado, sentindo as lágrimas correrem freneticamente sem parar pelo rosto pálido e gelado, o nariz entupido e os fios já bagunçados. 

— VOCÊ PROMETEU!

Gritou não ligando para a dor nos pulmões e jogou-se de joelhos na grama verde do pátio totalmente vazio. 

Jongin nunca desejou tanto que os dias se passassem ligeiramente quanto desejava agora. Mais uma aula se passou, e depois outra e mais outra e novamente uma aula de poções, onde havia seguido o conselho de Sehun e conseguiu realizar a poção, e depois mais uma aula prática de feitiço. Está que ele também realizou com perfeição e excelência. E, de repente, ele se viu na sua rotina antes de conhecer o espírito que havia entrado em sua vida sorrateiramente.

Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, as memórias de Sehun não desgrudavam da mente de Jongin por nenhum segundo sequer e isso começava a irritá-lo. Não conseguia deitar na sua cama pela noite e não pensar em Sehun deitado ali consigo, não conseguia deixar de lembrar da sensação quente que a mão de Sehun envolvida na sua o trazia, e , simplesmente, não conseguia esquecê-lo, e nem queria. 

Sua esperança após as aulas era de que, ao entrar em seu quarto, encontraria o loiro alto estirado despojadamente em sua cama, ou passeando pela extensão de seu dormitório. Porém isso não acontecia, os dias somente se passavam lentamente e de maneira monótona, sem Sehun, sem risos maldosos e sem provocações. 

Admitia que havia acostumado com o espírito em seu pé o tempo todo e agora sentia que precisava urgentemente vê-lo e tocá-lo. Tudo em seu ponto de vista era levado como um vício, ele havia se viciado com a companhia alheia, se deixado entrar em èstasi de sensações com os poucos toques que tiveram naquele período juntos. E droga, ele realmente sentia-se dependente dele, ele desejava sentir os arrepios que Oh lhe proporcionou com poucos toques. Precisava dos momentos de raiva e loucura que apenas o errante lhe trazia com uma simples brincadeira que no fim, melhorava seu dia.

Não, não havia saída. Jongin estava apenas preso naquelas memórias agora tão agonizantes e amargas. Até que um dia Jongin tocou-se de algo um tanto que óbvio.

— Por que ele iria embora mesmo depois de prometer? — Um de seus pensamentos escapou de seus lábios e sua mente tentou associar e ligar pontos. — Por que eu sinto tanta… Saudade?

E com isso sua mente começou a trabalhar mais duramente, relembrando das vezes que Sehun sumiu e apareceu no dia seguinte, nas desculpas que ele havia dado e tentando captar cada mínimo detalhe que Sehun tivesse jogado no ar. Jongin talvez não conhecesse o outro tão precisamente assim, mas o conhecia o suficiente para compreender que Sehun nunca o abandonaria sem algum motivo. 

E, novamente, sua mente pôs-se a trabalhar mais precisamente até que Jongin concluiu que não possuía conhecimentos suficientes para entender o porquê de Sehun sumir assim.

— Eu não estaria…

Ligou mais alguns pontos. Sua estranha sensação quando Sehun juntou suas mãos, o agrado ao ver um doce sorriso nos lábios alheios e a estranha e fixa saudade, o aperto no peito, a falta de algo. Sensações o consumiam e se viu apaixonado por alguém já morto.

— Eu estou apaixonado…

Talvez sua frase houvesse soado mais triste e baixa do que havia planejado, então ele pensou por mais poucos segundos. Realmente estava apaixonado, entretanto este seu amor já estava morto.

— Deuses! — Exclamou num murmuro enquanto bagunçava seus fios escuros numa pura confusão.

Sentiu o peito se aquecer e um meigo e ligeiro sorriso escapar dos lábios ressecados. Ele não podia estar mais ferrado como agora. Ter sentimentos por um fantasma não era algo comum e nem um pouco aceitável, ainda mais para seu ego.

Porém, seu estado mental, e sentimental, estavam pouco ligando para seu ego.

— Eu preciso ver ele! Eu… Eu só sei que eu amo ele! Eu realmente amo um espírito errante.

Não se permitiu pensar por mais tempo, pois decidiu que precisava encontrar Sehun o mais ligeiro possível e qual seria o melhor lugar para aprender sobre algo? Na biblioteca.

Ele precisava saber mais sobre o fantasma que não saia de sua mente por um segundo sequer. Ele precisava ir em busca de respostas, e foi o que ele fez, foi em busca da resposta para suas perguntas vagas, que flutuavam por sua mente de uma maneira incompleta.

Agora, subindo a grande escada de madeira para ir ao topo da grande estante de livros, o jovem lufa-lufa encarava os demais livros postos em ordem alfabética em cada prateleira de uma maneira organizada. O bibliotecário fazia um ótimo trabalho quando se tratava de organização ao pé da letra.

Arrastando seu dedo indicador por cada livro, fazendo uma breve leitura de cada título, o garoto de pele alva seguiu sucessivamente até que encontrasse o livro desejado. Com certa euforia ele pegou o livro e logo tratou de descer os vários degraus que havia subido para conseguir encontrar o tão aclamado livro. 

Logo quando encontrava-se novamente no solo, o jovem caminhou até uma das mesas do local não tão pequeno, logo depositando o objeto cheio de folhas sobre a mesa. Sentando-se na cadeira, ele não demorou muito para abrir o livro e logo correr o olhar pelas diversas letras e ilustrações que continham aquelas folhas amareladas. Ele estava a selecionar o que era de fato de importante ou não, até que por fim acabou por encontrar algo.

— Espíritos errantes ou assombrações, são aquelas almas que continuam vagando pelo universo humano por estar com seu espírito corrompido, ou seja, algo que este espírito tenha feito não foi certo, quase igualando-se a um pecado. Porém, haverá casos que eles apenas estão vivemos numa forma fantasmagórica apenas por ter deixado de fazer algo de extrema importância no passado. — Ele lia murmurando dando algumas pausas para digerir o que estava a ler. — Graças a esses erros ou falta de devidas ações, os famosos fantasmas ganham uma segunda chance, onde eles deveram se redimir comprindo uma missão que lhe trouxesse a redimição, para no fim conseguir ter sua liberdade, um descanso por fim.

Jongin engoliu aquilo totalmente a seco. Sehun havia mencionado aquilo uma vez, que ele estava a comprir uma missão, e de fato tinha ligação com seu passado.

— Durante os progressos de sua missão, o espírito pode se mostrar cansado, já que sua energia vital irá morrendo aos poucos, acarretando em cansaço, fraquezas, dores e alucinações sobre seu próprio passado. — Prosseguindo sua leitura de puro murmurou, o moreno novamente sentiu-se desconfortável, já que aquele deveria ser o verdadeiro motivo para Sehun ter sumido. Ele não estava bem. — Uma vez que a missão fosse concluída, o espírito irá ser deportado para o mundo dos mortos, tendo por fim, seu descanso.

Kim deixou com que o livro escorregasse dentre seus dedos caindo contra a mesa de madeira, e logo a primeira lágrima escorreu por seu rosto. Aquela fora a última gota de água. Jongin havia perdido todas as suas esperanças ao ler a última frase. Oh Sehun havia cumprido o necessário e nunca mais voltaria. 

Ele havia quebrado a promessa, ele não voltaria e isso machucava tanto o Kim.

Com os olhos marejados, sentindo sua cabeça pesar, ele colocou-se a correr em direção a seu dormitório. Ele não estava aguentando mais aquilo tudo. Ele apenas desejava Sehun ali consigo.

(...)

Era muitas coisas para digerir, principalmente o fato que nunca mais veria Sehun, nunca mais teria a oportunidade de sentir aquela sensação assombrosa contra a sua pele. E saber disso acabava ainda mais com a estabilidade sentimental que já estava totalmente abalada.

Agora deitado em sua cama, de uma maneira totalmente confortável, o garoto soltou um suspiro fundo. Oh estava feliz agora tendo sua alma livre? Estando longe de si e dessa realidade medíocre? Estaria contente com tudo?

Algo lhe dizia que não.

Ele podia estar redondamente enganado quanto isso, entretanto, sua mente lhe dizia que Sehun também sentia algo por si. Ah como ele desejava o fantasma ali. Como ele clamava em trazer este para si novamente.

— Trazer? — Murmurou num tom choroso, já que passara a tarde inteira chorando depois da visita a biblioteca. — Trazer…

Num pulo ele colocou-se sentado na cama mordendo seus lábios com determinada força. Aquilo era possível, ele podia trazer Oh, ele podia realmente ter Sehun ao seu lado. Tendo uma maneira de conseguir encurtar isso, era mais do que claro que Jongin iria fazer de tudo para conseguir, nem que esses tipos de coisa fossem passar horas estudando sozinho naquele quarto escuro e sombrio.

E foi isso que ele fez.

Horas de longos estudos e práticas foram gastas, porém o moreno não se arrependia nem um pouco, ele desejava rever aquele fantasma que era capaz de acabar com sua paciência, que era quase nula, e dar-lhe uns bons tabefes nele.

Claro que aquele nunca fora o seu objetivo principal, já que o jovem lufa-lufa já estava ciente da enrascada de sentimentos que se meteu, mas isso é algo que ele optou por esconder por alguns segundos de seus pensamentos tristes e raivosos.

Segurando aquela varinha entre seus dígitos, o garoto de pele alva suspirou logo colocando-se de pé. Ele não podia de modo algum desistir naquele momento, não depois de ter estudado e se empenhado tanto. Era óbvio que ele temia falhar como as demais vezes que tentou conjurar um feitiço qualquer, mas agora não era sua nota que estava em jogo, mas sim seus sentimentos.

Era tão difícil para o Kim aceitar que estava apaixonado, por mais que já estivesse entregue àquele sentimento totalmente puro, ele não sabia ao certo o que fazer. Enquanto seu coração lhe dizia para confiar em si mesmo para ter o errante novamente consigo, o seu lado sóbrio dizia-lhe que aquilo nunca daria certo.

Ninguém nunca acreditava em sua capacidade de fazer algo bom, algo que de fato fosse algo de orgulhar as pessoas ao seu a redor, e nem Jongin conseguia crer em sua capacidade. Talvez o único que tenha de fato apoiado-o, e confiado em si fora Sehun. Ah esse fantasma conseguia lhe perturbar de todos modos, estando presente ou não.

Talvez, no fim das contas, Oh era mais eficiente lhe assombrando pessoalmente ao invés de pensamentos. Porque, deste modo, Kim conseguia descontar todas suas emoções e temores nele de algum modo que tudo, no fim, se transformaria em uma zombaria da parte dele.

Ele não gosta de admitir isso, mas Sehun era aquilo que animava e coloria sua vida por inteiro, como se o fantasma desse algum tipo de cor ao desenho preto e branco que era sua vida pacata.

Apertando aquela varinha com determinada força imposta ali, ele juntou suas forças e coragem e iniciou a conjuração. Ele faria aquele feitiço por ele e Sehun.

Num simples balançar de varinha, proferindo a palavra Accio, tendo em pensamento a pessoa amada, o garoto fechou os olhos com força já temendo a falha, temendo ser o inútil que tanto as pessoas o nomeavam. 

Em minutos, no mais puro silêncio, ele abriu os olhos de uma maneira hesitante. Porém o que tanto o assustava aconteceu: o feitiço não havia funcionado.

— N-Não pode ser… — Ele deixou com que um soluço escapasse enquanto abraçava brevemente seu próprio corpo. — E-Eu tenho que conseguir… Eu devo conseguir.

Tendo sua visão embaçada junto a seus olhos ardentes e um coração acelerado num doloroso pulsar, o lufa-lufa fechou os olhos com força antes de pensar no fantasma que tanto era especial para si. Então ele ditou o nome do feitiço.

Aquilo era para ter funcionado, tinha. Entretanto diferente do que ele queria, nada aconteceu, nada estava dando certo. 

Diante daquele fracasso, em seu peito crescia a dor e angústia, resultando nas lágrimas grossas e ardentes rasgando sua face sem nenhum pingo de pena. Enquanto as gotículas salgadas traçaram sua pele alva, o garoto persistia murmurando o feitiço alternando num tom alto e baixo.

Até que chegou em um momento, onde o jovem lufa-lufa perdeu sua voz de tanto gritou a conjuração, do tanto forte estava seus soluços sofridos. Ele não havia conseguido, ele era o fracasso que muitos falavam.

Ele nunca se importou de ser o garoto que trazia o desgosto ao nome Kim, não se importava quando falavam mal de si, não se importava quando o xingavam sem motivo algum. Mas naquele exato momento ele se mostrava o contrário.

Jongin sentia raiva de sua pessoa por ser um humano tão inútil, ser alguém que sequer conseguia trazer sua felicidade.

Aos poucos suas pernas foram perdendo as forças, causando o impacto de seus joelhos contra o piso gélido de seu quarto. As lágrimas escorriam por seu rosto sem dó nem piedade dos futuros enchimentos de seu rosto.

Deixando-se totalmente entregue aquela cena de pura dor, ele quase deixou de ouvir uma voz tão, tão conhecida por si.

— Eu não acredito que você me despertou do meu son- Jong? Você está bem? — Chamou-o logo que terminou de espreguiçar-se.

Naquele exato momento Kim arregalou os olhos e encarou o fantasma lhe direcionando um olhar totalmente preocupado. Talvez fora nesse momento que Jongin teve certeza de seus sentimentos confusos, já que aquele misto de tristeza, juntou-se a alegria e emoção.

Porém no mesmo momento que ele estava feliz com aquilo, ele também continha uma grande irritação em relação ao errante tosco, que sequer lhe avisou das coisas.

Com um único movimento o garoto levantou-se do chão e correu até o fantasma, não sabendo ao certo que ele permitiria seu toque ou não. O choque de ambos corpos fora muito além de um raspar de peles, para eles sempre seria como uma explosão de sensações, uma explosão de emoções, quase que num turbilhão de sentimentos únicos, sentidos apenas por eles.

O primeiro soco no peito de Oh fora deferido por Jongin que agora retornava a soluçar enquanto deixava fracos socos no peitoral do fantasma que o envolvia num abraço um pouco desajeitado.

— S-Seu i-idiota! T-Te odeio, seu fantasma de merda! — Ele resmungou dentre lágrimas enquanto dava-lhe socos.

Era óbvio que Sehun deveria estar um pouco confuso com a situação, mas ele tinha total ciência dos sentimentos do lufa-lufa, já que também sentiu falta do feiticeiro, tanto quanto ele.

— Me trouxe de volta para me xingar? — Perguntou num tom risonho levando um soco mais forte comparado aos outros.

— C-Cala a boca — Borbulicionou. — Cala a boca! Quem você acha que é para sumir desse jeito? Por que não me contou? Por que você sumiu mesmo depois de ter prometido Sehun?! — Questionou parando com os socos, para no fim encostar seu rosto no peito deste, escondendo seu rosto sofrido. — Eu senti sua falta, merda, eu senti sua falta, tá me entendendo?! Eu estudei a merda desse feitiço apenas para dar um soco bem forte nesse teu rosto ridiculamente… lindo. Mas… Olha o que você está causando em mim Sehun! Eu devia acabar logo com sua raça!

Oh, embora estivesse totalmente surpreso com a declaração estranha e indireta feita pelo lufa-lufa estranho, porém, mesmo confuso, ele não pode deixar de sorrir de uma maneira boba diante as palavras de raiva e repletas de sentimentos carinhosos.

Ah, ele estava apaixonado e era recíproco.

— Eu acho que você pode fazer uma coisa muito mais interessantes do que quebrar minha cara, sabe? — Ele ditou num sussurro levando seus dígitos até o queixo alheio, erguendo-o para só então visualizar o rosto de Kim.

Em um movimento rápido e gentil, Sehun aproximou ambos os rostos, agora gelados pela aproximação e perdeu-se por alguns instantes nas orbes escuras do amado. As respirações quentes se mesclando junto aos hálitos distintos e exóticos, os dedos finos e longos segurando o queixo do outro com cuidado e ternura fazia tudo ficar mais quente e bonito.

Sehun encarava a face alheia que estava totalmente centrada em si e parecia suplicar-lhe algo que queria há muito tempo. O silêncio de Jongin e a respiração pesada e ansiosa de Sehun pareciam completar-se formando uma única resposta para aquele problema tão complicado e completamente comum: estar apaixonado. Não havia ninguém mais que pudesse entender eles dois, juntos, com os corpos praticamente grudados e os olhares se cruzando tão arduamente que pareciam encaixar-se com facilidade seguindo a  mesma direção.

Complexo demais para ler somente uma vez, então leia de novo e poderá sentir o calor consumindo seu peito. Os lábios se chocaram rapidamente e, por inesperado que possa ser, não foi uma ação vinda de Sehun.

Os olhos apertados e fechados mostravam o quão tímido estava o de pele morena e Sehun limitou-se a apenas dar um breve sorriso meigo e tênue para o outro.

Agora os dois não precisavam de mais rodeios, então apenas beijaram-se sentindo os macios dos lábios se misturarem e a saliva das bocas brincarem umas com as outras. Poderia até ser nojento para alguns, mas para eles, era uma satisfação acima do normal e, ao contrário do que muitos provavelmente pensem, a sentença de morrerem apaixonados um pelo outro não os assustava, ao contrário, só os fazia mais alegres.

— Sabe, Jong-ah, eu já decidi o nome do nosso peixinho. — Olhou para o outro depois de breves momentos deitados na cama de solteiro, que era um tanto apertada.

— E qual vai ser? — Fitou o loiro de sorriso sacana e corpo gelado.

Sehun pensou por alguns minutos se deveria dizer ou se deixaria o namorado — sim, haviam se tornado namorados nesse curto período de tempo que sucederá o beijo. — na curiosidade até que o comprasse o tal aquário com o peixinho. Optou pela primeira opção, pois simplesmente não conseguiu resistir aos olhinhos curiosos alheios.

— Sekai.

 

 


Notas Finais


como foi??? gostaram? não entenderam alguma coisa? digam pra gente, amamos ler comentários! esperamos que tenham gostado. nos vemos em breve!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...