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História Unforgivable - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bem... antes de tudo, quero agradecer aos meus amigos que me inspiraram a passar um dia inteiro sofrendo pra escrever uma história com dois gays alados kskdksk. Eu amo muito esse shipp, e desde que a ideia dessa história ficou em minha mente, tiver que a pôr em prática.

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Feridas de Guerra - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Unforgivable - Capítulo 1 - Feridas de Guerra - Capítulo Único


Depois de 11 anos que o mundo parecia aguardar pacientemente a sua inevitável destruição, finalmente, depois de tanto tempo, o universo transmitia um sentimento mais aliviado, como se as noites estivessem menos tensas, e o pior já tivesse passado. Por mais que o mal ainda existisse, das diversas formas que ele se pode aparecer, para aqueles que não poderiam mais habitar o que chamam de céu e inferno, tudo agora, em suas visões, permanecia em paz, tudo estava de volta à seu devido lugar.

Era tarde, e por isso, as luzes daquela pequena e consideravelmente notável biblioteca eram as únicas acesas com uma certa intensidade em comparação aos outros prédios por perto. Crowley e Aziraphale bebiam champagne, já que diferente dos outros dias, aquele, em específico, era especial, ou pelo menos era para ser, independente dos problemas que tinham em não serem mais aceitos nos dois planos espirituais.

— Tudo parece estar tão calmo hoje à noite, não é verdade, querido? — O anjo suspira,  dando um gole em sua bebida, e ainda assim, não tirando os seus cintilantes olhos de seu demônio favorito. Crowley, em resposta a esses olhares, sorriu de canto, e mexeu levemente em seu cabelo, em seguida respondeu-o com:

— E mesmo assim, meu anjo, estamos aqui na sua biblioteca virando uma garrafa. — Aziraphale após ouvir tal frase, ri com timidez, e gira lentamente a taça em suas mãos. Seguidamente disso, abriu um enorme sorriso, que por consequência, fez com que o contato visual que os dois mantiam fosse automaticamente quebrado pelo ruivo, que se virou, sentindo seu rosto queimar. Talvez fosse a bebida, mas ele sabia que as chances de não serem isso eram grandes.

— Temos um bom motivo para estar fazendo isso! Estamos celebrando o fato de não termos que nos enfrentar em uma guerra, e acabar com o lugar onde mais amamos viver. E o melhor disso tudo, é que isso foi possível graças a nossa relação de 6000 anos! Dá pra acreditar? Imagina se nunca tivéssemos nos conhecido no Jardim do Éden... o que será que aconteceria agora?

— Ah, sobre isso... — Crowley muda sua postura, levantando-se para se sentar no sofá de uma maneira mais formal e enrijecida, encarando o ser celestial à sua frente sem ao menos mudar a expressão em seu rosto. — Na verdade anjo, caso você não se lembre, e não vou te culpar se for o caso, nós... nos conhecemos antes daquela coisa toda da maçã, mesmo que o jardim tenha sido onde fizemos as pazes.

Ao ouvir tal frase, um enorme sentimento de confusão o preencheu, e Aziraphale tornou a refletir. Pensou que talvez sua memória estivesse meio falha — já que essas coisas acontecem quando se passa muito tempo perto de alguém – mas depois lembrara de que não era humano, e por isso, recordava-se de cada momento da sua vida da maneira mais detalhada possível, pois ele era o que se pode chamar de "pessoa minuciosa". Ou pelo menos, o fato de ser algo além do humano o tornava alguém assim.

— Perdoe-me, mas.... sinceramente não me recordo de tal fato. Você se importaria de me relembrar? – Com isso, o demônio sentiu com uma enorme certeza as suas suspeitas se concretizarem. Aziraphale realmente não se lembrava, e como havia dito em sua frase anterior, não o culparia por isso. Pois durante um longo período de tempo da sua vida, logo depois de ter feito as pazes com ele, passou a sentir medo só de pensar na opinião verdadeira que o anjo tinha sobre si. E por conta disso, sentiu que naquele momento, precisava de um pouco mais de força para contar sobre tal fato, a qual ele conseguiu reunir em um longo suspiro. Em seguida, tirou seus óculos escuros, e os colocou em cima da mesinha à sua frente.

— Nos conhecemos na rebelião, anjo. – Ele diz, o encarando de uma maneira séria. — Estávamos no meio de todo aquele confronto, e como sempre, em lados totalmente opostos. — Parou para pegar ar, e prosseguiu alguns segundos depois. — Lembro-me de escutar algo vindo de alguém, uma ordem, sinto que talvez vinda do Arcanjo Gabriel, e então, tão rápido quanto uma luz de um relâmpago, eu vi você. Com sua espada de fogo, fazendo-me um corte certeiro em meu ombro direito. Cai no chão, imobilizado. Aquilo foi doloroso, e à medida em que sentia o sangue escorrendo sobre o meu corpo enquanto estava caído de joelhos às nuvens, eu tremia de medo, e por mais que eu tentasse, não conseguia parar de tremer. Nunca pude esquecer do seu rosto desde aquele dia.

Aziraphale estava paralisado no lugar, sem conseguir dizer ao menos uma palavra sequer. Nada saía de sua boca, mas Crowley, fixado em terminar sua história, por mais que sentisse um enorme pavor só de ressucitar essas memórias cravadas em sua mente, não notara o estado de choque o qual seu amado se encontrava.

— Mas quando nos reencontramos no jardim, e você me contou sobre o destino que deu à sua arma, por mais que o meu ódio ainda perpetuasse, no fundo, senti como se você não tivesse feito tudo aquilo por mal, diferente dos outros anjos. Você estava apenas... seguindo ordens, e esse pensamento ficou ainda mais fixado em minha mente depois que me protegeu daquela tempestade. — Sorriu de uma maneira meiga, como nunca havia feito antes, visto que nunca havia se permitido dar tanta abertura para ser tão honesto sobre os seus verdadeiros sentimentos com o anjo. Depois disso, disfarçou o que sentia com uma risada um pouco rouca, e voltou à sua pose mais relaxada. — E bem, a história continuou, até chegarmos onde estamos. 6000 anos, acredita? Parece até uma piada. É sério, meu anjo, se nunca tivéssemos nos tornado amigos, você seria a única pessoa a qual eu poderia perder por medo no meio do Armageddon.

— Crowley.... como.... — Sua respiração falhava, e as palavras que queria dizer ainda estavam saindo aos poucos. O demônio ouviu aqueles sussurros, e tornou a automaticamente olhar para o seu anjo. — Como... c-como você poderia, m-me perdoar.... por... isso...? — Contendo-se em seu lugar, o ruivo estava totalmente amedrontado com essa cena, a qual em todos esses milênios, nunca, sequer, havia sonhado em presenciar.

Suas asas brancas e volumosas estavam abertas, plainando sobre o ar de uma maneira pesada, isso por conta das suas lágrimas de sangue, que escorriam dos seus vários olhos de sua verdadeira forma. Enquanto chorava, seu lado etéreo colapsava e conflitia com sua estrutura, não conseguindo se manter firme, então além daqueles milhares de olhos iluminados que os anjos possuem em suas verdadeiras formas acabarem ficando apenas em suas asas, as suas lágrimas, diferentes das dos humanos, eram constituídas por sangue, e os feria, quase como fogo. As asas queimavam, e o líquido de tom vermelho escorria sobre as penas e caía pelo chão, as manchando completamente. Seu rosto também estava sendo lentamente queimado, e feridas estavam começando a se tornar visíveis. Por conta do estado em que se encontrava, era impossível se regenerar naquele instante. Aquilo doía, mas não tanto quanto tudo que havia escutado, e por isso, cessar suas lágrimas parecia ser uma tarefa praticamente impossível.

— A-Aziraphale...

— Eu... eu fui a pessoa a qual lhe machucou naquele confronto, fui eu quem te deixou totalmente vulnerável quando estava prestes a fugir, e os portões estavam tão... próximos.... — O homem de cabelos brancos soluçava, falando de uma forma bastante abafada por estar com as mãos em sua boca. — E era você... esse tempo todo... a-aquele... aquele arcanjo de cabelos ruivos.... por deus, como eu pude ser tão alheio a esse fato? Que eu... fui capaz de ter te machucado, e de ter te causado uma ferida tão grande..-

— Anjo, isso não importa mais... — Diz Crowley, que finalmente havia saído de seu estado de choque e se levantou, tentando manter um tom de voz acolhedor para poder acalmar o seu amado, por mais que estivesse com medo. Se sentira momentâneamente arrependido por ter saído do seu "papel de demônio" e ter sido sincero, ainda que internamente nunca tivesse sido um de verdade.

— E pensar que por todos esses anos... eu... eu fui o verdadeiro demônio... pois... deveria ter sido eu no seu lugar, Crowley. Eu sou o verdadeiro "imperdoável"... — Sentiu o chão tremer ao escutar aquela palavra, que até então, nunca havia sido dita com tanto valor emocional por nenhum dos dois. — Me p-pergunto como... como você conseguiu ser tão gentil comigo por todos esses anos? P-porque... tudo no meu passado só prova que eu n-não passo de u-um bastardo indigno...

— Meu anjo... — Se ajoelhou à sua frente, com um rosto de extrema preocupação, mesmo que ainda estivesse tentando manter a calma. Quis o abraçar, mas permanecia receoso de que talvez, o anjo pudesse acabar perdendo ainda mais o seu auto-controle. — Olhe para mim... não pense desse jeito...

— M-mas... você estava chorando, implorando pelo perdão dela... e dos outros anjos... os seus gritos desesperados... olhando diretamente nos meus olhos-

— Você não poderia ter me salvado, de qualquer forma. Esse é o plano inefável.

— I-isso porque eu fiquei ali parado! Tenho certeza de que poderia ter feito algo para que parassem de te acusar... eu... não consigo deixar de pensar que... s-se eu intervisse de alguma f-forma todo aquele ocorrido... v-você... não teria caído. — E nesse momento, sentiu o demônio de asas negras o envolver em seus braços com força. Ele sabia que aquilo poderia resultar em uma reação negativa, mas as emoções de Crowley falavam mais alto, o seu desespero foi mais alto do que tudo. Felizmente, por sentir o coração do seu amado tão perto de si, Aziraphale lentamente foi se acalmando, e o abraçou de volta. Os olhos de suas asas se fecharam, assim como os de seu rosto.

— Meu querido anjo, tudo isso morreu no passado, junto com toda aquela dor que senti naquele momento. Por favor, só não remoa mais nada, porque eu simplesmente não consigo mais te ver chorando desse jeito... — O segurou com mais força, se controlando para não desabar em lágrimas assim como o bibliotecário havia feito antes. Azi soluçava e fungava, mas ainda assim, o fato de se sentir aquecido e protegido quando estava perto do ruivo não mudava, e nunca iria mudar.

Crowley o soltou, segurando em seu rosto para limpar todo aquele sangue que estava escorrendo de seus olhos. E em seguida, selou seus lábios nos do anjo, em um beijo calmo e sereno, na esperança de que pelo menos, o seu amor conseguisse tranquilizar a pessoa a qual estaria disposto a dar a sua vida. Seu universo, seu tudo, seu anjo. Pelo qual alimentara um profundo e verdadeiro sentimento. Aziraphale retribuiu, e pouco tempo depois, saíram daquela inocente troca de amores. A serpente, em sua forma humana, segurou suas mãos, abrindo um sorriso ao ver que o ser etéreo à sua frente já estava começando a se regenerar aos poucos, após ter finalmente fechado suas asas.

— Você não percebe, meu amor? Eu cai, e por isso, foi me dada a incrível oportunidade de poder me apaixonar por você cada vez mais, desde o primeiro dia que passamos sendo amigos até os dias atuais. Hoje em dia, eu nunca seria capaz de achar que aquilo foi realmente sua culpa, mas se isso for fazer com que se sinta melhor... eu te perdoo, okay?

  Azi esboçou um meigo sorriso ao observar aquele "cruel" demônio perdidamente apaixonado, como sempre havia sido. Também achou adorável o fato de que o ruivo estava completamente corado após ter dito aquilo.

— Obrigado, meu querido. Muito, muito obrigado. — Disse baixinho, dando-lhe um beijo em sua testa, o que fez as bochechas do ruivo mais uma vez se ruborizarem. O bibliotecário agora, sentira-se muito mais aliviado, e sua consciência estava um pouco mais limpa, portanto, queria demonstrar isso o máximo que podia.

— Então... podemos aproveitar esse resto de noite juntos? Eu adoraria continuar comemorando.

— Claro! Mas você pode me esperar? Acho que vou tomar um banho antes, tenho sangue até dentro das minhas roupas. — Ele ri, se levantando e ajeitando as mangas de seu terno castanho-claro. O demônio também se ergue, e fica de pé, ficando mais próximo ao anjo enquanto sorri maliciosamente. Fez menção de beijar-lo em seu pescoço, e isso fez com que Aziraphale sentisse um longo arrepio. E em seguida, sussurrou:

Se não se importa... eu poderia ir com você...

Está mesmo tentando me fazer pecar? Às 3 da manhã, enquanto tomei meia garrafa de champagne? 

— Assim você me ofende, meu anjo... — O homem de íris ofídicas debocha em um tom provocativo, porém risonho, e com uma taça cheia de champagne em mãos, abraçou aquela abençoada entidade em sua forma humana por trás, mantendo sua cabeça lado-a-lado com a dele. — Mas tudo bem... eu irei te esperar. Te esperaria até o fim dos tempos.

— Saber disso me deixa feliz, até porque... — E foi a vez do anjo de o provocar, falando bem perto de seu ouvido: — Você vai rápido demais pra mim, Crowley. — Logo o soltou, e caminhou para a porta do andar de cima enquanto segurava o seu risinho de nervoso. Crowley esperou a porta se fechar, e começou a rir, corado. Sentia-se ansioso por tudo que acabara de acontecer, mas de certa forma, também se sentia aliviado, pois no fim das contas.... não conseguia mais mentir, especialmente não para ele, o anjo que sempre iluminou o obscuro caminho que trilhara em sua vida.













Notas Finais


" — A propósito, meu querido! — Aziraphale surge sobre a porta, ainda com aquele sorrisinho meigo em seu rosto. — Foi até bom você ter me dito isso, porque amanhã mesmo marcarei de me encontrar o Arcanjo Gabriel. Só para... poder resolver essas pendências do passado. — E sem aviso, seu semblante muda, para um mais assustador, mesmo que ainda continuasse sorrindo. Isso surpreende Crowley, que apenas responde:

— ....eu até te apoiaria antes anjo, mas não."


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