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História Unguarded, In Silence - Reimagined New Moon - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Ten


Eu tentei me lançar para a esquerda, mas a deformação rochosa onde escolhi pisar cedeu. Senti a pedra afundando, depois se partindo sob o peso do meu pé esquerdo e era tarde demais para tentar me segurar em algo. Eu escorreguei, deslizei e finalmente rolei até parar de bunda, quase sentada, no chão molhado, agradecendo por ter batido em alguma coisa que me fez parar.

Eu não conseguia enxergar. Meu rosto estava misturado com os musgos. Tentei levantar minha cabeça, mas havia algo me atrapalhando.

Eu estava ofuscada e confusa.

— Bella! – Riley gritou, e eu ouvi o motor do Tracker ser desligado.

Virei-me pra respirar enquanto o mundo ficava silencioso.

— Merda. — eu murmurei.

— Bella – Riley estava se abaixando perto de mim ansiosamente – Bella, você está viva?

— É claro que eu estou viva! – arregalei os olhos. Flexionei meus braços e pernas, rezando internamente por nenhuma fratura. Tudo parecia estar funcionando corretamente.

— Eu acho que não foi uma boa ideia. – Riley ainda parecia preocupada – Você não é a melhor com essa coisa de escaladas.

—Eu estou bem...

— Hã, Bella? Você está com um corte enorme na sua testa, e ele está sangrando. – ela me informou.

Eu coloquei minha mão na testa. Com certeza, ela estava molhada e grudenta. Eu não conseguia sentir o cheiro de nada além dos musgos molhados no meu rosto, e isso impediu a náusea.

— Oh, me desculpe, Riley. – Eu segurei com força no meu ferimento, como se eu pudesse empurrar o sangue de volta para a minha testa.

— Porque você está se desculpando por sangrar? – ela perguntou enquanto colocava um braço pela minha cintura e me ajudava a ficar de pé – Vamos. Eu dirijo.

Ela levantou a mão pedindo as chaves.

Passei-as pra ela enquanto a observava tirar o suéter que vestia e jogá-lo pra mim. Eu o agarrei e apertei com força na minha testa. Estava começando a sentir o cheiro do sangue; respirei fundo pela minha boca e tentei me concentrar em pensar em outra coisa. A minha cabeça pulsava um pouco, e meu estômago estava inquieto, mas o corte não era sério. Os cortes na cabeça sangram mais do que os outros. A urgência dela não era necessária. Riley me ajudou a chegar até o Tracker, passando o braço pela minha cintura.

— Falando sério, eu estou bem. – assegurei enquanto ela me ajudava a entrar. – Não fique tão agitada. É só um pouco de sangue.

— Só um monte de sangue – ouvi-a murmurar.

— Agora, vamos pensar nisso por um segundo – eu comecei quando ela assumiu o volante – Se você me levar pra um pronto socorro assim, Charlie com certeza vai descobrir. – olhei para a areia e para a sujeira grudadas na minha calça.

— Bella, eu acho que você precisa de pontos. Eu não vou deixar você sangrar até morrer.

— Eu não vou morrer. – prometi – Vamos só voltar pra minha casa pra que eu possa me livrar das provas, tipo tirar essas roupas sujas de lama e musgo, antes de irmos para o hospital.

— E quanto ao Charlie?

— Ele disse que tinha que ir trabalhar hoje. – dei de ombros.

— Você tem certeza mesmo?

— Confie em mim. Eu sangro fácil. Não é tão ruim quanto parece.

Riley não estava feliz – a boca dela se curvou pra baixo numa careta pouco característica – mas ela não queria me envolver em problemas, o que com certeza aconteceria se Charlie descobrisse que nós estávamos à toa até decidirmos fazer uma escalada totalmente improvisada e sem equipamentos de proteção.

Olhei pra fora pela janela, segurando o suéter arruinado dela na minha cabeça, enquanto ela dirigia pra Forks.

— Você ainda está bem? – Riley checou.

— Claro. – eu tentei parecer tão convincente quanto antes.

Em casa, a primeira coisa que eu fiz foi me olhar num espelho; eu estava escrota. O sangue estava secando e deixando trilhas grossas nas minhas bochechas e no meu pescoço, se colando com o meu cabelo cheio de lama. Eu me examinei clinicamente, fingindo que o sangue era tinta pra que ele não incomodasse meu estômago. Respirei pela minha boca e fiquei bem. Eu me lavei tão bem quanto pude. Então eu escondi minhas roupas sujas, ensanguentadas, no fundo do cesto de roupa suja, colocando outra calça jeans e uma camisa de abotoar – que eu não precisava passar pela minha cabeça – tão cuidadosamente quanto pude.

Eu consegui fazer isso tudo com uma só mão, e manter tudo livre de sangue.

— Se apresse! – Riley chamou.

— Tá bom, tá bom. – eu gritei de volta. Depois de ter certeza de que nada mais me incriminava, desci as escadas.

— Como é que eu estou? – perguntei pra ela.

— Melhor. – ela admitiu, os olhos quentes me observando.

— Mas parece que eu tropecei na sua oficina e bati a cabeça num martelo?

— Claro, eu acho que sim.

— Então vamos lá.

Riley me apressou pela porta, e insistiu em dirigir de novo. Nós já estávamos a meio caminho do hospital quando eu me dei conta de que ela ainda estava sem suéter, apenas com uma fina camiseta de tecido. Eu fiz uma carranca me sentindo culpada.

— Nós devíamos ter pego uma casaco pra você.

— Isso teria nos denunciado. – ela zombou – Além do mais, não está frio.

— Você está brincando? – eu tremi e me inclinei pra aumentar o aquecedor.

Observei-a pra ver se ela estava só brincando pra que eu não me preocupasse, mas ela parecia confortável o suficiente. Estava com um braço em cima do encosto do meu banco, apesar de eu estar me abraçando pra me aquecer. Analisando por um minuto, Riley parecia ter mais de dezessete anos. Ela tinha músculos longos e poucos, mas eles definitivamente existiam embaixo da pele macia. O cabelo dela tinha uma cor tão bonita, que me deixou com inveja. Os olhos eram macios, como sempre, com um brilho de impertinência. O queixo marcado por covinhas deixava-a com uma expressão suave.

Riley notou minha análise.

— O que foi? – ela perguntou de repente, envergonhada.

— Nada. É só que eu nunca tinha reparado antes. Você sabia, que é meio bonitona?

Assim que as palavras saíram, eu me preocupei que ela desse às palavras o significado errado. Mas Riley só rolou os olhos.

— Você bateu a cabeça com bastante força, não foi?

— Eu estou falando sério.

— Bem, então, obrigado. Mais ou menos.

Eu sorri.

— Mais ou menos de nada.

Eu precisei de sete pontos pra fechar o corte na minha testa. Depois de um pouco de anestesia local, não houve nem uma ponta de dor no procedimento. Riley segurou minha mão enquanto o Dr. Snow estava costurando, e eu tentei não pensar no quanto isso era irônico. Nós ficamos uma eternidade no hospital. Quando eu acabei, eu tive que deixar Riley em casa, e voltar correndo pra cozinhar o jantar de Charlie. Ele pareceu acreditar na minha história de ter caído na oficina de Riley.

Naquela noite, o pesadelo havia perdido a sua potência. Eu estava aterrorizada pelo vazio, como sempre, mas eu também me sentia estranhamente impaciente enquanto esperava pelo momento de gritaria que me traria de volta à consciência. Eu sabia que o pesadelo tinha que acabar.

Na quarta seguinte os olhos de Charlie estreitaram-se suspeitosamente durante o jantar.

— Nos próximos dias eu quero que fique perto da cidade, está bem?

— Por quê?

Ele mastigou.

— Bem, nós temos recebido muitas denúncias de incêndios ultimamente. O departamento florestal está checando, mas enquanto isso...

— Oh, o urso gigante. – eu disse compreendendo subitamente – É, alguns dos mochileiros que vão à Newton's também o viram, o Mike comentou. Você acha que ele é algum urso pardo que sofreu mutação ou alguma coisa assim?

A testa dele se enrugou.

— Tem alguma coisa. Fique perto da cidade, está bem?

— Claro, claro. – eu disse rapidamente. Ele não pareceu completamente convencido.

O tempo estava passando muito mais rápido do que antes. Escola e Riley criaram um padrão que eu seguia ser esforço e Charlie realizou seu desejo: eu não estava mais infeliz. É claro, eu não conseguia me enganar completamente. Quando eu parava de agir, o que eu tentava não fazer com muita frequência, eu não conseguia ignorar minhas razões pra me comportar daquele jeito. Eu era como uma lua perdida – meu planeta havia sido destruído em algum desastre cataclístico, um cenário de filme desolador – que continuava, ainda assim, girando ao redor da órbita apertada do buraco vazio deixado pra trás, ignorando as leis da gravidade. Eu não tinha noção dos dias que se passavam – não havia motivo, já que eu tentava viver no presente o máximo de tempo possível, sem que o passado desaparecesse, sem que o futuro impedisse.

Então eu me surpreendi com a data quando Riley a comentou num dos nossos dias de dever de casa. Ela já estava me esperando quando eu parei na frente da oficina.

— Feliz dia das namoradas. – Riley disse, sorrindo, dando um soquinho brincalhão em meu ombro enquanto me cumprimentava. Ela segurou uma caixa pequena, cor de rosa, segurando-a na palma.

Ela tinha formato de coração.

— Bem, eu me sinto uma idiota – eu murmurei – Hoje é dia dos namorados?

Riley balançou a cabeça com falsa tristeza.

— Você viaja às vezes. Sim, é catorze de fevereiro. Então você vai ser minha namorada? Já que você não comprou uma caixa de cinquenta centavos de doces pra mim, isso é o mínimo que você pode fazer.

Eu comecei a me sentir desconfortável. As palavras eram de brincadeira, mas só na superfície.

— O que exatamente isso envolve?

— Só o de sempre: escrava pra toda a vida, esse tipo de coisa.

— Oh, bem, se isso é tudo... – eu peguei os doces. Mas eu estava pensando num jeito de limpar as coisas. De novo. Elas pareciam ficar turvas com frequência com Riley.

— Então, o que vamos fazer amanhã? – ela desconversou.

— Eu vou ao cinema. Faz uma eternidade que eu estou prometendo para o pessoal da escola que nós vamos sair.

Mas o rosto de Riley caiu. Eu captei a expressão dos olhos dela antes que ela os baixasse para olhar para o chão.

— Você vai também, né? – acrescentei rapidamente. – Ou será que vai ser chato demais aguentar Jeremy, Erica e Mike no mesmo ambiente?

Minha chance de colocar uma distância entre nós já era. Eu não podia aguentar machucar Riley; nós parecíamos estar conectadas de uma forma estranha, e a dor dela dava pontadas na minha própria. Além do mais, ter a companhia de Riley na minha provação – eu tinha prometido a Mike, mas realmente não me sentia muito entusiasmada a cumprir – era tentador demais.

Eu falei sobre o assunto com Mike na aula de Inglês.

— Ei, Mike – eu disse quando a aula acabou. – Você está livre na sexta à noite?

Ele olhou pra cima, seus olhos azuis instantaneamente esperançosos.

— É, eu estou. Você quer sair?

Eu dei minha resposta tomando cuidado com as palavras.

— Eu estava pensando em formar um grupo pra irmos ver Crosshairs. — dessa vez eu fiz meu dever de casa e até li as sinopses de alguns filmes pra ter certeza de que não seria pega fora de guarda. Esse filme era pra ser um banho de sangue do início até o fim. Eu não estava recuperada o suficiente pra encarar um romance.

— Parece divertido?

— Claro – ele disse, visivelmente menos ansioso.

— Legal.

Mas no fim, todo mundo tinha coisa melhor pra fazer.

Jeremy disse que estava ocupado assim que Mike disse que eu estava envolvida no plano. Erica também já tinham planos com uma tal de Katie – era o aniversário de três semanas delas ou alguma coisa assim. Jer falou com Taylor e Allen antes de Mike, então eles também estavam ocupados. Angela e Ben iam jantar fora. O número diminuído não conseguiu apagar a animação de Mike, até que restamos apenas nós dois e Riley.

Isso seria brilhante, eu pensei com um sorriso de sarcasmo.

O filme era exatamente o que eu esperava que fosse. Só nos créditos iniciais, quatro pessoas explodiram e uma foi decapitada. O garoto na minha frente tapou os olhos com as mãos e escondeu o rosto no peito do namorado. Ele deu uns tapinhas no ombro dele, e ocasionalmente estremecia também. Mike não parecia estar assistindo.

O rosto dele estava rígido enquanto ele olhava para a cortina franzida em cima da tela.

Eu me fiz confortável pra aguentar as duas horas, preferindo ver as cores e os movimentos da tela do que ver as pessoas e os carros e as casas. Lá pro meio do filme, Mike se inclinou pra frente pra colocar a cabeça nas mãos. No começo eu pensei que ele estava reagindo à alguma coisa que tinha visto na tela, mas depois ele gemeu.

— Mike, você está bem? – eu sussurrei.

O casal na nossa frente se virou pra olhar pra ele quando ele gemeu de novo.

Eu podia ver um brilho de suor no rosto dele com a luz fraca da tela. Mike gemeu de novo, e saiu correndo pela porta. Eu me levantei pra segui-lo, e Riley me copiou imediatamente. Não havia sinal de Mike no corredor, e eu fiquei feliz que Riley tivesse vindo comigo já que ela não se importara de se enfiar no banheiro masculino pra procurá-lo por mim.

Ela voltou depois de alguns segundos.

— Oh, ele está lá, com certeza. – ela disse, revirando os olhos – Que molenga. Você devia ter chamado por alguém com um estômago mais forte. Alguém que ri do sangue que faz homens fracos vomitarem.

— Eu vou manter os olhos abertos pra alguém assim.

Nós estávamos sozinhas no corredor. As duas salas estavam com os filmes na metade, e ele estava deserto – quieto o suficiente pra nós ouvirmos a pipoca estourando no balcão de venda no saguão. Riley foi se sentar no banco coberto de veludo, dando uns tapinhas no espaço vazio ao lado dela.

— Parecia que ele ainda ia ficar lá dentro por algum tempo. – ela disse, esticando as pernas na frente enquanto se preparava pra esperar.

Eu me juntei a ela com um suspiro. Ela parecia estar pensando em cruzar mais algumas linhas. Assim, assim que eu me sentei, ela se inclinou pra colocar o braço sobre os meus ombros.

— Ry... – eu protestei, saindo de perto. Ela tirou o braço sem parecer nem um pouco aborrecida com a pequena rejeição. Ela avançou e pegou minha mão com firmeza, passando o outro braço na minha cintura quando eu tentei me afastar de novo. De onde foi que ela tirou essa confiança?

— Agora, só espere um momento, Bella – ela disse com uma voz calma. – Me diga uma coisa.

Eu fiz uma careta. Eu não queria fazer isso. Não só agora, mas nunca. Não havia mais nada nesse ponto da minha vida que fosse mais importante que Riley Biers. Mas ela parecia determinada a arruinar tudo.

— O quê? – eu perguntei acidamente.

— Você gosta de mim, certo?

— Você sabe que eu gosto.

— Mas isso é tudo. – ela disse, e isso não era uma pergunta.

Um momento depois, eu não respondi.

Ela sorriu.

— Está tudo bem, sabe. Contanto que você goste de mim... Eu estou preparada pra ser irritadoramente persistente.

— Eu não vou mudar. – eu disse, a apesar de tentar fazer minha voz parecer normal, eu podia ouvir a tristeza nela.

O rosto dela estava pensativo, não estava mais zombeteiro.

— Ainda é... A outra, não é?

Eu enrolei. Engraçado como ela parecia saber que não devia dizer o nome dela – ela havia entendido tanta coisa sem que eu precisasse dizer.

— Não fique brava comigo por estar por perto, tá legal? – Riley deu uns tapinhas nas costas da minha mão. — Porque eu não vou desistir...

Ela me encarou, os grandes olhos brilhando com algo mais do que eu poderia descrever.

— Eu amo você.

Eu suspirei, depois prendi a respiração enquanto o choque me dominava e um arrepio percorria o meu corpo.

— Você não deveria. — eu disse, minha voz falhando enquanto meu coração afundava e dava saltos no meu peito. Ela continuava a me encarar como se ela estivesse perdida no deserto e eu fosse uma grande latinha de refrigerante, a última que ela veria na vida.

Como se eu fosse especial. Como se eu fosse sua salvação.

Mas eu sabia que não era.

Não falamos mais nada por incontáveis minutos. Riley jogou seus braços ao meu redor e me segurou perto, como se estivesse com medo de que eu desaparecesse após sua confissão. Enquanto isso, meu peito ardia com a culpa.

Era muito errado encorajar Riley. Puro egoísmo. Não importava que eu tivesse tentado me livrar da responsabilidade. Se ela achava que isso podia ser alguma coisa além de amizade, então eu não tinha sido clara o suficiente. Como era que eu ia explicar de uma forma que ela entendesse? Eu era uma concha vazia. Como uma casa abandonada, condenada; por meses eu estive completamente inabitável. Agora eu estava um pouco melhorada. A sala da frente havia sido um pouco concertada. Mas isso era tudo – só um pequeno pedaço. E ela merecia mais do que isso – mais que um pedaço, mal concertado. Nenhum investimento da parte dela podia me colocar em bom estado mais uma vez.

Mike cambaleou do banheiro, seu rosto estava cinzento e coberto de suor. Ele parecia horrível enquanto andava de forma trôpega e eu me soltei de Riley imediatamente, ficando de pé para ir até ele.

— Oh, Mike – eu asfixiei.

— Você se importa se formos mais cedo? – ele sussurrou.

— Não, é claro que não. – ele parecia prestes a cair.

— O filme foi demais pra você? – Riley perguntou sem se importar.

O olhar de Mike foi malevolente.

— Na verdade eu nem o vi. – ele murmurou – Eu já estava enjoado antes das luzes apagarem.

— Porque você não disse nada? – eu repreendi enquanto nós íamos para a saída.

— Eu estava esperando que passasse. – ele disse.

— Só um segundo. – Riley disse enquanto nós nos aproximamos da porta. Ela caminhou rapidamente para o balcão de vendas.—  Será que eu posso pegar um balde de pipocas vazio? – ela pediu para a vendedora.

Ela olhou pra Mike uma vez, e então jogou um balde pra Riley.

— Leve ele pra fora, por favor. – ela implorou. Obviamente era ela que ia limpar o chão.

Eu guiei Mike para o ar frio, molhado. Ele inalou profundamente. Riley estava bem atrás de nós. Ela me ajudou a colocar Mike no banco de trás de seu carro, e o passou o balde com uma cara séria.

— Por favor. – foi tudo o que Riley disse.

Ela abriu as janelas, deixando o ar gelado da noite entrar no carro, esperando que isso ajudasse Mike. Eu enrolei meus braços nas minhas pernas pra me manter aquecida.

— Com frio de novo? – Riley perguntou colocando o braço ao redor do meu ombro antes que eu pudesse responder.

— Você não?

Ela balançou a cabeça.

— Você deve estar com febre ou alguma coisa assim. – eu rosnei.

Estava congelando. Eu toquei meus dedos na testa dela e a cabeça dela estava quente.

— Nossa, Ry, você está fervendo!

— Eu me sinto bem. – ela levantou os ombros. – Absolutamente normal.

Eu fiz uma careta e toquei a testa dela de novo. A pele queimou embaixo dos meus dedos.

— Suas mãos são como gelo. – ela reclamou.

— Talvez seja eu. – eu admiti.

Mike gemeu no banco de trás, e vomitou no balde. Eu fiz uma careta, esperando que o meu estômago conseguisse aguentar o som e o cheiro. Riley olhou ansiosamente por cima do ombro pra ter certeza de que o seu carro estava intacto.

A estrada pareceu mais longa no caminho de volta.

Riley estava quieta, pensativa. Ela deixou seu braço ao meu redor, e ela era tão quente que o ar frio parecia agradável.

Mike cambaleou pra fora do carro rapidamente quando o deixamos em casa. Ele entrou ainda segurando o balde de vômito com firmeza. Riley ainda estava quieta no caminho de volta pra minha casa, e eu me perguntei se ela estava pensando nas mesmas coisas que eu estava. Talvez ela estivesse mudando de ideia.

— Eu me convidaria pra entrar, já que voltamos cedo. – ela disse enquanto estacionava ao lado da minha caminhonete. – Mas eu acho que você pode estar certa sobre a febre. Eu estou começando a me sentir um pouco... Estranha.

— Ah não, não você também! Você quer que eu te leve até em casa?

— Nah – ela balançou a cabeça, as sobrancelhas se juntando. – Eu ainda não estou me sentindo mal. Só meio... Errada. Se eu precisar, eu paro.

— Você me liga assim que chegar? – eu perguntei ansiosamente.

— Claro, claro – ela fez uma careta, olhando em frente para a escuridão e mordendo o lábio.

Eu abri minha porta pra sair, mas ela segurou meu punho levemente e me segurou lá. Eu reparei de novo como a pele quente dele ficava na minha.

— O que é, Ry? – eu perguntei.

— Há algo que eu quero te dizer, Bella... Mas acho que vai parecer meio piegas.

Eu suspirei. Isso ia ser que nem no cinema.

— Vá em frente.

— É só que, eu sei que você provavelmente está muito infeliz. Eu, talvez isso não ajude em nada, mas eu quero que você saiba que eu vou estar sempre aqui. Eu nunca vou te decepcionar eu prometo que você pode sempre contar comigo. Uau, isso parece meloso. Mas você sabe disso, não sabe? Que eu nunca, jamais machucaria você?

— É, Ry, eu sei disso. E eu já estou contando com você, provavelmente mais do que você sabe.

Um sorriso se abriu no rosto dela do jeito como um nascer do sol nasce entre as nuvens, e eu queria cortar minha língua. Nenhuma das palavras que eu disse era mentira, mas eu devia ter mentido. A verdade era errada, ia machucar ela. Eu ia decepcioná-la.

Um olhar estranho apareceu no rosto dela.

— Eu realmente acho melhor eu ir pra casa agora. – ela disse.

Eu saí rapidamente.

— Me liga! – eu gritei enquanto ela ia embora.

Eu a olhei ir, e ela pelo menos parecia ter o controle do carro. Encarei a rua vazia depois que ela já tinha ido embora, me sentindo um pouco doente também, mas não era nada físico.

Uma coisa eu realmente sabia – sabia com a pontada do meu estômago, no centro dos meus ossos, sabia isso do topo da minha cabeça até as solas dos pés, sabia isso no meu peito vazio – o amor por uma pessoa pode ter o poder de te destruir.


Notas Finais




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