1. Spirit Fanfics >
  2. Unholy >
  3. Prólogo

História Unholy - Capítulo 1


Escrita por: e BbLiv


Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece, né! Desta vez com mais uma longfic, apesar de consideravelmente menor que A Fugitiva.
O clima também é completamente diferente.

Eu não consideraria essa história como terror apesar de todos os demônios e coisas bizarras que vão acontecer, mas se você é sensível a esse tipo de conteúdo, não recomendo a leitura.
Cenas sanguinolentas e toneladas de ironia também estarão presentes nessa história.
E, com certeza, não é minha intenção ofender nenhuma crença ou religião.

A capa e a motivação, como sempre, vieram da @xyaseoky também conhecida como minha melhor amiga e a maior do site. Essa mulher simplesmente não possui defeitos e eu deito demais pra ela sim.

Aviso e agradecimento feitos, desejo uma boa leitura a todos e espero que gostem dessa proposta meio... diferenciada e mergulhem de cabeça nesse universo nefasto e insano
<3

Capítulo 1 - Prólogo


 

 

 

Profano | adj. | s. m.1ª pess. sing. pres. ind. de profanar

Oposto ao respeito devido ao que é sagrado.

 

 

 

   É impressionante o quanto as pessoas levam as aparências a sério.

   Kim Taehyung sabe muito bem disso. É com humor jocoso que nota a enorme quantidade de situações suspeitas e enfadonhas das quais conseguiu sair perfeitamente ileso devido sua figura impressionante, algumas peças de roupa muito caras e uma lábia admirável. As pessoas são superficiais a esse ponto? 

   Ora, a resposta é óbvia. 

   Deveria ele se considerar algo próximo a um Deus? Talvez.

   Sua moral nunca esteve tão elevada quanto naquele fim de tarde de tons alaranjados de abril. A luz do dia nunca é favorável para a execução de seus serviços, mas Kim Taehyung é um profissional. E profissionais sempre sabem a hora certa de agir. Tinha plena certeza que terminaria o serviço em menos de duas horas e poderia aproveitar o resto da noite em paz. 

   Deixou o carro com o manobrista do hotel de luxo, tomado de coisas sublimes e caras das quais Taehyung ama. Sorriu simpático para ele e o agradeceu porque é o que uma pessoa normal faria. Distribuiu boa tarde e olá para todos os funcionários porque é socialmente aceito ser gentil e educado, mesmo que não tenha memorizado um rosto sequer.

   Usava um de seus ternos mais caros para o evento. Sem perfume, nada que pudesse deixar uma marca a ser rastreada. Adentrou ao hall elegante de tapeçaria cara e decoração dourada. Muito lhe agradava quando era designado a ir para lugares desse tipo, sentia que combinava consigo e aquelas pessoas também douradas cujas cabeças valem muito são o mais próximo de seus semelhantes que alguém pode chegar. 

   No entanto, ser enviado a buscar um alvo sem foto não tornava suas condições de trabalho salubres. Bancar o detetive não é sua atividade favorita. Se misturar, socializar e fazer perguntas que após cruzar uma linha tênue se tornam suspeitas definitivamente não estão no seu top dez coisas agradáveis a serem feitas. Mas receber o pagamento sim, e se para ser pago tem de fingir ser um cara agradável, então era o que faria. 

—Boa tarde. — batucou o indicador três vezes no balcão de mármore, direcionando um olhar tranquilo à recepcionista magricela e pouco atraente metida num terninho preto. — Pode me ajudar a chegar ao salão Millenium, por favor?

—Para o...

—Leilão. — então Taehyung abriu um de seus mais resplandecentes sorrisos, do tipo que derruba calcinhas. 

   Como o esperado, a moça da recepção ficou rubra dos pés à cabeça e só conseguiu lhe passar a informação após breves instantes constrangedores — para ela — de silêncio. Ela engoliu em seco após direcioná-lo ao terceiro andar, conferências e reuniões. Ele podia quase sentir o cheiro de atração misturada a surpresa e uma dose cavalar de insegurança da moça. 

   Taehyung sabe, a vida também é sobre apreciar as pequenas coisas. Sobre ter tanta certeza quanto a ser atraente que um simples sorriso cause tamanho efeito. Qual o sentido em frequentar hotéis de luxo e usar ouro sem realmente parecer o tipo de pessoa que faz isso? Taehyung entende de hierarquia também, entende de tudo. 

   Seguiu seu caminho até o local, apenas para observar poucas pessoas — mais velhas — sentadas em cadeiras separadas por fileiras. Ainda não era a hora. Checou outra vez no celular o nome completo da garota. Mesmo após intensa pesquisa na internet, não encontrou seu rosto, por outro lado soube de outras coisas importantes, como a criação isolada em internato e a insistência da família podre de rica em manter a privacidade da herdeira, que nem redes sociais possuía.

   Não sabia também que havia contratado seus serviços, porém metade do valor combinado já fora depositado em sua conta, o que era incentivo o suficiente para seguir em frente. Tomou direção contrária, para o bar do salão Millenium e pediu uma bebida qualquer da qual não se interessou em beber mais do que dois goles. Sua mente trabalhava em como encontrar a herdeira espanhola sem fazer mais perguntas do que o necessário. 

   Apesar da breve descrição de como "ela poderia parecer agora" lhe trazendo suspeitas de ter sido alguém da família. Contudo, realmente não se importava com isso, o restante do valor combinado em sua conta era seu guia moral naquele momento. Cabelo escuro (ou talvez de outra cor), pele bronzeada (ou talvez pálida, o internato era na Inglaterra), dentes da frente levemente separados e talvez-usando-vestido-branco (ou de qualquer outra cor). 

   Útil, Taehyung pensou ao ler aquela descrição minuciosa.

   Foi aos poucos que o salão encheu e cadeiras foram ocupadas. Ele tomou um lugar aos fundos, onde poderia se misturar mas sem chamar muita atenção. Tinha duas garotas em especial em sua mira, uma que atendia a ao menos setenta por cento da descrição vagabunda e outra com dentes separados, mas ruiva. Ouviu conversas e começou outras, buscando o sobrenome espanhol em qualquer uma delas, ignorando veemente a venda de arte rara que ocorria ali. 

   Até realmente ouvir.       

   De forma discreta, se aproximou de uma jovem que não era nenhuma das duas que suspeitava. Não usava vestido branco. Não tinha cabelo escuro. E a falha entre os dentes era tão discreta que Taehyung teve de encará-la por mais de dez minutos para notar. Ao menos era ela. À uma distância segura, observou atenciosamente tudo o que a garota fazia, até em certo ponto tê-la distraída o suficiente para derramar as gotas de tranquilizante em sua bebida, sigiloso como um espião.

   Esperou que fizesse efeito. Esperou que ela saísse para tomar ar sozinha reclamando de uma tontura leve. E, já usando suas luvas de borracha transparentes, finalmente deu o bote... Não, não exatamente, Taehyung usou sua melhor máscara de bom samaritano, a seguindo e oferecendo apoio à ela, que já tombava. Foi nesse momento que a boa aparência e atuação sem vergonha foram mais do que úteis, considerando que a garota pediu para que ele a ajudasse a chegar ao quarto onde estava hospedada.

   Foi com o sorriso quase escapando da beirada dos lábios que ele a auxiliou, todo atencioso, a sair do elevador e praticamente a carregou até o quarto 666, sexto andar. Vazio e pacífico. Taehyung pensou estar sendo agraciado pelos deuses com tanta sorte — transbordando ironia, claro. Nessa época era ateu — Puxou o cartão das mãos trêmulas da herdeira e uma vez dentro do quarto, transformou-se. Agora não havia mais motivo para fingir. 

   Sem muitos cuidados, deixou a garota se esborrachar no chão, trancando a suíte exclusiva em seguida. O rosto foi tomado por expressão neutra, quase indiferente. Não era um lunático, não sentia nada sublime no que aconteceria dali para frente. Estava trabalhando afinal de contas, e sempre levou o trabalho muito a sério.

   A segurou pelos braços e arrastou seu corpo leve e molenga pelo chão até o quarto, a deixando na cama um tanto desengonçada sem querer realmente despender esforço em trazê-la. Mas uma vez que a jogou por cima do colchão, juntou suas mãos ao peito, esticou suas pernas e arrumou as dobras do vestido vermelho, por fim afastou fios de cabelo que se desprendiam do complicado coque. 

   Estava pronta. 

   Kim Taehyung estalou o pescoço. Do bolso interno de seu maravilhoso terno, retirou uma silenciosa e moderna pistola. Posicionou um dos muitos travesseiros com fronha de seda no rosto da herdeira e por cima dele o cano da arma. Sem hesitar, puxou o gatilho. Como o planejado, foram as penas que voaram por todo o recinto, não o sangue. Taehyung odeia sujeira.    

   Foi com a pontinha dos dedos que retirou o travesseiro, temendo encostar em sangue fresco, e o largou ao lado do corpo. Retirou o celular do bolso e com um clique rápido registrou o rosto retorcido e deformado da herdeira, metade dele ainda grudado à fronha. Não havia emoção alguma no ato, além do evidente temor em sujar o terno bonito. 

   Enviou a foto ao seu contratante misterioso, confirmando também a falha em todas as câmeras de segurança. A resposta veio poucos minutos depois e nada mais era do que outra imagem, desta vez mostrando o comprovante do restante do pagamento devidamente debitado à conta de Taehyung. Aquilo sim lhe retirou um sorriso sincero, o enchendo com o mais próximo de alegria que uma pessoa como ele pode sentir.

   Sem demora e ainda sem deixar qualquer rastro de sua presença, abandonou o local. Esperou que um pequeno grupo de hóspedes passassem pelo corredor e se juntou a eles, sorrindo com uma doçura tão falsa quanto seu cabelo castanho claro. Desceu ao térreo, saiu pela porta da frente, arrancando as luvas e as jogando numa lixeira já lotada. Nenhuma suspeita. 

   Ao contrário do momento em que entrou, já era noite. Ao que esperava que o serviçal trouxesse seu carro, ocupou-se em limpar toda a memória do celular e retirar o chip, o quebrando em pedacinhos ainda menores, deixando que caíssem no bueiro. Se livraria do aparelho em seguida, mas temendo ser suspeito demais fazer tal coisa na frente de outras pessoas, aguardaria a chegada de ruas mais tranquilas.

   Assoviava uma música que ouvira no caminho e não conseguia tirar da cabeça, ainda à espera do carro — que ele não sabia se tratar de Sympathy for the Devil — isso até ser interrompido por uma luz cegante que invadia a calçada e o distinto som de pneus cantando. Mesmo com a visão comprometida, teve agilidade o suficiente para se jogar ao lado oposto em que o carro desgovernado avançou. 

   Algumas pessoas acabaram seriamente feridas e a aglomeração ao redor foi inevitável. Taehyung, ferido e largado  no asfalto, foi brevemente ignorado. E toda a desordem ali a frente também o distraiu do segundo objeto não identificado, munido de luz mais fraca, que se aproximou dele.

   E desse ele não conseguiu fugir.   

 

 

   

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...