História Unholy Trinity - Capítulo 23


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Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Sehun, Suho, Tao
Tags 3some, Boxe, Double Penetration, Exo, Hanhun, Homossexualidade, Hunhan, Incesto, Luhan, Sehun, Sehun!twins, Seyong, Threesome, Twins
Visualizações 30
Palavras 11.349
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


C'est fini.
Finalmente posso dizer que essa era Uncover acabou (e que amei cada palavra escrita nesses dois últimos anos). Só tenho a dizer que esses personagens são quase independentes; as personalidades tão impregnadas na história que cada detalhe vai no automático (o que não me ajuda em finalizar de vez a história) – e à Ju, muito obrigada por me motivar a criar Sinners dois anos atrás!
Mas agora, sim, acabou – e espero que tenham gostado, e que gostem mais ainda dessa bônus (que, apenas para avisar, não influencia no capítulo passado, de fato o último, pois se passa antes dele, cronologicamente falando).
É isto.
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Capítulo 23 - BÔNUS: Merry Christmas.


Fanfic / Fanfiction Unholy Trinity - Capítulo 23 - BÔNUS: Merry Christmas.

 

O mês de Dezembro, na casa da família Oh, era levado a sério. Havia um motivo racional, até: o natal. A data, que às vezes perdia o sentido por sua desvalorização, não poderia ser mais importante para Seohee e Jihan. O homem acompanhava a esposa nas compras, estas que começavam assim que o mês virava. Havia dedicação e comprometimento, vivendo quase vinte e quatro horas dentro da igreja nos dias que antecediam. Fazia sentido, sendo a maior época de ações de caridade, fora o Dia das Crianças, de sua igreja – e desde que Seyong assumiu a posição de contribuir financeiramente, sua mãe orgulhava-se de ser a responsável por cuidas das obras em prol dos menos afortunados (como a própria denominou).

E, bem, seus filhos nada religiosos estariam felizes, se ela não estendesse o natal até a casa; se apenas ajudasse os terceiros e deixasse que os filhos, quietos na residência, jogassem videogame pelo restante da noite e comessem o que desejassem – mas tudo o que a mulher fazia era os impedir de comer, ao menos o que não fizesse parte da ceia montada por ela, e forçá-los a assistir à cópia de seu DVD de A Paixão de Cristo, algo que sempre fazia Sehun rir por recordar-se de ser um filme de Mel Gibson – recusava-se a problematizar (após anos seguidos o fazendo).

Pois daí, como se a igreja, seu cenário religioso, não bastasse, os irmãos precisavam ajudar a transformar a casa numa espécie de santuário, com direito a altar, com uma minúscula manjedoura e boneco – bem representativo – e mesa com treze lugares (onde apenas os cinco comeriam). Sem falar na gigantesca árvore de natal, tendo sido montada por Luhan desde que este, ainda pequeno, começou a ajudar seu pai na época festiva. Lá, o moleque ainda importava-se verdadeiramente em embelezar sua casa para a data, mas aos trinta, a única coisa que abominava era esforçar-se.

Não pôde reclamar, contudo. Passar o natal com seus pais, e os namorados, irmãos, enfim, significou não ter que cozinhar para a nova casa – arrumá-la ao longo da semana já havia os cansado demais. Havia muito para ser feito até o ano novo, e Luhan esperava apenas pela confirmação de Seyong de que as passagens estavam compradas. Seria uma longa jornada de Seul a Hong Kong, e depois Chicago (paradas planejadas por eles), mas esperava ser gratificante quando olhassem para trás e relembrassem o intenso ano que tiveram. Quiçá por isso a noite não tenha sido tão ruim, assistindo ao filme com a mãe, silenciosamente pulando algumas partes enquanto esta cochilava contra seu ombro – sem contar que seu pai sempre o pegava no flagra, e depois, tão entediado quanto os filhos, fingia que a produção coincidentemente terminara muito rápido.

Após os dezoito, os gêmeos deixaram de detestar tanto a noite, porém somente no instante em que sua mãe os deu permissão para beber vinho, apenas naquela noite em especial (e não era preciso dizer que Sehun enchia a cara com o vinho de seus pais). E naquele ano não foi diferente. Ainda era um pouco estranho, deveria admitir. No ano da descoberta de sua mãe, brusca descoberta esta, sobre o relacionamento dos três, não houve natal em família. Luhan não reencontrou os pais por um longo tempo – tanto pela vergonha de estar próximo de sua mãe quanto pela mesma não mais preocupar-se em convidá-lo. Algo que não durou muito, como àquela altura já sabia.

No ano seguinte, surpreendentemente, as coisas voltavam ao normal; um lento processo. Um processo que chegava ao êxito, ali, com seus pais acenando tranquilamente da porta de entrada, sem comentários incômodos sobre a relação deles, os assistindo entrarem na Ferrari de Luhan (sim, ele não podia agir como um homem normal e chamar o caríssimo presente de “carro”). E felizmente, as ruas ainda se encontravam movimentadas, senão o homem estaria brincando de Velozes e Furiosos pelas pistas desertas.

Os gêmeos não se sentiam lá muito seguros com Luhan ao volante, mas logo perceberiam que não sentiam segurança com nenhum dos amigos, também.

Ao adentrarem o condomínio, puderam se sentir mais aliviados, com o homem desacelerando o ritmo até encontrar a rua sem saída, manobrando até tê-lo embicado frente à sua garagem. Sehun demorou-se a encontrar o controle, logo abrindo o portão automático que levava ao extenso espaço subterrâneo onde o carro ficava guardado. Era difícil acostumar seu cérebro a abrir e fechar a garagem quando, antes, o faziam manualmente. De qualquer forma, finalmente se encontravam em casa e em segurança.

— Cristo.

Blasfemando, como sua mãe o acusaria, Sehun apoiou-se à escadaria que os transportava da garagem à, enfim, a sala de estar. Precisou de uns segundos para tirar as botas, bem baixas, que usava. Era isso que custava usar os calçados do irmão sem antes checar a numeração. Contanto que entrasse, o moreno não via problemas – até que surgissem bolhas e este se encontrasse dolorido.

Suspirou, movendo-se com os calçados à mão.

As luzes se acenderam e, bem, precisou respirar fundo, encantado com sua própria residência. Talvez jamais deixasse de fazê-lo, copioso ao dia que adentrara esta pela primeira vez. Em cada detalhe, encontrava o motivo para ter a escolhido – e convencido Luhan de que era uma boa ideia desfazer-se do apartamento. Afinal, usariam mais do imóvel, agora que Seyong seguia devagar com as lutas, e era um bom investimento. Fora bem persuasivo, ótimo em sua missão de conseguir fazê-los comprarem o espaço, e era um gigantesco local até mesmo para eles (mas jamais reclamaria, pois estava completamente apaixonado).

A sala igualava-se ao tamanho do apartamento de Luhan, por inteiro, e isso incluía a parte mais alta deste, pois, com o teto daquele cômodo, Sehun sequer podia imaginar o quão trabalhoso fora projetar sua estrutura. O lustre estático, posicionado exatamente sobre sua cabeça, o fazia olhar para cima a cada vez que se arrastava ao meio do local, passando por entre os escuros sofás de couro e largando seus pertences sobre a longa e amadeirada mesa de centro.

Antes mesmo de sentar-se, fora abatido pelos agudos latidos do mais novo membro de sua família. O Bichon Frisé era inegavelmente o cão de Sehun, apesar de ter sido adotado dias antes por Luhan. Desajeitado como, decretado, o oficial dono, Vivi corria ao redor do sofá, aguardando o fotógrafo estender a mão para lhe acariciar a pelagem branca. Imaginava que não conseguiria deixar seu mais novo xodó se recostasse ao móvel, o tendo em seus braços. Estava apaixonado, e extremamente agradecido ao namorado. Porém precisava cuidar de suas responsabilidades, e estas eram muitas, se pudesse ser honesto.

Debruçando-se sobre um dos braços do sofá, esforçando-se para ter visão da espaçosa cozinha, não foi surpresa alguma encontrar Seyong beliscando suas rosquinhas – e, com o espírito de rapazes criados em família consideravelmente grande, podiam ser bem possessivos ao delimitarem o que pertencia a quem. Apesar disto, não deixou um ruído sequer escapar, dando uma última olhada pelo cômodo – checando se o molho de chaves encontrava-se em seu apoio apropriado, e se Luhan realmente levara o lixo para fora (algo que, conhecendo o namorado, poderia facilmente não ter acontecido).

Largou mão, então, de observar o rapaz na moderna cozinha, com sua decoração peculiar.

Honestamente, tudo em sua nova casa parecia moderno demais, diferente do rústico extremo do apartamento. Já sentia falta deste, inclusive, apesar de ter se passado apenas uma semana desde a mudança; de abandonar sua cama em meio à noite, sentando-se sobre a mesa de madeira, amedrontado pela fragilidade desta, comendo seus morangos até satisfazer-se de vez. Sentia falta, também, da varanda na minúscula sala de estar, onde se debruçava e respirava fundo contra a leve brisa que trazia o odor da fumaça de cigarro, agradecido pelos outros vizinhos terem bom senso e o fazerem, coincidentemente, nos momentos em que a insônia de Sehun o arrastava para longe dos cobertores, fazendo jus ao fumante passivo que se tornara após cortar o vício.

De qualquer forma, não fez questão de alertar o gêmeo, visto que este parecia muito entretido em sugar os grãos de açúcar presos no canto de seus dedos. Até o compreendia, no fim das contas, por estar faminto. O conhecendo bem, sabia que este mal havia se alimentado, extremamente enjoado quanto às comidas natalinas feitas pela mãe costumeira. Por isso, o jovem seguiu pelo caminho contrário à cozinha, subindo mais um lance de escadas e indo de encontro ao corredor superior enquanto retirava sua jaqueta rosa, gritante por ser cintilante; indo de encontro aos cinco enormes cômodos que o faziam repensar se era necessária uma casa tão grande (mas, após o amor à primeira vista e insistência, nem mesmo o visível exagero de portas espalhadas de uma extremidade à outra o fariam deixar o local). Pensava que, um dia, talvez, precisariam dos quartos extras – nem que fosse para deixar os gatos – e, com o plural, significava que Luhan desejava adotar mais alguns, além do que já tinham; ceder os cômodos aos animais e seguir com a ideia.

Assim, forçou a maçaneta de seu quarto, empurrando-a grosseiramente e assustando o namorado, escondido por detrás desta, fuxicando as gavetas da cômoda. Sim, eles a posicionaram pessimamente, mas apenas por não terem montado ainda a escrivaninha. Quando o fizessem, trocariam as gavetas e, então, levariam a cômoda para um dos quartos extras, lhes dando mais espaço no quarto que, bem, era tão grande que nem sequer precisava de mais um pedacinho.

Mas eles se dariam ao luxo disso, é.

— Calminha aí – erguendo as sobrancelhas, ele ergueu a camisa acinzentada que tinha em mãos, vestindo-a rapidamente e dando fim à seminudez. — Não bata a porta assim.

Os cabelos de Luhan encontravam-se úmidos, pingando sobre o carpete recém-posto, mas não havia uma gota sequer pelo resto de seu corpo, o que fez Sehun presumir, ou melhor, ter certeza de que o homem somente havia molhado as madeixas e o rosto na pia – e imaginava a lambança que este havia feito, se arrastando do banheiro do quarto até à porta deste, deixando suas pegadas e uma sujeira que, (muito) provavelmente, não limparia.

Suspirou, pisando forte até a cabeceira da nova, e mais espaçosa, cama que os pertencia – e finalmente podia agradecer por não mais dividir um quarto de solteiro com os outros dois.

— Diga que você não se esqueceu.

Pateticamente, tentava se convencer, com dois tubos de lubrificante em mãos, que Luhan realmente não era tão esquecido quanto o pai – e, naquele instante, chocou seu punho contra a madeira algumas vezes, a batendo, pois não havia nada de bacana em seu pensamento. Sua animação precisava se estender ao mais velho, já que deixar seus planos para outro dia não era uma opção (e se este se opusesse, seria expulso da brincadeira dos gêmeos e ponto final; como o bom e comportado voyeur que poderia ser).

— O que é isso?

Podia sentir o odor de menta no hálito de Luhan à distância, mesmo enquanto enfiava os tubos sob seus travesseiros, logo os afofando e fingindo que sequer havia se aproximado das gavetas, agora, novamente fechadas. Recostou-se a eles, até, somente esperando o momento em que Seyong chegasse, provavelmente o recriminando por ainda estar completamente vestido sobre os cobertores.

— Certo presente de natal – tragando a saliva, e sua excitação, seu arfar escapou como um convite para que Luhan se aproximasse, lhe sorrindo aberta e maliciosamente como se os dizeres afetassem somente ele. Erroneamente. — Não para você.

Ignorou a dolorida sola de seu pé e o esticou contra o inutilmente vestido peitoral de Luhan, o impedindo de avançar sobre a cama, e sobre seu corpo. Quase estendeu a mão para limpar o canto de seus lábios, sujos de pasta de dente, porém o homem fora mais ligeiro ao perceber os olhares do jovem. Assim, tratou de apenas espreguiçar-se, abrindo-se sobre o colchão entre os gemidos manhosos e doloridos (merda, se esticar sobre a cama era magnífico).

— Não compramos o cardigã para ele? – nitidamente referia-se a Seyong. — Aquela porra foi cara demais, e ele irá receber outro presente?

A questão era Luhan remoendo-se por não ter recebido um presente (mesmo que as passagens para Hong Kong fossem pagas pelo lutador, e o pagamento de entrada da casa, e devia lembrá-lo da Ferrari que lhe fora dada no início do ano). Sendo assim, nada mais justo que a lembrancinha que Seyong havia os comprado, e alguns artigos para o seu gato – que, no final, acabava pertencendo aos três –, e lentes novas para a câmera de Sehun. E, bem, não podia negar que gastaram uma nota no cardigã Louis Vutton, com as iniciais do loiro gravadas em seu tecido vermelho-sangue. Todavia, não se tratava do dinheiro, ou relevância do que lhe fora comprado, mas de um Luhan enchendo a porra do saco por claramente o presente de Seyong ser sexo.

E, após os altos e baixos na vida sexual dos três, que apenas podia culpar à forte medicação da qual Seyong vinha fazendo uso desde o incidente de Abril, basicamente este tinha seu apetite sexual anulado. Não era necessário explicar que, certeiramente, no momento ideal, o médico que tratava do acompanhamento de seu gêmeo cortara os remédios pós-cirúrgicos.

Sehun apenas queria dá-lo um pouco, entende; o mínimo. O bastante para fazê-lo lembrar-se do que o causava os mais carnais desejos – e Luhan queria, quiçá necessitava, também, que seu presente fosse algo do gênero (fodida inveja branca), e que fosse para o inferno sua Ferrari, pois foder os dois repentinamente era seu ideal para a noite.

OK. Menos a parte da Ferrari.

— Bem, o presente não é exatamente para ele – sua explicação fora curta, principalmente por não haver muito a ser dito, mas soube ter sido compreendido com o sorriso que lhe fora direcionado. E, daquela vez, não fez questão de impedi-lo de se aproximar, o assistindo desfazer-se das calças moletom, recentemente postas, para posicionar-se entre suas pernas. Seus mais sinceros e profundos suspiros foram soltos ao senti-lo tão próximo, de forma que a parte física e burocrática da tumultuada mudança não os vinha permitido fazer; simples falta de tempo. — Agora, cale a droga da boca e me beije, antes que ele chegue.

Pensamentos estranhos rondavam a mente de Seyong.

Primeiro, que não deveria estar se entupindo com as gordurosas rosquinhas do namorado (nem sequer gostava delas, mas era o que havia de acessível, e não tão ruim, para se comer). Apesar do desejo de ganhar peso, e massa muscular, era de forma saudável que devia o fazer, então beliscar besteiras no meio da noite estava oficialmente proibido em sua vida.

Depois, questionou-se, não pela primeira vez nos últimos meses, sobre o quão mal se sairia mudando de categoria. Era, àquela altura, um dos melhores pugilistas sul-coreanos meio-médio, e pouco a pouco chegava ao extremo reconhecimento global. Talvez, como o ditado, não devesse mover as peças de seu time, que se encontrava ganhando, apesar da desvantagem de meses antes. Mas uma vírgula, o famigerado “e se”, levava perturbação ao seu cérebro.

Logo, teria de pôr para fora, justamente para o seu treinador, o quão empenhado a fazer a transição ele se encontrava – ou quiçá fosse apenas o vinho correndo em suas veias, o encorajando a cometer erros (o que, normalmente, ele já tinha fortes tendências a fazer, e que talvez fizesse valer a tentativa).

Em um futuro distante, além de sua percepção, Seyong não se recordaria dos questionamentos feitos a si mesmo – quiçá, na manhã seguinte, nem se lembrasse de recostar-se contra a bancada, silenciosamente aproveitando da falta de sobriedade. Mas em anos, ele teria cravado ao seu nome um status não só ligado à liga dos meio-médios, mas aos de peso médio também; duas vezes nacional, duas vezes intercontinental (e, merda, a primeira desta, seguindo o Natal, viria a ser uma gratificante vitória, apesar de não ser uma de suas melhores lutas). Seria uma carreira e tanto, até ter seu simples, mas reconhecido, fim.

Um futuro com o qual, subindo as escadas de sua mais nova casa, não precisava se preocupar.

Não havia muita segurança em suas pernas, nem em suas passadas, principalmente pelo fato de ter um gato enfiando-se entre seus calcanhares. Os degraus pareciam se mover ao que seus pés o tocavam. Sequer acreditava ter bebido tanto na casa de seus pais; o fazer ainda parecia um pecado. Contudo, passando pelo banheiro do corredor e lavando seu rosto, e tentando recuperar sua plena consciência com leves tapas contra a face, sentiu-se um pouco melhor. Pelo menos não deixaria marcas molhadas pelo piso, no corredor ainda sem carpete, pois fizera questão de secar toda a umidade com a curta toalha de rosto.

Sentiu-se pronto para atravessar o corredor até seu quarto.

Mas a vida nunca lhe preparava para o que encontraria ao abrir, em inusitados momentos, suas portas – típico. Como se a cena não houvesse se repetido boas vezes até, ali, acontecer novamente. Devia estar acostumado, quase sete anos após flagrar seu gêmeo com as pernas igualmente entreabertas, e a face contorcida em sensações que não saberia definir – quando era apenas Sehun e suas mãos o proporcionando tal fator. Mas continuava se surpreendendo, principalmente com a presença do mais velho, quando cruzava seus caminhos e os encontrava com menos roupa do que deveriam.

Típico, mesmo.

— O que está esperando?

Sobre sua cama, encontrava-se Sehun, jogado de maneira despojada sobre o colchão. Suas pernas entreabertas, a clara ereção sob a cueca, elevando o pano, os lábios inchados e cabelos desarrumados; ele estava uma bagunça, do tipo que o loiro conhecia bem, e esta se denominava por Luhan. Não esteve certo de se o olhar desferido em sua direção fora um convite, mas havia muito de sua timidez presente para que presumisse algo às cegas. Ainda que fossem seus namorados, por vezes sentia-se perdido entre o que dizer e fazer. Por isso, recostando a porta e arrepiando-se com seu ranger, engoliu a seco e permaneceu estático.

— Não estava esperando por isso.

Alternou a visão entre os dois, tirando um segundo ou dois para reparar em Luhan; em como, recostado à mesa de cabeceira, na outra extremidade da cama, ele parecia seguro de si. Não compreendia muito bem o porquê, o motivo de este parecer tão confiante, mas não soava como algo questionável. Afinal, se sentisse o casal trêmulo, tenso, sob sua presença, também exibiria um sorriso ladino e perspicaz; confiante.

Referia-se ao conjunto, entretanto, e não somente a um dos rapazes. Não esperava vê-los tão expostos, ambos, ou que fossem sequer ter algo além de uma boa noite de sono. Mas havia. Havia algo o esperando, justamente pelo lutador; ele, partindo-se em pedaços pela excitação que, aos poucos, retornava intensamente. Por Deus, se partia, vendo os músculos das coxas de seu gêmeo contraídas, o assistindo tomar impulso sobre o colchão e erguer-se, destinado a aproximar-se. E ele poderia o fazer, o atiçando; assim como o faria, em passos lentos sobre o carpete; como o fez, trincando seu ser.

Pois era Seyong quem não podia garantir, logo em sua oscilante sanidade mental, que se manteria firme até o fim da noite.

— O quê? Não esperava inaugurar nossa cama?

Houve tamanha ênfase em sua sentença que, ainda sem desviar os olhos de Sehun, o loiro pôde visualizar os lábios do mais velho se separando, a partir do estalo que ecoou. Os imaginou úmidos, rubros e levemente inchados, como os de seu gêmeo, enquanto dirigia-se a ele.

Causou-lhe arrepios.

— Não hoje.

E detestava compreender o quão intencional fora a data em questão. Vinho, um programa suave, a chegada silenciosa e distante a casa; era uma breve paz, que antecedera àquilo, apesar de não saber ao certo onde o casal prendia chegar. Pois, ciente da futura viagem que fariam, deveria ter aguentado as pontas antes de dar fim à medicação, ignorando as ordens médicas. Deveria tê-lo feito, simplesmente por não saber como lidar com as vontades que correram por sua espinha, tendo a barra de sua camisa erguida por Sehun e, involuntariamente, levantando os braços para colaborar passivamente com ele.

Robótico, aderindo como suas vontades as deles, perdia-se.

— Espero que goste de surpresas, então.

Jamais desviando os olhos dos seus, o gêmeo desafivelou seu cinto, livrando-se dele tão ligeiramente quanto o fazia com suas calças. E a expressão que tomou o rosto deste, avistando a barra Tommy Hilfiger contra suas entradas, fora suficiente para que, se antes Seyong não gostasse, repentinamente fosse um grande fã de ser surpreendido; principalmente tratando-se do moreno abaixando suas calças até os tornozelos, não precisando dizer nada para que o lutador erguesse as pernas e, finalmente, se visse livre de qualquer pedaço de pano.

— Venha aqui.

Admirou a concentração de Sehun, obstinado a erguer-se sobre os joelhos e entrelaçar suas mãos, levando o loiro até a cama. A força de vontade envolvida no singelo ato, que fizera seu coração palpitar como se pudesse estourar seu peito, era refletida em sua face, úmida e corada. O corpo de Seyong, em especial, o provocava tais reações, por mais que a missão do moreno fosse fazê-lo alcançar seus limites.

Luhan, contudo, parecia seguir respeitavelmente a linha que traçaram. Sua tácita aproximação, rastejante pelas colchas de detalhes acinzentados, sequer lhes despertara interesse. Contudo, houve o momento em que Sehun segurou o gêmeo pelos ombros, o virando em direção ao homem que, àquela altura, mantinha-se de joelhos à beirada da cama. Os olhos fixos aos seus, a expressão propositalmente provocativa; sabia como deixá-lo insano. Seu rosto lhe requeria tamanha atenção que este demorou bons segundos para, correndo o olhar por seu corpo, perceber que este já havia se livrado da única peça que antes o cobria.

Para o lutador, inclusive, era um mistério que Luhan conseguisse sentar-se, levando uma das mãos ao próprio membro, e apoiando-se com a livre contra o colchão, sem deixar de fitá-lo. Sentia-se penetrado, invadido, pela intimidade ali compartilhada. Pois seu pré-gozo bastava para rodear sua glande com o indicar, necessitando de um segundo para, proveitoso, tombar a cabeça sobre o ombro e apertar sua ponta grosseiramente.

Salivou; a visão era divina em níveis assustadores. Nem sequer Sehun, às suas costas, ciente de tudo o que fora previamente planejado, sentia-se confortável com a cena. Porque Luhan soava tão compenetrado, preso entre as imagens do que viria em minutos, que a legítima intensidade se estendia aos gêmeos. E, ali, tendo a captura de seus sonhos, esteve certo de que, em poucos anos, quando os diversos admiradores de seus dotes fotográficos surgissem em sua galeria, o indagando qual fora a cena mais intensa que tivera a chance de registrar, os diria que jamais, de fato, registrara tal através de sua lente.

Mas encarando como Luhan massageava o próprio pau, reencontrando-o entreolhares quando este retomou sua consciência, fora a mesma sensação de ter o flash estourando em sua face, sendo seu foco pelo raio de segundos, até tê-lo o lembrando por o quê encontravam-se naquelas posições, tão envolvidos.

Cacete.

— Perderam algo aqui?

Ver a protuberância em sua garganta se elevando, prova do nervosismo do lutador, fez Luhan juntar os lábios apressadamente, decidido a não permitir que sua risada ecoasse. Porém não podia negar, também, que era extasiante ver o loiro secando a úmida tez com as costas das mãos, tenso por ele.

Engrandecia seu fodido ego.

Honestamente, conseguiu assustar-se consigo mesmo; com a maneira que, entreabrindo os olhos, rígido e desnudo enquanto dava-se prazer, sentiu poder dar material para que aqueles homens se masturbassem com sua imagem em mente pelo restante de suas vidas. Revirando os olhos, precisava pôr a mente no lugar, mas, simultaneamente, o restante de seu cérebro ainda flutuava pela gostosa massagem que se proporcionara, movendo o pulso lentamente até que o prepúcio encobrisse sua glande.

Intenso.

— Não... – demorou, mas houve uma resposta vinda do loiro, posicionando um dos joelhos sobre o colchão para alcançar seu homem; o tomando pela cintura e forçando-o a aproximar-se. —... Mas encontrei algo interessante, aqui.

Umedecendo os lábios, fora o mais velho a fraquejar sob o firme toque do gêmeo. Parecia incerto, ele, apesar da firmeza em sua afirmação, e Luhan conhecia bem o motivo. Às suas costas, o dedilhando a base desta, o fotógrafo esfregava-se intimamente contra ele, e, conhecendo os gostos de Seyong, nada animado ao que lhe sugeriam uma troca de papéis na cama, compreendia o tom trêmulo e instável. Viu-se, entretanto, dividido entre concentrar-se em Sehun, de pé fora da cama, o fitando enquanto corria os lábios pelo corpo do lutador, e tirar proveito do toque alheio, que descia sutilmente por sua virilha.

Não houve opção, para ele, além que abrir as pernas para dá-lo total liberdade. Fora do homem, ansioso, impedir Seyong de tocá-lo avidamente, como este podia fazer.

Mas, nada satisfeito com as atenções divididas, teve o joelho apertado pelo jovem, guinchando em uma desagradável dor e o repreendendo por isso – não que esperasse um pedido de desculpas, ou qualquer merda, logo de Seyong. Apenas queria continuar analisando cada pinta de seu peitoral, molhado em diversos sentidos por esfregar a ponta dos dedos contra este, por seus mamilos...

Merda. Perguntava-se em qual realidade poderia não apaixonar-se pelo bendito corpo do lutador.

— É todo seu.

A intenção de objetividade partia dos outros dois, mas fora o loiro quem o surpreendeu, naquele instante, ao agarrar seu pau com propriedade, o fazendo engasgar-se com o nada. Nem houve tempo para vê-lo movimentando lenta e demoradamente o punho ao seu redor, não; sua boca já o cobria antes mesmo que pudesse dar-se conta do que ocorria; sua língua correndo seu prepúcio e sugando quaisquer vestígios de pré-gozo. Tampouco tivera oportunidades, além de sentir, de ter contato com o fio de saliva que se estendia de sua boca por sua extensão, mas a entorpecente sensação de tê-lo soprando, depois, o rastro úmido quase fizera Luhan fechar as pernas ao redor de seu rosto.

— O quê? – debochado, o lutador tirou um segundo para rir certeiramente contra sua virilha; divertindo-se com o quão entregue Luhan se encontrava. — Seu pau, você quer dizer?

Puta merda. Seu corpo, de imediato, traíra o homem ao forçá-lo a corresponder com as descargas de adrenalina que o faziam contrair-se. Recriminou-se, ou ao menos tentou, por não conseguir manter os olhos abertos, tendo Seyong o tomando completamente; a visão seria demais para todo o seu desejo contido.

Pois, sem forças para respondê-lo que cada pedaço de si o pertencia, não podendo conter alguns lapsos de coragem que o faziam acompanhar a trilha que seu peitoral, pélvis e, logo, o rosto de Seyong, formavam, seus olhos iam de encontro à nuca do loiro, exposta a ele. E, logo, com Sehun segurando nos cabelos do gêmeo, revelando ao mais velho sua garganta massacrada, era nítida a protuberância que, ali, ao estocar sem dó algum, sabia ser sua glande.

Manter os olhos abertos lhe arrancava a humanidade. O fazia apoiar as mãos nos ombros do jovem, literalmente apoiando-se nele para impulsionar os quadris para cima, agradecendo silenciosamente por Sehun não largá-lo em momento algum, mesmo quando o jovem engasgava ao redor de sua ereção. O fazia para foder sua boca com maior facilidade, admitia, mas também para mirá-lo de outro ângulo, um onde não apenas os ruídos e engasgos lhe levavam ao êxtase, mas, igualmente, a visão de seus lábios esticados; dos vestígios de porra que se juntavam a saliva; das gotículas escorrendo pelos cantos de sua boca, ardidos, doloridos. Pois não havia dó, repetiria Luhan, caso necessário, de fazê-lo lacrimejar e lacrimejar, até que a umidade em seus olhos se transformasse nas finas lágrimas que desapareciam após sua mandíbula.

Pois Seyong gostava, muito; tanto quanto gostou de ter suas nádegas separadas, agarradas pelas extremidades e expostas ao hálito quente e úmido de seu gêmeo – a quem deveria puxar pelos cabelos, o afastando, antes que fizesse algo que, sinceramente, não teria forças para recusar.

— Amor... Você sabe do que precisa, não? – autoritário, quase montando suas costas, o fotógrafo grudou os lábios em seu ouvido, completando: — Então, me deixe fazer isso.

Seus quadris, automaticamente, disseram “sim”. Moveram-se contra sua ereção, quente e firme sob suas nádegas, ignorando quaisquer vestígios de um “não”, este ciente de suas futuras doloridas pontadas, que seriam resultado do caminho para o qual Sehun o levava, pouco a pouco – e o jovem não cansava de roubar a pureza do loiro, sugando cada gota com sua perversidade.

Molhado, pingando tesão por entre as coxas, permitiu-se fechar os olhos novamente, entregando-se à tudo.

Na posição de Luhan, que teve a sensação de assisti-los dialogar por longos minutos, ter os lábios do loiro longe de si fora como a eternidade. O moreno, contudo, estava certo em quer prepará-lo devidamente para o que tinham em mente, contrariando as diversas negações amedrontadas que já recebera de seu gêmeo. Ignorava por saber que, na manhã seguinte, quiçá durante ou após o ato, Seyong os agradeceria.

Agradeceria por levá-lo até distintos patamares de prazer.

Ainda assim, aproveitando os instantes que preludiavam um Seyong ocupado demais, contorcendo-se sobre o colchão, sufocando os gemidos para chupá-lo devidamente, arrastou as pernas pelas colchas, segurando o próprio pau pela base e o pincelando contra a face do loiro. Seu sorriso safado era tudo o que precisava para segurá-lo desajeitadamente pela nuca, forçando-se para dentro até atingir o céu de sua boca; quente e macio, o apunhalando como o inferno. Quase esteve próximo de gozar, ali, com seus lábios bem apertados ao redor de sua ereção, mas, atrás do loiro, Sehun já havia se ajoelhado – e Luhan conformava-se, pois a cena que seguiria seria boa o bastante para manter seu membro erguido até que, por fim, o lutador estivesse pronto.

— Relaxe, hm? – debruçando-se preguiçosamente, e brincando com seus mamilos hipersensíveis, como o restante do corpo, Luhan o provocou; dedilhando seus testículos após Seyong erguer o rosto, permitindo que ele visse seus lábios, úmidos e brilhantes, contendo vestígios de seu pré-gozo. — Sentiu dores piores que esta.

E não era uma mentira, os três sabiam.

Esticando-se sobre o colchão, Luhan avançou em direção aos travesseiros, tateando cada canto até encontrar os lubrificantes – estes que, estupidamente, foram enfiados em uma das fronhas, o que apenas dificultou seu trabalho. Aliviou-se, ainda, por ver Seyong compenetrado em seus conflitos internos, demais para reparar no que o mais velho fazia, ou ao menos para focar na suspeita movimentação sobre sua cabeça.

Sendo-lhe entregue o tubo, mantendo o segundo guardado para caso precisassem dele, e provavelmente precisariam, Sehun rompeu seu lacre, fincando os dentes nos avermelhados lábios para conter um sorriso ladino.

A excitação estava o engolindo.

— Mantenha a boca ocupada – voltando a debruçar-se, relou a língua pelo lóbulo de seu gêmeo, o sussurrando.

Não hesitou em lambuzar seus dedos com o gel, apertando grosseiramente a base de sua garrafa e permitindo que a substância vazasse por sua mão. O faria sentir-se confortável, enquanto traçasse o trajeto para distanciá-lo da incômoda dor, esta que não o abandonaria em instante algum.

Era obrigação de Sehun, sendo ele correndo os dedos úmidos e gosmentos desde suas bolas, massageando seu períneo, até irem de encontro à sua entrada, não economizando do produto – principalmente estando ciente do quão sensível estava o lutador.

A delicadeza do primeiro dedo escorregando por seu interior, para todos os efeitos, era o que Seyong merecia, por estar sendo tão aberto à ideia. Ao menos, Sehun esperava que o namorado imaginasse perfeitamente onde queriam chegar, com toda a calma e preparo em meio à madrugada, e o surpreendia não estar surtando (ainda).

Era do que Seyong precisava; ambos compreenderam sem que este precisasse os dizer.

Aéreo, apreciava a maneira como o próprio maxilar tremia; cansado. O único dedo não causava gigantes efeitos, mas o desempenho do moreno o fazia. O mantinha extasiado, ansiando por mais quando prometera que não o faria. Seu aperto mal o permitiu mover o punho no primeiro instante, afinal; tamanho era seu desejo, contraindo-se ao redor do dedo, como se pudesse sugá-lo para mais fundo apenas com o ato.

Sehun, contudo, não precisava de mais do que estar encaixado até os nós, como se encontrava, curvando o dígito sem mais. Seguia os próprios impulsos, pressionando a protuberância de nervos que fizera Seyong recuar, retirando de si o dedo que, num apanhado de segundos, arrancara de seu âmago as forças usadas para mantê-lo estático à cama.

— Quietinho aí.

Divertidamente, o moreno o puxou pelos quadris, posicionando a mão livre à base de suas costas e o tombando sobre o colchão, buscando apoio nos próprios joelhos enquanto, desgostoso, permanecia de quarto para o outro. E, como um belo acréscimo à posição do mais velho, este nem sequer precisou pronunciar-se sobre o quão agradecido encontrava-se pela panorâmica visão proporcionada. A curva acima de suas nádegas era tudo o que Luhan podia ver ao encarar o gêmeo moreno, mesmo que deixasse sua concentração em Seyong, com a cabeça enfiada entre suas pernas, buscando calar-se com os lábios ao redor de suas bolas.

— Não se preocupe – acariciou os fios descoloridos de sua nuca, arfando com o hálito quente correndo por seu períneo. — Faremos com que seja bom para você.

A premissa o matava aos poucos.

Demorando-se às suas costas, Sehun voltava a empastar seus dedos com o lubrificante, que já secava entre eles. Recusando-se a não retornar impactando o gêmeo, forçou a ponta dos dedos até que pudesse tê-lo suficientemente aberto, sem afundar-se por completo. Agachou-se, breve, derramando sua saliva dentro do loiro e, decididamente, preenchendo-o com três de seus dígitos.

Não se surpreendeu, então, quando seus quadris avançaram para frente novamente, usando da mão livre para segurá-lo contra si. Contrário a Luhan, que sorria e surrava sua face com seu pau, o lutador tinha o cenho franzido; os olhos fortemente fechados apenas faziam acrescentar à expressão sofrida (por mais que nada do que sentisse se aproximasse de sofrimento).

Talvez vestígios deste; sofrendo por não tê-lo movendo os dedos, ou por sequer importar-se com aquilo. Não deveria gostar tanto de sentir o relar contra sua próstata, tentando forçar as pernas ao redor do pulso do gêmeo. Contudo, completamente afetado, contrariou-se ao extremo, fingindo não esfregar-se repetidamente contra ele. E jamais os permitiria usar de suas reações contra ele, pois Seyong sequer sentia-se ele mesmo, ali, babando contra as coxas de Luhan por não controlar a língua dentro da própria boca.

Queimava intensamente, de seus pés à cabeça – e cogitou ser o pecado infestado em si, estimulado, espalhando-se. Esqueceu-se, até, de como era natal; do significado da data e do que deveria ser prezado. Por Deus, novamente em vão, sentia o castigo entre suas pernas; este afundando um quarto dedo, que quase não fazia diferença em tamanho, mas que se fazia presente quando referente à força depositada nos movimentos.

O fazia desejar gritar; como se os baixos gemidos não fossem vergonhosos o suficiente para fazê-lo abandonar seu estado de negação, sem aceitar o quão bom era ter o gêmeo dentro de si.

Nunca o repetiria em voz alta, contudo.

Não mesmo.

— Basta, não? – ofegante, indagou ao mais velho, mesmo que não fosse ele com os dedos enfiados em seu interior.

Ele o ouviu, seu gêmeo, e não pôde pensar em resposta mais devida que seus atos. E incomodava o lutador a forma como o moreno, insistente, transformava sua maior zona de desconforto no paraíso; um lugar para recostar-se e ser fodido, enlouquecido e sendo tirado de sério ao que, choramingando, precisava de um pau em sua boca para manter-se discreto e aliviado.

O pensamento, contudo, levava pontadas às suas bolas; tenso.

E, sendo prontamente ignorado, fora Luhan quem sofrera com as consequências, tendo os quadris arranhados pelas curtas unhas do jovem e o membro massacrado em sua boca. Era ridículo como, quando queria, este conseguia tomá-lo até o talo, cada centímetro forçando entrada em sua garganta; engasgando, tossindo disfarçadamente ao cobrir a boca, sem deixar de masturbá-lo, e retomando ao que fazia, sem dó algum de sua própria boca enquanto liberava as quentes arfadas contra sua glande – úmida e rubra de forma que Luhan somente fazia imaginá-la rodeada pela entrada alheia.

Sorte a de Sehun, inconsequente, que não ligava para terminar a noite com a extensão de seu braço doendo. Pois fora a imprudência que o levara a socar os dedos, intensamente, para dentro e fora do rapaz, brusco como apenas ele podia ser. Sem delongas, abaixou-se para sugar fortemente suas bolas, e nem sequer saberia dizer o porquê das lamúrias de Seyong; se exagerava estocando e o abrindo, como este precisava, ou se pelo prazer, ouvindo os choramingos que seguiram as contrações ao redor de seus dedos.

Se não o conhecesse bem, diria que o lutador estava prestes a gozar com o mínimo estímulo que lhe era oferecido; insano.

— Basta? – convencido, Luhan o indagou; os dedos entre as madeixas correndo até sua nuca, levando os fios loiros com ele, forçando-o até tê-lo de cabeça erguida e olhos fixos à sua face. — É o suficiente?

Choroso, abandonando o aperto ao redor dos lençóis, tentou afastá-lo pelos braços. Não mediu forças em tentar empurrar o mais velho, soluçando silenciosamente com a dor em seu couro cabeludo, apesar de falhar em fazê-lo. Hipersensível, Seyong deu zero fodas aos questionamentos anteriores. Ocupou-se com o que lhe matava pouco a pouco, jogando os quadris repetidamente, friccionando suas bolas contra o braço de Sehun, que era mantido tão junto às suas nádegas.

Havia desistido, inclusive, de permanecer na posição que fora colocado, arqueando as costas até ter as costas recostadas ao peitoral de Sehun. Se ali, ajoelhado sobre o colchão, não o teve fundo como nunca antes, enlouqueceria se houvesse um pouco mais. Era seu limite – os quatro dígitos revirando seu estômago, o calando ainda que o forçasse a manter os lábios entreabertos pelos gemidos mudos –, e ser tão bem estimulado após meses, sem ao menos desejar sentir-se daquela maneira, era o fim.

Seu fim.

— Eu perguntei... – lubrificada pela própria saliva, o moreno levou a mão livre à sua entreperna, obrigando-o a fechar as pernas inutilmente ao ter a base de seu pau agarrada firmemente. Ele não faria aquilo, esperava Seyong. Não. —... Se é o suficiente.

O curto espaço entre seus dedos, o toque gélido pelo lubrificante, a lenta movimentação contrastando à mão que, às suas costas, estourava sua entrada; o gêmeo não saberia, pois sua visão não lhe proporcionava tamanha satisfação, mas Seyong revirava os olhos como se um raio acabasse de atingi-lo; empurrando os quadris para frente, esforçando-se para foder sua mão, e jogando-se para trás, sentando sobre os dedos ritmados contra suas paredes internas.

Achou que iria desmaiar, ou gozar; não necessariamente nesta ordem – e não descartaria nenhuma das opções de acontecimentos até que amanhecesse. Não duvidava de maneira alguma que um dos dois viesse a acontecer, naquele segundo.

Ou os dois, simultaneamente, sendo possível em seu estado.

Ridiculamente entregue àquilo, não se via recusando qualquer coisa; necessitado. Abria a boca, mas apenas o ar escapava, cortando as palavras e as resumindo a nada. Ansiou não precisar ter que respondê-lo, extasiado com os dedos contraídos bem sobre o ponto que deixara sua visão plenamente turva; em outra órbita o tendo massageando suas bolas inchadas, verdadeiramente doloridas.

Ansiou entreabrir os olhos e não encontrar, pecaminosamente, Luhan o encarando; não ver o escuro de seus olhos, ou sua língua arrastando-se até seus lábios, afundando em sua boca e o tomando completamente. Quiçá por isso, em desespero, tenha resistido arduamente a dizer algo, sugando todo o ar possível pelas narinas e o soltando tristemente, sufocando e infeliz por tê-lo se afastando.

Pois, sem sua boca, não havia segurança para manter sua pose.

— É o suficiente – soprou, quase inaudível. — Sehun...

O levariam ao limite da intensidade; não havia dúvidas.

— Chega, então.

Abandonou o toque ao redor de seu membro – não deixando de provocá-lo, contudo. Retirou seus dedos do interior de Seyong, os usando para contornar e acariciar sua entrada, voltando a empastá-la superficialmente com lubrificante, aproveitando-se do instante em questão para lambuzar o próprio pau, pingando pré-gozo ao deixá-lo amostra retirando a última peça que vestia.

Empurrou o loiro contra a cama, antes, com Luhan o segurando pelos quadris e prendendo-o entre suas pernas, ambos assistindo enquanto Sehun chutava a cueca para longe e tocava uma; grande de maneira que fazia ambos salivarem, já saudosos por terem o jovem moreno em suas bocas. Eram tão fodidos que não podiam seguir plenamente sem que lembranças arrebatadoras surgissem.

— Abra as pernas para mim, amor – disse Luhan.

Sua ereção latejava, e ambos sabiam do efeito que causavam no lutador. Seus pés se enroscaram aos lençóis quando sentiu o mais velho, este que se arrastava até a cabeceira com o jovem no colo, movendo o membro sob ele, o ajeitando de maneira que a glande, ainda sem pressão alguma, percorria o caminho ao redor de sua entrada.

— Está esperando por isso há muito tempo? – de costas para Luhan, o loiro precisou checar sobre os ombros o estado do homem, encontrando-o ereto, recostado à madeira da cama, com um brilho em seus olhos.

Brilho este que se devia ao ponto abaixo deles, já que, ao virar-se, encontrou Luhan com o queixo contra o próprio peitoral, com os olhos fixos à sua entrada, que, pela ansiedade, piscava incessantemente.

— Talvez – sua risada o entregou.

Maldito.

— Sendo assim, – deitando-se contra seu corpo, apoiou apenas os pés sobre a cama, voltando os olhos ao seu gêmeo, este que apenas fazia os assistir. — Me foda de uma vez.

Carinhoso, teve o quadril segurado pelo homem – como se não fosse previsível que, dolorido, o lutador tentaria se afastar com o primeiro contato. Sua outra mão movia-se pela extensão; um breve toque antes de parti-lo lentamente, quase em parcelas. Pagava por sua língua, e Luhan adentrava um pouco mais, o forçando a jogar a cabeça sobre seu peitoral e esfregar ali suas madeixas descoloridas, engolindo as palavras e estapeando-se mentalmente por contradizer-se tanto. Pagava, finalmente tendo as nádegas contra sua pélvis, completamente sentado em seu colo, por mais que a posição por si só fosse incômoda – precisando forçar-se a não desabar sobre ele, aliviando o peso que sustentava ao manter-se de cócoras ao invés de pôr-se de joelhos para o homem.

Mas era opcional; uma escolha especialmente feita por Seyong. Pois, com os pés sobre o colchão, tendo completa liberdade para mover-se e abrir-se como quem quisesse, podia ver como seu gêmeo não desviava os olhos de seu pau, gotejando e respingando pelos lençóis. Difícil seria não adivinhar o que passava pela cabeça do jovem; salivando, alisando a própria ereção, espontaneamente boquiaberto entre as arfadas, que, por vezes, podiam ser confundidas com as do lutador. Era uma vista e tanto.

— Diga se doer. Não há problema algum.

Ao menos, sutilmente, o mais velho lhe deu uma brecha para cair fora. No entanto, simultaneamente, teve os braços alheios rondando seu corpo, precisando lidar com a vontade de segurar em seus braços e fazê-lo apertá-lo mais ainda no abraço – mas estava bem seguro, e desajeitado, com suas mãos à frente, posicionadas sobre o colchão. Era o modo que encontrara para manter-se equilibrado, e para não depositar mais de seu peso sobre as próprias pernas.

Além do quê, era inegável o quão belo ficava, daquela maneira, empinado para Luhan. Porque, se fosse para deixar que o homem o comesse, devia ser decentemente; com direito à sua total exposição.

Como resposta, moveu seus quadris abruptamente, empurrando-se brevemente contra suas coxas. Havia algo em ter o pau de Luhan dentro de si, que não sabia explicar, que parecia retorcer seus membros e deixá-los anestesiados; numa dor não tão gostosa, mas que servia como prévia às futuras sensações. E, subindo brevemente em seu colo, e voltando a descer, apreciava a leve ardência que se estendia por sua entrada; o apertando dolorosamente enquanto, envolto por sua comprimida entrada, voltava a repetir o mesmo movimento. Soube ali, o sentindo latejar com sua lentidão, que suas pernas não eram fortes o bastante para suportar mover-se daquela forma por tanto tempo, então esperava veemente que Luhan não demorasse a agarrá-lo pela cintura e lançá-lo às alturas, fazendo seu corpo solavancar.

Era tão estreito, mal se recordando da última vez que fora fodido, que imaginava o quão massacrada a glande do outro era a cada vez que, estupidamente, Seyong o retirava de seu interior, voltando a forçá-lo para dentro. Provavelmente o machucava; era quase uma certeza para o lutador. Todavia, soava justo quando a aguda dor correra por suas veias – da melhor qualidade; obrigando o loiro a esfregar-se contra as coxas alheias, para frente e para trás, compenetrado em mantê-lo fundo, embrulhando seu estômago, até que, sozinho, entre seus movimentos, encontrasse a própria próstata e o usasse apenas como seu objeto para alcançar o ápice.

Não era o que Seyong desejava, no entanto, e logo arrancou do mais o velho o que queria; o que precisava.

— Divertiu-se o bastante?

Assentindo, apertou os lábios para que Sehun, logo ele, não visse o sorriso satisfeito que ameaçava surgir em sua face.

— Mas podemos ir além disso, não?

Ele suspirava contra suas costas, úmidas pelo suor. E esta poderia ter sido sua maior preocupação, a respiração descompassada do mais velho atrás de si, mas trocando olhares com Sehun, o homem fizera o favor de sinalizá-lo que deveria puxar seus pés, tomando sua estabilidade e o forçando a, definitivamente, sentar-se sobre as pernas de Luhan.

Desajeitado, levou as mãos às do mais velho, estas posicionadas à sua cintura. Provavelmente as manteria ali até o fim, pois aquele era o seu momento de forçar Luhan a envolvê-lo com os firmes braços, esfregando-se contra seu peitoral. Nem sequer precisou dizer que, sem as pernas estendidas, o teve ainda mais fundo; o peito em chamas e seu membro sensível, sem os toques anteriores, gotejando sem cessar.

Era um desperdício, contudo. Debruçando-se ridiculamente entre suas pernas, esticando a língua para capturar cada gota que escorria por sua glande, Sehun esteve prontamente decidido a limpar sua extensão antes de, por fim, fazer uso do lubrificante enfiado por entre os travesseiros. Até lá, deixaria Luhan maltratá-lo e prepará-lo um pouco mais.

Dali em diante, dividido entre manter os dentes fincados à palma da mão e jogar-se contra as estocadas do homem, segurando em seus braços com a mão livre, deixava-se levar como um boneco em seu colo; pouco se importando se parecia entregue demais. Estava legítima e fodidamente entregue; as pernas se abrindo e envolvendo Sehun, que permanecia entre elas, tomando o espaço de sua boca e o fodendo como podia; de maneira que se resumia às vontades de Luhan, pois, ao que este jogava os quadris para cima, seu membro afundava-se na garganta do gêmeo – que claramente não se opunha àquilo, porque não se afastara em momento algum.

Os braços que o sufocavam, relando seu mamilo e fazendo os curtos jatos de pré-gozo escorrerem com maior frequência, também foram seu apoio ao erguer-se como pôde, meneando-se e indo de encontro ao seu pau. O tinha tão fundo que, finalmente tomando coragem para entreabrir os olhos, percebeu o quão forte os mantinha fechados. Doía; sua cabeça, o espaço entre suas nádegas. Doía respirar profundamente, até, com o aperto ao seu redor.

Mas nada se comparava a ter Sehun dedilhando suas bolas, suas mãos úmidas novamente, e logo os correndo até sua entrada.

— Puta mer... – ele puxou, levemente, seus testículos para baixo, e fora como ter eletricidade correndo por seu corpo, o levando aos gritos.

Mal conheciam seus vizinhos. Não houve tempo para mais que trocar algumas palavras, e para ser reconhecido por um ou dois dos que se interessavam por esportes. Ainda assim, não acreditava que seriam maleáveis ao tê-los perturbando seus sonos durante a noite de natal, principalmente com as restritas regras do condomínio os proibindo de exagerar no volume após as dez da noite.

— Sem barulhos – tivera a boca tapada por Luhan, por segundos, mas logo esta retornara aos seus quadris, sendo base para o homem o foder mais forte que em qualquer outro instante.

Sua entrada, macia e, àquela altura, quente e rubra, se esticava para recebê-lo; forte e desajeitado, ora surrando sua próstata, ora apenas o fazendo lamuriar com a gostosa dor de ter as paredes internas socadas; fazia os músculos de suas coxas contraírem.

Engoliu a seco, ainda desconfiado do dedilhar de Sehun cada vez mais próximo do ponto de conexão entre o loiro e Luhan.

— Então não seja tão bom... – entre soluços, fora induzido (sem que ao menos o mais velho soubesse que o fazia) a beijá-lo; virando-se para o lado, atrapalhado, e tomando seus lábios antes de tentar completar a sentença. Respirou fundo. — Não posso prometer silêncio se continuar me fodendo tão... Gostoso.

Sufocou uma risada contra seu ombro, franzindo o cenho e mordendo sua carne para que, igualmente, os gemidos que seguiram pudessem ser calados. Era tão molhado penetrá-lo; sentia-se pleno em um grandioso feito por não ter gozado ainda. Mas também não se sentia tão distante de fazê-lo, e agradeceu por finalmente Sehun deixar de apenas observá-los.

A tortuosa velocidade, e força, acometida pelo mais velho fizera Seyong quase distrair-se o bastante; quase. Chegara perto de conseguir, honestamente, mas jamais seriam capazes de tirá-lo de órbita para que não sentisse os dois dedos de Sehun adentrando, lutando contra seu pau pelo mínimo espaço.

E, surpreendentemente (não tanto, pelo moreno poder imaginar o quão apertado Seyong tornou-se com o susto), fora Luhan a gemer com a investida.

— O que pensa que está fazendo? – ambos deixaram de seu mover; o mais velho, estático, com as coxas trêmulas, e o jovem, confuso (e bem assustado) respirando desregulamente.

Sehun, contudo, fora o único que não recuou, sem afastar os dedos indesejados do estreito interior do loiro; nem pretendia o fazer.

— Vire.

Com o maxilar trincado, Seyong jurou ter escutado errado. Agora, quando finalmente envolvia-se à ideia, aceitando o fato de, sem muitas reclamações, ter Luhan enfiado entre suas pernas (ironicamente, o loiro soava como se o fizesse um favor deixando-se ser fodido), Sehun queria dar ordens a troco de quê?

Ele retirou os dedos, sim; e, massacrando as costas do loiro com suas unhas, cruelmente as arrastando desde a tatuagem às nádegas, Luhan expressou seu desejo reprimido, valendo por ambos, que se refletia em seu pau, rubro e duro como rocha. Pois se retirou copiosamente, contragosto, deixando o jovem contraindo-se ao redor do nada, e apenas saudoso por algo fodidamente rígido para ser engolido por ele.

— Vire – pela última vez, rude como podia ser, o mais velho pronunciou-se. O lutador viu-se sem saída com o tom que este usara para despertá-lo, quase rosnando cada letra contra seu ouvido. — Seyong...

Suspirou.

Era tão fraco por eles.

— Que porra...? – indagou ao castanho, este que sorria triunfante, o tendo em seu colo, e finalmente cara a cara.

— Shh.

Repentinamente, suas mãos pesadas nunca lhe pareceram tão leves. A ponta dos dedos correndo pelos vergões, deixados pelo próprio, os acariciando; dedilhando o caminho por sua espinha, arrastando as unhas por entre suas nádegas, o enchendo de carinhos ao que dava espaço para Sehun, às suas costas, posicionar-se devidamente contra sua entrada.

Queimava sua pele ter os quentes lábios contra ela, correndo por seu pescoço, indo de encontro à sua boca. O homem sugava seus lábios com propriedade, ciente do que ter suas línguas se tocando podia fazer com ele; no que podia transformá-lo.

Merda. Era fissurado por Luhan, era a verdade. O amava tanto que decidiu dar ombros, mentalmente, para Sehun forçando-se para dentro; com tanto lubrificante que, em segundos, podia sentir suas bolas chocando-se contra suas nádegas.

Zero sutileza, mas ímpeto de sobra.

— Vai ser bom, amor – murmurava contra suas madeixas, e Seyong pôde sentir seu hálito às áreas de seu couro cabeludo. Os mamilos eriçados e intenso arrepio eram as maiores provas de que, perfeitamente, o ouvia, e sentia. — Precisa apenas relaxar.

Permaneceu beijando seu homem, por mais que dividisse seu cérebro para que, atentamente, se derretesse por Sehun. Pulsava, e nem precisava que estes o tratassem de forma obscena (pois aquilo, ainda fora dos limites, não era tão rude e sujo quanto poderiam chegar). Poderia lhe ser dito que eles rasgariam sua pele, revezando – mal sabia ele – e o abrindo, até que não restasse nada além de sua entrada gotejando porra, desejosa por mais, vibrando pelo vazio. Um Seyong delirante que não poderia lidar com o fim após tanto lhe ser entregue. Pois havia tanta atenção voltada para si, a língua contra a sua, as bocas apertadas umas contra as outras, que aceitaria de bom grado o que lhe fosse dado.

Pulsando, empinando-se para Sehun, provava seu ponto.

— Pensei que não quisesse – entre dentes, ele zombou. Não seria o moreno se não o fizesse, todavia. — Que não gostasse.

Os dedos fincados em seus quadris, o puxando contra si, eram o céu. Arfando de forma cansada, apenas soprando o ar sonoramente contra Luhan, arrastou-se mais ainda pelo colchão, abrindo as pernas ao máximo que pôde, sentindo como se sua entrada se esticasse mais ainda para tê-lo. E talvez o fizesse, visto que logo sentiu o gel correndo até suas bolas, crendo que era apenas Sehun voltando a empastá-lo de lubrificante.

O que o fizera arquear uma das sobrancelhas, afastando o rosto do mais velho e despencando o queixo, algo que poderia facilmente ser atribuído ao seu gêmeo, estocando até que tivesse o loiro engatinhando para frente, fugindo de sua brusquidão; característico, àquela altura. Mas não era, já que Sehun, entregando o tubo ao mais velho, soara mais desesperador que qualquer ardor antes sentido.

 — Você não... – ele riu, mas o aperto de Sehun em sua cintura, o puxando com cada vez mais força contra seu colo, empurrando e cravando cruelmente o membro em si, não o permitiu dar continuidade à ácida expressão. — Não pensa que... Há! Boa.

De quatro, recebia Sehun sem problema algum. Diria até, diante da brincadeira sem graça alguma, que via-se aberto a repetir a noite, exatamente como vinha sendo, do início até – e esperava que viesse logo – seu fim. Pois ignoraria plenamente Luhan masturbando-se bem à sua cara, à frente de seus olhos, pronto para tomá-lo. Porque sabia que Sehun não se encontrava nem um bocado motivado a afastar-se, empolgado em surrar sua próstata e, como o tinha naquele instante, fazer Seyong embrulhar-se contra o próprio corpo, gemendo e umedecendo com saliva seus próprios lençóis – estes que, preguiçosamente, já pensava em ter de trocar depois.

— Vamos... – sussurrou o homem, tomando o rosto para que o loiro pudesse corresponder seu olhar.

Sem permitir que Sehun deixasse seu interior, o mais velho ajudava o lutador a retomar a posição sobre suas pernas, erguendo os joelhos para que, sentando em seu colo, aberto o bastante para que o gêmeo permanecesse estocando, o tivesse confortável – e, principalmente, próximo o suficiente para Luhan erguer o membro pela base, incrivelmente sensível por ter se aproximado diversas vezes do orgasmo ao longo da noite, e forçar levemente sua glande contra o nulo espaço em sua entrada.

Acenando negativamente, Seyong estava certo de que poderia desfalecer entre os braços do homem, que poderia apagar – mais ainda ao ter seus braços levados para as costas, segurados suavemente por um Sehun que sabia reconhecer que, naquele instante, a calma era necessária (também por senti-lo gélido, o mais jovem entre eles).

Era um fodido mesmo, Sehun, por fazer aquilo com ele. Mas seria tão bom para os três, particularmente para o loiro, quando se acostumassem com a distinta sensação... Deliciava-se em pensamentos.

— Só um pouco... – forçou novamente, uma ou duas vezes, mas não obteve êxito. Nem mesmo quando, acariciando o loiro com a mão livre, sem deixar de segurar seus braços ao dedilhar seus mamilos, Sehun deixou de mover-se, apenas mantendo seu membro completamente dentro. — Preciso apenas que relaxe.

Seus choramingos eram cada vez mais desesperados. Abria sua boca e, suspirando profundamente, nada soava. Buscava formas de se expressar, mas as bolas cheias, pesando, causavam dificuldade até em manter-se desperto. O headspace parecia algo físico, tamanho era seu desejo de gozar, chegando a forçar-se a relaxar como seu homem o pedia. À distância, podia tocar o estado para o quão sua mente ameaçava transferir-se, e, recuperando a consciência, felizmente são e voltando a abrir os olhos, os soluços foram substituídos pelas sentenças obstinadas.

— Me dê isso aqui – puxando grosseiramente Luhan para fora de seu interior, este atado somente pela glande, esticou-se de maneira desajeita pelo colchão. Alcançar o tubo de lubrificante à beirada da cama o fizera respirar normalmente outra vez, aproveitando enquanto ainda conseguia o fazer. — Essa merda é demais para mim.

O vácuo da embalagem vazia foi como o som da satisfação do loiro, desviando os olhos para baixo e encontrando sua obra de arte; tanto lubrificando derramando sobre o membro de Luhan que, por Deus, não conseguia pensar em maneira mais eficaz de diminuir a dor inicial. Fizera o que podia, e não pretendia dar para trás após saber, minutos antes, que sua noite inteira culminava ali.

Tremia, mais pelo nervosismo que pela dor, e as mãos de Sehun correndo por seu peitoral, acariciando delicadamente sua pele, mais o surpreendiam que tranquilizavam. Era uma balança que não se equilibrava tendo carícias em um prato e, grosso e imponente, dois membros em seu interior na seguinte. Nem sequer estava em seu controle, tentando encaixar a glande alheia no espaço inexistente e falhando nas duas primeiras vezes, com esta sendo expulsa.

Enquanto o próprio delirava, forçando-se pela terceira a relaxar completamente e tomá-lo, com Sehun afastando-se minimamente para tentar ajudar, Luhan era a prova de um autocontrole, sendo torturado, tratando-se de Seyong.

Esta existia, a capacidade de controlar-se – apenas não gostavam de fazer uso dela, como bem sabiam.

— Porra.

O jovem inspirou, devagar, jurando que o pior havia passado ao, entre choramingos, finalmente sentir as coxas de Luhan contraídas sob seu corpo. Pôde relaxar, verdadeiramente daquela vez, apoiando as mãos em seu peitoral; sem muita coragem para mover-se até que Sehun adentrasse com o pouco que havia retirado de seu interior.

— Doloroso? – comicamente, era o moreno quem o indagava de maneira dolorida.

— Apertado?

Seria mentira se dissesse que não doía, e, acostumado com as dores quando cheio de adrenalina, com seu sangue quente, diria que era a pior dor que já enfrentara; sem morfina lhe causando alívio. Mas olhar sobre seu ombro, contraindo-se propositalmente ainda que o ato lhe causasse certo ardor, e encontrar um Sehun loucamente desnorteado, fizera o loiro ganhar seu dia – e nem sequer precisou voltar os olhos para frente, a tempo, para saber que Luhan não se encontrava em situação muito diferente.

Morreria, fosse com a dor ou prazer, e os arrastaria juntamente.

— Não dói – levou uma das mãos para entre suas pernas, úmida pelo lubrificante, cercando o próprio pau; finalmente obtendo estímulos ao redor deste, pulsando e relaxando aos poucos como reação. — Ao menos não isso.

Seria mentira se dissesse que não doía, mas não viu problema algum em plantar uma pequena mentira entre os dois.

— E assim? – mas Luhan vira problema, em seus olhos, em seu leve e provocativo rebolar, e o troco seria entregue na mesmíssima moeda. — Não dói?

Pensou ter fechado os olhos, porém era apenas sua visão escurecendo, perdida, com a estocada brutal que o fizera lamuriar sem pensar duas vezes – para o inferno os vizinhos (e, a propósito, um feliz natal). Não pensou que, entre os pensamentos, eles de fato o rasgariam, mas não duvidava de que terminaria a noite sangrando entre os dois; este era seu nível de dor. Mas as pontadas doloridas, a massagem contra sua sensível glande, até que não mais tivesse sua cabeça rodando sem cessar, faziam valer a pena.

Precisava gozar, somente.

— Não.

Tão baixo quanto os sussurros antes trocados, ele respondeu.

— Às vezes, – por Deus, não. — Esqueço-me do quão, não sei, apreciador da dor você pode ser.

Os dedos correram por seu peitoral, ágeis, até estarem cercando as laterais de seu pescoço. E, se sua visão antes se encontrava turva, agora, não podia enxergar um palmo sequer à sua frente. Ereto, não dava trabalho algo ao gêmeo, que, igualmente com os olhos fortemente fechados, murmurava contra seu ouvido. Tudo o que podia compreender, assim, era que sua respiração estava constantemente sendo solta contra sua orelha, e não podia reclamar da quentura que o fazia arrepiar-se quando se aproximava de sua nuca.

Mas podia reclamar do quão ridículo Luhan o deixava (quando nem mesmo Sehun, voltando a estocar às suas costas, o fazia – não a ponto de levá-lo às lágrimas).

Não viria a implorar, de forma alguma. Havia jurado.

— Assim... – o fazendo baquear, o descontrole de seu gêmeo o atingiu, empurrando-o sobre o mais velho e, consequentemente, o forçando a mover-se contra suas coxas; novamente, para frente e para trás, como se a sensação não fosse magnífica apenas por ter suas bolas pressionadas entre seus corpos. — Continue assim, fodendo meu pau.

O curto, mas incrivelmente audível, gemido de Sehun lhe fizera ruir, guardando em sua memória o som que raramente tinha sorte de ouvir. Despencou, socando o peitoral de Luhan ao que, perseguido pela tentação, permanecia esfregando-se contra seu pau e o engolindo com maestria. Tentou, inclusive, beijá-lo – na verdade, debruçou-se descaradamente, pensando que não seria interrompido. Mas foi, e o pior, por Sehun, este que o puxou pelas madeixas até que Seyong tivesse a cabeça contra seu ombro, novamente à sua mercê.

— Peça.

Ruía, mas não imploraria.

— Peça, e deixo você gozar.

Sua sorte, naquele instante, fora estar de costas para Sehun, pois este não teria sido tão paciente se o visse rindo silenciosamente, convencido de que podia aguentar as pontas, com as duas glandes socando sua próstata constantemente, sem gozar.

Podia.

Não por muito tempo, entretanto.

— Eu não...

Ele notou, em seu tom animado demais para quem se encontrava em tal situação, o humor – e mal houve espaço para qualquer reação com os dedos firmes de Sehun tomando o lugar que, antes, pertencia aos de Luhan; pressionados em sua traqueia, o causando agonia e pontadas por toda sua ereção.

Não iria, pensou, amolecendo entre os braços de Sehun.

— Não?

Veja. Em algum momento, especialmente enquanto tinha a bunda fodida por dois membros que, diga-se de passagem, e podia se gabar por tê-los para si, o maltratavam mesmo que nunca antes adentrando juntos, dispersou. Que ótima data, religiosamente comemorada, para ter suas preces atendidas. Nos dez dedos de sua mão, até, podia ver seus desejos desaparecendo de sua lista (apesar de não ter uma). Os dedos ao redor de seu pescoço, Sehun usando da mão livre para puxar seu corpo para trás (a cada vez que suas estocadas o impulsionavam para frente), Luhan e seus joelhos dobrados, bem sob seu corpo, o jogando para cima como se Seyong fosse a porra de uma pluma.

Não havia maneira de manter-se consciente, não mesmo.

Mas mantinha-se acenando negativamente, ainda que as finas lágrimas que escondia, arrastando as costas das mãos pelo rosto, o entregasse. Sufocado pelo aperto contra sua garganta, não houve escolha além de deixar-se falar, render-se; permitir-se fazer algo além de lamuriar e gemer abertamente – pois já havia desistido de não fazê-lo.

— Tem certeza do que diz? – fora a última pergunta, soube, por ter Luhan apertando suas bolas sem dó algum e, logo, percorrendo sua extensão até que o polegar pressionasse sua fenda.

Ele o mataria, antes mesmo que o ar lhe faltasse, por fim.

Novamente, acenou negativamente – dessa vez, o ato significando um “sim”, para quaisquer perguntas anteriores, as quais nem sequer lembrava-se. Os soluços atravessavam seu peito, sem lágrima alguma os seguindo, e, com as mãos sobre o peitoral de Luhan, tentando buscar algo que o mantivesse conectado ao momento, o sentiu reverberar, e soube que se não gozasse antes, com Sehun afrouxando o toque em sua glande, o mais velho o faria.

E não cansava de pensar no quão admirável fora tê-lo suportando tantos minutos, apenas para tomá-lo junto de Sehun.

— Por favor... – quase o disse para si mesmo; tão inaudível. — Me faça arder.

Outra vez, tinha os pés sobre o colchão, inclinando seu corpo para trás, literalmente jogando-se sobre o gêmeo. Luhan, entretanto, dedilhava suas panturrilhas, tomando estas como apoio ao que, despreocupado por encontrar-se tão próximo do ápice, impulsionava para cima. Corria os dedos por suas pernas, sem pensar muito, e o fodia mal se recordando da dor que este podia estar sentindo, quase expulsando Sehun por tomar conta, por completo, de seu interior.

A sentença escapou como um sussurro, ainda assim, pois havia quebrado tantas promessas ao longo da noite, muitas, que a vergonha não o permitia subir mais oitavas do que o fazia ao gemer e chamar por seus nomes.

— Outra vez, amor. Pode repetir? – trincando o maxilar, Luhan guinchou, sorrindo ao que o moreno seguia sua linha de pensamento, puxando os fios descoloridos de Seyong. — Acredito que Sehun não tenha o escutado.

Aquela, em especial – e lhe doía admitir, tanto quanto doíam as estocadas do mais velho –, valia a pena que aumentasse o tom de voz.

— Por favor, merda.

À beira do orgasmo, era onde ele se encontrava; encarando os lábios esbranquiçados do homem sob si, pelos dentes fincados a ele. Iria gozar, e não precisaria de muitos estímulos para aquilo, mas queria ter os olhares por seu corpo, o assistindo quando esporrasse por ele, por eles. E, socando seu peitoral, como por vezes fizera ao longo da noite, o sentindo entreabrir mais as pernas abaixo; os olhos revirados e os membros vibrando intensamente.

Choramingou, meneou, contorceu-se; mais que tudo, fodeu-se contra ele em prol de seu orgasmo, para tê-lo o umedecendo com os olhos fixos aos seus, quicando bruscamente em seu colo, e, simultaneamente, gritando – e sua garganta o castigaria na manhã seguinte – por ter Sehun o empurrando, dando fim à sua postura, contra o peitoral do mais velho, quase montando suas costas para estocá-lo até o talo. Os testículos relando suas nádegas foram a prova de que, há muito, não encontrava-se completamente ali.

De corpo, talvez, mas alma? Mente? De forma alguma.

— Trate de não voltar a negar que ama ser fodido, então.

Subiu por sua coluna, rápido e fatalmente, e Luhan desfez-se contra a dura ereção do moreno, dolorido e choramingando disfarçadamente, como se pudesse endurecer novamente entre aquele forte aperto. Como se abrir os olhos, encontrando os fios loiros e úmidos pelo suor grudados à face alheia, vendo sombras de Sehun às suas costas, este sendo responsável pelo ardor explícito no rosto do lutador, não pudesse deixá-lo duro outra vez.

Pois poderia, mesmo. Mas não havia tempo para tal; a poça de porra sobre seu abdômen era sinônimo de fim, pois Seyong não se demorou a tombar sobre ele após gozar. Porque não fora qualquer orgasmo, daqueles aceitáveis que não parecem valer o esforço de toda uma transa. Nunca havia gozado tão forte.

— Não vou. Eu prometo... – ele disse, antes do ápice. Molhado e dolorido, as pernas quase trabalhavam desgostosas. Seu físico não mais suportava tanto. —... Prometo o que quiser. Eu...

Ele abre a boca, e é quando seu estômago revira e suas mãos voam para os ombros de Luhan; ele vai gozar, forte e intensamente. Sua alma, quiçá, vagasse por outra atmosfera enquanto seu corpo era jogado e balançado pelo de Sehun, ainda empurrando e o esporrando – e nunca se sentira tão úmido, não faltando porra escorrendo por sua entrada.

Os lençóis foram trocados (somente os reparou ao despertar), e o corpo foi limpo, não mais respingando a cada contrair. As pontadas, contudo, estava ali, diferente da noite anterior, onde tudo era um mar de rosas. Recordava-se, até, do natal, do vinho, do sexo – e, porra, não podia negar que tivera as bolas repuxando ao relembrar cada instante. Mas quanto ao fim, era como se uma borracha decidisse exterminar as últimas lembranças, apesar de não lembrar-se de um dia ter os membros tão relaxados após gozar.

Tocando o abdômen, gosmento como a marca do pecado cometido e que, por vezes, seria prazerosamente repetido, compreendeu que o presente não fora tê-los para si, em si, mas... Recebera uma viagem de curto prazo, esta que nem sequer notou ter realizado até, ali, perder-se novamente nas sensações que horas antes lhe foram proporcionadas.

Eram a intensidade, ardor em busca de cada pedaço que os tornava quem eram. Pureza entre o errôneo. Trindade profana, pensou e revirou os olhos, pestanejando; exausto.

Para a merda qualquer termo que pudesse defini-los, afinal.

Em sua visita ao subespaço, eram apenas pecadores – típico.

 


Notas Finais




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